domingo, 10 de abril de 2011

Um governo ou dois? (10/04)

Reforçar ainda mais o real ajuda no combate à inflação mas nos escraviza às importações. Enquanto isso, Dilma vai à China para trabalhar no sentido oposto. O que está valendo?

A presidente Dilma Rousseff chega aos 100 dias em boa situação nas pesquisas, com extenso apoio no Congresso Nacional e beneficiária da torcida. No mundo político, quem não está na situação quer entrar. Ou pelo menos ficar de bem.

A oposição? Por enquanto vai entretida no debate sobre como fazer oposição. Que é também uma maneira de não fazer. De empurrar com a barriga.

Tudo estaria bem, não fosse um detalhe. O governo encontra dificuldade para transmitir confiança na condução da economia.

Ainda não parece ter contaminado a popularidade, pois o crescimento segue e a inflação apenas ensaia o sprint.

Mas algo não vai bem.

O governo vinha sustentando a relação dólar/real nos 1,65-1,70. Para não agravar ainda mais as exportações e as contas externas, já amplamente deficitárias e dependentes da injeção maciça de investimento externo.

Mas nos últimos dias parece ter cedido à tentação habitual das duas últimas décadas: usar o real forte para conter os preços internos.

O que ameaça abrir uma rachadura e tanto na administração.

Do BNDES e dos ministérios “não monetários” a grita vem forte. Mas no lado que se convencionou chamar de equipe econômica a preocupação central voltou-se para os preços.

Que parecem dar pouca importância ao arcabouço macroprudencial, vendido pelo governo como medicamento capaz de proporcionar um retorno suave aos bons dias da inflação baixa.

Restringir o crédito não está, parece, sendo suficiente.

Como não foi suficiente conter agora o salário mínimo e as aposentadorias. Foi só cruel. Pois o compromisso legal assumido de um reajuste na faixa dos 14% para janeiro (7,5% do PIB/2010 mais 6,5% da inflação/2011) forneceu a âncora futura de pessimismo nas contas públicas.

Ainda que a inflação, como é praxe nesses casos, acabe ajudando pelo lado da receita.

O salário mínimo parece ter sido um trade-off duvidoso. Em vez de ficar de bem com a ortodoxia agora e com os pobres depois, ficou de mal com estes agora e com os ortodoxos, pelo visto, também.

Um pouquinho a mais de inflação para um pouquinho a mais de crescimento fazia parte do instrumental na luta política interna de uma Dilma chefe da Casa Civil e portadora da bandeira do desenvolvimentismo.

Mas a Dilma presidente sabe -ou vai saber um dia- que no Brasil inflação costuma ser o pior veneno dos governos.

Escrevi aqui tempos atrás que o tour do presidente do Banco Central pelos ambientes de macroformadores de preços e opinião não andava com cara de sucesso.

O BC procurou vender a perspectiva de que os 6,5% de inflação este ano vão recuar naturalmente para 4,5% em 2012. O resultado prático da blitz propagandística foi que pela primeira vez as projeções para o ano que vem embicaram para um ponto acima do centro da meta, passaram de 5%.

O mercado não é Deus, sempre é preciso medir o vetor das profecias autorrealizáveis, da turma que projeta cenários difíceis para pressionar o governo por mais juros. Mas o cerne é outro.

É saber por que encontram campo fértil para plantar pessimismo.

Talvez porque o governo e o BC estejam a transmitir sinais seguidos de tolerância à ascensão inflacionária.

Daí que a chapa tenha esquentado. E daí que a velha âncora câmbial venha sendo olhada com carinho.

Baratear as importações para esfriar a escalada aqui dentro. Um remédio com conhecidos efeitos colaterais. O mais vistoso é acelerar a desindustrialização.

Dilma vai à China buscar soluções para o desequilíbrio estrutural no comércio com os chineses. Para quem vendemos comida e minério de ferro e de quem importamos bens de maior valor agregado.

