segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Batalha paulista (14/11)


A federalização das próximas eleições municipais deve ser vista com alguma cautela. Na mão e na contramão. Nem Brasília vai decidir a parada, nem o mapa municipal será um guia certo para saber como a coisa vai correr dali a dois anos

São Paulo, Minas Gerais e o Rio de Janeiro são às vezes chamados de Triângulo das Bermudas da política brasileira. A expressão vem da região caribenha célebre desde que desapareceram ali os primeiros aviões. 

É um recurso retórico, pois faz tempo que esse pedaço do Brasil não é chave em disputas nacionais. Afundar ali não tem sido sinônimo de desaparecer.

Decisivo mesmo tem sido o Nordeste, estoque de votos que vem dando sucessivos mandatos presidenciais ao PT. 

São Paulo e Rio tem neutralizado um ao outro e em Minas a configuração regional não se projeta nacionalmente. Pelo menos até agora.

A última vez que São Paulo, Minas e Rio estiveram perfeitamente alinhados à dança nacional foi na primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso, quando o PSDB ganhou o Planalto e também os três estados. 

Na reeleição de FHC os tucanos perderam Minas para Itamar Franco e o Rio para Anthony Garotinho.

E desde então a regra é um certo desalinhamento. Até porque o eleitor vem votando com autonomia crescente, com progressiva desvinculação vertical. 

Há alguma correlação entre como o eleitor vota para presidente e como escolhe governador, ou prefeito. Mas o elo é frouxo. 

Tanto que o PT mantém o poder federal há uma década e nem assim consegue expressão política no Triângulo das Bermudas.

E a fraqueza petista no trilátero tampouco tem impedido que o PT controle o manche federal.

Daí que a chamada tendência de federalização das próximas eleições municipais deva ser vista com alguma cautela. 

Na mão e na contramão. Nem Brasília vai decidir a parada, nem o mapa municipal será um guia certo para saber como a coisa vai correr dali a dois anos.

No Rio e em Belo Horizonte é mais evidente que os prováveis resultados pouco impacto terão na batalha presidencial de 2014.

Mas há a batalha por São Paulo. Cidade em que o PT  enxerga na tensão entre Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab a opostunidade de voltar ao poder que ocupou com Luiza Erundina de 1989 a 1992 e Marta Suplicy de 2001 a 2004. 

Nas duas vezes derrotando Paulo Maluf.

O PT em São Paulo, capital, só venceu até hoje eleições contra o malufismo, e quando recebeu o voto útil de um setor mais antimalufista que antipetista.

Quando a polarização foi diferente, perdeu. Por um motivo. Desde a desastrosa administração Celso Pitta (1997-2000) o malufismo em São Paulo deixou de ter capacidade hegemônica. 

E a disputa do PT passou a ser com o campo político hegemonizado pelo PSDB. Que na ausência de uma opção abertamente conservadora atrai o voto conservador.

Mas o curioso é que o próprio PSDB  costuma tropeçar em São Paulo quando não amarra bem esse voto, que não é dele na raiz. A suposta dominância tucana na capital é ficção. 

Em sete disputas desde a volta das diretas para prefeitos de capitais o PSDB paulistano só ganhou uma vez, com José Serra em 2004.

Geraldo Alckmin está no terceiro mandato de governador mas nunca conseguiu ser prefeito da capital. Perdeu duas vezes. O próprio Serra já havia tropeçado as mesmas duas vezes na empreitada antes de finalmente chegar lá.

A mobilização do PT por São Paulo impressiona, e é admirável que nem a saúde em situação para lá de delicada tenha afastado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva das articulações paulistanas.

Mas se o PSDB de Alckmin e Serra e o PSD de Kassab chegarem a um denominador comum a parada para o PT será duríssima, batalha morro acima, como até petistas admitem. O favoritismo passará para o outro lado.

Especialmente por causa das óbvias dificuldades de o candidato do PT atrair o voto conservador, ou um pedaço significativo dele.

Ainda mais numa época de visível reforço desse viés na sociedade.

