sexta-feira, 11 de março de 2011

Dogma autoritário (11/03)

Para que exatamente uma sociedade democrática, heterogênea, conectada e em busca de cidadania plena precisa de "partidos fortes"? Para que eles absorvam as prerrogativas da socIedade e dominem o Estado? É o que acaba acontecendo

A reforma política é o paraíso dos dogmas. Ou dos postulados. Aquelas coisas verdadeiras por definição, que vigoram pela fé. Ou pela conveniência. A primeira a serviço da segunda. Um dogma da reforma política é a necessidade de  fortalecer os partidos. É opinião de onze entre dez políticos e politólogos.

Será? Alguém já mediu a correlação entre a força dos partidos e o grau de democracia? À primeira olhada parecem variáveis razoavelmente independentes. E se houver algum elo, ele pinta pender para o mal.

Observe as ditaduras. Em todas há um partido forte. E quanto mais forte, mais ditadura. Já nas democracias os partidos costumam ser fortes na época da eleição e enfraquecem entre uma e outra ida às urnas. São ajuntamentos eleitorais.

No Brasil isso de ser ajuntamento eleitoral virou defeito. Sintomático.

Não à toa as revoluções democráticas contemporâneas desenham-se como movimentos difusos em desafio ao poder de um partido, ou líder. O que no fim dá na mesma. Pois são movimentos que contestam a concentração do poder em países onde o partido/líder cristaliza e personifica o monopólio do poder.

Para que exatamente uma sociedade democrática, heterogênea, conectada e em busca de cidadania plena precisa de "partidos fortes"? Para que eles absorvam as prerrogativas da sociedade e dominem o Estado? 

É o que acaba acontecendo

A fascinação pelos "partidos fortes" é mais uma herança da reação conservadora desencadeada em contraposição aos avanços introduzidos pela Assembleia Constituinte de 1987-88. Reação que algumas vezes se disfarça de "ética", outras vezes de "busca da eficiência", mas cujos propósitos profundos são visíveis como o rabo do gato supostamente escondido.

De tempos em tempos a reação conta com o apoio das forças políticas em melhor posição para aspirar ao poder absoluto. E dos ingênuos que gostam de oferecer ao poder instrumentos discricionários, que estarão disponíveis numa eventual troca de guarda. 

Costumam não perceber que esses instrumentos dificultam a troca de guarda.

Conversava outro dia com um deputado, dos bons, que me fez observações. Seguem abaixo.

"Eu tive votos, tenho eleitores. Por que preciso seguir cegamente a orientação de um presidente de partido que não tem voto, se se candidatar não será eleito, é só alguém que controla um cartório, só tem um cargo porque ganhou da presidente da República, e em troca do meu voto? Por que eu não posso votar com minha consciência, com a vontade dos meus eleitores, por que tenho que me sujeitar a receber um telefonema antes da votação, com a ameaça velada de que vou ser punido se não seguir a 'orientação partidária', que aliás nunca foi discutida?"

É uma síntese quase perfeita dos impulsos que movem os desejos do poder pela reforma política.

Talvez a coisa devesse enveredar pelo rumo oposto. Uma boa ideia será permitir candidaturas avulsas para todos os cargos executivos e legislativos. Outra boa ideia --que tem chance ainda menor de emplacar-- é obrigar os partidos a seguir mecanismos rigorosamente democráticos na escolha dos dirigentes e candidatos. Assunto aliás sempre repisado aqui.

Perfil

Quem conhece o prefeito Gilberto Kassab diz que ele não dá um passo sem a ajuda de pesquisas. E as pesquisas do prefeito indicam forte demanda por renovação política na cidade de São Paulo. Renovação para valer.

Daí que o prefeito deixe vazar a preferência por um nome novo e com trânsito nas organizações sociais. Até aí nada de mais. 

O problema está no nome. As pesquisas também levam a concluir que o político mais bem encaixável no figurino é o deputado federal Gabriel Chalita, do PSB e próximo da presidente Dilma Rousseff e do governador Geraldo Alckmin.

