quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ofender-se para não debater (06/10)

Quando a Igreja defendia os perseguidos políticos na ditadura, o pessoal hoje no poder achava muito natural os religiosos terem militância

Se o partido que abraça determinada bandeira tem o direito de faturar politicamente a partir dela, por que não estender o mesmo direito a quem não concorda com a proposta?

O PT capitalizou alto em círculos socialmente progressistas quando tentou bancar a ferro e fogo o Programa Nacional de Direitos Humanos, na sua terceira versão (PNDH 3). O texto nasceu de uma conferência nacional. Depois de muita negociação interna no governo, foi mexido e virou decreto presidencial.

Com isso, o partido e Luiz Inácio Lula da Silva aproximaram-se ainda mais de quem defende a legalização do aborto, o controle social sobre os veículos de comunicação e mecanismos jurídicos mais favoráveis à rapidez na reforma agrária. Certamente ganharam votos nos grupos que concordam com o conteúdo do PNDH 3 e com o espírito deste.

Mas o PT ofende-se quando os contrários à visão de mundo embutida no PNDH 3 e às iniciativas decorrentes do programa se mobilizam e procuram convencer o eleitorado a votar contra o PT.

As iniciativas do PT são sempre “positivas” e “propositivas”, ainda que circunstancialmente precisem ser engavetadas por causa das condições desfavoráveis. Já os movimentos em oposição às propostas do PT são sempre “negativos”.

Menos. Assim como é legítimo o PT buscar votos nos movimentos feministas comprometidos com a defesa do aborto legal, é perfeitamente democrático grupos religiosos proporem que o eleitor deixe de votar no PT por causa disso.

A maneira não agrada? Que os magoados -vale para ambos os lados- busquem reparação judicial. Não dá é o PT, ou qualquer outra legenda, achar que vai introduzir e retirar assuntos da pauta unicamente a partir das conveniências eleitorais.

O eleitor não dá muita importância para as opiniões e preferências pessoais dos candidatos sobre temas comportamentais. Ninguém ganha nem perde eleição por causa disso. Temas só adquirem densidade política quando o debate aponta para ações efetivas.

A questão não é o que os candidatos “pensam sobre”, é o que farão se eleitos. Por isso todo debate é bom, e não deve haver temas interditados.

O PT lá atrás foi vanguarda para desbloquear a discussão de pontos como a união civil homossexual, a legalização do uso das drogas e a ampliação irrestrita do direito ao aborto legal.

Agora, como a polêmica não parece adequada aos propósitos imediatos, trata de interditar a suposta “baixaria”, a pretexto de “elevar o nível” na eleição.

A vida é mais simples do que isso. O PT deseja fazer avançar, num eventual novo governo, as propostas do PNDH 3? Que defenda abertamente e peça votos com isso. O PT acha que não é o caso de implementá-las? Então assuma publicamente o compromisso de mandar o calhamaço ao arquivo pelos próximos quatro anos.

No grito é que não vai levar. Nem na base da cara feia ou de se fazer de ofendido. Vai precisar assumir compromissos e entender que o poder tem limites. Por forte que o PT possa ser hoje, a Igreja Católica carrega mais de 2 mil anos na estrada e já enfrentou gente bem mais poderosa do que Lula e os aliados dele.

Sem falar nas igrejas evangélicas. Aqui, um aspecto especialmente triste. Como a turma não tem coragem de bater de frente com o pessoal do Papa, preferem investir contra os evangélicos.

Afinal, esta nação foi inaugurada com uma missa católica.

Apesar disso, não lembro de outra ocasião em que padres e pastores alcançaram este grau de unidade, pelo menos desde que ambas as categorias ajudavam a combater a ditadura.

E, a propósito, quando as igrejas cristãs defendiam os perseguidos políticos na ditadura, o pessoal hoje no poder achava muito natural os religiosos terem militância política.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quarta (06) no Correio Braziliense.

twitter.com/AlonFe

youtube.com/blogdoalon

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25 Comentários:

Anonymous paulo araújo disse...

