terça-feira, 21 de junho de 2011

Uma ruptura necessária (21/06)

O problema do PSDB é que a memória do eleitor arquivou o balanço das administrações FHC na coluna dos empreendimentos que deram prejuízo. No exame final o governo dele foi mal avaliado. Tirou nota vermelha

O resgate da herança de FHC vai tomando ares de contravetor na luta política, um antídoto a anos de fustigamento sistemático.

Na operação para reabilitar o ex-presidente tucano ganham novo fôlego as versões a respeito da suposta injustiça histórica de que é vítima, e sobre a suposta essencialidade da sua passagem pela História do Brasil.

As duradouras campanhas do PT contra Fernando Henrique Cardoso não têm maior importância fora da pequena política. A História não registrará FHC como presidente dos ricos, nem como entreguista.

Nesse particular, a simpática missiva de Dilma Rousseff nos 80 anos do tucano deixa em maus lencóis os militantes da mistificação. O que Dilma escreveu é até certo ponto verdadeiro: FHC teve sua importância na empresa anti-inflacionária e, no essencial, sempre foi um democrata.

E daí? Daí nada, ou muito pouco. Não nasce da ideologia, ou da demonização, o principal ônus político-eleitoral imposto ao PSDB pela memória das administrações federais tucanas.

Por isso, a contraofensiva ideológica tampouco fará a mágica de tapar o ralo por onde escapam as oportunidades de os tucanos voltarem ao poder.

O problema do PSDB é que a memória do eleitor arquivou o balanço das administrações FHC na pasta dos empreendimentos que deram prejuízo. No exame final o governo dele foi mal avaliado. Tirou nota vermelha.

Um veredito registrado na derradeira pesquisa Datafolha de 2002. Na qual apenas um em cada quatro consultados classificaram como boa ou ótima a gestão que terminava.

Antes de concluir mal o governo, FHC vinha de duas vitórias eleitorais em primeiro turno para o Palácio do Planalto.

Na primeira, personificou a luta exitosa contra a inflação. Na segunda, vendeu o peixe de que por ter batido a inflação era o mais indicado para fazer o país voltar a crescer e gerar empregos.

FHC cumpriu satisfatoriamente o primeiro contrato, tanto que acabou renovando. Mas não cumpriu o segundo, e a frustração foi profunda.

Inclusive pelas barbeiragens gerenciais que levaram à desvalorização tardia da moeda e à crise energética, esta decisiva para abortar a decolagem econômica prometida por aquela.

Ao ponto de o período FHC oferecer ao adversário um discurso vitorioso por três eleições seguidas.

Em 2002, 2006 e 2010 o eleitor levou a decisão para o segundo turno. Não quis carimbar direto o passaporte do PT. Mas, no fim das contas, entre ceder a caneta ao PT e arriscar-se a um novo governo de tipo FHC preferiu sempre a primeira opção.

Há duas maneiras de olhar esse fato. Uma é dizer que o eleitor anda anestesiado pelas campanhas contra o ex-presidente tucano. Equivale à tese de que o povo está sendo enganado, que não sabe votar.

A segunda é admitir que a maior dificuldade tucana está em o PT ter se saído melhor no governo federal do que o PSDB. Admitir que o eleitor tem seus motivos para a escolha que vem fazendo.

O realismo manda cravar a alternativa b.

Todos estão sujeitos ao autoengano, inclusive o PSDB. FHC, por exemplo, pode dizer que teria vencido a eleição de 1998 mesmo se desvalorizasse o real antes de o eleitor ir às urnas.

Os resultados daquela eleição deram a FHC 53% dos votos válidos no primeiro turno. Ele passou raspando. Estaria em sério risco eleitoral caso precisasse enfrentar numa nova rodada Luiz Inácio Lula da Silva apoiado por Ciro Gomes.

Será que a devalorização do real antes das urnas não tiraria de FHC os míseros três pontos percentuais que evitaram naquele ano o segundo turno?

