quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Uma arquitetura boa (03/01)

A administração petista vem tendo sucesso sem precisar promover nenhuma mudança radical nas leis herdadas do antecessor governo tucano, tão atacado pelo novo establishment político

Notei aqui há duas semanas que o governo Dilma Rousseff estava propenso a economizar na rubrica nos grandes embates legislativos, para não anabolizar a base a um ponto em que os aliados se vissem suficientemente fortes e colocassem o Palácio do Planalto contra a parede.

O ritual de reverência às “reformas inadiáveis” não vai ser deixado de lado no discurso. Mas a tática será outra. É uma tática inteligente, e também prudente.

O ultrarreformismo pátrio sustenta-se numa hipótese: de que sem as “grandes reformas” o país não vai a lugar nenhum. Será?

O debate não é novo, é recorrente nesta coluna, mas um detalhe talvez mereça maior atenção. É consensual que os últimos anos foram de um governo bem-avaliado. Até por ter sido um bom governo, que combinou crescimento econômico razoável e políticas (salário mínimo e Bolsa Família) agressivas de combate à pobreza.

Interessante é a administração petista ter feito isso sem precisar promover nenhuma mudança radical nas leis herdadas do antecessor governo tucano, tão atacado pelo novo establishment político.

O PT agarrou o manche estatal e colocou para funcionar de acordo com as políticas definidas pelo partido, nas condições concretas da aliança governamental.

O que faz suspeitar de que a arquitetura político-insitucional brasileira talvez não seja tão ruim assim. Afinal, ela permite a alternância eficaz de poder sem limitar insuportavelmente as opções de quem governa.

Imaginem-se as dificuldades de uma situação na qual a alternância precisasse vir acompanhada, a cada quatro ou oito anos, de um pacote de mudanças constitucionais e infraconstitucionais de peso.

Nenhuma democracia resistiria.

A obsessão pelas reformas também ajuda a esconder a inapetência gerencial. Governo muito ocupado com o Legislativo não tem tempo para governar. Palavra que costuma ser sinônimo, nos países normais, de executar o orçamento.

Mas essa política embute também um risco. Se as pessoas -e a opinião pública- têm menos motivo para prestar atenção no Legislativo, será natural que invistam mais energia no acompanhamento do que anda pelo Executivo.

Que precisará, portanto, executar.

A execução, comprovadamente, não era o forte do governo anterior, que apesar disso conseguiu eleger a dita principal responsável pela execução. Funcionaram o prestígio e a popularidade do presidente da República, com o natural desejo de continuidade de um governo bem avaliado.

Neste ponto, Dilma será ajudada, por ironia, no contraste com a administração que a elegeu.

Outro risco teórico é o Congresso ficar excessivamente “solto”, estimulado a buscar uma pauta própria. Em tese, uma coisa bonita. Onze em cada dez políticos investem tempo diante de câmeras e microfones para a apologia da independência do Legislativo.

Na prática, porém, costuma ser uma fonte de dores de cabeça para o governo, especialmente para o encarregado de cuidar da chave do cofre.

Congresso solto gosta de gastar. Neste começo de corrida a pressão será um pouco menor, com a base procurando mostrar serviço para não perder espaço na largada. Mas a hora chegará.

Inclusive porque é sabida a permeabilidade do novo presidente da Câmara dos Deputados a pressões setoriais. Trata-se de uma preocupação do Palácio do Planalto.

Há também a ameaça de CPIs. Mas falta à oposição número para dar a largada nelas, vai depender de conseguir arrastar um pedaço importante da base.

Acontecerá em duas circunstâncias. Uma acusação suficientemente grave e razoavelmente comprovada. Ou uma situação de profundo incômodo nos aliados. A segunda variável é mais fácil de controlar do que a primeira.

Cansaço

Dilma esteve ontem no Congresso, onde falou-se a palavrinha típica das luas demel ou das grandes crises: “pacto”.

Mas nunca serviu para nada.

Governo governa e oposição faz oposição. Uma receita simples e comprovada.

Onde vem sendo praticada há mais tempo com regularidade e sem interrupção, tem tido bastante sucesso.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta (03) no Correio Braziliense.

twitter.com/AlonFe

youtube.com/blogdoalon

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12 Comentários:

Anonymous Miguel disse...