"Como a turma não tem coragem de bater de frente com o pessoal do Papa, preferem investir contra os evangélicos."

Direto ao ponto. Ou como se diz atualmente, essa pegou na veia.

terça-feira, 5 de outubro de 2010 23:30:00 BRT  
Anonymous Ivanisa Teitelroit Martins disse...

Alon,

Tanto barulho por nada. Você tem razão quanto à motivação e o interesse dos políticos pelos assuntos comportamentais: não há. O PNDH 3 reuniu pleitos originários das outras conferências nacionais: pleitos por novos direitos. Na Conferência Nacional de 2007 em defesa dos direitos das mulheres havia somente um pequeno grupo de jovens de 16 a 25 anos, principalmente de São Paulo, batendo um grande bumbo para que fosse incluída a legalização do aborto. Por outro lado, a maior resistência a este pleito provém também de um bispo do Guará-sul em São Paulo. Estas duas posições extremistas se localizam em São Paulo e esta polêmica está se irradiando a todo o país. Como seria bom que houvesse a radicalização da discussão da educação pública e não do aborto! O Brasil, sua classe política e os brasileiros precisam radicalizar e fazer plebiscitos pela qualidade do ensino. A questão do aborto é minimalista e distrai o eleitorado, enquanto nada se faz no campo da educação.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 06:34:00 BRT  
Anonymous Ivanisa Teitelroit Martins disse...

Proponho uma pauta diferente. Observei que entre os governadores eleitos que estiveram no Palácio da Alvorada, em defesa da candidatura de Dilma, havia somente 3 petistas. E teremos no próximo governo uma mudança que considero importante: a descentralização do poder da União aos governos estaduais. A principal estratégia do atual governo foi a de fortalecer a bancada governista no Congresso, de modo a garantir a aprovação de projetos importantes para o país. A aprovação dos projetos não garante implementação. É preciso gestão que não cabe à União. Portanto, considero que o foco nos próximos quatro anos estará voltado para os governadores dos estados. É um passo na construção do pacto federativo que foi exaustivamente discutido entre os anos de 1995 e 1998, segundo princípios constitucionais. É preciso politizar a pauta da imprensa.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 06:47:00 BRT  
Blogger Briguilino disse...

Como sempre o texto muito bem escrito, lúcido e parcial, não é mesmo? Critica o PT e poupa o PSDB. Talvez porque você não saiba que na prática foi o Serra como ministro da saúde que mais fez por facilitar o aborto. Mas, tudo bem Alon isto também é um direito teu posar de imparcial.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 08:18:00 BRT  
Anonymous Nehemias disse...

Alon,

Meses atrás vc escreveu (sobre o PNDH):
"Alguém mais distraído poderá imaginar ter sido bolado mais ou menos assim. Um dia Luiz Inácio Lula da Silva chamou os auxiliares próximos e ordenou: “Arrumem aí um projeto qualquer que provoque bastante confusão e me crie problemas com todo mundo. Mas, olhem lá, com todo mundo mesmo”."

So faltou dizer, "eu disse, não te disse?!!!"

Eu entendo, em parte, a indignação do PT. Direito ao aborto, união homoafetiva são demandas legitimas de amplos segmentos da sociedade, e evita-se de todo modo discuti-las, muitas vezes de forma hipócrita. Além disso, os ataques na internet foram exagerados, no sentido de que Dilma foi retratada como a imagem do anticristo, e de que instauraria uma ditadura gay e comunista, não necessariamente nessa mesma ordem.

Agora, como partido dominante o PT tem que ter em mente que tudo que fizer ou propor pode, e certamente será, usado contra ele. É por isso por exemplo, que nos EUA, mesmo o partido democrata não assume, oficialmente, determinadas bandeiras. E por isso, também, que aqui mesmo, ninguém diz que vai privatizar, fazer reforma da previdência ou administrativa, justamente porque, mesmo que a intenção seja boa, seu adversário pode fazer vc parar no inferno por causa delas. Além disso, a melhor maneira de fazer avançar qualquer proposta é de forma gradual, contornar a oposição, separar os que são mais moderados dos radicais, e evitar partir pro enfrentamento.