Na teoria, portanto, o governo está preocupado com o efeito colateral, quer impedir a destruição da indústria nacional.

É um só governo ou são dois?

Coluna (Nas entrelinhas) publicada neste domingo (10) no Correio Braziliense.

@alonfe

youtube.com/blogdoalon

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9 Comentários:

Blogger Briguilino disse...

O governo é um só. Agora o público são vários, por exemplo: Os agiotas do mercado com apoio irrestrito do Pig faz terrorismo para garantir mais juros via selic. E tem bastante vozes na mídia para dar razão a eles. Quanto ao povão ainda não foi contaminado com este virus inflacionário que se alastrou nas rodinhas dos poderosos. E somos nós que primeiro sentimos.

domingo, 10 de abril de 2011 12:25:00 BRT  
Anonymous Diego de Lareina disse...

Sobre futebol, Muricy Ramalho tem uma frase lapidar para quando "inventores" ferem de morte os princípios básicos do esporte:
"- A bola pune"!
Podemos adaptar isso a diversos conteúdos do mundo da economia; àqueles quem ferem de morte os princípios econômicos:
"- A inflação pune"!
"- O câmbio pune"!
"- O déficit orçamentário pune"!
"- A dívida interna pune"!
No final, "- A Urna Pune"!

domingo, 10 de abril de 2011 16:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

1) Se dependesse do que ainda chamam de "mídia" ou "pig", os resultados das pesquisas de popularidade, teriam ultrapassado uns 200%. Mas, como o ineditismo da jabuticaba, quanto mais falam bem e botam fé no novo governo, ou, melhor, em sua presidente, mais apanham.
2) Pelo andar da carruagem, a viagem para a China, vale mais pelo efeito simbólico do que de trazer qualquer efeito prático para a economia brasileira. Pode ser que depois, haja agenda para a Rússia, Índia e para a África do Sul. Um ciclo de visitas a um acrônimo criado por um analista das "rodinhas dos poderosos geradores de inflação para ter juros mais elevados", segundo algumas análises.
Juntando os dois aspectos, trata-se, sem dúvidas, de um só governo. A única realidade é que a inflação existe, mesmo.
Swamoro Songhay

domingo, 10 de abril de 2011 20:39:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, não creio que este governo use a valorização do Real para segurar os preços, estamos diante de desenvolvimentistas convictos, já aprendi a identificar a espécie. A entrada de recursos é tão grande que eles não conseguem mesmo deter a queda do dolar. Creio que o governo seguirá ampliando o controle da entrada de capitais (sempre justificando na insuficiência da medida anterior) indo mesmo a extremos como centralizar o câmbio no BACEN. Este governo quer crescimento e está pouco preocupado com a inflação, assim quer que setores tradicionalmente exportadores continuem exportando e não quer perder o mercado interno para fornecedores externos. Mas o fato é que uma mudança de fundo ocorreu com a ascensão da Ásia. O desenvolvimentismo nasceu em meados do século passado e partir da constatação de que a evolução dos preços ao longo dos tempos favorecia os produtos industrializados contra os básicos, a partir disso previa a estagnação econômica da América Latina se esta não conseguisse se industrializar. Bem, a evolução dos preços se inverteu... mas nossos desenvolvimentistas continuam apostando nos antigos setores (ou aqueles antigos setores controlam os mecanismos de fomento do Estado Brasileiro, tanto faz), então um ajuste na nossa matriz de produção deixa de ser feita e nós temos um motivo a mais para não crescer. O mercado, que seria o mecanismo mais adequado para fazer esse ajuste, que implicaria deixar alguns setores e buscar outros (não sei quais, nem o BNDES, muito menos o ministro Mantega, mas pode-se afirmar, não levaria à desindustialização) não é deixado funcionar, porque os preços internos estão distorcidos por subsídios. Assim, enquanto os amigos do poder ganham a base de dinheiro público, vemos filas de caminhões parados nas estradas carregando a safra recorde, que não tem infra-estrutura para ser escoada. E assim vamos jogando fora uma grande oportunidade de crescimento, ironicamente porque nossos desenvolvimentista estariam melhor na oposição.

segunda-feira, 11 de abril de 2011 10:47:00 BRT  
Blogger pait disse...

