terça-feira, 6 de setembro de 2011

A banda toca assim (06/09)


A opção de jogar o alvo para 2012 já fora largamente absorvida pelo mercado e pelos observadores. Antes mesmo do último Copom o centro da meta neste 2011 já virara fumaça e todo mundo estava conformado. Por que então agora o espanto?

A política é o espetáculo do exagero. Por didatismo. É mais fácil fixar convicções alheias sobre as nossas próprias qualidades e sobre os defeitos dos adversários se a realidade é apresentada em alto contraste. 

Política não é terreno propício a tons em cinza, a olhares dotados de compreensão, a tentativas de tomar o que há de certo no errado. Eis por que continua a haver emprego para os analistas políticos.

Pois para entender a política nunca basta ouvir o discurso militante.

Bastou o Comitê de Política Monetária reduzir em meio ponto percentual a taxa básica de juros para um diagnóstico tomar o palco. O Banco Central abandonou o regime de metas de inflação. Será?

O BC não abandonou o sistema de metas. Pelo menos não por enquanto. O que ele já havia abandonado, e continua a ignorar, é o regime gregoriano de metas estritas, o objetivo de alcançar o centro da banda de inflação entre 1o. de janeiro e 31 de dezembro.

Por uma razão política. Se decidisse pelo gregorianismo, o BC teria empurrado a economia brasileira para uma baita desaceleração, maior ainda que a presente. A presidente da República não topou o sacrifício, e então o BC ofereceu outro caminho: deixar para alcançar o centro da meta em 2012.

Tudo isso já era bem sabido antes da semana passada. A opção já fora largamente absorvida pelo mercado e pelos observadores. Antes mesmo do último Copom o centro da meta neste 2011 já virara fumaça e todo mundo estava conformado. Por que então agora o espanto?

Ainda mais quando o que existe é uma banda de inflação, e não propriamente uma meta. Pois a meta tem um “para mais” e um “para menos”.

Desde então, é assim que a banda toca.

O “para menos” é só de inglês ver, mas o “para mais” tem sido bastante últil.

Na prática o regime de metas de inflação vem sendo flexibilizado não no conceito, mas na meta propriamente dita. Mira-se não o centro, mas o topo. Que com o tempo vira centro.

Essa foi a primeira heterodoxia. A segunda? Precisamente a flexibilização do gregorianismo. E há uma boa razão para fazê-lo. Se o objetivo dos juros é atacar a inflação futura, o peso da passada pode ser relativizado. 

Ou seja, importa mais como roda a inflação instantânea e menos como ela se comportou, num exemplo, seis meses atrás.

O Palácio do Planalto e o Banco Central estão usando toda a margem de flexibilidade do sistema institucional de metas para tentar impedir que a economia brasileira acelere a desaceleração.

Estão usando a pista toda, mas não estão, ainda, subindo na zebra.

Qual é o risco? Transformados os 6,5 em centro da meta, na prática, daqui a pouco alguém vai querer olhar um pouco mais para cima.

Dilma Rousseff colheu bons resultados da decisão, lá atrás, de não seguir o gregorianismo. A recuperação mundial é bem mais lenta do que supunham os otimistas e as pressões inflacionárias externas parecem atenuadas.

Houve um momento em que o governo piscou, mas agora vem a marcha-a-ré, a volta ao plano original.

Como na profissão de goleiro, também na política é preciso ter sorte. E o governo está com sorte, pois o cenário externo ajuda a combater a inflação, abrindo espaço para reduzir o aperto monetário.

Claro que haverá sempre a possibilidade de tocar a zebra, de derrapar, de sair da pista, de ficar preso na brita ou bater no guard rail. Mas esse é um risco de quem está na corrida.

E quem está na corrida sabe que se a ousadia virar trapalhada o bicho vai pegar.

Não vai rolar

Toda vez que o PT não gosta de alguma produção jornalística retoma o discurso sobre o “controle social da mídia”. Para em seguida recuar, diante das reações.

E também diante da constatação de que a introdução de certos controles exigiria uma ruptura institucional, exigiria remover certas garantias constitucionais à liberdade de expressão.

O PT deveria cair na real. Isso simplesmente não vai rolar.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta terça (06) no Correio Braziliense.



