domingo, 21 de agosto de 2011

A equilibrista (21/08)


Para governar, Dilma precisa prosseguir na remoção dos focos de autonomia político-administrativa, e as revelações sobre irregularidades oferecem a oportunidade. Mas não pode descuidar da base política, que perde poder quando o governo novo nasce das entranhas do velho

A presidente da República deu-se ao trabalho de fazer reservas a uma reportagem da revista The Economist sobre a tal faxina. Quem conversa em Brasília conhece a importância que este governo dá ao publicado lá fora a respeito do Brasil.

E não é pelo número (pouco relevante) de brasileiros que costumam votar no exterior.

Aqui o juízo planetário é fator importante na disputa política interna. O governismo sabe o terreno que pisa, sabe a opinião pública que tem. O oposicionismo também sabe.

Somos um país vidrado no que os outros dizem da gente. Tem algo de complexo de inferioridade. Que não deve ser ingorado. E os políticos não são ingênuos de ignorar.

Um correspondente americano outro dia manifestou, numa conversa particular, curiosidade sobre nosso hábito de produzir jornalismo a partir do jornalismo alienígena.

Publicar textos reproduzindo elementos de reportagens a nosso respeito saídas no exterior, com o devido crédito.

“Se as informações estão aí, por que vocês mesmos não apuram, escrevem e veiculam? Por que precisam do aval de uma publicação estrangeira para entrar no assunto?”

Uma excelente pergunta, com algumas respostas possíveis. A mais óbvia é a legitimidade conferida pela informação publicada no exterior, ainda mais se por veículo de algum prestígio.

Reduz a chance de o autor da reportagem negativa ser acusado de atuar no antigovernismo. Ou no governismo, quando a matéria é positiva.

Dilma parece ter ficado incomodada com o publicado na Economist. Mas o que saiu ali é igual ao relatado por onze em cada dez textos nacionais a respeito da faxina.

A presidente enfrenta instabilidades na base política por intervir nos focos de irregularidades.

Esteja onde estiver publicado, Dilma Rousseff pratica um certo equilibrismo. Um sintoma foi a frase de efeito sobre a relação entre faxinar e combater a miséria.

Dilma procura reposicionar o foco, rumo ao que pode unir mais a base. Se as seguidas cirurgias na administração são oportunidade de discórdia potencial, combater a miséria é unanimidade.

Quem, no domínio da sanidade mental, será contra combater a miséria? E governos adoram unanimidades.

O jogo de equilibrista de Dilma está bem visível.

Para governar, ela precisa prosseguir na remoção dos focos de autonomia político-administrativa, e as revelações sobre irregularidades oferecem a oportunidade.

Mas não pode descuidar da base política, que perde poder quando o governo novo nasce das entranhas do velho.

É um equilibrismo com boa chance de funcionar. Pois a presidente tem a caneta. É ela quem nomeia e demite, é ela quem manda segurar as verbas orçamentárias e soltar.

Então, no fim das contas, os agentes políticos precisam entender-se é com ela.

A suavização da crise com o Partido da República e a iminente adesão do PV desossado, ou “desmarinizado”, demonstram bem.

Inclusive porque o pedaço mais vistoso da oposição oficial, liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, clama pelo apoio a Dilma contra as pressões da base dela.

Isso reduz bastante o risco de união entre os oposicionistas e os segmentos oficialistas que eventualmente estejam dispostos a flertar com a rebelião.

É, por exemplo, uma situação bem diferente de quando em 2005 FHC articulou para o PSDB apoiar a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a Presidência da Câmara dos Deputados.

O que não faz um elogio.

Avalista

Dilma e FHC dançam a valsa. Ela afaga o ego dele e ele a ajuda a enfrentar as turbulências decorrentes da reconcentração de poder.

No curto prazo é conveniente para ambos. Dilma evita a união de todos contra ela e FHC neutraliza o discurso da herança maldita que ele teria deixado para o sucessor.

Resta saber se é bom negócio para Dilma ter FHC como avalista do governo dela.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada neste domingo (21) no Correio Braziliense.



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14 Comentários:

Anonymous paulo araújo disse...