Sobre inflação e câmbio, o melhor é ler um post de hoje do blog do Krugman: http://krugman.blogs.nytimes.com/2011/04/16/inflation-here-and-there-wonkish/

Melhor ainda para o Brasil seria aproveitar a oportunidade oferecida pelos juros internacionais baixíssimos. Mas depende dos economistas com poder de decisão entenderem o ponto, o que pode não acontecer, mesmo depois da explicação do mestre.

sábado, 16 de abril de 2011 19:09:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Creio que não é tirando de "peixes
pequenos" como vetando diárias de servidores públicos, contratações e outras coisas,que a atual presidência irá controlar os gastos públicos, visto que no Senado a história sempre é inverssa, porque sempre a corda arrebenta no lado mais fraco?
Penso que enquanto isso não mudar o Brasil não é digno de nada, nem de sediar a copa do mundo,creio que tem que se controlar de perto a inflação, pois senão estamos sujeitos a voltar na época do Color...é lamentável, mas não me orgulho de ser Brasileira .

sábado, 16 de abril de 2011 20:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Caberia iniciar meu comentário reproduzindo o que eu disse em meu comentário de terça-feira, 29/03/2011 às 23h25min00s BRT para o seu post "A teimosia dos fatos" de sábado, 26 (ou 27)/03/2011. Lá eu disse:
"Muito bom o post, muito bom mesmo".
É claro que eu não fiquei só nos elogios, pois disse lá de coisas que eu senti faltarem ou de exageros que você teria dito tal como, referir-se ao que nesse post você chamou de:
"tour do presidente do Banco Central pelos ambientes de macroformadores de preços"
Como sendo um "road show de Tombini".
Como eu disse em comentário que enviei quarta-feira, 30/03/2011 às 00h23min00s BRT lá para o post "A teimosia dos fatos", "road show" ficou um tanto exagerado. No sentido de périplo que me parece foi o sentido que você quis dar a expressão e não de turismo, "tour" foi uma senhora evolução.
Na análise da inflação, você incorre no equívoco de querer equiparar o esforço do governo Lula para eleger Dilma Rousseff como equivalente ao esforço de Fernando Henrique Cardoso para se reeleger. Primeiro que a comparação correta não é com a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, mas com o esforço que fez o governo Itamar para eleger Fernando Henrique Cardoso. E segundo porque nunca mais na história desse país se fará esforço semelhante ao que se fez para implantar o Plano Real para acabar com a inflação de uma vez em ano de eleição para eleger um presidente que não fora sequer um presidente de um grêmio recreativo na juventude. Toda as crises do Balanço de Pagamentos do meado da década de noventa até os dois (Ou três) primeiros anos do Séc. XXI foram decorrentes daquele esforço. Não há crise semelhante se aproximando. A crise haverá, mas virá em 2014 e, com um pouco de competência, será de muito menor intensidade.
E que fique claro, o esforço do governo Lula foi em 2009. Em 2010, o governo retraiu, como os índices de crescimento econômico demonstram:
1º trimestre 2009 - crescimento negativo (Na verdade a economia já crescia naquele período, mas por efeitos comparativos com o trimestre anterior o crescimento foi negativo)
2º trimestre 2009 - 1,5% (Anual - 6,14%);
3º trimestre 2009 - 2,5% (Anual - 10,38%);
4º trimestre 2009 - 2,5% (Anual - 10,38%);
1º trimestre 2010 - 2,2% (Anual - 9,09%);
2º trimestre 2010 - 1,6% (Anual - 6,56%;
3º trimestre 2010 - 0,4% (Anual - 1,61%) e
4º trimestre 2010 - 0,7% (Anual - 2,83%).
Vê-se assim que nos dois últimos trimestres de 2010 o crescimento é pouco maior do que o crescimento populacional. O que está muito de acordo com os índices de inflação em 2011 tomados mês a mês que apresentaram até para os mesmos meses de 2010 valores em muito semelhantes.
Em relação à política econômica do governo Dilma Rousseff eu não a procuraria diferenciar muito da política econômica do governo Lula nem fazer diferenciação dentro do próprio governo da Dilma Rousseff.