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14 Comentários:

Blogger Geraldo G. Brasil disse...

De novo, o mesmo assunto. Discussão sobre o regime de metas, a independência do BC, o acerto do governo em evitar uma recessão. Mas nada sobre os fatos reais da economia. Para a saúde econômica o que realmente importa é como as atitudes do governo vão impactar nos fundamentos econômicos.Nesse quesito, todos ficam mudos. Ao governo cabe comportar-se com responsabilidade na efetivação dos gastos públicos. Há uma regra econômica que exige um gasto menor do que a receita. Exatamente para formar uma Poupança que transformar-se-á em Investimento, que por sua vez, transformar-se-á em desenvolvimento, esse sim sustentado, à prova de crises nacionais ou internacionais.Por que o governo não cumpre essa regra? Essa é a discussão. Com um gasto público mais inteligente, nossos juros seriam mais baixos e o nosso desenvolvimento muito maior. Para felicidade geral da nação. Meu caro Alon, vamos discutir o assunto, mas sem essa de politizar a economia, isso vai acabar dando errado. E já sabemos como tudo pode terminar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011 08:53:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, palavras são palavras... diria o antigo Odorico. Servem tanto para deslumbrar como para confundir. Servem também, vez ou outra, para evidenciar verdades importantes. No caso Alon, é você que está usando as palavras para confundir, ainda que me pareça involuntário. No que foi estabelecido em 1999, existe “meta”, não existe “banda”. Existem também margens para erro, até porque a meta, na virgula, é inatingível. Durante o governo do torneiro mecânico, a margem inferior não existiu apenas para inglês ver, erramos, e se não me engano mais de uma vez, para menos! Essa história de mirar o “teto” da “banda” é uma conversa antiga da esquerda que tem por objetivo confundir as coisas, para evadir-se da disciplina monetária. Mas obrigado por voltar ao tema e me permitir justificar melhor o ter dito que o governo abandonou o sistema de metas: esse não se resume a acompanhar as estatísticas e fixar a Selic de tanto em tanto. Ele consiste mesmo em um diálogo entre governo e mercados financeiros sobre o que se pode esperar sobre a inflação futura. Por que os gananciosos do mercado financeiro? Justamente porque eles não “fazem” a inflação, mas essa é essencial para avaliar as perdas ou ganhos em seus investimentos. Eles possuem um incentivo muito forte para fazer a melhor previsão possível, com os dados disponíveis. Por que não incluir industriais e sindicalistas? Porque estes estão mais interessados em derrubar os juros e mesmo elevar a inflação, simples não? Esse diálogo foi claramente rompido e o sistema abandonado. O que não implica que o sistema de metas não possa vir a ser retomado mais a frente, especialmente se toda a crise externa, pela qual o nosso governo tanto “torce”, conseguir derrubar a nossa inflação (independente do sistema de metas). Tem algo mais a ser dito aqui, o sistema de metas não é um mecanismo adequado para um governo de esquerda, que fundamenta sua ação na hipótese da existência de confronto na sociedade, na identificação de personagens sociais que devem ser vencidos. É um sistema que tem seus alicerces em um entendimento mais objetivo da realidade social. Algumas expressões correntes, quando eu ainda era um jovem de esquerda, me pareciam despropositadas: a direita – naqueles tempos ainda havia direita e não apenas tucanos –, falava em governos inflacionistas. Como poderia um governo promover ativamente a inflação? Pois é absurdo, mas o resultado e o mesmo que seria se não o fosse. Assim, repito minha previsão de que este ano furamos o teto de tolerância da meta e no ano que vem teremos uma inflação maior que a deste. Veja que curioso, isso independe da crise externa... se podemos buscar um crescimento de 4% porque não de 4,5% ou 5%, e assim se faz o governo inflacionista.

terça-feira, 6 de setembro de 2011 11:31:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

A metáfora é boa. Mas em se tratando da economia, acho que a coisa está mais para uma pista de rally, cheia de surpresas e Dicks vigaristas. Nunca se sabe ao certo o que está pela frente. Lembre-se que se voltássemos aos anos da juventude a crise de 2008 seria para muitos de nós a evidência histórica da crise final do capitalismo e o anúncio da chegada da nova era. Hoje, muitos aprenderam por experiência histórica que o que pensávamos a respeito das crises do capitalismo era apenas mais um pensamento a respeito dela. A história, o efetivo, é contingente.

