segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Viciado em elogio (17/10)


Otimismo é bom quando ajuda a recolher energia e disposição para enfrentar os problemas. Mas vira um problema a mais quando é sinônimo de tolerância aos defeitos, de conformismo diante do que deveria despertar inconformismo

Os estrangeiros descobriram o modo infalível de seduzir os brasileiros. É só falar bem do Brasil. Uma inversão completa. Antes a moda, inclusive dos nativos, era falar mal. O país mudou, é certo, mas o estado de espírito parece ter mudado para além da realidade.

Não há marketing que resista a um mau produto, então é preciso olhar para os fatos e entender no que eles influenciam as boas percepções. Mas um bom marketing pode, sim, melhorar o produto, ou fazê-lo necessário além do que seria “natural”.

Em certos aspectos o Brasil é mesmo exceção. No mundo todo pipocam manifestações contra o mercado financeiro, apresentado como satanás. Aqui, onde se cultivam as maiores aberrações financeiras, nada. Curioso.

Por falar no “occupy wall street”, o movimento têm algo de regressista, mas recolhe glamour por mobilizar o senso comum.

Qual o país economicamente mais bem sucedido nos últimos tempos? A China. Pois os chineses construíram sua prosperidade a partir de certas decisões políticas heterodoxas adotadas lá atrás pelo Partido Comunista, diretrizes cujo melhor resumo é “enriquecer é glorioso”, frase histórica de Deng Xiao Ping.

O Brasil é outro lugar em que enriquecer não mais parece pecado. Um exemplo da inversão de estado de espírito? Quando antes alguns magnatas nacionais apareciam nas tais listas mundiais de mais ricos a reação era negativa. Hoje isso virou do avesso.

Dizia que a moda sobre o Brasil é falar bem. Há algumas coisas que  melhoraram bastante. O salário mínimo nem se compara ao do passado. E os programas sociais dos governos oferecem uma proteção razoável aos mais pobres.

Mas nossa educação continua muito ruim, bem como a infraestrutura. O sistema tributário é super-regressivo, quem ganha menos paga proporcionalmente muito mais. A violência e o crime são epidêmicos, sem comparação possível com os índices nos países mais civilizados.

E aqui “civilizados” cabe bastante.

Após quase três décadas de governos democraticamente eleitos, nenhum dos grandes gargalos nacionais foi enfrentado para valer. E trinta anos é muito tempo. Só olhar para ver o que, de novo eles, os chineses fizeram nesse mesmo período.

A inversão da autoestima tem a ver com elementos subjetivos, mas não só. Sua raiz vem fincada na persistência de um período razoavelmente longo de conforto econômico. Uma época de consumo em alta, cujo melhor sintoma são os preços nacionais comparados aos de fora.

O motor do consumo é a expansão do crédito, que entretanto vai encontrando seu limite. Não é que o brasileiro deva muito. Ele deve até pouco na comparação com os cidadãos dos países mais enrolados na crise.

O problema está em outro aspecto. Se o brasileiro não deve tanto assim, compromete com pagamento de dívidas uma parcela bem maior do que os cidadãos dos países centrais. Exatamente por causa das distorções financeiras.

É uma mistura complicada.

A economia em desaceleração projeta para os próximos anos um crescimento medíocre dos novos empregos e tampouco permite otimismo na elevação da renda.

E a onda vai topar com uma população que, quando se endividou, imaginava uma taxa de bonança perene.

Sem falar nas contas externas. O único setor superavitário da produção nacional é o agronegócio. Que aliás sustenta o resto da economia nas trocas com o exterior. Mas vem sob pressão do ambientalismo, pois não há como plantar mais ou criar mais gado sem desmatar.

Nossa indústria está de língua de fora, sem que as medidas espasmódicas e localizadas consigam embicar a atividade para cima. O setor precisaria de um período longo de estímulo à competitividade, para valer. Mas não está no horizonte.

Pois não há governo capaz de interromper a doce anestesia provocada pelo real forte.

Otimismo é bom quando ajuda a recolher energia e disposição para enfrentar os problemas. Mas passa a ser um problema a mais quando vira sinônimo de tolerância aos defeitos, de conformismo diante do que deveria despertar inconformismo.

Como parece acontecer agora.


Coluna publicada nesta segunda (16) no Estado de Minas.



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15 Comentários:

Anonymous Samuel Vidal disse...

