domingo, 20 de fevereiro de 2011

Um problema de lógica (20/02)

O governo diz que não pode dar agora um salário mínimo maior que R$ 545. Mas promete um de R$ 620 para daqui a dez meses. A economia não vai crescer nesse ritmo daqui até lá. Então ou o governo não vai cumprir a promessa ou poderia dar mais agora

A proposta do governo para o reajuste do salário mínimo embute uma conclusão surpreendente. Se R$ 545 é o máximo que a economia e as contas públicas suportam este ano e se o próprio texto já contrata uma correção de 14% para o ano que vem, conclui-se que para suportar o aumento a economia brasileira (e junto a receita do governo) deverá expandir de 2011 a 2012 pelo menos o dobro do previsto.

Se descontar dos 14% uns 6% de inflação chegamos a um PIB necessário de 8% em 2011. Uma repetição do número de 2010 que dará base ao reajuste de 2012. Haveria um alinhamento ideal entre a regra e a disponibilidade de caixa.

Mas as projeções para o PIB de 2011 oscilam perto de 4%, metade daquilo. Se a receita da Previdência Social acompanhar o ritmo, o governo estará contratando para o ano que vem junto com o aumento de 14% no salário mínimo um baita buraco para o ministro Garibaldi Alves administrar.

Só um brutal aumento de impostos teria a capacidade de afinar a dupla sertaneja formada pelo “máximo que podemos pagar agora” e o reajuste já acertado de 14% em 2012.

Ou então haverá um estouro da dívida pública para bancar custeio. Improvável.

Suponhamos que a arrecadação vai dar conta do salto na despesa. Aí aparece outro problema. Se as receitas governamentais vão crescer com essa folga daqui para o final do ano, capazes de cobrir logo adiante um aumento de 14% no salário mínimo, oito pontos percentuais acima da inflação, por que o Planalto anuncia que precisa promover ao longo de 2011 um megacorte de R$ 50 bilhões?

As diversas falas governamentais não conseguem dialogar entre si. Não há equação que feche o “maior salário mínimo que infelizmente podemos pagar hoje” mais a promessa de 14% de reajuste ano que vem mais a necessidade de um megacorte orçamentário ao longo de 2011.

Não é razoável que o governo pense em recuar dos 14% em 2012. Não haveria condições políticas. Seria suicídio. Então, de duas uma. Ou suas excelências planejam um belo aumento de impostos daqui até lá ou -mais provável- as contas de agora suportariam perfeitamente um salário mínimo maior que R$ 545.

Eu cravo esta última opção. O governo tem hoje como fixar, responsavelmente, um mínimo maior que R$ 545. Se não tivesse, não assumiria o compromisso de um aumento de 14% daqui a poucos meses. A economia não vai expandir nessa velocidade daqui até lá.

Mas como possui uma base de apoio muito ampla e suporte maciço na elite para endurecer com os trabalhadores, tem capital político para aplicar um aperto providencial em época que pede exibições de austeridade.

Este ano o governo vai brecar a inflação com o freio do arrocho salarial. Vai deixar o salário mínimo desprotegido numa hora de inflação forte. Vai fazer caixa para pagar juros às custas da turma que recebe salário mínimo e dos aposentados e pensionistas.

Não parece muito preocupado com os efeitos políticos, pois daqui até 2014 terá três oportunidades para reajustes que o reconciliem com esse último pessoal. Pelo menos com o pedaço que sobreviver.

Sobre o argumento da necessidade de cumprir o contrato firmado com as centrais sindicais, o governo do PT não seguiu tal fundamentalismo quando a Bolívia exigiu rediscutir o contrato de fornecimento de gás, nem quando o Paraguai exigiu rediscutir as normas da parceria em Itaipu.

Nas duas ocasiões o Brasil considerou que cobrar leoninamente o cumprimento do contrato seria uma violência contra a parte mais frágil. Politicamente não convinha. E agiu bem.

Desta vez o governo parece acreditar na conveniência de ser intransigente.

O governo tem esse direito. Só dá pena que tenha decidido fazer a exibição de músculos contra quem não tem defesa. E retomando a velha e desgastada ladainha de que qualquer aumento real para o salário mínimo agora será um problema. Um risco para a inflação.

Infelizmente para o governo Dilma Rousseff, essa tese, bastante popular entre quem ganha muitos e muitos salários mínimos, foi derrubada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Mais aquele do que este, mas cada um a seu tempo.

Mesmo no ano economicamente mais difícil, 2003, Lula sustentou um belo aumento real no salário mínimo. E com a inflação bem pior que hoje.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada neste domingo (20) no Correio Braziliense.

twitter.com/AlonFe

youtube.com/blogdoalon

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21 Comentários:

Anonymous Nat disse...

Belo texto. Natália Martins

sábado, 19 de fevereiro de 2011 23:46:00 BRT  
Blogger pait disse...

Discordo um pouco da sua conta. As despesas do governo não precisam crescer todas proporcionalmente ao crescimento da economia. Se a arrecadação crescer 4%, e o governo evitar crescimento de despesas em outras áreas, daqui a um ano sobra dinheiro para dar um aumento maior do mínimo.

É possível que o governo não enxergue modo de diminuir as despesas esse ano, mas ache que para o ano que vem é possível evitar aumento de gastos. E se não for, aumentar impostos, como você escreve. Por isso prefere investir seu capital político agora do que arriscar inflação. Faz sentido, porque parar a inflação mais tarde é mais difícil do que evitar que ela aumente.