Alon

"Resta saber se é bom negócio para Dilma ter FHC como avalista do governo dela."

Penso que não é essa a pergunta principal.

Parece-me que você confunde os políticos FHC e Lula. O primeiro é dono de um "capital privado" e o segundo é sócio em um capital.

Explico. O que Lula tem a oferecer parece, no momento, menos vantajoso do que FHC oferece: fim das articulações tucanas pela CPI da corrupção + apoio dos governos tucanos de SP e MG. É pouco?

Ponha-se no lugar de Dilma e me diga com quem você ficaria neste momento.

Alon, bater a surrada tecla da vaidade do FHC como causa primeira dos atos políticos dele, francamente...

"É, por exemplo, uma situação bem diferente de quando em 2005 FHC articulou para o PSDB apoiar a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a Presidência da Câmara dos Deputados."

Há controvérsias.

sábado, 20 de agosto de 2011 18:11:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Putz! Errei na construção da frase.

Escrevi assim

Parece-me que você confunde os políticos FHC e Lula. O primeiro é dono de um "capital privado" e o segundo é sócio em um capital.

Mas penso assim

Parece-me que você confunde os políticos FHC e Lula. O SEGUNDO é dono de um "capital privado" e o PRIMEIRO é sócio em um capital.

domingo, 21 de agosto de 2011 00:37:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Bem, deve ser melhor estar ao lado de FHC, Alckmin e Anastasia do que com Cabral, Lula, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Palocci, Erenice Guerra.

E não parece estar FHC avalizando o governo atual. Essa avaliação já estava dada nos sete meses em que está sendo esvaído em crises de corrupção.

Quem deveria tomar tomar cuidados seria FHC e não a atual chefe do Executivo. Contudo, FHC tem capital político e administrativo.

domingo, 21 de agosto de 2011 08:47:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

1) É sempre bom repetir que quem deve se precaver, é FHC e não a atual chefe do Executivo. FHC tem alternativas, ela não. Exceto a condição dela de criadora e principal beneficiada do que está governando hoje. E não está bom.

2) Severino Cavalcanti, para não perder a piada, é tão importante que poderia ser chamado para salvar o governo atual do marasmo: ministro da Casa Civil, por exemplo. Teria mais "mídia" que a presidente e esta poderia ficar fora de foco por um tempo.

3) É interessante o chamado ao combate à miséria. Uma miséria que juravam estar acabada no período 2003/2010, bem como o outrem, atacado e desconstruído, como dela causador. Chamá-la, a miséria, de volta não deixa de ser sintomático. Ou o outrem, na realidade, teria, de forma inegável, desinflado a miséria. Ou sua imagem de vencedor, apesar da campanha negativa, ajuda muito em seu combate.

4) Afinal, miséria precisa ser combatida e não exaltada como virtude. Tanto quanto devem ser exaltadas a Educação e Cultura. Em Português correto.