Uma nova rodada em que FHC não teria a possibilidade de novas alianças. E precisaria encarar um Lula revigorado, e destinatário natural dos votos não dados ao tucano.

Entre o fim de 2001 e meados de 2002 o PT tratou de superar a herança programática petista no terreno econômico, e a iniciativa da Carta aos Brasileiros foi o marco simbólico. Uma ruptura necessária, sem trocadilhos.

Só assim o PT chegou ao poder. E o movimento foi tão consistente que vem intocado, uma longa década depois.

É o caso de especular se o PSDB, em vez de persistir no autoengano, não deveria quebrar a cabeça para encontrar uma maneira de romper explicitamente com a herança de FHC que tanta sobrevida tem proporcionado aos adversários.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta terça (21) no Correio Braziliense.



youtube.com/blogdoalon

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17 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Abro dois ou três blogs na tela do meu computador e vou escolhendo o assunto do meu interesse. Como minha internet é lenta, os blogs vão sendo abertos vagarosamente.
Li no primeiro blog que abriu uma crítica muito dura contra José Serra. Ia enviar um comentário dizendo que a crítica era injusta. José Serra para mim apenas fizera um esforço muito grande para ganhar a eleição. Ora, depois que Fernando Henrique Cardoso fez o Plano Real para ganhar a eleição, depois que George Walker Bush, o filho, invadiu o Iraque para ganhar a eleição e ambos fizeram tudo isso sob o amparo da lei, tudo que a lei não proíbe é permitido para ganhar a eleição e, portanto, José Serra apenas fizera esse esforço hercúleo para ganhar a eleição. No meu entender, entretanto, todo esse esforço era pouco diante de um outro esforço que o PSDB empreendeu para transformar o fim da inflação como a grande conquista do povo brasileiro.
Bem, elaborei as idéias até esse ponto quando vi o seu post "Uma ruptura necessária" de terça-feira, 21/06/2011.
O cabeçalho do seu post traz um parágrafo clássico. No parágrafo que eu reforço transcrevendo a seguir há quase tudo a se dizer sobre o governo de Fernando Henrique Cardoso:
"O problema do PSDB é que a memória do eleitor arquivou o balanço das administrações FHC na coluna dos empreendimentos que deram prejuízo. No exame final o governo dele foi mal avaliado. Tirou nota vermelha"
De tudo, que eu mais cultivei na política foi que o povo tivesse essa avaliação do governo de Fernando Henrique Cardoso. Talvez pelo que ele fez se se pensa que o que ele fez à época era considerado o que melhor se podia fazer, ele não merecesse a avaliação negativa. Além disso, mesmo sem o reforço que ele e o PSDB deram na crença de que a inflação era o maior mal que atingira o Brasil, o povo teria essa percepção, pois o povo tem ojeriza da inflação.
No entanto, para um partido de acadêmicos não esforçar para mostrar ao povo que muito pior do que a inflação é o desemprego e que privilegiar o combate à inflação em detrimento do combate ao desemprego é insuflar sentimentos de individualismo (A inflação atinge a mim assalariado e deve ser por isso combatida) e não o sentimento de solidariedade (o desemprego atinge ao outro desempregado e deveria ser por isso combatida), pois então, para um partido de acadêmicos que tem a perfeita noção dessa relação entre inflação e desemprego e sentimento popular, transformar a inflação no grande mal do país é tão grave que a sanção do entendimento popular de que o governo de Fernando Henrique Cardoso foi um mal governo me parece ficar de bom tamanho.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 20/06/2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011 22:54:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Com toda sinceridade, não percebi o que você quis dizer neste post.

Principalmente:

"Na operação para reabilitar o ex-presidente tucano ganham novo fôlego as versões a respeito da suposta injustiça histórica de que é vítima, e sobre a suposta essencialidade da sua passagem pela História do Brasil."

Por que "operação", "versões" e "suposta" [duas vezes no mesmo parágrafo: vítima e essencialidade]?