Além disso, os salários não são indexados ao mínimo. Então o aumento não significa necessariamente arrocho salarial, coisa que o governo não tem meios para impor. O desgaste com o eleitor não será tão grande.

domingo, 20 de fevereiro de 2011 00:31:00 BRT  
Blogger Geraldo G. Brasil disse...

Esse artigo é essencialmente político, e do mais alto nível.Mostra claramente a intenção do governo em pagar a conta da inflação com os salários de quem não reclama, como sempre. Do ponto de vista econômico, a conta não fecha porque a regra que origina o valor do SM é altamente inflacionária e não poderá durar muito tempo. Não resistirá aos diferentes ciclos econômicos. Mas, só para completar a idéia do artigo, não seria melhor cortar outros gastos públicos, tão exacerbados pelo governo anterior?

domingo, 20 de fevereiro de 2011 16:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A lógica reside no fato da necessiade de se conter a inflação agora, já que o Banco Central chegou à conclusão que se trata de uma inflação gerada por alta demanda, principalmente inflada pela melhora de vida das classes mais baixas.

domingo, 20 de fevereiro de 2011 17:35:00 BRT  
Blogger RONALDO disse...

A decisão do governo com relação ao SM foi marcadamente política e não econômica. Seria perfeitamente possível da dois pontos percentuais agora e retirar 3 no próximo ano. Mas o goaverno reza pelo credo de Maquiavel: "faça o mal de um vez só (e no início do mandato)e o bem aos poucos (e no fim do mandato). O governo não quer prolongar o combate da inflação para não atingir a época prè-eleitoral.

domingo, 20 de fevereiro de 2011 19:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Concordo com o comentário de Ronaldo enviado domingo, 20/02/2011 às 19h32min00s BRT. É claro que há que se levar em conta outros fatores além do acompanhamento dos ensinamentos (ou compilação) de M aquiavel para analisar a política do governo.
Já fiz alguns comentários mais recentes sobre o salário mínimo aqui no seu blog e indico alguns dos posts:
O primeiro é "Um detalhe cruel" de sexta-feira, 11/02/2011. O segundo é "A tentação tucana" de terça-feira, 11/01/2011 e o terceiro "O beabá" de quinta-feira, 13/01/2011. Desse último eu tiro o comentário que eu enviei terça-feira, 25/01/2011 às 20h31min00s BRST, Disse lá eu:
"Alon Feuerwerker,
Há um post de Na Prática a Teoria é Outra intitulado “E se Serra ganhasse?” de 13/10/2010 no endereço http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=7388
em que ele acusa de inviável e demagógica a proposta de José Serra de um mínimo de R$600,00 e conceder o 13º para o bolsa família. No comentário (#204) que enviei em 14/10/2010 às 02:11 am (A ordem, data e hora do envio só aparecem quando não se baixa o intensedebate) eu faço crítica ao post. Para o governo federal o problema de aumento do salário mínimo é pequeno e bem administrável. O problema é o que ele traz para as pequenas empresas e para os pequenos municípios. E dada a desigualdade das finanças públicas da região nordeste quando comparado com as finanças públicas dos entes federativos da região do sul e do sudeste maravilha não se pode deixar de ver na proposta de aumento maior do salário mínimo como mais um fator a desfavorecer as regiões mais pobres do Brasil"
.
Bem trouxe o meu comentário porque ele aborda um outro ponto, ou vários outros: o efeito do salário mínimo nas finanças estaduais e municipais e o caráter não isonômico dos efeitos entre as finanças estaduais. Há outros comentários que pretendo procurar aqui no seu blog e nos quais eu tive oportunidade em indicar outros pontos a serem considerados na avaliação da política do governo. E pretendo também analisar a questão numérica que você apresentou para criticar a política do governo para o salário mínimo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 20/02/2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011 23:19:00 BRT  
Anonymous Felipe disse...

Alon, você sequer leu a PL do Salário mínimo. Para 2012, o reajuste utiliza o índice de inflação de 2011 e o crescimento do pib de 2010. Portanto, em março o ibge divulga o crescimento do PIB, algo próximo de 8%, e a inflação próximo de 5%. Fazendo as contas, o que não é difícil, chega próximo a 615 reais o reajuste de 2012.

Que tal se informar mais, e se informando, informará melhor os seus leitores.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 15:32:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Gestão de política econômica, até prova em contrário, não é o forte nem do PT e nem de Dilma. Seguramente ela tem conselheiros que são de fora do partido.

Você seria indiscreto ao ponto de nomear algum?

PS: Deixei uma tréplica para Swamoro Songhay no post anterior. Não foi publicada. Confira, por favor, se ela não está esquecida por aí.

