quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ou todos, ou ninguém (14/03)

Talvez seja impossível falar para o conjunto da sociedade sem conseguir falar para cada pedaço dela. Ainda que o pedaço não goste do partido. Ainda que ele hoje não vote no partido

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem o mérito de não esconder as ideias, e mantém o fio condutor a ligá-las ao longo do tempo. É um caso de intelectual que virou político e na volta à planície consegue combinar bem as duas maneiras de interpretar o mundo.

Errando ou acertando, FHC oferece matéria prima de qualidade para o debate.

O mais recente artigo do ex-presidente, publicado na revista Interesse Nacional, trouxe notícia. FHC prega a inutilidade de o PSDB disputar os movimentos sociais e o povão com o PT. É a notícia no texto, apesar de não ser talvez o "mais importante", ou o que FHC gostaria de destacar.

Notícia é sinônimo de novidade. Esprema-se o longo texto de FHC e sairá essa única novidade. As outras coisas todas ele já havia dito, algumas mais de uma vez.

Eis um detalhe que políticos têm muita dificuldade para compreender: jornalismo trata de notícias, não de informações organizadas por critérios, também subjetivos, de importância.

Se não houvesse no texto de FHC a referência ao povão, provavelmente a obra teria passado despercebida. Seria mais um texto, só que caudaloso.

Mas o debate em torno da notícia oferecida por FHC é bom. Num certo sentido, FHC ajudou a oposição. Expôs a principal dificuldade dela.

Desde sempre, o PT consolida a hegemonia ao operar a conexão entre o geral e o particular. Uma esfera faz concessões à outra, mas elas dançam juntas. Luta pelo salário mínimo, para redistribuir renda. Não é só para ajudar quem ganha o mínimo.

Quando é para arrochar o salário mínimo, explica pela necessidade de preservar a estabilidade e combater a inflação.

O PSDB ou o Democratas provavelmente dariam a mesma explicação. Por que então o PT consegue arrochar sem praticamente provocar reação? Por que tem mais legitimidade para pedir sacrifícios?

A tese mais simplista é a cooptação dos líderes dos movimentos sociais. Mas os líderes não vivem num universo paralelo. Se podem apoiar quase qualquer coisa que o governo petista faz é porque a base está de acordo.

Ou pelo menos a base acha que não seria boa a relação custo-benefício de trocar o comando.

Pois o PT tem crédito, acumulou crédito. Por ter defendido ao longo dos anos, com razão ou sem, com lógica ou sem, com oportunismo ou sem, com patriotismo ou sem, reivindicações setoriais, localizadas, fragmentadas.

Juntou assim seu capital político, fez a conexão entre, de um lado, o empenho para melhorar a vida de cada um e, de outro, a visão partidária de mundo.

O PT falava do grande milagre, mas não esperava sentado por ele.  Buscava no meio tempo pequenos milagres para melhorar o aqui e agora da turma que o apoiava.

Mas o PT só conseguiu o grande salto quando substituiu o "cada um" por "todos". Quando juntou todos os "cada um". Quando conseguiu dizer coisas não apenas para alguns pedaços, mas para todos os pedaços. Pobres e ricos, além das diversas cores do arco-íris da classe média.

Pois talvez seja impossível falar para o conjunto da sociedade sem conseguir falar para cada pedaço dela, sem exceção. Ainda que o pedaço não goste do partido. Ainda que ele hoje não vote no partido.

Isso vale sempre. E vale mais ainda num país marcado pela desigualdade, e no qual a busca da igualdade é um valor prático, e também simbólico.

No Brasil não há como ser nacional sem ser popular. Talvez um dia haja. O que quer o PSDB? Esperar sentado a chegada desse dia?

Esperar o PT completar a obra de inclusão para, a partir daí, do adensamento final das classes médias, buscar a volta ao poder com base na insatisfação dessas classes médias com o PT?

Precisaria combinar com o adversário, como disse um dia Garrincha sobre os russos/soviéticos.

