sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Alca cambial de Lula (09/04)

Nosso neodesenvolvimentismo “neoliberal” renega a substituição de importações. Por que produzir aqui dentro algo que pode ser comprado mais barato lá fora?

O presidente da República criticou ontem os países que praticam protecionismo enquanto fazem discursos pelo livre comércio. No alvo, os Estados Unidos e a Europa. Luiz Inácio Lula da Silva tem razão no mérito —e também motivo para reclamar.

A continuada proteção dos mercados nacionais pelos países desenvolvidos está na raiz das duas maiores derrotas sofridas por este governo nas relações comerciais planetárias: a não conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a não criação de um mercado mundial do etanol.

Sem falar na frustração com o G20, que na eclosão da crise em setembro de 2008 apresentou-se para reorganizar o mundo, mas acabou empurrado para a irrelevância.

É tarefa complexa tentar identificar o fio condutor da política de Lula para o comércio internacional. A ideologia segue por uma pista da autoestrada, enquanto a vida real volta pela outra.

O PT travou durante anos sua luta feroz contra a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), proposta pelos Estados Unidos nos anos 80 do século passado. Quando chegou ao governo em 2003, o PT ajudou na prática a enterrá-la.

Os argumentos foram em teoria consistentes. Numa área de livre comércio com os americanos o rumo histórico estaria traçado —e contra os nossos interesses.

Seríamos para sempre produtores e exportadores de matéria-prima, de commodities. Nossa indústria seria moída pela concorrência, a não ser nos ramos intensivos em mão de obra barata. Ou nos mais poluidores e menos socialmente responsáveis.

Onde reside a dificuldade do analista? Onde está a contradição? Quase oito anos depois, Lula vai entregar ao sucessor (ou sucessora) um país constrangido pela “Alca cambial”, pela política de valorização da moeda que nos empurra para a desindustrialização e para a dependência das exportações de commodities.

O real forte, sustentado lá em cima pelo juro estratosférico, faz a alegria momentânea do pobre (pelo preço da comida), da classe média (pelas viagens internacionais e compras lá fora) e de quem precisa, ou prefere, importar. Mas o real forte ajuda também a desenhar um futuro medíocre para o Brasil.

A linha-mestra do argumento é conhecida. Que substituição de importações, que nada! Por que produzir aqui dentro algo que pode ser comprado mais barato lá fora?

Fascinante, esse neodesenvolvimentismo “neoliberal”. Um neo-neo do país da jabuticaba.

E o comportamento do Brasil nas batalhas internacionais reforça o viés manco. Agora mesmo, como reagimos à histórica vitória com o algodão na OMC? Ameaçando retaliar produtos industrializados americanos. Ou seja, se eles forem bonzinhos com as commodities, nós topamos abrir (ou manter aberto) nosso mercado interno de produtos com maior valor agregado.

Quantos discursos Lula já fez em defesa do livre comércio? E quantos ele pronunciou para trazer a legitimidade da palavra de líder à necessária proteção da nossa indústria, dos nossos empregos? Quem fizer a conta vai ter uma surpresa.

É bonito que o Brasil se ofereça para comandar o mundo pobre contra as barreiras protecionistas do mundo rico aos produtos agrícolas. Além de bonito, é justo. É uma forma de combater, por exemplo, a pobreza na África.

Mas certamente a próxima presidenta (ou o próximo presidente) da República vai ter que ajustar a orientação. Se conseguir, claro, superar as imensas barreiras ideológicas e intelectuais erguidas em séculos de colonização política, econômica e mental.

Talvez não seja questão de “se”, mas de “quando”.

Pequeno

— Eu acho pobre neste país é que as pessoas esperam acontecer uma desgraça dessa magnitude para ficar tentando fazer joguinho político pequeno.

A frase é de Lula, ontem, no contexto da tragédia causada pelas chuvas no Rio.

Segundo Lula, é hora de pensar grande. Governos gostam de pensar grande, enquanto a oposição normalmente prefere pensar pequeno.

É bom haver sempre, além do governo, uma oposição.

Para evitar que todo mundo resolva pensar grande a toda hora.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta sexta (09) no Correio Braziliense.

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24 Comentários:

Blogger Ligeirinho disse...

Podemos perder o bonde.. de novo!

sexta-feira, 9 de abril de 2010 08:58:00 BRT  
Anonymous Chesterton disse...

Esquerdas tentando jogar o jogo capitalista é arriscado.Por falta de prática e de vontade, sempre fica meia-boca.

sexta-feira, 9 de abril de 2010 10:50:00 BRT  
Blogger Paulo R Silva disse...

Alon, estamos vendo o mesmo país? Quando foi que o Brasil foi "derrotado" na transformação do etanol em commodity? Quando a Shell anunciou parceria com a Cosan? Ou quando a EPA declarou o etanol de cana biocombustível avançado?

E quando foi que o G20 financeiro perdeu relevância? Será que sua coluna não transparece um certo "imediatismo de jornalista"?

sexta-feira, 9 de abril de 2010 10:59:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Meus amigos petistas ficar irados quando digo que Lula tem sido o governo mais "neoliberal" da história, mais até do que Collor, exatamente por ter concentrado o mercado bancário como nunca, dificultado a vida dos empresários/produtores como nunca, e facilitado a vida de todo rentista (o crescimento no varejo é um reflexo desse rentismo brasileiro, já que temos o inexistente 17x sem juros, uma jabuticaba que premia endividados e prejudica poupadores).

sexta-feira, 9 de abril de 2010 12:15:00 BRT  
Anonymous Geraldo G. Brasil disse...