Abs.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 22:22:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Disse no meu comentário anterior de domingo, 20/02/2011 às 23h19min00s BRT aqui para este post "Um problema de lógica" de 20/02/2011 que iria procurar outros posts onde eu tivesse feito comentários sobre o salário mínimo. Não disse isso pensando no seu post "Dois pesos no mínimo" de 15/02/2011 que é um post mais recente sobre o salário mínimo e que vale bem uma leitura tanto no post como nos comentários. Disse-o pensando mais no post "Nem sempre é bom" de quinta-feira 20/01/2011, pois lá há uma discussão sobre geração de emprego relativamente ao crescimento do PIB que fica bem adequada para se abordar aqui.
Antes, entretanto, vou transcrever uma parte do seu comentário com a qual eu concordo integralmente. Você diz:
"Eu cravo esta última opção. O governo tem hoje como fixar, responsavelmente, um mínimo maior que R$ 545".
O complemento do que você diz é que eu acho questionável.
"Se não tivesse, não assumiria o compromisso de um aumento de 14% daqui a poucos meses. A economia não vai expandir nessa velocidade daqui até lá".
Primeiro, o questionamento voltaria para o seu arrazoado inicial que pode ser falho, mas sobre isso eu falarei depois. Segundo, mesmo que o governo não vá aumentar os tributos, há a possibilidade de um aumento da receita em razão de uma certa elasticidade da receita tributária com a renda da população no caso do imposto de renda e também no caso de aumento do preços de combustíveis que ficou congelado durante o governo de Lula. E terceiro há também o aumento da formalização dos postos de trabalho gerando mais receita para o INSS sem crescimento do PIB.
E para não dizer que eu sou só discordância, eu fique admirado quando você traz na seqüência uma afirmação com a qual eu concordo e sobre a qual penso que deveria doer nos donos dos nossos meios de comunicação. É quando você diz:
"Mas como possui uma base de apoio muito ampla e suporte maciço na elite para endurecer com os trabalhadores, tem capital político para aplicar um aperto providencial em época que pede exibições de austeridade".
O suporte maciço na elite para endurecer com os trabalhadores é uma frase para moldura. E quando alguém lhe censurar por não fazer crítica ao PIG, você pode tirar a moldura da parede e responder: Ninguém nunca disse uma crítica assim contra o PIG como eu disse nesta frase. E já pensou se o governo não fosse do Partido dos Trabalhadores, que covardia seria com eles (ou com vocês, dependendo de como você se considera: um trabalhador ou não)?
Tenho concordância ainda com os parágrafos que se seguem, embora considere que houve exagero de sua parte quando você diz:
“Pelo menos com o pedaço que sobreviver”.
Os que não sobrevivem são principalmente os desempregados. Foram os desempregados que morreram muito na última década do século XX.
Vou dar uma pausa e retomo a discussão do seu post em um próximo comentário, principalmente porque há uma afirmação sua sobre os ganhos do salário mínimo no governo de FHC com a qual eu não concordo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/02/2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 23:25:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Reforço minha crítica ao que você, após dizer que o governo do PT ainda terá três oportunidades para se reconciliar com os trabalhadores de salário mínimo, acrescenta:
“Pelo menos com o pedaço que sobreviver”.
Eu lembro que um dos grandes ensinamentos que eu aprendi com Inácio Rangel foi ver na inflação um mecanismo perverso de corrosão salarial, mas que não tinha o mesmo poder mortífero do desemprego.
Talvez se consiga obter na Folha de S. Paulo digital a polêmica dele com José Júlio Senna. Fiz uma referência dessa discussão junto ao post "Serra, o PTerodoxo, vai para o pau contra o PIG" de 10/05/2010 no blog de Na Prática a Teoria é Outra em comentário (#173) que enviei em 20/05/2010 às 04:36 pm (Data e horário somente se não baixar o intense debate).
Transcrevo o comentário, colocando entre colchetes correções que foi possível fazer:
"Na Prática a Teoria é Outra,
Se contra o meu entendimento, a análise da inflação sob o aspecto econômico for considerado como [a] mais [relevante] haverá muita discussão pela frente. No final da década de 80, na Folha de S. Paulo houve uma discussão interessante entre o economista José Júlio Senna e o, hoje já falecido, mas grande estudioso dos problemas nacionais, economista Ignácio M. Rangel.
Na Folha de S. Paulo de 08/11/1988, Ignácio M Rangel inicia o artigo "Inflação e distribuição da renda" transcrevendo uma passagem do artigo "A inflação brasileira e a teoria da inércia" de José Júlio Senna publicada na Folha de S. Paulo de 30/10/1988. Na passagem José Júlio Senna dizia:
"O perfil de distribuição da renda e da riqueza está se deteriorando, em função da brutal aceleração inflacionária . . . . Urge, portanto, interromper esse processo, promovendo-se a estabilidade dos preços".
Embora não desmerecendo o comentário, Ignácio M. Rangel considera um equívoco dizer que a inflação promove a desigualdade na distribuição da renda. E é rebatendo o trecho inicial transcrito que ele desenvolve todo o arrazoado.
No final depois de lembrar que há uma inflação ordinária, saudável resposta à recessão e uma inflação extraordinária, cuja causa profunda está no desequilíbrio das finanças do Estado, ele lembra os efeitos na manutenção baixa dos salários pela emigração rural, ou nas palavras dele:
"Cada trabalhador na sua atividade sente, às suas costas, uma fila de sombras – desocupados dispostos a tomar o seu lugar por qualquer salário". E emenda para terminar o artigo:
"Esta a causa profunda do desequilíbrio na distribuição da renda e a inflação não é a causa eficiente desse processo. Antes é uma de suas conseqüências".
É um ponto de vista distinto do que hoje expressa a grande maioria que atribui [à] queda da inflação [a] melhora da distribuição [da renda], esquecendo que há melhora na distribuição de renda quando se aumenta a carga tributária ainda que não haja variação relevante na taxa de inflação. E no período em que se melhorou a distribuição de renda houve também o aumento da carga tributária. Aumento que no primeiro momento serviu para reduzir a inflação e no segundo momento serviu para implementar políticas redistributivas".