Pois o PT não está dormindo. O governo Dilma Rousseff vai claramente orientado a reduzir a resistência nas classes médias.

Infelizmente para o PSDB, a vida não vai esperar o PSDB acordar.

Os sinais já são claros. Marina Silva teve 20 milhões de votos, mesmo com um tempo de televisão mixuruca. E o PSB se alimenta pelas beiradas, acumulando musculatura.

Medo

Personagens que a lógica diria serem amplamente favoráveis a um novo referendo sobre a proibição de armas de fogo surpreendem.  Agora são contra.

Uma hipótese é terem mudado de ideia.

Outra hipótese é estarem com medo de perder de novo.

Eu cravo a segunda alternativa.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta (14) no Correio Braziliense.

@alonfe

youtube.com/blogdoalon

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19 Comentários:

Blogger Briguilino disse...

Na minha medíocre opinião, FHC é a Ofélia da política brasileira. Mas, tem quem goste de ouvir, de ler as besteiras que ele diz e escreve e no dia seguinte desdiz [ já desdise o que escreveu ontem].

Tem mais, FHC é a Fhiena da política brasileira.

http://blogdobriguilino.blogspot.com/p/fhc.html

quinta-feira, 14 de abril de 2011 08:36:00 BRT  
Blogger MARCOS BICALHO disse...

Boa!! Sensato, sintético e didático.

quinta-feira, 14 de abril de 2011 10:41:00 BRT  
Blogger João Marcos disse...

As suas considerações têm consistência, contudo discordo em muito da sua análise.
A votação de Marina Silva se deveu, principalmente, pela classe média enxergar nela uma identidade de representação há muito perdida.
A classe média é a parcela da população que mais cresce no Brasil e conquistar o apoio dela é um passo firme para o sucesso eleitoral.

quinta-feira, 14 de abril de 2011 10:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Estamos criticando o PSDB, como antes criticávamos o governo.
O PSDB somos nós cambada!
Se o PT governa quem perde não é o PSDB, são todos os brasileiros.
Em vez de lutarmos pela oposição dos nossos sonhos, lutemos para derrubar o PT, como os petistas faziam quando a oposição era governo.
Não cabe a nós mudar a oposição. A NOSSA MISSÃO É MUDAR O GOVERNO!!

quinta-feira, 14 de abril de 2011 12:12:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

FHC é o sonho de consumo de todo governista.
É inacreditável o que ele ele escreveu na folha. E o que é pior, está sendo repercutido.
Cada vez que FHC escreve soa como um: Vida longa ao reinado petista.

quinta-feira, 14 de abril de 2011 14:10:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, nunca escondi a antipatia que sinto pelo presidente sociólogo, seu texto apenas confirma minha suspeita de que o PSDB é hoje o principal obstáculo para o surgimento de uma oposição competitiva. Ele enxerga o que me parece óbvio, e que tenho repetido obsessivamente no teu blog: há uma parcela ponderável do eleitorado que não está representado na disputa política hoje. As últimas eleições presidenciais me lembraram eleições para centro acadêmico no final do período militar, éramos todos de esquerda, éramos todos desenvolvimentistas, e já havia alguns alternativos... não se reproduzia na política a diversidade de opiniões da sociedade. O PSDB não é igual ao PT porque todos são políticos e políticos são ladrões, como quer o ex-presidente, é igual porque é ideologicamente próximo, pouco importando se parte dessa proximidade se deu com a apropriação pelo PT por bandeiras tucanas (ou, melhor dizendo, colloridas, não é mesmo?). Mas o PSDB é o pior partido para representar a nova classe média ou aquela parte da população mais distanciada da vida política. O PSDB, mesmo na oposição, ainda dá a direção justamente das zelites semi-letradas ligadas à política e à mídia. É o partido da corte, por definição, como poderia representar a plebe? Daí que, mesmo percebendo que existe vida para além da corte político-mediática, ele se perde nas referências a umas e outras. Como exemplo, cito um trecho: “Sem a treatralização que leva à emoção, a crítica – moralista ou qualquer outra – cai no vazio. Sem Roberto Jefferson não teria havido mensalão como fato político”. Ele pensa estar se referindo à plebe, mas de fato se refere à corte político-mediática, ao circo, que explorou o episódio até derrubar José Dirceu (depois cansou, é muito engraçado). Nas eleições o eleitor, onde conta a vida além da corte, Lula foi reeleito. O fato teatralizaddo empolga apenas as zelites. Mas não deixa de ser patético ver o político veterano atrás de bandeiras quando o atual governo está claramente dando um tiro no próprio pé, ao permitir o crescimento da inflação no início do governo, vai esfriar a economia quando? Às vésperas da próxima eleição? Não me surpreenderia se Lula se antecipasse à oposição em levantar essa bandeira.