Quatro anos atrás, vc tinha o Alckmin, que vinha com aquele papo de "menos imposto, mais emprego", ai, a campanha de Lula, num dos mais brilhantes movimentos publicitários conhecidos, disse que o governo do PSDB faria o massacre da serra elétrica no estado, venderia Petrobras, BB, CEF e todas as outras estatais, demitiria servidores públicos, e colocaria os poucos que sobrassem a pão e agua, além de passar o trator no bolsa-família. A imagem de "Edward Mãos de Tesoura" colou no Alckmin, que perdeu de lavada. Certamente, como hoje, o ataque foi exagerado, injusto, e em algumas vezes, baixo. Não creio que o Alckmin viria com essa sanha privatista toda. Mas o fato é que o governo FH privatizou várias empresas, fez uma reforma administrativa e previdenciaria (em grande parte, necessária), e que várias vezes a oposição criticou a explosão de gastos e falou de bolsa-esmola. É por isso que hj, Serra defende SM de R$ 600. A Casa das Garças deve achar um horror, mas, paciência, ninguém ganha eleição falando que vai desvincular o slário mínimo das aposentadorias.

Obviamente, entre colocar no papel a legalização do aborto, casamento gay, retirada de simbolos religiosos de repartições públicas, e, efetivamente faze-lo, vai uma distância muito grande. Mas você colocou no papel, e deu munição aos seus adversários, distanciando uma grande parte da sociedade que gosta do governo Lula e de suas realizações, mas sente melindrada por algumas ações específicas. Agora, chora na cama por que é lugar quente. Se Dilma perder a eleição (eu acho que não perde), a culpa não terá sido do mensalão, aloprado, cartão corporativo, quebra de sigilo ou Erenicegate, mas das discussões associadoas ao PNDH, e sua promoção, de forma aloprada, a agenda de governo.

Mas Dilma ainda é a favorita, e não falta apoio para reverter essa situação. Vai sair desse sufoco. E contará com meu voto. Mas se eu fosse o Lula, mandaria o cara que veio com esse papo de PNDH-3 para @#$%%%*, ou, como não para publicar isso no Diário Oficial, para uma temporada de tempo indeterminado junto ao companheiro Ahmajimejad.

Abs,

Nehemias

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 11:25:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

É preciso reforçar o caráter laico do estado.Purgar toda e qualquer manifestação ou símbolo religioso das repartições públicas.Retirar o surrealista ensino religioso das escolas públicas, e reforçar que religião é assunto privado, e seus sistemas morais não podem em hipótese alguma nortear políticas públicas de saúde e educação.Enquanto isso não acontecer vamos ter eleições decididas a partir de posições metafísicas desprovidas de qualquer sentido prático.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 12:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Muito interessante, Briguilino. Da mesma forma alguém poderia acusar algum Ministro da Educação por ter dado condições às pessoas aprenderem a ler e a escrever. E quando cresceram, passaram a ler a Bíblia e a professar crenças cristãs católicas ou protestantes. Assim, desaprovam políticos que encarnam ou não são claros quanto à posições contrárias às suas crenças. O que fazer? Fechar escolas ou dominá-las? Fechar hospitais, pois, são procurados por pessoas que deles necessitam?Realmente interessante.
Swamoro Songhay

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 13:34:00 BRT  
Blogger Zarastro disse...

"Quando a Igreja defendia os perseguidos políticos na ditadura, o pessoal hoje no poder achava muito natural os religiosos terem militância". Desculpe Alon, mas isso é pura sofismática.