O aumento do salário mínimo é benéfico para a economia ao melhorar a distribuição de renda. Não basta, entretanto, o voluntarismo, pois o aumento do salário mínimo compromete a competitividade do país no exterior e é fator de aumento do déficit público que com o juro baixo, com a capacidade instalada no limite e com a demanda crescente produz inflação.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/02/2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 08:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Apresento agora um parágrafo do seu post que repete uma idéia sua (pois a li em outro post seu) sobre os ganhos reais dos trabalhadores que recebem salário mínimo durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Diz você:
“Infelizmente para o governo Dilma Rousseff, essa tese, bastante popular entre quem ganha muitos e muitos salários mínimos, foi derrubada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Mais aquele do que este, mas cada um a seu tempo”.
Será que essa informação é factual? Bem, Fernando Henrique Cardoso assumiu o Ministério da Fazendo em 19/05/1993. Com a Port.Interm.N¹7 de 03/05/93 publicada no Diário Oficial da União em 04.05.93 e de eficácia a partir de 01.05.93, o salário mínimo ficou estabelecido em Cr$ 3.303.300,00. Esse foi o salário mínimo que Fernando Henrique recebeu. Pode-se imaginar que o salário mínimo sofrera atualização para maio, utilizando-se dos índices de abril de 1993. Pela FGV, o índice do IGP-DI relativo a abril de 1993 era de 0,854. Considerando que em agosto de 1993 a moeda perdera três zeros e que em julho de 1994 a moeda fora convertida pelo fator de conversão de 2750 e, além disso, levando em conta que em março de 2002 o índice do IGP-DI foi de 215,17, escolhido tendo em vista que a Medida Provisória Nº 35 de 27/03/2002 publicada no Diário Oficial da União em 03/04/2002 teve eficácia a partir de 01/04/2002 definindo que o salário mínimo seria de R$200,00 e foi quando se teve o último aumento do salário mínimo no período em que Fernando Henrique Cardoso fora presidente do Brasil, pode-se constar que o salário mínimo correto deveria ser em abril de 2002 de R$302,31.
A parafernália do Plano Real engana-nos bastante. A troca da moeda, primeiro em agosto de 1993 com o corte de três zeros e depois com a divisão por 2750 na implementação do real em julho de 1994; já dificultou a análise para muita gente e houve alem disso o expurgo de uma inflação de 20% que ocorreu em junho, mas que só seria medida em julho e o governo previamente estabelecera em lei o seu expurgo. Expurgo que explica um tanto porque o cambio ficou defasado. Se ele não fosse previsto e a taxa de câmbio seguisse o modelo de taxa administrada que se tinha até então acompanhando a inflação, a taxa de câmbio iniciaria o mês de agosto mais próxima de 1,24.
Não fez o governo esse expurgo para benefícios dos rentistas. Os que tinham títulos corrigidos pelo IGP-M também foram prejudicados. Como eu digo lá no comentário que eu transcrevi do blog de Na Prática a Teoria é Outra, a melhora da distribuição de renda no governo de FHC que existiu deveu-se mais ao aumento da carga tributária. Não foi em decorrência da queda da inflação como muitos apregoam nem em decorrência do aumento do salário mínimo em que muitos temam em acreditar. Há também o fato do país ter crescido menos naquele período. Quando a economia cresce muito rapidamente a tendência ao aumento da desigualdade acentua.
Você pode ainda perguntar: e aquela pressão consumista que acarretou até aos problemas no Balanço de Pagamento como é que se explica? Bem, é o risco inerente a se acabar com a inflação de uma vez. A sensação que os preços estão baratos (quando se compara com outros países verifica-se que não estão tão baratos assim) e a facilidade do crédito criam a pressão consumista. O consumo de veículos de 1997 (Produção mais importação) só foi ultrapassado pelo consumo cerca de 10 anos depois.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/02/2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 08:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Entre as parafernálias do Plano Cruzado que eu menciono em meu comentário de 22/02/2011 às 08h32min00s BRT, eu esqueci de referir à adoção da URV.Ali também com um pouco de prestidigitação o governo conseguiu realizar uma redução do salário mínimo. Não ficava evidente porque o argumento de que se asseguraria o salário médio, ou real, ou de efetivo valor, era inconteste. Se se, entretanto, recorda que Marcílio Marques Moreira estava reduzindo a taxa de inflação, fazendo-a cair de quase 30% no final de 1991 para quase 20% em abril de 1992 e talvez no ritmo que a inflação reduzia-se era possível que em 1994 ela estivesse próximo de um patamar de 3 a 5% ao mês, o salário mínimo e todos os demais salários teriam o ganho integral dessa queda da inflação e não a atualização do valor pela média como se adotou.
Outro ponto é que minha crítica ao governo de Fernando Henrique Cardoso é mais vinculada a se fazer um Plano Econômico para se acabar com a inflação de uma vez, de se fazer esse plano em véspera de eleição, de fazer esse plano para eleger um determinado candidato e de se fazer esse plano para eleger um presidente que sequer fora presidente de um grêmio recreativo na juventude quando se forjam em pessoas com capacidade de liderança atributos e habilidades próprios de quem precisa exercer cargos de execução. Nunca acusei Fernando Henrique Cardoso de neoliberal. Aliás não o acusei não só porque sabia que ele não era, mas também porque sei que não há a possibilidade do exercício do neoliberalismo. A evidência do aumento da carga tributária no governo de Fernando Henrique Cardoso deveria servir como prova irrefutável da falta de senso da acusação que se lhe fazem.
Aliás, a minha idéia sobre a impossibilidade prática do neoliberalismo que advogo há mais de 20 anos teve hoje, 22/02/2011, uma boa defesa no artigo de Antônio Delfim Netto no jornal Valor Econômico no artigo “O fundamento fiscal” na passagem transcrita a seguir:
“A partir dos anos 90 do século passado, cristalizou-se a idéia que eles [os governos] poderiam controlar as variações da conjuntura econômica, manobrando a política fiscal ( . . . . )e a política monetária ( . . . . ).
Para produzir essa virtuosa combinação, entretanto, os governos deveriam: 1) garantir com instituições adequadas o funcionamento eficiente dos mercados; 2) abster-se de interferir no seu funcionamento ( . . . . ); e 3) realizar suas tarefas com a menor tributação possível.
( . . . . )
Nunca incomodou aos seus formuladores, o fato que não existe, na história do mundo, um só exemplo de país que tenha se desenvolvido seguindo tal receituário. Pelo contrário, todos que se desenvolveram tiveram um Estado-Indutor visível ou invisível”.

