quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A outra turma (17/11)


As alternativas supostamente anticapitalistas são só colagens fantasmagóricas de filantropias, multiculturalismos, ambientalismos e simpatias pela ação direta, esta célula-mater do terrorismo

Os ocupantes contra Wall Street veem seu movimento envelhecer precocemente. Ao contrário dos conservadores radicais do Tea Party, não têm uma estratégia de saída.

Marchar nas ruas, ocupar praças e oferecer “photo ops” à imprensa entretém enquanto é novidade. Mas uma hora o público cansa e troca de canal.

A estratégia de saída do Tea Party foi lutar por espaço no Partido Republicano, e até agora o êxito é notável. Elegeram bancadas parlamentares aguerridas, ainda que minoritárias.

Na prática, definiram a pauta, a do próprio partido e a do adversário. E quem acompanha os debates republicanos rumo a 2012 notará que todos os candidatos batem continência é para o Tea Party.

Outro limite da contestação de esquerda ao modelo capitalista-liberal americano é a ausência de propostas sobre o que colocar no lugar. A alternativa clássica seria o socialismo, mas ele está ausente do picadeiro.

Inclusive porque os mecanismos capitalistas têm sido boia de salvação para países liderados por partidos e líderes vinculados ao discurso socialista.

Cuba recorre à forte expansão da propriedade privada para tentar alcançar um grau de properidade que impeça a deslegitimação do regime. Mesmo a Coreia do Norte procura copiar aspectos do modelo chinês, que antes rejeitava.

Sem falar na esquerda social-democrata que governa potências capitalistas, como por exemplo o Brasil. Aqui, o socialismo desapareceu completamente dos discursos, das metas.

Talvez permaneça congelado na doutrina, como homenagem póstuma a um passado emotivo, e a um futuro que não acontecerá.

A crise de 29 encontrou o movimento comunista bastante organizado e a Revolução Russa era uma vitrine fresquinha do “outro mundo possível”. E agora? Agora nada.

As alternativas supostamente anticapitalistas são só colagens fantasmagóricas de filantropias, multiculturalismos, ambientalismos e simpatias pela ação direta, esta célula-mater do terrorismo.

No filme Reds, sobre “Os dez dias que abalaram o mundo”, a obra literário-jornalística do americano John Reed, os revolucionários russos substituem “luta de classes” por “guerra santa” quando vão levar a mensagem da nova era às províncias islâmicas do velho império dos czares.

Não sei se aconteceu de fato ou se é só cinema. Mas a coincidência é notável.

É para o islamismo radical e militante que certa esquerda lança o olhar esperançoso, sequiosa de uma ideia global organizadora que possa fazer frente ao “Grande Satã”.

É uma óbvia degeneração. À qual corresponde certa reação newtoniana, com as sociedades ocidentais inclinando-se para o nacionalismo, o etnocentrismo e a xenofobia.

Quem aparece nas fotos, no noticiário, é a turma do #occupy. Mas quem está ganhando as eleições é o pessoal do lado oposto.

Peço vênia

O ministro do Trabalho tornou-se um ônus pesado demais para o governo e o partido dele. Se vai cair ou se ficará como peso morto na Esplanada, os fatos dirão. Um fato, porém, é que na prática deixou de ser ministro.

Transformou-se na bola da vez para Dilma Rousseff aplicar mais uma marca no cabo do machado que decepa cabeças. Dar um “refresh” no marketing da faxina.

O que mais barulho faz na crise do ministério do Trabalho é a história do tal avião. E as inevitáveis ONGs.

Depois que o furor passar, talvez valha a pena apontar o binóculo para outro ponto: os critérios para chancelar sindicatos.

A coisa funciona assim. As centrais sidicais repartem a verba oficial conforme a representatividade, medida em entidades filiadas. Mas é o Ministério do Trabalho quem diz se o sindicato é ou não legítimo.

Sacaram? É um poder e tanto.

Um mecanismo e tanto de cooptação pelo governo federal. Deve-se também a isso a notável paz dos cemitérios no movimento sindical.

Fazem uma firula aqui, uma pedalada ali, sai uma ou outra notinha contra o Banco Central por causa dos juros. E só.

O razoável seria acabar com isso. Por que o Ministério do Trabalho deve manter o poder de dizer quem representa tal ou qual categoria profissional?

