domingo, 23 de maio de 2010

Uma situação bizarra (23/05)

Uma acusação que não se faz ao PT é ter inventado a atual política brasileira. A legenda adaptou-se a ela. Agora os adversários lamentam e protestam. Quando as posições se inverterem, um dia, os papeis também se inverterão

A bizarrice da nossa legislação eleitoral chegou ao paroxismo nestas semanas. Se não alcançamos ainda o limite do nonsense, talvez estejamos perto.

Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff vêm sendo seguidamente multados por “campanha antecipada”. O “crime” deriva de uma jabuticaba: aqui a lei prevê dia certo para o início oficial da campanha. Antes disso, nem o candidato pode dizer que é — mesmo sendo —, nem ninguém pode pedir votos para o candidato.

Conte isso a um cidadão de outro país e nos verá como uma nação de loucos. Mas nem tanto. As penas aplicadas pela Justiça são leves, embutem ótima relação custo benefício. Ou seja, nem os tribunais levam a coisa a sério.

Qual seria a saída? Mais rigor? Ou menos? Eu fico com a segunda opção. Todos deveriam ter o direito de fazer campanha na hora em que desejassem, com todos os adereços. Arrecadação inclusive. O que a democracia brasileira perderia? Nada.

O problema da oposição em maio não esteve nos supostos excessos cometidos pela candidatura oficial. A subida de Dilma nas pesquisas aconteceu porque desde o Dia do Trabalho Lula está no campo de jogo, e jogando. Aconteceu agora, como teria acontecido em julho/agosto. Foi só questão de datas.

O fato é que o PT, em todas as esferas, testa os limites, para alavancar seu projeto de continuidade. Faz o papel dele. Nem Lula nem o partido estão preocupados em promover qualquer aperfeiçoamento estrutural das instituições. Também aqui seguem o exemplo dos antecessores.

Há porém um detalhe. Pode-se acusar o PT de escarnecer das regras, mas não de as ter mudado em proveito próprio. Se você quer achar o Arquimedes, procure-o fora do PT. Se o partido de Lula encontra jeito de usar o poder como ponto de apoio para mover o mundo, inclusive nas eleições, é porque já recebeu a receita pronta. E também o bolo.

Quando no Planalto, o PSDB implantou a reeleição (que eu acho boa) e reduziu o tempo de campanha no rádio e na televisão (medida que achei ruim). E instituiu a regra da desincompatibilização assimétrica (péssima). Se você é parlamentar ou concorre à reeleição, pode fazê-lo no cargo. Já se você tem um cargo e vai desafiar um candidato à reeleição, precisa renunciar meio ano antes.

Também foi o PSDB a entronizar o BNDES e os fundos de pensão das estatais como donos do capitalismo brasileiro. O PT só teve o trabalho de tomar conta da máquina e colocá-la para trabalhar no rumo adequado aos novos donos do poder.

Uma acusação que não se faz ao PT é ter inventado a atual política brasileira. A legenda adaptou-se a ela. Agora os adversários lamentam e protestam. Quando as posições se inverterem, um dia, os papeis também se inverterão.

Há alguma saída? Talvez o caminho devesse apontar na contramão do que exige a opinião púbica. Menos regulamentos, menos limites, mais liberdade para a ação política.

Coerência

Quando fala a investidores estrangeiros, o governo bendiz a herança que recebeu. Quando fala ao povo aqui dentro, maldiz. E daí? E daí nada. Quem estiver atrás de coerência que se dedique à vida acadêmica, e olhe lá. Política é — ou tem sido — outra coisa.

A coerência na política não é um valor em si. Se o líder está prestes a conduzir a nação ao desastre, roga-se que seja incoerente e mude o rumo.

De todo modo, resta o esforço humorístico dos que tentam vender no mercado das ideias a tese da ruptura na passagem de Fernando Henrique Cardoso para Lula. Ou na transição do primeiro para o segundo governo do PT.

É gente atrás de algum significado histórico para sua passagem pelo governo. Humanamente compreensível.

Não mas sim

No meio termo entre produzir a bomba brasileira ou não, encontra-se no governo quem especule com um caminho: não fazer, pois a Constituição e os tratados internacionais proíbem, mas estar pronto para fazer quando houver as necessárias condições políticas.

Como pré-requisito, não aderir ao protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação. A adesão permitiria inspeções-surpresa da Agência Internacional de Energia Atômica aqui.

