sexta-feira, 4 de novembro de 2011

"Mas qual é a proposta?" (04/10)


Se Lula tem plano de saúde e fontes de recursos para tratar-se no Sírio, fez bem de ir para lá. Pois deixou de ocupar no Icesp uma vaga, que agora irá servir a alguém que não pode pagar o Sírio

O piadismo na internet sobre o câncer de Luiz Inácio Lula da Silva e o SUS teve pelo menos um efeito positivo. Atraiu o olhar jornalístico para as estruturas da rede pública que atendem pacientes de câncer.

Repórteres foram a hospitais e puderam notar, e depois reportar: o atendimento é defensável e o povo não está desassistido.

Há problemas? É evidente. Poderia melhorar muito? É claro. Mas daí a dizer que o tratamento de câncer no SUS é uma droga vai uma diferença e tanto. 

E conforme a realidade se impõe o foco da crítica sofre um ajuste: o problema não seria a má qualidade do serviço, mas a oferta insuficiente e as filas de espera.

Sim, de fato é um problema, e os governos deveriam investir mais. E estão investindo. Em todos os níveis. Aliás estão de língua de fora, desesperados para encontrar novas fontes de financiamento.

O piadismo sobre o câncer de Lula e o SUS alimenta-se também de preconceito social. Digo e provo. Na longa luta contra a doença, José Alencar nunca foi alvo de nada parecido. Talvez por ser sabidamente rico, por ter dinheiro para pagar o dispendiosíssimo tratamento privado.

Não houve campanhas tipo #ZeAlencarnoSUS. Não houve tampouco qualquer episódio de jornalismo especulativo na linha "o que acontece se ele morrer".

Mas o nó górdio está em outro canto. Como naquelas peças engajadas na universidade nos anos 60 e 70, uma hora o teatro acaba, alguém levanta na plateia e lança a pergunta: "Legal, gostei, mas qual é a proposta?"

Ando mesmo meio saudosista, então vou explicar. À encenação da peça precisava seguir-se uma proposta de abordagem revolucionária da realidade injusta e opressiva. 

Uns diziam que só a luta armada resolveria, já outros preferiam apostar na organização das massas e na luta político-eleitoral.

Vou fazer como naqueles bons tempos. Depois que se cansarem do teatro, das piadas e da desopilação hepática, gastem um tempinho para raciocinar e esclareçam: qual é, afinal, a proposta?

Há três soluções possíveis. Uma saúde 100% estatal, uma 100% privada e uma mista.

Duvido que algum, unzinho só dos piadistas do câncer alheio defenda a primeira opção. Mas deveriam. Seria lógico, coerente. 

Pois não há como financiar pelo Estado um sistema que ofereça a cada brasileiro tratamento e serviço de hotelaria no nível, por exemplo, do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo.

Se a saúde brasileira fosse completamente estatal, talvez com sorte ela atingisse em toda a extensão o nível de excelência hoje observado nos equipamentos de ponta da área pública. Com muita sorte. 

E muito, mas muito dinheiro mesmo. Dinheiro que aparentemente a sociedade não está disposta a entregar ao governo.

Já uma saúde 100% privada seria impensável, social e politicamente inviável. De novo, apontem-me um, unzinho só dos críticos do SUS que proponha, em campanha eleitoral, acabar com o sistema. 

Simplesmente não há. É uma ideia mais apropriada ao mundo da lua.

Sobra então tentar aperfeiçoar o SUS. E para isso é preciso mais dinheiro. Trazendo recursos de outras áreas. 

Ou aumentando impostos. E fazendo os planos de saúde pagarem pelo atendimento que seus pacientes recebem na rede pública. Isso daria uma bela mão.

Não sei quem está pagando o tratamento de Lula. É assunto privado dele, dos médicos dele e do Hospital que o atende. Talvez o plano de saúde do ex-presidente cubra. 

E certamente não lhe faltarão recursos privados para tratar-se, se for necessário, se quiser fazer coisas que o plano não cobre.

Escrevi outro dia que Lula poderia ter optado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, o Icesp. Uma boa herança dos governos do PSDB. 

Mas se Lula tem plano de saúde e fontes de recursos para tratar-se no Sírio, fez bem de ir para lá.

Pois deixou de ocupar no Icesp uma vaga, que agora irá servir a alguém que não pode pagar o Sírio.

Viagem

Nos próximos dias estarei em viagem à Antártica, a convite da Marinha. Até a volta.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta sexta (04) no Correio Braziliense.



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34 Comentários:

Blogger pait disse...

Boa viagem, Alon!

Para o Lula, desejo sinceramente o mais breve retorno à melhor saúde. Esse ano já teve câncer demais.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011 22:16:00 BRST  
Anonymous Serginho/Sampa disse...

Ah Alon, por favor, não se faça de sonso. Entre o Lula e o José Alencar (ou mesmo entre Mário Covas) qual deles teve o desplante de dizer que o sistema de saúde do Brasil beirava a perfeição??? É essa a pegada, entende?

Essa situação em que a mídia (tanto a governista quanto a oposicionista) se deslocou da opinião pública é surreal... o povo que reclama não está revoltado com a escolha de Lula pelo serviço privado, o povo está revoltado com o deboche eleitoreiro dele.

Em tempo, se a preocupação é Lula não tomar o lugar no serviço público de alguém que não pode pagar pelo privado, que ele se utilize do sistema público e pague um tratamento para um paciente no serviço privado. Questão de coerência.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011 23:45:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Cara, esse argumento de deixar uma vaga no SUS para quem precisa, é de arrepiar.