Essa pauta emociona menos que ONGs picaretas ou jatinhos comprometedores. Mas é bem mais relevante.

Com a devida vênia a quem acha o contrário.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta (17) no Correio Braziliense.



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11 Comentários:

Anonymous Samuel Vidal disse...

Apesar de eu não me considerar mais um esquerdista, acredito que há boas pautas para a esquerda discutir hoje. O problema é que a turma "do outro mundo possível" fica buscando apenas satanizar o capitalismo, destilar ódio irracional ao invés de propor soluções reformadoras. Cinco perguntas precisam ser feitas:
1- O endividamento das famílias visto no mundo desenvolvido nas últimas 3 décadas e que acontece hoje no mundo emergente é sustentável no longo prazo?
2- A existência de países exportadores com grandes economias como a China, que possuem moedas super desvalorizadas é sustentável no longo prazo?
3- A roleta russa financeira com derivativos e fundos que especulam com commodities e moedas nacionais é sustentável?
4- Será que não é preciso olhar com atenção para a fatia dos salários no PIB mundial, mesmo considerando os fenômenos China e Índia e o seu exército de mão-de-obra?
5- Será que não é preciso olhar com atenção para o fenômeno da automação e do envelhecimento da população no hora de discutir desemprego e previdência social?

O cenário converge para a necessidade de um mundo com mais regulação estatal. Mas para discutir essas e muitas outras questões os esquerdistas precisam buscar entender como funcionam os mercados financeiros na prática, para separar o joio do trigo, aquilo que gera instabilidade daquilo que gera desenvolvimento e não buscar condenar tudo. Um exemplo: o aumento dos ativos mundiais em relação ao PIB nas últimas 3 décadas não foi apenas dinheiro usurpado dos trabalhadores pelos "capitalistas". Muitas empresas multiplicaram de valor com a mesma infra-estrutura física apenas por terem entrado na bolsa de valores. Além disso dezenas de trilhões de dólares das empresas na bolsa pertencem aos fundos de pensão de trabalhadores no mundo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011 12:31:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

1) Nos movimentos que se batem pelo mundo, fica patente a rejeição, ao menos aparente, à política. Assim, fica difícil traçar algo que aponte para alternativas que possam, efetivamente, passar da ideia para a implementação. No Brasil, um exemplo, pode ser a lei ficha limpa. Aparentemente, uma iniciativa popular, suprapartidária, assinaturas em número legal etc. Só que contraria a Constituição Federal, ao retroagir. Assim, criou mais confusão do que trouxe de solução.

2) No exterior, como pode um movimento objetivando propostas avançadas, com forte viés contra o financialismo, deixar um amontoado de sujeira nos locais onde acampam?Assim, um novo mundo é absolutamente impossível.

3) O ministro, ex, quase, sabe-se lá, do Trabalho, parece não ser um problema para a presidente. Por exemplo, pode estar gerando indicadores de popularidade favoráveis. Não haveria outra razão para tanta delonga. "Qualis", podem estar dando sinais positivos. Falar que "o ministro estaria dando trabalho", seria apenas um pleonasmo em 3D...

4) Hoje, no depoimento na CAS do Senado, o ministro disse "não ter dito não ter viajado em "avião fretado"". Mas, sim, "que não tinha viajado em "avião particular"". Oras, falar tais coisas numa Comissão do Parlamento, não é coisa que se faça. Por mais camarada que seja o ambiente, coisa que não o foi. Exceto por alguns senadores. A maioria apertou bastante o depoente. Por isso, pela criatividade argumentativa, pode até ser que vá ficando mais um pouco...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011 17:36:00 BRST  
Blogger Leonardo Bernardes disse...

Então só pode haver mudança se for pela via institucional, segundo as regras da política arroz e feijão, né?

O Tea Party encontrou um jeito de se insinuar nesse terreno e está conseguindo vitórias, o OWS, por sua vez, está perdendo.

Eu sou quase capaz de apostar que você vê a primavera árabe também como fogo de palha.

Você está muito preso às formas disponíveis para avaliar o impacto de movimentos políticos, Alon, e, aliás, muito preso também à pecha reducionista que a imprensa forjou para designa o OWS: movimento anticapitalista. Só por adotar esse termo, você inevitavelmente compra um reducionismo que de saída limita sua capacidade de enxerga um movimento que diferente essencialmente do Tea Party.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011 18:27:00 BRST  
Anonymous Darcy disse...

