terça-feira, 30 de março de 2010

O limite do anti (30/03)

O PT será ajudado pela comparação entre a satisfação com o Lula de fim de mandato e a insatisfação com o FHC na mesma situação? Sim. Mas ninguém tem certeza de quanto

Falar mal do governo Fernando Henrique Cardoso talvez seja o esporte mais praticado na administração Luiz Inácio Lula da Silva. Não tenho estatísticas, mas apostaria nisso. As motivações são subjetivas e objetivas. Lula mantém com FHC uma perceptível competição de egos. E o PT vê no "impedir a volta ao passado" uma mensagem fácil e útil para continuar no poder.

O governo tucano de 1995 a 2001 carregou para o currículo problemas notáveis. A frouxidão fiscal no primeiro quadriênio, a crença no caráter supostamente perene do fluxo de capital para cá, o viés anti-industrialista, a mexida na regra eleitoral com o jogo em andamento (ainda que a reeleição não seja ruim), a incompetência gerencial na raiz do apagão, a inexplicável (pelos valores) privatização da Vale, a pseudoesperteza de maquiar a dura realidade econômica até um novo mandato presidencial estar garantido.

FHC apresentou também qualidades. Foi um período ineditamente democrático, a inflação ficou controlada, implantou-se por fim a responsabilidade fiscal, o ensino fundamental foi universalizado, a saúde avançou, começou a ser construída a ótima imagem que o país tem hoje -uma nação democrática, próspera e em busca da justiça social-, criaram-se os primeiros programas nacionais de combate à pobreza por meio da transferência de renda.

A tática anti-FHC é quase uma curiosidade político-acadêmica. Não lembro de ter visto algo assim antes no Brasil. Nem conheço exemplo, em outros países, de governos nacionais cuja comunicação estivesse ou esteja orientada principalmente pela crítica ao antecessor, ou antecessores.

Fernando Collor, por exemplo, recebeu de José Sarney uma herança maldita digna do nome. Ao longo da campanha falou o diabo do então presidente, mas depois de empossado virou a página. Mesmo nos momentos mais críticos, mesmo no caminho para o cadafalso.

O fato de ser original não significa que não dará certo. Na política paulista, peemedebistas, tucanos e petistas construíram cada qual seu latifúndio de poder cavalgando o potro do antimalufismo. Por esse ângulo, talvez Paulo Maluf, agora no ocaso, possa ser classificado como o político mais importante de São Paulo nas últimas três décadas.

Maluf elegeu-se (indiretamente) governador em 1978 (contra a vontade do presidente Ernesto Geisel) e prefeito da capital em 1992. Emplacou Celso Pitta em 1996 para sucedê-lo. Mas a influência dele pode ser medida com mais precisão no número de eleições que os adversários ganharam sem propor, no essencial, nada além da necessidade de “evitar o retrocesso”, de impedir a continuação da direita no poder ou a volta do malufismo.

Para o governo estadual: Franco Montoro em 1982, Orestes Quércia em 1986, Luiz Antônio Fleury em 1990 e Mário Covas em 1998. Para a prefeitura paulistana: Luiza Erundina em 1988 e Marta Suplicy em 2000. E a joia da coroa: a derrota para Tancredo Neves no colégio eleitoral presidencial em 1985.

Só foi diferente no fim daquele mesmo 1985, na volta da eleição direta para prefeitos de capitais, em que Jânio Quadros bateu um ultraconfiante Fernando Henrique (“FHC”, ou “FH”, só nasceria em 1993, quando ele virou ministro da Fazenda e “Fernando Henrique” passou a ser comprido demais para figurar no monte de títulos de jornal que ministros da Fazenda da superinflação ganhavam diariamente).

Como a disputa antes da Constituinte ainda era em turno único, a candidatura petista (Eduardo Suplicy) tirou votos preciosos do então peemedebista, enquanto Maluf garantiu o sucesso de Jânio (PTB) abortando as ambições dentro do seu PDS, que simplesmente não lançou concorrente.