Não está claro se você concorda com essa interpretação ou se está apenas reproduzindo uma interpretação do fato da comemoração do aniversário de FHC. E afinal, é próprio das comemorações a comemoração. Estranho seria se o PSDB ativasse na ocasião uma autocrítica.
Essa assertiva é central no texto:

"As duradouras campanhas do PT contra Fernando Henrique Cardoso não têm maior importância fora da pequena política."

No parágrafo você minimiza o efeito das "duradouras campanhas" em 2002,2006 e 2010, circunscrevendo-as ao diminuto campo da "pequena política". Certo?

O texto segue e você surpreende:

"O que Dilma escreveu é até certo ponto verdadeiro"

Mas você não diz o que NÃO é verdadeiro no que Dilma escreveu na carta. Se a carta contém verdade em "até certo ponto", eu gostaria de saber o que não é verdadeiro além do ponto, isto é, o que é O FALSO que está além do que você sinaliza como o ponto final da verdade? [continua]

terça-feira, 21 de junho de 2011 00:48:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Continuando no texto do post:

“FHC cumpriu satisfatoriamente o primeiro contrato, tanto que acabou renovando. Mas não cumpriu o segundo, e a frustração foi profunda.”

E analisando o comportamento do eleitor quanto ao segundo contrato de FHC

“Admitir que o eleitor tem seus motivos para a escolha que vem fazendo.” [votar no Lula]

Esses são fatos. O argumento do “povo não sabe votar” é inútil, para dizer o mínimo. Estamos em acordo.

E por fim o parágrafo final:

“É o caso de especular se o PSDB, em vez de persistir no autoengano, não deveria quebrar a cabeça para encontrar uma maneira de romper explicitamente com a herança de FHC que tanta sobrevida tem proporcionado aos adversários.”

O que não está claro no texto é o que exatamente para você caracteriza o “autoengano” do PSDB. É o argumento do “povo não sabe votar” e a “operação para reabilitar o ex-presidente tucano”?

Se "as duradouras campanhas do PT contra Fernando Henrique Cardoso não têm maior importância fora da pequena política", por que o PSDB deveria “romper explicitamente com a herança de FHC”? Isto é, se as campanhas de demonização são desimportantes e restritas à “pequena política”, por que o PSDB e os leitores do blog deveriam perder tempo com tal especulação? Se a o epíteto “herança maldita” é fato da “pequena política”, por que o PSDB deveria explicitar o rompimento ao eleitor que de fato é o que conta na grande política?

Enfim, o texto está confuso e não deixa claro se a demonização, que “não têm maior importância fora da pequena política”, foi ou não decisiva para o sucesso petista em 2002, 2006 e 2010? Se não foi, por que especular com o rompimento explícito? Qual o benefício eleitoral [grande política] que o rompimento traria ao PSDB?

Não entro no mérito do legado de FHC. O que me interessa é a contradição lógica que está no texto do post:

1. A assertiva da demonização foi posta por você como um fato da pequena política, isto é, um fato menor e não decisivo para entender as derrotas em 2002,2006,2010.

2. Na conclusão, a contradição fica exposta quando você sugere que para vencer as eleições o principal é o PSDB romper explicitamente com a figura demonizada, isto é, romper com o que você afirmou no início do texto ser desimportante. Se o fato é insignificante para a grande política [ganhar eleição], por que especular com a explicitação do rompimento? E principalmente, explicitar para quem e com qual objetivo?