Os religiosos de então queriam restaurar direitos básicos e que foram arrancados das pessoas durante vinte anos. Eles se incoroporaram a uma luta que era muito maior do que a religião que professavam e cujos princípios foram ratificados por um troço chamado "Assembléia Geral das Nações Unidas", já ouviu falar?

Hoje, o que ocorre é o contrário. No seu fanatismo, crêem que o estado são eles e que, sendo estado, podem estabelecer as regras do que pode e do que não pode ser feito com base na religião que professam. E essa é a parte ultrajante. No limite, passaríamos a ser um "Estado Cristão". E acho que você sabe, como eu, que do "Estado Cristão" para um estado autocrático à maneira do Irã é um passo muito menor do que se imagina.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 17:25:00 BRT  
Anonymous Rotundo disse...

Seria um segundo turno eleitoral digno do nome caso os debates passassem a limpo o PNDU 3, a "herança maldita", as privatizações e avançassem nas questões programáticas.
Assim como, fundamentalmente, marcasse o ato final da política e dos políticos ainda vinculados a segunda metade do século XX.
Para o bem, espero, enfim a natureza propiciou uma safra política, no geral, sem links reais ou virtuais com movimentos e ideais dos anos 50 e seguintes.
Faria muito bem.
Desde já ao dispor, vença quem vencer, para participar de iniciativas que venham a propor reformas políticas a partir da ação popular.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 17:47:00 BRT  
Anonymous Alexandre disse...

Caramba, o obscurantismo religioso está afetando até a clareza das análises do Alon. Votamos (eu confesso que votei em 94) em um socialista ateu chamado Fernando Henrique Cardoso, casado com uma mulher inteligentíssima e que estaria rindo disso tudo agora. D. Ruth foi poupada dessa carolice, graças a Deus. Alon, o negócio não é e nunca foi a posição de padres e outras denominações contra a Dilma. É o uso de mentiras no púlpito. Ou, digamos, a seletividade dessas mentiras. Se o aborto for o fiel dessa eleição, proponho que se construam madrassas no país, e que o voto seja abolido, cabendo a presidência a uma escolha dentro do colegiado da CNBB. Retrocedemos tanto assim?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 17:54:00 BRT  
Anonymous JB Costa disse...