A pauta para o "outro lado"poderia ser perfeitamente um capitalismo com regulamentação bem definida e rigorosa sobre essa orgia que é o mercado financeiro.
Eu acho que o caminho é por aí.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011 20:36:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Sem definir politicamente o que seja isso tudo, como identificar o tipo de regulação necessária?

Por exemplo, a URSS, depois de 80 anos, mostrou, com a debacle, um número sem par de bilionários. Muitos oriundos de sua burocracia.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011 17:38:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Tenho uma hipótese para o que eu avalio ser um tanto de severidade sua com os "ocupantes contra Wall Street" e a sua benevolência, em meu entendimento, para com o Tea Party. Deixo a hipótese para um próximo comentário.
Neste comentário vou transcrever um trecho do que eu li hoje, 19/11/2011 no post "Madoff explica tudo" de 18/11/2011 às 17h39 no blog de Paul Krugman. Diz lá o premiado bloguista americano:
"O caso de Madoff, como o leitor talvez saiba, foi um clássico caso de “fraude por afinidade”; Madoff conseguiu conquistar a confiança de judeus ricos ao convencê-los de que era um deles. A fraude por afinidade está por trás de muitas fraudes financeiras – e está por trás de muitas fraudes políticas também.
No momento, a campanha contra o OWS tenta basicamente fazer com que os trabalhadores americanos se voltem contra o movimento, ainda que a maioria das pessoas apoie os objetivos do grupo, ao transmitir a impressão de que os manifestantes não são pessoas como você – enquanto que os plutocratas o são. Ora, isto já funcionou muitas vezes no passado; é aí que reside toda a argumentação do livro What’s the matter with Kansas. E sua operação pode se dar em muitas direções: o OWs deve ser rechaçado porque é coisa de hippies sujos, Elizabeth Warren é diferente-de-você porque – horror dos horrores – ela é uma professora de Harvard."

Coincidentemente, depois de uma longa ausência, salvo para copiar e colar algum comentário que eu tenha escrito lá, eu fui hoje, 19/11/2011, fazer uma leitura no blog de José Paulo Kupfer que eu considero o meu comentarista econômico preferido.
Encimando o blog havia o post "A S&P e o mercado de títulos “confiáveis”" de 18/11/2011 às 17h47. José Paulo Kupfer faz o bom questionamento da agência de risco S&P. Coincidentemente em uma época que pipocam escândalos por todos os lados. Não escândalos como os do setor público do Brasil que apenas servem de capa da primeira página de jornais e revistas, mas que não resultam em condenação como bem apontou um comentarista que se intitula Aliancaliberal em comentário junto ao primeiro comentário no post "FHC combate o fisiologismo que praticou" de quarta-feira, 16/11/2011 às 10:59 no blog de Luis Nassif para negar validade à lista de 45 escândalos que teriam ocorrido no governo de Fernando Henrique Cardoso. Então numa época que pipocam escândalos no setor privado por todos os lados e que levam à condenação seja administrativa seja penal, no Brasil e no exterior, é de se perguntar quem nos poderá dizer o que são os “ocupantes contra Wall Street” e o que é o Tea Party. Não, não estou falando do escândalo de Rupert Murdoch em News of the World. Lembrei-me do exterior em razão do post de Paul Krugman "Madoff explica tudo". E também porque ontem, 18/11/2011, li no Valor Econômico a ótima matéria “Uma boa safra de escândalos contábeis” e de autoria de Jonathan Weil da Bloomberg.
Penso que mesmo que fôssemos informados com precisão, isto é, mesmo que a mídia informasse a verdade sobre o objetivo dos "ocupantes contra Wall Street", ainda assim não poderíamos saber o que efetivamente eles são porque a realidade que está sendo mostrada para eles (E para todos nós) é uma contrafação. Não é culpa da mídia, é mais uma questão de “The show must go on”, ou talvez devesse dizer, "The showbusiness must go on". O escândalo da Olympus, um dos escândalos comentado na matéria “Uma boa safra de escândalos contábeis” iniciou-se na década de 80.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/11/2011