terça-feira, 21 de junho de 2011 00:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Prezado Alon, na realidade o que houve, foi operação concatenada pelo PT para desconstruir FHC e o PSDB. E não uma operação de recuperação de FHC. A campanha petista acabou ultrapassando os limites da sanidade. Até para padrões petistas. Assim, FHC, não deve nada ao PT. E muito menos à carta protocolar da atual presidente, que está sendo elogiada por ter sido, protocolarmente, educada. Uma coisa incrível. FHC, tem lutado quase que de forma solitária, em defesa também de si próprio. Não tratava-se só de reagir contra críticas a seus dois governos e à sua trajetória política. Mas, contra dossiês, maledicências, mentiras, enfim, contra à sua própria pessoa. O PT, foi absurdamente preconceituoso contra FHC, a despeito de não ter exemplos dignos para contrapor. Pelo contrário. Em termos administrativos, levaram o País a uma situação que beira as recomendações sobre o que não fazer. Assim, em caso do PT, dá para discordar da noção, meio que generalizada, de que o povo não sabe votar. Pois, o povo sabe votar, sim. E não porque vota no PT. Só que está sendo enganado, sim. E o PT não está mais sabendo contar as historinhas que inventava, de forma convincente, como era antes. A fábrica de paranóia michou. Tanto que antigos ícones do partido estão sendo surrados nas urnas, a cada eleição e a cada governo. Os estorvos sempre preparam uma boa surpresa aos mitificadores, totemistas e mistificadores. Enfim, os arrogantes e niilistas, sempre recebem de volta o que plantam. É o caso de agora. Assim, por que deveria o PSDB abandonar FHC? Pelo fato de o PT ter investido nisso a vida inteira? E ter perdido a parada? Ou por FHC ter dado conta do PT sozinho, desde sempre? Pois, que o PT é que se remodele. Com o que sobrar. Os sinais de fadiga de material estão visíveis. E a paciência dos estorvos, idem.
Swamoro Songhay

terça-feira, 21 de junho de 2011 11:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Só para deixar bem reforçada a ideia: o PSDB não tem necessidade alguma de romper com FHC. Quem deve promover ruptura com alguma coisa, senão com tudo, é o PT e o seu governo, que não deslancham, não inovam, não enfrentam os problemas e não os resolvem, os agravam.
Swamoro Songhay

terça-feira, 21 de junho de 2011 11:44:00 BRT  
Anonymous Rodrigo N. disse...

A história mostrará que FHC foi um dos maiores estadistas da história do Brasil. Sua atuação intelectual e política na luta pela redemocratização são inegáveis. Sua atuação decisiva na estabilização da moeda (que nocauteou a hiperinflação) também é comprovadamente inegável.
A "nota vermelha" dada pelo povo (que avalia a gestão do FHC como um "empreendimento gerador de prejuízo") certamente não leva em conta o turbulento cenário economico no qual ele governou, sobretudo no segundo mandato. Não leva em conta porque foi atingida no bolso. Simples assim.
É claro que houve lentidão para ajustar o câmbio. O próprio FH já reconheceu isso mais de uma vez. Essa lentidão foi uma manobra eleitoreira? Os tucanos dirão que não, os petistas dirão que sim. Isso não tem muita importância. Importante é ter o discernimento para compreender que, durante os anos FHC, o Brasil atravessou uma série de crises. Todas elas externas. Primeiro foi a do México, depois a da Russia, depois veio a crise argentina, seguida de perto pela crise dos Tigres Asiáticos. Foi durante essas crises - e com muito sofrimento - que a gestão tucana conseguiu estabelecer os pilares macroeconomicos que sustentam o desenvolvimento do Brasil até hoje. São eles: a responsabilidade fiscal (com formação de superávit primário); o câmbio flutuante e o sistema de metas de inflação. Soma-se a isso a invenção e implementação dos programas de proteção social - Bolsa Escola, Gás e Alimentação - sementes do Bolsa Família. Some-se a isso a quebra das patentes dos medicamentos, que favoreceu os genéricos e deu acesso a milhares de pessoas que antes não tinha condições de obtê-los. Some-se a isso a criação das principais agência reguladoras do mercado (como a Anatel, Aneel, ANP etc) que ajudaram a garantir a competição empresarial em benefício do povo (olha o que aconteceu com o setor de telecomunicações)
Enfim, a lista de benfeitorias é longa e só demonstra o óbvio: FHC entregou um país infinitamente melhor do que pegou. Mesmo com o vento, na maior parte do tempo, soprando contrário.
O povo pode não reconhecer agora. É compreensível. As pessoas só sentem quando a coisa pega no bolso. Especialmente no Brasil, um país carente de educação.
Mas as gerações futuras, ao estudarem a história recente do Brasil, não terão problemas em entender que FHC, na realidade, tirou nota 10.

terça-feira, 21 de junho de 2011 18:08:00 BRT  
Blogger Marcelo Costa disse...

