quinta-feira, 1 de abril de 2010

Plateia sábia (01/04)

O ambiente de radicalização mede a temperatura da disputa entre os protagonistas, cada qual em busca de um naco — grande ou pequeno — de poder. Mas a peça tem assistência, e é preciso vestir a refrega com a roupa nobre da defesa do legítimo interesse nacional

O fim dos oito anos de Luiz Inácio Lula da Silva está aí, mesmo que a ideia no PT seja estender o período pelo eventual mandato de Dilma Rousseff. Ou mandatos, na conta da turma do salto (ainda mais) alto. Mas no plano simbólico e formal não tem jeito: a era Lula tem data para terminar: 31 de dezembro de 2010. É a saída do funil, como definiu lá atrás o hoje presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Agora todos os grandes já passaram pelo poder, incluída a esquerda. A democracia brasileira revela-se funcional, a alternância é um fato e a taxa de liberdade no processo eleitoral é invejável. Ainda que carregue, nas regras, os traços culturais da estupidez burocrática nacional. Nenhum povo rompe integralmente com o passado ao avançar. Felizmente em certos casos, infelizmente noutros.

E qual é o clima?

Se um sujeito de outra galáxia descesse aqui, soubesse português e só encontrasse informação em determinadas fontes acreditaria que o Brasil está diante de opções extremas. Num canto do ringue, a compulsão por levar o país a alguma modalidade verde-amarela de comunismo multiculturalista. No outro, a tentativa obstinada de tirar os pobres de cena e prostrar a nação sob as botas (ou sapatos finos) do diktat norte-americano.

Mas o “ET” teria como corrigir rapidamente essa impressão, se em vez de conversar com políticos ou jornalistas tentasse saber o que vai pela cabeça do povo na rua. As pessoas estão numa boa, tocando a vida em frente sem grandes sobressaltos. Governadas por governos rotineiros e com os ouvidos entupidos de discursos de políticos rotineiros. Daí o interesse apenas relativo pela política, especialmente pelas disputas políticas.

No mais das vezes, o ambiente de radicalização mede só a temperatura da luta entre os protagonistas, cada qual em busca do naco — grande ou pequeno — de poder. Mas a peça tem assistência, e é preciso vestir a refrega com a roupa nobre da defesa do legítimo interesse nacional.

Daí que em épocas normais a plateia use de saudável distanciamento. Alguns teóricos também chamam a isso “alienação”. Mas talvez haja algo de sabedoria no comportamento popular. Até porque o cidadão olha para o palco e percebe o vaivém das alianças, a oscilação dos discursos, os inimigos de ontem abraçadinhos hoje, o caráter descartável das palavras. Há exceções? Sim, e elas confirmam a regra.

Na corrida até outubro, vai levar vantagem o ator que entender melhor o espírito da turma sentada nas cadeiras. O eleitor não está nem aí para as falas dos políticos uns sobre os outros, ainda que os embates lhe causem prazer, pelo sofrimento imposto ao “inimigo”, ou ao “poderoso”.

O eleitor deseja saber o que cada candidato pode fazer por ele —para escolher um e derrotar os demais. Nesse juízo entram o currículo, a taxa de cumprimento das promessas, a capacidade de realização, os propósitos e — por que não? — as posições políticas de cada um. Aqui, para saber os parâmetros de valor do Estado no caso de o fulano (ou fulana) chegar lá.

Incinerador

Não é bonito o que Lula faz com Ciro Gomes (PSB). O presidente usa o método tradicional. Dá corda e depois puxa a ponta. Ou manda alguém puxar.

Na última década e meia, nunca os movimentos de Ciro estiveram em campo oposto ao do interesse político de Lula. Ciro ajudou a quase provocar um segundo turno em 1998. Em 2002, antecipou-se ao partido dele (PPS) e anunciou apoio ao petista para a segunda e decisiva rodada contra José Serra. Junto com Anthony Garotinho, foi corresponsável pela onda vitoriosa de Lula oito anos atrás.

Mesmo derrotado na corrida presidencial, aceitou ser ministro. E esteve com Lula em todos os momentos da crise de 2005. Sem economizar munição contra os adversários.

A não ser que a vida dê uma volta daquelas, sempre possível na política, Ciro entra na galeria dos aliados de Lula enviados para o purgatório. Ou para o inferno. É uma lista extensa, que aqui ficará subentendida. Por elegância ou para não pecar pela omissão.

O poder de Lula é um sol. Ilumina e aquece os amigos. Mas perto demais, queima. Incinera. Especialmente os não tão amigos assim, segundo a óptica do astro-rei.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta (01) no Correio Braziliense.