Sem dúvida que a ousadia foi fator determinante no Plano Real. Mas a pista, os pilotos e os Dicks vigaristas, ou suas tramoias, eram outros. E os atuais pilotos se comparados com os de antanho...

Interessante é que Tombini foi da equipe que, sob o comando de Armínio Fraga e Sérgio Werlang, criou o sistema de metas. Custo a crer que ele tenha desistido do regime de metas. Tinha mais certeza de que o BC havia optado por um regime mais gradualista em relação a meta. O problema, parece, está em entender esse gradualismo e a elasticidade dele de 2012 para o meio de 2013 e que agora, parece, espichado para ainda não se sabe até onde. Seria bom que o BC viesse a público para explicar em linguagem clara o que está fazendo ou pretendendo fazer. Economistas sensatos esperam que as explicações venham com a ata. Outros se apressam em colocar os gatos economistas sensatos no mesmo saco dos gatos economistas “portadores da ‘verdadeira’ ciência monetária”. Certamente, disso Delfin fala de cátedra... Continua o mesmo autoritário, agora na linha soft, incapaz de aceitar o contraditório.

PS: Refiro-me ao artigo de hoje, no jornal Valor, do novo guru da moçada “progreçista”, Delfim Neto, que autografou o AI-5 “pelo bem do pais”. Isso eu não posso e não devo esquecer. Bom, o país é livre e cada escolhe seguir o que e quem quiser. Mas que é estranho, ah isso é sim. Eu observo os novos e velhos discípulos do guru, que já foi czar da economia, e penso que parece mesmo ser como se diz em MG: um gambá cheira o outro.

PS’: Dieese informa: Crescimento da inflação é maior para paulistanos mais pobres [ESP, 05/09/2011]

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,crescimento-da-inflacao-e-maior-para-paulistanos-mais-pobres,82898,0.htm

terça-feira, 6 de setembro de 2011 12:47:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

O que aparenta é o abandono do controle mais rígido da inflação, para ter um pouco mais de crescimento. Ou seja, tolerar mais inflação, significa multiplicar seus efeitos via indexação, que ainda existe na economia brasileira. Nas reivindicações salariais, nas discussões de reajustes do SM, das aposentadorias e pensões, nas negociações entre sindicatos de empregados e empresários. É uma roda que pouco tem de virtuosa. Mas, tem muito de propaganda. E uma coisa que o governo não pode garantir é que conseguirá fazer a economia crescer 4%, 5% ou 6%. E nem que conseguirá reverter as previsões que se situam ao redor de 3%. O problema é o colo de quem estará disponível para segurar essa bomba: meta de inflação estourada na banda superior do intervalo de metas e PIB correndo abaixo da evolução dos preços. A presidente apela ao Parlamento para que indique as fontes de receitas para os gastos que propõe. O Parlamento não sugere que a presidente corte em sua máquina e nos gastos sociais. Dessa forma, nada dará certo. Exceto, a conclusão de ambos, de que mais arrecadação será necessária. Não via melhor aplicação do que se arrecadou e arrecada. Mas, no sentido de arrecadar mais, em cima do que já está sendo arrecadado da mesma base. Assim, só fica aberta a possibilidade de novos impostos ou que a inflação faça o serviço de ajustar as contas do governo. Esse filme já passou.

terça-feira, 6 de setembro de 2011 15:49:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

No caso do controle da imprensa, censura em novilíngua, o PT está na real. É isso mesmo que quer: censura. A todo momento demonstra autoritarismo e arrogância. Dai a desejar a censura é só uma questão de pegar incautos desprevenidos. Como não consegue, nem com o tal de social no controle, fica nessas de se colar, colou. Uma proposta de diretriz partidária, acaba virando moção. E há elogios pouco velados, ou alívios, na imprensa, pelo "progresso". Como se o Brasil fosse um regime de partido único, planejamento central, onde tudo o que iluminados pretenderiam, via diretrizes, entrasse em vigor sem questionamentos. Nesse caso, a única dúvida é por que o PT insiste tanto em censurar o que o beneficia?

terça-feira, 6 de setembro de 2011 15:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Até hoje acho que você não entendeu a engenharia do conceito de autonomia do BC.