Interessante o texto, mas gostaria de mencionar uma outra perspectiva. Acho que podemos concordar que o país, do ponto de vista da economia, vai indo bem,obrigado. Esse "vai indo bem" tem um preço no real alto, no juro muito alto. Se gostamos da sensação de estarmos "indo bem", não seria melhor procurar soluções mais inteligentes para diminuir o custo que estamos pagando? Por exemplo, temos gastos governamentais altos e mal feitos, que pressionam os juros. Temos o chamado custo Brasil (um conjunto de itens)que impossibilita o crescimento do investimento no país. Focando apenas nesses dois pontos, será que não há forma de resolve-los e tratar de melhorar a nossa vida sem precisar tanto de disputar não sei o que com o mundo?
Tenho a impressão que chegamos a um estágio onde podemos pensar por nós mesmos, sem nenhum constrangimento, nenhum complexo. Relacionando esse pensamento com eleições, não seria ótimo os candidatos manifestarem-se à respeito? Acho que não temos um problema, mas com certeza uma grande oportunidade de nos colocarmos perante o mundo como um país sério que cuida de seus interesses.

sexta-feira, 9 de abril de 2010 13:39:00 BRT  
Anonymous F.Arranhaponte disse...

Tadinho do consumidor pobre brasileiro. Esse não tem ninguém que o defenda

sexta-feira, 9 de abril de 2010 13:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Na segunda parte do post, só há que ressaltar um aspecto, digamos, pequeno. Quando das chuvas de janeiro e fevereiro, no discurso situacionista não era dado aos governantes das oposições sequer o direito de constatarem que as precipitações excederam todos os índices pluviométricos anteriores. Ou seja, chuva passou a ser sinônimo de governantes das oposições. São tão maus que só chove forte onde eles governam, era a tese reverberada. Já em comunidades governadas por situacionistas, o discurso era que as chuvas foram muito fortes, mas, como tinham obras do PAC, tudo estava bem. Mesmo que estivesse a população usando galochas e barcos dentro de casa. Agora, na catástrofe ocorrida no Rio de Janeiro, nada mais do que as fortes chuvas são as responsáveis. Com direito até a pedidos de rezas por estio.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 9 de abril de 2010 13:55:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Não esqueça que o instituto da reeleição que você defende produz isso. Seria bom para Barack Obama se ele desvalorizasse o dólar, mas ele não vai deixar isso acontecer, pois ele corre o risco de ficar fraco politicamente.
Agora a reeleição em um presidencialismo forte como é no Brasil (Nos Estados Unidos, salvo a lei orçamentária a maioria das leis é de iniciativa do Congresso e só no governo Clinton é que o Congresso permitiu que o presidente revogasse artigos de lei aprovada pelo Congresso) causa todos os transtornos que você pode imaginar. Vai-se governar para ganhar a reeleição e não para fazer aquilo que o país precisa. O presidente é eleito para tentar se reeleger.
Lula e FHC tiveram a mesma experiência. Felizmente FHC ficou tão desacreditado no final do governo dele com as crises cambiais freqüentes e o malfadado racionamento de energia que retirou fatia do PIB brasileira por absoluta incúria que não teve tão grandes impulsos para fazer o sucessor ou imaginou que Lula ia se dar mal e ele poderia voltar como FHC o grande.
Com a reeleição se fortaleceu a possibilidade do presidente manter-se no poder e ale disso faze o sucessor. Com o governo Lula essa possibilidade de um governo reeleito manter-se no poder, fazendo o sucessor, ficou exageradamente grande. O que deve ser feito? Criar na legislação um impeditivo para que um partido de presidente reeleito não tenha direito de lançar o sucessor? Parece que é essa a mensagem de Carlos Ayres validando a multa aplicada a Lula por lançamento antecipado de candidatura. Diz ele:
"A qualidade da vida política no Brasil é ruim por essa promiscuidade entre projeto de governo e projeto de poder. Ninguém foi eleito para fazer seu sucessor, mas para implementar seu projeto de governo".
Os mexicanos não souberam disso durante 72 anos (1928 até 2000). Lá, entretanto, não havia reeleição.
Aqui há esse ruído de incompreensão do processo democrático. Aqui primeiro se reduz o mandato para que Lula não fique muito tempo. Aqui se admite se fazer um plano para se eleger presidente não importando em que buraco se estaria levando o país. E se admite fazer uma emenda para permitir a reeleição? E ontem fiquei sabendo que em 1998 o presidente do TSE, Ilmar Galvão, disse o seguinte:
"Se eu fosse Congressista, nunca aprovaria a reeleição para Governador e Prefeito. Quando muito, para Presidente da República, em uma conjuntura como a atual, em que a permanência do Presidente da República é um fato indispensável para a manutenção e para consolidação do modelo econômico que foi implantado no Brasil."
Como mudam os nossos homens públicos. Isso me fez lembrar a frase de um mineiro, o ex-ministro de Minas e Energia João Camilo Pena:
"A alma do brasileiro parece mudar da terça-feira gorda para a quarta-feira de cinza".
Certamente ele esqueceu de dizer que se tratava de carnavais de dois séculos diferentes.
O problema cambial é sério, mas ele não pode ser tratado no Brasil sem que se fale de como o mandato presidencial foi reduzido para 4 anos, como foi feito o Plano Real e porque foi aprovado a reeleição. E a Fiesp é a que menos pode reclamar porque muito provavelmente tudo isso contou com o financiamento dela.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 09/04/2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010 21:10:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, esse negócio de privilegiar o “valor adicionado” das exportações mostra a força que pode ter o discurso ideológico. Não há nada, na lógica da economia de mercado, que pudesse levar a concluir que é vantajosa a produção foguetes frente a produção de soja. No início do século XX a Argentina estava entre os países de maior renda per capita do mundo, exportando produtos da agropecuária. A força do argumento ideológico pode ser vista pela timidez dos comentários que querem se contrapor a sua crítica do câmbio, como os do Chesterton e do Arranhaponte acima. Mas toda verdade ideológica tem seu fundo de verdade, né não? Ocorre que, ao mesmo tempo em que a CEPAL identificava o que julgava ser uma tendência definitiva pela “deterioração dos termos de troca” contra os produtos primários, a Europa aumentava a proteção ao seu setor agropecuário aparentemente por motivo de segurança alimentar. É o protecionismo dos países centrais que deprime os preços primários no mercado internacional, mas o discurso da CEPAL visava justificar a necessidade da industrialização e da intervenção estatal na sua promoção... Bem, daí foi um passo nossa classe industrial nascente – trazida a fórceps pelo Estado – esposar o discurso antiimperialista, e nós nos tornarmos essa curiosa economia de mercado de esquerda. Independente das mudanças do PT quando no governo, o fato é que Doha é de nosso interesse porque temos alta produtividade na agropecuária, mais, é do interesse da Europa (mas não de seus produtores rurais, claro), e o crescimento da participação primária na pauta de exportação não prejudica outras atividades, pode inclusive incentivá-las. A grita contra o câmbio une Serra e Delfim e mostra a força política de nossa indústria para estatal (quer dizer, mais interessada nas bolsas protecionistas, entre as quais a do câmbio, ou financeiras, como o BNDES, do que nos mercados que deveria atender), cuja melhor representação é a FIESP.