O mesmo Chalita que ameaça sair do partido se Kassab entrar.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta sexta (11) no Correio Braziliense.

@alonfe

youtube.com/blogdoalon

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo

21 Comentários:

Blogger pait disse...

"Fortalecer os partidos políticos" no Brasil pelo que lembro é uma bandeira da esquerda, que tem o hábito de dizer o sistema político no Brasil é defeituoso porque os partidos não têm ideologia bem definida. Estou errado?

sexta-feira, 11 de março de 2011 00:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Não entendi. Nos EUA, na Inglaterra e na Alemanha os partidos são fortes.

sexta-feira, 11 de março de 2011 10:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ei, anônimo, o Alon tem razão. Não são "fortes" no sentido descrito pelo texto. Eles não dominam o Estado nem são propriedade particular de ninguém. Nem impedem e democracia interna.

sexta-feira, 11 de março de 2011 10:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sem partidos fortes quem manda é a burguesia, que tem seus mecanismos para controlar o poder. E é bom que um partido de esquerda como o PT tome o estado por dentro, pois isso ajuda a equilibrar a política. Alternância no poder é um conceito burguês.

sexta-feira, 11 de março de 2011 15:49:00 BRT  
Anonymous Edu Bastos disse...

Qual é o problema de um partido mandar no Estado? Se a elite quer continuar mandando ela deve construir também um partido forte para disputar o poder dentro da máquina estatal.

sexta-feira, 11 de março de 2011 15:51:00 BRT  
Blogger Briguilino disse...

Eu sei jogar bola, tenho admiradores. Por que preciso seguir cegamente a orientação de um tecnico de futebol que não sabe jogar bola, se entrar em campo é vaiado, é só alguém que treina a equipe, só tem o cargo porque ganhou do presidente do clube, e em troca do meu futebol? Por que eu não posso jogar sozinho com minha consciência, com a vontade dos meus fãs, por que tenho que me sujeitar a treinar antes do jogo, com a ameaça velada de que vou ser substituido se não seguir a 'orientação tecnica', que aliás nunca foi discutida?

sexta-feira, 11 de março de 2011 16:27:00 BRT  
Anonymous Thiago Pinheiro disse...

Partidos fortes são uma conquista popular contra a ideia liberal de que a política possa ser exercida por individuos notáveis(o que significava membros da classe dominante). Só se alcançou a democracia na modernidade quando aqueles desejosos de participar dos destinos de seu país se organizaram coletivamente. Assim surgiram os partidos de massa que não gravitavam na órbita de um ilustre, mas de um programa político. Há quem interessa partidos fracos? Apenas aos poderosos economicamente para fazer prevalecer seus interesses egoistas contra a cidadania.

sexta-feira, 11 de março de 2011 17:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Com perdão pela brincadeira, mas o prefeito precisa mudar de instituo de pesquisa. Ou sequer realizar pesquisas. Se fosse para chegar nesse nome, não precisaria de pesquisas. Bastaria ver o mapa das últimas eleições. Poderia dar tanto o nome citado, como o cômico artista campeão de votos que, ainda de lambugem, elegeu mais dois ou três da coligação que engendrou sua candidatura governista. E para chegar a alguém próximo da presidente, seria só ver quem gosta muito de omeletas. Não precisaria de pesquisa alguma para tanto.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 11 de março de 2011 17:14:00 BRT  
Anonymous nelson disse...