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23 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Tudo bem que é só opinião, mas penso que você exagerou nos parágrafos que tratam sobre o fim do governo Lula na seguinte parte:
"A democracia brasileira revela-se funcional, a alternância é um fato e a taxa de liberdade no processo eleitoral é invejável. Ainda que carregue, nas regras, os traços culturais da estupidez burocrática nacional"
O exagero para mim diz respeito a sua avaliação sobre os traços culturais nas regras do processo eleitoral que para você estariam impregnadas da estupidez burocrática nacional, a não ser que você considere que no mundo todo as regras eleitorais estão impregnadas de estupidez burocrática.
Quanto a questão da alternância, ainda que de um lado a candidata do PT seja uma representante do que poderia se chamar herança varguista, o fato de a disputa, coincidentemente prevista há mais de ano e meio antes da eleição se dar entre representantes do poder político (que é na verdade poder econômico) de São Paulo não me parece configurar bem uma alternância democrática. Dilma Rousseff só é candidata do PT porque o PT de São Paulo abriu mão de uma candidatura do PT paulista. Chamar regras burocráticas como próprias da estupidez nacional e valorizar a alternância quando tivemos em 1989 candidaturas como Leonel Brizola, Fernando Collor, Aureliano Chaves, além dos cinco de São Paulo: Lula, Mário Covas, Ulysses Guimarães, Afif Domingos e Paulo Maluf e nas cinco eleições seguintes teremos praticamente só São Paulo na disputa não é uma descrição histórica de um bom jornalista ou então só se explica pela data.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/04/2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010 12:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Não tenho dúvida que Lula deve muito mais a José Serra do que a Ciro Gomes pela vitória dele em 2002. A subida eleitoral, primeiro de Roseane Sarney e depois de Ciro Gomes decorreu exatamente da antipatia que talvez até mais de 50% dos brasileiros nutrem pelo PT. Qualquer um que conseguisse desvencilhar de FHC teria as portas abertas para vencer Lula em 2002. E sem dúvida que melhor poderia fazer isso seria Ciro Gomes que é de todos os candidatos quem tem maior carisma.
Pela necessidade de se desvencilhar de FHC é que o discurso de Ciro Gomes em 1998 e também em 2002 tinha sido de que FHC teria traído os objetivos originais do Plano Real. Discurso falso que José Serra demonstrou, mas que com isso se desgastou junto ao eleitorado de Ciro Gomes.
No mais o procedimento de Lula faz parte do jogo eleitoral e repete com a mesma pompa o que FHC fez com Itamar Franco.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/04/2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010 12:58:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira BH, 01/04/2010. Pela biografia, o presidente Lula fez sua vida profissional e política em São Paulo. Se for considerada a idade com que foi para o Estado, ele é paulista. Concorda?
Swamoro Songhay

sexta-feira, 2 de abril de 2010 19:01:00 BRT  
Blogger Ivanisa Teitelroit Martins disse...

Alon,
A lista é longa, muito longa, diria até mesmo, extensa. E, como você escreveu, ficará subentendida.
Os homens que ocupam o poder não são extra-ordinários. Simplesmente analisam a correlação de forças e fazem análise da conjuntura, se apóiam em pesquisas de intenções de voto, fazem cálculos eleitorais. Uma vez no poder apostam em determinada direção. A centralização do poder permite que as ações sejam executadas com um menor número de obstáculos ou menor resistência, o que reduz o arco da diversidade de opiniões. O Presidente Lula precisou ter alguém com perfil administrativo, como Dilma Rousseff, para que ela centralizasse o poder enquanto ele desenvolvia a política do entendimento, sem se sustentar em princípios ideológicos. Com isso ele ganhou cada vez mais popularidade. Ela, pelo contrário, por mais que tenha se preparado junto a um mestre do assembleísmo, não conseguirá agregar popularidade, porque não tem histórico político nem vivência em atividade parlamentar, além de ter ajudado a formar... esta lista extensa.

sábado, 3 de abril de 2010 07:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Não acho que Lula puxa o tapete de Ciro não. Tambem defendo que o governo tenha apenas uma candidata. Agora Lula e o PT deveriam ter apoiado Ciro para vice.

sábado, 3 de abril de 2010 07:52:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (02/04/2010 às 19h01min00s BRT),
Às vezes temos que apegar mais a símbolos do que a fatos. Tenho por mim que a alteração do mandato presidencial de 5 para 4 anos com a eleição presidencial coincidindo com a eleição para governador alterou a relação de forças politicas dos estados da federação, beneficiando tremendamente São Paulo. Uma forma de mostrar isso é dizer que em 89 sem a coincidência a disputa no segundo turno se deu entre dois nordestinos (Lula e Fernando Collor) e já em 1994 e 1998 com a coincidência a disputa embora só no primeiro turno se deu entre dois paulistas (FHC e Lula), mesmo sabendo que FHC e Lula não nasceram em São Paulo.
O efeito da coincidência pode ser observado nas eleições que um candidato forte à presidência da República provoca no seu Estado. Rosinha Garotinho foi eleita assim. Mário Covas também foi eleito em 1994 à custa de FHC (E mais estranho de tudo é que Mário Covas era o único do PSDB com carisma suficiente para disputar uma campanha de chefe de executivo, embora sem a ajuda de FHC e do Plano Real tenha perdido das outras vezes.
É claro que para o PSDB e desde que consiga unir as forças da direita em torno da candidatura do partido ter um candidato de São Paulo é um trunfo importante. Manter-se sempre na disputa a presidente com candidato do mesmo estado é, para mim, um tiro no pé na medida que pode criar uma rejeição dos eleitores do restante do Brasil aos candidatos deste estado da federação.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 03/04/2010

