terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sinal dos tempos (30/08)


Pelo menos num detalhe o governo parece admitir suas limitações. Nos bons tempos, esses 10 bilhões teriam ido para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Agora vão para os juros

Não faz uma semana o governo batia bumbo sobre o superávit primário de julho, recorde. E sobre o acumulado nos primeiros sete meses do ano. Por ter poupado quatro em cada cinco reais que se dispusera a reservar em 2011 para o pagamento de juros. 

Tudo estava bem.

Agora as autoridades econômicas anunciam uma meta adicional de 10 bilhões no esforço fiscal. Não somos governados pelo Tea Party, mas a ideia é similar: em vez de o governo gastar mais, vai conter a própria despesa e, assim, a demanda por recursos privados para alimentar a máquina pública.

O keynesianismo já era.

Com a medida, o governo revela ter concluído que cada real mandado de volta aos investidores gera mais crescimento e emprego do que se for investido ou gasto pelo próprio governo. 

Houvesse no Brasil uma oposição de esquerda, ressurgiriam as críticas ao neoliberalismo.

Alguém recordaria os argumentos do Palácio do Planalto quando impôs dar ao salário mínimo e às aposentadorias no começo do ano só a inflação, e olha lá. Dizia que faltava dinheiro para mais. Que aumentos reais iriam quebrar o Brasil. 

E foi ecoado pela turma sempre disposta a gritar que o país vai à breca se mais dinheiro for dado para os pobres.

Na época levantei duas hipóteses. 

1) O governo enlouquecera ao contratar para o começo de 2012 um senhor aumento real do mínimo e das aposentadorias. Ou 2) o governo tinha como dar mais agora mas preferiu beneficiar os credores em vez de melhorar imediatamente a vida dos mais necessitados.

Deu a alternativa b, por causa do belo desempenho na arrecadação. Fenômeno que o governo já previa, e por isso aceitou o compromisso de um gordo aumento real em 2012. 

Foi uma cruel conta de chegada, pois quem vive do mínimo ou de aposentadoria ficou condenado a atravessar sem proteção o ano inflaocinário de 2011. Matematicamente, a área embaixo da curva recebeu uma lipoaspiração e tanto.

Mas o governo não enfrentará dificuldades políticas por causa disso. 

Espertamente antecipou-se e correu a oferecer o excesso de arrecadação aos banqueiros e a quem tem dinheiro em banco. Nem deu tempo de a turma pendurada no orçamento, no custeio ou nos investimentos, pensar em dar uma mordida no pedaço do filé que sobrou para fora do sanduíche.

E a opinião pública aplaudirá, pois austeridade nos olhos dos outros é um colírio.

Vamos ver o que faz agora o Banco Central. Este mesmo BC perdeu em 2008 a espetacular oportunidade de trazer os juros brasileiros a patamar civilizado, quando a demanda caiu a zero na eclosão da crise.

Foi o corolário perverso da ficção da marolinha. Já que a onda chegaria aqui como marola, o BC teve legitimidade para num ambiente econômico sem demanda manter nossos juros reais na liderança do ranking mundial.

Será bom se o movimento fiscal anunciado ontem resultar em atitude diferente agora no Comitê de Política Monetária. Ainda que o cenário da demanda seja bem distinto. Há um desaquecimento, mas nada que se compare ao mergulho de 2008 na piscina vazia.

Do episódio, por enquanto, fica a lição de que bons números trazidos pelo governo devem merecer saudável desconfiança. O superávit primário da semana passada tinha diversos problemas.

Havia um baita pagamento de imposto da Vale, pontual. O resultado brilhante fora conseguido à custa do aumento de imposto, e não de conter gasto. E o custeio permanecia intocado, enquanto o investimento tinha ido para o beleléu.

Veremos se haverá competência e -como se dizia- vontade política agora para mexer no vespeiro.

Pelo menos num detalhe o Palácio do Planalto parece admitir suas limitações. Nos bons tempos esses 10 bilhões teriam ido para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Agora vão para os juros.

Não deixa de ser mesmo um sinal dos tempos.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta terça (30) no Correio Braziliense.



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16 Comentários:

Anonymous F. Arranhaponte disse...

Dizer que os R$ 10 bilhões vão para os juros é um erro de aritmética elementar, ou (não creio) sofisma consciente.