O artigo de Antônio Delfim Netto me chamou mais atenção na passagem descrita pelo fato de ele ter incluído na ironicamente denominada virtuosa combinação que foi, como ele diz em passagem mais à frente, “surpreendida e desmoralizada pela trágica crise financeira de 2007/2008” a idéia de que os governos deveriam “realizar suas tarefas com a menor tributação possível”. Chamou-me atenção porque a carga tributária que Ernesto Geisel conseguira a duras penas elevar a 27% do PIB fora rebaixada no final do governo de João Figueiredo a 24% do PIB.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/02/2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 13:43:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Paulo Arújo-segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 22h22min00s BRT. Li sua tréplica. E deixei lá um OK.
Swamoro Songhay

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 16:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Além de considerar um risco ter indexado o SM que, conforme já dito por vários analistas, o SM é também um indexador, no texto do PL só se fala em crescimento real do PIB. A não ser que tenham descoberto o moto contínuo ou moto perpétuo em economia, pode ocorrer do PIB não crescer. Acontece. Até no Brasil. Como ocorreu em 2009. E ai...
Swamoro Songhay

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 17:08:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Resta então ver a consistência dos seus argumentos voltados para mostrar que se em 2012 o governo pode dar um aumento de 8% (Pelo crescimento do PIB) e de mais 6% ( pela inflação), ele poderia hoje dar um aumento melhor. O meu questionamento não é se o governo poderia dar hoje um aumento melhor. Nisso eu concordo com você. Mesmo o aumento de José Serra, isto é, elevar o salário mínimo para R$600,00 reais me parece factível, embora traga muitas conseqüências ruins para a economia. Discordo é de se crer que, já se sabendo que, em 2011, o PIB crescerá de cerca de 4%, só se o governo tiver sobra de recursos hoje ele terá condições de dar o aumento de 14% em 2012.
Primeiro vejamos como o crescimento do PIB impacta a receita. Normalmente há uma elasticidade renda per capita com a receita tributária, mas os governantes não podem contar com isso. Desconsiderando a elasticidade renda receita, é preciso saber se a receita em 2011 crescerá na mesma taxa do crescimento do PIB mais a variação da inflação. O PIB é o total produzido em um ano. A receita que esse total produzido no ano gera, tudo o mais permanecendo constante ou a menos de variações específicas e imaginando não haver elasticidade renda receita, é proporcional a receita que um outro total de tamanho maior ou de tamanho menor gera. O problema é que em razão de prazos para pagamento, da natureza e período do fato gerador e outros fatores a receita que o total produzido em um determinado ano gera não é paga (ou recebida pelo governo) no mesmo período em que o total foi produzido.
Há ainda mais. No post "Nem sempre é bom" de quinta-feira, 20/01/2011, em comentário enviado quinta-feira, 20/1/2011 às 02h17min00s BRST, o comentarista Ricardo alertou para o fato de que o aumento de empregos em um ano revelar não a efetiva geração de empregos, mas a simples formalização do emprego. A boa fiscalização em 2011 será fator importante para se aumentar a receita tributária sem que tenha havido aumento correspondente do PIB (No caso haveria aumento da carga tributária, embora sem majoração de alíquotas nem criação de novos tributos).
Há também a questão da inflação. A receita hoje disponível para o mínimo é um determinado valor. No próximo ano esse valor será acrescido pela inflação e também pelo crescimento do PIB. Bem, mas há outras receitas agora alocadas em outros projeto e atividades. No ano que vem essas receitas sofrerão acréscimos em decorrência do aumento do PIB e em decorrência da inflação. O governo pode segurar esses projetos e atividades reduzindo o total gasto com eles, ou pode simplesmente não os fazer crescer na mesma taxa do crescimento do PIB mais a taxa de inflação. De um quinhão muito maior de gastos o governo terá como lucrar com a inflação. Somente quem nunca administrou um país pobre pensa em acabar de uma vez com a inflação, pois ela é um instrumento poderosíssimo para resolver problemas de caixa de um governo.
Lembro ainda que tudo parece indicar que em 2012 o juro estará muito mais alto do que hoje. Isso permite controlar melhor os efeitos inflacionários que um aumento maior de salário mínimo provoca.
Também não custa ressaltar que um aumento de salário mínimo com uma moeda valorizada prejudica bastante a competitividade do país no exterior. Quem sabe se já em 2012, o governo tenha conseguido uma maior valorização do dólar e a valorização do salário mínimo traga efeitos menores na competitividade da economia.
Deixo para depois uma discussão sobre a relação crescimento do PIB e crescimento da Receita, para saber se, atendo exclusivamente a esse ponto, sua afirmação de que uma vez se possa dar amanhã pode-se dar hoje seja consistente.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 23/02/2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 13:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Dentre os vários fatores que podem interferir para dar condições ao governante para em um ano seguinte mesmo com um crescimento menor se tenham melhores condições de gastos públicos do que no ano em curso, eu mencionei uma provável desvalorização do real que contrabalancearia a perda da competitividade internacional que o aumento do salário mínimo provoca. É só a possibilidade. Se tudo repetir a crise de 1988, quando os Estados Unidos tiveram que conviver por um longo período com juros de quase zero, só a partir de 2012 (A torcer que Barack Obama tenha melhor sorte que George Herbert Walker Bush, o pai, que perdeu a eleição para Bill Clinton não só porque o crescimento econômico só deslanchou em 1992, ano da reeleição, como também teve a concorrência de Ross Perot) haverá retomada do crescimento americano e em 2014 haverá o aumento do juro nos Estados Unidos que produzirá a fuga de dólares das economias em desenvolvimento, provocando crises semelhantes ao do México no início de 1995, a dos Tigres Asiáticos em 1997, a russa em 1998, a do Brasil nas crises anteriores e em 1999 e depois na crise da Argentina em final de 2000 (Eis uma crise interessante essa que ocorreu na Argentina governada por Fernando de la Rua e porque não questionar se o levante no mundo árabe não é, mais do que um levante por democracia, um levante contra a crise econômica, afinal, os árabes estão muito próximos da Europa com a qual mantêm forte relação mercantil e a Europa está em forte crise econômica) depois na crise do Brasil da eleição de 2002 (Brasil que também sofrera na crise da Argentina em 2000 e voltara a sofrer no ano seguinte com a crise do racionamento de energia também chamada de crise do apagão e que alguns confundem ou querem confundir com as atuais deficiências brasileiras no setor energético).