sábado, 3 de abril de 2010 09:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (31/03/2010 às 09h07min00s BRT e 31/03/2010 às 12h02min00s BRT),
Não vi continuidade entre os meus comentários e a seqüência dos seus no seu segundo comentário. Disse que a sua opinião de que o efeito da crítica ao governo de FHC seja muito mais negativo do que positivo parece mais torcida porque penso que a crítica ao governo de FHC já foi ensaiada na eleição de 2006 com bons resultados para Lula. É claro que há sempre o risco do boomerang, mas acho que para as famílias mais pobres a geração de empregos no governo Lula e o tamanho das políticas sociais repercutem mais do que a queda no passado longínquo da inflação. É claro que em minha opinião há também torcida. Eu valorizo mais a geração de emprego do que a queda da inflação.
Minha opinião, entretanto, é opinião de céptico e como tal ela estaria mais próxima do que disse o Too Loose Lautrec em 31/03/2010 às 10h29min00s BRT, retirando do comentário dele alguns momentos em que eu pressenti certeza.
Quanto a sua afirmação de que "a partir do momento em que houve maior exposição da candidatura governista, os limites começaram a ficar mais visíveis" eu concordaria se se apoiasse na certeza que apenas a questão do carisma é que vai decidir a eleição. Sei que do lado da oposição o candidato, como a candidata do governo, não possui carisma. Mesmo não possuindo carisma, o José Serra conta com o voto cativo da memória da eleição de 2002, o voto cativo de representar a única alternativa de São Paulo, concorrendo pelo partido que terá um forte candidato para governador do estado, o voto cativo da direita e da esquerda inimiga do PT e vinte e cinco anos de disputas eleitorais de tal modo que, ainda que Lula esteja usando todos os truques para levantar a candidatura de Dilma Russef, mas não contando com apoio de intelectuais da esquerda nacionalista democrata brasileira como o Alon Feuerwerker, certamente o candidato da oposição estará no segundo turno da eleição de 2010. Estará no segundo turno a menos que Ciro Gomes possa concorrer e a candidatura dele seja impulsionada pelo carisma que ele possui e assim possa desbancar um dos outros dois candidatos na corrida. A probabilidade maior é que caia a Dilma Russeff, e ai se poderia dizer que ela chegou ao limite, mas dizer isso pelo simples resultado da pesquisa é temerário.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/04/2010

domingo, 4 de abril de 2010 09:58:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (02/04/2010 às 19h01min00s BRT),
Eu tenho minha ideologia e muito das minhas opiniões são baseadas nessa ideologia. Nas minhas análises, tento, entretanto, imaginar que a minha ideologia não tenha contaminado 90% dos brasileiros que eu pressinto que são imunes a ela. Assim, sou nacionalista de esquerda e democrata, mas penso que menos de 25% dos brasileiros se enquadram nesse perfil.
Embora eu seja favorável à ética, não penso que ela possa ser aplicada à democracia representativa. A atividade que se exerce na democracia representativa - a atividade política por excelência - é a representação de interesses conflitantes que deverão ser compostos segundo a lei. Segundo a lei e não segundo o interesse maior da nação porque a não ser quando a lei estabelece que 30% dos gastos públicos deverão ir para a educação pública ou outras afirmações semelhantes não se sabe qual é o interesse maior da nação. Nessa minha concepção, a ética que pressupõe certa renúncia não pode existir, pois o representante não pode renunciar da defesa dos interesses do representado. Ele pode barganhar, fazer o toma-lá-dá-cá, fazer conchavos e acordos, ou mesmo desistir de enfrentar as forças mais poderosas, mas jamais renunciar.
Penso, entretanto, que devo avaliar o pensamento da maioria da população supondo que ela acredita que a ética seja possível na atividade política.
Avalio que a inflação mais elevada, principalmente para países em desenvolvimento e dentro de certo quadro de estabilização, é melhor que a inflação de primeiro mundo. Avalio, entretanto, que mais de 99% da população têm ojeriza da inflação e grande parte desses 99% considera que a inflação é um conluio entre o governante e os empresários (Mesmo o pequeno empresário pensa assim, ou melhor, pensa que é um conluio entre o governante e o grande empresário). Assim, para efeitos eleitorais acho que os governantes têm todo o direito em transformar a inflação em inimigo público número um do país. É claro que se esse combate tem efeitos catastróficos para o país eu me sinto a vontade em criticar esse governante.
É por essa divergência entre o que eu penso e o que pensa a grande maioria dos brasileiros que faço as avaliações mais na expectativa do que na certeza. É claro que conta para mim o que a realidade no mundo todo traz como indícios. No mundo todo e não só no Brasil porque não vejo razão para se considerar o brasileiro diferente do resto do mundo. Quando há diferença eu procuro entender essa diferença. Uma delas consiste em que desde 1994 a disputa presidencial apresente contornos bem definidos com uma grande ausência da questão carismática. Isso não ocorre em nenhum país do mundo. Mesmo Lula que ganhou muitos votos pelo carisma que ele tem junto a maioria da população, carisma representado pela facilidade de interlocução com o povão, teve na derrota dele para Fernando Collor e na capacidade de representar toda a esquerda muito da força eleitoral dele em 2002 e em 2006. Além disso, em 2006 ele contou com a força natural da reeleição e em 2002 ele contou com José Serra para eliminar possíveis candidatos com mais carisma e capazes também de representar a esquerda. É claro que não se deve considerar sem importância na vitória de Lula a história da formação e crescimento do PT, partido que mesmo tendo uma ideologia muito contrária ao brasileiro médio tem se desenvolvido de forma muito mais democrática do que qualquer outro partido brasileiro.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/04/2010