A autonomia é operacional. O presidente da república estabelece em lei qual inflação quer e o BC escolhe o momento (oportunidade) e os instrumentos que achar convenientes para levar a inflação à meta.

Se o presidente da república quiser uma inflação maior, acho que a decisão que melhor serve a todos é que ele defina isso na lei. Essa engenharia é assim porque quem tem os instrumentos de crescimento é a Fazenda.

É infrutífero cobrar do BC aspectos sobre o qual ele não tem ingerência. Para argumentar, essa é a engenharia em situações normais.

Reconheço que a situação hoje não é normal. Disto isto, também não vejo com maus olhos uma tabelinha entre BC e Fazenda. A questão é: vai funcionar? A Fazenda vai entregar o prometido? Se sim, que se prossiga o enterro. Se não, vai dar m... E então, vamos cobrar a responsabilidade de quem?

terça-feira, 6 de setembro de 2011 17:37:00 BRT  
Anonymous Orago disse...

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Cada vez mais está claro que o que é importante é manter o emprego e desenvolvimento, sem perder de vista a inflação, MAS NÃO FAZER TUDO PELA INFLAÇÃO e atolando o país na recessão e na bagunça institucional...
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A meta de inflação é um balizamento, não é um "trilho imutável".
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A "inflação" é um indicador do mundo financeiro, um mundo virtual... é uma média ponderada... Se o salário está subindo, todos tem emprego, o consumo está mantendo a industria e os serviços a tona... o país está saudável... a coisa pega se a inflação fica "descalibrada" e não acompanha um desenvolvimento (a estagflação)...
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O indice de inflação é uma simplificação, para estudo financeiro, da realidade... NÃO É A REALIDADE... tem que ser analisada e tratada com racionalidade...
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Vi teu comentário no GloboNews em Pauta... concordo contigo... se lá pelo meio do ano que vem a inflação não estiver convergindo e o desenvolvimento caindo, aí será a hora de rever a aposta... Não podemos ficar mudando antes sob pena de embolar tudo...
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Acredito piamente que estamos no caminho certo...
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Do site sobre a sistemática de Metas de Inflação do BCB, tirei os dados abaixo, sobre as metas e a inflação real desde o ano de 1999, quando a sistemática foi implantada:
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ANO.....Meta.... Real
1999 ... 8 ... 8,94
2000 ... 6 ... 5,97
2001 ... 4 .... 7,67
2002 ...3,5 .. 12,53
2003 ... 4 .... 9,30
2004 .. 5,5 ...7,60
2005 ... 4,5 .. 5,69
2006 ... 4,5 .. 3,14
2007 ... 4,5 .. 4,46
2008 ... 4,5 .. 5,90
2009 ... 4,5 .. 4,31
2010 ... 4,5 .. 5,91
2011 ....4,5 .. ???
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Se a inflação passar de 10% no ano de 2012, o sinal amarelo deve ser levado em consideração... até lá está dentro do perfil histórico...
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Os próximos três anos serão muito atipicos... exigirá inteligência para lidar com estes indicadores baseados em média e sujeitos a "estouros de manadas"...
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terça-feira, 6 de setembro de 2011 22:37:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Orago, tudo bem com o histórico e com as margens de erro. Contudo, se não falha a memória, o crescimento nunca foi bom com inflação mais elevada. E mesmo o contrário, excetuando-se os períodos de planos econômicos heterodoxos,que congelavam preços e salários. Isso deveria ser demonstrado com um mínimo de dados. Contudo, parece mais claro que não dá para sacrificar o combate à inflação, tolerar a inflação, justificando pelo crescimento maior, que é incerto. Ou será que haveria a loucura de estabelecer meta de crescimento do PIB? O mais provável é que a inflação seja mais tolerada, para que ela realize o trabalho de ajustar as contas públicas, sem necessidade de cortar efetivamente gastos desnecessários.