Primeiramente, a respeito de oposição e pacto, vale lembrar que Deal, de New Deal, é pacto, e deu na grande potência que se vê.
Quanto a heranças, na época da crise do mensalão escrevi ao Carlos H. Cony ponderando sobre a qualidade ou não da adminastração petista (o que de fato é o relevante) combinada com os escândalos nunca resolvidos do governo FHC. Ele gentilmente me responde e repasso:
"Não é um comercial, mas tenho um livro, publicado pela editora Boitempo, intitulado "O presidente que sabia javanês", com ilustrações do Angeli, chargista principal da "Folha". Os casos que você menciona foram comentados por mim e pelo Janio de Freitas. Infelizmente, a mídia de então ( e até agora) continua deslumbrada pelo tipo de intelectual bem falante, bem USP, que prejudicou o Brasil bem mais do que qualquer outro, Collor inclusive.
Cony"

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011 20:17:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Comecei a ler o seu post e fui gostando dele. Via razão no que você dizia e continuei lendo. Até que vi as duas seguintes frases:
"Governo muito ocupado com o Legislativo não tem tempo para governar. Palavra que costuma ser sinônimo, nos países normais, de executar o orçamento".
Achei estranho imaginar que um governo que elabora leis e interfere na elaboração das leis realizadas pelos outros poderes não esteja governando. E ficou tudo ainda mais estranho quando você faz referência a países normais. Eu fiquei a imaginar se para você o Brasil era um país normal. Ai vejo ao lado no seu twitter uma outra frase interessante:
"Em qquer país normal essa operação do Banco Panamericano teria consequências sérias".
Gostei da frase. O caso do Banco Panamericano para mim deve ser muito semelhante ao caso do Banco Marka de Salvatore Cacciola e do Banco FonteCidam, envolvendo valores mais elevados. Operações como essas para mim devem ter conseqüências sérias, mas não trato disso como corrupção como muitos parecem tratar nos dois casos. As conseqüências sérias para mim é historiar o que ocorreu, descrever os envolvidos e os atos praticados, analisar e avaliar a correção dos atos e tomar as medidas contra os envolvidos que tenham praticado ilicitudes e criar mecanismos para que caso tenha havido ilegalidades ou erros esses possam no futuro serem evitados. Enfim gostei da frase, mas imaginando que o Brasil seja um país normal o que não foi o que a sua frase deu a entender. Sendo assim, no Brasil se governa executando o orçamento.
Ai você diz:
"A execução, comprovadamente, não era o forte do governo anterior".
Se você tivesse dito que "A execução não era o forte do governo anterior", eu entenderia como uma opinião e não teria nada para refutar. Você, entretanto utiliza o advérbio "comprovadamente".
Talvez seja o que eu considero de mais importante na análise de um governo: a apresentação das provas irrefutáveis de incompetência dele. Comprovadamente por quem? Para mim, o governo de FHC foi incompetente como mostra o apagão elétrico. Você, entretanto, embasado na sua boa avaliação da política de educação do ministro Paulo Renato conforme se vê junto ao post "Sem espírito de patota" de domingo, 23/01/2011, poderá alegar que foi apenas uma questão de prioridade e o governo deu mais ênfase à educação.
Enfim, não creio que o termo "comprovadamente" foi bem empregado.
Em relação ao termo "pacto" eu compartilho um pouco a sua opinião. Sou resistente ao termo "pacto", embora ele não me cause cansaço. E deveria, pois sou contrário a ele desde que na década de 70, com base nos pactos na Áustria que o Chanceler Bruno Kreisky soube implementar, no Pacto de Moncloa na transição espanhola e na Inglaterra sem muito êxito com o primeiro ministro James Callaghan, o intelectual Fernando Henrique Cardoso vivia a o exaltar. Pacto para mim ou tem conotação fascista ou é artimanha dos governantes para postergar o atendimento das demandas sociais. De todo modo, no final do seu texto eu teria escrito se estivesse no seu lugar o seguinte:
"No Brasil e onde [a receita de governo governa e oposição faz oposição] vem sendo praticada há mais tempo com regularidade e sem interrupção, tem tido bastante sucesso".
Agora é preciso ver que "pacto" tem grande apelo popular. Imaginar que Dilma Rousseff por não ter o mesmo carisma de Lula vai governar desprovida de qualquer marketing é um sonho de uma noite de verão.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 03/02/2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011 21:08:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira
BH, 03/02/2011. Em seu comentário há algo sobre incompetência por causa do apagão elétrico. Nunca foi tão atual, uma vez que agora mesmo ocorreu um apagão no Nordeste. O ministro das Minas e Energia disse, em entrevista, que houve uma interrupção temporária no fornecimento de energia e não apagão. Acho que, em Português, ele quis dizer que houve realmente um apagão. Um apagão em série de seis transmissoras de energia, só pode ser apagão, parece apagão e tem escuridão de apagão. Já em 2009, a atual nova presidente, então ministra das Minas e Energia ou da Casa Civil, disse que havia ocorrido um blecaute e não um apagão. Em Português, parece que ela quisera dizer que tudo tinha cara e jeito de apagão. Então, fora também um apagão. Como o atual. Estranho que, agora, tudo que parece apagão ganha nomes diferentes. Mesmo que ninguém enxergue nada na escuridão. E outra coisa interessante: é um período de muitas e fortes monções, acima da média histórica de pluviometria. E mesmo assim, houve apagão. Não sei se isso tem algo a ver com competência. Mas, em Português, poderia ser chamado de incompetência em série.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 21:00:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Miguel, parece que o missivista esqueceu de dizer que Collor é sinônimo de aliado fiel do governo. Tão fiel que perdeu as eleições ao governo de Alagoas, mas levou o nome da atual presidente até o fim. E parece que nunca duas correntes políticas tão iguais, deram-se, digamos, como não poderiam deixar de ser, tão iguais em ideias e ideais. Principalmente depois de oito anos de governo e ainda ter de recorrer a governos anteriores para justificar qualquer coisa. Até o pretenso sucesso. Mas, o interessante e o compreensível, é lograr amealhar tanto acolitismo com tal artimanha.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 21:12:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 21h00min00s BRST)
Já era para não restar dúvida que o apagão de FHC é diferente do apagão de Lula. Veja, por exemplo, a opinião de José Dirceu nesse parágrafo transcrito a seguir e retirado do Blog dele junto ao post “É preciso reavaliar nosso sistema de transmissão” de 05/02/2011:
“O apagão da rede de transmissão e distribuição de energia, praticamente em todo o Nordeste, não tem nada a ver com o apagão do governo tucano, quando houve falta de energia por falta de planejamento e investimentos. Ou seja, o apagão foi um produto da política de privatização do governo FHC e de erros na política de gestão e administração do setor. Agora, o que assistimos de novo – o primeiro foi em novembro de 2009 –, é uma falha no sistema de transmissão, decorrente da característica do sistema elétrico brasileiro, a interligação, em que grandes linhas de transmissão levam energia para todo o país – no caso do Nordeste, a exceção é o Maranhão, ligado ao linhão do Norte”.
Dito isso, não há mais nada para ser dito, mas penso em dizer mais uma ou outra coisa. Houve e ainda há muito ruído sobre o apagão. No Twitter de Alon Feuerwerker, há, com a data de sexta-feira, 04/02/2011 às 01:19:40, a seguinte observação:
“Falta luz em todo o Nordeste. Preparemo-nos agora para o importantíssimo debate sobre se foi "apagão" ou "blecaute"”
Essa é, entretanto, uma discussão que não tem fim. É difícil as pessoas aceitarem a idéia de que um apagão é diferente de outro. O problema foi que o termo apagão elétrico para o problema que houve no governo de FHC foi mal escolhido. O certo é falar em racionamento de energia elétrica. Na época nem houve ocorrências de apagões.
Em relação ao racionamento de energia elétrica do governo FHC, o que não concordo é relacionar o racionamento como exemplo de roubalheira no período. Em meu entendimento foi até o contrário. Para obter preços maiores pela venda das grandes hidroelétricas, o governo permitiu que os reservatórios utilizassem mais turbinas geradoras de energia. Os reservatórios que foram construídos para guardar energia para um período de cinco anos de seca aumentaram o fluxo de água rebaixando assim mais rapidamente o nível o que levou ao racionamento diante de uma seca mais prolongada.
A falta de entendimento sobre o termo faz manter o ruído na comunicação. Ainda não se chegou a um acordo de como denominar esse corte de energia. Além da frase retirada do Twitter de Alon Feuerwerker, posso mencionar também um post recente no blog de Luis Nassif em que há uma chamada sobre o modo distinto como o G1 discorreu sobre o corte de energia do Nordeste e o corte de energia em São Paulo, como se pode ver junto ao post “O que o G1 considera apagão e blecaute?” de terça-feira, 08/02/2011 às 16:29.