Partido forte é o PRI mexicano, é o Justicialista, dos peronistas de esquerda, direita e centro. Se "fracos" os nossos partidos já fazem o que fazem, imaginem fortes ... Pelas candidaturas avulsas ! Pela liberdade ! Pela independencia ! Quem precisa de líderes ? Serão esses politicos brasileiros ? ( gargalhadas )

sexta-feira, 11 de março de 2011 17:25:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Partido forte ou essa tal de elite, então, não seriam as mesmas coisas? Só esses conceitos de tomar o Estado por dentro, mandar no Estado, já demonstram a tendência de mandonismo, indicador de caminhos, timoneiro, líder de massas e outros despropósitos mais do que avoengos. Líder de massas é o trigo. Indicador de caminhos pode ser também dedo duro, como diz o samba de Bezerra da Silva. Timoneiro é quem dirige navios. Assim, a ideia do post está adequada. Tomar o Estado é coisa de assalto, invasão, arrastão. Há realmente uma tendência autoritária nisso tudo. E autoritarismo não serve para nada.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 11 de março de 2011 17:27:00 BRT  
Blogger Kaiser Dias Schwarcz disse...

Alon, você tem que colocar um link em cada publicação sua para porder citar em outros sites.

Obs: O anônimo aí embaixo do "alternância no poder é um conceito burguês" vive no século XIX né.

sexta-feira, 11 de março de 2011 19:13:00 BRT  
Blogger pait disse...

Posso interpretar os comentários acima com confirmando minha tese de que é a esquerda que defende partidos fortes? Nos Estados Unidos os partidos não são fortes. Os deputados votam como querem e os candidatos são escolhidos pelo eleitor através de primárias, não pelos partidos.

sexta-feira, 11 de março de 2011 19:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Creio que você confundiu. O que é mais democrático a existência ou não de partidos políticos? A resposta talvez lhe dê razão a você colocar o Irã ao lado das ditaduras árabes e que eu tenho de certo modo rebatido na discussão que eu tive aqui no seu blog junto ao post "As leituras” de quinta-feira, 27/01/2011 e junto ao post " Narrativas obsoletas” de quarta-feira 09/03/2011, só para ficar em posts mais recentes. Avalio o Irã como menos democrático por não ter partido político.
A idéia de toda a sociedade estar junta em um feixe seja em um partido único seja sem partido não é democrática e viceja tanto no fascismo que eu chamo de fascismo intelectual (Neste mais como um partido único) como no fascismo que eu chamo de fascismo das pequenas coisas (Aqui mais como pela ausência de partido).
Onde mais facilmente vai morar o fascismo das pequenas coisas (O fascismo de quem é contra os direitos humanos para bandidos, o fascismo dos linchamentos, o fascismo do machismo, o fascismo do mando autoritário, o fascismo da idéia da corrupção disseminada na atividade política, o fascismo de cada um por si) é onde o homem comum mais foi instruído a criticar o partido político.
O partido político representa o avanço da democracia. É claro que em uma petição de princípios pode-se dizer que o partido político mais democrático é aquele onde há mais democracia, isto é, é aquele onde os partidários tenham mais condições de participar de interferir nas decisões partidárias.
Faço então outro questionamento. Comandar um partido de forma autoritária torna-o mais forte ou mais fraco do que um partido comandado de forma não autoritária? Bem aqui pode-se utilizar o termo democracia como oposto à forma autoritária (Quando faço menção ao arrogância pedante do dogmatismo presunçoso do autoritarismo pretensioso da soberba sapiência tucana estou retirando um pouco o caráter democrático do PSDB). Não considero a democracia como boa prática gerencial, mas assim como eu prefiro o modelo democrático para a escolha do presidente da República também defendo a democracia interna nos partidos.
Talvez se devessem criar mecanismos que induzam os partidos a se constituírem e se estabelecerem democraticamente, mas não que os obriguem. Para se obter verbas públicas os partidos devem -se constituir democraticamente. Sem verbas públicas, o partido terá que depender exclusivamente de verbas privadas, salvo o horário eleitoral ou até mesmo o horário eleitoral (salvo o da campanha de eleição). É preciso desse handcap para que partidos administrados autoritariamente não se beneficiem do fato de o autoritarismo ser modelo gerencial mais eficiente do que o modelo democrático.
E outra questão. Há mais democracia com muitos partidos políticos ou com poucos? Penso que mais partidos é mais democrático. Talvez os partidos devessem-se reduzir até o último contingente mínimo de interesses ser representado, ou seja, até que se tenha o partido de um só representante. O que talvez revigorasse a idéia de que um sistema sem partido fosse mais democrático, mas apenas aceitável em uma sociedade igualitária em que não há necessidade de um partido forte. Numa sociedade capitalista em que há sindicatos dos empregados e dos empregadores fortes, em que há empresários fortes, em que há meios de comunicação fortes é necessário que haja partidos fortes.
Em uma sociedade em que se luta para torná-la menos desigual, só os que pretendem manter o “status quo” da desigualdade é que propugnam pelos partidos fracos. Uma das confusões que me parece que você cometeu foi imaginar que a defesa do gerenciamento autoritário de um partido – o que em meu entendimento não é democrático – seja o mesmo que defender o fortalecimento dos partidos políticos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/03/2011