O Brasil precisa de uma medida heterodoxa no câmbio, ao menos traze-lo para um patamar que permita zerar o nosso déficit na balança comercial industrial. Nos gastos do governo, se precisa de uma ortodoxia mínima, ao menos ter uma meta para não aumentar o gasto corrente em proporção ao PIB por 10 anos. E por fim é importante aumentar em 3% do PIB a carga tributária. Esses recursos seriam todos direcionados para investimentos na infra-estrutura pública.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011 12:02:00 BRST  
Anonymous Samuel Vidal disse...

É curioso falar de ganância em Wall Street, quando os americanos passaram 2 décadas consumindo do bom e do melhor com juros reais zerados, obtidos com a ajuda do subsídio governamental da casa própria. Aqui no Brasil o crédito pessoa física (exclui habitação e rural) saltou de 82 bilhões para 560 bilhões entre janeiro de 2003 e dezembro de 2010. O juros nessa modalidade de crédito tem uma média absurda de 43% ao ano.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011 12:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Muito bom, Alon! Acho também que o furor elogioso dos gringos tem a ver também com nosso país ser um seguro e rentável destino para o capital internacional. É fato que nossa situação econômica relativamente confortável aliada à farra consumista tem provocado torpor, anestesiado. Tudo isso turbinado pela ignorância de grande parte da população. O único ponto falho do post: "Após quase três décadas de governos democraticamente eleitos, nenhum dos grandes gargalos nacionais foi enfrentado para valer". Discordo. Acho que o gargalo da inflação tem sido combatido com tenacidade.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011 21:33:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Samuel Vidal (segunda-feira, 17 de outubro de 2011 12h02min00s BRST),
Concordo com você. Faço, entretanto, duas restrições. Primeiro penso que o salário mínimo e outros benefícios para as camadas mais pobres como o salário família (É relevante para os mais pobres) e o bolsa família devem sofrer reposição pela taxa de crescimento do PIB. Não da forma atual em que se usa a taxa integral do crescimento, mas a taxa reduzida pela taxa de crescimento populacional, pois essa taxa de crescimento populacional repercute por mero cálculo estatístico na taxa de crescimento do PIB.
A outra restrição é a seguinte. Estou propenso a assinar o seu post, mas imagino que você não conseguiria mais assinaturas em canto nenhum do mundo, ainda mais com o CANSEI e o TEA PARTY contando com um bom apoio na mídia.
E por fim um elogio: gostaria de escrever assim de forma tão concisa e precisa.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/10/2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011 20:40:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Para você:
"Em certos aspectos o Brasil é mesmo exceção. No mundo todo pipocam manifestações contra o mercado financeiro, apresentado como satanás. Aqui, onde se cultivam as maiores aberrações financeiras, nada. Curioso.
É, há curiosidade nesse fato. Agora é uma curiosidade que tem um pouco de explicação. Agora mesmo na greve dos bancários nenhum meio de comunicação co-responsabilizou os banqueiros pela ausência do atendimento bancário. Você mesmo ainda que tenha se dirigido mais para a greve dos correios, fez post específico de censura aos grevistas, ("Desequilíbrio crônico" de terça-feira, 11/10/2011) como se a cúpula dos Correios também não fosse responsável pela greve.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/10/2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011 21:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Neste trecho transcrito a seguir em que você diz:
"Por falar no “occupy wall street”, o movimento têm algo de regressista,
Eu gostaria de ver na seqüência um "pois" no lugar do "mas", ou pelo menos antes do "mas" uma vez pelo menos de relance não perceber a regressão no movimento.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/10/2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011 21:22:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
No parágrafo que você fala sobre a educação você faz uma miscelânea que não me pareceu justa. Não só você fala de muita coisa ao mesmo tempo, como das coisas que você fala não há uma abordagem equânime. Dizer que educação e infraestrutura são ruins não revela que a educação ruim é do pobre (E poderia acrescentar que basta tornar a educação pública de horário integral para haver um salto de qualidade) enquanto a infraestrutura ruim é de todos.