O que vem da lavra do ignorante não me incomoda. Ignorante no sentido de desprovido de informações que possam conduzir ou alinhavar sua leitura dos diversos contextos; ou se as detém, delas nada depreendem; ou, no limite, se apossa das mesmas e as manipula para embasar reptos dos mais diversos, disponíveis em “arquivos” que, dependendo das conveniências, são prontamente acionados.
Por esse enfoque, parece que falar do PT, atacar o PT, “descobrir” incoerências no PT, desancar o PT, imputar ao PT a origem do Mal, e assim ad infinitum, preenche quase a totalidade dos “arquivos” mencionados.
Bem, deixemos de prolegômenos e vamos às questões centrais (ou no dizer do Cel. Odorico: “deixemos os entretantos e vamos pros finalmente”).
Primeiro: o autor do texto fica nos devendo as referências acerca de quem da direção do PT, ou, do “pessoal que está hoje no poder”, fez qualquer declaração criticando os posicionamentos dos evangélicos e católicos com relação ao aborto e verberou acerca de qualquer interdição desses grupos para externarem suas posições políticas. As reclamações não só deles, mas de todo cidadão que deplora a indignidade, foram contra a disseminação nos meios de comunicação e nas chamadas redes sociais, de imputações infames, covardes e criminosas, ao PT e a sua candidata Dilma Roussef, dentre as quais a defesa do aborto, o assassinato de crianças, e suposto desdém à figura de Cristo ao afirmar (Dilma) que nem Ele impediria sua vitória.
Ressalte-se que dessa onda de baixarias não se salvou nem a Sra. Serra. Na tentativa de reverter o voto de um evangélico na Dilma lançou o “cândido” argumento de que “ela é a favor de matar criancinhas”.
A propósito, o nobre jornalista emitiu algum post sobre esta declaração? Perguntar não ofende.
A iniciativa das “correntes” criminosas não partiu de clérigos responsáveis, nem das instituições que os representam, e muito menos ainda dos “Zé doidinhos” que infestam as redes. Houve, pela regularidade, pelo alcance, um planejamento e uma orquestração que carece de uma investigação mais ampla.
Segundo: como o PT vai pescar votos nos movimentos feministas comprometidas com o aborto legal? Não seria ao contrário, já que na redação final do Plano, restou apenas à diretriz “considerar o aborto como tema de saúde pública, com garantia do acesso aos serviços de saúde". Vide link abaixo.
Ademais, o blogueiro omite que o PNDH3 não foi um plano diabólico urdido nos subterrâneos do Palácio do Planalto, e nem seus formuladores os capetinhas, capetas e capetões do PT. Surgiu de inúmeras conferências das quais participaram representantes dos diversos segmentos da sociedade. E ademais 2, vivemos numa democracia e a qualquer instante as diretrizes do documento podem ser revistas pelo Congresso ou questionadas no Judiciário.
Terceiro: reafirmando o já argüido: quem é que no PT quer ganhar no grito? Onde está escrito, gravado em áudio ou filmado que o PT quer impedir a livre manifestação de pensamento dos religiosos? Ora, caro jornalista, ocorre exatamente o inverso: líderes das próprias igrejas é que estão deplorando esses métodos inquisitoriais introduzidos na campanha pelos radicais da extrema-direita.
Quarto: de onde o articulista tirou que o PT e o governo estão greve aberta com Santa Madre Igreja? A retórica pode ser forte (“... entender que o poder tem limite; “... a igreja carrega mais de dois mil anos de estrada e já enfrentou gente mais poderosa que Lula e os aliados dele”) mas a base de argumentação é nula. É o dizer por dizer. Tanto que para fechar a “argumentação” tasca: “Afinal, esta nação foi inaugurada com uma missa católica”.
Lá vai, e existe alguma missa que não seja católica? E esta nação já era livre quando os portugueses deram os costados por essas bandas?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 22:08:00 BRT  
Anonymous JB Costa disse...

Parte 2
Ainda na busca de qualquer palavreado para fechar o exaustivo post o Alon alude ainda a uma suposta unidade, nunca dantes vista, das igrejas cristãs para enfrentar o dragão da maldade. Péssima retórica e desconhecimento total da realidade.
Outra coisa: no seu todo, as categorias (sic) de evangélicos e católicos não combateram a ditadura nem defenderam presos políticos; outro erro factual do jornalista. A exceção foi a regra. Um caso emblemático foi do Bispo de Nova Iguaçu Dom Adriano Hipólito que no auge da repressão chegou a afirmar ser impossível extrair confissões só com bombons. E o pau comendo nas masmorras da “redentora”.
Em contrapartida, homens do porte moral de Dom Hélder, Dom Paulo Arns, Dom Pedro Casaldáglia, muitos padres e pastores, arriscaram suas vidas por seus semelhantes. Agora, unidade, nunca houve.
E para finalizar uma perplexidade: como pode o jornalista misturar alhos com bugalhos, ou seja, debate político com embate eleitoral? Ao primeiro é legítima e desejável a participação de todos os indivíduos e instituições pela sua universalidade e inerência à condição humana. Ele independe de calendário eletivo e precede ao segundo. Agora, este NÃO!
Para o próprio bem das diversas igrejas, e assim são consonantes diversos líderes das mesmas, a disputa eleitoral não deve ser escopo das instituições perenes e “neutras” (no sentido partidário) cuja esfera de atuação transcende o terreno e se situa no campo da Fé.
A quem interessar possa: não sou filiado nem militante do PT. Não pertenço ao rebanho de ovelhas do Lula (lulismo). Nem tampouco tenho procuração para defendê-los.
http://observatoriodamulher.org.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=1090&Itemid=1
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=785121
http://noticias.r7.com/eleicoes-2010/noticias/mulher-de-serra-faz-campanha-no-rio-e-ataca-dilma-20100914.html

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 22:23:00 BRT  
Blogger Briguilino disse...