quinta-feira, 14 de abril de 2011 17:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Tb discordo bte de suas considerações. Uma delas apenas: achar simplista a dificuldade do PSDB devido à cooptação do povo, bem como dos movimentos sociais pelo aparelhamento (no artigo vc menciona só a segunda parte), isso sim me parece simplista...

quinta-feira, 14 de abril de 2011 19:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Tb discordo bte de suas considerações. Uma delas apenas: achar simplista a dificuldade do PSDB devido à cooptação do povo, bem como dos movimentos sociais pelo aparelhamento (no artigo vc menciona só a segunda parte), isso sim me parece simplista...

quinta-feira, 14 de abril de 2011 19:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Tb discordo bte de suas considerações. Uma delas apenas: achar simplista a dificuldade do PSDB devido à cooptação do povo, bem como dos movimentos sociais pelo aparelhamento (no artigo vc menciona só a segunda parte), isso sim me parece simplista...

quinta-feira, 14 de abril de 2011 19:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

De fato, o PT hoje se beneficia de conquistas feitas antes por seus principais adversários políticos e essa avaliação feita por FHC é justa e correta. Porém, FHC é a meu ver o pior representante possível da oposição, uma vez que apegado a estereótipos do passado (que, aliás, sempre foram muito comuns nas hostes petistas), ocupando-se muito mais da imagem que projeta junto à sociedade que da busca de soluções efetivas para nossos problemas.

O caso desse engajamento dele na campanha de legalização da maconha a meu ver é emblemático. Parece que, à procura de uma causa e pressionado por segmentos mais radicais (no caso, à direita) ele aderiu a essa campanha indigna de olho nos holofotes e crente que renderia (como ainda insiste, anacronicamente, em acreditar) dividendos eleitorais que não renderam.

Às vezes penso que o Brasil precisa de uma oposição que ainda está para nascer. Até gosto de alguns representantes isolados da oposição, como José Serra, que achei corajoso e honesto com certos princípios nas últimas eleições, mas essa geração que formou o PT e o PSDB, a meu ver, não tem muito a oferecer mais.

O pior é que não há nada melhor surgindo no horizonte, pelo contrário, a tendência é piorar...

quinta-feira, 14 de abril de 2011 21:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O crepúsculo do príncipe...

Ismar Curi

sexta-feira, 15 de abril de 2011 14:22:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

FHC está correto. Aliás, mais uma vez está correto. Uma coisa clara, mas parece que fica propositalmente renegada, é que ele falou para a oposição e ao PSDB. O governo não cabe exigir o que e como deve a oposição se posicionar. Ao governo cabe, como no caso, temer a oposição. Sem saída, o governo vive de pinçar, mesmo sem ler ou entender o que foi escrito, aquilo que foi considerado ser "contra o povão" na análise de FHC. Como se fosse possível e crível, enxergar o "popular" desse governo e partido. No mérito, os governistas não apresentaram nada. Só recorreram aos chavões manjados de sempre. Ou seja, assume exatamente o papel de negacear, fingindo indignação, verdades que aparecem a cada dia. Desde 2003, talvez até antes, os hoje governistas, praticam esse jogo de cerca Lourenço para não ter de discutir o mérito dos temas. Cabe aos oposicionistas apresentarem e defenderem propostas, como o faz muito bem FHC. E cabe ao governo tentar "melar" o jogo, auxiliado por um anestesiamento e uma parcialidade que ainda não acabaram. A reação mostra que ainda, o governo, não assimilou o golpe. Ou seja, o fato de suas táticas e estratégias estarem sendo detalhadas e analisadas por FHC há tempos, com precisão cirúrgica. FHC é a pedra no sapato do governo, desde 2003.
Swamoro Songhay