sábado, 10 de setembro de 2011 14:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (sábado, 10/09/2011 às 14h23min00s BRT),
Segundo você:
"Contudo, se não falha a memória, o crescimento nunca foi bom com inflação mais elevada. E mesmo o contrário, excetuando-se os períodos de planos econômicos heterodoxos,que congelavam preços e salários. Isso deveria ser demonstrado com um mínimo de dados."
Não sei se eu entendi, mas pareceu-me que você quer que se prove que o crescimento pode ser maior com inflação do que sem inflação. Se for isso não custa lembrar que nos cinco anos de governo de José Sarney houve mais crescimento econômico do que nos oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso, mesmo que se, por justiça, retirar-se do cômputo o primeiro ano do governo que é mais fruto do governo anterior e se computar como pertencendo ao governo que sai o primeiro ano do governo seguinte.
Também nos anos de Juscelino Kubitschek, o crescimento foi maior com inflação maior do que, por exemplo, nos anos de Eurico Gaspar Dutra.
O problema da inflação é político e não econômico. Não sou economista, mas o que mais procuro é uma boa fundamentação econômica contra a inflação e não acho. Se você conhecer um texto de um verdadeiramente sábio que demonstre que a inflação seja ruim sob o aspecto econômico, ficaria grato se o indicasse. E desde que o argumento não seja o de que a inflação reduz a demanda, pois afinal esse é o argumento dos que defendem a poupança (A poupança reduz a demanda). É claro que ficará por minha conta avaliar se o autor do texto preenche o requisito de ser verdadeiramente sábio.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/04/2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011 21:24:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Gostei muito deste seu post “A banda toca assim”. Acrescentaria alguma coisa no parágrafo que transcrevo a seguir:
“Bastou o Comitê de Política Monetária reduzir em meio ponto percentual a taxa básica de juros para um diagnóstico tomar o palco. O Banco Central abandonou o regime de metas de inflação. Será?”
Vários diagnósticos tomaram o palco. Houve um grupo de descontente com a ação do Banco Central que fez o diagnóstico de que o Banco Central abandonou o regime de metas da inflação. E dentro deste grupo de descontentes houve os que fizessem o diagnóstico de que houve a perda de autonomia ou independência do Banco Central. E dentro ainda do grupo de descontentes há os que, já tendo observado a queda no juro do longo prazo, tenham mostrado espanto apenas para poder justificar o descontentamento. E há o grupo também dos contentes e dentro dele as mais variadas espécies.
O que eu senti foi certa falta de consistência de outras análises sua com os fatos efetivamente ocorridos nos seus escritos sobre o Banco Central quando se leva em consideração três posts recentes, e pela ordem do mais antigo até o mais recente:
1) O post “Sinal dos tempos” de terça-feira, 30/08/2011
2) O post “A banda toca assim” de terça-feira, 06/09/2011 e
3) O post “O jogo a jogar”, de terça-feira, 13/09/2011
Em “Sinal dos tempos” você criticou o governo pelo aumento do superávit e o Banco Central se ele não atuar agora de forma diferente do que atuou em 2008. Na verdade a comparação que se deve fazer agora é com a atuação do Banco Central diante da crise do subprime nos Estados Unidos no meados do primeiro semestre de 2007. A crise do subprime que estourou em 2007 nos Estados Unidos guardaria semelhança com a crise da dívida soberana dos países menos ricos da Europa deste ano de 2011.
Aqui em “A banda toca assim” não há inconsistência, mais havendo o que elogiar, pois, como eu disse, gostei muito deste seu post. Penso mesmo que você faz um belo retrato da ação do Banco Central para não cair prisioneiro das amarras da herança maldita do Regime de Metas de Inflação. Você não diz como eu disse, mas não deixa de ser isso o que você teria a dizer. A ser cumprido, o Regime de Metas de Inflação é limitador do crescimento. E deixar de ser cumprido é um risco que um partido não hegemônico não pode permitir que aconteça.
O que eu ressalto é que ficou certo desnível entre este post “A banda toca assim” e os outros dois, “Sinal dos tempos” e “O jogo a jogar”.