Porque ele não pega a vaga para ele e custeia o tratamento de um pobre no Sírio?

Mas o ponto não é esse, né? Ele que se trate onde quiser e onde puder.

Mas boquejou, não boquejou? Não disse que, na gestão dele, o SUS ficou perto da perfeição? Não sugeriu que até o Obama montasse um SUS lá? Não disse que dava até vontade de ficar doente?

o que ele está ouvindo de parte da população é uma variante do ditado - fala o que quer, ouve o que não quer...

Sem contar que o Sírio-Libanês é um hospital de luxo, suntuoso - quem está lá às vezes se confunde, e acha que está num hotel. Tudo bem, não precisava ir para o SUS. Mas precisava ir para o hospital mais caro e luxuoso do Brasil? Não podia se tratar, sei lá, no consultório do Dr. Drausio Varela (que é oncologista)? Não podia escolher um hospital particular de S. Bernardo? Não: foi para um hospital-símbolo dos "patrões".

Ele agora usufrui de tudo aquilo que ele criticava, de tudo aquilo que ele dizia ser o Mal, o outro lado.

Não há, nisso, nenhum preconceito social. Há, sim, uma triste constatação da tíbia moral que anima esse senhor.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 10:21:00 BRST  
Anonymous Samuel Vidal disse...

Alon grande viagem cara. Deve ser uma experiência de vida indescritível, conhecer os rincões do mundo que não estão disponíveis para o turismo convencional.
Quanto ao Lula concordo que ele deve se tratar onde quiser, aliás nem pega bem liberais ficarem exigindo que alguém seja obrigado a fazer algo pelo Estado, sem a liberdade de iniciativa. Quanto ao SUS concordo que o problema é falta de recursos para ele ser uma maravilha. No entanto não devemos almejar um sistema sueco ou francês com uma renda per capita de 11 mil dólares contra a deles que é 4 vezes maior. Devemos se preocupar em crescer 7% ao ano e ao mesmo tempo aumentar os recursos da saúde em 7% ao ano. E por fim quanto ao Lula concordo com as críticas pelo ângulo da demagogia muita vezes frequente no discurso do ex-presidente. Se algum "mortal" falasse que o SUS é uma perfeição estaria em apuros.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 10:38:00 BRST  
Anonymous Brasil disse...

1. "Se Lula tem plano de saúde e fontes de recursos para tratar-se no Sírio, fez bem em ir para lá. Pois deixou de ocupar no Icesp uma vaga, que agora irá servir a alguém que não pode pagar o Sírio."

Ninguém está questionando a capacidade de pagamento do plano de saúde do Lula. A mentira é que Lula estaria tirando o lugar de um pobre coitado ao ir fazer o tratamento no SUS. A verdade ( e é este recado que o movimento Lula no SUS está mostrando) é que, se fizesse tal opção, ele entraria em uma fila de mais de 70 dias para a primeira sessão de quimioterapia e em outra fila de mais de 120 dias para a primeira sessão de radioterapia. A não ser que o jornalista já parta do princípio de que Lula teria o direito de furar a fila e tirar um Silva qualquer que lá estaria penando, às vezes agonizando, por mais de 70 ou 120 dias. Desenhando: Lula teria que aguardar a sua vez, como mais de 200.000 brasileiros cancerosos que dependem do SUS, neste exato momento.

2. "Não houve campanhas tipo #ZeAlencarnoSUS."

A explicação é muito simples. José Alencar jamais disse que a saúde no Brasil estava quase perfeita. Jamais sugeriu que Obama criasse a maravilha do SUS nos Estados Unidos para que "us americanu tivessem atendimento de qualidade". Jamais disse que tinha vontade de ficar doente para poder ser tratado ali naquela UPA que ele estava inaugurando, de tão boa que ela era. Lula passou oito anos mentindo sobre saúde pública. Na hora em que precisou, correu para o Sírio-Libanês.Os brasileiros estão punindo a arrogância e as mentiras de Luiz Inácio Lula da Silva.

3. "Uns diziam que só a luta armada resolveria, já outros preferiam apostar na organização das massas e na luta político-eleitoral. Vou fazer como naqueles bons tempos. Depois que se cansarem do teatro, das piadas e da desopilação hepática, gastem um tempinho para raciocinar e esclareçam: qual é, afinal, a proposta?"

A colocação é descabida. O que está sendo cobrado é o "pratraismente" e não o "prafrentemente". Lula esteve no poder durante 8 anos e só fez mentir sobre saúde pública. É isso que está sendo cobrado por esta massa cada vez maior de cidadãos, ao ponto de surpreender os arautos da divindade Lula. Os brasileiros pagam uma das maiores cargas tributárias do mundo, similar a países que tem uma saúde de primeira qualidade. Os brasileiros indignados com o SUS não vão cansar das piadas e não vão se intimidar com patrulhas. Eles cansaram das mentiras do Lula. Está na hora de certa imprensa parar de se fazer de boba e aceitar o que realmente está acontecendo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 11:05:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A pessoa física Luiz Ignácio nos merece apoio e torcida a favor.
Já a pessoa pública Lula é outra história; assumirá não só os bônus mas também os ônus de suas ações. Uma delas foi supervalorizar a Saúde em sua gestão, sem reparar nas dores dos maltratados ou nem tratados.
Foi demagogo. Sempre buscou a assistência privada quando precisou.
Agora, equivocou-se o jornalista ao pretender que o atendimento público é bom, o ruim é a demora no atendimento. Desculpe mas é óbvia a relevância do prazo no atendimento aos casos de câncer.
E se fez bem em revelar que irá passear nos barcos da Marinha - boa viagem - esqueceu de dizer quem pagará pelo privilégio.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 11:58:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Antártica! Que inveja!