domingo, 21 de agosto de 2011 09:16:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, o complexo de inferioridade existe sim, vem de longe, deve ter nascido com a antiga classe média (aquela originária de Higienópolis), mas tem justificativas fortes: a comparação mais óbvia é com os Estados Unidos, nossos países tem mais ou menos a mesma idade, já o desempenho relativo... mas não é apenas isso, a imprensa estrangeira – na verdade a imprensa americana e européia (não é mesmo?), não temos tanta curiosidade sobre o que dizem de nós as imprensas chinesa ou australiana – julga, com uma objetividade que não podemos ter, se estamos melhorando ou piorando, em relação ao padrão, que é dado por eles. Sermos uma intelectualidade colonizada é um defeito? Sim e não. Não, porque temos claro (a maioria) que o modelo deles (liberdades política e de empreendimento econômico) é melhor. Mas também sim, porque não conseguimos enxergar como, e quanto, diferimos, apenas seguimos modismos, o falso liberalismo do império, o fascismo e o comunismo do século vinte (É a tal preguiça atávica de nossas zelites). Além disso, a imprensa anglo-saxã tem um apelo adicional: eles são capazes de uma objetividade que nos desconcerta. Eles dizem: “Ms Rousseff is slowly putting her own stamp on a government that she inherited from her predecessor and political mentor, Luiz Inácio Lula da Silva”, já no site do Estadão li, sem tanta polidez, dia desses, que setores do PT temiam que o governo Lula terminasse sendo rotulado de corrupto, justamente pelo governo criado por ele. Caro Alon, durante a última campanha presidencial, se não estou enganado, você era um dos que afirmavam que Dilma não era um poste. Naquele momento, quando os votos dependiam unicamente do padrinho, somente um poste seria burro o suficiente para não agir como um poste. Então por que, recentemente, você vem dizendo que Dilma estaria apenas reconcentrando o poder (um movimento de sístole, você diz)? Não se trata disso, se trata de tentar redefinir o leque de apoio no Congresso, que só pode significar uma coisa: caminhar em direção à oposição, mas sem perder completamente a coalizão que a elegeu, para não ficar em minoria. Se o combate a corrupção é a última bandeira que resta à oposição (até em função daquela preguiça visceral a que já me referi) a “faxina” é a resposta óbvia, mas precisa ser mantida sem muito alarde, daí a resposta contrariada da presidenta à revista britânica. Quer dizer, tudo deve ser feito com o trem em movimento. Que tal o bloco suprapartidário que apóia a faxina da presidenta (enquanto ajuda a evitar uma CPI)? Ou o novo partido da base que provem do seio da oposição, com Gilberto Kassab na liderança? A disputa de fundo é saber se teremos reeleição ou a volta de Lula em 2014, já que em um presidencialismo de coalizão a disputa se dá entre aliados, não é mesmo? (É útil também manter uma oposição para não ficar mal na foto das democracias, claro). A faxina, independente das intenções, não seria mal, mas duvido que vá além da necessidade de satisfazer as cortes, e seu circo, sendo desnecessária qualquer apuração real. “É preciso que tudo mude, para que tudo permaneça como está” (A frase um tanto batida, que cito de memória, está em “O Leopardo” de Lampedusa).

domingo, 21 de agosto de 2011 12:26:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Alberto099-domingo, 21 de agosto de 2011 12h26min00s BRT.

Difícil haver essa "inteligência política" toda nas atitudes protocolares, entre a presidente e as oposições. Na realidade, não parece haver "caminhe para as oposições". Não há necessidade alguma dessa "concertação", pois, não há sinais de ruptura alguma. Nem no social, nem no político-institucional. Muito menos nas bases de produção. Não passa de obrigação, pessoas civilizadas, combaterem a corrupção e afastarem corruptos e facínoras. E a um administrador público, mais ainda. Este não pode governar tergiversando, palanqueando em situações destas. São eleitos para isso. Por outro ângulo da mesma questão, ficar contra o combate à corrupção só mesmo quando o egocentrismo pretende suplantar a realidade. Mas, não passa de obrigação. Simples obrigação afastar denunciados e solicitar investigações. Porém, falta a devolução de recursos surrupiados. Ao invés disso, os envolvidos, recebem menções de apoio e blindagem. Mesmo assim, se há alguém incomodado, é normal. Caso haja a devolução do butim, arresto de bens, condenações cíveis e criminais, ai sim, a preocupação pode virar pânico. Tomara que vire, mesmo. Já era hora de alguém ficar com medo do camburão. Mas, nunca será hora de fazer obrigações virarem ações extraordinárias, missão sobre-humana. Se assim for, estar-se-á tudo perdido. Definitivamente. Por fim, o ex-presidente de 2003/2010, pode sossegar seus queremistas e sebastianistas: 2014 não o encontrará como candidato. A não ser que seja de outro partido. Os sinais disso são claros a cada dia. Não que ele não possa vir a querer. Mas, sim, por se quiser, corre grande risco de perder, além de dividir de forma irremediável o partido e a base subalterna.