Eric Hobsbawn, na introducao da ERa dos Extremos, enfatiza que a Historia acaba por decantar as questoes politicas e dar mais relevancia as transformacoes socio-economicas. Nesse sentido, creio que a Historia sera mais benevolente com FHC do que foram os cronistas e a populacao. Parcela importante de modernizacoes implantadas levaram periodos que superaram o seu mandato. No meu entender, nao e preciso o PSDB nao necessita de ruptura, mas assumir seus feitos. E impossivel conquistar a simpatia dos eleitores se constantemente passam o sentimento que se envergonham de seu governo. O PSDB precisa ter orgulho de suas conquistas, mas tambem olhar seus erros (nenhum governo, e so acertos ou erros, mesmo que o Sarney pareca fornecer evidencia em contrario). Por fim, a ruptura necessaria nao esta em esconder o seu legado, mas sim compreender quais sao os novos desafios que precisam ser enfrentados. Esse ponto, por sinal, esta em aberto... Nenhum partido apresenta um plano coerente para a nacao

terça-feira, 21 de junho de 2011 18:15:00 BRT  
Anonymous Xandão disse...

Para mim, FHC foi um governante de extremos. Acabou com a inflação, mas segurou o câmbio até o Brasil quebrar. É, quebrou, e o problema maior foi a paridade Real-Dólar. Foi um democrata, mas comprou votos para se reeleger, como qualquer ditadorzinho de terceira categoria. Lançou as sementes da social-democracia, mas se juntou com o que existe de mais conservador no Brasil. Foi um pensador e acadêmico brilhante, mas não aceita que um torneiro mecânico seja mais popular que ele. Enfim, existem mais FHCs que o FHC tenta vender. Quanto ao PSDB, só saiu de SP por causa dele. E não entendeu que não vai voltar para Brasilia enquanto não se reconciliar com o único (sorry Aécio e Serra) nome nacional da legenda. Mesmo que isso signifique olhar os esqueletos fernandísticos do armário.

terça-feira, 21 de junho de 2011 18:50:00 BRT  
Anonymous Orago disse...

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Swamoro Songhay, para não precisar aparecer como um anonimo que assina o que escreve, faça o seguinte...
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No Escolher uma identidade, selecione o item Nome/URL, que abrirá a oportunidade de colocar o seu nome no cabeçalho do post...a URL é opcional
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Hoje você esta selecionando Anonimo...
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Fica estranho um anomimo que assina... pá...
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terça-feira, 21 de junho de 2011 22:18:00 BRT  
Anonymous Orago disse...

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Esse renascimento instrumentalizado da figura do FHC como um dos "pais da pátria" está difícil de ver o seu alcance político...
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A única explicação que atino, no momento, é que "se todos reconhecerem o seu ELEVADO PAPEL", êle pode se contrapor ao Lula para "avalizar um candidato"... como o Lula emplacou a Dilma, êle emplacaria um "_______".
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Mas, o desastroso segundo mandato dele não o faz um bom "avalista"...
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E, esta sua insistência em monopolizar os movimentos políticos do PSDB torna o partido manietado, sem direção... êle está preso, rodando em volta do ex-presidente...
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A outra alternativa, de que o FHC esteja sendo preparado (ou se preparando por si mesmo) para ser candidato a presidência parece-me insana...
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Quem sabe apostam em uma dobradinha FHC-Aécio... (com o compromisso de "sair mais cedo"...) ou o inverso Aécio-FHC... onde seu aval não poderia ser descartado, como nas eleições anteriores... uma vez que está na chapa... Um Temer da vida...
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Mas, o FHC é um pêso, não uma mola... e é fácil de trabalhar isto...
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Por enquanto, o PSDB está nas cordas e o DEM esvaindo-se...
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Pessoalmente, acredito que estão perdendo tempo com o FHC...e é isto que a Dilma está agradecendo...
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terça-feira, 21 de junho de 2011 22:42:00 BRT  
Anonymous Renato Cirino disse...