Anônimo - Swamoro Songhay

Corretíssima tua argumentação. Tanto que concordo em número e grau contigo. Mais, sou radicalmente contra o aborto e radicalmente a favor que o Estado trate o assunto como um caso de saúde pública. Se por N numeros de motivos [que não concordarei com nenhum] uma mulher pretenda faze-lo que o SUS lhe ofereça as melhores condições possiveis. Minha crítica foi contra o colunista citar apenas no artigo o PT como vilão. Ou será que concorda com isso, sendo contra o PT tudo bem? Agora,se for contra o PSDB o PV [sabe que aprova]e outros mais, sequer dever serem citados?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010 07:18:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Enviei na madrugada um comentário e seguiu-se a costumeira mensagem de erro. Veja se não está por aí em algum lugar. Se estiver, ignore este. Caso contrário, por favor me avise.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010 09:18:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Não veio nada, Paulo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010 11:06:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Talvez então algo ligado à quantidade de caracteres no comentário. Antes o blogger informava a situação de excesso do limite e não despachava o comentário. Então, era possível editar o comentário. Agora, o comentário some e aparece um aviso de erro.

Vou reenviar em seguida, mas em duas partes.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010 12:26:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

JB Costa

Os fatos encadeados logicamente, portanto submetidos a análises racionais, constituem a base empírica das narrativas históricas verdadeiras.

Vamos aos fatos e à lógica subjacente e à narrativa da história petista recente a respeito da questão do aborto.

1. Em 2007 em sabatina da FSP e em 2009 em entrevista à revista Marie Claire, Dilma defendeu a legalização do aborto. Como todos sabemos, Dilma é quadro da alta cúpula do PT.

2. Após noves meses da abertura do processo, a Comissão Nacional de Ética do Partido dos Trabalhadores suspendeu em 17 de setembro de 2009 alguns direitos partidários dos deputados Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC) por serem contra a legalização do aborto.

3. Dois meses e alguns dias depois das suspensões, o decreto do PNDH III que pedia a legalização do aborto foi assinado por Lula e publicado no DO da União em 22 de dezembro de 2009.

Então, onde o boato e onde a verdade?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010 12:26:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

(continuação)

Os petistas sempre são valentões quando se trata de romper a parte fraca da corda. Francenildo, o simples caseiro, que o diga. No entanto, nunca demonstram semelhante valentia quando se trata de enfrentar a turma do Papa. Em palavras mais delicadas Alon disse apenas que é um fato ou, talvez, a natureza mesma do petismo em ato: petistas borram-se nas calças só em pensar em enfrentar a Igreja Católica nesse e em outros campos. E isso é tanto verdade que primeiro os petistas tentaram debitar a derrota no primeiro turno na conta dos votos evangélicos. Não colou. Agora discutem se não seria melhor retirar do programa do partido a defesa da legalização do aborto. Se vão de fazer isso, por que então puniram com suspensão de direitos partidários os deputados do PT dissidentes em 2009?

Eu estranho que a oposição não tenha repetido em 2010 o que os marqueteiros de Lula fizeram em 2006 com o candidato Alckmin. Não lembro de na época ter lido na imprensa ou fora dela comentários de indignação à baixaria petista. Aliás, todos foram só elogios à tática que levou ao desfecho estratégico de recondução de Lula à presidência. E veja que em 2006 a coisa foi indecente, pois mentiram descaradamente a respeito das intenções privatizantes de Alckmin.