sábado, 12 de março de 2011 13:04:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

pait-sexta-feira, 11 de março de 2011 19h44min00s BRT.
Nem só esquerda. Pode até ser uma tendência meio generalizada, obstaculizada aqui e ali, mas sempre rediviva. O que tem de ser feito é esculachar um pouco com esse pessoal. Como estorvos, os cidadãos pagadores compulsóriso de impostos e eleitores, podem fazer isso, sempre. Em pleno século XXI alguém falar em tomar o Estado por dentro não pode ser levado a sério. Houve reis que perderam a cabeça por causa disso. Outras não são reis, mas, talvez, até gostariam de sê-lo. Então, que percam a cabeça.
Swamoro Songhay

sábado, 12 de março de 2011 13:22:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Kaiser, tem um link no horário da postagem no pé. Mas coloquei tb no título e vou fazer isso agora. Obrigado.

sábado, 12 de março de 2011 16:14:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Completo meu comentário anterior observando que a democracia representativa é a meu ver superior à democracia direta, pois a última sendo pontual produz decisões com a prevalência da vontade majoritária e a exclusão da minoritária. A democracia representativa, ao contrário, por ser um processo em que cada decisão concatena-se às decisões anteriores, permite a articulação das vontades minoritárias mediante acordos, barganhas, o toma-lá-dá-cá, a prática sãofranciscana do é dando que se recebe.
A representação das vontades minoritárias fortalece-se com a eleição proporcional. Nas eleições majoritárias, os candidatos minoritários não são escolhidos. A eleição proporcional só pode ocorrer com a presença dos partidos, pois a proporcionalidade é exatamente o cálculo dos votos do partido. Então para ampliar a grande vantagem da democracia representativa, isto é, a inclusão das vontades minoritárias, deve-se fortalecer o processo parlamentar com o mecanismo da negociação, ou em outras palavras, do fisiologismo e se deve dar à eleição o caráter de eleição proporcional, sabendo que a proporcionalidade requer a presença de partidos políticos.
O poder de negociação dos partidos políticos é proporcional a sua força. Quanto mais forte um partido político, mais forte a capacidade dele negociar. Mesmo o partido político pequeno, que representa o interesse de uma fração muito minoritária tem de ter força suficiente para representar bem esse interesse minoritário.
O fortalecimento dos partidos não se desenvolve sem risco, sendo o principal se abrirem concessões para práticas autoritárias no próprio partido, pois a constituição, a consolidação e o desenvolvimento de um partido político capaz de bem atender as demandas sociais requer uma eficiência no comando do partido mais própria de práticas autoritárias do que de práticas democráticas. Só a proibição de práticas autoritárias na gerência de um partido eliminaria esse risco. Melhor, entretanto, seria mitigar o risco mediante o beneficiamento a partidos que adotem práticas democráticas.
Agora, mencionar a declaração do deputado de algum partido que se sente alijado da direção do partido pela prática autoritária do partido e utilizar essa declaração para justificar seu desiderato pelo não fortalecimento dos partidos políticos e ainda acrescentar que o deputado que prestou a tal declaração é um dos bons, foi em meu juízo um dos momentos mais fracos nesse blog. Talvez Briguilino tenha exagerado na analogia futebolística com que ele criticou a declaração do deputado, mas a analogia revela muito bem a fraqueza do argumento. Repetindo o que você falou que ele disse:
"Eu tive votos, tenho eleitores. Por que preciso seguir cegamente a orientação de um presidente de partido que não tem voto, se se candidatar não será eleito, é só alguém que controla um cartório, só tem um cargo porque ganhou da presidente da República, e em troca do meu voto? Por que eu não posso votar com minha consciência, com a vontade dos meus eleitores, por que tenho que me sujeitar a receber um telefonema antes da votação, com a ameaça velada de que vou ser punido se não seguir a 'orientação partidária', que aliás nunca foi discutida?"
Talvez aqui se possa imaginar uma solução para o instituto de fidelidade. Ele fortalece os partidos. Para evitar que esse fortalecimento seja utilizado para que lideranças partidárias imponham autoritariamente diretrizes e comandos aos membros do partido pode-se estabelecer uma cláusula que permite um político sair de um partido toda vez que se impuser um fechamento de questão e o representante não concordar com a decisão. Uma forma de escape assim reduziria o poder de fechar questão que as lideranças partidárias autoritárias poderiam utilizar para dominar seus partidários ou seus políticos com cargos de representação política.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/03/2011