sábado, 19 de novembro de 2011 19:58:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Disse que tinha hipótese para o seu tratamento mais rigoroso como os "ocupantes contra Wall Street" e a sua benevolência, em meu entendimento, para com o Tea Party. Para miom, você admira muito o Barack Obama e vê a atuação dos "ocupantes contra Wall Street" como contrária a Barack Obama na medida em que ele teve que fazer um governo em solidariedade com Wall Street. E do outro lado está o Tea Party fazendo campanha com relativo êxito contra Barack Obama. Você então se enfurece com os "ocupantes contra Wall Street", pois eles não deveriam lutar contra Barack Obama, mas sim contra o Tea Party. A benevolência para com o Tea Party é para mostrar aos "ocupantes contra Wall Street" que o verdadeiro inimigo é muito maior e que precisa ser combatido.
Confesso que eu admiro também Barack Obama. E é uma admiração, ao contrário da sua, de um anti americano. Anti americano contra o povo e não contra o Estado porque o Estado é apenas o reflexo do seu povo, mas um anti americanismo no sentido de ser anti a hegemonia que os Estados Unidos exercem no mundo e que se aplicaria a outros povos se fosse outro o povo que exercesse hegemonia no mundo.
E confesso que como anti americano me surpreendi com a vitória de Barack Obama. Ainda que com um pouco de teoria conspiratória eu atribua parte da vitória de Barack Obama ao próprio esforço de Wall Street em limpar a face suja dos Estados Unidos que George Walker Bush, o filho, deixou. O capital americano ficou mal visto no mundo com George Walker Bush, o filho.
De todo modo, a vitória de um negro e intelectual sem contar com um Plano Real e com o crescimento da dívida pública para ganhar uma eleição marcou ponto para a sociedade americana.
Já disse isso aqui junto ao seu post "Passagem para o futuro" sexta-feira, 25/02/2011 e de lá retiro trecho de comentário meu enviado terça-feira, 01/03/2011 às 21h17min00s BRT, mais exatamente transcrevo a parte que não é minha, mas sim de Slavoj Žižek em entrevista concedida a Jorge Pontual para a Globonews e intitulada "Revolta contra o capitalismo é forma de reforçá-lo" e que pode ser vista no blog de Luis Nassif junto ao post "A revolta que reforça o capitalismo" de sábado, 19/02/2011 às 12:34, em que Slavoj Žižek diz o que a esquerda deveria fazer:
“deveria rezar pela alma dele [George Bush, o filho] todos os dias . . . [pois nos] seus oito anos de governo, ele, com certeza, enfraqueceu a hegemonia e a liderança mundial dos EUA".
Assim, apesar de admirar Barack Obama e de torcer para ele, não coloco a vitória dele nas próximas eleições como meu mais importante desiderato. Assim, não penso que os "ocupantes contra Wall Street" estejam fazendo um mau serviço criticando Wall Street, ainda que eu não creia que Barack Obama tenha errado em dar liquidez a Wall Street.
Pensando assim torço para que eu não cometa o mesmo erro que cometi na eleição de Ronald Reagan que eu acreditava que faria mal aos Estados Unidos, pois ele prometia reduzir os impostos e as tarifas do comércio exterior, reduzir a inflação e reduzir o déficit público e para mim aqueles objetivos eram contrários a construção de uma grande nação (Salvo a inflação, que não guarda relação com o crescimento). Errei porque não imaginei que Ronald Reagan fosse a tal ponto irresponsável de reduzir os impostos e aumentar os gastos públicos indo contra o próprio discurso. Além disso, repassou para Estados e Municípios determinados encargos, obrigando os Estados e Municípios a aumentar a carga tributária de competência deles.
Agora para administrar o déficit de 10 pontos percentuais do PIB, os Estados Unidos tem que aumentar a carga tributária em pelo menos 5% do PIB. A menos que eles passam a cobrar do mundo o papel de gendarme que vem desempenhando às duras custas, o crescimento do Tea Party combatendo o aumento dos impostos só os enfraquecerá.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 11/11/2011