A frase de que o sistema tributário é regressivo fez sentido quando o sistema foi introduzido no Brasil, no meado da década de 60 quando o Brasil inovou com o ICMS que só em 1973, mediante o imposto semelhante, o IVA, foi adotado na Inglaterra. Como o sistema capitalista é dinâmico e não estático, a estrutura regressiva vai-se moldando as atividades econômicas, variando o valor dos salários e das mercadorias de tal modo que o efeito da regressividade que possa ter havido se perde.
Quanto a violência e o crime não serem epidêmicos, sem comparação possível com os índices nos países mais civilizados, ainda bem que você não chama de curioso como fez diante da ausência no Brasil de manifestações contra o mercado financeiro faz o mesmo comentário Afinal, não há comparação porque eles são mais civilizados.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/10/2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011 22:10:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Penso que é correto seu desejo de ver o brasileiro manifestar inconformismo. O Brasil é um país muito atrasado para que as pessoas se transformem em mera expectadoras da realidade.
É claro que o conformismo é natural na maioria do ser humano. Em qualquer lugar do mundo há muitos que são assim. É até compreensível que o miserável aja assim por total impossibilidade de agir diferente. E no Brasil o contingente de brasileiros nessa condição é ainda imenso. Que haja na nossa classe média muitos que, ganhando rios de dinheiro com aplicações financeiras, prefiram dispersar-se na multidão ou se escondem no caminho de casa para o trabalho, ou mesmo se perderem no ritmo frenético da vida, não surpreende, mas que esse conformismo se irradie e contagie mesmos aqueles entre os de mais conhecimento e condições para se manisfestar embora se encontrando entre os mais de 60% da população brasileira que não tem um bom sistema de saneamento básico, que têm uma educação, como você salientou, ruim e que têm um atendimento médico ainda deficiente e as piores condições de moradia, é realmente decepcionante.
Espero, entretanto, que seu questionamento não se assemelhe ao do espanhol Juan Arias. Aquele texto pareceu-me mais algo encomendado. Todo o texto se voltava para a corrupção no Brasil e o marasmo do brasileiro diante do quadro de, nas palavras do espanhol Juan Arias, "descarados saboteadores del dinero público", quando há no Brasil questões muito mais graves para se indignar. Transformou o Brasil em centro de corrupção do mundo. Ora, se tomarmos o aumento da dívida pública em relação ao PIB como o maior reflexo da corrupção e a única forma de avaliar objetivamente a corrupção, ela teria diminuido no Brasil nos últimos dez anos?
Ora, talvez a pior orientação que um povo possa receber da mídia é a informação e conhecimento que ela recebe sobre corrupção. Se um jornal vai falar sobre economia, ele chama alguém dessa área. Se for falar sobre saúde, ele chama um especialista desta área, se vai falar sobre bolsa de valores, chama um especialista dessa área. Em um Estado Democrático de Direito como o Brasil, os especialistas em corrupção são os membros do Ministérios Públicos, os membros dos Tribunais de Contas e membros dos controle internos dentro de cada Poder e também os juízes que já julgaram casos de corrupção ou mesmo advogados que tenham tido a incumbência de defender acusados de corrupção. Nunca há pessoas com esse conhecimento assessorando ou mesmo, com a liberalidade assegurada pelo STF de não exigir diploma de jornalista, fazendo reportagem com foco na corrupção. A informação que recebemos é de amador que transforma o combate difícil à corrupção em mera faxina ou, nas palavras do espanhol Juan Arias, “la purga”.
Eu obtive o artigo de Juan Arias “¿Por qué Brasil no tiene indignados?” de sexta-feira, 22/07/2011, junto ao post “O brasileiro perdeu a capacidade de se indignar?” no blog BATATÍSTICA no seguinte endereço:
http://batatistica.blogspot.com/2011/07/o-brasileiro-perdeu-capacidade-de-se.html
Deixo o link do post “O brasileiro perdeu a capacidade de se indignar?” porque além do link ao artigo de Juan Arias, há também um vídeo do Globo News Painel, de sábado 16/07/2011, comandado por William Waack, discutindo o assunto da falta de indignação com o filósofo Luiz Felipe Ponde, o cientista político Carlos Melo e o historiador Marco Antonio Villa. E há ainda outros links interessantes de serem vistos.
Enfim o seu grito contra a falta de indignação é válido. Agora, é preciso elaborar melhor contra o que devemos nos indignar. E ainda que eu veja em muito das manifestações contra a corrupção um tanto de má-fé quando não de ingenuidade e que considere que o progresso está associado indelevelmente ao conhecimento não acho válido considerar esses movimentos como regressivos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/10/2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011 13:57:00 BRST  
Anonymous Noivas RJ disse...