Boa viagem, Alon.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 12:01:00 BRST  
Blogger seci disse...

Sr. Alon Feuerwerker,
Parece que o senhor não leu as entrelinhas.
O povo não é piadista, não. O povo está cansado. Se não, leia à pagina 22 do caderno Cidades, sobre pai que veio do Piauí e teve que entrar na justiça para conseguir tratamento para criança hemofílica. Nem só de câncer padecem os contribuintes que precisam da rede pública, de preferência em sua própria cidade. Às vezes a única forma de protestar é através da piada, mas nem todos o fizeram no caso específico de Lula.
Na mesma página, “Distritais continuam em Recesso”. Isso é um país sério? Quem está fazendo piada?
Isso para citar só dois contextos.
Às vezes a única forma de protestar é através da piada, mas nem todos o fizeram no caso específico de Lula. Aqui, não se trata do câncer, não. Trata-se das promessas de campanha, que como é do feitio dele, não cumpriu. Trata-se da bravata em que afirmou que a saúde pública no Brasil é quase cem por cento. Trata-se não de ter dinheiro (deixando de lado como fez para ganhá-lo), mas de usar fatos para alcançar vantagens. Por isso o povo clama: “Lula no SUS” para provar que não falou besteira. Quanto ao finado ex-vice, era rico quando começou na vida pública, nunca escondeu isso, não fez promessas a ninguém e usou do que tinha direito.
A mim não interessa se ele é um grande estadista e se é reconhecido no mundo todo. O mundo todo não conhece a pessoa que nós brasileiros conhecemos. Estadista não garante saúde, educação e segurança de qualidade. Só garante sua própria imagem.
E não aposte que nem unzinho irá se manifestar quanto à Saúde pública. Eu sou umazinha que protesta e acha que a Saúde, a Educação e a Segurança, responsabilidade do Estado, devem fazer jus ao dinheiro dos impostos que pagamos: gratuitas e de qualidade, não depender de plano particular. Com o dinheiro nas cuecas, meias e sacolas, daria para o povo todo ter algo aproximado com o serviço cinco estrelas dum Sírio Libanês.
E não sou piadista. Estou farta. Se o câncer nos livrasse de todo político corrupto e seus fiéis adoradores, estou com o povo: câncer para todos.
Se o governo não cobrar impostos, há quem opte pelo serviço particular. Mas e esses pobres do Piauí, da Paraíba, do Brasil todo que mal têm como se sustentar? Vão se tratar onde?
Nos hospitais públicos, onde muita gente morre esperando tratamento para males diversos, repito, não só de câncer.
E a notícia de hoje na internet de que o câncer de Lula garantirá que ele consiga nomear mais aliados? Quem fez a piada?
O senhor tem à sua disposição o espaço do jornal para dizer o que quer. Deveria ler melhor as entrelinhas. Quanto a mim, duvido que o senhor dará importância a umazinha linha sequer do que escrevi aqui.

Cecília Bueno Tonon

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 12:13:00 BRST  
Blogger Odemilson disse...

Bom texto, Alon. De tudo, destaco um trecho para comentar:

"Se a saúde brasileira fosse completamente estatal, talvez com sorte ela atingisse em toda a extensão o nível de excelência hoje observado nos equipamentos de ponta da área pública. Com muita sorte.

E muito, mas muito dinheiro mesmo. Dinheiro que aparentemente a sociedade não está disposta a entregar ao governo."


Tenho certeza de que se nossos homens públicos fossem melhores administradores dos nossos impostos, a disposição da sociedade em entregar esse dinheiro ao governo seria bem maior. E não digo isso sob a ótica de quem espera um paternalismo estatal, mas tão somente uma gestão competente dos recursos advindos dos impostos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 12:39:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Bom post, mas não custava nada ter lembrado que o PT poderia ainda dar como resposta às piadas sobre o Lula (Que eu não vi razão para não serem consideradas como do jogo político) que Lula só não tratou pelo SUS porque a oposição votou contra a CPMF (Embora eu seja a favor da CPMF, pois sou a favor do aumento da carga tributária e tenha meus temores de que a CPMF aumenta o juro de captação e o Estado, o maior captador de recurso no mercado possa vir a gastá-la antes de receber a receita, penso que politicamente talvez não seja interessante apoiar a CPMF, pois todo pequeno comerciante não gosta do imposto e isso pode levar a queda da popularidade do governante de plantão).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/11/2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 13:16:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Odemilson (sexta-feira, 04/11/2011 às 12h39min00s BRST),
Concordo com você. Agora se você conhecer algum país no mundo que tenha a competência gerencia de que você está falando vê se consegue o modelo para ser aplicado no Brasil. Tenho certeza que se existir o modelo só vai demorar o tempo de tramitação de uma lei para ele ser aplicado no Brasil (A não ser que o modelo exigir mais uns 100 anos de bons estudos da população e de capacitação de servidor.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/11/2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 13:24:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

bem, mas é preciso convir que quem prega ódio desperta ódio, simples assim..

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 13:57:00 BRST  
OpenID Ivan de Almeida disse...

Infelizmente, por falta de imaginação e porque de fato não consegue formular um projeto de país atraente para a população votante, nossa oposição caiu nessa guerrilha sensacionalista de mau gosto, um UDNismo requentado. lastimo, porque não desejaria a oposição assim, desajo uma oposição viável, isso é bom para a Democracia e a República, mas a inviabilidade da oposição não é culpa do governo, mas dela mesma que se aferra a teses rejeitadas pela população.