domingo, 17 de abril de 2011 11:58:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

1) Quanto a um novo referendo, seria muito melhor caso os que poderiam apoiá-lo e passam ser contra, o fizessem por percepção de que seria um mero oportunismo. E mais profundamente, poderiam estar abrindo um precedente não muito interessante para nossa não tão nova Democracia.

2) Seria interessante também, que a polícia não declarasse "o caso encerrado", ou "o caso foi resolvido". Casos como este nunca estão "resolvidos", ou "encerrados".

Swamoro Songhay

domingo, 17 de abril de 2011 12:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (quinta-feira, 14/04/2011 às 17h59min00s BRT),
Ia iniciar o meu comentário aqui para este post "Ou todos, ou ninguém" de 14/03/2011 lembrando a minha resistência a Fernando Henrique Cardoso. Resistência que se iniciou ali no início da década de 70 com as leituras dos artigos dele que saiam no jornal Movimento ou no jornal Opinião.
Essa resistência tem crescido, mas não ao ponto de eu deixar de repetir que, entre um texto escrito por Fernando Henrique Cardoso e um texto escrito por Lula, mesmo com correção ortográfica, eu prefira o texto de Fernando Henrique Cardoso. Não que eu não admita e admire certa genialidade da linguagem de Lula na sua fácil interação com o povo. Fácil interação que eu exemplifico na frase dele sobre a inflação:
"A inflação essa (é uma) desgraça."
E gosto de a comparar com a frase do PSDB:
"A inflação é o mais injusto dos impostos".
A frase do PSDB é incompreensível para o povão e para quem ela é compreensível e entende um pouco de inflação e um pouco de impostos sabe que a frase, na melhor das hipóteses não tem como se provar verdadeira.
Há então muita coincidência no seu comentário com o que eu penso. Há a vantagem da qualidade dos seus escritos que em uma passagem pareceu-me soberba pela precisão e concisão. Trata-se do trecho em que você diz:
"O PSDB não é igual ao PT porque todos são políticos e políticos são ladrões, como quer o ex-presidente, é igual porque é ideologicamente próximo, pouco importando se parte dessa proximidade se deu com a apropriação pelo PT por bandeiras tucanas (ou, melhor dizendo, colloridas, não é mesmo?)"
A frase já me chamou a atenção pela crítica correta a Fernando Henrique Cardoso. E aqui gostaria de lembrar que não é só Fernando Henrique Cardoso que apresenta-se desenvolvendo essa crítica aos políticos (Talvez ele queira ser lembrado como sociólogo). No discurso de Aécio Neves do dia 06/04/2011 há a seguinte passagem:
"Não é interesse do País, por exemplo, a subordinação das agências reguladoras ao governo central, gestadas que foram para terem independência técnica e, pelo país, atuarem livres de pressões políticas."
O discurso de Aécio Neves pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.gustavocorrea25789.com.br/senador-aecio-neves-precisamos-estar-todos-a-altura-dos-sonhos-de-cada-um-dos-brasileiros/
Aliás, há muito tempo eu faço críticas às formas que os poderosos de uma época usam para se preservarem no poder ou então para se preservarem poderosos como dantes. Assim eu conto que antigamente, quando a nobreza dominava e indicava os dentre ela que deveriam ocupar os cargos públicos e percebeu que a burguesia em maior número iria tomar o poder, foi tratando de inventar os concursos para os cargos públicos (A nobreza sabia-se mais instruída e já rica com mais tempo para o estudo). Agora é a burguesia que percebe que o povão vai tomar o lugar dela e assim cria as agências reguladoras para ficar livre das pressões políticas.
Quanto a PT e PSDB serem iguais por estarem ideologicamente próximos, eu concordava com isso há mais tempo. Hoje, além de eu se os ver distanciando, começo a questionar um pouco sobre até que ponto eles se aproximaram no passado.
Com mais tempo eu discorro sobre essa rivalidade na política brasileira entre o PT e o PSDB.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/04/2011