Por “as necessárias condições políticas” entendam-se inclusive as indispensáveis para mudar a Constituição.

Perigo

No meu twitter (@AlonFe): “Falar bem de goleiro, juiz e instituto de pesquisa antes do fim do jogo é um perigo”.


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14 Comentários:

Anonymous Antônio Luiz Calmon Teixeira Filho disse...

Um artigo bizarro. É o mínimo que se pode dizer das conclusões do articulista. Se toda oposição que assumisse um governo agisse como age o PT, ainda viveríamos na idade da pedra lascada. O articulista, na defesa enviesada dos males perpetrados pelo PT – dentre eles o culto à ignorância que permite ao articulista distorcer os fatos para enganar os incautos – poderia ter se saído melhor. Culpar a oposição pelos desmandos do governo… É demais!! Mas, vale tudo para continuar a acreditar na utopia vendida pelo atual governo. Nunca antes na história deste país…

domingo, 23 de maio de 2010 12:13:00 BRT  
Anonymous Ivanisa Teitelroit Martins disse...

Alon, está difícil! Nem a lógica dialética ajuda a entender os diferentes cenários no atual momento.
No passado costumava-se dizer que o Brasil era de um lado um país populoso e pobre e de outro um país de poucos que concentravam a riqueza. Sem desmerecer os governos anteriores, o Bolsa Família, programa de transferência de renda, que surgiu da idéia original de um programa de renda mínima, por sua massificação, além da complementação que se deve a programas estaduais com o mesmo objetivo, alterou a condição de renda no país. O acesso à informação através dos meios eletrônicos também. A democracia representativa e seu exercício nos diferentes níveis sinaliza que há urgência em fazer reformas na direção de uma democracia participativa, mas nossa classe política resiste por conta de uma prática atrasada. Há que se esperar por mudanças. Está difícil fazer prognósticos, mesmo em política externa. Mesmo a Academia se encontra sem condição propositiva. Há uma tendência em "ideologizar" o debate, que em verdade enfraquece o próprio discurso ideológico. Há um empate entre os candidatos de uma campanha que ainda não começou. Diante disso, somente dando uma boa gargalhada nessa manhã de domingo.

domingo, 23 de maio de 2010 12:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Como você diz, não se pode cobrar coerência de políticos. E eles - os que não têm coerência - estão no governo e na oposição. No caso da herança maldita não custa também apontar a incoerência da oposição, tanto a que está aqui no Brasil como a que escreve lá fora. Lá fora como aqui há os da oposição que dizem que Lula está fazendo tudo errado, ou seja, tudo ao contrário do que estabelece a herança maldita.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 23/05/2010

domingo, 23 de maio de 2010 12:44:00 BRT  
Anonymous Rotundo disse...

Falando em legislação eleitoral, a que se deveria desgostaro antes de começar o jogo depois é cumprir e exigir o cumprimento, a Oposição se omite(iu) no uso da Lei Complementar 64/90, que lhe habilita a requerer a cassação da candidatura Dilma, conforme sinalizado no próprio STE.
Provavelmente não o fez(az) pelos mesmos motivos que não pediu o impeachment do Lula em 2005.
Não aprendeu nada e erra(ou) pela segunda vez. Ensina uma vez mais que o crime compensa e que o Lula é muito esperto ao cometê-los. A chusma aplaude.
A história quando se repete se transforma em tragédia. É o que aparenta vir a acontecer.
Só há um Partido no País capaz de enfrentar o PT e é o PMDB. Ambos possuem senso ético assemelhado em relação ao poder. Será divertida (e cara) assistir essa luta, perdão, convivência futura.

domingo, 23 de maio de 2010 13:41:00 BRT  
Blogger André Neves disse...

Quem estiver atrás de coerência que se dedique à vida acadêmica, e olhe lá. Política é — ou tem sido — outra coisa.

Não se aponta nenhum mal em ser incoerente, a princípio. O problema é que a tese que o PT alardeia aqui dentro é uma notória mentira, e esse jogo sujo com a oposição é, sim, deletério à democracia, pois ajuda a tornar o debate político uma arena de mistificações e mentiras deslavadas - engana o povo!