Na frente

Tive a oportunidade de estar semana passada na Antártica, num grupo liderado pela Marinha. Tempos atrás tinha estado na Amazônia, com o Exército.

Nas duas ocasiões, a mesma conclusão. 

O trabalho das Forças Armadas em defesa da soberania nacional e na projeção da presença brasileira está muito à frente 1) dos recursos orçamentários destinados aos militares e 2) da consciência do país sobre o trabalho desenvolvido pelos fardados


Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta segunda (14) no Correio Braziliense e no Estado de Minas.



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14 Comentários:

Blogger EPx disse...

Difícil o PT ganhar essa enquanto vende pro resto do País a ideia que SP é o câncer do Brasil.

Vide meu artigo de 2010: http://epx.com.br/logbook/archive/2010/04/namoradinha-de-sao-paulo-e-as-aspides.html

segunda-feira, 14 de novembro de 2011 12:21:00 BRST  
Anonymous Alex disse...

Você fará alguma matéria a respeito do trabalho das Forças Armadas? Seria interessante...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011 19:45:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Defina: voto conservador

São Paulo + voto conservador = PSDB + PSD

Rio de Janeiro + voto conservador = PMDB + PT

Minas + voto conservador = PSDB + PSB

Nordeste + voto conservador = PT + oligarquias

Brasil + voto conservador = PT + um monte de partidos que são ou representam o quê?

Conclusão: Considerando que ambos abominamos o relativismo, há alguma coisa errada no seu ou no meu entendimento do que é voto conservador.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011 20:43:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Além de colocar São Paulo como o câncer do Brasil, sempre quer indicar aventureiros para disputas eleitorais no Estado e na Capital.
Como se governar São Paulo fosse dependente, unicamente, de uma dedada.
Transformam o Estado numa terra arrasada e a qualquer dor de dentes, aportam lá de malas e cuias. Isso não tem a mínima coerência.
E estão tentando outra vez.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011 21:56:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Mas, o PT não é favorito com Haddad. Aparentemente, poderia pensar em algo aproximado com Marta. Porém, esta mostrou não ter o apoio suficiente para peitar o mandonismo do ex-presidente.

Investir pesadamente em Haddad, com o histórico do pré-candidato em termos de gerência da Educação, parece mais fruto de arrogância, do que real interesse em indicar alguém realmente capaz.

E isso é o mesmo que considerar o eleitorado da Capital manipulável facilmente. Como se fosse um bando amorfo à espera de um messias.

Fazer isso com o PT, onde manda e desmanda, tudo bem para o ex-presidente e os petistas. O partido aceita tudo sem questionar. Isso não quer dizer que deva fazer o mesmo com o eleitor paulistano.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011 22:12:00 BRST  
Anonymous Samuel Vidal disse...

O mapa das eleições presidenciais tem mudado pouco nas 3 últimas eleições. Dilma conseguiu a sua vantagem de 12 milhões de votos com a votação do Nordeste e do estado do Amazonas. O restante do país ficou dividido ao meio. Para o PSDB ter chances precisa aumentar a votação no Nordeste,isso é fato. Precisa aumentar as alianças na região com lideranças como Eduardo Campos e Ciro Gomes,para diminuir o tamanho da derrota. E contar com uma virada em Minas, onde teve apenas 40% dos votos em 2010. Aécio teve 77% dos votos para o governo de Minas em 2006 e 80% para o Senado em 2010. Então é razoável que obtenha pelo menos 60% dos votos numa eventual disputa presidencial. Com esses movimentos a disputa equilibraria um pouco, mas o favoritismo continuaria com o PT.