Assim, aqueles que postaram esse tipo de comentário Lula/SUS são tão somente opositores contumazes, que ficam buscando coisas para dele falarem mal. Miopia, segundo erro. Além da oposição não fazer seu dever de casa, que é entender o momento do país e buscar uma proposta que seja querida pelos eleitores, ainda construiu um mito para si mesma. Acha que o Lula é imbatível da mesma maneira que antes, por igual miopia, achava que era o candidato ideal contra quem concorrer, visto ter perdido para o Collor, para o FHC duas vezes.

Nossa oposição acha que o futuro é um decalque do passado, e miope não analisa que a política tem ciclos, e que ao invés de ficar nessa coisa marrom e de mau gosto deveria construir-se como alternativa de poder, deveria pensar um projeto para o Brasil.

Eu mesmo já votei no FHC contra o Lula, não tenho alinhamento automático com partido nenhum, mas não voto nunca em más propostas. É preciso ter uma proposta.

No caso da saúde, lembro aqui que o FHC usou o Adib Jatene como escudo para fazer aprovar a CPMF dizendo que usaria o dinheiro na saúde pública. Aprovou a CPMF e o dinheiro foi para outros fins. Mais que o Lula, seriua a ele devida essa cobrança, afinal a sociedade lhe deu o dinheiro que pediu para o assunto. mas não sejamos simplistas, isso seria meramente inverter o raciocínio tosco. A verdade que temos uma renda per capita de pouco mais de 1/3 da renda espanhola, e isso limita os recursos para qualquer finalidade pública. Hoje se clama pela saúde, mas igualmente se clama pela educação, infraestrutura, finaciamento à pesquisa, segurança, enfim, à infinidade de obrigações estatais. O dinheiro -pouco porque de uma sociedade de pequena renda per capita- tem de dar para tudo.

É muito conveniente esquecer essa relação dos serviços públicos com a renda per capita e atribuir à má gestão as coisas. É uma forma, inclusive, de justificar a resist~encia ao pagamento dos tributos, conveniência individual. mas não adianta. Quando se divide por 200 milhões as obrigações governamentais, é preciso um PIB muito maior que o nosso para serem atendidas a contento.

A campanha Lula/SUS é uma campanha suja, de mau gosto, tosca, de uma oposição que não quer fazer seu dever de casa e espalha campanhas virais que são repetidas por quem se achando crítico não tem um olhar sobre o conjuto das circunstâncias.

Até parece que antes do Lula assumir a saúde pública do Brasil era espetacular...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 14:25:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

seci

Concordo bastante com o seu comentário. No entanto, acho que as críticas [não me refiro às baixarias e a sua não foi nesse sentido] deveriam ser menos focadas na personalidade Lula. Até porque estas favorecem o político e a política do petismo.

Quem é Lula?

Lula, o proprietário no condomínio petista [Marta que o diga] é a face visível da tragédia brasileira. A escondida revela o oportunismo jacobino das esquerdas, que, para chegarem ao poder e nele permanecerem, não hesitaram em jogar no lixo programas e posturas éticas.

Na história moderna, os golpistas de esquerda deste país não inovaram ao garantir para os seus as benesses palacianas. Um intelectual insuspeito à esquerda porque marxista, Alain Badiou, provou que o Termidor, que marcou o fim da Revolução Francesa, se deveu aos jacobinos: "Os termidorianos históricos não são aristocratas, restauradores, ou mesmo girondinos. São as pessoas da maioria robespierrista na Convenção" [O que é um termidoriano? A República e o Terror, Paris, Kimé, 1995].

Corruptos que renegam ideais costumam apelar para o realismo político. Mas o suposto maquiavelismo revela o mais vulgar oportunismo, a desmesurada ambição pelo poder a qualquer custo, a hipocrisia disfarçada sob faces e falas angélicas dos nossos jacobinos. Sem a corrupção ética da esquerda, Lula não seria quem é.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 16:18:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

ops!

nele permanecer

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 16:21:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Nossa... Faz tempo que não lia tanta bobagem junta.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 16:36:00 BRST  
Anonymous Ciba disse...

O leitor Brasil disse TUDO!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 17:46:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Já entrei aqui para criticar a sua tendência de achar que tudo nos Estados Unidos é melhor que no Brasil. Agora, eu entro para dizer que o seu texto foi o comentário mais ponderado sobre o mote oposicionista do momento. A propósito, nos EUA não tem, nem de longe a saúde pública que nós temos. Lá, agora com Obama parece que tem alguma... mas, de resto, se não tem um plano se morre a mingua, se tem ... tem que torcer para que sua doença não esteja nas listas vira quarteirão das preexistentes. Voce foi muito feliz em perguntar aos críticos do sistema - cadê as propostas?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 17:49:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Perguntinha básica: meu plano é também o Sulamérica. Posso me internar no Sírio Libanês? Mandou mal, muito mal.

Fernando Bernardo

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 18:06:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Comentário fala em "mote oposicionista do momento". Não. Seria, sim, o "mote da apologia da doença governista".

Haveria uma maneira do governo mostrar que quer levar o SUS à "perfeição". Aliás, passou da hora.
Poderia, simplesmente, reduzir sua máquina. E manter, apenas, aqueles órgãos que serviriam, eficazmente, o cidadão que paga impostos. E fica doente, quando percebe que paga também quem aplica mal o imposto que paga. Isso tem de ser falado sempre. Como mantra.