“É o caso de especular se o PSDB, em vez de persistir no autoengano, não deveria quebrar a cabeça para encontrar uma maneira de romper explicitamente com a herança de FHC que tanta sobrevida tem proporcionado aos adversários.”

O que não está claro no texto é o que exatamente para você caracteriza o “autoengano” do PSDB. É o argumento do “povo não sabe votar” e a “operação para reabilitar o ex-presidente tucano”?

Se "as duradouras campanhas do PT contra Fernando Henrique Cardoso não têm maior importância fora da pequena política", por que o PSDB deveria “romper explicitamente com a herança de FHC”? Isto é, se as campanhas de demonização são desimportantes e restritas à “pequena política”, por que o PSDB e os leitores do blog deveriam perder tempo com tal especulação? Se a o epíteto “herança maldita” é fato da “pequena política”, por que o PSDB deveria explicitar o rompimento ao eleitor que de fato é o que conta na grande política?

Enfim, o texto está confuso e não deixa claro se a demonização, que “não têm maior importância fora da pequena política”, foi ou não decisiva para o sucesso petista em 2002, 2006 e 2010? Se não foi, por que especular com o rompimento explícito? Qual o benefício eleitoral [grande política] que o rompimento traria ao PSDB?

Não entro no mérito do legado de FHC. O que me interessa é a contradição lógica que está no texto do post:

1. A assertiva da demonização foi posta por você como um fato da pequena política, isto é, um fato menor e não decisivo para entender as derrotas em 2002,2006,2010.

2. Na conclusão, a contradição fica exposta quando você sugere que para vencer as eleições o principal é o PSDB romper explicitamente com a figura demonizada, isto é, romper com o que você afirmou no início do texto ser desimportante. Se o fato é insignificante para a grande política [ganhar eleição], por que especular com a explicitação do rompimento? E principalmente, explicitar para quem e com qual objetivo?

O Paulo falou tudo...seu texto está muito ruim, pode crer!!!

quarta-feira, 22 de junho de 2011 08:57:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Paulo, Renato:

1. A guerrinha ideológica entre PT e PSDB é da pequena política. Ninguém fora eles e os em torno está interessado nisso.

2. A maioria do eleitorado tem votado no PT e não no PSDB para presidente porque o governo do PT tem resultados melhores para mostrar na economia e nos programas sociais.

3. O PSDB precisaria mostrar ser capaz de fazer mais que o PT na economia, na criação de empregos e na geração de renda.

4. Para isso, precisaria fazer a crítica/ruptura das práticas que levaram o governo FHC a ficar marcado como um período de baixo crescimento e estagnação.

É apenas isso.

quarta-feira, 22 de junho de 2011 09:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Nota vermelha", uma ova!!! FHC dá de 10 a 0 em Lula e na Dilmona!!! Hoje o povo percebe a diferença.

quarta-feira, 22 de junho de 2011 10:00:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Orago: 1) Segui seu conselho. Mas, não era intencional e sim automático o processo de ser um "Anônimo" que assina. Preferiria mais, um "estorvo que estorva". Valeu.
2) Porém, discordo de seu segundo comentário. Quem instrumentalizou e instrumentaliza a demonização de FHC foram e são seus detratores. FHC apenas defendeu-se e deverá continuar a fazê-lo. Os detratores, os acovardados e "os isentos", não vão dar-lhe trégua.
3) E repetindo: o PSDB não deve fazer ruptura alguma com FHC e com as realizações de seu governo. E nem há no ar a possibilidade de FHC querer arvorar-se em pai da Pátria ou de ser o feitor de uma candidatura inviável, mesmo que venha a ser eleita. Isso é com Lula e o PT. E o Brasil não é um feudo ou uma capitania hereditária.
4) Dilma não deveria agradecer por supostamente alguém, inclusive ela, "perder tempo" com FHC. Ela deveria governar ou aprender a fazê-lo, antes de candidatar-se. O Brasil deveria transformar-se numa grande escola. Para educar, crianças, jovens, adolescentes e adultos. Mas, não ser um grande campo de teste para incompetentes e para teses estapafúrdias.