domingo, 4 de abril de 2010 10:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Os dois últimos comentário que enviei para este post e que já constam no quadro de comentários não era para este post "Plateia sábia" de 01/04/2010 e nem um terceiro que ainda não consta entre os comentários deveriam ter sido enviados para o post "O limite do anti" de 30/03/2010.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/04/2010

domingo, 4 de abril de 2010 11:02:00 BRT  
Blogger Ivanisa Teitelroit Martins disse...

Clever,
Espero que o Paulo Skaf leia seu comentário. Análise e prognóstico equilibrados.

domingo, 4 de abril de 2010 18:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ivanisa Teitelroit Martins (04/04/2010 às 18h02min00s BRT),
Obrigado pelo elogio.
Pena não ter colocado os comentários no post a que os comentários corresponderiam.
Como não acompanho muito próximo as eleições em São Paulo não entendi direito a referência a Paulo Skaf.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 05/04/2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010 08:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira (BH, 04/04/2010)
1) Simbologia. Notadamente quando de disputas eleitorais, a simbologia tenta lograr transportar ao imaginário do cidadão aspectos que, embora possam estar baseados em algumas verdades, procura magnificar o que pode alimentar a fantasia e o poder desta em provocar ações, no caso o voto do cidadão/eleitor. Compondo isso, coloco também, o muitas vezes excessivo destaque que, a meu ver, se dá à origem regional e/ou estadual de candidatos. Atribuindo-se a este fato a capacidade do mesmo em administrar melhor ou pior. No caso de candidatos onde tal aspecto seja muito nítido, o símbolo pode tornar-se enfadonho e ser neutralizado. Naqueles onde não seja, o resultado trazido pelo símbolo pode ser muito ruim.
2) Estabilização. Coloco-a no rol do processo de restauração da capacidade do Governo em realizar política monetária e fiscal. Tal composição é que veio a dar o suporte ao desenvolvimento da economia brasileira nos últimos 15 anos. Sem deixar de considerar os períodos anteriores onde houve real implementação bem sucedida de obras de infraestrutura, abertura comercial, universalização da educação etc. muito do que precisa ser melhorado em muito. Assim, a meu ver, a estabilidade, hoje, é um valor incorporado. A estabilização, em si mesma, pode não ter mais o apelo eleitoral que possa ter tido no passado, porém, seus efeitos sim.
Swamoro Songhay

segunda-feira, 5 de abril de 2010 11:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira (BH, 04/04/2010)
3) Carisma. Não considero o carisma como fator decisório. Como leigo, considero que há aspectos inerentes às pessoas que não são transferíveis. E caso tentado, o intento pode causar o efeito exatamente contrário do desejado. Assim, na medida em que os candidatos são mais expostos, estão por si mesmos. Isto permite que sejam avaliados sobre o que falam e como falam, independentemente da simbologia, não raro atribuída, de ser o indivíduo em questão portador de atributos tão excepcionais.
4) Ética. Também concordo que a ética é um valor e que a maioria da população considera ser ela possível na atividade política.
Swamoro Songhay

segunda-feira, 5 de abril de 2010 11:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira(BH,04/04/2010)
5) Inflação x Estabilidade. Ainda considero a estabilidade como valor já incorporado. Assim, o que os candidatos conseguirem explicar o que e como farão para melhorar o que está posto, passar do crescimento ao desenvolvimento, poderão aumentar o seu cacife. Isso, perante o eleitorado não parlamentar, não filiado, não militante, não ideológico. Estes, pode-se considerar como já estabelecidos em suas opções e podem atuar mesmo como formadores de opinião. Já para o eleitor não militante, o que pode valer é a oportunidade de procurar e encontrar emprego, querer comprar e ter crédito e recursos para tanto etc. Na nossa experiência, não raro tivemos inflação elevada, baixo crescimento, desemprego elevado, incapacidade de realização de políticas fiscal e monetária, instabilidade política.
Swamoro Songhay