Assim, estaria dado um sinal eloquente de capacidade gerencial, de parcimônia. E como governo, estaria dando exemplo. Coisa de que pouco se fala atualmente: que exemplos a sociedade está tendo do governo?

Outra forma de ver. O tratamento de saúde pode ser onde o doente quiser. Seja ele quem for e o que possa bancar. Poderia ser nos EUA, Europa, Ásia. Ou São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul, Piauí, Ceará e segue toda a perfeita Federação...

O SUS foi colocado no centro da questão. Isso é bom. Todo mundo está falando em SUS. E indicando o SUS.

Pois, que quem deve cuidar do SUS, que faça o seu serviço. O que não pode é derrubar o que é bom, para nivelar tudo por baixo.

O que deve, é elevar o que é ótimo e fazer o que é ruim chegar ao topo.

E isso não faz-se com piadas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 19:19:00 BRST  
Anonymous Luiz - Rio de Janeiro disse...

Quero ver ele ou você virem procurar assistência médica aqui no Rio de Janeiro...vão morrer na fila do SUS ou de qualquer Hospital Público. Sem dinheiro para pagar a conta morre!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 19:29:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Anônimo-sexta-feira, 4 de novembro de 2011 17h49min00s BRST.

As propostas deveriam partir, também, do governo. O que o governo pretende fazer com a saúde pública brasileira? Estatizar o sistema de saúde privado? Privatizar a saúde pública? Deixar como está?

Um aspecto interessante. Os governistas sempre falam muito do que os outros fizeram, supostamente, de ruim. Ou do que os outros, supostamente, deixaram de fazer.
Assim fica faltando os governistas dizerem o que efetivamente, fizeram de bom.
Por exemplo, o Brasil acaba de ter o IDH e o IDH ajustado, rebaixados, em análises do Pnud. Isso, em itens exatamente dados e tratados, nestes quase nove anos, como a fina flor da capacidade gerencial, exemplos para o mundo. Distribuição de renda e políticas sociais eram os itens mais falados no ufanismo oficialista. Os dados do Pnud não corroboraram isso. E agora?

Além deste citado indicador de qualidade, o IDH, devem seguir-se novas análises, baseadas em séries históricas cobrindo o período da "redenção brasileira".
Há possibilidades de não virem conclusões boas, nem do lado social e nem do lado da macro e da microeconomia. Como pode ser o contrário.
E se vierem dados ruins das análises do período 2003/2010, cotejados com países assemelhados? Ou mesmo com governos de períodos anteriores? O que fazer? Pedir propostas aos analistas?

E se vierem só dados bons? Pedir que os analistas revisem os dados?

domingo, 6 de novembro de 2011 16:35:00 BRST  
Blogger Paulo A. Lotufo disse...

Alon, o que falta no SUS em relação ao câncer é incrivelmente simples: uma central de regulação de vagas. Por que não existe? Porque interfere na "autonomia" de vários hospitais. Uma bobagem porque a central ajudaria em muito todas as instituições que tirariam o "peso" de administrar uma fila. Como profetas do passado, Raul Cutait e eu publicamos uma proposta há dez anos na Folha de S. Paulo com o link http://paulolotufo.blogspot.com/2011/11/atendimento-do-cancer-no-sus-proposta.html

segunda-feira, 7 de novembro de 2011 10:40:00 BRST  
Anonymous Marília disse...

É incrível a distância com que os jornalistas estão do pensamento dos seus leitores.

É inacreditável como se portam como juízes da razão.

Preconceito social? Desde quando Lula ainda é um operário, trabalhador? "Gente como a gente"?

Qual foi o político que teve a cara de pau em afirmar que a saúde beirava a perfeição? Que queria ficar doente para se tratar em um Hospital Público?

José Alencar? FHC? Covas?

Que dificuldade em raciocionar qual a real intenção das irônias com o "Lula vai pro SUS", hein meu caro?

Ainda teve colunista dizendo que cobrar o Lula bravateiro, falso, mentiroso, descobridor do Brasil em 2002 era uma agressão.