terça-feira, 19 de abril de 2011 22:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (quinta-feira, 14/04/2011 às 17h59min00s BRT),
Mais um comentário para falar de sua análise. Muito do que eu já comentei e comentarei aqui neste post “Ou todos, ou ninguém” de 14/03/2011, eu poderia também colocar junto ao post “Aí fica difícil” de 19/04/2011 aqui no blog do Alon Feuerwerker.
Um ponto importante que eu tenho discutido sobre a rivalidade PT x PSDB é sobre a razão do PSDB está indo para a direita. É claro que o PT também vai para a direita e uma razão importante para que os dois partidos tomem essa direção é o fato do povo brasileiro ser bastante conservador. Há, entretanto, mais aspectos a serem analisados sobre o caminho que esses dois partidos percorrem, ainda mais que PT e PSDB fazem esse percurso em velocidades diferentes. Além disso, o PT invade área antes ocupada pelo PSDB enquanto o PSDB apenas se concentra na área mais à direita do espectro. Há um post bom sobre isso no blog do Rodrigo Vianna. Intitulado “PT rumo ao centro; e oposição na UTI” o post foi publicado sexta-feira, 25/02/2011 às 10:43 e atualizada sexta-feira, 25/02/2011 às 14:10. O endereço deste post é:
http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/pt-rumo-ao-centro-e-oposicao-na-uti.html
E transcrevo agora uma parte do meu comentário que eu enviei para junto do post “Comentando o discurso de Aécio - 5” de sexta-feira, 08/04/2011 às 12:04 no blog do Luis Nassif. O post foi montado a partir de comentário de Renato Janine Ribeiro e teve um acréscimo com base em um comentário de Jotavê enviado sexta-feira, 08/04/2011 às 11:21. Junto ao comentário de Jotavê que às vezes escreve aqui com o codinome JV eu enviei um comentário quinta-feira, 14/04/2011 às 01:54 um tanto extenso. O meu comentário está na primeira página do post no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/comentando-o-discurso-de-aecio-5
Em virtude dos limites dos caracteres dividirei este meu comentário em dois de modo a transcrever na segunda parte um trecho do comentário que eu enviei para Jotavê.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 20/04/2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011 14:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira-BH, 19/04/2011.

Acompanhando o que ocorreu no Brasil, de 1985 para cá, só por comodidade, não há hipótese de advogar uma junção do PT com quem quer que seja do espectro político. O partido não conseguiu concretizar nada do que efetivamente acreditava, ou aparentava acreditar: romper com todos os modelos anteriores no espectro político. O partido ainda pode querer demonstrar como funcionaria seu autoritarismo e isolamento, governando sozinho e implementando sua ruptura que até hoje ficou para as calendas. Melhor deixar o partido do governo onde sempre esteve.
Swamoro Songhay

