quarta-feira, 5 de maio de 2010

Imprensa em debate (05/05)

Uma coisa é a sociedade aceitar e defender a liberdade absoluta de imprensa como direito de ela, sociedade, manter desobstruídos os canais de diálogo consigo própria. Outra coisa é quando a sociedade passa a enxergar na imprensa a defesa do interesse de uma parte (“partidária”), e não do todo

Participei ontem como moderador de um painel na Câmara dos Deputados sobre como a imprensa pode contribuir para o fortalecimento da democracia representativa. O evento foi organizado conjuntamente pela Casa e pelas principais entidades empresariais do setor.

Entra governo, sai governo, a discussão muda pouco. O poder se incomoda com o olhar da imprensa, e esta fica incomodada quando se vê — ou sente-se — pressionada pelo poder. Mas nem todas as situações são iguais.

Os grandes veículos de comunicação têm mais afinidade com alguns governos que com outros. E há governos que estimulam mais ostensivamente atitudes críticas ao jornalismo.

Deveria ser visto como coisa normal, da vida. Aqui uma curiosidade: este governo e o presidente da República oscilam entre extremos. Uma hora proclamam que a explosão das comunicações e redes digitais relativizou a influência dos grandes veículos. Outra, debitam na conta da imprensa parte ponderável das dificuldades cotidianas do poder.

Debate fascinante. Nunca um presidente foi tão popular e teve tanto apoio político quanto Luiz Inácio Lula da Silva. E nunca um presidente reclamou — ou fez reclamarem — tanto da imprensa. Ora, se quanto mais Lula “apanha” mais forte fica, qual é mesmo o problema? Em teoria, talvez fosse o caso de “deixar a imprensa falando sozinha”. Não é, presidente?

A trajetória do jornalismo brasileiro no último quarto de século, quando atingiu finalmente a maturidade profissional e empresarial, ainda deverá ser objeto dos indispensáveis estudos acadêmicos. Mas um traço parece consensual. Ao mesmo tempo que fez da profissionalização a marca registrada no período, a imprensa pátria manteve o traço de militância presente desde os primórdios.

O cruzamento desses dois vetores dá um bicho meio estranho. As diretas já, um marco, foram muito boas para o Brasil. Aceleraram a transição e criaram as condições para implantar plenamente a democracia. Não tenho certeza, entretanto, se foram igualmente salutares para a imprensa.

Desde então, ela vem reinventando esse viés militante pronunciado, também como meio de exercício do poder. Só que aí aparece a dificuldade estrutural. Se a imprensa entende, corretamente, sua liberdade como primordial e absoluta em algum sentido (desculpem a contradição aparente), ela talvez precise vacinar-se mais contra as tentações partidárias.

Porque uma coisa é a sociedade aceitar e defender a liberdade absoluta de imprensa como direito de ela, sociedade, manter desobstruídos os canais de diálogo consigo própria. Outra coisa é quando a sociedade passa a enxergar na imprensa a defesa do interesse de uma parte (“partidária”), e não do todo.

Reconheço que essa “vacinação” é simples de receitar, mas difícil de praticar. Afinal, cada veículo tem o direito de definir soberanamente sua linha editorial. Se, no limite, todos os veículos tiverem a mesma orientação editorial sobre determinado assunto, ninguém tem nada a ver com isso. Como então garantir a pluralidade?

Na busca da solução, o governo tem agido bem por um lado e mal por outro. Age bem quando estimula a desconcentração econômica do setor. E age mal quando dá curso a tentativas de controlar a produção da imprensa, ainda que revestidas do belo adjetivo “social”.

Só existe uma forma aceitável, na democracia, de controlar a atividade jornalística: a posteriori, pelo Judiciário. Pode haver mecanismos de autorregulamentação — que já defendi aqui —, mas ela é prerrogativa do setor.

Até porque o assim chamado “controle social” apresenta uma dificuldade técnica intransponível: quem o executaria? Se for alguém indicado pelas instituições estatais não serve, pois um papel da imprensa é exatamente fiscalizá-las. E infelizmente não há alternativa. A mesma tensão estaria presente se a indicação coubesse às organizações sociais. Quem então as fiscalizaria?

Uma imprensa plural jamais poderá ser imposta manu militari por um poder político nela supostamente interessado, ainda que disfarçado de “sociedade civil”.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quarta (05) no Correio Braziliense.

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9 Comentários:

Anonymous Pablo Vilarnovo disse...

O melhor controle social da imprensa chama-se Controle Remoto.

quarta-feira, 5 de maio de 2010 10:25:00 BRT  
Anonymous NPTO disse...

Concordo com o post, mas há algo que ainda me intriga. Porque só no Brasil, entre as grandes democracias, não há jornais de esquerda?