sábado, 10 de abril de 2010 10:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (10/04/2010 às 10h23min00s BRT),
Embora eu seja leigo em economia, dou razão a você sobre a irrelevância do valor agregado como critério para diminuir a importância da produção extrativista ou agropastoril. Cabe razão a você, entretanto, se a análise ficar apenas sob o critério do valor agregado.
Lembro que no final da década de 80 e início da década de 90 quando o crescimento chinês começava a repercutir na economia mundial, eu dizia para desmerecer a questão de valor agregado que quando a China começasse a produzir gênios a preços de banana, então o valor agregado maior se dispersaria na economia.
No final da década de 90 cheguei a apresentar como uma política interessante para Minas Gerais tentar-se transformar em um grande centro distributivo da América do Sul e ponto de distribuição também de mercadorias chinesas que chegassem ao Brasil pela costa chilena ou peruana sendo criada uma rodovia de ligação costa oeste da America do Sul para Minas Gerais e de Minas para os portos e aeroportos de exportação. E dentro do país, certamente que no setor de serviço, por exemplo, no setor de varejo, é que haverá o maior valor agregado.
Valor agregado para mim só é relevante para calcular o PIB por setor e para avaliar o potencial de arrecadação dos impostos de valor agregado como o IPI e ICMS e também do IR da PJ que também é um imposto de valor agregado.
Assim, sob o aspecto do valor agregado pode ser que em uma economia aberta o valor agregado pela produção de soja seja o mesmo que o da produção de foguete.
Ocorre que a produção de foguete cresce quase infinitamente (Há limites como a crise que o mundo viveu que é também uma crise de superprodução (Superprodução financiada por superfinanciamento) demonstra), enquanto a produção agropecuária tem um limite no crescimento. No mundo todo é assim. Por isso que, no mundo, no século passado, na década de 50, a participação do setor agropecuário era mais de 5 vezes maior que a participação nos dias de hoje.
A economia brasileira ficar dependente da produção agropecuária não só limita o nosso crescimento como também reduz a nossa possibilidade de aproveitar melhor a disponibilidade de energia hidrelétrica que torna os nossos produtos mais baratos no mercado internacional.
E aproveito para referir a dois comentários que enviei um pouco atrasado para dar a minha versão sobre a minha crítica ao Plano Real e que você questionou em alguns dos comentários que você enviou para junto do post “A espera de um carinho” de 13/12/2009 aqui no blog do Alon Feuerwerker. De certa forma é o que eu recentemente falei para Swamoro Songhay junto ao post “Plateia sábia” de 01/04/2010 também aqui no blog do Alon Feuerwerker. Em um e em outro muito provavelmente sem muita capacidade de convencimento.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/04/2010