É esperar para ver, até porque se poderá verificar também se a repetição virá como uma farsa.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/02/2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 14:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker
Vou tentar agora visualizar a curva de crescimento da economia em 2009 e 2010 não só para saber com qual tendência se começa o ano de 2011, como também para se obter se não a curva da receita pelo menos uma aproximação válida da receita total recebida. A curva da receita pode, por uma série de razões, ser diferente da curva do PIB, mas deve pelo menos no total acumulado para um período, a menos de defasagem natural, guardar proporcionalidade com o total do PIB.
Há um outro aspecto a ser considerado. O PIB é expresso em valor e traduz uma medida do total físico produzido. Esse total, embora seja muitas vezes tratado como se fosse produzido de uma vez, ele é, com efeito, a somatória do que é produzido em cada instante, embora o que seja produzido em cada instante possa se constituir em produtos diferentes. É como se em um instante se produzisse laranja, no instante seguinte se produzisse maçã, em um instante lá na frente se produzisse banana e assim por diante, mas como tudo é expresso em valor tudo pode ser somado. Em um ano de crescimento, supondo que todos trabalhassem igualmente e sem descanso desde o primeiro instante do ano até o último, pode-se dizer que no início do ano o produzido em um instante é menor do que o produzido em um instante no final do ano. É sabido que o total produzido durante o ano seja a área sob a curva que representa a produção de cada instante durante o ano. Curvas assim são curvas exponenciais. Para melhor visualização e tendo em vista que se trata de taxas pequenas de crescimento e para períodos pequenos podemos supor que a curva seja uma reta. Podemos visualizar situações distintas. Retas (Na verdade curvas exponenciais) que apresentavam a mesma inclinação em anos diferentes, ou seja, que indicavam que o crescimento se dava em um mesmo ritmo (Na verdade a curva exponencial só poderia ser representada por uma reta com inclinação positiva se o crescimento fosse decrescente). Outra possibilidade seria reta com inclinação positiva e subitamente a reta perdesse a inclinação. Algo como a produção vir crescendo até o final do ano e no início do ano seguinte ela estaciona até o final do ano. Visualmente essa outra possibilidade é uma rampa com um piso no final. A primeira idéia que essa rampa nos dá é que no ano da rampa houve crescimento e no ano seguinte não houve crescimento. No entanto, ao se medir vai-se verificar que houve crescimento que equivaleria a metade do crescimento do ano anterior. É como se o PIB pudesse ser representado no meio do ano e o crescimento que ocorreu no segundo semestre fosse transferido para o ano seguinte.
Paro aqui e tentarei finalizar em um próximo post.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/02/2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 23:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Há um comentário anterior ao último (consta nos meus alfarrábios que ele foi enviado hoje, 24/02/2011 às 22:35 enquanto o último foi enviado às 23:16) que parece que ficou retido.Não vi razões para a censura, assim se a não inclusão dele entre os comentários foi por alguma razão de conexão amanhã tornarei a o enviar.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/02/2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 00:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Este comentário deveria vir antes do enviado quinta-feira, 24/02/2011 às 23h16min00s BRT. Para o caso de não ter sido problema de conexão, alterei a parte que poderia ter dado motivo a não aceitação aqui na caixa de comentários.
Bem, pensava ainda em fazer uma análise complementar sobre a relação entre o crescimento do PIB e crescimento da receita que levasse em conta também além da defasagem natural entre crescimento do PIB e crescimento da receita aspectos que vinculassem a forma de crescimento do PIB com o crescimento da receita. Como exemplo: uma taxa de crescimento muito acentuada não atuaria sobre a receita de forma diferente de uma taxa de crescimento mais lenta? Além da forma é de se questionar se a natureza do crescimento também não afetaria de modo diferente a receita, ou seja, o crescimento devido ao aumento do consumo não produz variação diferente na receita de um crescimento em decorrência de investimentos, ou de um crescimento induzido pelo mercado externo? Também não traria efeitos diferentes na receita o crescimento econômico que se dá de maneira diferente em cada setor da economia? Taxas de crescimento industrial baixa e de serviços alta não produz efeitos na receita diferente de crescimento elevado na agricultura, pecuária, extração mineral e vegetal e serviços e pequeno na indústria? E condições econômicas não criam taxas de crescimento da economia diferente das taxas de crescimento da receita? É o caso de crescimento em economia com alta taxa de desemprego comparativamente com crescimento da economia em que já existe uma situação de pleno emprego.
Essas questões servem mais como advertência sobre a dificuldade de se estabelecer a priori a relação entre o crescimento do PIB e o crescimento da receita. Sem ser economista, o acompanhamento ao longo dos anos do crescimento do PIB brasileiro e dos efeitos desse crescimento na receita, principalmente estadual, fizeram-me atentar para esses efeitos, mas sem conhecimento suficiente para detalhar com a perícia necessária os termos das respostas às questões formuladas.
Considero válido, entretanto, ter uma visualização melhor do crescimento em 2010 e em 2011 para com essa visualização ter idéia também do que deve ocorrer com a receita uma vez que salvo uma defasagem natural e condições bem específicas as duas curvas (ou o acumulado sobre as duas curvas) guardam semelhança. Para ter idéia de como será o crescimento trago aqui um trecho de um comentário que eu enviei terça-feira, 25/01/2011 às 19h58min00s BRST para o post "Sem czar na economia" de 12/01/2011 em que eu disse para você:
"Não vejo, ( . . . . ), muita razão de se recriminar ao ex-presidente por tecer loas a situação econômica brasileira. Não creio que ele disse que a situação econômica do Brasil não é menos que espetacular, mas se o PIB de 2010 crescer a uma taxa mais próxima de 8% penso que a nossa situação é ótima.
É bem verdade que se a taxa de crescimento do PIB for mais próxima de 7% é de se imaginar que o PIB já esteja crescendo a taxas muito baixas e a tendência seria a estagnação. Então os dados [disponibilizados pelo IBGE] em março é que nos vão esclarecer mais".