Os juros pagos não mudam um centavo pela decisão de aumentar o superávit primário. Como sobra mais dinheiro da arrecadação para pagar juros, o governo paga uma parte maior dos juros (que não mudam) com dinheiro da arrecadação, e uma parte menor com o dinheiro de colocação de dívida nova (conta criada para nossos filhos e netos).

Mas, em suma, a ideia de que os R$ 10 bilhões "vão" para os juros seria equivalente a achar você pagou R$ 10 mil a mais para alguém se você tirou o dinheiro da sua conta no banco, em relação à situação em que você paga os mesmos R$ 10 mil tomando emprestado no banco.

terça-feira, 30 de agosto de 2011 00:25:00 BRT  
Blogger Alex Catarino disse...

Eu não sei até que ponto se pode chamar essa medida de neoliberal e, quase por consequência, que o keynesianismo já era.

Segundo Keynes, o Governo deve implementar medidas fiscais anti-cíclicas. Então, com uma crise mundial supostamente à porta, faz todo o sentido que um Governo aumente o superávit agora e gaste (fortaleça o PAC) quando a crise estourar.

Contudo, o grande erro aqui é não aumentar o superávit às custas de cortes na máquina pública (burocracia).

terça-feira, 30 de agosto de 2011 00:35:00 BRT  
Blogger pait disse...

O governo americano gasta de menos, o brasileiro gasta demais. Por isso os juros americanos estão negativos, aqui continuam altíssimos. Situações diferentes requerem políticas diferentes.

terça-feira, 30 de agosto de 2011 09:20:00 BRT  
Anonymous F.Arranhaponte disse...

Aliás, sofisma consciente é pleonasmo

terça-feira, 30 de agosto de 2011 19:36:00 BRT  
Anonymous Lugar_Incomum disse...

Ótimos os comentários acima. Embora considere o Alon um ótimo analista político, nesta análise econômica a bola foi mais fora do que os pênaltis do Brasil (parábola futebolística para os eleitores lullistas entenderem). O corte, se efetivamente feito, beneficiará a todos e ironicamente prejudicará os que ele chama de 'banqueiros', com a queda dos juros viabilizada pelos cortes. Só que deveriam ser feitos, como apontado acima, no custeio, na máquina pública, mas é melhor esperar sentado para ver o PT fazer isso.

terça-feira, 30 de agosto de 2011 20:29:00 BRT  
Anonymous Orago disse...