sábado, 10 de abril de 2010 18:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (10/04/2010 às 10h23min00s BRT),
Quanto ao subsídio europeu e o americano, como eu tenho insistido aqui no blog do Alon Feuerwerker, não podemos criar a expectativa de que se possa acabar com o subsídio. Sem o subsídio as melhores terras agrícolas do mundo deixam de produzir. A atual produção mundial, descontadas as perdas da produção e do armazenamento, que podem ser reduzidas se se subsidiam a produção e o armazenamento e descontado o consumo conspícuo que pode ser diminuído se se inibe o consumo desnecessário, é suficiente para a necessidade mundial (Daí que no comentário anterior disse que o setor agropecuário cresce menos que o setor industrial e de serviços.). Sem o subsídio os países pobres vão aumentar a produção, mas não na mesma proporção que a Europa e os Estados Unidos a vão diminuir.
O certo é a política do etanol que Fidel Castro bem compreendeu, apesar de, em meu entendimento, acreditar que a há fome no mundo gerada pela produção insuficiente de alimento, como esta parte do artigo dele “O último encontro com Lula” de 01/03/2010 mostra:
“Sou, por princípio, oposto à fabricação de biocombustível a partir de produtos que possam ser utilizados como alimentos, ciente de que a fome é e poderá ser, cada vez mais, uma grande tragédia para a humanidade.”
E Fidel Castro compreendeu também a razão da posição de Lula que oferece etanol para o mercado internacional ao mesmo tempo que critica os subsídios. Como se observa da seqüência do argumento dele:
“Contudo — e o expresso com toda a fanqueza — este não é um problema criado pelo Brasil e muito menos por Lula. Faz parte inseparável da economia mundial imposta pelo imperialismo e por seus aliados ricos os que, subsidiando as suas produções agrícolas, protegem seus mercados internos e concorrem no mercado mundial com as exportações de alimentos dos países do Terceiro Mundo, obrigados a importarem, em troca, os artigos industriais produzidos com as matérias-primas e com os recursos energéticos deles mesmos, que herdaram a pobreza de séculos de colonialismo. Compreendo perfeitamente que o Brasil não teve outra alternativa a não ser incrementar a produção de etanol, perante a concorrência desleal e os subsídios dos Estados Unidos e da Europa”.
É claro que ele não poderia dizer que o que Lula faz é puro marketing. Vende o etanol e critica o subsídio, sabendo que o subsídio não pode acabar. Parodiando o post “Maus atores na tragédia” de 08/04/2010 aqui do blog Alon Feuerwerker, um bom ator no comércio de nossos produtos.
E o açúcar, que na década de 70 tinha os preços estabelecidos pelo estoque de açúcar no mundo, isto é, na Europa, hoje depende bastante do preço do petróleo e do interesse do Brasil.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/04/2010

sábado, 10 de abril de 2010 19:14:00 BRT  
Anonymous João disse...

Caro Alon,

Antes de ler friso que gosto muito do blog e de muitos de seus textos, espero que aceite as críticas aqui estabelecidas.

Faz total sentido o que é feito na política brasileira uma vez que o país escolheu jogar o jogo do capital, não há, portanto, contramão de ideologia. Manter o juros alto estimula o ganho financeiro monopolístico, acentua as contradições internas, e permite o contínuo espólio do Brasil pelas nações ricas. A política de prostituir o Brasil tem seu norte definido.

Sua contestação tem a mesma retórica do neo-liberalismo. E acaba patinando...
Fora o fato de que o salário "enche a barriga" (talvez a mais importante pressão natural), por que é bom mais emprego? É bom de fato? Aumentar o trabalho alienado do homem e continuar o processo de transformar o homem em coisa? Real desvalorizado? Assim as eternas commodities agrícolas possam ter contínuos ganhos de preço em moeda local sem haver incremento algum na produção? Assim os desenvolvimentos feitos fora do Brasil continuem inacessíveis às pessoas? Isso só é bom ao seguir a lógica argumentativa de quem domina o homem- o capital-, mas saindo da moral do vencedor quais respostas satisfazem de fato essas perguntas? Não são essas perguntas vazias? Como a pergunta de natalidade, por que natalidade baixa ou negativa é ruim num mundo de 7 bilhões de pessoas? Não faz sentido a não ser para fim de acentuar a pobreza geral, riqueza de alguns, e a degradação e alienação de todos os homens (todos predicados dos fetiches capitalista, não há diferenciação ideológica de pobre/rico, contestador/contestado).

Antes de falar que nossa indústria não é competitiva faça uma minuciosa verificação dos preços estabelecidos aqui no Brasil, há algo incrivelmente errado! Como os carros que são vendidos com isenção alfandegária no Brasil por tratados com o México (Fusion, Jetta, etc), por exemplo, custam aqui em torna de 80 mil reais e no México e EUA em torno de 20 mil dólares (35 mil reais)? Não vá dizer que é imposto e frete, pois juntos a cifra final estará longe do preço do veículo aqui vendido de fato. Ainda mais, o preço dos carros de fora não são o de fabricação- conforme mencionei acima-, mas o de comercialização, portanto para o Brasil eles seriam trazidos a cifras ainda mais baixas aumentando a incoerência.

Assim, analogamente aos veículos importados (verificar preços antes de repetir clichês) não fazem sentido os preços de bem de consumo que são vendidos aqui. Desta forma, vemos que a indústria nacional ou é incrivelmente incompetente por praticar os preços vigentes ou incrivelmente safada. Não adianta ficar jogando culpa nos impostos; também, os serviços tupiniquins sofrem de preços abusivos, as telefonias (por exemplo) mais baratas do mundo encontram-se em países com teor também alto de encargos tributários (a nossa é uma das mais caras).


Antes de fechar; a coerência do texto é mostrar as incoerências entre discurso do governo e as ações do mesmo; pelo costume pode-se dizer que tal incoerência, do governo, já é coerente, dada sua constância, e que se fosse diferente seria de fato incoerente com o que o governo do monstro do mar- capitão Lula- tem feito.

sábado, 10 de abril de 2010 19:21:00 BRT  
Anonymous João disse...

Caro Alon,

Antes de ler friso que gosto muito do blog e de muitos de seus textos, espero que aceite as críticas aqui estabelecidas.

Faz total sentido o que é feito na política brasileira uma vez que o país escolheu jogar o jogo do capital, não há, portanto, contramão de ideologia. Manter o juros alto estimula o ganho financeiro monopolístico, acentua as contradições internas, e permite o contínuo espólio do Brasil pelas nações ricas. A política de prostituir o Brasil tem seu norte definido.