Então é isto: faltam os dados do quarto trimestre de 2010 para se ter mais certezas sobre o crescimento em 2011. Ainda sem esses dados em um próximo comentário eu tentarei dar uma visualização do que ocorreu em 2009 e do que ocorreu até o terceiro trimestre de 2010 e as possibilidades para o quarto trimestre de 2010 e para o ano de 2011. E é preciso estar atento para o fato de que os dados do quarto trimestre de 2010 apresentados em março de 2011 são dados provisórios podendo sofrer alteração durante o ano. Para se ter idéia, o terceiro trimestre de 2009 teve anualizado na primeira informação um crescimento de 5,3%, na segunda divulgação dos dados do PIB o crescimento foi de 9,09% e na terceira divulgação o crescimento foi de 10,81%.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/02/2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 09:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Faço agora o arremate da tentativa de se visualizar o mais próximo possível o que ocorreu em 2009 e em 2010 e o que ocorrerá em 2011. Em 2009 a reta que representasse o crescimento teria uma inclinação positiva. Anualizando os dados fornecidos pelo IBG tem-se crescimento de 6,1% no segundo trimestre de 2009, 10,8% no terceiro e 8,6% no quarto. Foi um ano de crescimento expressivo, salvo no primeiro que foi negativo em relação ao quarto trimestre de 2008. Esse crescimento negativo do primeiro trimestre de 2009 não reflete a realidade. Houve crescimento, mas como se parte de um ponto inicial muito baixo em razão da forte queda do PIB no quarto trimestre de 2008, o crescimento aparece como negativo. Em outras palavras, o ponto médio do quarto trimestre de 2008 pelo fato de o PIB ter-se iniciado de um nível bem alto (O final do terceiro trimestre de 2008) e mesmo tendo sofrido uma queda continuada e forte ao longo do quarto trimestre estava bem acima do ponto médio do primeiro trimestre de 2009 mesmo que no primeiro trimestre tenha havido crescimento e desde que o crescimento não fosse tão acentuado como a queda.
Com dados sujeitos a alterações, em 2010 houve: crescimento anualizado de 9,52% (fora de 11,25% na primeira divulgação) no primeiro trimestre, 7,40% no segundo trimestre e de 2,02% no terceiro trimestre. O baixo crescimento no terceiro trimestre se não foi erro de cálculo é um forte indicativo da queda no ritmo de crescimento do PIB. É como se a reta, que tivera uma forte inclinação em 2009 (Bem ao contrário do que se imagina quando se informa que em 2009 o crescimento foi negativo), a partir do segundo trimestre de 2010 estivesse quase na horizontal. A tendência da reta do crescimento ficar mais paralela é ainda mais forte quando se reconhece que o crescimento do final do ano de 2009 ajudou o primeiro trimestre de 2010 a crescer em uma taxa anualizada de mais de 11% (9,52% na última divulgação do PIB trimestral). Desde então o crescimento tem arrefecido.
Falta saber o quarto trimestre de 2010. Se o crescimento do PIB de 2010 for igual a 7% a economia vai estar quase parando. Se a taxa de crescimento for 8% há chances de, tendo em vista uma recuperação da economia no quarto trimestre de 2010, o crescimento em 2011 não ser tão fraco como se fala. Se for o crescimento de 7% ai o mais provável é que o crescimento em 2011 fique abaixo de 3%.
De to modo o que se desejava alertar era que as informações sobre o PIB de 2009 e de 2010 levavam a conclusões equivocadas. Se pelos dados do IBGE, 2009 apresentou crescimento negativo e 2010 vai apresentar um elevado crescimento, a visualização resultante desses dados era a curva do PIB em 2009 quase uma paralela ao eixo dos xx e a de 2010 com uma forte inclinação em forma de uma rampa. Na realidade a rampa foi em 2009 incluindo o primeiro trimestre de 2010. E o piso foi o ano de 2010. Se fosse o contrário, com a forte rampa ocorrendo em 2010 e contando com a defasagem entre o PIB e a receita, a receita ainda cresceria muito em 2011, mesmo que ao longo do ano não houvesse crescimento expressivo do PIB de um semestre para o outro.