sábado, 19 de novembro de 2011 22:00:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Como se canta em Cambalache de Enrique Santos Discépolo Deluchi,
"Que el mundo fue y será una porquería, ya lo sé, en el quinientos seis y en el dos mil también; que siempre ha habido chorros, maquiávelos y estafáos, contentos y amargaos, valores y dublé. Pero que el siglo veinte es un despliegue de maldá insolente ya no hay quien lo niegue, vivimos revolcaos en un merengue y en el mismo lodo todos manoseaos".
O que é o Tea Party? Um grupo marxista que combate o Estado, este instrumento de dominação capitalista? Se fosse tido como marxista, o Tea Party não teria êxito. No entanto, o Tea Party defende uma crença que só tinha validade no século XVIII de Adam Smith na virada para o século XIX de David Ricardo e no século XIX de Karl Marx. Do século XX em diante o que se vê é a carga tributária sair de 10% e vir subindo até mesmo no início do século XXI. E deve dar agora na segunda década do século XXI, um grande salto como única forma de se sair do marasmo da crise que iniciou em 2007. Crise que se deveria ter iniciado nos primeiros anos do século XXI, se o aumento exorbitante dos gastos públicos e a redução do prime rate americano desde dezembro de 2000 e o esforço de guerra não tivessem adiado a recessão.
Se a história mostra uma coisa, a crença oposta ao que mostra a história não fácil de arregimentar seguidores, mas se torna se se evita apegar à história. Em um mundo confuso, onde não se sabe quem é amigo ou inimigo transformar o gigantismo do Estado em inimigos de todos é fácil e conta com a apologia dos melhores filósofos. Assim falar contra o Estado é fácil e arregimenta seguidores em todos os cantões. Uma causa que não tem, entretanto, um exemplo para ser testado, pois não há um exemplo de Estado que esteja diminuindo a carga tributária?
E se ao grupo junta quem tem posse, então o grupo conta com todos os recursos para bem estruturar. Não chega a ser surpresa ser elogiado pela boa estrutura.
Do outro lado, sem saberem que estão do outro lado, aliás, sem mesmo saberem de que lado estão e que só sabem que não dispõe de recursos e reclamam que os recursos que se dizem escassos, sejam enviado para os que têm e que são criticados porque não tem recursos estão os "ocupantes contra Wall Street".
É isso, os "ocupantes contra Wall Street" não sabem exatamente o que querem, pois o único objetivo capaz de arregimentar seguidores já foi apropriado pelos que têm muito. Além disso, uma característica de que desfrutam que por certo tempo foi utilizada como trunfo - serem despossuídos - hoje é apresentada como fundamento para a crítica que se lança sobre eles.
Assim, além da hipótese que mencionei para sua crítica aos "ocupantes contra Wall Street", você me pareceu injusto com eles.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/11/2011

domingo, 20 de novembro de 2011 00:17:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Você deve ser marxista. Em um mesmo post, em um tópico bate palmas para o Tea Party que ganha a batalha pela redução do Estado e em outro critica o Ministério do Trabalho por dispor de mecanismo que aumenta o poder do Estado - este instrumento de dominação capitalista utilizada pela classe dominante sobre o domínio sobre a classe dominada.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/11/2011

domingo, 20 de novembro de 2011 00:32:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Clever Mendes de Oliveira
BH, 11/11/2011.

Pode ser que não tenha entendido direito suas argumentações.

Mas, vale a pena comentar que pode haver quem atribua a suposta decaída dos EUA à eleição de Obama.

E outros que encaram a eleição de Obama como demonstração da queda dos EUA.

E ainda, parece, ter havido quem pensasse que Obama enfraqueceria seu próprio país. Uma rematada bobagem.

De todo modo, o mundo parece dividido entre quem acha que os EUA caíram irremediavelmente. Estes, parecem esquecer que tal coisa é falada desde o final da II Guerra.

E de outro lado aqueles que já enxergam a hegemonia chinesa como uma realidade. Estes podem ser parte daqueles crentes, para os quais a língua espiritual do século XXI seria o árabe e a língua política seria o chinês, mandarim.

Difícil saber, pois, o século ainda não terminou. Contudo, não houve-se o mandarim nas manifestações contra o capitalismo financeiro. Muito menos no "ocupe Sampa".

E o árabe, não parece ter atingido o ponto previsto. A menos nos eventos religiosos em estádios de futebol e marchas.

Assim, não ouve-se, no Brasil, nem o mandarim como língua política. E muito menos o árabe como língua espiritual.