Enfim é isso, os apagões, também chamados de blecautes podem até serem bem vindos. O apagão de 2009, me pareceu uma boa forma de o governo testar como a Dilma Rousseff se sairia se algo semelhante acontecesse no período eleitoral. Esse do Nordeste se tivesse sido mais cedo eu diria que teria sido para impedir que o programa do PSDB passasse na televisão. Dado a crítica que se fez à participação de FHC no programa de propaganda política do PSDB é de se imaginar que o governo queria fazer lembrar que o homem da propaganda era o mesmo do apagão, isto é, do racionamento.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 09/02/2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 00:03:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 21h00min00s BRST)
Para um melhor entendimento da questão trago aqui um comentário que eu enviei terça-feira, 25/01/2011 às 23h39min00s BRST para analisar as observações de Alon Feuerwerker sobre o funcionamento da defesa civil no Brasil nos casos dos desastres naturais junto ao post “Até a próxima” de sexta-feira, 14/01/2011. Disse eu lá
“Há a crítica até bem razoável de que não se adotou as medidas preventivas adequadas. Em Katrina, nas monções na Índia, nas minas chinesas, nas avalanches de neve nos Alpes ou nos Andes, nos terremotos e tsunamis pelo mundo, as medidas preventivas adotadas foram e são sempre insuficientes. Ai eu lembro, uma conversa com um engenheiro há mais de 30 anos em que ele dizia que o bom engenheiro era o que construía um prédio que caia diante de uma destes imprevistos e não o que construía um prédio para não cair. Para construir um prédio que não caia, o cálculo é muito mais fácil. O custo do prédio é que o torna inviável”.
Enfim é isso, dadas as condições econômicas e financeiras de um país pobre e desigual como o Brasil, um sistema elétrico bem planejado e adequado não é aquele em que não ocorrem apagões. Sistema bom e bem planejado é aquele em que os apagões ocorrem. É claro que se os apagões reduzem o PIB em valor superior ao custo dos equipamentos que deveriam ser adquiridos para evitar os apagões, há algo de muito mal planejado nisso. Isso, entretanto, só a avaliação técnica é que pode definir.
O racionamento da era FHC foi uma história bem diferente, Significou o país ter de parar de crescer para que não se faltasse energia no futuro. Para um país que não crescia havia muito e se recuperava em virtude da desvalorização de 1999, crescendo em 2000 em taxa pouco acima de 4,0%, a parada de 2001 foi quase mortal. Aliás, quando falo em crescimento econômico, na verdade eu estou me referindo à geração de empregos. Entre o Brasil aumentar o PIB mediante aumento de produtividade sem geração de emprego e diminuir o PIB, mas havendo perda elevada de produtividade de tal modo a que se gere emprego líquido (Algo que pode ocorrer com a geração de grande número de empregos ruins, isto é, empregos de pouco valor agregado e a perda de poucos empregos bons, isto é, de alto valor agregado), eu preferiria a última hipótese (Redução do PIB e aumento de emprego). Com o mau planejamento que realizou, o que o governo de FHC produziu foi a redução da geração de emprego no período. Para a classe média até que não houve muito problema, mas junto a camada mais pobre da população a situação ficou horrível.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 09/02/2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 00:16:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 21h00min00s BRST),
Estava relendo hoje o jornal Folha de S. Paulo de quarta-feira,09/02/2011, quando me deparei, na seção Painel do Leitor, com uma carta bem pertinente à questão do apagão. Como a carta é de Hermes Chipp e ele a escreveu como diretor-geral do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico é certo que se trata de um documento público e por isso transcrevo-a a seguir:
"O editorial "Apagões em alta" (Opinião, ontem) afirma que o número de desligamentos acima de 100MW cresceu 90% em dois anos, saltando de 48 em 2008 para 91 em 2010. Embora pontualmente correta, a informação não representa uma forma adequada de aferição da robustez do sistema elétrico brasileiro. Como a rede está em permanente expansão, é natural que o número de perturbações seja crescente, como de fato é. Foram 2.119 ocorrências em 2007, 2.258 em 2008, 2.442 em 2009 e 2.670 em 2010.
E entre essas ocorrências, o número de pertubações com desligamentos acima de 100MW, entre 2001 e 2010, vem se mantendo, em base anual, igual a 3,3% do número total de perturbações verificadas."