quarta-feira, 20 de abril de 2011 15:43:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Tentar mandar hoje a noite
Alberto099 (quinta-feira, 14/04/2011 às 17h59min00s BRT),
Para discutir mais essa questão do posicionamento do PT e do PSDB no espectro ideológico brasileiro, transcrevo trecho do meu comentário mencionado no comentário anterior e enviado para o comentarista Jotavê no post “Comentando o discurso de Aécio - 5” de sexta-feira, 08/04/2011 às 12:04 no blog do Luis Nassif (Coloquei entre colchetes alterações ou correções que eu fiz no trecho transcrito):
“Pensei que eu já fizera algum comentário em que eu colocava você na companhia dos outros dois e mais alguns. Procurei no blog em hibernação de Na Prática a Teoria é Outra e no blog de Alon Feuerwerker, mas não encontrei nada semelhante.
Recentemente, no blog de Alon Feuerwerker junto ao post "A teimosia dos fatos" de sábado, 26/03/2011, diante de um belo achado do comentarista Ismar Curi que dissera a respeito de Alon Feuerwerker que ele [Ismar Curi] admirava o esforço de Alon Feuerwerker para equilibrar entre as ideologias tucanas e petistas, eu enviei quarta-feira, 30/03/2011 às 13h31min00s BRT um comentário com um trecho que eu transcrevo a seguir:
"Há muito eu faço referência para a semelhança de postura de Alon Feuerwerker e algumas outras personalidades que almejam o que você chama de “equilíbrio entre as ideologias tucanas e petistas." Evidencia isso parte de meu comentário (#51) de 15/04/2010 às 3:52 am (Numeração e data só aparecem quando não se baixa o intensedebate) junto ao post “Noblat e a Imensa Rede” de 14/04/2010 no blog de Na Prática a Teoria é Outra. No final (com um acréscimo que fizera depois) eu disse:
“De todo modo, para você e outros (E você está em boa companhia, pois posso mencionar aqui o Renato Janine Ribeiro, o José Eli da Veiga e o Alon Feuerwerker (Embora o Alon Feuerwerker nunca tenha explicitado uma expectativa e esperança que PT e PSDB se unissem)) que vivem pregando uma conciliação do PT com o PSDB, a situação vai ser cheia de revertérios nesses próximos 8 anos”. [A confusão do texto é minha culpa e também decorre de eu ter feito cópia sobre cópia]"
Eu pensei que havia enviado o comentário no blog de Na Prática a Teoria é Outra exatamente para você. Não foi e assim eu o envio aqui. Nos comentários que você fez para a série de posts [aqui no blog de Luis Nassif] analisando o discurso de Aécio Neves não me pareceu que você tenha reassumido a sua feição PSDBista PTista, mas vez ou outra leio alguma coisa sua com essa característica e assim fica aqui neste post "Comentando o discurso de Aécio - 5" de 08/04/2011 às 12:04 [o que eu pretendia dizer para você].
[Bem], eu antes imaginava que havia certa semelhança na ideologia dos dois partidos, [mas] como a disputa para a presidência da República girou em torno das candidaturas dos dois partidos, o PSDB encaminhou muito para a direita e a união dos dois partidos para mim fica cada vez mais difícil.
[E outra], a idéia que no início o PT e o PSDB estavam muito próximos e que essa proximidade pudesse ser recuperada ficou um pouco abalada quando li o artigo "A institucionalização do PSDB entre 1988 a 1999" de Celso Roma saído na Revista Brasileira de Ciências Sociais, Febrero Vol. 17 Num. 49 de 2002 e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://redalyc.uaemex.mx/pdf/107/10704906.pdf
No artigo há uma descrição muito forte do PSDB já nos primórdios como um partido de direita.”

