segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Troca a avaliar (01/08)


A oposição aplaude. Ainda que a mesma oposição certamente vá tentar no futuro aproximar-se dos caídos em degraça no governismo, da turma com cadeira cativa na fila para a guilhotina presidencial

A reação da presidente Dilma Rousseff às crises no ministério segue uma lógica. Quando o chão embaixo do ministro vira areia movediça o alvo é retirado de cena e substituído por alguém da cota presidencial.

É um processo sistólico de reconcentração de poder. Talvez necessário após a longa diástole do antecessor, premido a redistribuir quando o governo dele viu o branco do olho do adversário.

Mas além de útil essa reconcentração vai sendo agradável para sua excelência. Mandar mais sempre é bom e prazeroso.

A regra número zero do poder é conseguir defender-se. Para isso, força é essencial.

E Dilma está reunindo nesta decolagem força própria, gasolina para a travessia. Quem deu sopa para o azar fica com o papel de pagar a fatura do tanque cheio.

Parece estar tudo bem, inclusive porque a oposição aplaude. Ainda que a mesma oposição certamente vá tentar no futuro aproximar-se dos caídos em degraça no governismo, da turma com cadeira cativa na fila para a guilhotina presidencial.

Essa é a equação que desafia a presidente. Como chutar a canela de todo mundo, como conduzir a implantação do estilo imperial sem organizar contra ela uma ampla frente de excluídos.

Ainda que num primeiro momento, e em começo de governo, esse agrupamento vá preferir a clandestinidade. E a guerra de guerrilhas, dada a enorme vantagem do governismo.

Uma especulação diuturna em Brasília aposta que Dilma não deseja um segundo mandato. Mesmo que deseje, não teria condições de enfrentar o antecessor numa disputa interna no PT.

A valentia, portanto, seria decorrente do limite temporal já fixado.

É uma tese duvidosa, acho, mas não custa registrar.

Em qualquer circunstância, Dilma está a criar um cenário desafiador para ela própria.

E também para a eventual volta do padrinho. Pois as crises, ou a condução que o Planalto dá a elas, vai produzindo a impressão de o ex-chefe ter legado uma situação de graves desarranjos.

Fica complicado o sujeito reaparecer em 2014 para dizer que vai recompor o status quo desmontado nos quatro anos anteriores.

Para avaliar o custo-benefício da linha dilmista será preciso verificar se o ganho eleitoral nos grupos sociais eventualmente enlevados pela melodia da suposta “faxina” compensará as possíveis perdas de substância política.

Se os elogios de hoje serão os votos de amanhã.

Outra variável é notar que sua excelência terá dificuldade para interromper abruptamente o processo de autodigestão, quando isso eventualmente interessar.

A regra do jogo parece estabelecida, com a liberação das guerras internas travadas abertamente, com todo mundo guerreando sem medo de ser feliz.

Ainda que de vez em quando o criador reapareça para reclamar da imprensa, Enquanto a criatura faz questão de explicitar em silêncio que as revelações produzidas pelo trabalho jornalístico são utilíssimas na tal “faxina”.

Velocidade

Impressiona a velocidade e a eficiência dos japoneses na reconstrução da infraestrutura destruída ou danificada pelo terremoto/tsunami.

Estradas, pontes, cidades, aeroportos, tudo vai sendo recolocado de pé num ritmo que deveria envergonhar as autoridades brasileiras encarregadas de obras de recuperação em nossas regiões afetadas por desastres naturais.

Talvez esteja mesmo na hora de parar e repensar a vida. Qual é o problema? A lei? Então por que o governo não diz o que precisa mudar na lei para as coisas funcionarem melhor?

E se não é a lei é o quê? Alguém precisa esclarecer.

Não seria o caso de a presidente exibir diante do descaso com os atingidos por calamidades a mesma energia e a mesma rapidez exibida quando joga o xadrez do poder intragoverno?

Especialmente quando quem deveria cuidar de resolver os problemas do povo são os amigos dela?


Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta segunda (01) no Correio Braziliense e no Estado de Minas.



