terça-feira, 19 de abril de 2011

Aí fica dificil (19/04)

Um olhar rigoroso sobre a política brasileira indica que o clientelismo derivado dos programas sociais é uma suposta verdade ainda em busca de comprovação. Os pobres não são diferentes dos ricos ou da turma que fica no meio da escala social
 
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu mal às duras críticas disparadas contra o texto dele publicado na edição mais recente da revista Interesse Nacional. A faceta de espetáculo da polêmica já envelheceu um pouquinho, mas o cerne do debate é atualíssimo.

Então vale a pena continuar a discussão.

Qual é o núcleo da argumentação do ex-presidente tucano? Que o governo do PT instituiu por meio das diversas políticas públicas uma rede de clientelas, especialmente no povão mas não só, e que é inútil o PSDB disputar essa base social com o PT.

Em vez disso, diz FHC, a oposição deveria buscar preferencialmente a nova classe média. Que, recém saída da base da pirâmide, bate de frente com o déficit de cidadania, de oportunidades, de bem estar.

Na esteira do artigo do ex-presidente tucano, já foi bem dissecado o equívoco de imaginar uma descontinuidade entre o povão e a classe média. Signifiquem o que significarem esses dois elásticos conceitos.

O Brasil não é uma sociedade de castas, é um país de mobilidade social cada vez mais intensa. As classes conectam-se por largos vasos comunicantes.

Mas o ponto da polêmica talvez seja outro. É mesmo verdade que os programas de combate à pobreza quando conduzidos por governos do PT criam uma clientela política? Se for verdade, será razoável concluir que os conduzidos pelo PSDB também criam.

Ou por acaso as campanhas eleitorais dos políticos do PSDB que implementam programas sociais pedem encarecidamente ao povo que não vote neles, para não dar a impressão de clientelismo?

O absurdo do parágrafo anterior é um sintoma de que talvez a premissa esteja errada.

E se estiver, terá sido ótimo FHC levantar a lebre, para que possa ser devidamente abatida. Como disse na coluna anterior sobre o tema, talvez tenha sido a maior contribuição do texto à luta da oposição.

Um olhar rigoroso sobre a política brasileira indica que o clientelismo derivado dos programas sociais é uma suposta verdade ainda em busca de checagem.

Os pobres não são diferentes dos ricos ou da turma que fica no meio da escala social. Votam nos governos de que gostam e votam na oposição quando não gostam do governo.

E é absolutamente cidadão que o eleitor beneficiado por um forte aumento do Bolsa Família ou do salário mínimo escolha os candidatos que julga mais confiáveis para continuar as políticas com as quais concorda.

Nada a ver com clientelismo.

Os programas de renda mínima levam em certas situações o trabalhador a preferir não aceitar uma proposta de emprego de baixíssima remuneração?

Paciência, melhorem as ofertas. Se não podem pagar um salário decente, se a rentabilidade exige trabalho degradante, talvez seja melhor então repensar o negócio.

Situações particulares não permitem concluir que o Bolsa Família e outros programas de transferência de renda criam dependência ou geram acomodação.

Se mesmo quem já tem muito quer sempre ter mais e viver melhor, por que o muito pobre que não tem quase nada vai se acomodar só por receber algum dinheirinho do governo todo mês?

Mais provável é que esse dinheirinho sirva para criar cidadania, e não dependência. Que pai não quer para o filho uma vida melhor e horizontes mais amplos do que ele próprio teve?

A grande sacada dos programas sociais é dar condições de progredir na vida a quem não conseguiria sozinho executar o primeiro passo.

Uma parte da oposição tem relação crítica e dividida com os programas sociais. Uma hora diz que os criou, para em seguida engrossar o caldo de quem vê automaticamente demagogia quando o governo —qualquer governo — se atreve a propor mais repasse de dinheiro público para os pobres.

Estes primeiros meses de governo Dilma Rousseff são um cenário da contradição.

Com a inflação bombando, o crescimento indo bem e a receita adicional decorrente das mandracarias no câmbio, os números mostrarão ao longo do ano que teria havido dinheiro suficiente para pagar bem mais do que R$ 545 de salário mínimo. E também para dar aumento real aos aposentados.