terça-feira, 15 de novembro de 2011 12:44:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Às vezes eu considero que concordamos demais, aqui não só pelo que você disse, mas também pelo que faltou dizer somos só discordância.
Primeiro há a frase:
"É um recurso retórico, pois faz tempo que esse pedaço do Brasil [São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais] não é chave em disputas nacionais".
Eu costumo comparar a eleição de 1989 com a de 1994 dizendo que em 1989 tivemos a disputa entre dois nordestinos enquanto na eleição de 1994 tivemos a eleição entre dois paulistas. Faço essa comparação para enfatizar que era importante que a eleição para presidente fosse de 5 anos e não de 4 para que só de 20 em 20 anos houvesse a coincidência da eleição para presidência com a eleição para governador. Quando há a coincidência São Paulo torna-se irresistível.
E não se pode esquecer que minha comparação de 1989 com a de 1994 omitia que Fernando Henrique Cardoso era natural do Rio de Janeiro. Se bem que minha omissão maior foi do Plano Real.
Bem, uma vez li na Folha de S. Paulo uma declaração que seria de Roberto Cardoso Alves. Segundo a Folha de S. Paulo, Roberto Cardoso Alves era favorável a eleição direta porque esse modelo favorecia a São Paulo. Não tenho dúvida disso. E se Minas Gerais não foi importante na eleição de 1994 e depois em 1998, em 2002 nós tivemos a posição ambígua de Aécio Neves que concorrendo pelo PSDB foi apoiado por Itamar Franco do PMDB que apoiava Lula e assim houve certa acomodação do eleitor conservador mineiro para integrar na eleição de Lula. E em 2010, o achado de Lula com a escolha de Dilma Rousseff, não só reforçou a caminhada que Lula deu em direção a Revolução de 30, como serve para negar sua assertiva de que Minas Gerais deixou de ser chave na eleição.
Talvez quem tenha perdido um pouco de terreno seja o Rio de Janeiro, e uma explicação é a relativamente pouca população do Estado. De todo modo, Minas Gerais, não fosse a descoberta de Dilma Rousseff, também poderia ficar mais esquecida. Entretanto, ainda que fizesse sentido dizer que Rio de Janeiro e Minas Gerais deixaram de ser chave em disputas nacionais, incluir São Paulo nesse grupo não corresponde aos fatos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/11/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011 14:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
O que eu senti mais no seu comentário foi que muitas vezes no que você não disse havia muito mais a dizer do que no que você disse. Assim na seqüência após falar do falta de papel chave para Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, você diz que:
“Decisivo mesmo tem sido o Nordeste, estoque de votos que vem dando sucessivos mandatos presidenciais ao PT.”
Bem, talvez decisivo tenha sido o Lula, o nordestino da eleição de 1989 e o paulista da eleição de 1994. O papel chave do nordeste que depende de Lula está associado ao papel chave que São Paulo assumiu desde que houve a coincidência da eleição presidencial com a eleição para governador. Sem a coincidência, talvez não se conseguisse juntar as forças em São Paulo, e São Paulo viria para a eleição esfacelado como veio na eleição de 1989. Com o São Paulo esfacelado talvez não houvesse chance de Lula aglutinar o Nordeste ao mesmo tempo que permite que se mantenha uma base petista importante em São Paulo. Em 1989, com São Paulo esfacelado, o nordeste veio dividido com Lula e Fernando Collor. E evidentemente com São Paulo esfacelado, o PSDB não poderia se constituir no poder aglutinador de São Paulo anti petista. Nem que a candidatura a presidência da República pelo partido puxasse o voto para governador de Estado. Possibilidade que também não existiria se não houvesse a coincidência das eleições. Que começou em 1994 com a eleição de Fernando Henrique Cardoso. Que evidentemente não se elegeria se não existisse o Plano Real. Que também foi importante para aglutinar São Paulo, mas que quase não conseguia fazer Mário Covas governador e contra Francisco Rossi, ou seja, contra Francisco quem?
É claro que como conseqüência de ter aglutinado as forças anti petista, o PSDB formado com raras exceções por intelectuais marxistas vai terminar seus dias se transformado no maior partido da direita nacional, a menos que o grupo direitista reconheça que o PSDB não é tanto da confiança dela para permitir que ela alcance o poder novamente.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/11/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011 15:41:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Só se, com algum esforço, colocar o PT e toda sua base de apoio, como esquerda, todo o resto seria conservador.