domingo, 21 de agosto de 2011 18:24:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Não tenho muito a acrescentar em relação a sua analise sobre a relação de Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso.
Critiquei-o recentemente junto ao post "Probabilidade nula" de domingo, 17/07/2011 por você achar que Lula estava lutando contra o inimigo errado ao escolher a imprensa para atacar, ainda mais quando Dilma Rousseff, estava exatamente fazendo o que a imprensa pedia para fazer.
O cerne de minha crítica a você é que não se pode pedir a Lula para fazer aquilo que ele não sabe fazer, nem também se deve pedir a Dilma Rousseff. Dilma Rousseff não sabe atacar a imprensa, nem tem fôlego para atacar a imprensa e, portanto, você não a verá desempenhando um papel que ela não sabe desempenhar.
Eu creio que a relação de Dilma Rousseff com Fernando Henrique Cardoso comparativamente com a relação de Lula com Fernando Henrique Cardoso guarda também a diferença que se pode ver na relação com a imprensa. Para Dilma Rousseff é melhor ter FHC a favor dela do que contra ela. Diziam, eu não via prova, mas recentemente voltaram a dizer, que Fernando Henrique Cardoso foi importante para a não renovação da CPMF. Perda que, de certo modo, não afetou tanto Lula pois ele soube bem substituir a CPMF pelo IOF (O único problema é quando há fuga de dólar, pois a CPMF funcionava como uma espécie de torneira que segura nos cofres do governo parte do dólar que sai da economia o que reduz a quantidade de dólar que sai e aumenta a receita do governo). De todo modo Lula tinha muito a ganhar em fazer o antagonismo com Fernando Henrique Cardoso. Os dois atam em áreas diferentes e Lula só chamava Fernando Henrique para lutar na área de domínio dele.
Não vejo como Dilma poderá ganhar ao fazer o antagonismo com Fernando Henrique Cardoso. Não só porque salvo talvez uma maior capacidade gerencial Fernando Henrique Cardoso me parece mais bem preparado do que ela em qualquer outro campo de luta.
Agora quanto ao comportamento dos governantes em relação a imprensa estrangeira, há uma mistura de muita coisa. Primeiro o nível cultural e educacional dos europeus e dos estadunidenses é maior do que o nosso. Segundo há os dois outros pontos que você já falou: o nosso complexo de inferioridade e a vantagem de ao poder ser acusado de atuar no antigovernismo ou no governismo. Um outro motivo é o fato de que quando a imprensa estrangeira tem o seu momento de subdesenvolvimento como no episódio de Dominique Strauss-Kahn (Aqui com o envolvimento do Ministério Público), ou de quase toda a imprensa americana no caso da orquestração para justificar a invasão do Iraque (Aqui com o envolvimento do Poder Legislativo e do Poder Executivo) ou no caso da imprensa de Rupert Murdoch na história do News of the World (Aqui com o envolvimento da polícia inglesa) ou de parte da imprensa no episódio da eleição de George Walker Bush, o filho (Aqui com o envolvimento da Poder Judiciário), a nossa imprensa não dá tiro no próprio pé e assim não nos revela essas fraquezas da imprensa estrangeira e fica nos a idéia de algo superior.
Qualquer observação mais atenta vai mostrar-nos como muitos semelhantes aos estrangeiros. E assim elogios e críticas não são melhores do que os elogios e críticas internos. Na verdade são piores, pois governistas e antigovernistas somos todos nós que temos ideologia. E um homem sem ideologia e se for inteligente é apenas uma máquina.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/08/2011