Mas quando os bons números dos impostos aparecerem, o que você acha que o PSDB vai cobrar do governo? Vai dizer que o governo mentiu quando disse que não haveria recursos para um mínimo maior? Ou vai saudar o cumprimento do superávit primário e dizer que isso comprova a continuidade da política econômica de FHC?

Aí fica mesmo difícil falar com o povão.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta terça (19) no Correio Braziliense.

@alonfe

youtube.com/blogdoalon

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16 Comentários:

Anonymous Rodrigo N disse...

Há um erro de interpretação aí.

"Qual é o núcleo da argumentação do ex-presidente tucano? Que o governo do PT instituiu por meio das diversas políticas públicas uma rede de clientelas, especialmente no povão mas não só, e que é inútil o PSDB disputar essa base social com o PT."

FHC não falou isso.

Falou isso:

"(...) o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil"

Há uma diferença brutal entre políticas pública e cooptação e aparelhamento de centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil.

Concordemos ou não com o que o presidente disse. Só não tiremos do contexto. Coisa que 85% da mídia fez através de suas dezenas de colunas e artigos "explicando" o que FHC quis dizer, como se fosse necessário que o artigo original demandasse notas de rodapé.

segunda-feira, 18 de abril de 2011 23:04:00 BRT  
Blogger CrápulaMor disse...

Ah, por favor, Rodrigo N. Constrangedor foi o número de artigos midiáticos defendendo, mais do que isso, idolatrando FHC. Escrevi sobre, quem precisar constatar: http://crapula-mor.blogspot.com/

Por todo o artigo do FHC, fica clara a proposta política-eleitoral de construir certa ascendência sobre a nova, crescente e já majoritária classe média, posto que isto seria mais estratégico para "as oposições". As classes mais baixas, a partir do tucano, não trariam grandes resultados para o PSDB. Eloquente que um ex-presidente se permita o luxo de dispensar as classes mais pobres, enquanto outro considera estas a própria razão de ser do país.

FHC nem tenta, desiste de largada, acha que já perdeu a batalha. Exatamente porque admite a premissa de que estes segmentos mais excluídos já estão cooptados. Se pelo menos fossem esclarecidos e letrados o suficiente pra perceber o quanto o PSDB é superior, não é? Não adianta, parte da elite brasileira nunca vai aceitar a pertinência da trasferência de renda em massa. Instrumento promotor de cidadania, sim, cujos resultados já comprovam o sucesso econômico e democrático deste tipo de política pública.

terça-feira, 19 de abril de 2011 05:00:00 BRT  
Anonymous Rodrigo N disse...

Com todo respeito, mas li ao menos 7 ou 8 colunas que, em algum momento, diziam: "...o que FHC quis dizer é...". Enfim, há diferentes opiniões na mídia mas muito pouca gente debatendo a essência do artigo. E é isso que me incomoda: reduzir uma ampla, profunda e pertinente análise sobre qual deveria ser o papel da oposição a simplesmente uma frase fora de contexto: "não falemos com o povão".
De mais a mais, ao apontar a nova classe média (seja lá o que isso signifique) como foco prioritário de diálogo, FHC não sugere a exclusão de ninguém.
Partidos escolhem a “parte” da sociedade com a qual pretendem propor questões gerais para a sociedade.
Não compreende isso quem não quer. Ou quem prefere pinçar uma frase, tirá-la do contexto e interpretá-la como melhor lhe convém.

Um abraço.

terça-feira, 19 de abril de 2011 10:30:00 BRT  
Blogger Helô disse...

O Rodrigo está certo, Alon. O Fernando Henrique apenas lembrou que o Brasil mudou, que existe uma nova classe média com anseios mais parecidos com as bandeiras do PSDB do que do MST. É o que os sociólogos estão vendo, os economistas já previam desde 1950 (O Nixon não se aproximou da China com essa idéia, de que no longo o prazo o capitalismo cria cidadãos "como nós"? O Marshall Plan não parte do pressuposto de que se os europeus tiverem um reluzente carro na garagem, vai criar poucos problemas?), e é o que a gente nota na rua o tempo todo. As relações entre as classes não são mais paternalistas, hierárquicas como eram. Eu não acompanhei o debate em torno do artigo, só fui me inteirar agora, e realmente é um debate esquisito, pois o artigo é um clássico de FHC. Não brilhante, mas right to the point. Não elegante, mas claro.