Faça o favor.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011 15:16:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, em outro “post” você se dizia nostálgico de tempos em que o respeito mútuo, mesmo entre adversários, era a norma. Também já me senti enfastiado do Fla-Flu político que corre a internet, ainda que, como você, preferisse isso a um silêncio imposto. Minha posição alterou-se um pouco com o tempo: além de dar voz a quase todo mundo, a internet (e a disseminação de formas de anonimato também – por que não? –, como a minha) permite um distanciamento que evita que a manifestação de confrontos, potencialmente violentos, encaminhe-se para “as vias de fato”, como se dizia. Assim, apesar da aspereza, vejo esse Fla-Flu de um ângulo inteiramente favorável. A manifestação de uma disposição qualquer, e a consciência por parte de todos de sua existência (e “força” relativa) – especialmente por parte de quem não compartilha dessa disposição –, é sempre preferível a não manifestação (e consequente desconhecimento). Isso poderia nos ajudar a suprir dificuldades viscerais com a forma democrática, uma deficiência que dificulta (a nós brasileiros ou latino-americanos) enxergar conflitos e reconhecê-los legítimos. Daí o presidencialismo de coalizão, o getulismo ou peronismo, a necessidade de um caudilho. Em vez de governo e oposição, temos uma disputa obscura pela liderança dentro da coalizão no poder e uma minoria que se julga excluída e acusa toda e qualquer atividade política como degenerada. Concordo com você também que a origem desse anti lulismo é preconceito social mesmo, aliás denuncio isso há muito tempo, já era visível antes do escândalo do mensalão. A vantagens desse Fla-Flu é explicitar a força dessa tendência bem como deixar claro o quanto de hipocrisia há no “brasileiro cordial”, como definido por reconhecido (merecidamente) historiador brasileiro. Lembro, inclusive, de um sociólogo americano que elogiava o modo de ser do brasileiro, frente a aspereza das relações sociais em seu país, doce ilusão. Diria também que essa preconceito social tem origem em uma sociedade que nunca ultrapassou sua fase oligárquica, apenas substituiu a fidalguia pelo grau acadêmico. Sou órfão de Lula não por ter adotado uma política econômica mais ortodoxa (na maior parte do governo) ou mesmo por causa do mensalão, que chocou aqueles que fingem que acreditaram na pureza de alma do PT e de Lula (talvez seja isso que irrite muita gente de espírito mais curto: como vem do povo sem instrução, deveria se mostrar puro de coração, talvez beirando a idiotia, e não comprovar possuir uma habilidade política incomum). Sou órfão de Lula porque ele vinha justamente com uma mensagem antigetulista (e aqui divergimos, não é mesmo?), mas preferiu sentar-se na cadeira vazia do caudilho. Como também faz Cristina Kirchner na Argentina, por exemplo. Mas cão que ladra na morde. O bom político (no sentido de bem sucedido, não de candidato a galã de novela), tem a humildade de saber que é inútil dar murro em ponta de faca: e se temos um presidencialismo de coalizão, cabe fazer parte da coalizão, disputa-se o poder onde esse estiver, não onde alguns acadêmicos ególatras decretem que ele deva estar. O desempenho do PSD de Gilberto Kassab me surpreende: é o DEM que recusa o abraço suicida dos tucanos, nossa política ainda dá jogo. Há sim! Faltou falar do Sírio-Libanês. Concordamos que não há proposta por parte do anti-lulismo, mas creio que você não percebe que, tirando a questão de hotelaria, que não faz parte da questão saúde, o tratamento do presidente deve (digo deve porque não tenho os dados específicos) ser mais barato que o do SUS (além de possivelmente melhor e mais tempestivo), a diferença de fato está em quem paga: se o conjunto dos contribuintes ou o paciente. Para a sociedade como um todo, sem olhar para quem vai pagar, o “esquema” privado é via e regra mais barato. Isso cria um dilema “moral” e político que não admite uma solução simplista.

terça-feira, 8 de novembro de 2011 17:03:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/11/2011.

Realmente, pode ser que não tenha algum país no mundo, que esteja beneficiado com tais capacidades gerenciais. Porém, no nosso, aqui mias perto, não precisavam exagerar na incompetência gerencial e na pretensa competência de "levar muitos no bico".

terça-feira, 8 de novembro de 2011 21:18:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Luiz - Rio de Janeiro-sexta-feira, 4 de novembro de 2011 19h29min00s BRST.

O doente pode optar em tratar-se onde bem entender.
Portanto, está decifrada a charada: apesar das críticas virulentas, quando o calo aperta, São Paulo!!!

Quando o calo desaperta, viva o Rio de Janeiro, com suas UPPs, UPAs, PACs...

terça-feira, 8 de novembro de 2011 21:24:00 BRST  
Blogger Rafael Kafka disse...

É defensável que seres humanos morram por falta de granulokine? É defensável que essas pessoas tenham leucopenia porque o granulokine é caro? É defensável que a quimioterapia seja disponibilizada em periodicidade infinitamente menor do que a necessária? Não, não é. Lula afirmou que o SUS era um espetáculo. Não era verdade. Não é verdade. Se algum dia, DEUS te livre e guarde, alguém com quem você se importe precisar de tratamento contra o câncer no SUS a última palavra que você usará será "defensável".