segunda-feira, 5 de abril de 2010 11:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (05/04/2010 às 11h49min00s BRT),
1 – A questão da simbologia.
Em meu comentário de 03/04/2010 às 09h11min00s BRT tentara dizer que usava um pouco do simbolismo para mostrar que na eleição para presidente da República São Paulo saíra fortalecida com as mudanças feitas a partir da Constituição de 1988 (Eleição direta (Que eu sou a favor), eleição em dois turnos (que eu sou contra), mandato presidencial de 4 anos coincidindo com a eleição de governadores (Com mandato de 5 anos para presidente da República a coincidência ocorre só de 20 em vinte anos) e o instituto da reeleição (Que eu sou contra)).
Defendo uma maior justiça social e penso que essa só será alcançada se houver esforços efetivos para se obter uma melhor distribuição social da renda. E penso que não se pode alcançar uma melhor distribuição social da renda se a renda no país estiver espacialmente má distribuída. Não penso ser justo se a renda dos cidadãos paulistas estiver bem distribuída, assim como a renda dos cidadãos maranhenses, mas a renda dos paulistas for mais de cinco vezes maior do que a renda dos maranhenses.
Penso assim que um cidadão de um estado mais pobre ao beneficiar o seu estado estará favorecendo a melhoria na distribuição espacial de renda. Assim torço para que os cidadãos dos estados mais pobres tenham mais chances de se tornarem presidente da República do que os cidadãos dos estados mais ricos. Não gosto do Ciro Gomes porque ele foi do PSDB e passou a se comportar como o PSDB onde a maioria dos intelectuais pensa uma coisa e diz outra. Penso, entretanto, que o maior contato de Ciro Gomes com o nordeste faz dele um melhor presidente para o Brasil. A Marina Silva também seria sob esse meu critério, uma ótima governanta, mas penso que ela não dá a importância que eu dou para a questão de geração de empregos. A Dilma Rousseff me parece que perde dos dois, mas pela vivência em dois estados da federação (Sendo que Minas Gerais possui uma renda média igual à do Brasil), ela, apesar de centralizadora, tem maior interação com a questão federativa do que José Serra que sempre defendeu com brio o interesse de São Paulo. A Lei Kandir, iniciativa de um parlamentar do PSDB de São Paulo e que foi aprovada quando José Serra já se descompatibilizara do Ministério do Planejamento para disputar a prefeitura de São Paulo e, portanto, exercia o cargo de representante de São Paulo no Senado, foi de uma total desconsideração com as finanças estaduais dos Estados pobres produtores de commodities além de beneficiar os grandes exportadores brasileiros localizados no porto de Santos. Também serve de exemplo da defesa de José Serra do interesse de São Paulo a aprovação na Constituição de 88 da alíquota zero de ICMS para a energia elétrica e para os combustíveis derivados do petróleo (Mas não do álcool que São Paulo é um grande produtor e exportador para as outras unidades da federação) nas operações interestaduais
Não tenho um equipamento que me informe sob a capacidade administrativa de um político, a não ser naqueles casos de incompetência absoluta o que não me parece ser possível em uma democracia com processos periódicos de eleição. Como não tenho o equipamento, utilizo a minha ideologia como parâmetro. Aquele que administra seguindo o roteiro que a minha ideologia considera como o melhor roteiro eu avalio como o mais competente. Quando eu passar a acreditar que os critérios de outra ideologia são melhores certamente mudarei a minha ideologia.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 05/04/2010

terça-feira, 6 de abril de 2010 00:00:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (05/04/2010 às 11h49min00s BRT),
1 – A questão da estabilização.
Sob o aspecto meramente técnico há estudos comprovando que principalmente para países em desenvolvimento uma inflação ótima estaria na faixa de 10%. Não é tanto em relação a isso que eu questiono a estabilização, porque penso que no sistema democrático é preferível eleitoralmente que se trabalhe com baixas taxas de inflação (Em torno de 3% ao ano). O que eu avalio como ruim foi a forma abrupta de se acabar com a inflação que deixou o Governo sem capacidade de “realizar política monetária e fiscal”. A forma abrupta exigiu um juro elevadíssimo que endividou o setor público e exigiu um câmbio sobrevalorizado que deixou a política monetária refém das boas graças do capital externo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 05/04/2010