No twitter o Diego reclamou do debate nhe-nhe-nhe sobre o artigo. Bom, acho que a bola está com vocês. Se existe aí uma demanda por de fato comparar os dois governos, FHC e Lula, e o debate está pobre, por que não ir a fundo em alguns tópicos - educação, meio ambiente - e tentar aprofundar as discussões? Sobre o artigo em si, não há muito o que debater, é até um artigo óbvio.

terça-feira, 19 de abril de 2011 10:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Olha, FHC deveria periodicamente, republicar sua análise. Primeiro, porque acertou na mosca. Segundo, porque mais do que acertar na mosca, permitiria que muita gente que não a leu, pudesse fazê-lo. Terceiro, para continuar sendo a pedra no sapato do governo desde 2003. Quarto, não faria com que o PSDB explicasse o que seria ou não continuidade de seu governo, mas, faria com que o PT tentasse explicar porque nunca aplicou o programa que dizia ter. Quinto, deixaria cada vez mais claro que o ex-presidente, 2003/2010, rejeitou o programa do partido. Sexto, que nada mais transparece "povão", nos governos de 2003 até 2010 e nos primeiros meses de 2011. Seis já está bom. Mas, convém lembrar que o "povão", hoje, está muito parecido com oligopolistas. E com empréstimos no/do BNDES. Ou foi evolução de classe, migração, que não o foi, mesmo. Ou isso comprova que FHC, mais de uma vez, além de 1994 e 1998, está e continua certo.
Swamoro Songhay

terça-feira, 19 de abril de 2011 11:23:00 BRT  
Blogger BlogdoIlha disse...

Prezado Alon

Não sei porque, mas quando li sua matéria de hoje, me veio à mente aquelas frentes de trabalho da década de 1970, no sertão nordestino.

Milhares e milhares de sertanejos assolados pela estiagem buscavam, na base da pá e picareta, uma pequena remuneração que lhes servissem para mitigar a fome.

E a fome era grande. No trabalho, tenho um colega que viveu aquela época. Ele perdeu dois irmãos, ainda crianças, mortos pela fome.

Então, leio sobre os programas de renda mínima e, logo depois, sobre os índices de crescimento da classe média.

Daí, minha mente que gosta tanto de divagar, se lembra das aulas de química, da tal da energia de ativação, aquela que serve de impulso para que uma reação ocorra. Um pouco de energia a mais no sistema e, pimba! A reação começa e não para mais.

Não sei porque eu lembro disso tudo. Dever ser porque as coisas guardam mesmo uma relação entre si.

Talvez seja porque um programa de renda mínima funcione mais do que uma frente de trabalho. Quem sabe? Aguardemos as próximas estatísticas.

terça-feira, 19 de abril de 2011 12:01:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Alon,

Acho importante "concretizar" o argumento de que o Bolsa Família faz com que as pesoas recusem empregos.

O valor máximo pago no Bolsa Família é de R$ 242. Isso para uma família com renda familiar per capta menor que R$ 70, que tem no mínimo 3 filhos com menos de 16 anos e tem no mínimo 2 filhos com idades entre 16 e 17 anos. Ou seja, no mínimo 6 pessoas (contando com um responsável apenas)! E o valor que estas seis pessoas receberão é R$ 242.

Supor que isto desestimule o trabalho (cujo mínimo é de R$ 545) é brincadeira.

Abraços

terça-feira, 19 de abril de 2011 12:16:00 BRT  
Anonymous Fernando disse...

Curioso... Porque no interior do PR existem inúmeros casos de pessoas que não trabalham alegando receber bolsas que os fazem agir dessa forma.

Outro fator a ser considerado é que pra quem vive em miséria ganhar um salário mínimo é tirar na loteria, a não ser que estejamos aqui a falar do "mundo ideal".

O assistencialismo é palhativo, mas vá explicar isso pra quem passa fome, é óbvio que torna-se uma democracia de cabresto. Ou será que a parcela do Bolsa Família aumentou no último pagamento antes das eleições de 2010 por pura coincidência?

