quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aperto rotineiro (30/09)

O que dizem os números? Que primeiro turno para presidente no Brasil é apertado, na alegria ou na tristeza, na bonança ou na escassez. E a fórmula para evitar a segunda rodada é sempre a mesma: combater ferozmente a pulverização do seu próprio campo

A movimentação do governismo nesta reta final é sintomática da estreiteza das margens. Há pesquisas para todos os gostos, mas todas dizem que será apertada a decisão entre haver ou não segundo turno na eleição presidencial de domingo.

Não tinha por que ser diferente. Tem sido assim desde 1994.

Em 1989 houvera grande pulverização, mas cinco anos depois (o mandato ainda era de cinco anos sem reeleição) Fernando Henrique Cardoso raspou na trave (pelo lado de dentro) no primeiro turno, com 55% dos votos válidos.

Luiz Inácio Lula da Silva quase chegou aos 40%. Enéas Carneiro, Orestes Quércia, Leonel Brizola e Esperidião Amin empacaram cada um no patamar de 1-2%. Não tiveram peso decisivo.

Em 1998 FHC abocanhou 53%, Lula recuou para 32% e Ciro Gomes resvalou nos 11%. Enéas ficou com 2%. Eram os únicos expressivos.

Em 2002 Lula teve que ir ao segundo turno com 46%. José Serra passou com 23%, Anthony Garotinho ameaçou com 18% e Ciro Gomes terminou em 12%

Em 2006 Lula voltou a raspar a trave, mas pelo lado de fora, com 49%. Geraldo Alckmin pegou 42%. Heloísa Helena roçou os 7% e Cristovam Buarque, os 3%.

O que dizem os números? Primeiro turno para presidente no Brasil é apertado, na alegria ou na tristeza, na bonança ou na escassez. A fórmula para evitar a segunda rodada é sempre a mesma: combater ferozmente a pulverização do seu próprio campo.

Foi o que fez Lula agora, quando em parceria com a cúpula do PSB detonou a candidatura de Ciro Gomes. Quis chegar à situação atual, Dilma Rousseff com chance real de matar o assunto logo de cara.

Copiou, também aqui, a carnificina promovida por FHC no PMDB para evitar que Itamar Franco conseguisse em 1998 a legenda para buscar uma nova temporada no Palácio do Planalto.

Qual o obstáculo ao plano original de Lula/Dilma? Marina Silva não confirmou, até agora, os repetidos prognósticos de desidratação.

A candidata verde superou o maior desafio, sair do cercadinho, deixar de ser uma candidata só verde.

Há um único método infalível para aferir que pesquisas de intenção de voto estão mais certas a esta altura. Infelizmente, o método exige esperar a contagem das urnas eletrônicas no domingo.

De todo modo, o governo/PT parece mais incomodado este ano com a possibilidade de uma nova rodada, na comparação com 2006.

A explicação fácil é que agora a candidata é Dilma, e não Lula. O desafio maior, entretanto, está em outro aspecto.

Em grandes linhas, Lula já conseguiu reunir para Dilma tudo o que havia para juntar. Num eventual segundo turno, não haverá migração natural em bloco dos votos de Marina Silva (se ela ficar fora).

Já em 2006 o caminho óbvio dos eleitores de Cristovam Buarque e, principalmente, Heloísa Helena era o PT. Isso mais as alianças rápida e eficazmente costuradas por Lula levaram Alckmin a ter menos votos na rodada decisiva do que tivera na anterior.

Bombando

Entre os erros políticos deste governo, o Programa Nacional de Direitos Humanos, na sua terceira versão (PNDH-3), tem tudo para brilhar além na galeria.

De lá para cá, só o que o PT e sua candidata fazem é correr atrás do prejuízo, dizer a cada dia que o ali escrito não é para valer, é de mentirinha.

Agora Dilma compromete-se a não impulsionar mudanças legislativas para ampliar o direito ao aborto. Faz parte da estratégia de controle de danos do governo/PT nesta reta final.

Talvez devessem cobrar o sujeito que teve a ideia genial de mandar o presidente da República assinar um papel que classifica a defesa do aborto como uma linha a separar quem defende os direitos humanos e quem não.

No YouTube, a polêmica sobre o tema é um sucesso estrondoso. Acho que nunca os pastores e os padres bombaram como estão bombando com seus vídeos na net. Talvez só os cantores tenham antes conseguido a façanha.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta (30) no Correio Braziliense.

twitter.com/AlonFe

youtube.com/blogdoalon

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3 Comentários:

Anonymous Guilherme Scalzilli disse...

Censura?

Imaginemos. Dois candidatos chegam ao segundo turno com iguais chances de eleição. Na véspera da votação, depois que os programas eleitorais terminaram, um jornal importante publica matéria reconhecidamente falsa, baseada em testemunho sem comprovação, acusando um dos pleiteantes de algo muito, muito feio. As emissoras aproveitam e repercutem a “matéria”, colocando-a na conta do jornal.

Previsivelmente, o infeliz perde a eleição. Nas semanas seguintes, porém, consegue provar sua inocência e a má-fé dos veículos que o prejudicaram. Como remediar um dano desses? Que valor deveria ter a multa ou a indenização impostas ao jornal? Mesmo um radical encerramento de suas atividades remediaria quatro anos sob o comando de uma farsa política?

A única maneira legítima e razoável de prevenir esse absurdo é proibir judicialmente a publicação de determinados conteúdos que podem causar danos irreparáveis ao processo eleitoral. Pois a imprensa corporativa chama isso de “censura”. Ela quer interferir nos rumos do país como um Super-Poder magnânimo que possui total liberdade e nenhuma das restrições legais que atingem os cidadãos ordinários. E o Judiciário, constrangido lá com suas próprias desmoralizações, aceita ser achacado por essas famílias empresariais de aspirações pouco democráticas.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com/

quinta-feira, 30 de setembro de 2010 12:09:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Scalzilli

Cara, você fala mesmo a sério ou está de sacanagem?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010 22:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Tenha dó, Scalzilli.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 1 de outubro de 2010 13:37:00 BRT  

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