Sua contestação tem a mesma retórica do neo-liberalismo. E acaba patinando...
Fora o fato de que o salário "enche a barriga" (talvez a mais importante pressão natural), por que é bom mais emprego? É bom de fato? Aumentar o trabalho alienado do homem e continuar o processo de transformar o homem em coisa? Real desvalorizado? Assim as eternas commodities agrícolas possam ter contínuos ganhos de preço em moeda local sem haver incremento algum na produção? Assim os desenvolvimentos feitos fora do Brasil continuem inacessíveis às pessoas? Isso só é bom ao seguir a lógica argumentativa de quem domina o homem- o capital-, mas saindo da moral do vencedor quais respostas satisfazem de fato essas perguntas? Não são essas perguntas vazias? Como a pergunta de natalidade, por que natalidade baixa ou negativa é ruim num mundo de 7 bilhões de pessoas? Não faz sentido a não ser para fim de acentuar a pobreza geral, riqueza de alguns, e a degradação e alienação de todos os homens (todos predicados dos fetiches capitalista, não há diferenciação ideológica de pobre/rico, contestador/contestado).

Antes de falar que nossa indústria não é competitiva faça uma minuciosa verificação dos preços estabelecidos aqui no Brasil, há algo incrivelmente errado! Como os carros que são vendidos com isenção alfandegária no Brasil por tratados com o México (Fusion, Jetta, etc), por exemplo, custam aqui em torna de 80 mil reais e no México e EUA em torno de 20 mil dólares (35 mil reais)? Não vá dizer que é imposto e frete, pois juntos a cifra final estará longe do preço do veículo aqui vendido de fato. Ainda mais, o preço dos carros de fora não são o de fabricação- conforme mencionei acima-, mas o de comercialização, portanto para o Brasil eles seriam trazidos a cifras ainda mais baixas aumentando a incoerência.

Assim, analogamente aos veículos importados (verificar preços antes de repetir clichês) não fazem sentido os preços de bem de consumo que são vendidos aqui. Desta forma, vemos que a indústria nacional ou é incrivelmente incompetente por praticar os preços vigentes ou incrivelmente safada. Não adianta ficar jogando culpa nos impostos; também, os serviços tupiniquins sofrem de preços abusivos, as telefonias (por exemplo) mais baratas do mundo encontram-se em países com teor também alto de encargos tributários (a nossa é uma das mais caras).


Antes de fechar; a coerência do texto é mostrar as incoerências entre discurso do governo e as ações do mesmo; pelo costume pode-se dizer que tal incoerência, do governo, já é coerente, dada sua constância, e que se fosse diferente seria de fato incoerente com o que o governo do monstro do mar- capitão Lula- tem feito.

sábado, 10 de abril de 2010 19:21:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (10/04/2010 às 10h23min00s BRT),
Em meu comentário de 10/04/2009 às 18h03min00s BRT, eu disse:
"Em um e em outro muito provavelmente sem muita capacidade de convencimento".
Eu me referia aos meus comentários que enviara para você e para o Swamoro Songhay em um e outro post.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/04/2010

sábado, 10 de abril de 2010 20:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/04/2010, sábado, 18h03min00s e 20h46min00s BRT.
Do post pode-se depreender alguns dos aspectos dados como vitórias da política externa, notadamente em sua etapa de abertura de mercados e colocação de produtos brasileiros. Porém, a julgar pelos resultados (etanol, OMC), aqui incluso a etapa política, pode não ter sido assim (TNP, Honduras, Cuba, Irã). O que deixa uma grande interrogação sobre a qualidade do legado a ser deixado pela atual administração neste campo. No decorrer do tempo, quando ocorrer o que popularmente chama-se de perder ou não ocorrer mais o poder da caneta, muito poderá ainda ser avaliado com olhos menos toldados. Também na condução da economia interna (câmbio, juros, índices de crescimento), fica a cada dia mais evidente que há muito que será deixado sem avanços significativos em relação ao que foi, diga-se, herdado.
Swamoro Songhay

domingo, 11 de abril de 2010 09:15:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (11/04/2010 às 09h15min00s BRT),
Como eu insisto em repetir, não foi dado aos humanos um equipamento que nos permita avaliar a competência administrativa de um governo. Nem é de se supor que hoje tenhamos métodos melhores de julgamentos do que no passado. Cada geração julga a geração dela ou anteriores segundo a ideologia de cada geração. Há a evolução do conhecimento em que eu acredito e assim penso que no geral a ideologia de uma geração é melhor do que a ideologia de gerações passadas.
Se no futuro for entendido que o câmbio desvalorizado é a solução melhor para países em desenvolvimento, o governo de FHC será visto como pífio e a herança de Lula também carregará essa pecha. A diferença foi que só no oitavo ano o câmbio foi revertido no governo de FHC, sendo que ele culpa o Lula pela reversão enquanto o governo Lula vai legar uma taxa de câmbio maldita para o governante que vier.
Como eu insisto em repetir, não creio que um governante possa ser avaliado pelo grau de popularidade que ele desfruta. Não considero as pesquisas e os resultados eleitorais como critérios de avaliação de um governante. Cada governante será julgado pela ideologia de cada um.
Concordo com o post do Alon Feuerwerker em elogiar os resultados da política externa brasileira no tocante a não se deixar ficar submetido aos ditames americanos (A Alca era bem vinda pelo PSDB, embora pudesse ter sido apenas truque de marketing) e em transformar Lula em mascote e mascate do Brasil para divulgação dos nossos produtos em todos os cantos do mundo. O Etanol do Geisel era apresentado ao mundo como o etanol do Lula.
É claro que muito do trunfo de Lula decorreu da herança maldita. Não vou repetir aqui o trecho que eu reproduzir recentemente do livro "Estudo da competitividade da Indústria Brasileira". Pelo trecho vê-se a transformação de um Estado em que a União era fraca para um Estado em que os demais entes federativos se enfraqueceram. E assim muito da força do Lula é dessa mudança na correlação de forças entre a União e os estados membros e também entre a União e os municípios. Mudança de correlação que se torna mais importante quando se considera que o PT é um partido fraco sem força para impor aos governantes estaduais um modelo de gerenciamento.
O fato de outros julgarem o governo Lula bom ou ruim não será relevante para a minha avaliação. Para minha ideologia a favor de melhor distribuição de renda e de mais geração de empregos, ele acertou no tocante a distribuição de renda. Como acredito que a geração de emprego para países em desenvolvimento é melhor com um câmbio desvalorizado (É uma geração contínua que nos deixa independente do capital externo coisa que FHC não nos deu) eu critico a atual fase do governo dele e penso que essa taxa de câmbio é uma herança maldita.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 11/04/2010