Mas acho essa discussão extremamente pobre em relação ao abrangente conteúdo dito por FHC.

Reduzir o debate a apenas um aspecto do que foi dito por ele, além de muitas das interpretações serem uma distorção grosseira, não leva a nada, mas talvez essa seja a intenção de alguns.

terça-feira, 19 de abril de 2011 17:45:00 BRT  
Anonymous @MyrianDauer disse...

E no entanto veja vc: Lula hj em reunião com o partido em SP, falando sobre estratégias eleitorais para SP, falou e-xa-ta-men-te o FHC disse em seu artigo!
E-xa-ta-men-te!
Não é engraçado?

terça-feira, 19 de abril de 2011 18:09:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Rodrigo N (segunda-feira, 18/04/2011 às 23h04min00s BRT),
A sua tentativa de mostrar erro de interpretação de Alon Feuerwerker ficou parecendo até como se você fosse um PTista que levantava a bola para os outros chutarem.
Do mesmo parágrafo de que você retirou a frase para contraditar Alon Feuerwerker eu vou aproveitar exatamente os exteriores até para mostrar que Fernando Henrique Cardoso é mais fachada. Então montando a frase só com os exteriores (Vou eliminar o conectivo "e" e introduzir a expressão "o governo" colocando-a entre parênteses) tem-se:
"Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque (o governo) dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias."
Para observar o limite de caracteres eu transcrevi o parágrafo sem a parte que você já havia transcrito, mas você pode bem fazer isso.
Eu sempre me considerei um social democrata próximo da ideologia dos fundadores do PSDB. O problema é que sempre duvidei de que o PSDB acreditasse nas teses que o partido professava e às vezes diz professar. Como pode ser democrata quem acredita que a população pode ser comprada? Sempre duvidei das máximas do PSDB: um partido fundado pela égide da ética (Para ingênuos, como os seminaristas do PT, essa idolatria da ética na política me é suportável, mas para intelectuais do nível dos fundadores do PSDB parecia-me que se tinha ali se não a profissão de crença para abuso da boa fé de outrem, a ideologia fruto do atraso da academia), um partido que defende que governo bom fica, governo ruim sai (É frase sem nenhuma comprovação), um partido que diz que a inflação é o mais injusto do tributo (Não é imposto, mas se ela for vista como tal como avaliar que ela é mais injusta que outros tributos?) sempre me pareceu pouco confiável.
O artigo de Fernando Henrique Cardoso intitulado "O Papel da Oposição", extenso como só ele sabe ser, é cheio de afirmações dessa natureza que qualquer exame mais cuidadoso mostraria o quanto ele é equivocado. Seja, por exemplo, a seguinte frase pinçada do artigo:
"A política de valorização do salário mínimo, que se iniciou no governo Itamar Franco e se firmou no do PSDB, virou glória do petismo."
Bem, já tive oportunidade aqui de mostrar que a recuperação do salário mínimo é um grande engodo do PSDB. Se nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, o Brasil tivesse acabado com a inflação vagarosamente e no percurso o salário mínimo tivesse o reajuste da inflação, no final do governo de FHC o salário mínimo seria maior. Veja a esse respeito o comentário que enviei terça-feira, 22/02/2011 às 08h32min00s BRT para o post "Um problema de lógica" de 20/02/2011 no seguinte endereço:
http://www.blogdoalon.com.br/2011/02/um-problema-logico-2002.html
No meu comentário eu mostro que se se utiliza o índice de abril de 1993 do IGP-DI (0,854) e o índice de março de 2002 (215,17), o salário mínimo que Fernando Henrique recebeu quando assumiu no Ministério da Fazenda em 19/05/1993, mês em que o salário mínimo fora corrigido para Cr%3.303.300,00, deveria ser corrigido para R$302,31 em abril de 2002, mês da última correção do mínimo no governo de Fernando Henrique Cardoso e, no entanto, fora corrigido apenas para R$200,00.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/04/2011

terça-feira, 19 de abril de 2011 19:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