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8 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon Fewuerwerker,
O exemplo do Japão não serve para o Brasil. Daqui a vinte anos, se São Paulo for 3 vezes mais rico do que é hoje, talvez dê para comparar São Paulo com o Japão. É claro que as terras do Japão tão bem adubadas pelos vulcões serão sempre bem mais férteis que as de São Paulo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 31/07/2011

domingo, 31 de julho de 2011 23:57:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Uma coisa que chama a atenção é que tudo acontece e só fica enaltecido que a presidente fez, ou que poderia fazer, ou o que poderia ter feito e os resultados, para ela, de suas ações. E o dever e a Constituição? Não estaria ela, apenas, cumprindo, apenas, com suas obrigações?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011 17:22:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

1) As ações da presidente são apenas obrigação. Nada mais. Exceto pela lentidão e pouca profundidade.
2) Contemplar os amigos lerdos em cuidar das coisas do povo. E lépidos em cuidar de seus feudos. E agradar ao rei para ter mais feudos. Isso seria desobrigação.
3) O legado de graves desarranjos, já faz parte do legado de sua antiga excelência, com o aval da atual excelência. Poucos dizem isso, talvez por medo. mas, seria o caso de, se for bom mesmo, sua antiga excelência pudesse fazer levitar, ao vivo, um imbuzeiro, com raiz e tudo. Ou traçar uma buchada de bode sem tomar chá ou mascar losna depois.
4) Em 2010, mais de 40 milhões de estorvos destemidos, não tiveram medo de sua antiga excelência. E a ira dos céus não caiu sobre eles. Exceto, por óbvio, um governo que não tem nada de bafejado por céu algum, excetuados para estúrdios.
5) Na medida em que o número de medrosos for diminuindo, vão minguando as possibilidades da atual presidente não querer tentar disputar a reeleição. Nenhuma biografia ficaria melhor como reedição do caso Perón/Cámpora. Evidentemente, sendo o Cámpora da história.
6) Assim, sua antiga excelência pode ir enfiando a viola no saco, como diz-se, respeitosamente, no interior e sair de fininho.
7) Ou, caso queira desafiar a atual presidente, sua antiga excelência poderá perder, juntamente sebastianistas e queremistas de plantão.
8) Porém, como pode ser observado, a tal faxina corre o risco de não ter sucesso.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011 18:41:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (segunda-feira, 01/08/2011 às 17h22min00s BRT)
A propaganda é a alma do negócio. O negócio de um presidente da República é ser popular. A presidenta Dilma Rousseff sabe disso e quer ser popular. A administração da coisa pública tem uma inércia que a presidenta Dilma Rousseff já deve ter também conhecimento.
Um instrumento muito útil para ser popular é o carisma, característica que Dilma Rousseff evidentemente não possui. Outro instrumento é o uso do juro para não deixar a inflação aumentar. Não precisa ser economista para saber que já se possui um bom conhecimento do instrumental necessário para não deixar a inflação subir (Não é a inflação que é inercial, mas o combate a inflação é que se faz por inércia). A Dilma Rousseff sabe que os economistas têm o conhecimento suficiente para combater a inflação por inércia e, portanto, não deve mudar muito ai.
O mais eficiente instrumento de popularidade é a geração de emprego que guarda uma relação muito grande com o crescimento econômico, mas é uma relação que com conhecimento pode ser quebrada. Não vale, entretanto, à pena quebrar essa relação. Gerar emprego sem crescimento econômico é muito bom para os menos favorecidos, mas os mais favorecidos vêem esse tipo de crescimento como uma desgraça e como são numericamente pequenos, mas são poderosamente fortes é melhor esquecer esse assunto.
Há duas formas de crescimento econômico: induzido pelo mercado interno ou induzido pelo mercado externo. O crescimento induzido pelo mercado externo depende de um câmbio desvalorizado, não tem muita aprovação popular, é menos dependente do Estado e sofre menos com a variação do juro (O aumento do juro para combater a inflação não afeta tanto o crescimento econômico). Apesar da desimportância do Estado nesse modelo de crescimento econômico, eu, um defensor do Estado, o preconizo.
O conhecimento sobre mecanismos para atiçar o desenvolvimento econômico, principalmente para um país ainda com um mundo a ser feito, é farto. O problema com a geração de emprego é que ela gera inflação.
Assim, tudo funciona por inércia. Você, entretanto, quer ver resultados. Os resultados são de dois tipos: os percebidos pela população e os resultados transmitido pela propaganda.
A alma do negócio é fazer os resultados percebidos pela população igualar com os resultados divulgados pela propaganda.
Inocentes úteis são os que disponibilizam o pescoço para que ele seja utilizado pela alma do negócio.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/08/2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011 23:05:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Clever Mendes de Oliveira-BH, 01/08/2011.
1) Não. No comentário não há menção a querer ver resultados. Quem quer ver resultados é o governo e não os está obtendo.
2) Como estorvo, é sempre bom considerar que a alma do negócio é a verdade vir à tona, quer queira a propaganda institucional, quer não.
3) O pilar monetário para controlar a inflação, só funciona coordenado com os pilares fiscal e cambial. O pilar fiscal foi destruído. O cambial está com moeda sobrevalorizada. Só resta, assim, a Selic, que atrapalha sim o crescimento.
4) No nosso caso, o crescimento está projetado para algo em torno de 4% a 5% aa. A inflação, apesar da Selic de 12,5% aa., está projetada para o pico da banda, ou seja, 6,5% aa. Isso poderia ser chamado de estagflação. Contudo, aqui, é chamado de crescimento sustentado.
5) No final, o Estado, só serve para ser Estado. Ou seja, não deve fazer nada. Exceto administrar bem. Não se intrometer. Não querer ser o potentado e o feitor da sociedade. 6) Em manuais de economia, um exemplo de bem público, era dado como sendo a segurança nacional. Por aqui pode ser saneamento básico, SUS decente. Enfim, água potável que não mate de diarréia crianças, idosos, por exemplo.
7) Assim, se o Estado prover o bem público, sem querer que este seja a cabeça submissa do estorvo, que paga as contas, tudo bem. Desde que o bem seja público.