sábado, 12 de março de 2011 18:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
E para terminar, quanto a você ter chamado de um dos bons representantes políticos o político que fez uma declaração egoística e de um primadonismo a toda prova fez-me lembrar de um comentário de um dos nossos melhores blogueiros. Contrariado com a campanha que o jornal O Estado de S. Paulo fazia contra José Sarney, ele antes de contestar as razões de o jornal O Estado de S. Paulo criticar José Sarney, relacionou uma série de motivos para considerar José Sarney “o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional”.
Bem reproduzo a seguir parte de minha crítica a essa qualificação a José Sarney em um comentário que enviei em 17/06/2009 às 18:29. Disse eu no meu comentário:
“Atrasado para mim é o lema da Democracia Cristã Alemã, na campanha recente para o parlamento, segundo eu li hoje no artigo do José Luis Fiori intitulado “Entre Berlim e o Vaticano” e publicado hoje, 17/06/2009, no Valor Econômico. Diziam os democratas alemães:
“Por Deus, e contra a Turquia”.
Por Deus, isso é que é atraso. E tenho certeza que José Sarney jamais difundiria lema semelhante em uma campanha política. Para que ele fosse o que de mais atrasado a política nacional possuísse era necessário que a política brasileira estivesse muitos passos à frente da política alemã. Sou ufanista, mas nem tanto”.

Agora você reproduz uma frase que me parece própria do representante do atraso e diz que se trata de um dos nossos bons deputados, meu ufanismo, por mais comedido que tem sido, se esvaece.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/03/2011

sábado, 12 de março de 2011 19:19:00 BRT  
Blogger RONALDO disse...

Alon
Depois de muito concordar com suas publicações, chegamos a esta com a qual efetivamente não concordo. Os partidos não funcionam, por que foram estruturados para não funcionar.As decisões são tomadas na "torre de marfim" porque a lei permite. A mesma lei que nos diz que só o partido pode indicar um candidato a um cargo eletivo, mas não responsabiliza o partido pela qualidade do candidato que indica. Um senador do partido foi condenado por corrupção? Por duas legislaturas não poderá indicar candidato a senador pelo estado do cassado. As indicações para cargos de confiança deveriam ser avalizadas por escrito pelo partido. Fez besteira? Os filiados do partido perdem os cargos de confiança que exercerem na instância do condenado. Esta história de todos terem direito de serem votados, é besteira. O povo é que tem direito de ter candidatos selecionados por sua qualidade. Algum político vai ficar de fora por ter sido condenado em primeira instância? Que pena. Seu direito de se candidatar foi ferido? Talvez, mas o direito coletivo se sobrepõe ao individual.