quarta-feira, 22 de junho de 2011 10:38:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Renato

Não penso que o post está ruim. O post me pareceu confuso, o que não é comum nos posts do Alon.

Alon

Concordo com 1,2 e 3.

“4. Para isso, precisaria fazer a crítica/ruptura das práticas que levaram o governo FHC a ficar marcado como um período de baixo crescimento e estagnação.”

Acho que talvez haja divergência, ou mau entendimento meu, no ponto 4. O PSDB, ao ajudar a salvar o PT de si mesmo em 2002, criou para si próprio uma terrível armadilha.

Considerando os erros e os acertos, eu vejo os anos de governo FHC como muito positivos para o Brasil. A melhor prova disso foi passada pelo PT ao chancelar a “Carta aos Brasileiros”, que os tucanos escreveram para o PT assinar.

Dizer que a saída política “Carta aos Brasileiros” foi elaborada nos laboratórios políticos do petismo tem o mesmo valor que uma nota de R$ 3,00. Essa costura, digna de Maquiavel [Carta aos Brasileiros], teve origem no governo FHC e contou com a adesão entusiasmada do político petista Antônio Palocci e com a mão de ferro de Lula, que a enfiou na goela do partido. Vamos lembrar que a Carta aos Brasileiros foi criticada pelos intelectuais do partido petista, incluidíssma a professora Marilena Chauí. Não vamos esquecer que a escolha do vice-presidente José de Alencar foi decisão vinda de cima para baixo.

Ao produzirem a saída política para o impasse em que estava o PT em 2002, finalmente prestes chegar ao poder, os tucanos criaram para si próprios a armadilha que lhes seria fatal, o que está provado pelas três derrotas.

O fato é que em 2002 o PSDB entregou na bandeja para o PT a solução. O resto é briga de seitas, que pouco interessa à “grande política”, como você bem observou.

O PT e o lulo-petismo

De que adianta os tucanos e a oposição baterem nessa tecla como se isso fosse um desvirtuamento das origens puras do petismo? Francamente, além de inútil para efeito na "grande política", é ridículo. Existiu de fato um outro petismo? A relevância política e social das esquerdas aglomeradas no PT é próxima a zero, na “grande política”.

A Carta aos Brasileiros é o fato mais relevante. Ela é a prova de que o PT assumiu sem meias palavras a forma de pensar e gerir a economia dos dois governos FHC. A chegada de Lula ao poder com a Carta aos Brasileiros debaixo do braço é a prova de que na política econômica não houve ruptura entre os governos tucano e petista. Isso explica em grande parte o posterior lançamento do perfume tucano “oposição responsável”. Para mim esse perfume tem cheiro de merda.

O PSDB não tem como fazer oposição à política econômica dos governos petistas porque isso seria dar um tiro no próprio pé [e nisso o post não me pareceu claro]. E como a política não existe desvinculada da economia, os tucanos estão sem discurso de oposição. E o pior, quando a história lhes entregou no tempo certo [kayrós] a oportunidade de fisgar o peixe, os tucanos jogaram fora Maquiavel e escolheram salvar o senador mineiro Eduardo Azeredo, e recusaram a opção do impeachment [que lhes fornecida em bandeja na CPI do mensalão por Duda Mendonça], e decidiram esperar sentados que o poder lhes caísse no colo. Como se diz, a arrogância é fatal na política.