Assim, Clever, pode ser que estejam intentando, como cortar a cabeça do cidadão. Seja ensinando-o a falar Português errado ou a endividar-se além da conta. Pode ser que o cidadão demore a perceber que o bem público, que seria o único que o Estado deveria prover, é a sua cabeça numa bandeja. O divertido é o Estado e seus cupinchas, com seu próprio auto-engano,pensarem que entendem de alguma coisa. Ao estorvo, que paga as contas cumpre, com humor, bom ou carrancudo, rir à tripa forra.

terça-feira, 2 de agosto de 2011 13:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (terça-feira, 02/08/2011 às 13h13min00s BRT),
Sim, eu me enganei. Pensei que para você o que viria após mais do que cumprir obrigações seria resultados.
Vejo, entretanto, que você quer mais, você quer que a verdade venha à tona. O velho procurador romano também esteve a procura dela, mas pode ser que você tenha mais sorte do que ele, afinal naquele tempo, o marketing não era tão evoluído.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/08/2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011 22:43:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

O marketing, Clever, hoje, como também vigorava há tempos, talvez com outros nomes, é personificado em populistas de vários calibres. Ai, podem ser encontrados os bilhetinhos de um determinado político e sua vassoura, os marajás que para serem caçados, congelaram o M4 (ativo financeiro mais amplo), o Brasil Grande que ninguém segurava e acabou parado...E mais recentemente, o nunca antes na história deste País, pois, nunca antes deve ter ocorrido buraco mais embaixo. Ou um enorme angu de caroço. Infelizmente, pode-se comentar, com o beneplácito do blogueiro, a dificuldade de chegar-se à verdade. Ou até a alguém que possa representá-la ou falá-la, ou fazer-se dela e nela. Mas, consola que, hoje, depois de priscas eras, o santo que teve a cabeça servida numa bandeja, é mais falado e rezado do que a formosa dançarina e seu feitor, potentado ou mandão. Voltando ao marketing, há o entendimento de que ele vende coisa ruim, como santo a ter devotos: exemplo, vender gelo no Polo Norte...Mentira. Marketing é para auxiliar um criativo empreendedor a criar boas ideias, transformá-las em bens e vendê-las no mercado pelas suas qualidades e benefícios intrínsecos. Como a era populista já tem até língua para segregados, ""nóis" pega o peixe e paga o pato"" de eleger políticos péssimos, com projetos piores, que falam outras línguas. Estas, lógico, não segregacionistas, por óbvio. Mas, ditos como "marketeiros de mão cheia". Outro erro...de marketing. A vantagem é que o estorvo mais gozador, pode ver o fim do mundo de perto, pois, além de estar perto, financia debacles, via butim. Tanto que o velho procurador romano não achou nada porque, com certeza, devem ter surrupiado-lhe a lanterna. Ou a vela, ficando ele carregando apenas a lanterna apagada. Deve ter descambado por um abismo. Outro pensador, este mais recente, criou um termo muito interessante: "Lanterna na Popa". Dentre outras, em certo momento, escreve (...) Pois este século XX começou tarde e terminou antes do tempo.(...)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011 11:25:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (segunda-feira, 01/08/2011 às 17h22min00s BRT, terça-feira, 02/08/2011 às 13h13min00s BRT e quarta-feira, 03/082011 às 11h25min00s BRT),