sábado, 12 de março de 2011 19:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Uma série de comentários meus não foram aprovados. Por não ver justificativa forte para a não aprovação a não ser pelo tamanho vou dividi-los pelo menos em dois outros comentários, e, talvez alterando aqui e ali no caso de aparecer algum termo, expressão ou idéia que possa ter algum conteúdo para você censurar todo o comentário, eu os vou reenviar.
O que é que lhe parece ser mais democrático: existir ou não existir partidos políticos? A resposta talvez lhe dê razão a você colocar o Irã ao lado das ditaduras árabes e que eu tenho de certo modo rebatido na discussão que eu tive aqui no seu blog junto ao post "As leituras” de quinta-feira, 27/01/2011 e junto ao post " Narrativas obsoletas” de quarta-feira 09/03/2011, só para ficar em posts mais recentes. Avalio o Irã como menos democrático por não ter partido político.
A idéia de toda a sociedade estar junta em um feixe seja em um partido único seja sem partido não é democrática e viceja tanto no fascismo que eu chamo de fascismo intelectual (Neste mais como um partido único) como no fascismo que eu chamo de fascismo das pequenas coisas (Aqui mais como pela ausência de partido).
Onde mais facilmente vai morar o fascismo das pequenas coisas (O fascismo de quem é contra os direitos humanos para bandidos, o fascismo dos linchamentos, o fascismo do machismo, o fascismo do mando autoritário, o fascismo da idéia da corrupção disseminada na atividade política, o fascismo de cada um por si) é onde o homem comum mais foi instruído a criticar o partido político.
O partido político representa o avanço da democracia. É claro que em uma petição de princípios pode-se dizer que o partido político mais democrático é aquele onde há mais democracia, isto é, é aquele onde os partidários tenham mais condições de participar e de interferir nas decisões partidárias.
Faço então outro questionamento. Comandar um partido de forma autoritária torna-o mais forte ou mais fraco do que um partido comandado de forma não autoritária? Bem aqui pode-se utilizar o termo democracia como oposto à forma autoritária (Quando faço menção à arrogância pedante do dogmatismo presunçoso do autoritarismo pretensioso da soberba sapiência tucana estou retirando um pouco o caráter democrático do PSDB). Não considero a democracia como boa prática gerencial, mas assim como eu prefiro o modelo democrático para a escolha do presidente da República, também defendo a democracia interna nos partidos.
Já disse em outros post que não sou especialista em democracia. Não custa, entretanto, expor as minhas idéias. Aqui alinhavei duas que eu considero chave na construção de um processo democrático dentro de um país. A necessidade de existir partidos políticos e de existir processos democráticos no interior dos partidos políticos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/03/2011