Se for assim e se tudo mais (supondo o contrário do que se sabe) permaneça constante, seu argumento de que o aumento de receita em 2012 em decorrência da inflação e do crescimento do PIB, não será suficiente para que o governo possa cobrir o aumento já previsto de 14% em 2012 no salário mínimo ganha força. Uma força que evidentemente tem que ser relativizada como se viu nos outros comentários que enviei para este post. Aliás, não só os que eu enviei. A idéia de que se o governo não deixar outras despesas crescerem no mesmo ritmo do aumento do PIB e da inflação, ele obterá no ano que vem mais recursos para conceder para o salário mínimo foi primeira apresentada por Pait no comentário que ele enviou domingo, 20/02/2011 às 00h31min00s BRT, aqui para este post “Um problema de lógica” de 20/02/2011.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/02/2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 14:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Enquanto aqui neste post "Um problema de lógica" de domingo, 20/02/2011, eu tentava elaborar meus comentários com a pretensão de convencê-lo de que você estava equivocado na sua lógica, eu lembrava de outras tentativas minhas de o convencer de opinião contrária a que você defendia. Foi assim na sua crítica à campanha do governo Lula em favor dos biocombustíveis, e foi assim também em relação à geração de emprego. E agora vejo o mesmo ocorrendo em relação ao salário mínimo. Houve casos em que eu tive a sensação que convencera você. Foi quando vi sua opinião sobre o fisiologismo em post recente "A tentação tucana" de terça-feira, 11/01/2011. Para minha surpresa essa sua opinião já havia sido expressa com toda a propriedade no post "O darwinismo político e o suicídio da elite" de quarta-feira, 09/08/2006.
E enquanto eu redigia os comentários ou consertava alguns que me pareceram não ter contado com a sua aprovação, eu dava uma olhada nos post seguintes que você publicou. Primeiro veio "Parceiros desalinhados" de terça-feira, 22/02/2011. Um bom post em que eu encasquetei com o título porque na década de 70, leitor crítico da revista Veja, eu não concordava com a forma americanizada que a revista dava à política internacional bem expressa no título de uma reportagem sobre reunião de países não alinhados. O título na Veja era "Não-alinhados e desalinhados". Vendo o que restou de Joseph Tito, Fidel Castro, Nasser e outros é de se dizer, parodiando a Folha de S. Paulo em especial sobre Roberto Campos: "Veja, você venceu".
E no seu caso, talvez você também vença e consiga comprovar o desalinhamento que eu não consegui inferir do seu post. Comprovação que significaria que você tem razão na questão do salário mínimo, assunto que você retoma no post para mostrar o desalinhamento defendendo a sua velha crítica sobre a política do atual governo sobre o salário mínimo.
No post seguinte, "Couro espesso" de quarta-feira, 23/02/2011, o assunto é outro. Nele você faz uma boa comparação entre a diplomacia de estado de Fernando Henrique Cardoso e a diplomacia de viés presidencial de Lula. É novo, mas é sua mesma crítica a política externa do governo Lula.
Segue então o post "Um caderninho precioso" de quinta-feira, 24/02/2011. Embora eu não concorde na íntegra com a idéia na parte do post que você subintitulou "Fuzil ou corda" o que há de mais especial no post está em outra parte e para a qual você deu o subtítulo de "Heranças" exatamente para questionar o tamanho do salário mínimo deixado como herança por Lula e que Dilma Rousseff não aumentou substancialmente.
Há então o quarto post e cujo título é "Passagem para o futuro" de sexta-feira, 25/02/2011 em que você encontra nova oportunidade de criticar o Caged e as séries sobre geração de empregos.
Enfim é isso, como na música Opinião, você parece disposto sempre a cantar:
"Podem me prender, podem me bater, que eu não mudo de opinião"
É talvez tenha razão Paul Simon em The Boxer:
"After changes upon changes, we are more or less the same".
Clever Mendes de Oliveira
BH, 28/02/2011

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 22:32:00 BRT  

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