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Acredito piamente que esta "esterilização" da receita em superavit primário tem objetivo de promover uma baixa rápida nos juros SELIC... algo assim como 4 pontos em 6 meses... principalmente se a crise mundial pegar (o que parece inevitável).
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E, jogando com as reservas, fazer uma redução também substancial na divida... pelo menos na sua relação com o PIB... Vi em algum lugar que a divida já tinha diminuido 4% só neste ano...tudo a confirmar.
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Esta economia com a rolagem da divida vai fazer sobrar muito para incluir no orçamento e tocar o PAC...mais lá na frente.
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Aliás, pelo que estou vendo, o que está limitando a velocidade das obras do PAC não é verba para empenhar... o que limita é a capacidade de contrapartida operacional dos Estados e Munícipios para viabilizar a "documentação das obras" e mão de obra qualificada para atender o grande volume atual, principalmente devido as Copas (2013 e 2014) e as Olimpiadas...
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O gargalo de infraestrutura de transporte de cargas não deve ser resolvido com mais do mesmo (estradas e ferrovias)... Creio que a estratégia de logistica que está sendo montada junto com o Eike Batista vai trazer um "upgrade na solução".
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E, todos os cortes e superavits vai deixar a "imprensa mais calminha" e sem argumentos para aumentar os juros para combater a inflação...
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Deixemos o juros cair... não atrapalhemos o Brasil...
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terça-feira, 30 de agosto de 2011 20:42:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Difícil entender o que, quanto e onde estarão os cortes. Se falasse em aumento de arrecadação, dado a estrutura regressiva de tributos, ainda até poderia ser. Porém, se o governo não elimina nenhum de seus 39 ministérios, continua indicando funcionários para cargos de administração superior e não indica se vai cortar e quanto em relação ao que foi gasto no exercício anterior, parece que a economia é só para manchetes de jornais.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011 11:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Pait (terça-feira, 30/08/2011 às 09h20min00s BRT),
Você quis dizer isto mesmo:
"O governo americano gasta de menos, o brasileiro gasta demais"?
Não tenho a informação precisa, mas o que eu imagino ser mais provável é que o governo americano (União, estados e municípios) arrecada em torno de 30% e gasta em torno de 40%. Isso dá um déficit público em torno de 10%.
O governo brasileiro (União, estados e municípios) arrecada em torno de 35% e gasta menos de 40%, se se inclui o juro da dívida. Isso dá um déficit público inferior a 5%.
Só há um pouco de razão para sua afirmativa se você estiver analisando tendo por base a declaração de Gustavo Franco de considerar também no cálculo do déficit público a rolagem da dívida pública que vence no curto prazo. Ver a esse respeito o post "Entendendo economia brasileira com Gustavo Franco" de quarta-feira, 31/08/2011 no blog Economia e Capitalismo no seguinte endereço:
http://economiaecapitalismo.blogspot.com/2011/08/entendendo-economia-brasileira-com.html
Bem, eu venho dando destaque para esse posicionamento de Gustavo Franco. Fiz isso na época que saiu publicado matéria na Folha de S. Paulo de 15/06/2011, com o seguinte título "Estatística subestima déficit público, diz ex-presidente do BC". O endereço do índice geral para a reportagem na Folha de São Paulo "Estatística subestima déficit público, diz ex-presidente do BC" ainda que seja só para assinantes é:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/indices/inde15062011.htm
E voltei a fazer referência a essa análise de Gustavo Franco em uma série de comentários que eu enviei para junto do post “Gustavo Franco e a crise global” de segunda-feira, 08/08/2011 às 13:03 junto ao blog de Luis Nassif, como se pode ver no final da segunda página do post no endereço a seguir:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/gustavo-franco-e-a-crise-global?page=1
Eu concordo com o Gustavo Franco e vejo que no alerta dele que o Blog Economia e Capitalismo pinçou do Estadão, o detalhamento do problema da rolagem da dívida fica muito mais preciso ou numericamente especificado do que na reportagem da Folha de S. Paulo. Ainda assim, não creio que se devesse dar aos gastos públicos a razão da diferença entre o juro americano e o juro brasileiro.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/09/2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011 21:42:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
É opinião de leigo, mas eu não concordo com o seu post. Nas minhas reminiscências eu me lembro do sofrimento que foi para a economia brasileira atravessar a década de 70. A nossa dívida externa crescia, o saldo na Balança Comercial não aparecia e o petróleo não dava trégua. No final da década, com a tomada da embaixada americana no Irã, a assunção de Paul Volcker da presidência do Banco Central americano (FED) e a elevação do juro para 22% e no início da década de 80 com a Guerra Irã – Iraque eu via a situação brasileira como desesperadora. O México quebrou em 1982, mas o então ministro Antonio Delfim Netto continuava dizendo que “dívida não se paga, rola”.
Eu não via solução para o Brasil. Com uma dívida de 100 bilhões de dólares, eu considerava as soluções propostas como inviáveis ou enganosas. A moratória e calote para mim seriam a mesma coisa, afinal se o Brasil não podia pagar 100 bilhões de dólares como ele poderia fazer se se esperasse 10 anos para pagar 200 bilhões de dólares, pois era para quanto a dívida teria crescido no intervalo de 10 anos. Se a dívida não crescesse seria como se o Brasil tivesse dado dez anos depois um calote de 100 bilhões. Se era para dar o calote que se o desse de uma vez.
E fica analisando o inusitado da dívida dizendo que até se o Brasil descobrisse uma montanha de ouro que valesse 100 bilhões de dólares ele não poderia pagar a dívida porque quando tivesse embarcado o primeiro navio cheio de ouro o preço da commodity no mercado internacional despencaria à metade e a montanha perderia metade do seu valor.