terça-feira, 6 de abril de 2010 00:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira (BH, 05/04/2010 terça-feira, 6 de abril de 2010 00h11min00s BRT)
1) Ainda a simbologia. Concordo que a questão das disparidades regionais e estaduais de renda precisam ser resolvidas. Porém, discordo que a origem regional ou estadual de um político, por si só, seria credencial para resolver o problema. 2) Estabilização x Inflação. Considero a inflação um indicador do tipo "quanto maior pior". Ainda temos uma inflação anual em torno de 4% a 5%, que causa problemas. Já índice de 10%, seria muito ruim, num ambiente de estabilidade. A inflação tinha de ser debelada de forma abrupta, para que a economia caminhasse na busca de eficácia produtiva e alocativa. E a perda de poder aquisitivo da moeda não beneficiasse a administração pouco eficaz dos gastos públicos. Inflação elevada mascara ineficiências e distorções. 3) A meu ver, quem tomar a estabilidade como valor incorporado e indicar o que fará para, com base nisso, demarrar a economia terá mais sucesso.
Swamoro Songhay

terça-feira, 6 de abril de 2010 10:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (05/04/2010 às 11h51min00s BRT),
3 – A questão do carisma.
(Antes aproveito para corrigir o início do meu comentário de 06/04/2010 às 00h11m00s BRT. Assim, a referência a estabilização deveria ser com o número 2 e não com o número 1, como se encontra no meu comentário)
Não sei até que ponto o carisma torna alguém mais competente para governar. O que me parece que é fato é que durante a juventude, quando se iniciam as primeiras campanhas eleitorais, seja para chefe de turma, seja para presidente de um grêmio recreativo, começam a destacar as pessoas com espírito de liderança e, entre elas, são mais propensas a ganhar as eleições as pessoas com carisma (As vezes o carisma de uma pessoa está no cabelo bonito e ele cai, ou na voz feminina que fica rouca ou o contrário na voz possante que enfraquece, ou nos gestos suaves que embrutecem). Vivendo desde jovem uma experiência gerencial (Além da própria eleição que é um processo administrativo mais denso envolvendo logística, negociação e processos decisórios mais rápidos) haverá mais possibilidade de uma pessoa assim se capacitar melhor para ser chefe de executivo.
O processo democrático no mundo todo cria os mecanismos para que essas pessoas com espírito de liderança e com carisma possam desenvolver as habilidades necessárias para o melhor exercício de cargos executivos. A ausência do carisma como fator definidor das eleições tem sido uma particularidade do Brasil a partir do Plano Real, do mandato de quatro anos, da coincidência da eleição de presidente da República com a eleição para governador, da reeleição e da própria presença de Lula nas campanhas eleitorais desde então (Vi um comentário superbo hoje no blog de Na Prática a Teoria é Outra em post sobre a entrevista de FHC para o Estadão em que um comentarista chama Lula de o Plano B do PT que deu certo). Não creio que isso seja correto nem benéfico para o Brasil. Não há porque o Brasil ser diferente do resto do mundo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 06/04/2010