Enfim não divergimos tanto nas opiniões que abraçamos. Para mim o marqueting é a alma do negócio. Para você, a alma do negócio é:
“um criativo empreendedor (. . . ) criar boas ideias, transformá-las em bens e vendê-las no mercado pelas suas qualidades e benefícios intrínsecos”.
Sim, eu concordo e ai está exatamente a função do marqueting: ele tem que ser capaz de divulgar a criatividade de um empreendedor em:
”criar boas ideias, transformá-las em bens e vendê-las no mercado pelas suas qualidades e benefícios intrínsecos”.
Ou dito de outra forma, sob o aspecto teleológico, a essência do marqueting é a alma do negócio. Ou dito de outra forma, levando em conta a própria essência ou natureza do marketing, o marketing é a alma do negócio.
Enfim concordamos sobre o marqueting e há mais concordância que podemos ver no seu comentário de terça-feira, 02/08/2011 às 13h13min00s BRT quando você diz que:
“alma do negócio é a verdade vir à tona, quer queira a propaganda institucional, quer não”
Desde que você, semelhantemente ao velho procurador romano, desconheça o que é a verdade, o que eu não intuí do seu comentário de terça-feira, 02/08/2011 às 13h13min00s BRT, mas que parece ser o caso pelo que eu percebi do seu comentário de quarta-feira, 03/082011 às 11h25min00s BRT ao dizer que “o velho procurador romano não achou nada”.
Bem, junto ao post “Poucos e muitos” de quinta-feira, 14/07/2011 que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.blogdoalon.com.br/2011/07/poucos-e-muitos-1407.html
Alon Feuerwerker, acertadamente em meu entendimento, disse que:
“Na política vale muito a percepção
E eu acrescentei em comentário enviado sexta-feira, 15/07/2011 às 22h35min00s BRT:
“Aliás, avaliamos um governante não pelo que ele é, mas como o percebemos, pois não sabemos de fato como um governo ou o governante é.
Daí que eu afirmei aqui neste post “Troca a avaliar” de segunda-feira, 01/08/2011 em meu comentário de segunda-feira, 01/08/2011 às 23h05min00s BRT que todo o esforço de um governo que quer ser bem percebido pela população, - e me parece que esse é o desejo de todo o governante - é fazer os resultados percebidos pela população igualar com os resultados divulgados pela propaganda” e o que é mais difícil, mas não impossível é tornar os resultados divulgados pela propaganda como os resultados percebidos pela população. Quando o governo atinge isso ele consegue concretizar o dito de que “a propaganda é a alma do negócio. O que evidentemente só não será percebido se os resultados divulgados pela propaganda não forem a verdade e a população ao contrário do velho procurador romano, souber o que é a verdade.
Uma população assim, eu creio que não existiu no século passado ainda mais que ele foi diminuído, nem me parece crível que existira neste século XXI, ainda que ele venha a compreender parte do século XX. E isso me parece não ser nenhuma conclusão apressada pois é assim até antes do velho procurador romano.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/08/2011

segunda-feira, 15 de agosto de 2011 13:32:00 BRT  

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