Dita por engenheiros, e Hermes Chipp deve sê-lo, a realidade do sistema elétrico brasileiro parece mais tranqüila do que a que se depreende dos disse-me-disse. É claro que poderia ser melhor. Mesmo no caso do racionamento do governo FHC essa alegação poderia ser aventada. O governo poderia então alegar que preferiu fazer um racionamento a ter que retirar verbas da educação e saúde, verbas que quando são cortadas afetam a vida dos mais carentes e os mais pobres.
O grande problema foi que o racionamento produziu uma queda no crescimento econômico. Como disse, o crescimento econômico em si não é o que conta. O que conta e que pesa no racionamento do governo FHC foi o desemprego que o racionamento (o apagão de FHC) gerou e as milhares de famílias que foram jogadas ao relento por não ter os pais um emprego para as sustentar.
No mais é torcer para que os técnicos do sistema sejam capazes de o gerir dando a ele a segurança adequada para um país pobre como o Brasil. E o termo certo é torcer porque se os engenheiros não forem melhores do que o país, nós nunca teremos a segurança adequada. Pelo menos os de um passado mais longínquo conseguiram dar essa tranqüilidade perdida um pouco no governo de FHC.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/02/2010

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 23:58:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/02/2010, talvez nem seja possível que este comentário seja publicado, devido à data do post e por outros assuntos mais recentes. Contudo, só agora seus comentários podem ser respondidos. Assim, este comentário tem por função manter a noção de acolitismo inveterado que está ocorrendo desde a posse da presidente. E ao que parece, o modelo elétrico, de 2003 até hoje, cantado em versos e prosas, gera apagões perfeitos, melhores que racionamento por falta de chuvas. FHC, na época, foi à TV, fez um corajoso pronunciamento, assumiu as responsabilidades e informou o racionamento de energia. Todos os dados, inclusive a pluviosidade nos reservatórios e as orientações de como economizar energia, eram passados de forma clara e objetiva aos cidadãos e agentes econômicos. FHC nunca negou ou escondeu que o País estava vivendo um sério problema de geração de energia. Era de crer que o governo atual deveria ter aprendido com FHC como tratar um problema sério.
Swamoro Songhay

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 14:13:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (terça-feira, 15/02/2011 às 14h13min00s BRST),
Bom, a minha idéia é que o racionamento de FHC é diferente do apagão de Lula e agora de Dilma Rousseff. A sua idéia é que são a mesma coisa. Eu não sou técnico para confirmar ou desmentir a sua idéia, mas posso analisar pelo aspecto da possibilidade. Posso imaginar uma situação inversa. Há duas possibilidades para 2001. Lá havia a necessidade de racionamento de energia e FHC fez muito bem em avisar a nação sobre a realidade energética brasileira e sobre o que a falta de capacidade de geração de energia acarretaria ao país ou em 2001, não havia necessidade de racionamento de energia, mas informado por técnicos incompetentes FHC foi a televisão e historiou o que ocorrera e projetou o que iria acontecer tendo como conseqüência uma redução dos investimentos feitos pelo espírito animal do investidor e uma redução na geração de empregos, ou então FHC para se mostrar diferente foi a televisão por vontade própria para falar mal do sistema energético brasileiro para mostrar para o mundo que com ele era diferente e ele mostrava o que era ruim. Essa segunda possibilidade é impossível de ter ocorrido. Os nossos técnicos do sistema elétrico estão entre os melhores do mundo, jamais eles repassariam uma informação tão equivocada assim. E pensar que FHC fosse fazer uma estripulia dessas por moto próprio é impensável. Eu não tenho dúvida , em 2001 era necessário o racionamento de energia.
Agora, para você desde 2003, ou pelo menos desde 2007, ou talvez desde 2009, ou então desde 2011 faz-se necessário o racionamento e o governo deveria ir à televisão, confessar-se culpado, programar uma minirecessão gerando desemprego, levando pais para uma vida de ócio e clandestinidade, destruindo lares, tirando qualquer perspectiva de milhares de crianças e jovens de ter uma vida mais voltada para o estudo e jogando quase todos eles para as páginas policiais que estavam repletas naqueles anos de modorra de FHC. É possível que você esteja certo. Se você for um técnico do setor ou o tenha estudado com afinco nos últimos anos e chegado a essa conclusão sem engano, então realmente a situação do Brasil é a pior possível. Principalmente se o governo não tiver a coragem que teve FHC naqueles dias e imediatamente ir a televisão para contar o que realmente está acontecendo com o nosso sistema elétrico. Faltar energia por não se ter feito um racionamento de energia é de conseqüências mil vezes piores do que o racionamento.
Eu, entretanto, acredito nos técnicos brasileiros do setor elétrico e não penso que haja a necessidade de racionamento de energia.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 16/02/2010