Mesmo quando o México fez o ajuste e conseguiu um saldo na Balança Comercial de 6 bilhões de dólares eu considerava que a situação do Brasil era bem mais difícil porque o México tinha um superávit na conta petróleo de 6 bilhões de dólares e assim bastava ter importações e exportações iguais nos demais itens da pauta de comércio exterior para ter assegurado o saldo na Balança Comercial de 6 Bilhões de dólares. Como o Brasil tinha um déficit de 6 bilhões de dólares na conta Petróleo o Brasil precisaria no restante da pauta de Comércio Exterior um saldo que cobrisse o déficit da conta petróleo e assegurasse um saldo na Balança Comercial. Seria muito mais difícil.
O então ministro Antonio Delfim Netto foi postergando o ajuste da economia, mas passado a eleição de 1982 e com a assunção dos novos governadores em 15 de março de 1993, o Brasil foi a fundo. E apareceu um saldo anual na Balança Comercial de 12 bilhões de dólares (9 bilhões de dólares em 1983, porque o primeiro trimestre foi perdido). A inflação que havia por três anos girado em torno de 100% passara para 220% ao ano. 190% em 1983, porque nos três primeiros meses a inflação crescera no mesmo ritmo dos anos anteriores. Eu via o Brasil se aproximando do fim.
Faço um próximo comentário para completar o argumento.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/09/2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011 00:00:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Contei os antecedentes de nossa ida ao Fundo Monetário Internacional em 1983. Explicito agora as conseqüências.
Os governadores da oposição eleitos em 1982, em Minas Gerais, com Tancredo Neves, em São Paulo com Franco Montoro, no Rio de Janeiro com Leonel Brizola e no Paraná com José Richa ficaram a ver navios. Amarrados pouco puderam fazer. Em Minas Gerais, Tancredo Neves, antigo getulista e que não era de grandes saltos, resolveu ficar com os pés no chão. Colocou na prefeitura de Belo Horizonte, um aluno de Magalhães Pinto e da antiga UDN para pegar verba no governo federal, ao mesmo tempo que fazia cortes na despesa de custeio. Logo de início cortou o pão com manteiga e leite que fazia parte do café da tarde do funcionário público.
O PIB veio abaixo em 1983, mas em 1984, o Brasil já crescia a taxa de 4% ao ano sendo que no segundo semestre de 1984, a indústria crescera a taxa de 6%, pelo menos eu lembro de algo assim em uma reportagem no Jornal do Brasil. Em 1985, a taxa de crescimento do PIB fora de 7,8%. Revisões posteriores podem ter alterado esse valor, mas foi até hoje o mais alto crescimento do PIB que tivemos desde que o milagre tinha dado com os burros na dívida.
Eu passei a ter outra visão dos técnicos do FMI. Para mim, depois que os técnicos observaram que não havia como convencer os banqueiros a rolar a dívida, eles passaram a defender a idéia de pagamento da dívida. Sim, eles iriam mostrar para os banqueiros o que era bom para tosse. Os países do terceiro mundo iriam pagar os banqueiros acabando com a dívida (Ainda mais que isso seria feito montado na cacunda de cidadãos do terceiro mundo). Pagar a dívida não é de interesse dos banqueiros. Os banqueiros têm verdadeiro carinho é pelos grandes devedores. São eles que lhes asseguram o ganha pão.
É claro que esse pagamento não é feito sem sacrifício. Sacrifício que os economistas a serviço dos banqueiros chamam de poupança, mas que o nome certo é sacrifício, ou como eu gosto de dizer parodiando Olavo Bilac no Caçador de Esmeraldas, sacrifício de todos aqueles que: “iam ficando atrás no derradeiro sono”. E o termo certo é sacrifício quando se lembra que um dos argumentos para não se fazer em países pobres políticas de distribuição de renda é que só os ricos poupam. E evidentemente, para se ter um saldo na Balança Comercial de 12 bilhões de dólares ao ano não basta a poupança dos ricos.
É um sacrifício que tem, entretanto, seus benefícios. Com a entrada de dólares mediante o saldo na Balança Comercial, determinados setores começaram a se desenvolver mais rapidamente. O setor exportador crescia a taxas mais rápidas e irradiava para toda a economia. A geração de emprego começa a se fazer em passos mais rápidos. E o país parecia adentrar em nova fase de ciclo de crescimento.
Infelizmente o Plano Cruzado destruiu toda uma estrutura que parecia nos libertar dos grilhões impostos pelos banqueiros internacionais. Sim, havia as perdas internacionais de que Leonel Brizola nos falava, mas o país tinha pelo seu próprio sacrifício condições de sair daquelas amarras. No entanto, tivemos que esperar quase vinte anos, pois só com a desvalorização de 2002, que Fernando Henrique Cardoso atribui a Lula, o Brasil pôde retomar o crescimento econômico com liberação paulatina da submissão aos interesse internacionais.
É uma liberação com sacrifício, pois o saldo na Balança Comercial significa menos comida na mesa do brasileiro, menos esgotamento sanitário, menos habitação digna, menos estradas em bom estado de conservação para se poder deslocar com segurança dentro do território brasileiro, menos água potável que possa atender as necessidades da população.
O pagamento da dívida interna requer sacrifício semelhante. Sacrifício que significa que muitos ficarão para trás no derradeiro sono, mas talvez não seja assim uma medida tão ao gosto dos banqueiros como você deixou transparecer neste post.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/09/2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011 20:38:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alex Catarino (terça-feira, 30/08/2011 00h35min00s BRT),
Não sou economista e talvez por isso não tenha entendido direito, não a primeira parte do seu comentário que me pareceu para um leigo como a mim muito esclarecedora, mas a frase final quando você diz:
"Contudo, o grande erro aqui é não aumentar o superávit às custas de cortes na máquina pública (burocracia)"
Quando você diz "aqui" você se refere a Alon Feuerwerker? Você quis dizer que o grande erro de Alon Feuerwerker foi considerar neoliberal uma política econômica que não aumenta o superávit às custas de cortes na máquina pública (burocracia)?
Se foi isso que você quis dizer, você pode contar com o meu apoio, ainda que seja de leigo. Para mim, o Alon Feuerwerker pisou um tanto na bola neste post.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/09/2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011 20:41:00 BRT  
Blogger Alex Catarino disse...