domingo, 11 de abril de 2010 18:28:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Clever, nem sempre estou certo de compreender seus argumentos: a produção de alimentos é limitada? Por que cresce menos que outros setores? Não vejo razão. Antes da crise de 2008 os organismos multilaterais alertavam para o encarecimento dos produtos alimentares, há muita fome no mundo. Outras vezes você parece descuidado: não, alimentos não podem ter maior valor adicionado que foguetes, por definição. Quanto ao sentido do termo “eleitoreiro”, minha intenção era apontar que sua intenção depreciativa não pode ser aplicada a iniciativas que atendem efetivamente os interesses dos eleitores, ou todo ato de governo seria eleitoreiro e, portanto, a palavra deixaria de ter qualquer sentido, aliás você mesmo depois procura argumentar contra a validade dos resultados do plano real, argumentos com os quais eu discordo. Uma última discordância, não é legítimo invocar a ideologia para sustentar qualquer argumento, ou todo argumento que se queira passa a ser verdadeiro, esse é um problema grave bastante disseminado nas esquerdas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010 07:00:00 BRT  
Blogger Diego disse...

Prezado Alon,

Parabéns pelo "post". O argumento da "ALCA cambial" é instigante e revelador da difícil situação competitiva enfrentada por alguns setores econômicos brasileiros, em particular da indústria.

Gostaria, contudo, de apontar dois erros presentes no seu texto:

1. A ALCA não foi proposta na década de 1980, como você afirma no quinto parágrafo. A proposta oficial é de 1994 e está contida no documento principal emanado da Cúpula das Américas realizada naquele ano.

2. O décimo segundo parágrafo, quando lido, parece dar a entender que a situação envolvendo o caso do algodão trata da abertura do mercado dos EUA a nossa commodity X a retaliação (fechamento do mercado) brasileira na área industrial. Está errado. O principal objetivo da disputa no âmbito da OMC - remover o subsídios à exportação e à produção de algodão - não é abrir o mercado norte-americano, mas evitar o efeito do subsídio na depressão dos preços internacionais do produto. Em outras palavras, o deslocamento do produto brasileiro em terceiros mercados. Pode ser, contudo, que a minha leitura do parágrafo não seja condizente com a sua intenção. Nesse caso, credito o problema à semiótica.

Por fim, gostaria de ponderar duas questões:

1. Você afirma, no segundo parágrafo, que a proteção dos mercados nacionais está em duas das maiores derrotas da política comercial brasileira: a Rodada Doha e a liberalização do mercado de etanol. Pergunto: que derrota, se os dois processos ainda não chegaram ao final?

2. Ao longo do texto, você dá a idéia de que o comércio do Brasil com os Estados Unidos obedece a uma lógica "colonial" (nós exportando matérias-primas e eles bens de alto valor adicionado) que seria apenas reforçada com a ALCA. Sugiro: vá aos números do MDIC. Mais de 75% da nossa exportação para os EUA é de bens industriais, em geral, insumos. Depois da Argentina e do MERCOSUL, os "termos de troca" da relação com os EUA são os melhores para o Brasil. Muito longe daqueles relacionados ao comércio com a União Européia (em que quase 50% da exportação é de bens primários e mais de 60% da importação é de bens industriais) e com a China (em que mais 90% da exportação é de bens primários e mais de 90% da importação é de bens industriais). As economias do Brasil e dos EUA são muito complementares: prova disso é a crescente tendência de investimento cruzado nos dois países.

Novamente, parabéns pelo "post".