domingo, 21 de agosto de 2011 18:52:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Quando eu falei da relação de Fernando Henrique Cardoso com Lula, comparativamente a de Fernando Henrique Cardoso com Dilma Roussef eu me lembrei de um episódio que se deu entre Fernando Henrique Cardoso e Claudio Lembo em que Fernando Henrique Cardoso diz para Claudio Lembo que se for para discutir sociologia, ele punha Claudio Lembo de cabeça para baixo. O episódio aconteceu na televisão provavelmente no início da década de 80. Coloquei a minha versão do episódio e a versão de Marcelo Coelho (na Folha de S. Paulo de 05/04/2006) em um comentário (#60) que eu enviei em 10/01/2009 às 20h47 para o antigo blog de Pedro Doria junto ao post “O adeus a Samuel Huntington” de 30/12/2008 às 05h03. O endereço do post é:
http://pedrodoria.com.br/2008/12/30/o-adeus-a-samuel-huntington/
O episódio poderia se repetir entre Fernando Henrique Cardoso e a Dilma Rousseff, mas não poderia se repetir entre Fernando Henrique Cardoso e Lula. Porque se acontecesse Lula poderia dizer que Fernando Henrique Cardoso apenas incorpora o que foi definitivamente exposto no artigo “A linguagem do preconceito” de Bernardo Kucinski, publicado em 01/01/2008 e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/20/a-linguagem-do-preconceito
O comportamento de Dilma Rousseff é de quem não quer perder terreno diante de Fernando Henrique Cardoso, mas ao contrário, deseja que eleitores de Fernando Henrique Cardoso votem nela. O voto do eleitor de Lula, Dilma Rousseff já o tem.
Ao falar sobre a importância que se dá no Brasil à imprensa estrangeira com referência a última reportagem da revista The Economist sobre o Brasil eu me lembrei de um comentário antigo meu que era para você e eu acabei colocando-o como o comentário (#252) enviado em 27/02/2009 para junto ao post “O Brasil no freio” de 25/02/2009 às15h13 no antigo blog de Pedro Doria. Creio que no seu blog o comentário não foi aprovado porque era grande, tendo sido endereçado para o seu post “The Economist: economia para baixo, sucessão disputadíssima” de 26/02/2009. O endereço do post “O Brasil no freio” é:
http://pedrodoria.com.br/2009/02/25/o-brasil-no-freio/
Sem ser economista avaliei a reportagem da revista The Economist como uma reportagem fraca. O título da reportagem da revista era:
“Set to shrink - Brazil's economy will probably shrink, despite official efforts”
A revista previa que a economia brasileira iria retrair quando na verdade a economia se retraíra no quarto trimestre de 2008 e apenas por efeito estatístico o PIB do primeiro trimestre de 2009 apresentaria resultado negativo quando comparado com o PIB do quarto trimestre de 2008.
O que havia de interessante na revista era ela prever com quase dois anos de antecedência como se daria a disputa na eleição de outubro de 2010: entre Dilma Rousseff e José Serra. Previsão que mais se deve a uma fraqueza da nossa democracia que pôde tão bem ser dominada por dois grupos da mesma facção de esquerda. É claro que o domínio obrigou uma facção ir mais para a direita, mas há algo de errado quando a esquerda consegue essa proeza de ficar durante provavelmente mais de vinte anos comandando um país em que a imensa maioria é conservadora.
Então a revista The Economist errou sobre o futuro da nossa economia e não soube identificar esse problema na nossa democracia. Nada especial, pois na verdade eles reproduzem a informação do circulo de amizade em que convivem. E nem governista nem anti-governista tem interesse em revelar essa realidade sobre a democracia brasileira.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/08/2011

domingo, 21 de agosto de 2011 23:07:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Em meu comentário de domingo, 21/08/2011 às 18h52min00s BRT em razão da não digitação do "n" e da correção automática do Word o "não" foi substituído pelo "ao" na frase transcrita a seguir já corrigida:
"e a vantagem de não poder ser acusado de atuar no antigovernismo ou no governismo"
Não sei colocar um link direto na internet em sua caixa de comentário, mas da forma como eu indico o link basta copiá-lo, deixar o cursor sobre o link e clicar em "Ctrl" e "L" que vai aparecer uma janela para colar o link copiado e o abrir.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/08/2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011 08:01:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Clever Mendes de Oliveira-BH,segunda-feira, 22 de agosto de 2011 08h01min00s BRT.