quarta-feira, 9 de novembro de 2011 04:40:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (terça-feira, 08/11/2011 às 21h18min00s BRST),
Gostei da sua dúvida no início do seu comentário.
Já na seqüência do seu comentário você foi assertivo e acabou reproduzido discurso semelhante ao que Odemilson enviou sexta-feira, 04/11/2011 às 12h39min00s BRST, e que eu comentei em comentário de sexta-feira, 04/11/2011 às 13h24min00s BRST.
Enfim você emite opinião que é fruto da ideologia e, portanto, sem um instrumental objetivo para avaliação de competência gerencial. Assim é meramente subjetivo dizer que há exagero na incompetência gerencial e também em pretensa competência, a menos que você possui e está escondendo um mecanismo de avaliar se há ou não exagero. Como não creio que, se você possuísse o mecanismo de aferição do exagero, você faria esse desserviço de não o revelar, volto a enfatizar a natureza subjetiva do seu julgamento
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/11/2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011 21:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (terça-feira, 08/11/2011 às 17h03min00s BRST),
Se eu fosse um pouco mais antigo, da época do “xpto london”, chamaria seu comentário de supimpa.
Sinto apenas você não ter evoluído com o Lula e como ele e abandonado aquela velha teoria uspiana antigetulista. Evidentemente eu chamo de getulismo a valorização do Estado. Sobre isso eu recomendo o excelente artigo de Jeffrey D. Sachs publicado no Brasil no Valor Econômico de 10/10/2011 com o título de “Governo para a globalização”. Não concordo com ele no tocante à globalização que considero um conceito quando existente no mais das vezes sem consistência, mas quase trinta anos depois vejo alguém de destaque esposando minhas velhas idéias.
Quanto à crítica que Lula sofreu e tem sofrido por causa da escolha do hospital Sírio Libanês para tratamento, eu concordo integralmente com você. Lembro ainda que dois posts anteriormente a este “Mas qual é a proposta?” de sexta-feira, 04/11/2011 e intitulado “Intolerável” de terça-feira, 01/11/2011, eu expressei opinião semelhante em relação à avaliação sobre as críticas a Lula. Em comentário de sexta-feira, 04/11/2011 às 13h40min00s BRST, eu quis dizer que não se configurando em ataques físicos, respeitando os limites do Código Penal no que diz respeito à Calúnia, Difamação e Injúria e se submetendo à indenização caso seja pertinente, e acrescento, ou assegurando o direito de resposta, não há outros limites de tratamento na atividade política. E mais, os que estão na política têm de suportar o ônus de saber que esses limites são tão fáceis de serem rompidos na vida cotidiana como na atividade política.
E é bom atentar que, na política, esses limites são rompidos até com certa condescendência, uma vez que a política não é uma ação entre amigos, nem apenas de adversários, mas de inimigos como bem lembra o texto de José Arthur Giannotti “Acusar o inimigo de imoral é arma política, instrumento para anular o ser político do adversário” e que pode ser visto no link a seguir indicado:
http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/artigogiannottigerapolemica.html
Aliás, o que eu disse junto ao post “Intolerável” aqui no blog de Alon Feuerwerker eu já dissera antes em outro blog. Mais especificamente expressei opinião semelhante no blog de Luis Nassif junto ao post “Guia de boas maneiras, por Maria Inês Nassif” de terça-feira, 01/11/2011 às 11:00e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/guia-de-boas-maneiras-por-maria-ines-nassif
O post reproduz texto de Maria Inês Nassif publicado na Carta Maior com o título “Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo”. Os comentários em grande número foram majoritariamente favoráveis a Maria Inês Nassif. Embora eu não seja marxista não foi coincidência o fato de outro comentário coincidente com o meu fosse com suporte no materialismo dialético.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/11/2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011 23:08:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Não, Rafael Kafka. Tem razão. Não é defensável que as pessoas morram de coisas que possam ser evitadas. Por exemplo, doenças advindas da falta de saneamento básico e água tratada. Ou pela simples falta de hábito, que é adquirido pela Educação e prevenção, de lavar as mãos. Imperdoável numa pretensa potência emergente.
Ou por guerras e/ou fome.

E muito menos é defensável que doenças sejam glamourizadas, para criar aura no doente. Isso é absolutamente indefensável.

Por fim, o doente pode tratar-se onde bem entender, seja lá onde for, custe o quanto custe.

sábado, 12 de novembro de 2011 10:51:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Clever Mendes de Oliveira, BH,10/11/2011.

Concordo com a observação em seu comentário. Na realidade, não há como esconder a avaliação da incompetência gerencial, sendo que há o projeto do trem-bala, o PAC, o Minha Casa Minha Vida, a transposição do rio São Francisco, a vigilância de fronteiras, a Saúde, a Educação, a Infraestrutura, a expansão fiscal em época de incertezas, a pressão sobre a indústria, a oligopolização patrocinada da economia, a Copa 2014, as Olimpíadas 2016, os problemas com o ministério em menos de 12 meses, a inoperância da defesa comercial, as generalidades ditas sobre a crise econômica internacional...

Concordo que pode haver algum erro de avaliação da incapacidade. Faltou dizer que, esta, é considerada como a incompetência com pós-graduação.