terça-feira, 6 de abril de 2010 22:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (05/04/2010 às 11h51min00s BRT),
4 – A questão da ética.
Repetindo o que você disse, eu também “concordo que a ética é um valor e [Também concordo] que a maioria da população considera ser ela possível na atividade política”. O que eu não concordo é com a maioria da população e também não concordaria com você se você pensa como a maioria da população.
O que eu tenho insistido é que, embora seja difícil realizar essa abstração, eu tenho que analisar a reação popular a uma conduta ou a um comportamento do candidato ou do partido do candidato como se eu considerasse a ética um valor possível de ser aplicado na política. É claro que na minha análise, ainda que eu faço a abstração da minha idéia sobre a ética, estará incorporada tudo mais da minha ideologia. É, entretanto, um exercício que poucos recusam a fazer tentar imaginar como o povo avalia a conduta de um governante. Para a população, é ético um governo fazer um plano para acabar com a inflação em época de eleição? Eu não acho, mas considero que a ética não deve ser condutora da atividade política. E o povo, como reage o povo que ao contrário de mim crê que a ética faz parte da atividade política? Na minha abstração eu penso que o povo é favorável. Ele reage na crença que é ético um governo que acaba com a inflação. Aliás, para o povo o governo que acaba com a inflação em época eleitoral é extremamente ético, pois a inflação é o que há de mais antiético em um governo. Também não considero ético a frase do governo de que “nunca na história desse país . . .”, mas penso que o povo reage favoravelmente à essa declaração. É do interesse eleitoreiro do governo usar essa frase e não há impedimento legal, assim é de se esperar que seja deste modo que o governo se comporte. E não considero ético primeiro porque o governo utiliza de um instrumento que pressão sobre o povo para votar no governo de que não dispõe a oposição e depois porque essa frase só é verdadeira quando se considera em números absolutos uma vez que à medida que o tempo passa tornam-se maior ou menor os dados de um país dependendo de se tratar de um bem ou um mal (Investimento público, mortandade infantil, etc.).
Não é, entretanto, o meu julgamento ético que interessa. E aqui também por dois, mas que são excludentes, contando apenas como se fossem um. Primeiro porque não há que se levar em conta a questão ética na eleição (Isso para minha avaliação e não para a avaliação da população, pois ela acha que se deve levar a questão ética para a eleição). E segundo porque o povo não avalia essa fala como antiética.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/04/2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010 13:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (05/04/2010 às 11h54min00s BRT),
5 – A questão da Inflação x Estabilidade.
Eu fiquei sem entender direito o que você quis dizer por:
“Estes, pode-se considerar como já estabelecidos em suas opções e podem atuar mesmo como formadores de opinião”,
Não entendi, considerando que na frase anterior você faz referência ao não militante. Entendido que ao dizer “estes” você se referia ao militante eu fico totalmente de acordo com o seu comentário, embora não considere relevante para a decisão eleitoral, que é em última análise o que estamos discutido, a sua frase de que:
“Na nossa experiência, não raro tivemos inflação elevada, baixo crescimento, desemprego elevado, incapacidade de realização de políticas fiscal e monetária, instabilidade política”.
O que você disse é verdade, mas essa verdade não significa que haja correlação e ainda que haja correlação (O que pelo que eu acompanho da economia mundial nos últimos 40 anos com exemplos de países com inflação elevada e bons índices de crescimento econômica (Veja a Colômbia de 60 até 2000 e veja o Irã de 2000 até os nossos dias) não considero que haja) não penso que o povo se apegue tanto a um passado tão longínquo para tomar sua decisão eleitoral.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/04/2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010 13:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (06/04/2010 às 10h06min00s BRT)
Concordo com seu argumento de que de per si a origem do candidato não resolve a questão das disparidades espaciais no Brasil. Talvez eu nem possa dizer que ajuda, sabendo a força que possui a FIESP para financiar a campanha em todo Brasil de candidaturas mais próximas dos interesses da entidade. Aliás, a reeleição era do interesse da FIESP. E é de se perguntar quem financiou a aprovação da reeleição.
Você pode questionar o interesse da reeleição de FHC pela FIESP sabendo que quem mandava no Banco Central era Gustavo Franco que só se importava com a taxa de juro suficiente para manter a inflação baixa. Sobre isso menciono sempre a defesa que o Roberto Cardoso Alves fazia da eleição direta (Não era nem em dois turnos). Segundo Roberto Cardoso Alves ele era favorável porque a eleição direta beneficiava São Paulo. Com eleição em dois turnos e com a reeleição ai São Paulo deita e rola. E isso é bom para a Fiesp.
Nós tivemos em 2009 uma grande oportunidade de o país lançar um grande projeto de construção de moradias. Imagine o governo construindo em cada município do Brasil uma minicidade com umas duzentas casas em cada minicidade. Além disso, além da infra-estrutura de ruas, rede de esgoto e água, telecomunicações e energia elétrica ele faria um centro de lazer, um centro de saúde, um centro educacional, um centro cultural e um centro administrativo em que houvesse a reprodução de órgãos federais e estaduais e também municipais e onde por exemplo se poderia obter informações sobre tributação, ou obter documentos de identidade inclusive passaporte, registrar patentes etc. São mais de 5 mil municípios e o governo iria distribuir moradia em todo o país. E haveria um projeto praticamente único. No entanto a opção que o governo fez é conceder recursos para a Caixa financiar moradias desde que isso venha em um projeto. Só grandes municípios possuem condições de adquirir junto a uma empresa de engenharia um projeto desse porte que fosse aceito pela Caixa Econômica Federal. Se você for fazer levantamento verá que fora as grandes capitais do país quase todos os recursos já estão contratados com os grandes municípios paulistas.
(A continuar)