Por esse critério, mais poderoso que Maluf talvez só mesmo o próprio FHC, eleito duas vezes para o Palácio do Planalto e motor indireto das duas eleições de Luiz Inácio Lula da Silva. E, no que depender do PT, principal cabo eleitoral de Dilma-2010.

Será que essa “tática paulista” vai dar certo agora? A favor do PT, o registro de que o antimalufismo foi vaca de múltiplas ordenhas. Contra, o fato de FHC não ser Maluf. Não há denúncias sérias de corrupção contra o tucano e ele não está identificado com o radicalismo de direita, nem com a memória da ditadura. Ao contrário.

O PT será ajudado pela comparação entre a satisfação com o Lula de fim de mandato e a insatisfação com o FHC na mesma situação? Sim, mas quanto?

Na real? Ninguém tem certeza.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta terça (30) no Correio Braziliense.

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17 Comentários:

Anonymous Ricardo Melo disse...

"O PT será ajudado pela comparação entre a satisfação com o Lula de fim de mandato e a insatisfação com o FHC na mesma situação?"

Alon, a resposta para essa questão já foi dada pelo prórprio tucanato.

Basta você analisar o grande "destaque" que FHC recebe da campanha de Serra.

Agora eu deixo uma questão:

Se os governos FHC foram assim tão "razoáveis", o que explica a rejeição de sua memória pelo eleitorado brasileiro?

É muito provável que o próprio José Serra tenha uma hipótese para esse "fenômeno".

E é muito provável que muitos possam lembrar que o candidato tucano à eleição presidencial teve um papel de destaque nos governos FHC.

terça-feira, 30 de março de 2010 10:15:00 BRT  
Blogger João Paulo Rodrigues disse...

Talvez a ineficácia da tática de apontar para FHC esteja expressa na recente subida de Serra no Data Folha.

terça-feira, 30 de março de 2010 11:05:00 BRT  
Anonymous Duarte disse...

Não vejo a crítica ao governo FHC, como uma mera crítica a antecessor e sim um debate natural entre dois projetos de governos diferentes, o que tem tudo a ver com a escolha do tipo de governo que o brasileiro quer para os próximos 4 anos.

A história do Brasil é marcada por esse tipo de comparação. O anti-getulismo foi mote de campanha durante décadas. No RJ, o anti-brizolismo foi usado antes de 1964 e de 1980 até a morte de Brizola. FHC em 1998 usou e abusou do medo anti-Lula para se reeleger, assim como Collor em 1989, e a própria campanha de Serra, em 2002, mas, desta vez, sem sucesso.

A comparação dos projetos nacionais tucanos e petistas tem função de demarcar linhas de diferenciação para o eleitor escolher conscientemente. Os tucanos, inclusive, dizem que a campanha será uma comparação de biografias. Então como ignorar na biografia os períodos governamentais de cada lado? Principalmente porque um governo democrático não é só a pessoa, é o time, a equipe.
É como curriculuns vitae de técnicos e jogadores de futebol, onde conta os resultados produzidos para as equipes em que atuaram no passado.

terça-feira, 30 de março de 2010 11:21:00 BRT  
Anonymous F.Arranhaponte disse...

Acho que a tática é eficaz (mas que entendo eu de povo brasileiro?).

Agora, a vaidade do FH agradece esse paralelo com o Maluf :-)

terça-feira, 30 de março de 2010 12:13:00 BRT  
Anonymous F.Arranhaponte disse...

Quanto à frouxidão fiscal do primeiro mandato, um fato curioso: FH passa a história como o presidente que simultaneamente investiu muito pouco, fez um grande arrocho em cima dos funcionários públicos e realizou uma reforma da previdência para reduzir a conta de aposentadorias e pensões, de um lado, e foi um grande torrador de dinheiro público, do outro. Bizarro

terça-feira, 30 de março de 2010 12:16:00 BRT  
Anonymous Ricardo Melo disse...