Abs.

quarta-feira, 22 de junho de 2011 13:15:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

O resultado que o PT tem para mostrar, para o futuro, não é o que fez de ótimo, em relação ao que o PSDB realizou. Tem a mostrar ter acabado com os mecanismos de estabilidade, notadamente os fiscais. E terem trazido de volta a inflação. E não pega mais o argumento de que fizeram "política anticíclica". Como podem ter realizado algo para proteger a economia, se o atributo fiscal foi relegado e não restituído? Indícios: os ataques aos controles do Congresso, do MP e do TCU; a MP, que instituiu o RDC, como penduricalho em MP sobre outro assunto, se diga; as deletérias "flexibilizações" na LRF e na Lei de Licitações. Isso tudo discorda do argumento de que a oposição eliminou o péssimo imposto CPMF, só para estrangular o governo. A base do governo era e é muito maior que as oposições, no Parlamento. Assim, foi a base do governo quem ajudou a derrotar a CPMF. E essa mesma base resiste, até agora, a reconstituir tal imposto ou algo tão ruim assemelhado. E isso não impediu e não impede o governo de expandir gastos. Assim, o PT tem um longo e portentoso material para mostrar sobre a sua administração da economia. Com certeza é diferente do que o PSDB realizou. Isso porque é pior. Extremamente pior e em direção contrária: desestabiliza e destrói freios institucionais. Talvez a paralisia da atual presidente seja por não saber como desatar esses nós. Uma grande ideia, seria o PT romper com o presente e voltar ao seu perdido passado de grilo falante como fiscal da coisa pública. O sonho é livre. E uma pegada no pé do PSDB: que pare de ter medo da própria sombra e que não seja o primeiro a acreditar nas inverdades que plantam sobre o partido, seus membros, apoiadores e simpatizantes. A tentativa de desconstrução de FHC, baseou-se nisso. E falhou.

quarta-feira, 22 de junho de 2011 14:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker (quarta-feira, 22/06/2011 às 09h26min00s BRT),
A sua explicação para o Paulo e Renato é um pouco a continuidade do post e os itens 2, 3 e 4 estão da mesma altura e eu continuaria só tendo que o elogiar. É claro que cada um desses três últimos itens comportam um livro se alguém os pretender detalhar.
Quanto ao primeiro item eu não sei até que ponto é válido considerar a rivalidade entre o PT e o PSDB sob o prisma de política pequena. Continuo achando perfeita a parte inicial da frase de Ismar Curi no comentário que ele enviou segunda-feira, 28/03/2011 às 16h56min00s BRT para junto do seu post "A teimosia dos fatos" de sábado, 26/03/2011. Reproduzo-a pela concisão da frase permitindo-me assim que eu não me alongue. Disse lá então o Ismar Curi, referindo-se a você:
"Admiro seu esforço de equilíbrio entre as ideologias tucanas e petistas, portanto seria mais sensato não perder-se em generalizadas afirmações de que o PT teria explorado a tese de independência do BC."
Bem, conhecendo seu esforço de equilíbrio, entende-se sua frase no item 1:
"A guerrinha ideológica entre PT e PSDB é da pequena política. Ninguém fora eles e os em torno está interessado nisso.
No entanto, chamar de pequena política a guerrinha ideológica entre o PT e o PSDB esconde dois aspectos relevantes que requerem uma nova nomenclatura para o que se passa entre o PT e o PSDB.
Primeiro, com o que você chama de guerrinha, deu-nos 16 anos indo para vinte de domínio do PT e PSDB na política brasileira (Isso é mais que a ditadura de Getúlio Vargas).
E segundo, a guerrinha entre eles está aproximando o PT do eleitorado do centro e levando o PSDB a se tornar um partido de eleitores e de quadros da direita (Se não pelo menos ou quando não do "Opus Dei").
Clever Mendes de Oliveira
BH, 23/05/2011 (Em Pedra Azul MG)

quinta-feira, 23 de junho de 2011 15:45:00 BRT  

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