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/04/2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010 20:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (06/04/2010 às 10h06min00s BRT)
(Continuando)
Também considero a inflação um indicador do tipo quanto maior pior. Isso para a democracia. Quanto maior a inflação maior é a descrença da população para com os homens públicos. Essa descrença contamina as instituições e, assim, a sociedade junto com o Estado soçobram. Sob o aspecto econômico sua afirmação não é comprovada como pode ser observado na dissertação de mestrado de Rodrigo Ayres Padilha pela Universidade Federal do Paraná sob orientação do Prof. Dr José Luis da Costa Oreiro, saída em 2007 e intitulada “Metas de Inflação: Experiência e Questões para os Países em Desenvolvimento". Na obra há ainda a seguinte referência:
SAREL, Michael (1996) “Nonlinear Effects of Inflation on Economic Growth” IMF Staff Papers, Vol. 43, nº 1, p. 199-215.
Trata-se de trabalho de 1996 que em 1997 ou 1998 foi repercutido nos nossos jornais brasileiros se não me engano em coluna de Celso Pinto. Nele há a avaliação que o ótimo de inflação é nesse intervalo próximo de 10% ao ano.
Quanto a idéia de que a inflação deveria ser eliminada de forma abrupta essa é uma discussão que eu faço sozinho. Não tenho o amparo da academia. E o pior é que sou leigo. O que eu observo é que a redução brusca de inflação é possível e com poucos resultados danosos para a economia se se trata de pequenas ilhas: Israel, Bolívia e países semelhantes. Quando se tem países como a Argentina, o Brasil etc dá-se o que deu. Para mim o recomendável é um processo lento de três a quatro anos em que a taxa de inflação em espiral hiperinflacionária em um ano deixa de ser hiperinflacionária, no ano seguinte desce para uns 100% ao ano, no outro ano vai para 50% e assim sucessivamente. O país sofre mais no período, mas sai sem problemas de Balanço de Pagamentos que normalmente muito mais que a inflação paralisa o país e sem problemas de dívida pública elevada. Se bem que há muitos que defendem que uma dívida pública elevada permite uma melhor alocação de recursos.
Penso que muita coisa que se diz sobre a inflação foi incorporada no inconsciente do brasileiro e ele vai dizendo como se tratasse de truísmo. A inflação por exemplo é atacada por reduzir o poder aquisitivo. Ora, ao produzir a perda de poder aquisitivo a inflação tem efeito semelhante à poupança que é tanto endeusada.
Outro exemplo é a crença sem limites nos benefícios da eficiência. A busca da eficácia produtiva e alocativa tão decantada por todos, esquece que muito do sucesso do sistema capitalista decorre de ineficiências do sistema. Uma empresa que abre em um local que não é devido, faz um grande investimento e posteriormente quebra, foi de total ineficiência, gerou o que eu costumo chamar déficit privado: gasto perdido, sem retorno, mas gera emprego, leva comida para lares quase a serem desfeitos, movimenta outros setores da economia, enfim dá sobrevida ao sistema. Também dá sobrevida duas farmácias funcionando uma do lado da outra fazendo o que se poderia chamar de sobreposição de atividade e, se de um lado reduz os lucros que vai ser ruim, pois reduz investimento, de outro gera mais postos de trabalho.
E por último, não se pode esquecer que cada trabalhador a mais que é empregado é menos eficiente que o anterior, supondo que os mais eficientes são empregados primeiros. No limite cada empregado a mais que entra no mercado de trabalho ocupando uma vaga torna o sistema menos produtivo e, portanto, salvo pelo ganho da produção de escala, e considerando uma só fábrica o máximo de eficiência é o mínimo de emprego. Eis ai a forma mais simples para acabar com uma sociedade.
(A continuar)
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/04/2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010 22:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (06/04/2010 às 10h06min00s BRT)
(Continuando)
Quanto ao sucesso na eleição, esta para mim é uma incógnita. Em princípio o andamento da inflação e de emprego são dois dos mais importantes acicates eleitorais. Não esqueça, entretanto, do carisma. Albert Gore estava em um governo onde não havia inflação e a geração de emprego era bastante satisfatória. Só em dezembro de 2000, depois que George Bush, o filho, já havia sido eleito, é que Alan Greenspan, percebendo que a economia começava a se paralisar, iniciou uma forte redução dos juros. Alberto Gore, entretanto, não tinha nenhum carisma e acabou perdendo a eleição para George Bush.
Pelo seu argumento:
“quem tomar a estabilidade como valor incorporado e indicar o que fará para, com base nisso, demarrar a economia terá mais sucesso”,
O sucesso é um caminho lógico: toma a estabilidade como valor incorporado e indica o que fará para a economia decolar que se obtém sucesso. Tudo parece uma demonstração matemática.
Não creio que seja uma demonstração matemática. E ainda que fosse vale lembrar que há professor de matemática que flutuam em uma sala de aula e há outros que afogam os alunos.
Bem, mas você aconselha que os candidatos devam tomar a estabilidade como valor incorporado. Provavelmente você quer dizer que o candidato não deve dizer que:
“Se eleito eu vou aumentar a inflação, pois, segundo Clever Mendes de Oliveira, uma inflação mais alta é muito melhor para a economia”.
Tenho certeza que não serei mencionado por nenhum candidato nestas eleições. Sobre isso todos vão se calar.
Agora, todos vão falar o que vão fazer para decolar a economia, ou melhor, o que vão fazer para que a economia que já decolou não tenha que voltar a pousar por um longo período. Se vão convencer vai depender de como o eleitor se deixa convencer. Pela lógica cartesiana de um candidato? Pelo fato de alguém entre os candidatos ser o enviado do senhor, ou pela capacidade de convencimento natural que determinadas pessoas têm junto a um número maior de pessoas?
No mundo todo são as pessoas com maior capacidade de convencimento que vencem as eleições. No Brasil, depois de 1994, na eleição para presidente, não tem sido assim. Não é uma exclusividade absoluta do Brasil. Há também em outros países situações anômalas. O México foi assim durante muitos anos. O mais comum, entretanto, no mundo todo, ainda mais quando o presidente não pode se candidatar, é que o convencimento faça-se pelo carisma.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/04/2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010 00:25:00 BRT  

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