domingo, 13 de novembro de 2011 12:42:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (domingo, 13/11/2011 às 12h42min00s BRST),
Como eu disse em meu comentário de sexta-feira, 04/11/2011 às 13h24min00s BRST questionando a afirmação de Odemilson no comentário que ele enviou sexta-feira, 04/11/2011 às 12h39min00s BRST, não se conhece no mundo país que tenha a competência ou a capacidade gerencial de que ele falava. Em suma, no mundo grassa a incompetência ou uma pretensa capacidade. Assim. fazer essas observações sobre o Brasil é semelhante aos que dizem observações semelhantes sobre os Estados Unidos ou sobre a Itália, ou seja, é apenas a insistência no lugar comum ou, no melhor dos casos, em um truísmo sem maior repercussão.
E evidentemente você entendeu minha colocação sobre a incompetência, pois disse em seu comentário de terça-feira, 08/11/2011 às 21h18min00s BRST que "Realmente, pode ser que não tenha algum país no mundo, que esteja beneficiado com tais capacidades gerenciais".
E como, se eu não disse, queria dizer, melhor do que dizer assertivamente que são todos incompetentes é dizer com a sua dúvida "pode ser" que todos sejam incompetentes.
Agora, o que eu considerei impregnado do subjetivismo foi o exagero.
E espero que seu entendimento de que não há país que possa servir de exemplo de competência seja uma dedução lógica da impossibilidade de se medir essa competência. Em sua homenagem desconsiderei que, por essa dedução, não haveria porque você falar em exagero. Pior, entretanto, seria sua crítica ser apenas a manifestação semelhante às manifestações corriqueiras dos que abominam a política e crêem que no mundo todo grassa a incompetência porque o mundo todo é governado por políticos.
Sei que não é seu caso, e apenas fiz essa afirmação para servir de crítica aos que pensam desse modo. Em meu entendimento a incompetência grassa no mundo porque ela é própria da espécie humana. Somos todos incompetentes, ainda que consideremos só o próximo incompetente. Então a incompetência no mundo não é obra da atividade política. Até porque se existisse alguma classe mais competente do que os políticos seria nas mãos dessa classe que estaria a gerência do mundo. Daí até uma frase que eu utilizava para criticar os que viam nos técnicos mais capacidade gerencial do que nos políticos. Para os que pensavam assim, eu dizia que os políticos seriam mais competentes do que os técnicos. Se bem que eu devesse dizer que os políticos seriam menos incompetentes do que os técnicos. É claro que eu não tinha o mecanismo de aferição da incompetência, mas apresentava como prova da superioridade dos políticos o fato de eles estarem no comando do mundo e não o contrário.
Às vezes há uma escorregadela dos políticos e os técnicos vêm com coragem querendo impor novos modelos de administração e estabelecer regras para tudo. De certo modo foi isso que ocorreu com o Brasil do Plano Real, em que Fernando Henrique Cardoso colocou no Ministério da Fazenda o excelente técnico Pedro Malan com todos os graus de pós-graduação que se conhece e que com a ajuda de outro excelente técnico, Gustavo Henrique de Barroso Franco, tentou impor em pouco tempo ao Brasil um modelo econômico que na Europa para a introdução do euro levou dez anos para ser adotado. É claro que eles podem alegar em benefício deles que em razão da pressa a crise no Brasil ocorreu dez anos antes. O interesse aqui foi mostrar como regras técnicas impostas a países como se todos fossem iguais, com pouca ação política apenas servem para levar os países a situações ruins semelhantes.
E é bom ressaltar que enquanto Fernando Henrique Cardoso escolheu um excelente técnico com todas as pós-graduações possíveis para o Ministério da Fazenda, Lula escolheu um prefeito e, portanto, um político com nenhuma pós-graduação em economia.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/11/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011 11:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (domingo, 13/11/2011 às 12h42min00s BRST),
Aproveito essa oportunidade de responder ao seu comentário para mostrar uma situação especial que serve de exemplo da superioridade da competência gerencial do político sobre a do técnico. Situação que serve também para enfatizar que realmente não temos como medir a competência ou, talvez devesse dizer, a incompetência dos nossos governantes. E espero que o exemplo da situação sirva para mostrar que ao dizer que alguém é exageradamente incompetente ou exagerado na pretensa capacidade usamos não um bom mecanismo de aferição de competência, mas o que nossa ideologia nos habilita a medir.
Como eu venho dizendo, à medida que o Estado torna-se cada vez mais gigantesco, pouca diferença pode fazer o governante no comando deste estado. Com o crivo do processo democrático impossibilitando a incompetência absoluta de assumir o governo como podia ocorrer na monarquia, praticamente só as circunstâncias conseguem destacar alguma diferença distinguível entre um governo e outro. Disse isso aqui no Blog de Alon junto ao post “O custo de um estilo” terça-feira, 08/02/2011. Mais recentemente insisti nessa situação em comentário para o post “Dança com dois pares” trazendo o exemplo da Itália de Silvio Berlusconi tão maltratado na análise que o técnico João Fábio Bertonha faz dele, mas que mesmo assim manteve a Itália no caminho que a integração ao Euro permitia.
Bem, trouxe o exemplo de Silvio Berlusconi pelo desdobramento do que ocorre naquele país nos últimos dias. No Valor Econômico, na página A10, de sexta-feira, 11/11/2011, há matéria do Financial Times de autoria de Guy Dinmore, Rachel Sanderson e Peter Spiegel e intitulada “Sucessor de Berlusconi deve ser Mario Monti” em que destaco a seguinte passagem (Coloquei em maiúscula a parte que eu queria realçar):
“Dirigentes empresariais acreditam que Monti conseguirá adotar medidas drásticas adicionais, como o imposto sobre fortunas, que pode arrecadar até € 100 bilhões, já que, nesse caso, não enfrentará a ira dos eleitores. "O QUE PRECISAMOS, NA VERDADE, É A SUSPENSÃO DA DEMOCRACIA POR 18 A 24 MESES, PARA QUE POSSAM SER TOMADAS DECISÕES DIFÍCEIS", disse um deles.
O Mário Monti, um técnico, aparece na história como um supermário. Como eu disse, o Silvio Berlusconi, por mais incompetente que tenha sido, conduziu a Itália dentro do limite do razoável, uma Itália que por longo tempo não teve as peias que na década de 90 começaram a ser impostas a ela. Agora a Itália precisa suspender o processo democrático. Não será, entretanto, para tomar as medidas difíceis de serem tomadas. As medidas difíceis já foram tomadas. O que se precisa agora é que o parlamento com toda a confusão que ele causa fique em suspenso. Só depois de conseguir a aprovação das medidas mais importantes é que Sílvio Berlusconi renunciou e permitiu a entrega da governança para Mario Monti. Até porque ele sabe que, sem nenhuma experiência, Mario Monti seria incapaz de administrar a Itália em um modelo genuinamente democrático. O tempo de Mario Monti será o tempo de descanso. Será apresentando a nação, entretanto, como o supermário.
Enfim, é aquela velha história: a diferença entre governantes fica por parte da propaganda. Com toda a parafernália dos meios de comunicação que Silvio Berlusconi possui ele soube usar a propaganda como a alma do negócio, ou seja, soube utilizar a propaganda para fazer a diferença. Como a propaganda é do reino da criatividade, o melhor seria dizer soube utilizar a propaganda para criar a diferença. E agora sai, mas sem antes colocar a propaganda a serviço do supermário.
Para quem acredita na democracia só resta torcer para que o povo italiano não ache que está sendo enganado e veja no processo um simulacro, uma impostação, uma contrafação.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/11/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011 11:56:00 BRST  

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