Na Inglaterra o cara de esquerda lê o Guardian, aqui um pessoal que venceu as duas últimas eleições presidenciais (eu incluso) não tem um jornal para ler de manhã que não o chame de "petralha" (Veja), militante de "partido de ladrões" (Estadão), enfim.

Por exemplo, como bem disse o Idelber, será que os únicos especialistas que poderiam ser chamados para dar opinião sobre tudo são o Magnoli, o Villa e aqueles embaixadores ligados ao FHC? Não tem outro lado?

Deve ter um path-dependence qualquer aí na história do jornalismo brasileiro que explique isso.

quarta-feira, 5 de maio de 2010 10:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Bom post pelo tema. Quanto ao conteúdo eu faria os meus reparos. O parágrafo transcrito a seguir mostra talvez um pouco de pressa na redação do post. Diz lá você:
"Deveria ser visto como coisa normal, da vida. Aqui uma curiosidade: este governo e o presidente da República oscilam entre extremos. Uma hora proclamam que a explosão das comunicações e redes digitais relativizou a influência dos grandes veículos. Outra, debitam na conta da imprensa parte ponderável das dificuldades cotidianas do poder".
O reparo que faço é em relação ao final. Você diz que o governo e o presidente da República "debitam na conta da imprensa parte ponderável das dificuldades cotidianas do poder".
Vejo o presidente da República aqui e ali criticando a imprensa. Critica-a por dar mais destaque às coisas ruins do que às coisas boas. Aliás, um direito do presidente da República, como é também um direito da imprensa se quiser dar mais destaque às coisas ruins que às coisas boas. Não creio, entretanto, que ele tenha apontado a imprensa como causadora das dificuldades cotidianas do poder. Talvez ele tenha feito essa crítica ao TCU. E que no caso eu posso até achar que ele tenha razão, mas lembrando que a solução desse problema com o TCU compete a ele e ao poder Legislativo resolverem.
No mais ao se analisar a imprensa é preciso ter em conta alguns poderes e limitações dessa atividade. Na ordem que surgirem eu mencionaria: primeiro, o bem público da informação que a imprensa é veículo e que ela vende. Segundo, a imprensa como veículo de opinião que não é um bem público, mas que goza do bem público da liberdade de expressão. Terceiro, a imprensa (os meios de comunicação) como empresa capitalista inserida em um universo capitalista que se rege pela competição (Quem vende mais a informação?), pela acumulação do lucro (Quem ganha mais na venda da informação?), pelo crescimento empresarial (Quem obtém mais recursos (Junto aos bancos privados para a eles ficar subserviente ou junto aos bancos públicos para ficar subserviente ao governo?) para a venda da informação?) e pela concentração empresarial (ou a superação da concorrência e ai fica a questão de saber se quem ganhou foi quem vendeu a informação falsa, a informação bruta ou a informação lapidada, supondo às duas últimas serem uma só: a informação verdadeira).
Caberiam ainda mencionar dois outros pontos: a possibilidade de pulverização da mídia com o avanço tecnológico e a questão da neutralidade da imprensa, ainda que desconsiderando-se a subserviência aos emprestadores de recursos financeiros para financiar os investimentos necessários ao crescimento empresarial.
Em relação a pulverização da mídia, penso que a internet abre a possibilidade que se tenha no mundo milhões de I. F. Stone de ideologia diversa, isto é, milhões de jornalistas individuais ou em comunidade prestando o serviço público de veículo de informação, sem se engajarem no sistema de competição capitalista, isto é, sem precisarem crescer, mas apenas viverem para a sua subsistência
Quanto à neutralidade faço menção ao post “A mídia como partido político” de 23/009/2009 às 16:43 de autoria de Hans Bintje e que saiu no blog do Luis Nassif e que trata da entrevista de Carlos Mesa – ex-presidente boliviano e ex-dono da emissora de TV – PAT dada a Folha de S. Paulo e com repercussão no Observatório da Imprensa. O ex-presidente boliviano preconiza uma imprensa neutra. Em comentário que enviei em 24/09/2009 às 01:36 eu aproveitei para transcrever parte do artigo de Maria Sylvia de Carvalho Franco intitulado “A montagem de uma falácia” publicado no suplemento Aliás de 20/09/2009, no jornal O Estado de São Paulo em que entre outras coisas ela ataca essa pretendida neutralidade.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 05/05/2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010 13:37:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

"Porque só no Brasil, entre as grandes democracias, não há jornais de esquerda?"

Simples. Porque no Brasil a esquerda não é competente para fazer jornais como o Guardian. Talvez também porque a “esquerda” brasileira seja robustamente constituída de seitas “democráticas”.

Há no Brasil várias revistas e jornais “de esquerda”. Por exemplo, a revista Fórum. Essas publicações não satisfazem à demanda “de esquerda” por imprensa “de esquerda”? Por quê? São ruins ou carentes no quê? O que as impede de serem o equivalente brasileiro do Guardian ou do Libération? Quem conspira, quais forças ocultas operam contra a efetividade dessa equivalência no Brasil?