Concordo com o Samuel...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011 18:35:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Noivas RJ (quarta-feira, 19/10/2011 às 18h35min00s BRST),
Bem, pode até ser que a idéia não vá para frente, mas pelo menos o Alon Feuewerwerker pode alegar que o feudo dele é a maior concentração de pessoas favoráveis ao aumento da carga tributária do mundo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/10/2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011 21:35:00 BRST  
Anonymous Samuel Vidal disse...

Caro Clever,
Obrigado pelo elogio. Também concordo que o salário mínimo pode ser corrigido pelo aumento da renda per capita e não pelo crescimento do PIB. Quanto ao bolsa-família acho que devemos ter mais generosidade. O programa é muito barato e atende 13 milhões de famílias. Poderíamos ter como meta garantir 70 reais por mês para cada brasileiro, tirando os 19 milhões que ainda estão abaixo da linha da pobreza.
O movimento Cansei é deficiente em olhar apenas para a redução de impostos, mas uma idéia dele é válida: o controle do gasto público que não gera crescimento econômico imediato. É importante o Brasil investir naquilo que ele está agonizando: estradas, aeroportos, portos, metrô, ferrovias, energia e saneamento básico. Com isso ele tem potencial de crescer 7% ao ano. E a partir daí tem condições de aumentar todos os anos em 7% os investimentos em saúde, educação, segurança e habitação.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011 12:00:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

No comentário do Clever Mendes de Oliveira,BH,18/10/2011,um reparo. o Bolsa Família corrigido pela "taxa de crescimento do PIB", não seria melhor falar em "taxa de variação do PIB"? Isso porque o PIB pode crescer ou até apresentar taxa de variação negativa. Outra forma de ver. Em caso de taxa negativa, deixaria de influir no reajuste? Ou, ao invés de ser um multiplicador, passaria a ser um divisor?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011 19:02:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

O difícil é saber o quanto da baixa autoestima anterior era real, ou era parte do espírito gozador do brasileiro.
Agora, a alta autoestima, talvez reflita o que está em um comentário: o Brasil passou a ser mais elogiado lá fora, pois, seria um mercado grande, muito lucrativo para investidores internacionais. Tanto que o "rating" dos títulos soberanos brasileiros, não foram rebaixados. Ou seja, um emergente, dependente de capital externo.
Outra forma de perguntar. Da mesma forma como um ministro da economia, dos anos 70: "...o que você pode fazer pelo PNB do seu País"? E chegou o PNB, na época, a crescer a taxas elevadas. No auge do "milagre brasileiro".
Pela mesma época, quando o regime, ou sua voz, dizia: "...o Brasil é uma ilha de tranquilidade num oceano revolto...". Ou coisa que o valha.
Pode ser que, hoje, se tenha, no Brasil, uma "tranquilidade revolta". Expressão típica brasileira. Ou uma gozação em termos de jabuticaba.
Hoje em dia, mesmo com as projeções do PIB correndo abaixo das previsões de inflação, isso é saudado como um mérito grandioso. O BC até baixa mais a Selic. Autoridades aconselham fórmulas aos europeus e aos EUA. Alta autoestima.
Contudo, em termos politicamente incorretos, PIB abaixo de inflação é estagnação com inflação. Isso, para não repetir mais um vez: estagflação.
Se a perspectiva de estagflação deixa alguém feliz, com alta autoestima, ou algo está absolutamente errado, ou absolutamente certo. Ou ambos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011 19:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Em relação ao meu comentário de terça-feira, 18/10/2011 às 21h22min00s BRST, eu penso necessário explicar porque não vejo regressão no movimento. Tenho internet discada então praticamente não vejo vídeos. Não vi ainda as manifestações, mas pelos comentários, elas não parecem conduzidas como foram aqui, por exemplo, as manifestações contra corrupção com as vassouras pintadas de verde e amarelo.
Assim produzidas, elas revelam mais o atraso de pessoas de má-fé ou de pouco conhecimento da administração pública que induzem a manifestação. Como o conhecimento é o avanço, os que conduzem e induzem essas manifestações são veículos do atraso. Os que espontaneamente participam da manifestação, a meu ver, estão errados na priorização, mas devem ser louvados por manifestarem demonstrando estar indignados.
Movimentos regressistas são os que pedem pela redução da menoridade penal, pelos que propugnam pela pena de morte, os que defendem a homofobia. Ai não interessa distinguir entre participantes e indutores, pois os dois grupos salvos os totalmente ingênuos que pecam apenas pela ignorância extrema, são, mais que representantes do atraso, defensores do retrocesso.
Não tenho acompanhado a reforma ortográfica, prometendo a mim mesmo esperar uns cinco anos antes de mudar minhas regras de acentuação. Bem a menos que houve mudança o verbo ter na sua frase:
“o movimento têm algo de regressista”
Deveria vir sem acento.
E vi também erros meus em relação ao comentário que enviei terça-feira, 18/10/2011 às 22h10min00s BRST, mas especificamente a falta de crase diante de “violência” e a falta da preposição “a” diante de “o crime”. E aproveito para retirar um trecho que está sobrando na frase transcrita a seguir já corrigida:
“Quanto à violência e ao crime não serem epidêmicos, sem comparação possível com os índices nos países mais civilizados, ainda bem que você não chama de curioso como fez diante da ausência no Brasil de manifestações contra o mercado financeiro”.
Por fim, que fique claro que defendo que se combata a corrupção. Gostaria apenas que houvesse mais racionalidade na avaliação de tamanho da corrupção (Tudo indica que à medida que o país tem evoluído, tanto sob o aspecto econômico, como sob o aspecto educacional e cultural, menor se torna a corrupção), na avaliação dos efeitos nocivos da corrupção (Embora a evolução do serviço público faça o serviço público cada vez mais infenso a incompetência, ela deve fazer mais mal do que a corrupção) e que se considerasse que a ação do chefe de executivo, fora do plano simbólico, é ínfimo no combate a corrupção.
E penso que há um instrumento importante de combate a corrupção que deveria se tornar o grande objetivo de reivindicação da sociedade e que é a transparência do gasto público. Quando cada item de gasto público for minuciosamente detalhado e demonstrado mensalmente para a população, o espaço para a corrupção terá se reduzido a partes centesimais do que se tem hoje.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/10/2011