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 00:04:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira
BH, 16/02/2010. Não. Não precisaria o governo ...ir à televisão, confessar-se culpado, programar uma minirecessão gerando desemprego.... Bastaria não inventar novilínguas para explicar apagão. Já seria um progresso. Bastaria dizer que, mesmo com o backup das térmicas, o sistema tem panes. Só isso. A freada na economia parece já estar contratada para 2011: de cerca de mais de 7% em 2010, para cerca de 4% a 5% em 2011, ou até menos. Assim, não será preciso inventar nada. FHC, na época fez o que um governante tem de fazer. Não inventou nada: reconheceu o problema e organizou o governo para resolvê-lo. Não prometeu fazer chover. E nem inventou raios e tempestades que ninguém viu, no apagão de 2009, ou cartões magnéticos que, no início de 2011, na novilíngua, provocaram o desligamento em cadeia de várias estações, causando interrupção temporária do fornecimento de energia na região Nordeste. Um apagão com tecnológia de ponta. Assim, as situações não são iguais. São diferentes até na forma dos governos respectivos tratá-las.
Swamoro Songhay

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 19:52:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (quinta-feira, 17/02/2011 às 19h52min00s BRST),
Sei não, mas acho que você não está se deixando levar pelas informações não disponíveis.
O grosso do crescimento econômico foi em 2009, por isso que 2010 vai dar um crescimento muito grande. É provável que a curva de crescimento em 2009 tenha uma inclinação mais acentuada do que a curva de crescimento em 2010.
Na verdade o primeiro trimestre de 2010 apresentou um alto crescimento. Significou um crescimento de mais de 11% se anualizado. A intenção era para em junho de 2010 quando ele fosse divulgado coincidisse com as grandes convenções partidárias e os inimigos e adversários de uma ex-guerrilheira viessem todos a apoiá-la.
E você querendo que o governo fosse na televisão e dissesse:
"Olhem, esse crescimento é só para amedrontar os adversários de Dilma Rosseff, o país já não cresce nesse ritmo e, portanto, podem ficar tranqüilos que não vai ser necessário o racionamento de energia".
Esse pessoal não é tão amador assim não.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/02/2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011 00:44:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/02/2011, O governo não precisa anunciar nada, nem ameaçar nada, nem criar fantasias totêmicas para nada. Basta parar de mentir. Nem o cidadão compulsório pagador de tributos e eleitor é tão amador como alguns iluminados de fancaria pensam. E nem tão amorfo como pretendem alguns modeladores de ectoplasmas. O que nem tão subitamente assim, poderá emergir, será agravamento no lado fiscal e também no lado cambial. Tais aspectos, não faz tanto tempo, eram chamados de âncoras da estabilidade do R$, ou seja, blindagem contra a inflação. Hoje, já caem em descrédito, como parece tudo o que fora alardeado, ou melhor, bombardeado, como saneado depois de 2003, quando o Brasil foi descoberto por arcas vindas do etéreo.
Swamoro Songhay

sábado, 19 de fevereiro de 2011 12:43:00 BRST  

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