Um abraço, Diego

segunda-feira, 12 de abril de 2010 19:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alberto099 (12/04/2010 às 07h00min00s BRT),
A produção de alimentos é limitada pela demanda. A taxa de crescimento populacional é decrescente. Há alimentos suficientes para alimentar na medida do necessário todos os seres humanos. Alguns ainda empanturram, mas penso que com mais educação e mais espírito de solidariedade e no extremo um pouco de remédio e esse consumo conspícuo desaparecerá. Você pode empanturrar as pessoas de casas (E pode as (As casas) fazer cada vez maiores), você pode empanturrar as pessoas de carros, embora seja crescente o desestímulos que causam ao consumidor os problemas de congestionamento. Com alimentos há, entretanto, essa limitação: não dá para nos empanturrar a todos, pois morreremos empanzinados.
E relembrando o meu comentário, é daí que a indústria e os serviços crescem em taxas mais elevadas do que o setor agropecuário em qualquer lugar do mundo. E os serviços a taxas mais rápidas que a indústria. É claro que numa relação que chega a ser criminosa quando se tem uma moeda valorizada. E no caso do serviços lembrar que o varejo e o atacado compõem o setor de serviços e é neles que cada vez mais o valor agregado na mercadoria torna-se maior.
Não defendo o uso da ideologia para decidir se dois mais dois são quatro. Não vejo, entretanto, como valorar o Plano Real se ideologicamente você não assumir os critérios que você vai escolher para valorar o Plano Real.
Quanto ao descuido em dizer que nos alimentos pode-se ter o mesmo valor agregado do um foguete, pensei até em retirar do meu argumento. Chegara a ele após lê no seu comentário a afirmação de que:
“Não há nada, na lógica da economia de mercado, que pudesse levar a concluir que é vantajosa a produção foguetes frente a produção de soja”.
Não retirei por que não apresentava o valor agregado como um valor absoluto, pois não especificava a quantidade de soja nem a quantidade de foguetes. Apresentava o valor agregado como um valor relativo e imaginara que no extremo poderia haver situações em que as terras ficassem inférteis e fosse necessário de muita fertilização para produzir a soja, as pragas do Egito voltassem e fosse necessário muitos defensivos para combatê-las, a terra secasse e os custos de irrigação subissem mais que os foguetes. E não houvesse geadas em que se precisasse de foguetes para dissipá-las.
Quanto a minha argumentação em relação à qualificação do Plano Real como um plano “eleitoreiro” que você não concordava eu a fiz em dois sentidos. Defendi que o termo certo é “eleitoreiro” uma vez que se trata de termo que pode ser aplicado tanto a uma medida feita em benefício de todos causando poucos prejuízos a poucos como a uma medida que é feita em benefícios de poucos causando muitos prejuízos a muitos, bastando que para isso ela venha beneficiar eleitoralmente um ou mais políticos. Um termo neutro é eleitoral. Uma medida eleitoral não nos permite dizer que ela foi feita para beneficiar eleitoralmente um ou mais políticos. E disse que a avaliação das qualidades e defeitos do real, se ele trouxe mais benefícios ou prejuízos para o país depende da nossa ideologia. Provavelmente você acredita que exista um equipamento sem ideologia que nos permite fazer essa avaliação. Espero que quando você tiver conhecimento de algo semelhante divulgue bastante para que a humanidade toda possa usá-lo
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/04/2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010 23:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira
BH, 11/04/2010 domingo, 11 de abril de 2010 18h28min00s BRT.
Ressalvo que não falava do Plano Real em si, mas dos seus efeitos. Ressalto que considero os efeitos valores incorporados no dia a dia dos cidadãos. E também, na forma de administradores públicos tratarem os recursos destinados às suas respectivas áreas. Hoje, diferentemente do que antes do Real, os consumidores não sancionam aumentos de preços rapidamente. Contudo, o alongamento dos prazos ao consumidor, pode motivá-lo a considerar mais o tamanho das parcelas em seu orçamento, do que o valor dos juros inclusos no financiamento. Ou seja, no médio ou longo prazo, o risco de inadimplência pode aumentar. O juro é o preço do futuro, hoje. Como dizia um professor de economia. Embora não seja um aspecto diretamente decorrente do Real, a evolução do crédito pode ser dado como uma consequência da estabilidade dele decorrente. Os cálculos econômicos passaram a ser facilitados com a queda da inflação.
Swamoro Songhay

terça-feira, 13 de abril de 2010 10:21:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira BH, 11/04/2010, domingo, 11 de abril de 2010 18h28min00s BRT.
O equacionamento dos efeitos decorrentes dos juros elevados nas prestações, deve ser estar relacionada à geração de empregos, que garanta a renda mensal. Em contrafação, o aumento da provisão de bens básicos de consumo (não-duráveis, semi-duráveis etc.), como forma de manter seus preços controlados pela maior oferta. No equilíbrio de tais variáveis, pode estar a garantia de tal processo de consumo. Quanto ao efeito eleitoral de tais aspectos, remeto ao Enigma da Composição. Ou, no caso da provisão de bens, ao Dilema do Canhão x Manteiga.
Swamoro Songhay

