domingo, 7 de agosto de 2011

Ricupero, Hypólito, Jobim (07/08)


Jobim talvez tenha sido um dos melhores ministros da coleção. Pois resolvia problemas, inclusive e principalmente os que o próprio Lula se encarregava de criar. Como a confusão em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos, o PNDH-3

Políticos costumam enfrentar dissabores inesperados quando baixam a guarda diante de jornalistas. Um caso célebre foi o ministro da Fazenda Rubens Ricupero, o das antenas parabólicas.

Não sabia que elas estavam captando, então vangloriou-se de conseguir esconder as notícias ruins e só deixar aparecer as boas. Caiu.

E caiu no meio de uma campanha presidencial. Foi um detalhe infeliz, porque no balanço de acertos e erros Ricupero, peça importante do Plano Real, ganhava de goleada. Mas a política não funciona assim, na base da aritmética.

É um pouco como o serviço de goleiro. Se fizer dez defesaças durante o jogo mas tomar um frango no final será execrado, principalmente se o time perder.

Nélson Jobim deu uma de Diego Hypólito em Pequim. Antes de errar no último salto vinha fazendo tudo certo. Há alguma polêmica sobre se o então ainda ministro da Defesa errou de propósito, o que a cronologia não autoriza concluir.

Pareceu mais um colar de imprudências. Mas agora é irrelevante, pois Inês já era.

Jobim foi um bom ministro para Luiz Inácio Lula da Silva. Antes já havia sido um bom presidente no Supremo Tribunal Federal. Era um vetor de equilíbrio.

Na crise de 2005, por exemplo, tentou introduzir elementos de racionalidade nos processos desencadeados pelas entrevistas de Roberto Jefferson. Era algo que exigia coragem.

Tempos depois saiu do STF, de olho na política. Tentou comandar o PMDB, e o noticiário dizia que Jobim tinha o suporte de Lula para a pretensão.

Provou então o sabor das situações em que a imprensa relata o apoio de Lula a alguém mas a realidade evidencia-se diferente.

Na época chegou a desabafar que não mais iria fazer política com o então presidente, mas depois topou assumir o Ministério da Defesa, desde que com autonomia. Lula aceitou e houve acordo.

E a partir daí talvez Jobim tenha sido um dos melhores ministros da coleção. Pois resolvia problemas, inclusive e principalmente os que o próprio Lula se encarregava de criar.

Como a confusão em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos, na sua terceira versão, petista. O documento pareceu ter sido elaborado para criar atritos com todo mundo. Mas todo mundo mesmo.

Uma revolução de papel.

Jobim criou uma minicrise e evitou que o governo e a candidata do governo fossem tragados por uma crise maior.

Pagou um preço, mas os fatos acabaram dando-lhe razão. Os pontos polêmicos do PNDH-3 repusam silenciosamente em alguma prateleira do Palácio do Planalto, abandonados, sem que os donos se animem a buscá-los.

O petismo não os sustentou na campanha eleitoral, muito menos neste decolar de governo Dilma.

O dobro

A ver o que fará na nova função o ministro Celso Amorim. O maior desafio é recuperar a capacidade operacional das Forças Armadas. E aí volta a discussão sobre a renovação da frota de caças.

O tempo que o Brasil já levou para decidir sobre a compra de um punhado de aviões corresponde, grosso modo, a pelo menos o dobro da duração da Segunda Guerra Mundial.

O que há, afinal, de tão complicado nisso? Está na hora de alguém explicar.

Limite

O mundo todo beneficiou-se das maciças operações de salvação financeira promovidas pelos Estados Unidos e outros países desenvolvidos quando estourou a crise em 2008.

Inclusive o Brasil, onde à custa do desembolso e do endividamento alheio o então presidente pôde dar curso à conveniente cachoeira da “marolinha”. Marolinha? A indústria nacional que o diga.

Agora o planeta todo vai pagar a fatura.

O desembolso estatal impediu o paciente de morrer pouco menos de três anos atrás, mas é
Insuficiente para tirá-lo do hospital e fazê-lo retornar à vida plenamente produtiva.

Não vai dar para simplesmente mandar pendurar a conta.

Fervura

A temperatura entre o Congresso e o Palácio do Planalto está quase no ponto de ebulição.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada neste domingo (07) no Correio Braziliense.



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3 Comentários:

Blogger pait disse...

O motivo para a demora da decisão sobre os caças é que do ponto de vista de doutrina militar eles são absolutamente inúteis para o Brasil. As fronteiras estão longe demais para aviões de curto alcance terem qualquer relevância.

Supersônicos seriam artigos de luxo, brinquedos caríssimos. Tem gente que quer porque dá prestígio. E ninguém quer dizer não para não criar inimigos. Mas os benefícios são pouco claros, então adiar não custa nada. E do ponto de vista diplomático, quando o Brasil se decidir perde o leverage com França, Estados Unidos, Suécia, ou até Rússia que a possibilidade de uma compra traz.

sábado, 6 de agosto de 2011 21:38:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

1) Mais uma vez, a queda de Jobim pouco impacto tem e os motivos, não têm impacto algum. Os citados em eventual comentário do ex-ministro, continuarão os mesmos, pois, mudar não mudarão pelos adjetivos "fraquinha e desconhecedora". São mesmo e talvez por isso foram guindadas: não fazem nem sombra. Afinal, em quem teriam votado em 2010? Seria engraçado.
2) No caso Ricupero, foi ótimo ter falado. Foi mais ótimo, ainda, ter caído. Em tempos mais modernos, talvez permanecesse e derrubadas seriam as parabólicas.
3) Caças. Olha, que tal não contratar uma frota nova de pipas? Isso foi devidamente surrupiado de comentário lido em outro blog. Mas, merece ser viral.
4) Limite. A conta já começa a chegar. E bater na porta dos contingentes de emergentes em fricção de classes, ou entre classes. Análises já colocam possibilidades de retroação de classes. A ver. Porém, os discursos políticos, redentoristas, com certeza, ganharão novidades, caso isso venha a ocorrer: a culpa é do Obama, da tal de "mídia", do neo-liberalismo, dos ricos, da Europa e...de FHC.
5) Fervura. Essa é a melhor notícia que poderia ocorrer num momento como esse. Se isso representar a independência do Parlamento, que o seja. O Executivo precisa retornar ao seu lugar de um dos poderes e não de potentado, mandão e auto-suficiente. E o Judiciário só manifestar-se sobre aspectos legislados antes pelo Parlamento.

domingo, 7 de agosto de 2011 11:35:00 BRT  
Blogger Wilson disse...

Pait, quando você diz "aAs fronteiras estão longe demais para aviões de curto alcance terem qualquer relevância", não é esse o problema. O problema é que um país de dimensões continentais como o Brasil tem que ter a sua aviação de caça espalhada por todo o território, para que possa atingir as regiões necessárias em tempo hábil. Isso exige um número de aviões e de caças que atualmente não temos meios financeiros para mobilizar.

domingo, 7 de agosto de 2011 18:28:00 BRT  

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