Seu comentário voto do eleitor de Lula, Dilma Rousseff já o tem. Não é assim tão certo. Por uma singela razão: Lula não tem mais votos. Ou seja, na medida em que o chamado povo, seja ele ou não de classe média ou da nova classe média, entender a figura de Lula como história, o imaginário remeterá a quem tem a caneta e a cara na TV: a atual presidente. Essa é a desvantagem dos que cultuam a personalidade. Estes preferem mais o culto do que a verdade. Porém, a cultuação já arrumou um outro totem.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011 11:15:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (segunda-feira, 22/08/2011 às 11h15min00s BRT),
Você tem um pouco de razão. Nada é certo salvo a dúvida. Agora, assim como em “Troca a avaliar” de segunda-feira, 01/08/2011, post aqui no blog de Alon Feuerwerker eu me enganei pensando que você desejasse resultado e você como o velho procurador romano só queria que a verdade viesse à tona, aqui penso que você se enganou ao pensar que eu falei do voto de Lula. Não. Eu falei do voto do eleitor de Lula e até de modo mais restrito, pois me referia mais àquele eleitor que votou na Dilma Rousseff porque foi Lula que afiançou a candidatura dela. Não estaria incluído ai o voto do eleitor de Lula que de todo modo não votaria em uma ex-gerrilheira ou ex-subversiva, ou ex-terrorista. Não votou, mas talvez vote se Dilma Rousseff souber conquistar esse voto.
Agora concordo que estão em desvantagem os que cultuam a personalidade. É preferível mais a verdade.
É claro que aqui eu posso repetir o antigo procurador romano: "o que é a verdade"? E imagino que você será humilde o suficiente para não responder.
Na política, não há verdade, ou onde existir verdade não há política. Pelo menos dentro de um conceito restrito de política. Em meu entendimento, é claro. Foi isso que eu tentei dizer a Alberto099 tanto nos comentários que eu enviei para ele junto ao post "Probabilidade nula" de domingo, 17/07/2011, como junto ao post "Tecnicismo impossível" de 08/07/2011 ambos aqui no blog do Alon Feuerwerker.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/08/2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011 22:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Interessante a seqüência dos três posts em que este "A equilibrista" de domingo, 21/08/2011 é o segundo, "O perdedor" de sexta-feira, 19/08/2011 é o primeiro e "Dificuldades na oposição de segunda-feira, 22/08/2011, o último.
Discordei de você considerar Lula perdedor no post "O perdedor". Lula será perdedor se e somente se fizerem de Dilma Rousseff o que fizeram de Celso Pitta: destruíram-no para destruir Paulo Maluf. E discordei ainda no mesmo post de você chamar de faxina o esforço de Dilma Rousseff em utilizar as campanhas da imprensa de combate a corrupção. Tenho o maior respeito à atividade dos formiguinhas, mas eles combatem pedra, madeira, pó e vermes enquanto o combate à corrupção requer lutar contra seres humanos.
Aqui no post "A equilibrista" à medida que se trata de uma continuidade do post anterior que eu critiquei, eu não teria porque elogiar, mas concordo que Dilma Rousseff está agindo com astúcia. Nada, entretanto, excepcional e dentro do esperado. Aliás, eu costumo dizer que nós seres humanos somos seres medíocres no sentido de mediano. Só fazemos aquilo que somos capazes de fazer.
E mesmo que ela estivesse fazendo um governo excepcional nada garantiria que os resultados fossem excepcionais. Como eu tenho insistido há muito e recentemente junto ao post “O custo de um estilo” de terça-feira, 08/02/2011 aqui no seu blog, os governos não podem mudar muito a marcha inexorável do Estado e da Administração Pública que o acompanha.
No início do ano, me interessei por uma indicação que eu vi na coluna ao lado do seu Twitter. Trata-se do post "Nada será como antes" de terça-feira, 28/12/2010 no blog de Marco A. Nogueira Possibilidade na Política e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://marcoanogueira.blogspot.com/2010/12/nada-sera-como-antes.html
No post, Marco A. Nogueira alertava para uma mudança na condução da política pública que se daria de forma mais racional com Dilma Rousseff. Vejo uma afirmação assim contendo um pequeno grau de correção, mas evidentemente exagerada. Não há como ser totalmente racional na gestão da coisa pública, nem Lula seria um gerente eminentemente emocional. Se no extremo, o discurso de Dilma Rousseff e o de Lula se diferenciariam, com Dilma Rousseff apresentando um discurso racional e Lula um discurso emocional, ainda assim, aqui eu poderia lembrar Shakespeare e repetir como o bardo: "palavras, palavras, palavras".