terça-feira, 13 de abril de 2010 10:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (13/04/2010 às 10h21min00s BRT e 13/04/2010 às 10h32min00s BRT),
Faço nos dois próximos comentários duas observações sobre os seus dois últimos comentários.
A primeira é só uma comparação entre o que disse Carlos Augusto Montenegro às vésperas da eleição de 2008 e o que disse ontem, 15/04/2010 Marcos Coimbra.
Em entrevista concedida a equipe de colunistas do IG e que eu vi primeiro sendo reproduzida no blog do Ricardo Kortscho junto ao post “Palpites de Montenegro: vai dar Kassab agora e Serra em 2010” de 30/09/2008 às 16:58, Carlos Augusto Montenegro, depois de fazer várias previsões fáceis de acertar para quem tem os dados estatísticos das pesquisas disse:
“Na sucessão de Lula, Montenegro acredita que a “bola da vez” é o governador paulista José Serra, assim como me dissera, no início da campanha de 2002, fez questão de lembrar, que a “bola da vez” era Lula _ e, como sabemos, acertou.
Por um motivo principal: desde o trauma Collor, o eleitorado brasileiro não elege mais candidatos fabricados, mas apenas aqueles que têm um currículo, uma história de vida política.”
Não respondi diretamente no post sobre essa afirmação do Carlos Augusto Montenegro, mas sempre que me ocorre critico essa fala dele, sob o fundamento de que assim se estaria transformando o eleitor brasileiro em um eleitor único no mundo.
E Marcos Coimbra, ontem, 15/04/2010, encerra assim a entrevista, que ele dá ao Valor Econômico e cujo título é “Continuidade custa menos para eleitor”:
“Valor: Mas o slogan de “O Brasil pode mais” não é uma tentativa de se contornar a continuidade?
Coimbra: Sim, para o eleitor atento. Essa proposta implica um elevado investimento pessoal no processo eleitoral. Você tem que aprofundar o conhecimento das proposta, o conhecimento minucioso do que foi feito e deixou de ser feito, identificar o que é realista e que pode ser feito no futuro, ou seja, exige um conjunto de características pessoais do eleitor que não são fáceis aqui nem em qualquer lugar do mundo.”
Há alguma coisa de errada na democracia brasileira em que se prevê dois anos antes quais serão os candidatos, mas a idéia dos eleitores incorporando nas decisões eleitorais todos os dados do passado não me parece crível.
Termino no próximo comentário essa minha resposta.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 16/04/2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010 08:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (13/04/2010 às 10h21min00s BRT e 13/04/2010 às 10h32min00s BRT),
Continuando o comentário anterior, faço agora a segunda observação que é sobre o Plano Real. Não incluo o Plano Real como uma das heranças malditas. Incluo muito dos instrumentos que foram amarrados a ele já no segundo governo de FHC como herança maldita (Câmbio flutuante, livro fluxo de moeda, desoneração de produtos primários e semi-elaborados, Regime de Meta de Inflação, Lei de Responsabilidade Fiscal, etc), mas sei que eles têm sido úteis para que Lula possa ter mais facilidade de governar o país. Não é tanto por mérito desses instrumentos, mas pela fraqueza política do PT. Essa herança maldita não afeta por exemplo, a Cristina Kirchner na Argentina.
E há efeitos ruins do Plano Real: aumento da dívida, juro alto aumentando a dívida ainda mais, etc. Não se pode deixar de lembrar que esses efeitos ruins podem ser considerados também bons. O juro alto permitiu que a queda dele pudesse incentivar a economia, enquanto países com juros próximo de zero tinham pouca margem de manobra. As alocações financeiras que uma dívida mais alta permite foi também fator favorável a recuperação do Brasil diante da crise.
A pequena taxa de inflação e a possibilidade de aumento do crédito foi outro efeito do Plano Real que pode ser utilizado pelo governo para recuperar a economia. No caso do crédito, eu me pergunto se a China agiu assim. Penso que a opção pelo mercado interno a partir da crise que o Brasil adotou foi de cunho eleitoral. Durante a crise o governo (Guido Mantega à frente) incentivou, contra a vontade do Banco Central, a desvalorização da moeda (Esta é uma ilação que eu tiro da reportagem do Cristiano Romero e do Alex Ribeiro no jornal Valor Econômico de 13/11/2009, intitulada “Os bastidores da crise” feita com base em declarações de Mário Torós em que Mário Torós culpa declarações de Guido Mantega como causa da desvaloriazação do real).
Quando o governo percebeu que o baque do quarto trimestre de 2008 fora maior e que o mercado externo não conseguiria dar uma forte retomada à economia para ter efeitos eleitorais ele fez a retomada pelo mercado interno. É o caminho pior em razão dos estrangulamentos no Balanço de Pagamentos que esse modelo de crescimento provoca. E sei que para fazer a mudança do modelo com viés exportador para um modelo com viés de mercado interno sem dúvida o câmbio flutuante ajudou o governo tanto na desvalorização rápida do real como depois na valorização, mas o câmbio bom para países em desenvolvimento é o câmbio administrado (arrastando que nem cobra pelo chão)
Clever Mendes de Oliveira
BH, 16/04/2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010 09:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira, BH, 16/04/2010, sexta-feira, 16 de abril de 2010 09h02min00s BRT.
Conforme você coloca, a herança bendita deve ser mantida. Sem dúvidas pelo aspecto da eficácia no combare aos efeitos mais deletérios do ciclo econômico em 2007/2008. Assim, até possas ser possível perscrutar, o vislumbre de mudanças no regime cambial, metas de inflação, superávit primário, LRF. Embora a LRF seja alvo frequente de tentativas de flexibilização, a União é o fiador do processo. Os entes federativos firmaram com a União, acordo para a manutenção dos gastos públicos, notadamente os correntes, sob controle. Assim, o interesse em manter a LRF é do conjunto da Federação, União à frente, sob risco de por a perder a estabilidade duramente conquistada e que mostra ser um valor cada vez mais incorporado. Vide o tempo das AROs como comparação. Quanto aos juros, dá para entender a evolução da Selic como vinculada à DP (Dívida Pública), sua estruturação e condições de rolagem. Difícil que haja, em horizonte próximo, intenção de reestruturação da DP(prazos, recompra e outros desenvolvimentos). Caso haja, está tudo fechado em copas. Assim, concordo com você quanto ao caráter benígno dos resultados do Plano Real. Principlamente quando, em fins de governo, há crescentes tentativas de aumento de gastos. Vide recentes proposições no legislativo federal, como a liberação do pagamento do INSS a aposentados que retornarem ao trabalho e reajustes de aposentadorias. Se possível, dará para continuar em outro post com tema assemelhado.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 16 de abril de 2010 15:32:00 BRT  

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