Em 2010, religiosos orientaram seus seguidores a negar voto aos defensores da legalização do aborto, Dilma incluída. E queriam que fizessem o quê? O contrário do que fizeram? Convenhamos, não dá, né?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010 12:27:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Briguilino,quinta-feira, 7 de outubro de 2010 07h18min00s BRT. Tudo bem em termos de ter sua opinião e externá-la. Somos livres para tanto e contamos com um espaço, este blog, que propicia tal preceito. Contudo, nos últimos tempos tenta-se cobrar isentismo de todos. Em quaisquer circunstâncias. Parece que só não pode ser isento quem afasta-se do pensamento único, pois, logo vem a pecha de pig etc. Quanto ao assunto aborto, está rodando a rede regulamentações sobre o SUS atender casos de aborto, previstos em Lei, como se fosse algo terrivelmente negativo a Serra, Ministro da Saúde da época. Assim, dizer "que na prática foi o Serra como ministro da saúde que mais fez por facilitar o aborto", não é correto. Fosse quem quer que fosse, eu estaria defendendo da mesma forma. É caso de saúde pública, especificado em Lei vigente. Não trata-se de "liberou geral" e "agora querem criticar só a Dilma por isso". Ora, se for o caso, que a candidata seja clara e objetiva no que diz sobre esse e outros assuntos. É problema dela se não consegue convencer. Tanto Serra como ela têm de explicar qualquer atitude. O cidadão tem o direito de saber o que realmente ambos pensam sobre assuntos que importam. Mais a uns que a outros, mas importam. Quero crer que foi para dar explicações, satisfações e responder por atos, que ambos são candidatos à Presidência. Caso contrário, estariam dando entrevistas para luz de geladeira e discursando para espelhos. Não estariam ai esfalfando-se pelos votos dos cidadãos.
Swamoro Songhay

quinta-feira, 7 de outubro de 2010 14:25:00 BRT  
Anonymous JB Costa disse...

Paulo Araújo.
Inicialmente agradeço a atenção dada a meu humilde comentário.
Poderia simplesmente, de chofre, responder seu post com as seguintes palavras: PREJUDICADA A TRÉPLICA TENDO EM VISTA QUE A RÉPLICA NADA TEM A VER COM O TEMA TRATADO NO POST QUE DEU CASO. E fim de papo.
Entretanto, em contrapartida a sua gentileza, ser-lhe-ei também lhano e comentarei suas observações.Obedecerei a sua ordem de enumeração.
1) Vi a parte do vídeo em que a Dilma Rouseff declara taxativamente ser a favor da DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO. Não li a entrevista. Sim. E daí?
Poderia encerrar a questão arguindo que a opinião dela mudou de lá para cá no sentido de não ser modificada a atual legislação que ainda inclui a criminalização do aborto. Mudar de opinião é saúdavel e inerente a quem as tem. Dom Hélder Câmara quando moço foi integralista; na maturidade foi um dos ícones da igreja progressista. Teotônio Vilela militou anos na ARENA, partido que dava sustentação a ditadura militar; reposicionou-se e morreu como o menestrel da Alagoas e venerado como democrata e defensor dos direitos humanos. O atual Papa Bento XVI chegou a vestir a farda da juventude hitlerista; hoje é o líder supremo da Igreja Católica.
Mas abordando o tema pelo viés que você dá, esclareço que descriminalizar não significa tornar legal,e, sim,não penalizar,não caracterizar a prática como crime.
Mas isto está longe, muito longe, de significar promoção do aborto; ou seja, posso ser contra o aborto e também ser favorável a sua não criminalização, sopesadas, é claro, eventuais intenções dolosas envolvidas.
O adultério, não sei se você sabe, já foi catalogado como crime; hoje não é mais. Sua prática passou a ser aceitável? Ou a partir daí houve uma orgia de "chifres" no país?
Outra coisa: vivemos numa sociedade democrática onde convivem idéias, visões de mundo diversas. Ou pelo menos deveriam conviver. O PT tem seu ideário e tem todo o direito de preservá-lo. A suspensão(não foram expulsos)dos deputados além de ser uma prerrogativa da entidade, foi precedida de intensos debates. isto responde o item 2. Passo para o 3.
3) Você está equivocado. O Decreto 7.177, de 12.05.2010, modificou o OBJETIVO ESTRATÉGICO III, que trata das garantias dos direitos das mulheres, e no que toca ao tema aborto reduziu-se, cfe. item g, a CONSIDERAR O ABORTO COMO TEMA DE SAÚDE PÚBLICA. Nada mais.
De resto você passou a desancar o PT o que é um direito sagrado seu, apesar de incidir no mesmo equívoco que o Alon(pelo menos na minha avaliação) de que o PT entrou em guerra (nada) santa contra os evangélicos e corre de mêdo dos católicos.
Ontem mesmo o PT entrou com um pedido de resposta junto ao TSE para refutar os ataques feitos por um sacerdote ao partido na missa de 03 de outubro transmitida pela TV católica Canção Nova.
Sobre baixaria, deixo à cargo da consciência de cada um, inclusive da sua,a avaliação do que vem ocorrendo ao longo dessa campanha.
Por fim, e repisando o já exposto no post anterior, acho perfeitamente legítimo, válido e pertinente, que hierarcas e fiéis das mais diversas igrejas participem do processo político e dêem sua contribuição para o aperfeiçoamento da nossa democracia. Faço um adendo: as mais diversas igrejas incluem, além dos católicos e evangélicos, judeus, hinduístas, budistas, xintoístas, muçulmanos, umbandistas, kardecistas, e as demais agora não lembradas. Não esquecendo também dos ateus que, desculpe o trocadilho, também são filhos de Deus, e não podem por essa condição, serem alijados da discussão.
O que não acho conveniente, aceitável e analiso como totalmente contraditória à essência da fé e prática religiosa, é servir-se(alguns clérigos) da autoridade e da ascendência espiritual sobre fiéis para induzí-los a tomar partido por A ou por B, através de acusações falsas e levianas. Sem falar do seu caráter ilegal.
Temas complexos, sensíveis, e que fatalmente seccionam a sociedade, a exemplo do aborto,devem ser tratados em ocasiões e fóruns mais adequados.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010 03:47:00 BRT  
Anonymous JB Costa disse...