Anômino,
Não fui claro mesmo.
O "aqui" se refere ao Governo.

Na verdade, o neoliberalismo não alveja superávits nem pelo lado das despesas. Na medida que governos neoliberais reduzem as despesas, eles reduzem os impostos. Poder-se-ia dizer que a ideia de acumular superávits é keynesiana, porque nessa teoria econômica que os superávits são usados em contra-ciclo.

domingo, 4 de setembro de 2011 20:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Orago (terça-feira, 30/08/2011 às 20h42min00s BRT),
Excelentes seus contrapontos ao post de Alon Feuerwerker. Às vezes proféticos, pois a 161ª Reunião do Copom que ocorreu no dia seguinte ao seu comentário realmente reduziu o juro em 0,5 ponto percentual, passando de 12,5% para 12,0%, às vezes detalhista no conhecimento da execução orçamentária ao mencionar a limitação da capacidade de contrapartida operacional dos estados e municípios, só errou quando previu que todos os cortes e superavits deixariam a "imprensa mais calminha" e sem argumentos em favor do aumento de juros para combater a inflação. O que houve e o que há é um escarcéu de descontentes que parece não ter fim.
É bom que ressalte que você não foi o único nessa capacidade profética. No Twitter de Alon Feuerwerker há a notícia a seguir que saiu no dia 09/09/2011:
"MT @LindberghFarias: Lindbergh apostou na redução dos juros qdo analistas diziam o contrário http://migre.me/5EJJn #EquipeLF #Valor
Aliás, eu não sou economista e não me manifestei antes, mas vendo o gráfico da "Estrutura de juro privado" da coluna "Por dentro do Mercado" de Eduardo Campos no Valor Econômico, eu ficava imaginando como o Banco Central poderia continuar aumentando o juro se no gráfico o juro no longo prazo estava em plena queda.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/09/2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011 22:00:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Lugar_Incomum (terça-feira, 30/08/2011 às 20h29min00s BRT),
Instrutivo seu comentário, pelo menos para mim leigo. E você reforça bem o comentário de Alex Catarino de terça-feira, 30/08/2011 às 00h35min00s BRT, enfatizando a mesma crítica da necessidade de corte de despesas de custeio.
Em qualquer lugar do mundo, as despesas de custeio deveriam ser apenas aquelas necessárias para que o Estado desempenhe com eficiência as suas funções. Assim, tudo que for gasto supérfluo, desnecessário, ineficiente deveria ser cortado. Esse gasto é representativo e um governo de qualidade superior seria capaz de implantar uma política que possa reduzir esse gasto a uma quantidade ínfima.
Bem, o problema do corte de despesas de custeio é que não há no mundo uma informação consistente que nos permita saber com segurança em qualquer momento qual é o gasto supérfluo, desnecessário ou ineficiente que o Estado apresenta.
Os que clamam por esse corte, o clamam por desconhecimento dos problemas de administração pública. Ou o fazem por marketing, escondendo o que de importante efetivamente realizaram para enfrentar situação de escassez de recursos. Recentemente houve o exemplo da Inglaterra. Enfiaram goela a baixo dos ingleses um aumento da alíquota do IVA. Medida que eu considero extremamente salutar para a economia inglesa, mas nem todos pensam como a mim e é preciso um bom marketing para sobrepujar a resistência que se forma ao aumento da carga tributária.
David Cameron, embora jovem, sabe disso. Assim, antes que a opinião pública se manifestasse, tratou de fazer um escarcéu de discussão sobre corte de despesas em vários setores do governo. Enquanto se discutiam esses cortes, a nova alíquota já estava vigorando.
