segunda-feira, 25 de julho de 2011

Só neste caso (25/07)


As drogas constituem problema grave, ameaça a crianças e jovens, vetor gravíssimo de dano à saúde, à família e à sociedade. Mas há um segmento convencido de que, neste caso, sua própria liberdade de escolha deve estar acima do interesse social

Os promotores da liberalização do consumo de drogas abordam o tema por dois ângulos. O central é a defesa da liberdade individual.

O segundo é a busca de abordagem mais flexível para algo que supostamente não pode ser evitado: a busca humana por substâncias-muleta para o espírito.

Mais recentemente, diante da recusa popular às ideias liberalizantes, políticos engajados nessa trip organizaram certo recuo tático. É uma nova fase, mascarada, no proselitismo.

Agora, o melhor combate à epidemia das drogas será reduzir a dureza das punições e dar prioridade ao tratamento e ao desestímulo, para o usuário deixar de sê-lo.

É a legalização benevolente e limpinha. Como se não houvesse consenso absoluto para a necessidade de ajudar as vítimas do mal. Como se houvesse antagonismo entre combater o vício e ajudar quem nele vai mergulhado.

Notei outro dia a assimetria argumentativa quanto a certos valores. Dei o exemplo do contraste entre duas formas de olhar o direito à vida.

A vida das plantas e animais merece engajamento irrestrito. Corta uma árvore para ver o que te acontece.

Já a vida do embrião ou feto humano deve estar, segundo esse viés, submetida ao livre arbítrio da mulher que carrega o novo ser.

Em nome da liberdade irrestrita de a mulher decidir o que fazer com o próprio corpo. Ainda que o embrião ou feto não faça parte do corpo materno. Ela apenas o abriga.

São discussões complexas, mobilizam convicções religiosas e filosóficas profundas, e precisam ser tratadas com os devidos respeito e seriedade.

Nenhum segmento deve ser excluído. Na última campanha eleitoral, por exemplo, causou espécie aos autonomeados modernos que igrejas se mobilizassem contra a legalização do aborto.

Para certos democratas, a defesa do direito a abortar é legítima bandeira político-eleitoral, ensejando inclusive o lançamento de organizações para a promoção da tese.

Mas quem se opõe deve ficar calado, pois representa o “atraso”.

São democratas mesmo, como se vê. Compreendem a expressão “fazer o debate” como sinônima de “suprimir a opinião contrária”.

Nas drogas é algo parecido. É evidente que elas são problema grave, ameaça a crianças e jovens, vetor gravíssimo de dano à saúde, à família, à sociedade.

Mas há um setor convencido de que, neste caso, sua própria liberdade de escolha deve estar acima do interesse social. Mas só neste caso, claro.

E volta a guerra do “avanço” contra o “atraso”.

A pior forma

A Prefeitura de São Paulo e o governo federal vão dar um estádio de presente ao Corinthians.

O governo estadual vai garantir o dinheiro para ele abrigar a abertura da Copa.

Suponhamos que isso seja mesmo prioridade, em si já duvidoso. Mas suponhamos.

Então, se os governos decidiram fazer, o patrimônio resultante deveria ficar para o povo, e não para os amigos dos governos.

Se são os impostos, atuais e futuros, que vão bancar o presentinho, que ele seja dado à população. O estádio merece carregar o “municipal”, o “estadual” ou o “federal”.

Se o dinheiro é estatal, o valor que ele permite criar deve ser de propriedade do público, e não de alguns amigos do governante de
plantão.

O placar

Quantos sírios precisarão ser mortos a mando de Bashar Assad para que a dupla Dilma Rousseff e Antonio Patriota, a dos “direitos humanos inegociáveis”, aceite apoiar no Conselho de Segurança da ONU pelo menos uma condenação formal?

Talvez o Brasil devesse estabelecer esse número. Uma meta. Pelo menos poderíamos acompanhar com alguma segurança o andamento do placar. E talvez Assad pensasse duas vezes antes de atingi-la.

Num outro placar, em compensação, estamos ganhando de goleada. No prejuízo trazido ao país pela s maluquices da dupla precedente, Luiz Inácio Lula da Silva e Celso Amorim.

Que num triste dia fizeram nossa diplomacia pender para o eixo Damasco-Teerã.

Vexame

Mas vexame mesmo nestes dias passaram os apressadinhos que correram a culpar o Islã pelos atentados na Noruega.

Provou-se, novamente, que esperar pelo esclarecimento dos fatos é sempre melhor do que dar vazão aos instintos e preconceitos.


Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta segunda (25) no Correio Braziliense e no Estado de Minas.



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6 Comentários:

Anonymous Swamoro Songhay disse...

Vexame. Homérico. Porém há uns pouco envergonhados que justificam a pressa. Segundo alguns comentários publicados, os islâmicos sempre fazem terrorismo e assim, qualquer atentado pode ser a ales atribuído, até por terem influenciado muita gente. Incrível a idiotia.
O placar. Interessante a política externa e interna. Na interna, em alguns casos, "publicou crime, sai". Mas, antes, é aquinhoado com votos de confiança total. Na política externa, "publicou envolvimento em crimes e bombardeio e tortura de opositores, apóia". Seria interessante o placar ser divulgado pelo governo: quantos assessores da presidente apoiam o terror contra povos que protestam e quantos advogam a favor dos envolvidos em crimes contra o erário público.

