quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Cada um por si (21/09)


Desde que o mundo é mundo as relações entre países definem-se pela força de cada um e pelas alianças que conseguem construir para fortalecer o projeto nacional

Voltam os pronunciamentos sobre a necessidade de coordenar esforços para tirar o mundo da crise econômica. Costuma ser assim nas crises, pelo menos recentemente.

Foi assim em 2008, quando a chegada da quebradeira estimulou certa modalidade de fuga para adiante. O Brasil chegou a acreditar que estávamos diante de uma oportunidade histórica para alavancar o livre-comércio.

A previsão frustrou-se. Todas as tentativas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Celso Amorim para retomar e concluir a Rodada Doha deram em nada. E o livre-comércio foi saindo de moda. Ninguém mais fala nele a sério.

De tempos em tempos, volta-se a sonhar com a ascensão do G20. Apenas para constatar que o G8 tem sido mesmo é substituído pelo G2 (Estados Unidos e China).

A moda é proteger-se da tempestade, antes de gastar fosfato com as dores alheias. Piedade, só nos discursos.

É a lógica. Dois tipos de países estão em vantagem estratégica para emergir depois do tsunami: quem tem mercado interno vigoroso e quem consegue alcançar alta produtividade. 

Se conta com os dois, como a China, está no melhor dos mundos. Mas mesmo um só já ajuda bem.

É o caso do Brasil. Competitividade e produtividade não são nosso forte, mas temos ainda muitas dezenas de milhões para serem transformados em consumidores plenos, e um governo ocupado em não deixar estancar a inclusão social.

Se vai conseguir é outra história, pois a fonte externa vai minguando, a bonança foi-se. Mas está empenhado.

Quais os prêmios que o Brasil teria a colocar na mesa da “coordenação geral contra a crise”? A valorização do real? A coisa caminha no sentido oposto. 

O governo bate palmas e solta fogos para a desvalorização da nossa moeda, desde que o Banco Central cortou juros e mostrou que vai cortar mais.

A abertura do mercado brasileiro para produtos e serviços? A medida recente de proteção às montadoras locais de veículos mostrou que não é por aí.

Assembleias Gerais da Organização das Nações Unidas costumam ser palco propício para o desfilar de bons propósitos. 

E só. Costumam também esgotar-se nelas mesmas. Como é provável que aconteça com esta.

Desde que o mundo é mundo as relações entre os países definem-se pela força de cada um e pelas alianças que conseguem construir para fortalecer o projeto nacional.

Isso não dá sinal de querer mudar.

Cacique

O candidato do PMDB conseguiu apenas metade dos votos da bancada na disputa da vaga no Tribunal de Contas da União.

É mais um sintoma de que algo não vai bem no sócio principal do condomínio político liderado pelo PT.

O cenário é também produto da música que toca no Palácio do Planalto. A reconcentração de poder segue em marcha batida. E não só na Esplanada dos Ministérios.

Na empreitada, o Planalto tem explorado bem certa contradição entre lideranças estabelecidas e parlamentares novos.

De repente, do nada, o cacique percebe que não é mais tão cacique assim.

Financiamento

O relator da reforma política, deputado Henrique Fontana (PT-RS), esclarece como funcionariam as contribuições financeiras privadas ao fundo comum eleitoral.

Pelo projeto, a Justiça fixará o volume total de recursos a serem gastos na eleição. Depois, haverá um prazo para as doações privadas. Ao fim desse prazo, as verbas públicas complementariam o que ficou faltando para atingir o teto previamente estabelecido.

Tudo isso antes do início efetivo da campanha. Doações, só antes das convenções.

PSD

De olho na mais de meia centena de votos de parlamentares a caminho do PSD, o relator Fontana estuda melhorar no seu projeto a condição financeira de legendas que não tenham disputado a última eleição e atinjam certa massa crítica em número de deputados e senadores.

Vai ganhar uns votos na turma do prefeito paulistano, Gilberto Kassab. Mas pode ter problemas na turma candidata a precisar apertar um pouco mais o cinto.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta (21) no Correio Braziliense.



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3 Comentários:

Blogger pait disse...

O Pmdb acabou em S Paulo. Na última eleição fez uma bancada minúscula. Com frequência o resto do país reproduz S Paulo com atraso. Será que o Pmdb vai sumir no Brasil todo? Acho bem possível. Vamos assistir.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011 10:47:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

O deputado Fontana estaria precisando de um longo e permanente descanso. Voto distrital deputado. E sem invenções.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011 20:30:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

1) O que assusta não é a falta de votos de caciques. Os votos foram para os lados de outro ou outros caciques das capitanias. O susto vem do que falou a escolhida sobre o foco do TCU. Impressiona a desenvoltura da falta de senso. de a festa com que foi saudada.

2) Sobre a economia e o discurso na ONU.
Desnecessária a menção da presidente de que os emergentes podem ajudar a Europa a resolver seus graves problemas. Hoje, 22/09, o BC brasileiro teve de intervir, pesadamente, no mercado de câmbio para segurar o US$.
Falar em Brics, de nada adianta. Um acrônimo, com suas siglas digladiando entre si por mercados, ajudaria alguém em quê? E como? Porém o quem está claro: só a China, o "c" de Brics, teria alguma condição de empenhar algum recurso na Europa. Os demais, continuam sendo parte do acrônimo. Não têm recursos para adquirir bancos alavancados, títulos micados e outros nós. Melhor baixar a bola.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011 20:56:00 BRT  

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