Na realidade, tem horas que nem o Português ouve-se muito. A língua parece substituída por um apanhado de termos politicamente corretos terminados em "ade": sustentabilidade, mobilidade, acessibilidade, empregabilidade...

domingo, 20 de novembro de 2011 00:38:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (domingo, 20/11/2011 às 00h38min00s BRST),
O que eu quis dizer sobre Barack Obama foi apenas que eu não tenho a mesma admiração que por ele tem Alon Feuerwerker, mas considerei a eleição dele como uma evolução da sociedade americana.
Ainda que eu seja contra a hegemonia americana eu torcia para Barack Obama, mesmo sabendo que ele representaria um fortalecimento do poder americano porque eu imaginava que ele teria força para aumentar a carga tributária. Perdeu a oportunidade nos dois primeiros anos quando o Partido Democrata era maioria. Entendi em parte o dilema dele uma vez que é errado aumentar a carga tributária quando o país se encontra em recessão. O que ele deveria ter feito era um aumento da carga tributária para o futuro, com a concessão de benefícios temporários, que iriam se extinguindo à medida que o país fosse recuperando-se.
E torci para Barack Obama, pois como eu disse em meu comentário de sábado, 19/11/2011 22h00min00s BRST:
“De todo modo, a vitória de um negro e intelectual sem contar com um Plano Real e com o crescimento da dívida pública para ganhar uma eleição marcou ponto para a sociedade americana.”
Ou então como eu disse no início deste comentário a vitória de Barack Obama foi uma evolução da sociedade americana e a humanidade evolui junto quando qualquer sociedade evolui.
Quanto à lista de pessoas que professam as mais variadas idéias e que você apresentou em quase todo o seu comentário, eu penso que são idéias professadas por minorias sem expressão e que não mereceriam constar do seu comentário.
É claro que essas idéias que se espraiam pelo mundo sem que a gente tenha um efetivo contato sobre elas nos deixa apenas com a percepção de um mundo confuso de que nos falou Enrique Santos Discépolo Deluchi em Cabalache. Talvez essa confusão pode ser visualizada quando se leva em conta a primeira eleição de George Walker Bush, o filho. Ele foi eleito prometendo que os Estados Unidos iriam se retrair do poder de império de que os Estados Unidos haviam abusado no governo de George Bush. Para quem era contra o poder hegemônico dos Estados Unidos mesmo não torcendo para George Walker Bush não ficariam insatisfeito com a vitória dele. George Walker Bush, como Ronald Reagan, entretanto, não cumpriu com o prometido. Reforçou com o poder militar hegemônico americano, mas esse reforço representou um enfraquecimento do poder hegemônico financista americano, ou pelo menos, se não um enfraquecimento, uma resistência mundial maior.
E por mencionar mais uma vez a confusão que é tudo isso, faço a transcrição de um trecho do meu comentário de quinta-feira, 27/10/2011 às 14h11min00s BRST junto ao post “Os cavalos correm” para você como se vê a seguir:
“Bem, sobre o que eu disse acima de os revolucionários líbios serem portadores de uma nova ordem ou não o serem, vale a transcrição do trecho a seguir retirado da Introdução, página 23/24, da 2ª edição do livro “Como a picaretagem dominou o mundo” de Francis Wheen, editado pela Editora Record em 2007:
“NOSSA HISTÓRIA COMEÇA HÁ UM QUARTO DE SÉCULO, EM 1979, QUANDO O AIATOLÁ KHOMEINI INAUGUROU UM PROJETO ISLÂMICO DE FAZER O TEMPO RETROCEDER À ÉPOCA MEDIEVAL, E MARGARET THATCHER - QUE POSAVA DE DISCÍPULA DO GIGANTE ILUMINISTA ADAM SMITH - DISPÔS-SE A RESTABELECER OS “VALORES VITORIANOS”. NENHUM DOS DOIS TERIA OUSADO IMAGINAR O SUCESSO QUE ALCANÇARIA”.”

A verdade que fora da realidade do quarteirão onde moramos, todos os avanços tecnológicos não nos têm favorecido na interpretação desse mundo muito louco. E como eu disse há mais tempo em uma discussão sobre a reforma tributária, para ficar livre de toda a confusão, eu tenho me apegado à única coisa que me parece incontestável: a necessidade de aumento da carga tributária. Porque me parece que essa é a única forma de fortalecer o Estado este instrumento de dominação capitalista e ao mesmo tempo instrumento que favorece ou a evolução do capitalismo ou a que o capitalismo se supere.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/11/2011

domingo, 20 de novembro de 2011 18:34:00 BRST  

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