A incoerência (agora sim) mostra apenas que o próprio petismo não acredita na mentira que conta aqui dentro. Em outras palavras, o PT tem consciência do jogo sujo que faz.

domingo, 23 de maio de 2010 16:32:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Sobre as práticas políticas ativadas pelo PT, concordo que elas não são novidade na forma. Portanto, não foi por acaso que Sarney tornou-se aliado estratégico do PT. O que está ocorrendo no PT do Maranhão é emblemático de um antigo modo de fazer política. Há quem opte por tapar o nariz e enfiar a mão nessa merda. Mas é uma opção e não uma necessidade inelutável, que se impõe imperiosamente perante tudo e todos e contra a qual somente os ingênuos ou, como dizem os amigos da mão na merda, os velhos e os novos udenistas lutam.

Não concordo com a sua justificativa histórica da prática política petista. O fato dela existir não significa que seja por isso necessária. Se fosse assim, eu teria que concordar com a explicação do presidente Lula para o mensalão: “o PT nada fez que fosse diferente do que antes dele fizeram os outros partidos”.

Essa prática foi e continua sendo uma escolha do “partido  da ética”. O fato do PT ter jogado no lixo um dos princípios fundantes da oposição democrática contra a ditadura militar em hipótese alguma autoriza ou impõe para todos os brasileiros a mesma atitude realista ou de conformismo com tais fatos. Esse pensamento conformista é somente uma expressão conservadora do status quo.

Que se dane a ética, eles diziam também na época da ditadura. Daí, a justificação da tortura, da prisão, da censura contra os adversários. E também a compra de votos, a distribuição de benesses e prebendas estatais aos amigos do regime. Eram práticas políticas justificadas em nome do “bem maior”, da “causa". Nessa época, costumávamos argumentar contra os realistas partidários da ditadura militar que a efetividade do regime não era razão suficiente e necessária para o abandono de certos princípios e nome do realismo. Esses princípios seriam absolutos universais e, portanto, completamente impossíveis de serem relativizados pelo realismo. Registro a lembrança de um famoso discurso de Geisel sobre o relativismo da democracia.

Imagino que você tenha filhos. Se os teve, não me passa pela cabeça que você os educou com base nessa libertinagem hoje defendida pelos petistas como necessária e inerente à política. Há um nome para quem diz uma coisa em casa e faz outra fora dela: hipocrisia.

Quanto ao TNP, a estratégia adotada pelos nossos Strangelove (personagem de um filme do Kubrick), seria a de esperar pela ou trabalhar a favor da caducidade do TNP. A história registra a várias ocorrência de acordos internacionais que seguiram por esse caminho. Minar o TNP por dentro e não de fora. Essa aceitação realista do fato consumado (o princípio constitucional e a ratificação do TNP em 1998) é comum a vários críticos. O enfrentamento realista não seria o ataque frontal à Constituição e ao TNP, tática pouco objetiva e bastante inútil, mas sim o trabalho de enfraquecimento constante e paulatino. No âmbito da política externa, aliar-se aos países signatários que também trabalham a favor da caducidade (o que explica em parte a aproximação com o governo dos aiatolás). No plano interno, a condução de uma revisão constitucional que amenizasse em termos realistas a afirmação pacifista da pesquisa nuclear.

Li a exposição dessas ideias nos volumes da coleção "Pensamento brasileiro sobre defesa e segurança". São cinco volumes e como somente li os dois primeiros, então elas devem estar registradas por ali.

A coleção está em pdf no site do Ministério da Defesa
 
https://www.defesa.gov.br/colecao/index.php

domingo, 23 de maio de 2010 17:51:00 BRT  
Blogger Coral Vozes de Itu disse...

Excelente visão da realidade política brasileira. Parabéns.