Por exemplo, eu não gosto do que a revista Fórum publica. Concluí que as reportagens são ideológicas e os artigos de opinião são eivados de críticas não às idéias, mas a pessoas. Então, eu faço como sugeriu o Pablo. Eu não perco o meu tempo lendo o que publica a revista Fórum. Há quem discorde de mim e considere a revista excelente.

Esses arrazoados “de esquerda” contra o PIG são cansativos. São choramingos por desilusão retórica com os “fracassos da democracia” no Brasil. Segue daí a inevitável constatação, e a consequente angústia, de viver em um país em que as coisas são em eterna contradição com o modelo do que deveriam ser.

No entanto, é interessante observar as alterações somáticas nessas personalidades supostamente desencantadas quando os falsos desesperançados deixam de lado as lamúrias para cerrar suas fileiras em defesa das piores tiranias.

quarta-feira, 5 de maio de 2010 15:26:00 BRT  
Blogger thiago meia disse...

Pablo Villarnovo, o controle remoto mudo muito pouca coisa, e você sabe muito bem disso.
A política de "os incomodados que se mudem" não deveria vigorar na TV, já que as emissoras são concessões públicas.

Alon, historicamente a imprensa nacional sempre foi partidarizada. Mudou com o advento das técnicas do NYT e outros jornais anglófonos, cuja tradição é o endosso.
Por que aqui não vingou o endosso político? A Carta apanhou na rua quando teve coragem de assumir o que é evidente em seu posicionamento. Por quÊ essa censura ao posicionamento? Outros veículos tem endosso fácil de se observar também, porquê não podem afirmar seu endosso?

Não acredito que tenha respostas,mas uma opinião interessante sobre o assunto.

quarta-feira, 5 de maio de 2010 16:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Eu e você passamos batido por outro ponto importante quando se fala sobre a imprensa. Trata-se do terceiro pólo de um tripé que tem em uma ponta o governo, na outra a imprensa e em algum lugar entre ou fora dos dois a sociedade.
Deixei-me levar pelo seu texto que a todo momento apresenta esse confronto imprensa x governo como se o confronto carregasse um fim nele mesmo.
O artigo que mencionei “A montagem de uma falácia” publicado no suplemento Aliás de 20/09/2009, no jornal O Estado de São Paulo e de autoria de Maria Sylvia de Carvalho Franco não fora publicado impunemente. Por boa causa os nossos intelectuais se engajam. Na época, o Estado de São Paulo estava em atrito com José Sarney.
Bem, há dois posts no blog de Luis Nassif que trazem dois momentos importantes desse atrito. Em um primeiro post intitulado "O “coronel” é mais sofisticado que a mídia" de 16/09/2009 às 14:00 ele transcreve parte do discurso no Congresso de José Sarney em comemoração da Democracia. Diz lá José Sarney:
"A tecnologia levou os instrumentos de comunicação a tal nível que, hoje, a grande discussão que se trava é justamente esta: quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós; e dizemos nós, representantes do povo: somos nós. É por essa contradição que existe hoje, um contra o outro, que, de certo modo, a mídia passou a ser uma inimiga do Congresso, uma inimiga das instituições representativas. Isso não se discute aqui, não estou dizendo isso aqui, estou repetindo aquilo que, no mundo inteiro, hoje, se discute".
E em um post mais à frente "Link perdido" de 20/09/2009 às 10:54 há a análise do artigo da Maria Sylvia de Carvalho Franco que é uma crítica ao discurso de José Sarney. Maria Sylvia de Carvalho Franco apresenta três pontos na crítica. Ela aborda uma falta de conhecimento terminológico de Sarney ao empregar o termo contradição. Ela critica José Sarney pela pretensão de se ter uma imprensa isenta. Nisso foi um pouco longe, pois parafraseia Max Wever dizendo que "em toda pretendida neutralidade entranha-se a adesão aos poderosos". Foi longe porque a frase era destinada a José Sarney, mas um mais afoito poderia pensar que ela se referia ao Estado de São Paulo, ou a ela mesma. E, por fim, faz referência ao Areopagítica de Milton para se posicionar em defesa da liberdade de imprensa.
Disse eu então que não houve um enfoque no seu post do terceiro pólo do tripé: a sociedade, o povo.
Terceiro pólo que parece justificar a questão que José Sarney colocou: quem representa o povo a imprensa ou o político.
E pólo que ontem, 04/05/2010, diante de discussões sobre o Projeto Ficha Limpa que em suma visa proteger a sociedade contra os maus políticos, fez-me repeti um comentário em uns dois ou três posts espalhados ai na blogosfera em que eu dizia o que a discussão sobre o Projeto Ficha Limpa me sugerira.
"Ocorreu-me uma comparação entre a atividade política da representação e a atividade do jornalismo. Políticos e jornalistas têm atividades semelhantes. Os dois fazem uma espécie de intermediação entre pontos distantes da sociedade aproximando-os. Os jornalistas estão nessa campanha maluca pelo "Ficha Suja". Que tal, então, antes de atirar a primeira pedra, eles retirarem o telhado de vidro e estabelecerem que nenhum jornalista com sentença condenatória de tribunal em segundo grau de jurisdição possa desempenhar a atividade."
Creio que a ausência do povo no seu comentário, espelha mais ou menos o que governo (Qualquer governo) e imprensa (Qualquer imprensa) parecem querer: transformar o terceiro pólo da relação em mera massa de manobra.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 05/05/2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010 21:13:00 BRT  
Anonymous Duarte disse...