Penso ainda que o comentário de Alberto de segunda-feira, 11/04/2011 às 10h47min00s BRT e a indicação feita pelo Paint do artigo de Paul Krugman no jornal The New York Times "Inflation, Here and There (Wonkish)" de 16/04/2011 e que está traduzido no blog do Estadão como "Inflação, aqui e acolá" de 18/04/2011 ainda que não tragam a solução ajudam um pouco ou servem para esclarecer o que está ocorrendo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/05/2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011 21:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Pensei até em comentar com o Paint sobre o artigo de Paul Krugman "Inflation, Here and There (Wonkish)" que ele indicou no comentário enviado sábado, 16/04/2011 às 19h09min00s BRT, mas as observações que eu tinha a fazer servem mais como continuidade ao meu comentário anterior para você.
No Blog do Estadão na versão traduzida do artigo "Inflação, aqui e acolá" de Paul Krugman e, portanto, mais fácil de entender e que se encontra no seguinte endereço:
http://blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2011/04/18/inflacao-aqui-e-acola/
Há duas passagens capitais que merecem transcrição. Na primeira ele faz uma reprimenda no governo chinês (e aliados) quando diz:
"Vale observar que quando esses governos tentam controlar a inflação espremendo a demanda em vez de deixar que suas moedas subam, eles não estão simplesmente se engajando num esforço eventualmente condenado; estão também ajudando a perpetuar a recessão em países avançados".
Bem aqui uma divergência com Paul Krugman. Não sou economista e se fosse não teria trabalho em qualquer área muito menos em Comércio Internacional para eu ser laureado com qualquer prêmio, mas desde o final da década de 80quando li os primeiros textos de Paul Krugman eu tenho recusado a aceitar a forma depreciativa como ele trata a política de desvalorização da moeda. Na época, em decorrência da maxidesvalorização da moeda de março de 1983 eu já havia assumido uma posição em defesa da moeda desvalorizada como mecanismo de incentivar as exportações e puxar o crescimento econômico pelo mercado externo.
De todo modo, como eu não estou a altura de rebater Paul Krugman é preciso reprisar duas partes importantes neste primeiro trecho transcrito do artigo "Inflação, aqui e acolá". Primeiro vale reprisar a referência dele ao esforço dos países em desenvolvimento de “espremer a demanda”. Aqui há o viés Keynesiano de Paul Krugman sempre a combater a redução da demanda que ele chama quase ofensivamente como “espremer a demanda”.
E outra reprise necessária refere-se à parte em que ele chamar esse esforço de “espremer a demanda” como um “esforço eventualmente condenado”. “Esforço eventualmente condenado” talvez quisesse apenas dizer “esforço eventualmente sem possibilidade de êxito”, mas o eventualmente parece dar esperança para esse esforço.
A segunda declaração dele e que colabora o que eu disse a respeito da inflação mensal em 2010 e em 2011 é a que se segue:
"O núcleo da inflação em março ficou mais baixo que o esperado, e muito se tem falado sobre isso. Mas realmente, quando se consideram dados de alta frequência, coisas acontecem. As pessoas que ficaram muito agitadas com um aumento dos preços vendo isso como o prenúncio de uma grande escalada inflacionária, estavam ignorando as lições da história de que altas súbitas da inflação geralmente se revertem sozinhas."
É claro que ele tratou lá de uma situação de alto nível de desemprego e no Brasil como os dados do Diese, do IBGE e do Caged demonstram estamos em um dos níveis mais baixo de desemprego.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/05/2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011 22:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (segunda-feira, 11/04/2011 às 10h47min00s BRT),