João Paulo Rodrigues:

Ou será que a eficácia da tática da eleição plebiscitária - comparando Lula com FHC - teve participação na firme subida de Dilma nas últimas pesquisas eleitorais?

Afinal, ela saiu de algo como 3% das intenções de voto.

Ela multiplicou o indicador por 10. A maior parte desses eleitores é a dos que aprovam o governo Lula e reprovam FHC.

É por essas e outras que José Serra tem dificuldade de conceder um maior espaço a FHC no seu palanque.

E diria mais: o fato dele (Serra) ter participado do governo FHC só aumenta a sua própria convicção no ímpeto de mantê-lo dentro do "armário tucano".

terça-feira, 30 de março de 2010 12:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Vou reproduzir pela propriedade (Não minha, mas sua)
"O governo tucano de 1995 a 2001 carregou para o currículo problemas notáveis. A frouxidão fiscal no primeiro quadriênio, a crença no caráter supostamente perene do fluxo de capital para cá, o viés anti-industrialista, a mexida na regra eleitoral com o jogo em andamento (ainda que a reeleição não seja ruim), a incompetência gerencial na raiz do apagão, a inexplicável (pelos valores) privatização da Vale, a pseudoesperteza de maquiar a dura realidade econômica até um novo mandato presidencial estar garantido".
E digo: nunca um só disse tanto em tão poucas palavras. Sobre a reeleição, como eu tenho escrito de sobejo é incoerente ser parlamentarista e defender a reeleição no regime presidencialista. Não sei se você é parlamentarista, se for acho a sua observação sobre a reeleição incoerente. De todo modo, você tem um post para defesa da incoerência e eu lhe dou a frase de Millor Fernandes: "Coerente é o burro".
E se for presidencialista não se pode esquecer que a reeleição no Brasil com as desigualdades regionais é uma força desmensurável que se dá ao estado mais rico da federação. E em outros tempos como bem falou Barbosa Lima Sobrinho em artigo no Jornal do Brasil na época da tramitação da emenda da reeleição e cujo título se não me falha a memória era "O Poder das Palavras" a simples tentativa de Washington Luis que coincidentemente era do Rio de Janeiro de lançar um candidato de São Paulo deu motivo para a Revolução de 30.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/03/2010