domingo, 23 de maio de 2010 21:26:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, vamos nos fiar em indivíduos ou em regras e instituições? Melhor dizendo, quando seremos capazes de criar regras que nos permitam abrir mão de salvadores, caudilhos ou candidatos ao poder moderador (essa foi dura Alon)? Até porque não se pode tirar das pessoas o direito de mudarem, mesmo de serem metamorfoses ambulantes, como já quis o presidente, né não? Mas se uma pessoa é volúvel, as instituições podem ser desenhadas para serem menos. Se a metamorfose ambulante mudou de casca pode aproveitar e mudar de partido também (aproveitando para largar a boquinha também), mas essa não pode ser uma regra a ser aplicada quando agradar ao juiz de plantão. Se conseguíssemos atar o destino dos partidos às vicissitudes dos políticos que o compõe teríamos uma regra mais forte que o “ficha limpa” ou a confiança na “onisciência” do eleitor (que é a solução preferida por nossa zelite mais cultivada e que, por não se verificar, justifica nossa indigência política, fácil e cômodo né não?). Exemplo prático da lambança: o DEM do DF já retomou a propaganda institucional como se nada tivesse com o caso Arruda que por sua vez só deixou o governo porque a justiça eleitoral preferiu usar a regra de fidelidade partidária, com o que se resolve tudo sem necessidade de muita investigação e esclarecimento (quer dizer sem muito trabalho, que assim cansa menos). Aí fica o DEM agarrado ao PSDB (esse estranho partido que se orgulha de não defender qualquer dos lados, mas de postar-se em cima do muro) e ambos impedem o surgimento de uma força conservadora legítima no país. Somos ou não um país de esquerda?

segunda-feira, 24 de maio de 2010 07:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Correndo o risco de cometer algum exagero, porém, dando o devido desconto. 1)O bizarro: a esperança apenas logrou confirmar que o medo era realmente medo; 2) A coerência: a incoerência desnudou o humor como a verdadeira ruptura; 3) De 1 e 2: pelo protagonismo, Barack Obama deixa de ser o irmão gêmeo favorito e entra Mandela como metáfora.
Swamoro Songhay

segunda-feira, 24 de maio de 2010 11:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Paulo Araújo (23/03/2010 às 17h51min00s BRT),
Você diz que não concorda com a justificativa história de Alon Feuerwerker da prática política petista e acrescenta:
"O fato dela existir não significa que seja por isso necessária".
O PT é a favor da democracia direta. Eu sou contra, embora conceda que ela deva existir marginalmente para incentivar uma maior participação da população. Sou contra porque acho a democracia direta por ser pontual é excludente das minorias. Na democracia representativa, em que há um processo, nele, mediante acordos, conchavos e barganhas os representantes dos interesses minoritários podem impedir que esses interesses sejam excluídos.
O processo de representação é um processo de luta. O representante não pode renunciar (Que talvez pudesse pressupor a ética) ao interesse do representado.
A questão que eu lanço é se existe algum país democrático onde a prática petista não seja necessária?
E por país democrático se deve entender aquele em que a democracia funciona com o instituto da representação.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/05/2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010 13:59:00 BRT  
Anonymous Tovar disse...

Como assim os números mudaram porque Lula entrou no jogo a partir de 1º de maio. Releia-se, Alon. Lula joga do mesmo jeito e sob o silêncio cúmplice da Justiça Eleitoral desde 2007.
Que fato novo aconteceu em Maio?
De relevante nada.
Afora, claro, a convocação da Selecinha do Dunga, fato incapaz de provocar furor cívico tal que provocaria belo salto nas pesquisas em favor de Dª Dilma e tombo quase equivalente das intenções de voto em favor do Dr. Serra.
Dilma continuou ocupando o mesmo latifúndio na mídia. Pode conferir. E aproveitou para defender a política de juros escorchantes, o aumento de impostos (retorno CPMF), o Estado balofo e muito bem pago, a descrever, como no RS, projetos inexistentes (no caso nova Ponte sobre o Guaíba. E coisas assim pelo País afora. Uma besteira por dia até que a mandaram calar a boca. Nada de novo portanto.
Lula, por sua vez, seguiu a linha de sempre. Cônscio dos bobos com que lida, disse mais um monte de abobrinhas, ridiculamente se deu mal, outra vez, na política externa e fez propaganda extra-subliminar da sua candidata. Novidade? Nenhuma.
Mesmo Serra continuou tentando se passar como membro do cardume de lula’s. Desmascarado, desabou nas pesquisas e vai ter de tomar o rumo do embate com o Lula ou ir direto para casa.
A Justiça Eleitoral, depois da candidata Dª Dilma consolidada, continuou aplicando multinhas no casal, sem cogitar de engrossar o jogo mesmo havendo previsão legal para tanto. Estuprada, concedeu um prazo para que o estuprador aproveite um pouco mais.
A única coisa que mudou em maio e que possa ter apressado a decisão do eleitor foi a propaganda do PT na televisão.
Sequer sua ilegalidade. Muito menos a tentativa petista de que todos são ou poderão ser iguais no crime, basta fazer programa de mesmo teor.
Razão tem o Rotundo ao lembrar que se a Oposição merecesse o nome, pediria a cassação da candidatura governista e iria pro pau. Caso contrário vide acima soluções para o Dr. Serra.

segunda-feira, 24 de maio de 2010 15:17:00 BRT  
Blogger João Paulo Rodrigues disse...