Pode até ser que em uma situação muito favorável, ou então, como David Cameron, para esconder as verdadeiras intenções do governo, o PT venha patrocinar um corte de despesas de custeio para aumentar o superávit primário. Não é difícil concluir que não deve ser nesses próximos três anos e um terço de governo da presidenta Dilma Rousseff que um corte assim venha se efetivar. Um corte assim só se faz no início de governo sobre aquele inchaço natural da peça orçamentária do final do governo anterior em que se vê naturalmente os gastos supérfluos, desnecessários e ineficientes posto que muitas vezes esses gastos se apresentam apenas como uma janela, ou uma paisagem decorada.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/09/2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011 23:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alex Catarino (domingo, 04/09/2011 às 20h53min00s BRT),
Valeu pela resposta e pelo esclarecimento complementar sobre o neoliberalismo.
É bem verdade que como o termo neoliberalismo é usado a torto e direito seria bom que se fizesse uma definição prévia do que se entende pelo termo. De todo modo, parece-me que você o emprega no mesmo sentido que eu o venho usando, ainda que eu faça isso apenas como um leigo.
Lembrei-me dessa necessidade de definição prévia do termo porque recentemente no blog de Luis Nassif junto ao post "Gustavo Franco e a crise global" de segunda-feira, 08/08/2011 às 13:03, um comentarista - Rodrigo S - trouxe para o post um artigo de Gustavo Franco publicado na Folha de S. Paulo de sábado, 01/11/2008 intitulado "Keynes é nosso". No artigo, que foi incorporado ao post e que integra o comentário que Rodrigo S enviara segunda-feira, 08/08/2011 às 12:39, Gustavo Franco traz os termos capitalismo e neoliberalismo como sinônimos.
A segunda página deste post "Gustavo Franco e a crise global" onde além do comentário de Rodrigo S apresentando o artigo de Gustavo Franco há também alguns comentários meus em que eu comento um pouco sobre Gustavo Franco e um pouco sobre o neoliberalismo pode ser vista no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/gustavo-franco-e-a-crise-global?page=1
O que é importante assinalar nessa divergência sobre o significado do termo neoliberalismo é que dentro do sentido que você dá e que eu acreditava que era o único sentido que o termo deveria ter, neoliberalismo é doutrina que tem sentido apenas na discussão acadêmica, pois na prática nenhum governo foi neoliberal. No governo de Ronald Reagan, por exemplo, houve um aumento exagerado do déficit público. E a Margareth Thatcher saiu do governo porque os tories não aceitaram a política de aumento dos impostos que ela queria por em prática.
Outra forma de se constatar a inexistência do neoliberalismo é só acompanhar que a profecia de Adolphe Wagner, o economista alemão, consubstanciada na lei que leva o nome dele, isto é, Lei de Wagner, de que as despesas públicas cresceriam à medida que a renda das pessoas aumentassem tem-se comprovado desde que ela foi proferida no final do século XIX.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/09/2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011 23:55:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Orago (terça-feira, 30/08/2011 às 20h42min00s BRT),
Encaminhei hoje, sexta-feira, 16/09/2011 às 13h59min00s BRT um comentário para o post “O jogo a jogar”, de terça-feira, 13/09/2011 aqui no blog de Alon Feuerwerker em que eu critico um pouco um seu comentário enviado terça-feira, 13/09/2011 às 18h59min00s BRT historiando o que ocorreu em 2008 com a taxa de juro.
O que mais me surpreendeu foi que enquanto aqui neste post “Sinal dos tempos” de terça-feira, 30/08/2011 você conseguiu ser adivinho lá no post “O jogo a jogar”, em seu comentário de terça-feira, 13/09/2011 às 18h59min00s BRT você, ao falar de uma hipotético aumento da taxa de juro em 2% realizada em 2008 contra a vontade de todo o mundo, não consegue ser historiador, pois isso não ocorreu.
Comparei, optando preferencialmente pelo adivinho, não porque eu suponha que seja fácil ser historiador, mas ser adivinho é muito mais raro e deve, portanto, ser mais difícil.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 16/09/2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011 23:16:00 BRT  

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