quinta-feira, 12 de maio de 2011

Os próximos capítulos (12/05)

Espaço para a política sempre há. Como mostra o debate sobre o Código Florestal. Aliás, com a anemia da oposição, a polarização tende a procurar caminhos na base do governo. Se não há uma ameaça externa tão ameaçadora assim, não há tampouco a razão maior para uma coesão absoluta no governismo

O governo Dilma Rousseff largou com maiorias confortáveis na Câmara dos Deputados e no Senado, e a situação melhorou quando o PSD desgarrou do Democratas rumo à independência. Era a senha para a liquidação da resistência à hegemonia absoluta do Planalto.

E pareceu melhorar mais quando as dificuldades internas do PSDB evidenciaram o potencial de paralisia no maior partido de oposição, às voltas ele próprio com dificuldades nas composições regionais para a renovação das direções partidárias. E, principalmente, na composição nacional.

Escrevi outro dia que a oposição não nasce nos Legislativos, mas na sociedade. E que se o político cruza a fronteira não carrega automaticamente com ele os eleitores. Há certa tendência a considerar que o eleitor pertence ao eleito, mas é um equívoco. É mais o contrário.

É razoável considerar que a divisão social e política expressa nas urnas continua existindo. Há as pesquisas, mas seria pouco inteligente olhá-las como religião. Ano passado mesmo, a candidata de um presidente com 85% de bom e ótimo teve que amargar um segundo turno e nele viu a oposição levar 44% do eleitorado.

Espaço para a política sempre há. Como mostra o debate sobre o Código Florestal. Aliás, com a anemia da oposição, a polaridade tende a procurar caminhos na base do governo. Se não há ameaça externa tão ameaçadora assim, não há tampouco razão maior para coesão absoluta no governismo.

Um sintoma viu-se na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde governistas e oposicionistas convergiram para limitar a ação do governo nas medidas provisórias (MPs).

O pedaço mais drástico da proposta do senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi removido, será mantida a vigência automática das MPs, mas abriu-se um espaço de contenção dos movimentos discricionários do Executivo. Uma boa medida foi propor vetar que MPs tratem cada uma de mais de um assunto.

E assim segue o comboio. E seguirá. O governo pode desejar a paz dos cemitérios no Congresso Nacional, mas  a vida segue. E costuma ser mais forte.

Aguardam-se os próximos capítulos.

Receita

Um drama do governo no debate do Código Florestal são os compromissos assumidos pela então candidatura governista com o PV de Marina Silva no segundo turno da disputa presidencial.

Outro motivo de preocupação é a imagem externa do país, exatamente na ocasião em que o Brasil prepara um grande encontro global para marcar os 20 anos da Rio-92.

Acordos são para serem cumpridos, mas só devem ser propostos se houver condição de cumprir. Ou não?

Mas é preciso fazer justiça. O governo Dilma ficou com o abacaxi de desbastar a floresta legal ambiental herdada de outros governos. E não apenas do anterior petista. A construção vem de longe.

E a raiz da construção é bem conhecida: governos e políticos ilhados em Brasília, marcados pelo completo desconhecimento da realidade nacional. Mais preocupados com o que se pensa do Brasil lá fora.

É a receita do problema.

Piada

A Síria abriu mão de participar do organismo da ONU responsável por cuidar dos direitos humanos. Por motivos óbvios. Antes, a Líbia já fora excluída, por razões tornadas igualmente óbvias o longo do levante contra Muamar Kadafi.

Ao longo de anos, a participação de países com essas características num fórum supostamente encarregado de cuidar de direitos humanos foi recebida como natural, inclusive com o endosso do Itamaraty.

Uma visão que só agora, diante das revoluções árabes e da brutal repressão que enfrentam, passa a ser questionada.

A ONU funciona assim mesmo. Quem tem a maioria decide quem são os mocinhos, e os bandidos.

Sinceramente, não dá para levar a sério.

Bagunça

Já passou da hora de alguém -pode ser até a própria ministra- colocar ordem na bagunça do Ministério da Cultura.
Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta (12) no Correio Braziliense.

@alonfe

youtube.com/blogdoalon

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2 Comentários:

Blogger Luiz Marcos disse...

Sinceramente, fazer comparações utilizando "condições análogas ao trabalho escravo", é coisa de gente que não conhece o trabalho rural. Portanto a maioria dos políticos e comentaristas políticos, logo a realização do noveo CF, deveria ficar para os que entendem ou se dedixaram a entender do assunto, no caso dep. Aldo, que produzio não uma peça dos sonhos do ruralistas mas algo bom para o Brasil.

sexta-feira, 13 de maio de 2011 16:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mas, Alon, a atual presidente deveria ser apontada, sempre, como colhendo, sem trocadilhos, o que plantou desde 2003. Na questão ambiental, ela não parecia alinhavada com as ideias de Marina Silva sobre a transversalidade da questão ambiental. Ou da proteção de alguns bagres e sapos nos rios onde pretendia implementar hidrelétricas. Portanto, a base está ruindo, talvez, por não entender nada de meio-ambiente ou por ter confiado que a presidente entenderia.
Swamoro Songhay

domingo, 15 de maio de 2011 10:51:00 BRT  

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