Bela coluna. Acertou em cheio.

terça-feira, 25 de maio de 2010 09:27:00 BRT  
Anonymous Too Loose Lautrec disse...

O fato relevante nas últimas pesquisas talvez não seja o (esperado) crescimento da candidata situacionista, mas sim a (inesperada) queda da candidatura oposicionista, particularmente na região Sul e também na Sudeste.
Suponho restar ao PSDB reverter imediatamente esse quadro ou perderá as eleições já no primeiro turno.
É possível que a simples exposição afirmação do candidato e mesmo na composição final da chapa, sejam incapazes de reverter o que se firmar como tendência.
A prevista tentativa de desconstrução da chapa governista talvez tenha de ser antecipada. A menos que o próprio Judiciário s encarregue disso.

terça-feira, 25 de maio de 2010 10:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (24/05/2010 às 07h40min00s BRT),
Não consegui acompanhar muito bem o seu argumento na parte inicial do comentário, pois me pareceu que você preconiza a evolução das instituições, das regras e dos políticos e porque não dizer do ser humano o que deve ser o desiderato de todos. Bem, por não acompanhar não prestei atenção ao final do seu comentário quando você diz:
"Aí fica o DEM agarrado ao PSDB (esse estranho partido que se orgulha de não defender qualquer dos lados, mas de postar-se em cima do muro) e ambos impedem o surgimento de uma força conservadora legítima no país. Somos ou não um país de esquerda?"
Bom, creio que eu tenho dito algo semelhante. Para mim há alguma coisa de errado na nossa democracia quando se vê a disputa para presidente da República se estabelecer entre José Serra que sempre foi alguém de esquerda e Dilma Rousseff, também de esquerda ainda que se já foi mais de esquerda do que José Serra hoje me parece mais ao centro.
É claro que para alguém da esquerda como eu a situação é uma maravilha, mas ela não é lógica. No mundo todo, nós temos praticamente uma população que se aproxima de 30% que se enquadra bem em uma denominação de fascista. E não do fascismo de Benedito Mussolini de sobreposição do interesse do Estado, mas do fascismo das pequenas coisas, de se querer resolver tudo na violência, no dente por dente, de se garantir no preconceito. Há os individualistas de todas as matizes e além disso, há o conservador que se não pode ser chamado de individualista muito certamente só se dedica ao próximo por caridade. De tal modo que sobra muito pouco para ser de esquerda, entendendo como tal quem preconiza a igualdade e a solidariedade. E sobra menos ainda se se toma como de direita o defensor do liberalismo que assim o é por crer que o liberalismo é o único mecanismo para se alcançar mais igualdade, não vendo no Estado o instrumento para a consecução desse desiderato de igualdade.
Enfim, em meu entendimento ao contrário do que mostram as pesquisas eleitorais no Brasil, o ser humano não é tão solidário. Sob essa realidade da disputa se dar entre dois candidatos da esquerda, entretanto, eu tenho que concordar que o Plano Real foi ótimo, pois transformou de modo perene (O Plano Cruzado também teve esse efeito na eleição de 1986) o Brasil em um país da esquerda.
Agora, dizer que:
"Aí fica o DEM agarrado ao PSDB e ambos impedem o surgimento de uma força conservadora legítima no país".
Não me parece vinculado ao fato, na medida em que penso que esse impedimento é consciente e, portanto, dele só podem participar quem tem consciência disso e que são o PT e o PSDB. Dizer que o DEM atua com força para fomentar a própria destruição não me parece correto. A menos que você considere que o DEM atua com força para transformar o PSDB em um partido igual ao próprio DEM.
Essa queda do PSDB para a direita é uma opinião que tenho expressado há mais tempo (Não há muito tempo, mas pelo menos desde a eleição de 2006). Penso que na divisão do butim do Plano Real, PT de um lado e PSDB do outro, o PSDB carregou o ônus de, como eu diria, se endireitar.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 25/05/2010

terça-feira, 25 de maio de 2010 20:16:00 BRT  

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