Paulo Araújo,
Por não salvar perdi todo o texto em que faço a tréplica das suas ponderações. Amanhã, se der tempo, pois voltarei a postar.
Aproveito para pedir desculpas ao Alon pelo termo "ignorante" na introdução do meu comentário.
Certamente que a alegoria não se coaduna com a cordialidade e espírito democrático que procuro embasar minhas opiniões.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010 04:03:00 BRT  
Anonymous JB Costa disse...

Em tempo: peço desculpas pela informação incompleta sobre o Papa Bento XVI: sua incorporação na Juventude Hitlerista se deu aos catorze anos e quase que compulsoriamente, dada as condições políticas da época, de total hegemonia do regime nazista.
A seu favor pode se argumentar também que sofreu perseguição pela condição de católico chegando, inclusive, a ser preso em campo de concentração.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010 12:14:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

JB Costa

Concordo que as autoridades, e não importa se laicas ou religiosas, não devem mentir e propagar acusações falsas e levianas.

Provindo da boca de um crente, este é um preceito que as pessoas retas procuram seguir:

“Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5:37)

Abs.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010 15:48:00 BRT  
Blogger Atílio disse...

Liberdade de manifestação para os sacerdotes que falarem a favor da candidata do governo. Para os demais ação judicial. E depois se reclama de baixaria e boatos? Ora ou se acredita num debate democrático ou não se acredita?

sábado, 9 de outubro de 2010 02:31:00 BRT  
Anonymous JB Costa disse...

Atilio,
A que "debate democrático" você se refere?
Ao debate dos que detém uma mídia a seu dispor e dela se vale para repassar as suas "verdades"?
Não se trata, meu caro, de falar contra ou a favor do governo. O buraco é mais embaixo.
Não puxe a discussão para o nível de um a fla x flu.Está em jogo a democracia, a laicização do Estado

segunda-feira, 11 de outubro de 2010 01:00:00 BRT  

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