terça-feira, 30 de março de 2010 13:07:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
É um texto denso. Sua tentativa de falar sobre as coisas boas de FHC não é isolada. Há muitos outros com essa mesma opinião. Lembro que já fiz referência ao economista José Eli da Veiga que hoje está nas hostes de Marina Silva que defende a união dos dois partidos PT e PSDB. Há também o que eu considero o nosso melhor filósofo, o Renato Janine Ribeiro, que também defende esse ponto de vista. Há artigos dele mais antigos (Li um que deve ser de 2002 e há outro do ano passado na revista Interesse Nacional).
Bem, eu tenho muitos pontos de discordância com algumas idéias no seu artigo. De todo modo penso que a avaliação que fazemos sobre um governante é apenas reflexo da nossa ideologia. Não há nenhum equipamento que nos assegure que tal governo foi bom ou foi ruim.
Não vou falar dos pontos de discordância agora. Vou falar do final do seu comentário. Diz você:
"O PT será ajudado pela comparação entre a satisfação com o Lula de fim de mandato e a insatisfação com o FHC na mesma situação? Sim, mas quanto?
Na real? Ninguém tem certeza."
Se não fosse pelo conteúdo de toda a parte anterior do post eu poderia lhe dar o mesmo elogio que ganhei de um professor: "sua afirmação é uma obra-prima de tautologia enriquecida de pérolas de truísmo".
É claro que esta sua afirmação pode ter uma serventia. Alertar os asseclas do PT de que é falsa aquela afirmação do PSDB de que "Governo bom fica, governo ruim o povo tira". Frase de quem não acredita no processo democrático e só crível pelos ingênuos, parece que levou a maioria do PT a acreditar inexoravelmente na candidatura do partido por mais que a candidata pareça com o general Lott.
Os partidários do PT acreditam que Dilma Rousseff ganhará, pois governo bom fica e governo ruim o povo tira. E é claro o PT descobriu o equipamento (Eu penso que Diógenes também andou a cata dele) que permite afirmar se um governo é bom: o instituto DataFolha (principalmente quando os índices são favoráveis).
Recentemente (Em 24/03/2010 às 08h40min00s BRT) fiz um comentário para seu post “Para enrolar os enroláveis” de 24/03/2010 em que faço menção a reportagem de Hélio Schwartzan que saiu segunda-feira, 22/03/2010, na Folha de S. Paulo, na seção Brasil (brasil/fc2203201006) com o título: "Ciência explica por que, no voto, emoção pesa mais que a razão" e que trata da publicação de dois livros nos Estados Unidos "The Political Mind" de George Lakoff e "The Political Brain" de Drew Westencom com pesquisa sobre a motivação do eleitorado. Faço de novo aqui, pois coincidentemente essa reportagem saiu um pouco depois da pesquisa apontar a subida de Dilma Roussef e os livros "The Political Mind" de George Lakoff e "The Political Brain" de Drew Westencom são respectivamente de 29/05/2008 e de 25/06/2007. E imediatamente após ter saído a pesquisa com a subida de José Serra, saiu no Valor Econômico de29/03/2010 a reportagem “Geração da internet milita por resultados” de Vandson Lima. No blog do Luis Nassif há a transcrição da reportagem em post com o mesmo título: “Geração da internet milita por resultados” de 29/03/2010 às 12:48.
Enfim, estão todos tentando nos convencer de alguma coisa, mas a gente não sabe o que é, não é?
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/03/2010

terça-feira, 30 de março de 2010 14:05:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A insistência em desconstruir não impediu ou impede o presidente e seu partido de terem como fiéis e dedicados aliados dois ex-presidentes aos quais fizeram forte oposição. A ponto de realizarem amplo trabalho de defesa em prol do presidente do Senado quando da emrgência de vários problemas. Têm, também, como aliado um ex-Ministro da Fazenda do período dos governos militares. Este tido e havido, pelo presidente e seu partido, como ícone de tudo o que diziam combater em termos de gestão econômica e de Estado. Assim, considerar as virulentas críticas a períodos anteriores como um embate entre modelos de gestão e de concepções políticas, não parece condizer com a realidade. Pouco a pouco tais situações vão ficando mais claras e visíveis. Dai dá para arriscar que, na real, o efeito da tática será muito mais negativo do que positivo.
Swamoro Songhay