E no terceiro post, “O jogo a jogar”, em que para o meu gosto você incensa a Dilma Rousseff mais do que o razoável, você repete em um aparte a crítica ao Banco Central na atuação que ele teve em 2008. Ora, 2011 guarda mais relação com 2007 do que com 2008. Aliás, se se analisar o que ocorreu em 2003, 2007 e o que está acontecendo em 2011 e lembrar que 2004, 2008 e 2012 foram ou será ano de eleição municipal é de se imaginar que há alguma coisa no ar alem de aviões de carreira.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 20/09/2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011 13:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Gostaria ainda de destacar aqui neste post “A banda toca assim” de terça-feira, 06/09/2011 uma frase sua em que você disse:
"Estão usando a pista toda, mas não estão, ainda, subindo na zebra.
Destaco-a porque ela me fez lembrar de uma discussão que eu tive com um comentarista aparentando formação em economia e, portanto, com quem eu tinha muito a aprender. Houve um post no antigo Blog de Luis Nassif Projetobr intitulado "As metas inflacionárias" de 26/08/2008 às 09:15 na Aba de Economia em que Luis Nassif fizera chamada e análise para artigo de Antonio Delfim Netto no Valor Econômico, publicado na mesma data e intitulado "O tempestivo exagero do BC" com críticas ao Banco Central no uso do Regime de Metas da Inflação. Pena não haver mais o Blog Projetobr de Luis Nassif para se conferir o que disseram lá os envolvidos salvo o artigo de Antonio Delfim Netto, “O tempestivo exagero do BC”, que se pode ver no seguinte endereço:
http://www.google.com/notebook/public/03904464067865211657/BDQJ-SgoQ4PO99b8j
O endereço acima aparece no Google quando se pesquisa com o título do artigo de Antonio Delfim Netto. E também para assinantes o artigo pode ser visto no Valor Digital no seguinte endereço:
http://valor.ideavalley.com.br/flip/index.php?idEdicao=dc2fd92346b84f271095bf8037c5546a
Agora, fiando-se apenas nos arquivos que eu tenho daquela época e na minha palavra, reproduzo a discussão que houve entre mim e o outro comentarista no blog. O comentarista criticou os requisitos que segundo Antonio Delfim Netto seriam necessários para o Regime de Metas funcionar e disse que não haveria necessidade do conhecimento sobre a formação das expectativas de inflação “assim como um motorista não precisa conhecer todas as curvas da estrada de Santos para descer a serra”
Eu achei que valia às pena fazer correção na analogia e, em comentário que enviei em 01/09/2008 às 01:13, acrescentei:
"a uma velocidade média determinada previamente".
E em comentário mais à frente, enviado em 02/09/2008 às 23:20, eu achei melhor completar a frase e colocar ao lado dos motoristas copilotos que teriam conhecimentos de física e geologia e:
"à medida que desciam a serra, avaliariam qual seria o raio médio das curvas anteriores e por suposição calculariam as curvas que se seguiriam. Com um bom conhecimento de física e também de geologia, os copilotos avaliariam que a serra teria aproximadamente um formato de cone e que quanto mais se aproximassem do litoral maior seria o raio da curva e provavelmente maior seria a velocidade média que poderia ser alcançada."
E aqui neste post não foi só você que fez analogia com a corrida de veículos em uma pista. Também o fez o Paulo Araújo em comentário de terça-feira, 06/09/2011 às 12h47min00s BRT. Além disso, Paulo Araujo faz menção também a artigo de Antonio Delfim Netto no Valor Econômico pouco mais de três anos depois intitulado “Um viva para o Copom”. O endereço do artigo de Antonio Delfim Netto é:
http://www.valor.com.br/opiniao/999216/um-viva-para-o-copom
Muito provavelmente o artigo de Delfim Netto em 2012 coincidirá mais com o artigo que ele escreveu em 26/08/2008. É esperar para ver.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 20/09/2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011 14:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Pretendia falar um pouco sobre a coincidência da redução da taxa de juro no ano anterior ao ano das eleições municipais.
Esse assunto, entretanto, apesar de ser eminentemente político, que, embora eu não tenha a formação técnica, tem sido do meu interesse há muitos anos, possui muitos imbricarmentos na seara econômica que me desestimulam como leigo a tratar com a atenção e o rigor necessários.
Sem os apetrechos intelectivos do mundo acadêmico e diante de uma parafernália de modelos técnicos-científicos que não dão espaço para um leigo argumentar, eu passei a abusar do humor e do desdém para tratar aquilo que no meio intelectual era tratado como o "ultra plus ultra" do tecnicismo.