Do jeito que é hoje quem controla a imprensa é o só o dono, de forma absolutista.
Umas empresas podem dar mais ou menos liberdade aos jornalistas. Mas no fim das contas, quem controla é só o dono. Se o dono quiser uma coisa, quem tem juízo obedece, ou vai para a rua.
Qualquer outro controle social já é melhor do que esse, assim como os parlamentos foram melhores do que a monarquia absolutista.
Existem conselhos sociais de saúde, de segurança, da infância, com gente comum e plural, da sociedade, em qualquer município. Por que não pode haver algo semelhante na comunicação social, adaptado à realidade do meio?

quinta-feira, 6 de maio de 2010 16:36:00 BRT  
Anonymous Duarte disse...

Controle social, não deve ser para controlar conteúdo, como se fosse censura prévia.
Deve ser para arbitrar direito de resposta, exigir transparência, e informações completas, e não fragmentos de informação filtrada pelo editor, que às vezes mudam o contexto.

Um telejornal tem limitação de tempo e pode editar um vídeo em 30 segundos, ou poucos minutos. Mas nada justifica que a informação completa não esteja disponível na internet.

O UOL lavrou um tento quando publicou na íntegra a reunião do delegado Protógenes na PF logo após a Satiagraha. A gravação tem quase 3 horas, mas quem tiver paciência de ouvir terá a informação inteira do que aconteceu. No telejornal só saiu alguns trechos muito pequenos que não reflete o todo.

Na recente greve de professores em São Paulo, houve um confronto com a Polícia, havia câmeras da imprensa por todo lado. Houve uma guerra de informações na internet e nos jornais sobre versões do que aconteceu. Mas nenhum órgão de imprensa publicou um vídeo na íntegra que mostrasse o que aconteceu de fato do início ao fim.
A impressão que tive foi que a imprensa se interessou mais por esconder o que aconteceu do que em informar, o que é sua atividade fim. E que quem trabalha nos jornais ou TV estavam sabendo mais sobre a notícia do que o leitor / telespectador, o que é um contrasenso no jornalismo.

Para saber um pouco melhor o que aconteceu, encontrei fragmentos de vídeos amadores no Youtube, bem mais completo do que o relato dos jornais e telejornais.

quinta-feira, 6 de maio de 2010 16:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Na discussão que José Sarney levantou no discurso em homenagem à Democracia e que eu reproduzi um trecho em meu comentário de 05/05/2010 às 21h13min00s BRT aqui neste post "Imprensa em debate" de 05/05/2010 há a seguinte indagação para a qual José Sarney, um homem do parlamento e da imprensa, dá as duas alternativas que mais são próximas a ele:
"quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós; e dizemos nós, representantes do povo: somos nós".
A indagação, entretanto, perdura. E a sociedade cada vez parece se aproximar de possuir as duas representações. Pelo menos foi assim que pensei quando li hoje, 07/05/2010 na Imprensa, no jornal O Tempo aqui de Minas Gerais, a coluna de Dora Kramer com o título de "Virada de opinião" na parte que ela diz:
"Mesmo sendo um caso específico com efeitos passageiros, a pressão social pela aprovação do projeto Ficha Limpa propiciou algo que há muito tempo não se via no Legislativo: o fortalecimento do papel de parlamentares mais qualificados, em geral eleitos pelo chamado voto de opinião, e que nas últimas legislaturas foram sendo gradativamente substituídos por políticos cujos atos não se curvam a pressões da sociedade, pois seus mandatos guardam pouca ou nenhuma relação de causa e efeito com o interesse público".
Chega-se ao ponto em que a Imprensa e os parlamentares mais qualificados sabem identificar o interesse público (Que para mim é aquele conceito jurídico indeterminado, salvo nas situações específicas em que a Lei (Cumprir a lei é o único interesse público conhecido) bem o delimita) e podem agora administrar o país, sem precisar da sociedade.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/05/2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010 13:47:00 BRT  

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