O terceiro e último post trata do que consta no título "Dificuldades na oposição". Dificuldade decorrente do fato de se ter Dilma Rousseff segurando o eleitor de Lula e tentando buscar o voto do eleitor da oposição. Concordo com você que se Dilma Rousseff tiver êxito a oposição ficará em maus lençóis. Dada a boa herança que ela recebeu de Lula a possibilidade de êxito é grande, mas nada é certo.
O problema maior da oposição não é propriamente a capacidade (Se é que ela tem, o que em minha opinião, ela tem) de equilíbrio da Dilma Rousseff, mas a ausência de uma liderança carismática que ouse enfrentar o governo de Dilma Rousseff. Esse é que é o grande problema da oposição.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/08/2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011 23:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (domingo, 21/08/2011 às 12h26min00s BRT),
À medida que vejo suas idéias aproximando das minhas, começo a considerá-las muito boas. Há, entretanto, algumas passagens no seu comentário que me deixam intrigado. Diz você:
"A imprensa estrangeira julga, com uma objetividade que não podemos ter, se estamos melhorando ou piorando, em relação ao padrão, que é dado por eles".
A discussão sobre a validade dessa frase daria um livro. Isso se darmos como possível a objetividade no julgamento. É perfeitamente possível que nós os invejemos, que os invejemos pela cultura, pelo conhecimento, pela riqueza e tradição. The Economist tem mais de um século de existência. Será, entretanto, que nós nos julguemos em relação a um padrão dado por eles? Penso que nós mais nos julguemos pelo padrão da nossa ideologia. É a ideologia deles, conforme você alertou nesse seu comentário, mas em cada um de nós há o padrão próprio daquela mescla da ideologia deles e do que em nós foi incorporando ao longo da vida. É a validade do texto de Fernando Henrique Cardoso – "A originalidade da cópia – que não passa de cópia das idéias dos amigos dele que foram beber na fonte da dialética européia. É cópia, mas podemos dizer que a cada cópia um novo mundo.
Depois você acompanha o raciocínio do Estadão por sinal o mesmo de Alon Feuerwerker no post anterior “O perdedor” quando o jornal afirma que setores do PT temiam que o governo Lula terminasse sendo rotulado de corrupto, justamente pelo governo criado por ele. Não pelo governo, deve-se supor, pois isso seria ridículo, mas pela percepção dos eleitores. Significaria então que o eleitor que votou na Dilma Rousseff porque obteve a fiança de Lula, de Lula que a escolheu para poder garantir aos eleitores os benefícios que o governo de Lula vinha assegurando até então, veria nas ações de Dilma Rousseff não ações em consonâncias com os ideais de Lula, mas sim ações que mostrariam para esses eleitores que o governo de Lula fosse corrupto? Bem, nem na Noruega se encontrariam eleitores assim que fossem fazer esse raciocínio reverso e quilométrico.
Há uma parte estreita do eleitorado em que os temores de setores do PT teriam validade. É em relação ao eleitor da oposição que foi insuflado a ver em Lula um corrupto. Em relação a esse eleitor não há muito o que Lula pudesse fazer para reverter a situação de animosidade. E pode ser que agora essa animosidade cresça.
Na seqüência você diz que as ações de Dilma Rousseff significam “caminhar em direção à oposição, mas sem perder completamente a coalizão que a elegeu, para não ficar em minoria”. Bem, aqui você foi perfeito se você não quis dizer nada. Se pretendeu dizer alguma coisa, ai eu tenho minhas dúvidas sobre a validade do que você disse. Para mim, Dilma vai em direção a oposição com o objetivo de não ter a oposição totalmente contra ela. Agora substituir a base de apoio que ela tem pela base de apoio que viria da oposição até o limite de não se perder a maioria é risco que nem um político poste correria.
Aliás, na substituição, o primeiro cálculo a ser feito (E aqui apenas como exercício de cálculo e não de política, pois não creio válido esse cálculo na política, pelo menos não por políticos que tenham orgulho pela atividade que exercem) é saber quantos políticos na oposição são melhores que os piores políticos da base de apoio do governo. Só o mais ridículo governista poderia imaginar que essa conta fecha favoravelmente ao governo. Tanto no governo como na oposição, os políticos são muitos parecidos e a quantidade significa qualidade. A qualidade em uma população para qualquer atividade deve seguir uma distribuição normal. Não há porque imaginar que na política seja diferente