É claro que a academia toma partido, mas não ver indícios em um trabalho de pesquisa como esse do Celso Roma talvez não seja a melhor postura.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 20/04/2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011 20:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Creio que mandei dois mais comentários para este post "Ou todos, ou ninguém de quinta-feira,14/03/2001. O primeiro na seqüênia ao comentário de terça-feira, 19/04/2011 às 22h50min00s BRT que eu fiz para Alberto099 e o outro anterior ao meu último comentário enviado também para Alberto099 quarta-feira, 20/04/2011 às 20h51min00s BRT.
Vou enviá-los novamente, pois acredito mais em problemas de conexão, uma vez eu não tenha visto razão para terem sido censurados.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/04/2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011 14:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (quinta-feira, 14/04/2011 às 17h59min00s BRT),
Tento reenviar esse comentário, enviado anteriormente após meu comentário enviado terça-feira, 19/04/2011 às 22h50min00s BRT. Pensara serem dois, mas achei só um.
Mencionei que pretendia discorrer sobre a rivalidade do PT com um PSDB porque não só pretendia indicar alguns posts onde eu já havia abordado esse assunto como também porque queria indicar o quanto eu concordo e discordo de você dizer que (Os termos entre colchetes são acréscimos meus)
"[O PSDB] é igual [ao PT] porque é ideologicamente próximo, pouco importando se parte dessa proximidade se deu com a apropriação pelo PT por bandeiras tucanas (ou, melhor dizendo, colloridas, não é mesmo?)"
O primeiro comentário que eu queria mencionar foi destinado originalmente para o blog de Alon Feuerwerker junto ao post “The Economist: economia para baixo, sucessão disputadíssima” de 26/02/2009, mas como, por motivos desconhecidos, não fora publicado, eu resolvi colocar no antigo blog de Pedro Doria. Meu comentário (#252) enviado em 27/02/2009 às 14h14, está na página de frente do post “O Brasil no freio” de 25/02/2009 às 15h13, tratando da mesma reportagem da revista The Economist que fora o motivo do post no Blog de Alon Feuerwerker e pode ser visto no seguinte endereço:
http://pedrodoria.com.br/2009/02/25/o-brasil-no-freio/
Do meu comentário eu retiro essa passagem:
“ Não era, entretanto, sobre a questão econômica que eu desejava falar. Minha intenção era relembrar sobre os milhares de comentários que eu tenho encaminhado para os blogs nos últimos três anos, mostrando que a política brasileira foi apropriada pela USP e o processo democrático tornou-se um jogo de cartas marcadas. Mostrando também como o Serra pôde-se transformar de um candidato que não conseguia ir para segundo turno numa eleição no município de São Paulo a um candidato com vaga cativa no segundo turno da eleição presidencial. E como São Paulo saiu de uma condição de estado dividido entre quatro ou cinco candidaturas em 1989 (Afif, Covas, Maluf, Ulisses e o próprio Collor) para só uma em 2006 (Geraldo Alkimim). E como o PT e o PSDB se dividiram para reinar. E como a galera do PT e do PSDB se digladiam, enquanto os mandões de um e de outro tratam de manter entre eles o poder a qualquer custo. Só assim se explica a revista ter quase dois anos antes prognosticado os resultados das urnas de 2010.”
Ao omitir o nome de Lula como representante de São Paulo na eleição de 1989, eu cometi um erro. Na verdade, a frase deveria se mais ou menos assim:
“cinco ou seis candidaturas em 1989 (Afif, Covas, Maluf, Ulisses, Lula e o próprio Collor) para só uma em 2006 (Geraldo Alkimim).”
O que eu não explicitei na frase, mas que eu falava com certa freqüência, era que em 1989 quando a eleição foi solteira a disputa no segundo turno se dera entre dois nordestinos (Collor e Lula), já em 1994 quando a disputa era casada com a eleição para governador a eleição se dera entre dois paulistas (Fernando Henrique Cardoso e Lula). Era uma forma de eu fazer blague com uma questão importante: a força política que São Paulo adquiriu com a coincidência das eleições para presidente da República com as eleições para governador. E que se fortaleceu ainda mais com a Emenda da Reeleição.
Em meu comentário eu não falo de que o PT e o PSDB são de esquerda e que, portanto, a direita não está sendo representada, mas isso está implícito quando eu digo que há uma espécie de conchavo entre o PT e o PSDB para se manterem no poder. Se os dois partidos fossem de ideologia diferente, o conchavo seria praticamente impossível.
Há um pouco mais para ser dito que certamente excederia o limite de caracteres e assim eu deixo para complementar em um próximo comentário.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 03/05/2011

terça-feira, 3 de maio de 2011 08:20:00 BRT  

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