Discutimos junto ao post "A Alca cambial de Lula" de 09/04/2010 aqui no blog de Alon Feuerwerker. Partindo da minha concordância com o trecho do seu comentário de sábado, 10/04/2010 às 10h23min00s BRT em que você diz para Alon Feuerwerker que:
"Não há nada, na lógica da economia de mercado, que pudesse levar a concluir que é vantajosa a produção foguetes frente a produção de soja",
Eu procurei enfatizar que, embora concordando com essa sua idéia geral, pensava que a produção da agropecuária e a extrativista mineral (A extrativista mineral teria a vantagem de aumentar de preço à medida que as reservas fossem exaurindo) e vegetal apresentava limitações em especial no que concerne as necessidades alimentares que no máximo cresceriam no mesmo ritmo do crescimento populacional. Assim não penso que a demanda alimentar possa insuflar os preços das commodities alimentares favorecendo para sempre a relação dos termos de troca.
Há mais tempo eu defendia a idéia de que o Proálcool ou os biocombustíveis poderiam se constituir em fator importante para a recomposição dos termos de troca de nossa pauta da exportação. Aqui mesmo no blog do Alon Feuerwerker lembro que após um comentário em que eu defendia a importância do Proálcool no preço das commodities alimentares, houve quem supondo que eu fosse economista zombasse dos meus conhecimentos econômicos no comércio internacional. Recentemente, analisando com mais vagar e atenção os preços das commodities agrícolas, do petróleo, da taxa de juros e da inflação pude observar que o fator mais importante a definir o preço das commodities nos últimos 40 anos é a taxa de juro americana (Taxa real diga-se e não a taxa nominal). É esse o teor do meu último comentário enviado sexta-feira, 08/04/2011 às 00h36min00s BRT, para junto do post "Administração no varejo" de 07/04/2011 aqui no blog do Alon Feuerwerker.
Agora não concordo com você quando você diz:
"Este governo quer crescimento e está pouco preocupado com a inflação".
O governo de Dilma Rousseff sabe que a popularidade de Lula era decorrente da inflação baixa e da taxa de geração de emprego alta. Sabe que o governo atual não conta com todos os ingredientes que Lula contou para ter sido verdadeiramente surpreendente nesses dois objetivos. Nesse sentido até a crise de 2008 ocorrendo quando ocorreu foi favorável para o governo. Também foi favorável o juro alto do final do governo de Fernando Henrique Cardoso e o câmbio extremamente desvalorizado daquele período em decorrência segundo Fernando Henrique Cardoso do próprio Lula.
Sabe que governos democráticos não se sustentam com altas taxas de inflação.
E tem uma noção mais exata de que em regimes de metas de inflação, o cumprimento da meta e a meta muito baixa são fatores que reduzem o crescimento econômico.
Enfim, tudo que o governo pretende é achar o ponto ótimo. Exige mais trabalho do que o modelo que Lula adotou e diga-se de passagem que ele adotou esse modelo com maestria, pois colocou na presidência do Banco Central um presidente para inglês ver e deixou todos temerosos e avaliando como infrutífera qualquer pressão junto ao governo federal, pois o Banco Central era autônomo.
E não me pareceu factual o quase fecho do seu comentário quando você diz:
"Assim, enquanto os amigos do poder ganham a base de dinheiro público, vemos filas de caminhões parados nas estradas carregando a safra recorde, que não tem infra-estrutura para ser escoada".
Se fosse assim, talvez se pudesse dizer que a razão do aumento dos preços das commodities agrícolas é a falta de infraestrutura brasileira para o escoamento desses produtos, mas ao mesmo tempo tal dificuldade de escoamento se comprovaria na diminuição do volume exportado dos produtos primários e, no entanto, tal não acontece.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/05/2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011 23:59:00 BRT  

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