terça-feira, 30 de março de 2010 17:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (30/03/2010 às 17h03min00s BRT)
Você pode ter razão, embora eu acredite que sua afirmação de que o efeito da crítica ao governo de FHC seja muito mais negativo do que positivo constitua apenas em torcida. Pode, entretanto, ter razão à medida que os eleitores de um candidato atacado por outro e que em razão do ataque mudam de candidato normalmente não votam no candidato que atacou, pois ficam com raiva dele. Daí a tática de Lula na campanha de 2002 que foi chamada de campanha da paz e amor. Enquanto Lula falava bem de todo mundo e correu o risco de ser defenestrado por Ciro Gomes que subia como um foguete nas pesquisas, José Serra teve que atacar com todas as forças o Ciro Gomes. Com o ataque os votos de Ciro Gomes que não eram votos lulistas foram todos para Lula.
Aliás, eu me pergunto se o lançamento da Dilma Rousseff, uma candidata tão sem carisma, é realmente por falta de liderança no PT ou uma forma de gratidão de Lula para com José Serra.
O que me deixa mais em dúvida sobre essa idéia é o fato de a campanha ressuscitar o impasse da Revolução de 30: Minas e Rio Grande do Sul e o Nordeste contra São Paulo. Por que o PT que é um partido paulista aceitaria ressuscitar um antagonismo como esse? Agora os efeitos dos atos, ações, lemas e frases da campanha não podem ser analisados pelo que as nossas ideologias já bem encasteladas nos informam. O que o PT que fazer é transformar o período de Lula como um período de imenso aumento da oferta de emprego e ao mesmo tempo de um período em que o Presidente tinha a coragem de dizer, em frente, se não me engano, a uma nova loja da Casa Bahia: "A desgraça da inflação" enquanto o período de FHC seria marcado pela paradeira e pela frase insossa para o povão: "A inflação é o mais injusto dos impostos".
Eu sempre bati palmas pelo fato de ter havido aumento da carga tributária no governo de FHC. Quantos mais me acompanhariam nesse meu ato? E seria politicamente correto que Lula atribuísse a resolução de muitos problemas que ele enfrentou ao aumento da carga tributária ao governo de FHC? Eu respondo, é claro que não. Não se pode esquecer que na campanha de 1994 com a eleição assegurada às custas do Plano Real, FHC prometera diminuir os impostos (Nem dissera diminuir o número dos impostos). Em uma campanha eleitoral tudo que não está proibido na lei pode ser feito. Até um Plano de Estabilização da Inflação, com todos os males que esse plano possa trazer.
Tudo é permitido, até o PSDB insistir por vinte anos com um candidato de São Paulo sabendo que assim tem maior possibilidade de ganhar, ainda que também assim crie um antagonismo muito grande de São Paulo com o restante do Brasil.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/03/2010

terça-feira, 30 de março de 2010 21:42:00 BRT  
Blogger Franco Vieira disse...

Alon, ouso dizer que essa de que o eleitorado repudia o mandato FHC é balela. Vamos aos fatos: Lula venceu Serra em 2002 com uma proposta de continuidade. Já em 2006, ele bateu Alckmin atacando FHC.

Ok, mas Alckmin já era tido como "boi de piranha" do PSDB. Não foi o ataque à administração FHC que deu a vitória a Lula - ele já estava em vantagem bem antes disso. Foi a força de Lula como candidato a reeleição e a fraqueza de Alckmin. Vale lembrar que FHC também venceu em 98 com facilidade. Não por conta de uma retórica maravilhosa, e sim por estar fortalecido após um mandato bem avaliado.

Mas então o que explica o crescimento de Dilma? Oras, em pesquisa, 30% da população declara sua predileção pelo PT. Isso é impressionante em um país em que fazer política é coisa feia, e mostra o quanto os eleitores do PT são mobilizados. É claro que estes 30% votaram em Dilma. O problema é conquistar o resto do eleitorado.

E a retórica do "fulano será pior que eu" não presta pra isso. Pergunte ao Lula de 2002. Arrisco uma previsão: Dilma poderá até se aproximar, mas só ultrapassará Serra se trocar o disco e realizar uma propaganda eleitoral "para cima", com foco no futuro e enumerando parcerias em vez de inimigos.

terça-feira, 30 de março de 2010 22:14:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Diz você:
"Foi um período ineditamente democrático"
Sem mencionar outros, ficou-me parecendo que você foi injusto com José Sarney. É claro que você pode ter encampado a tese de Rafael Fortes, doutorando pela Universidade Federal Fluminense que saiu no artigo "O Presidente e a democracia: o passado de José Sarney em Istoé e Veja" publicado na Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação de abril de 2006 e imaginado que naquele período houve um mecanismo de construção de legitimação.
Algo muito próximo do que a passagem tirada da revista Istoé nº 481, 12/03/1986, transcrita no artigo e a seguir, revela:
"o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, que pretendia encher novamente as praças retomando a velha bandeira das diretas já, terá, agora, de aguardar que os ventos voltem a soprar a seu favor, ou melhor, a favor da inflação”
E o Rafael Fortes assim conclui:
Vale notar que, ao ser associada a Brizola, a mobilização pelo direito de votar para presidente não é tratada como um movimento importante do passado recente, mas como velha bandeira”
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/03/2010

