domingo, 22 de maio de 2011

Primeiros movimentos (22/05)

Eduardo Campos adotou no primeiro mandato um perfil nacional discretíssimo. Mas aos poucos vai ajustando a bússola. Das entrevistas às inserções do PSB no horário político, apresenta-se na prática como alternativa

É cedo para saber se o PMDB vai mesmo bancar até o fim o recém-filiado deputado federal Gabriel Chalita na corrida à Prefeitura de São Paulo. No caso de se reagruparem as hoje dispersas correntes do PSDB, Democratas e PSD, é bem provável que subam muito as pressões do PT para uma composição já no primeiro turno.

Chalita está convicto de que o PMDB vai cumprir o combinado e lançá-lo à sucessão de Gilberto Kassab. E é mesmo improvável que o vice-presidente Michel Temer recue da combinação.

Mas governo é governo, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece empenhado em garantir já no primeiro turno paulistano um polo hegemônico para, como tem dito, “juntar os diferentes para combater os antagônicos”.

O problema, para o PT, é que o PMDB dá sinais de querer musculatura própria, pois 2014 vem aí e nada está garantido. Se com Lula a recondução do vice José Alencar era sempre a aposta mais prudente, desta vez o PMDB precisará movimentar-se um pouco mais para fazer prevalecer a inércia. Pois é nítido o esboço de movimentação de um potencial concorrente, o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB.

Campos adotou no primeiro mandato em um perfil nacional discretíssimo. Mas aos poucos vai ajustando a bússola. Das entrevistas às inserções do PSB no horário político, apresenta-se na prática como alternativa.

O governador tem repetido que 2014 é jogo jogado. Com Dilma Rousseff candidata à reeleição ou, numa eventualidade, a volta de Lula. Diz também que seu projeto é fortalecer o PSB. Diz ainda que deseja completar o mandato, o que inviabilizaria qualquer desincompatibilização daqui a três anos.

Pode ser, mas é visível que o governador não fecha as portas para outras opções. Se o cenário permitir outras opções.

Campos tem sido uma reserva segura para ajudar o prefeito Gilberto Kassab a montar o PSD. É improvável que esteja fazendo isso a pedido de Dilma, ainda que ela tenha sido informada da parceria pernambucano-paulista. E não vetou. Se o governador estivesse de olho apenas em fortalecer o PSB em São Paulo, poderia ter retido Chalita, que aliás tem linha direta com o Geraldo Alckmin. E o PSB está no governo Alckmin.

Mas Campos preferiu abrir um caminho com Kassab, em São Paulo e nacionalmente. Pode ser no futuro uma plataforma de alianças, para o que for. Para pleitear uma vice. E também para alavancar um projeto presidencial próprio, no qual será bom ter uma perna mais liberal.

Todo partido de esquerda com projeto de poder tem isso no Brasil, então o PSB parece estar atrás de conseguir o seu aliado “à direita”.

Mas em que base poderiam se assentar outros projetos que não os da dupla tradicional PT-PSDB?

Em primeiro lugar, no crescimento do impulso renovador já exibido na enxurrada de votos dados a Marina Silva no primeiro turno ano passado. Em segundo, na dúvida sobre se o campo PSDB-DEM-PPS estará íntegro até a sucessão presidencial.

Dos políticos brasileiros que não estão na oposição a Dilma, Campos foi quem ofereceu as declarações mais simpáticas ao recente e polêmico artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sobre o papel da oposição.

Primazia

Lula pode reivindicar que quando Barack Obama decidiu dar um passo além nas propostas para o conflito árabe-israelense se inspirou numa iniciativa do ex-presidente brasileiro.

Obama ajustou a estratégia americana para, pela primeira vez, afirmar que as fronteiras da Palestina devem ter como referência os limites entre Israel e os vizinhos imediatamente antes da guerra de 1967.

Quando, no fim do governo dele, Lula reconheceu a Palestina, foi algo mais assertivo, disse que as fronteiras devem ser essas.

Obama colocou uma nuance, ao lembrar que o desenho final exigirá trocas territoriais, para ajustar a demografia.

Mas a posição, na essência, é a mesma.

É óbvio que os limites precisos entre os dois países do Oriente Médio serão fruto de negociação, um dia.
Vale porém a posição política.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada neste domingo (22) no Correio Braziliense.

@alonfe

youtube.com/blogdoalon

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4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Quem colocaria azeitona na empada de Lula? O PIG?
Créditos positivos não são pauta da editoria dos "quatro grandes".

domingo, 22 de maio de 2011 15:27:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

No caso do OM, o posicionamento de Lula sempre foi o de, ao que parece, colocar fogo e não de apaziguar. Isso pelo raciocínio esperto, cheio de viés anti-EUA e respingando em Israel. Assim jamais seria considerado um bom mediador de uma crise com o potencial explosivo, literalmente, que possui. O OM não é lugar para aprendizes de estadistas. Embora possa parecer correta a defesa de fronteiras pré-1967, como o fez, na realidade, juntou-se ao que muitos já pregavam antes mesmo dele ser político de algum realce. E de entender algo de OM. Assim, não falou novidade alguma sobre a Palestina. Quase criou mais problemas do que teria ajudado em solucioná-los, por declarações viesadas que fez.
Swamoro Songhay

segunda-feira, 23 de maio de 2011 15:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

É um jogo duro com seus primeiros movimentos. Mas, já dá para vislumbrar os primeiros ruins de bola. O governador pernambucano, já larga como favorito ao troféu perneta, se considerar a alternativa Lula para 2014. Seria humanamente impossível crer que ele acreditaria que o ex-presidente toparia reivindicar a candidatura petista em 2014, como cabeça de chapa. Alijando a atual presidente. E em caso do ex-presidente entrar nessa bola dividida, que a atual presidente deixaria de escalar seus mais completos atacantes e peitar o jogo, de igual para igual. Será que o governador pernambucano conta com uma divisão forte no PT, em caso de um embate presidente atual x presidente anterior? Sem dúvidas, seria um sebastianismo extemporâneo e suicida. Não parece ser o caso do governador.
Swamoro Songhay

segunda-feira, 23 de maio de 2011 15:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Olá é a 3ª vez que encontrei o teu espaço online e reflecti imenso!Bom Projecto!
Cumps

terça-feira, 24 de maio de 2011 13:52:00 BRT  

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