segunda-feira, 25 de julho de 2011 11:34:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Estádio O Estado e a Prefeitura estão providenciando a abertura de cofres para a construção de campos para um time ou times privados. Isso porque ocorrem em todo o País, com suporte também do BNDES. Nunca o "S" do nome do banco foi tão propício para enredo de filmes classe Z: faz exatamente o contrário do que diz o nome. E os aquinhoados ficam fazendo graça e chacota. O ministro do Esporte, idem. Talvez nem só o nome do campo possa ser revisto. Mas, qual o tamanho da janela de onde os responsáveis se acotovelariam para ver os jogos. É aquela história de ver os jogos quadrados..., como veriam nascer o Sol.

segunda-feira, 25 de julho de 2011 11:41:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Drogas. Absolutamente contra a liberalização e/ou a descriminação do porte e uso de quaisquer tipos de substâncias narcóticas ou estupefacientes, proibidas. Se forem essas as figuras utilizadas para defini-las. Dar ares de modernidade a tal tema, é na realidade, um atraso. Não há estrutura para tratamento. Em todos os Estados, cidade grandes, médias e pequenas, já há seus espaços degenerados onde há o tráfico e o consumo de drogas. e servem apenas para demagogia político-eleitoral. Além do que, a legislação parece intrincada. Para reprimir, encontra-se obstáculos de defesa das liberdades de expressão e individual. Isso pode impedir, por exemplo, a internação involuntária de viciados. Para liberar, encontra-se a legislação que criminaliza a droga e seu uso. E o Legislativo não legisla, o Executivo fecha-se em copas, dependendo da direção dos ventos. Além do que, em muitos casos, há mais militantes de causas do que estudiosos do assunto de forma mais ampla. Assim, o melhor seria manter as coisas como estão, a té que os ânimos serenem e as cabeças sejam arejadas. Do jeito que está, uma família que acorrente um ente seu, por seu vício e violências que possa praticar para mantê-lo, poderá ser acusada por cárcere privado e maus tratos. Já a família que saia à noite procurando um ente seu e tirando-o dos locais de consumo e tráfico, não encontrará clínicas para interná-lo, nem aconselhamentos, nenhum lenitivo. Então, que deixem de fazer demagogia os afoitos. E que pensem mais um pouco os que tenham consistência e não meros "obas-obas" a respeito de assunto de tal gravidade.

segunda-feira, 25 de julho de 2011 12:01:00 BRT  
Anonymous Lucas Jerzy Portela disse...

o maior problema que a droga traz é a violência urbana.

Que só existe porque a droga é ilegal, e que em absolutamente nada tem a ver com o consumo (usuários de cigarro e alcool geram bem menos violência do que os de drogas ilicitas, e suas industrias tambem - porque, legalizadas, podem ser fiscalizadas com rigor).

O argumento é esse, Alon. Você se opor a isso é mero "efeito capacete": a tentativa de proteger ao maximo, sem autonomizar, AUMENTA os problemas, mesmo que pretenda diminui-los. É exatamente o caso da não-legalização de (quase) todas as drogas.

E não entramos ainda em fatos econômicos: fora da lei, as drogas movimentam uma dinheirama sobre o qual não incide imposto, e geram uma série de problemas que o erário público tem de dar conta; sem estarem legalizadas, não se pode fazer pesquisas farmaceuticas sérias sobre, por exemplo, o efeito sabidamente anti-emético da maconha (a California está avançando horrores nisso, na Universidade de Berkeley, com a brecha aberta por uma sutilíssima descriminalização). Ou auto-suficiencia farmaceutica de baixo custo é irrelevante? Se é, fechemos a FioCruz e o Butantã...

De resto, o problema não é "o usuário" de drogas (uma vez que todos somos: eu não acordo sem boa dose de cafeina...), nem mesmo de drogas ilegais (a maior parte dos usuarios de cocaina vai muito bem, obrigado, sem qualquer assistência clínica). O problema está na toxicomania ou drogadição - que nem dependência "química" (um termo biologizante) nem é "vício" (uma categoria da teologia moral apenas).

segunda-feira, 25 de julho de 2011 13:01:00 BRT  
Blogger Sharp Random disse...

Alon, vc é um grande parceiro para quem quer que esteja disposto ao enfrentamento sério da questão da drogadicção.

Vc aborda muito bem a questão. Nota-se convicção!

Gostaria de lhe apresentar o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4455241U0

Um angulo do assunto, inusitado para a grande maioria dos pesquisadores.

Em áudio de 15 minutos.

http://dl.dropbox.com/u/8143236/090428-Serg-DrogasEstTrans.mp3

Abraço

terça-feira, 26 de julho de 2011 00:47:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

A liberalização de drogas liberaria a violência urbana, de que forma? A liberação do consumo e a descriminação, apenas levaria a zero o custo ilicitude, que hoje é elevado. Ai, quem regularia a oferta crescente, num primeiro momento? E depois, quem mapearia a demanda crescente? E a sequência lógica da consequente queda da oferta da droga? Aspectos que fariam o preço, da mesma quantidade, ser elevado, levando ao mercado paralelo, com ágio, cujo know-how é por demais conhecido pelos players. Aspectos científicos e medicinais ligados à drogas, importarão pouco, pois, hoje, drogas já são utilizadas para a fabricação de remédios controlados ou não, dependendo dos casos a serem tratados. Só que são liberadas depois de vários estudos e controles. De fato, pois, não teria, a liberalização e descriminação, o condão de curar doenças de usuários. Ou não ter-se-iam doenças hoje em tal público.

quarta-feira, 27 de julho de 2011 16:20:00 BRT  

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