terça-feira, 30 de março de 2010 22:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Ao ler que para você no governo de FHC:
"a inflação ficou controlada"
lembrei-me que nos três últimos meses do governo de FHC a inflação anualizada fora superior a 50%, medida pelo IGP-DI.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/03/2010

terça-feira, 30 de março de 2010 23:05:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever, muito interessante a parte em que identifica "torcida" na minha opinião. Contudo, parabenizo-o pelo seguinte trecho de seu comentário: "Aliás, eu me pergunto se o lançamento da Dilma Rousseff, uma candidata tão sem carisma, é realmente por falta de liderança no PT ou uma forma de gratidão de Lula para com José Serra". Muito criativo e revelador. Espero poder comentar outros aspectos de suas considerações.
Swamoro Songhay

quarta-feira, 31 de março de 2010 09:07:00 BRT  
Anonymous Too Loose Lautrec disse...

Serão eleições atípicas. Impossível haver grandes certezas nesta altura do campeonato. Aliás, dificilmente haverá algo definitivo até o final da Copa e início da campanha pela TV.
Não há parâmetro anterior plenamente aplicável. Nem a de 2006; muito menos a do Jk/Lotti.
Não somente inexistem exemplos de governo com aprovação tão elevada e que apresentasse candidatura desprovida de expressividade própria, como tampouco a dianteira, nas pesquisas, de candidato oposicionista mantivesse índices permanentes ao longo de tanto tempo, ainda que a oposição tenha, literalmente, se desmanchado.
Além do mais, aparentemente alguns conceitos éticos e sobre a atividade política sofreram reavaliações pela população, pelo menos da eleição de 2002 para cá.
O terreno é fértil para mais surpresas estilo último Datafolha. E sem exclusividade.
É mais fértil ainda para as especulações mais variadas.
Eu as tenho também e vou teimar até cansar, mas não aposto um tostão em nenhuma delas.
Uma é que se fosse Marina, que mostra ter votos próprios, a candidata do Lula, outro Alckmin já teria sido chamado para novo sacrifício.

quarta-feira, 31 de março de 2010 10:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever Mendes de Oliveira, BH, 30/03/2010. Continuando o comentário, acrescento que a partir do momento em que houve maior exposição da candidatura governista, os limites começaram a ficar mais visíveis. Tanto é que a última pesquisa aponta melhor performance do candidato das oposições (37%) do que a candidatura governista (22%) entre mulheres, por exemplo. O mesmo ocorre no levantamento por idade e escolaridade, favoráveis ao candidato das oposições, exceto no quesito nível superior. Mesmo não tomando pesquisas como prognóstico, tais resultados, à luz da exposição no período, não deixam de chamar a atenção. Quanto ao seu comentário de terça-feira, 30 de março de 2010 23h05min00s BRT, sobre a inflação, reforço o sucesso no controle da mesma. No período avaliado por você, os temores e insegurança quanto à condução do processo de estabilização pelo governo que assumiria o poder exerceu certa influência no desempenho do indicador.
Swamoro Songhay

quarta-feira, 31 de março de 2010 12:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (02/04/2010 às 19h01min00s BRT),
Por engano enviei os comentários em que pretendia responder a você para outro post aqui no blog do Alon Feuerwerker intitulado "Plateia sábia" de 01/04/2010 e não para este "O limite do anti" de 30/03/2010.
Não sei se o Alon Feuerwerker vai permitir o reenvio dos três comentários para este post, assim fica desde já a explicação
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/04/2010

domingo, 4 de abril de 2010 11:08:00 BRT  

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