domingo, 13 de março de 2011 17:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Completo meus comentários anteriores observando que a democracia representativa é a meu ver superior à democracia direta, pois a última sendo pontual produz decisões com a prevalência da vontade majoritária e a exclusão da minoritária. A democracia representativa, ao contrário, por ser um processo em que cada decisão concatena-se às decisões anteriores, permite a articulação das vontades minoritárias mediante acordos, barganhas, o toma-lá-dá-cá, a prática sãofranciscana do é dando que se recebe.
A representação das vontades minoritárias fortalece-se com a eleição proporcional. Nas eleições majoritárias, os candidatos minoritários não são escolhidos. A eleição proporcional só pode ocorrer com a presença dos partidos, pois a proporcionalidade é exatamente o cálculo dos votos do partido. Então para ampliar a grande vantagem da democracia representativa, isto é, a inclusão das vontades minoritárias, deve-se fortalecer o processo parlamentar com o mecanismo da negociação, ou em outras palavras, do fisiologismo e se deve dar à eleição o caráter de eleição proporcional, sabendo que a proporcionalidade requer a presença de partidos políticos.
O resultado disso é que o sistema parlamentarista é mais democrático do que o sistema presidencialista, pois é no parlamento que há mais espaço para o fisiologismo e porque a eleição para o parlamento pode ser feita com a regra da proporcionalidade.
Só não sou parlamentarista porque considero que a eleição do presidente da república, em que cada cidadão, independentemente do grau de instrução, da classe social ou do poder econômico, tem o mesmo valor, constitui um momento em que se exacerba a tal ponto o princípio da igualdade que não seria justo que esse presidente fosse destituído de poder. Então defendo o regime presidencialista em que o poder do presidente seja deveras grande.
O poder de negociação dos partidos políticos é proporcional a sua força. Quanto mais forte um partido político, mais forte a capacidade dele negociar. Mesmo o partido político pequeno, que representa o interesse de uma fração muito minoritária tem de ter força suficiente para representar bem esse interesse minoritário.
O fortalecimento dos partidos não se desenvolve sem risco, sendo o principal se abrirem concessões para práticas autoritárias no próprio partido, pois a constituição, a consolidação e o desenvolvimento de um partido político capaz de bem atender as demandas sociais requer uma eficiência no comando do partido mais própria de práticas autoritárias do que de práticas democráticas. Só a proibição de práticas autoritárias na gerência de um partido eliminaria esse risco. Melhor, entretanto, seria mitigar o risco mediante o beneficiamento a partidos que adotem práticas democráticas.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/03/2011

domingo, 13 de março de 2011 17:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
A existência de partidos políticos como uma característica democrática, e a prática da democracia na administração interna dos partidos parece ser um desejo de todos que defendem a democracia. Você parece combater os partidos políticos fortes. Em um modelo idílico de total igualdade não me parece justificável o fortalecimento dos partidos políticos. O que temos, entretanto, é a extrema desigualdade. Forças econômicas externas fortes. Forças econômicas internas fortes. Um presidencialismo com o presidente dispondo de poderes imperiais. Oligopólios nos meios de comunicação. Uma sociedade extremamente desigual, tanto sob o aspecto financeiro como no aspecto educacional. Numa realidade assim não faz sentido não se desejar o fortalecimento dos partidos políticos.
Assim, em meu entendimento, a sua crítica ao fortalecimento dos partidos políticos não me parece justificável. E pareceu-me mais uma confusão você mencionar a declaração do deputado de algum partido que se sente alijado da direção do partido pela prática autoritária do partido e utilizar essa declaração para justificar seu desiderato pelo não fortalecimento dos partidos políticos e ainda acrescentar que o deputado que prestou a tal declaração é um dos bons. Ao meu juízo, um dos momentos mais fracos nesse blog. Talvez Briguilino tenha exagerado na analogia futebolística com que ele criticou a declaração do deputado, mas a analogia revela muito bem a fraqueza do argumento. Repetindo o que você falou que ele disse:
"Eu tive votos, tenho eleitores. Por que preciso seguir cegamente a orientação de um presidente de partido que não tem voto, se se candidatar não será eleito, é só alguém que controla um cartório, só tem um cargo porque ganhou da presidente da República, e em troca do meu voto? Por que eu não posso votar com minha consciência, com a vontade dos meus eleitores, por que tenho que me sujeitar a receber um telefonema antes da votação, com a ameaça velada de que vou ser punido se não seguir a 'orientação partidária', que aliás nunca foi discutida?"
Talvez aqui se possa imaginar uma solução para o instituto de fidelidade. Ele fortalece os partidos. Para evitar que esse fortalecimento seja utilizado para que lideranças partidárias imponham autoritariamente diretrizes e comandos aos membros do partido, pode-se estabelecer uma cláusula que permite um político sair de um partido toda vez que se impuser um fechamento de questão e o representante não concordar com a decisão. Uma forma de escape assim reduziria o poder de fechar questão que as lideranças partidárias autoritárias poderiam utilizar para dominar seus partidários ou seus políticos com cargos de representação política.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/03/2011

domingo, 13 de março de 2011 18:13:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home