De todo modo seria essa uma tarefa impossível. Não de definir o conservador, mas o de esquerda.

terça-feira, 15 de novembro de 2011 16:38:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Penso que valia você ter feito uma observação do poder que o PSDB construiu às custas do Plano Real, às custas da coincidência de eleição, às custas de se transformar no poder aglutinador do anti petismo em São Paulo (Nesse caso precisou que em 1994 o candidato mais forte a presidência da República fosse de São Paulo e que Paulo Maluf não se lançasse candidato para dividir a base de apoio anti petista e que o próprio PT fosse suficientemente forte em São Paulo a ponto de ser forte também o sentimento anti petista). Nessa observação você falaria da importância de, nas eleições subseqüentes, o segundo mais forte candidato à presidência da República fosse de São Paulo e do PSDB e isso aglutinar os votos para governador do estado. Situação que também ocorreu no Ceará na segunda vez em que Ciro Gomes lançou-se candidato à presidência da República e nessa mesma eleição de 2002 no Rio de Janeiro com Anthony Garotinho puxando voto para Rosinha Garotinho.
Mas o que eu gostaria de comentar diz respeito a parágrafo um pouco mais adiante e após você ter dito um tanto de outras coisas que eu nem cheguei a discordar, nem achei relevante a se destacar. Na seqüência, então você diz:
“Quando a polarização foi diferente, perdeu. Por um motivo. Desde a desastrosa administração Celso Pitta (1997-2000) o malufismo em São Paulo deixou de ter capacidade hegemônica.”
Critiquei Swamoro Songhay junto ao seu post anterior "Mas qual é a proposta?" de sexta-feira, 04/11/2011, porque ele fala de exagero da incompetência ou da pretensa capacidade. Na verdade não o critiquei, apenas salientei o caráter ideológico e, portanto, não fundamentado em fatos que há na inserção do termo exagero. Na sua frase, a ideologia está em chamar em desastrosa a administração de Celso Pitta. Sua frase diria o mesmo, se você tivesse dito: “Desde a administração Celso Pitta (1997-2000) o malufismo em São Paulo deixou de ter capacidade hegemônica.”
Dito assim se iria imaginar o que aconteceu para Paulo Maluf ter saído como o maior prefeito que São Paulo já teve em 1996 e capaz de eleger Celso Pitta e perder desde então qualquer capacidade hegemônica? De minha parte eu iria levantar o papel da Rede Globo. De que lado a Rede Globo esteve quando Paulo Maluf foi transformado no melhor prefeito do Brasil. E também levantaria um pouco o papel da TV Cultura. Com Antônio Fleury Filho e com Mário Covas como governadores como comportou a TV Cultura em relação a Paulo Maluf? Foi a TV Cultura crítica de Paulo Maluf para que crescesse o voto anti Paulo Maluf em São Paulo? E se se imagina que Paulo Maluf tenha se tornado na grande esperança da direita para combater o PT o que aconteceu para ele deixar de ser a grande esperança da direita?
Para mim, o fato essencial foi o advento da reeleição. Com a reeleição, a direita que não estava tão satisfeita com Fernando Henrique Cardoso preferiu continuar com ele a correr o risco de Lula vencer Paulo Maluf. E assim o melhor seria não dividir São Paulo e, para isso seria bom destruir Paulo Maluf. E para destruir Paulo Maluf melhor seria destruir Celso Pitta.
E houve ajuda externa na destruição do malufismo via destruição de Celso Pitta. O Fundef, por uma dessas coincidências inexplicáveis, no município de São Paulo mais repassa verba do quinhão que forma o fundo para o governo do Estado de São Paulo do que para o governo do município de São Paulo. A explicação inexplicável: na cidade de São Paulo, o estado se encarregava do ensino fundamental e o município mais do ensino secundário.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/11/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011 17:01:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Penso que exagerei quando em meu comentário de terça-feira, 15/11/2011 às 14h09min00s BRST, eu disse que neste post "Batalha paulista" seríamos só discordância. Na verdade fomos, mas só até a qualificação de desastroso que você deu à administração de Celso Pitta.
A partir dai eu passo a concordar com você. Talvez só acrescentaria que penso que você devesse dar uma explicação sobre as conseqüências da polarização PT x PSDB na eleição presidencial e com conseqüências nas eleições estaduais. Como na origem, o voto conservador era anti petista, com a polarização, o PSDB acabou por ficar com esse voto e ajustou a ideologia do partido ao espaço ideológico conservador que ele abocanhou. Na eleição no município de São Paulo, entro da polarização nacional, esse processo verificou-se de forma acentuada. E exatamente onde o PSDB era mais de esquerda foi onde o partido mais cresceu para a direita, mas dado o caráter acadêmico dos principais dirigentes do partido em São Paulo não conseguiu alcançar sozinho o voto conservador popular. Ai a união PSDB PSD talvez fique imbatível.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 16/11/2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011 08:35:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon,