Assim, à presença atemorizadora ou moralizadora de Henrique Meirelles no Banco Central, eu retrucava dizendo que "Henrique Meirelles era presidente do Banco Central para inglês ver". Para a dúvida sobre a necessidade de formação de reservas eu respondia que "Governo bom forma reservas e governo ruim as destrói", mas então percebi que precisava acrescentar algo a frase e passei a dizer que "as reservas também são para ingleses verem". Afinal se governo bom as forma e governo ruim as destrói, as reservas que foram feitas para serem usadas quando necessário não podiam ser usadas, pois o uso delas denotava uma incompetência do governo que as estaria destruindo. Assim as reservas seriam para inglês ver.
Passei a desconfiar do Regime de Metas de inflação quando pude observar que salvo a Inglaterra que optara por ficar fora da Zona do Euro e de certa forma e por isso atrelada ao dólar americano, o Regime de Metas era só usado por país sem expressão econômica. Junto ao post "O Banco Central e a confraria dos "juristas"" de sexta-feira, 02/09/2011 às 18:39 no blog de Luis Nassif no endereço a seguir:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-banco-central-e-a-confraria-dos-juristas
Em comentário que enviei sábado, 03/09/2011 às 18:30 em um encadeamento de comentários que se seguiu ao primeiro comentário no post, eu historio minha descrença no Regime de Metas de Inflação. Lá no meu comentário eu ponho links para outros posts onde há comentários meus bem mais antigos manifestando a minha antipatia ao Regime de Metas de Inflação. Só não ponho o link para o post “O modelo de metas de inflação” de 03/08/08 às 08:59 e que saíra no antigo blog de Luis Nassif Projetobr na aba de economia e era originário de um comentário de autoria de Andre Araujo que comentara em post anterior porque os posts do Projetobr foram apagados. No post “O modelo de metas de inflação” o comentarista Andre Araujo demonstra de modo irrefutável a minha percepção que Henrique Meirelles não tinha o perfil de presidente de Banco Central. Pouco mais de três semanas após o post “O modelo de metas de inflação”, Antonio Delfim Netto fez o artigo "O tempestivo exagero do BC" que fora publicado no Valor Econômico, em 26/08/2008, mostrando o quanto era de pouca aplicação prática a base teórica do Regime de Metas de Inflação.
Bem, se as reservas nada tinham de especial, se o Regime de Metas de Inflação também não era nada especial e também não era nada especial o Henrique Meirelles, há que se verificar até que ponto o Banco Central do Brasil teve realmente a autonomia e independência que tantos alegam que ele teve no governo Lula pela independência que a presença de Henrique Meirelles conferia ao Banco Central. E agora, com Alexandre Antonio Tombini, será que não se tem situação parecida em que a política posta em prática pelo Banco Central é a política do governo?
As quedas das taxas de juros no ano anterior as eleições municipais que ocorreram em 2003, 2007 e agora em 2011 para mim são evidências muito forte de que quem manda no Banco Central foi e é o governo e os que pensavam ou pensam o contrário são ingleses ou se tomam por ingleses.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/09/2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011 23:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Orago (sábado, 10/09/2011 às 14h23min00s BRT),
Gostei do seu comentário, ainda que ele não tenha sido ousado ou capaz de adivinhar a taxa de juro a ser dita pelo Copom como no seu comentário enviado terça-feira, 30/08/2011 às 20h42min00s BRT para junto do post “Sinal dos tempos” de terça-feira, 30/08/2011, mas em compensação não foi tão acanhado e tendo se equivocado ao relatar a história da decisão sobre a taxa de juro em 2008 como você se enganou junto ao post “O jogo a jogar”, de terça-feira, 13/09/2011 aqui no blog de Alon Feuerwerker em seu comentário enviado terça-feira, 13/09/2011 às 18h59min00s BRT.
Fiz referência aos seus erros e acertos, tanto aos erros que eu vi no seu comentário junto ao post “O jogo a jogar”, em comentário que enviei sexta-feira, 16/09/2011 às 13h59min00s BRT como aos acertos que vi junto ao post “Sinal dos tempos” em comentário que enviei quinta-feira, 15/09/2011 às 22h00min00s BRT e depois reforcei em comentário enviado sexta-feira, 16/09/2011 às 23h16min00s BRT.