É isso Alon, pelos comentários dá para você ter uma idéia de que seus leitores são bem mais tucanos do que qualquer outra coisa. Esse seu esforço de andar sobre a 'corda bamba ideológica tucano/petista' na verdade sempre vai ser interpretado como murismo, e, como o muro sempre foi lugar de tucano, daí você está sendo confundido, - ou interpretado, como uma 'cassandra tucana'.
Ismar Curi

terça-feira, 19 de abril de 2011 23:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O FHC errou, errou porque tentou humilhar o cidadão mais humilde acusando-os de ter se vendido pelo dinheirinho do bolsa familia, assim como no passado ele humilhou os aposentados chamando-os de "vagabundos". Errou pq fez diferença entre cidadão e povão, separando-os entre humanos e selvagens. É por estas e outras que o FHC não participou da campanha 2010 do José Serra.

terça-feira, 19 de abril de 2011 23:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Para eu não ficar excessivamente repetitivo, aqui neste seu post “Aí fica difícil” de 19/04/2011, deixo aqui apenas links relativamente ao artigo de Fernando Henrique Cardoso e destaco ainda que eu disse e pretendo ainda dizer mais algumas observações junto ao seu post anterior sobre Fernando Henrique Cardoso intitulado "Ou todos, ou ninguém" e datado de quinta-feira, 14/04/2011.
E para o artigo de Fernando Henrique Cardoso que recebeu o título de "O Papel da Oposição" indico a transcrição dele no Blog do Noblat onde eu o li, lembrando ainda que o artigo pode ser encontrado também no blog EAGORA do pessoal do PSDB.
O endereço no Blog do Noblat é:

E no site “eagora.com.br” o endereço do artigo é:
http://www.eagora.org.br/arquivo/o-papel-da-oposicao1
Há outros posts que bem valem ser mencionados aqui, mas talvez já o tenha feito junto ao post "Ou todos, ou ninguém" ou provavelmente ainda o farei em um ou outro comentário que enviarei para lá
Clever Mendes de Oliveira
20/04/2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011 13:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Anônimo-terça-feira, 19 de abril de 2011 23h34min00s BRT.

Com todo o respeito: isso tudo que escreveu é mentiroso, mistificador, mitificador, totemista e sem nexo.
Grato
Swamoro Songhay

quarta-feira, 20 de abril de 2011 15:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Errei em meu comentário de quarta-feira, 20/04/2011 às 13h31min00s BRT, na indicação do link no Blog do Noblat para o artigo de Fernando Henrique Cardoso "O papel da Oposição". O link correto é:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/04/12/o-papel-da-oposicao-374379.asp
Aproveito para indicar dois links relacionados com o artigo de Fernando Henrique Cardoso.
O primeiro refere-se à coluna de Dora Kramer "Exercício de liderança" que li no jornal O Tempo de hoje, 21/04/2011. O artigo fora publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo, mas não encontrando o link para os dois jornais, deixo então o link no jornal Gazeta do Povo:
http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1118413&tit=Exercicio-de-lideranca
No artigo a Dora Kramer chama atenção para uma entrevista recente de César Zucco no jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ela César Zucco:
"Falava sobre a influência eleitoral de programas assistencialistas e lá pelas tantas resumiu a ópera: os pobres de um modo geral são governistas."
Bem, interessei-me pela entrevista e não a encontrando no original deixo o link a seguir onde a encontrei:
http://oposicaoviva.wordpress.com/2011/04/18/blogdejensenbrazil-pobres-nao-sao-petistas-sao-governistas-entrevista-cesar-zucco/
No resumo introdutório da entrevista há a seguinte afirmação sobre os trabalhos de César Zucco:
"Constatou que, em 2006 e em 2010, quanto maior o porcentual da população atendida pelo programa em municípios de perfil semelhante, maior a probabilidade de voto no candidato do PT. Mas adverte: não há evidências de que os mais pobres tenham aderido ao partido. “O povão é governista.”
O que está em perfeita sintonia com a resposta de César Zucco à seguinte pergunta:
"Em artigo recente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o PSDB não deve buscar seu eleitorado no “povão”, porque ele já teria sido conquistado pelo PT. O senhor concorda?"
"No Brasil, e isso vem de muito antes do Bolsa Família, os pobre sempre votaram no governo – simplificando muito, é claro. . . . Sob esse ponto de vista, o Fernando Henrique Cardoso está certo. . . . Por outro lado, não é evidente para mim que o povão seja petista. O povão é governista."