"Decisivo mesmo tem sido o Nordeste, estoque de votos que vem dando sucessivos mandatos presidenciais ao PT."
Esta afirmação não procede e se baseia, possivelmente, em preconceito.
Na última eleição, por exemplo, Dilma só perdeu em uma região.
Retirando o nordeste ela ainda venceria.

Abs.

Daniel Menezes - Natal / RN

quarta-feira, 16 de novembro de 2011 12:00:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/11/2011.

Grato por ter alertado para aspectos ideológicos naquilo que é escrito, quando da abordagem de algumas situações. Mas, o enumerado de situações permitem que seja dito o que foi.

A ideologia é um pressuposto para o atraso. Ou o atraso é que gera, modula, as ideologias. E em nome de ideologias, muita gente, aos milhões, foram estraçalhadas.

Agora uma observação. Apesar do tempo e dos vários fatos ocorridos, Maluf ainda continua a ser a opção de muita, ou para, muita gente.

Alguns até por coisas prosaicas, como, por exemplo, em seu governo ter sido asfaltada uma rua ou construída uma alça de acesso a algum viaduto, construído em sua gestão também. Alguns, pode ser, que creiam, sinceramente, ser "o oceano Atlântico, obra do Maluf".

Eleição após eleição, o malufismo vem perdendo votos, mas, sobram alguns para elegê-lo, talvez, pelos aspectos citados. E alguma influência ele deve ter para ser sempre paparicado por uns e outros a cada período eleitoral.

Por isso, foi dito que a dificuldade não seria a de classificar o conservador, mas, sim, a esquerda.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011 14:22:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (quarta-feira, 16/11/2011 às 14h22min00s BRST),
Não faço essa sua crítica à ideologia. Ao contrário penso que sem ideologia, o homem ou é desumano ou mera máquina.
A tese da neutralidade, da imparcialidade é um mito na medida em que para ser imparcial você teria que ser uma máquina poderosa que levasse em considerações todos os dados de uma disputa, de um debate ou de uma decisão. Só após sopesar todos os fatores você estaria apto a tomar uma decisão ou expressar opinião objetivamente constituída. Sopesar todos os fatores levaria a inação.
O ser humano, com base na ideologia que possui, decide antes.
Gosto de associar a necessidade que o ser humano tem de uma ideologia com uma frase de Mary McCarthy que eu já transcrevi aqui no blog de Alon Feuerwerker.
Transcrevi a frase em comentário que enviei terça-feira, 17/02/2009 às 21h50min00s BRT para o Alon Feuerwerker junto ao post "O tantinho e o tantão" de segunda-feira, 16/02/2009 e como também em comentário que enviei quarta-feira, 24/03/2010 às 21h09min00s BRT para você junto ao post "O PNDH na UTI" de quinta-feira, 18/03/2010. Na frase Mary McCarthy diz:
“an open mind about Vietnam has no mind at all”
Eu estendo a frase para qualquer situação. Para você ser imparcial, ou seja, para você ver os dois lados de uma questão (Se uma questão tiver só dois lados), ou literalmente nas palavras de Mary McCarthy, para você ter uma mente aberta, é preciso que a mente esteja completamente vazia.
Em bom português, um homem sem ideologia é um cabeça oca.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/11/2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011 08:48:00 BRST  

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