Deixo para terminar essas minhas observações no próximo comentário
Clever Mendes de Oliveira
BH, 25/08/2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011 13:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (domingo, 21/08/2011 às 12h26min00s BRT),
Concluo então o que eu tinha a dizer sobre o seu comentário nas partes que me deixaram intrigado
Assim em outra passagem você diz que “a faxina, independente das intenções, não seria mal, mas duvido que vá além da necessidade de satisfazer as cortes, e seu circo, sendo desnecessária qualquer apuração real”. Aqui mais uma vez cabe a minha crítica ao termo faxina, que me parece resultado de menosprezo à atividade política e só compartilhada pela elite esparramada pelo mundo que com maestria tem sabido espalhar o menosprezo em forma de descaso ou ira no meio da população menos esclarecida. Agora chamando essa elite de “cortes” e a população menos esclarecida de circo das cortes faz sentido dizer que a faxina visa apenas satisfazer as cortes e seu circo. Afinal o verdadeiro combate a corrupção é um processo que deve passar ao largo do chefe de executivo.
Quanto à apuração é bom que se diga que isso não é da alçada do Poder Executivo, mas sim do Ministério Público e Poder Judiciário com o auxílio dos órgãos de controle interno e externo e da polícia.
Quanto à frase do sobrinho Tancredi para o tio, o príncipe Salinas, como justificativa para o apoio aos revolucionários republicanos, não me parece que haja essa intenção nas ações de Dilma Rousseff. Há oportunismo que é qualidade essencial ao político que não deseja ser poste, mas não há revolucionários a quem ela possa se juntar, pois os que fazem da corrupção como a grande mensagem da sua luta, em minha opinião mais aproximam do atraso, pois essa luta supõe a inação do Estado Democrático de Direito, incapaz que seria de descobrir as irregularidades a aplicar a cominação cabível.
E o seu trecho do artigo da revista The Economist serviu-me para encontrar o artigo em pesquisa no Google. O título - Dilma tries to drain the swamp - é uma lástima. Não imagino que eles tenham coragem de publicar um título desses trocando Dilma Rousseff por David Cameron em razão da relação dele com Andy Coulson antigo assessor de Rupert Murdoch. A revista The Economist como não poderia deixar de ser tem uma ideologia. É só isso que é necessário saber para poder entender uma notícia. O único problema de se conhecer a ideologia de uma revista é que normalmente após conhecê-la não se precisa ler a notícia para entendê-la. Basta saber o fato, que automaticamente se saberá como a notícia será repassada. Alias, há alguns anos me passaram um email com a reprodução de um mesmo fato nos diferentes meios de comunicação. Impressionante como o autor conseguiu captar o tom (ou a ideologia) de cada emissor ou meio de comunicação. Fez-me lembrar de um cantor imitador mineiro que fazia a imitação com uma só palavra. O link para a reportagem de 20/08/2011 da revista The Economist e intitulada “Dilma tries to drain the swamp” é:
http://www.economist.com/node/21526353
É claro que a revista The Economist não fariam uma reportagem como essa sobre a Inglaterra, mas a reportagem mostra bem como no fundo somos semelhantes, afinal no antigo jornal News of the World uma notícia assim sobre a Inglaterra sairia, como em muitos jornais do Brasil uma notícia assim sobre o Brasil.
Para concluir indico o post “A escandalização dos jatinhos” de terça-feira, 23/08/2011 às 09:26 no blog de Luis Nassif e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-escandalizacao-dos-jatinhos
Não é só pelo post, mas porque enviei um comentário terça-feira, 23/08/2011 às 14:13, fazendo uns links para alguns dos posts, incluindo alguns aqui do blog de Alon Feuerwerker, em que a questão da corrupção ou da política nas suas características mais importantes, mas nem sempre aceitas pela população fosse bastante discutida.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 25/08/2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011 13:56:00 BRT  

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