sábado, 22 de outubro de 2011 15:57:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Samuel Vidal (quinta-feira, 20/10/2011 às 12h00min00s BRST),
Segundo você:
"O movimento Cansei é deficiente em olhar apenas para a redução de impostos, mas uma idéia dele é válida: o controle do gasto público que não gera crescimento econômico imediato."
Na década de 80 a turma de Ronald Reagan do Supply Side (Aliás quem chamava a Economia do Supply Side como economia Voodoo era George Hebert Walker Bush) cunhou a expressão: "A receita cria sua própria despesa". Sem ser economista eu sempre fui crítico do supply side economy, mas via nessa expressão um pouco de verdade. Um tanto ironicamente eu utilizava essa crítica para alertar sobre a CPMF (Na verdade meu alerta já existia em relação à proposta original do Imposto Único de Marcos Cintra), Eu dizia que a CPMF incidindo na capitação de recursos iria subir o juro de capitação do governo e assim a receita seria consumida antes de auferida, realizando antecipadamente a sina da expressão do Supply Side Economy.
de que a receita cria sua própria despesa.
Então a questão da despesa sempre foi preocupação minha. Penso que há espaço para redução de despesa. Essas duas últimas rodadas de redução de juro representam uma boa redução de despesas.
E evidentemente não é só no juro. Se se reduz o consumo de energia elétrica, de gasolina, de passagens, de telecomunicações, de aluguéis há a possibilidade de reduzir a despesa. Eu sempre alego que esse processo de redução de despesa é quase contínuo e, portanto, há pouco espaço para novas reduções. Lembro que eu era funcionário público quando Tancredo Neves virou governador. A primeira coisa que ele fez foi cortar o pão, manteiga e leite que era oferecido para o funcionário, ficando só o cafezinho. Toda vez que um novo governante assume ele tenta fazer esses cortes. Tudo fica desproporcional quando se sabe que uma redução de 0,5 no juro dá um retorno muito maior que todos os outros cortes de gastos juntos.
De todo modo toda a crítica que eu faço aos que centram a crítica nos governantes pelo aspecto da corrupção se baseia na avaliação que é fundamental na administração pública o trabalho dos órgãos de controle interno e de controle externo.
Assim controle do gasto público é idéia válida, mas não é do CANSEI.
Resumindo, volto a concordar com você, mas saliento que não acho que seja possível fazer a separação entre gasto que gera crescimento e gasto que não gera crescimento.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/10/2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011 23:28:00 BRST  

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