Eu tendo a concordar um pouco com essa conclusão de o povão ser governista. Tenho, entretanto, três questionamentos em relação a essa informação. Primeiro, penso que a realidade de tendência de apoio ao governo pelo povo é mundial. Segundo não sei até que ponto a afirmação de que o povão é governista pode ser feita sob o aspecto financeiro. E um terceiro questionamento que consistiria em saber se, para o entendimento de povão com tendência a ser governista, não se deve incluir toda as classes sociais ou mais corretamente, toda a população.
Tenho duas razões para considerar que a tendência a ser governista deve englobar toda a sociedade e para considerar que o aspecto financeiro não é preponderante ou se preponderante é geral. Primeiro penso que a tendência a ser governista está correlacionada mais ao conservadorismo do que ao nível de renda. Pode até ser que as pessoas menos instruídas sejam mais conservadoras, pois tenho para mim que o conhecimento é iluminista. E como no mundo capitalista, o aumento do nível médio de escolaridade aumenta o nível médio de renda pode ocorrer de os mais pobres serem em média mais conservadores.
A segunda razão guarda relação com a Lei de Wagner. Segundo o economista Adolphe Wagner no final do séc. XIX a tendência é que à medida que as pessoas ficam mais ricas mais elas requerem melhores e mais serviços públicos. Dai quanto maior for a renda per capita de um povo mais que ele demanda por mais e melhores serviços públicos o que leva ao aumento dos gastos públicos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/04/2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011 10:55:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, embora eu seja francamente favorável a programas sociais, tenho de discordar do seu texto, porque acho que há, de fato, uma grande diferença na forma como cada partido explorou tais políticas. Ao dar continuidade a políticas qeu foram criadas no governo PSDB, o PT mostrou uma clara ânsia eleitoreira.

Seja na maneira como imediatamente relaxou nas chamadas contrapartidas, seja na expansão irresponsável para além dos segmentos mais carentes (que, portanto, faziam jus a tais políticas), seja no alarde que criou em torno de tais programas, inclusive assumindo o monopólio e autoria destes no imaginário popular, tamanho investimento em marketing e propaganda.

O problema é que o PSDB, embora se identificasse com essas políticas, tinha a simpatia de segmentos da população que rejeitam esse tipo de iniciativa. E com um discurso agressivo buscaram deslegitimar a distribuição de renda.

A crítica era até pertinente, a meu ver, no contexto do uso abusivo de programas sociais, com vistas claramente eleitoreiras, no governo petista. Porém, acabou repercutindo de maneira negativa também para o PSDB.

Inclusive porque parte do eleitorado que não se identifica com tais políticas considera o PSDB apenas o "mal menor". A propósito, eu também considero o PSDB o mal menor, mas por razões opostas.

Acredito que tanto o PT e o PSDB têm ranços da esquerda tradicional que me desagradam, embora eu seja uma simpatizante de vários aspectos da social-democracia. O PSDB mais do lado comportamental, o PT mais do ponto de vista de uma visão centralizadora do Estado.

E, quanto às demandas sociais da classe trabalhadora, acredito que a política educacional do PT oi extremamente falha e contribuiu para a degradação dos salários. Você falou em seu artigo que empresas devem repensar sua política salarial, com o que concordo, porém num cenário dominado pela diplomação em curso superior, quando o gargalo educacional do país é o ensino básico, o que se pode esperar se não a deterioração do nível dos serviços prestados e também dos níveis salariais, já que num mercado competitivo como o que vivemos a concorrência tende a se nivelar por baixo pelo critério de preços?

Nesse sentido, considero que as políticas sociais dos petistas foram, sobretudo, mal planejadas e imediatistas, sem vistas para o futuro, baseadas exclusivamente na ânsia por vitória nas urnas. Já o governo FHC, acho que, no conjunto, foi uma boa obra coletiva , apesar dos muitos erros cometidos, graças a contribuição de outras estrelas do partido e apesar do próprio FHC, que particularmente não acho grande coisa e acho que, como Lula, foi mais um mito fabricado pela imprensa.

quinta-feira, 21 de abril de 2011 18:57:00 BRT  

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