Aqui me pareceu que você apenas quis reforçar o conteúdo deste post “A banda toca assim” de terça-feira, 06/09/2011, de que eu gostei também muito e mais ainda quando comparo o com o que o Alon Feuerwerker escreveu lá atrás em “Sinal dos tempos”. ou lá à frente em “O jogo a jogar”,. O seu comentário ficou um texto comedido, sem ousadia e buscando os dados corretos onde eles se encontram. De todo modo há que se louvar mais você do que o Alon Feuerwerker ainda que aqui ele tenha superado a todos na análise da ação do Banco Central e do governo, mas você merece mais louvor, pois nos três comentários apesar dos erros e em razão dos acertos mostrou um pouco mais de coerência do que Alon Feuerwerker, que parece ter tomado direções distintas em cada um dos três posts mencionados.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/09/2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011 23:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Após o meu comentário enviado terça-feira, 20/092011 às 13h51min00s BRT e antes do meu comentário enviado terça-feira, 20/09/2011 às 23h50min00s BRT, eu enviara outro que você não aprovou. Você teve lá suas razões, pois eu transcrevia trechos de comentários que eu enviara para um post antigo no blog de Luis Nassif - o Projetobr - intitulado "As metas inflacionárias" de 26/08/2008 às 09:15 na Aba de Economia em que Luis Nassif dera chamada para artigo de Antonio Delfim Netto no Valor Econômico, publicado na mesma data e intitulado "O tempestivo exagero do BC" com críticas ao Banco Central no uso do Regime de Metas da Inflação. Só que os posts com os comentários neste blog antigo de Luis Nassif foram apagados pelo próprio autor. Assim pareceu-me razoável que você não permitisse que se publicasse aqui o que fora apagado lá.
Como a elaboração do comentário dera-me um pouco de trabalho resolvi colocar no blog atual de Luis Nassif o comentário que aqui não fora aceito. Como guardava pertinência levei o comentário para junto de outro comentário junto ao post "O Banco Central e a confraria dos "juristas"" de sexta-feira, 02/09/2011 às 18:39 no blog de Luis Nassif e que eu mencionei deixando o link em meu comentário enviado para você terça-feira, 20/09/2011 às 23h50min00s BRT, aqui neste post "A banda toca assim" de terça-feira, 06/09/2011.
Por sorte junto ao post "O Banco Central e a confraria dos "juristas"" eu já havia feito a transcrição do post “O modelo de metas de inflação” de 03/08/08 às 08:59, sem os comentários, é claro, e que saíra no antigo blog de Luis Nassif Projetobr na aba de economia e era originário de um comentário de autoria de Andre Araujo e ao qual eu também faço referência no comentário enviado terça-feira, 20/09/2011 às 23h50min00s BRT.
Este meu comentário visa principalmente fazer este vínculo para um post no blog de Luis Nassif rico de comentários e de links que ajudam a entender um pouco mais a sistemática de metas de inflação, de autonomia do Banco Central e da administração da polítca monetária aqui no Brasil e alhures.
Vale lembrar que, além de trazer por inteiro um comentário que aqui fora compreensivelmente desaprovado, e no qual, eu aproveitava do seu texto na sua referência ao trabalho do Banco Central como “usando a pista toda, mas não [estando], ainda, subindo na zebra” e aproveitava de passagem do comentário de Paulo Araújo enviado terça-feira, 06/09/2011 às 12h47min00s BRT, em que ele considera que a sua “metáfora [sobre a pista] é boa, mas em se tratando da economia, [ele acha] que a coisa está mais para uma pista de rally, cheia de surpresas e Dicks vigaristas [onde] Nunca se sabe ao certo o que está pela frente”, para lembrar de metáfora parecida discutida há cerca de três anos e tendo por base texto de Antonio Delfim Netto para quem Paulo Araújo também nos remete.
E aproveito e faço menção ao post "Com que humor?" de quarta-feira, 21/09/2011 aqui no seu blog, pois nele enviei quarta-feira, 21/09/2011 às 20h23min00s BRT um comentário com dados do crescimento do PIB desde o segundo trimestre de 2009 e que penso que eles ajudam a entender melhor o comportamento do Banco Central.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/09/2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011 21:24:00 BRT  

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