sábado, 6 de março de 2010

À espera dele (07/03)

Convém aguardar pela chegada de sua excelência, o fato, na maneira peculiar como Ulysses Guimarães a ele se referia. Há certa ansiedade no ar, uma pressão difusa para antecipar o resultado da eleição. Um ambiente de jóquei clube

Muito barulho, muitas chacoalhadas e muito levantar de poeira depois, o quadro eleitoral está mais ou menos como se projetava lá atrás. A competitividade da chapa do PSDB espera pela definição entre as forças partidárias de São Paulo e Minas Gerais. A pré-candidata do PT vai recolhendo o suporte de Luiz Inácio Lula da Silva e dos muitos militantes e simpatizantes (o partido é, de longe, a legenda preferida pelo eleitor que apoia partidos). A pré-candidata do PV conseguiu implantar uma cabeça de praia no pedaço do público que não se enxerga representado pela polarização.

Um nó da eleição está no primeiro vetor. Se os peessedebês paulista e mineiro alcançarem configuração, qualquer uma, que sugira unidade real produzirão fato político capaz de criar novas expectativas. Para ganhar eleição é preciso antes de tudo querer ganhar. O PT deseja, e muito. O eleitor já percebeu. Eleger Dilma é a razão de viver de todo o PT, a começar por Lula. Na oposição a coisa não vai tão clara. A observação dos acontecimentos pode fazer supor que a prioridade de cada facção é ferrar a outra.

Mas para confirmar essa impressão convém esperar pela chegada de sua excelência, o fato, na maneira peculiar como Ulysses Guimarães a ele se referia. Há certa ansiedade no ar, uma pressão difusa para antecipar o resultado da eleição. Um ambiente de jóquei clube. Todo mundo apostando. Uns por gosto, outros por necessidade. No segundo grupo, a turma que se alimenta à sombra do Estado. Um pessoal que quando erra de lado sempre pode esperar dor de cabeça.

Quem sobrevive bem no cenário turbulento é o governador de Minas, Aécio Neves, cujos movimentos se concentram na defesa do território e dos atributos dele. E vai funcionando. Qual é o principal cacife do neto de Tancredo Neves na rinha nacional? São dois. A força em seu importante estado e a imagem da renovação. Há também a capacidade potencial de aglutinar apoios vindos da base do governo, mas isso não parece animar o PSDB, pois precisaria ser comprovado na prática.

Ninguém subestima a força de atração da popularidade de Lula e do orçamento federal e das estatais, tudo combinado.

No outro campo, as últimas pesquisas vitaminaram a autoconfiança. A operação política do PT-Planalto tem pista relativamente livre no curto prazo, e procura ganhar o mais de terreno que conseguir. Pode fazer a diferença lá na frente, quando a disputa entrar em fase mais renhida.

Há entretanto um aspecto da tática petista que ainda transmite perplexidade em certos públicos. Umas horas o PT parece reeditar as linhas conciliatórias da Carta aos Brasileiros e do “deixa o homem trabalhar”. Outras, que aposta na divisão “classista” do país, confiando em fazer maioria suficiente para atravessar o desfiladeiro. Num dia emissários comparecem a plenários seletos para garantir que o PT é bonzinho. No outro a mensagem é ao contrário.

Quem administrará melhor sua contradição particular?

Honestidade

O economista e professor da PUC-SP Carlos Eduardo Carvalho publica interessante artigo no Valor Econômico sobre as circunstâncias do Plano Collor, que faz 20 anos. Além de interesante é honesto. Um
feito, dado o atual ambiente.

Há personagens que na época viram com simpatia -ou apoiaram- o enxugamento da liquidez e depois, "indignados", passaram a repudiar o “bloqueio da poupança". Mas só quando Collor caiu em desgraça.
Carvalho afasta-se desse oportunismo e joga luz sobre aquele complicado episódio da luta contra a hiperinflação.

Carvalho sabe o que diz, ou escreve. Ele estava no coração da campanha de Lula em 1989.

Desperdício

Reescrever a História é mesmo arma habitual na disputa política. Ainda agora, há um esforço de economistas deste mandato de Lula para “provar” que houve uma “inflexão” na política econômica na transição do primeiro para o segundo governo do PT. Talvez estejam em busca de um “significado histórico” para sua passagem pela administração. É humano.

Não há qualquer elemento a comprovar mudanças qualitativas, mas a discurseira serve para alimentar a mitologia. São os supostos “heterodoxos” do superávit primário, do câmbio flutuante, das metas de inflação e da independência do Banco Central. Batendo-se contra os supostos “ortodoxos” que defendem a mesma coisa.

Cada um desperdiça o tempo como lhe convém.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada este domingo (07) bo Correio Braziliense.

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14 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Apesar do desejo, parece impossível à crítica não estar posicionada sobre as palavras, umas vez elas escritas. Sua análise quer refletir uma presumida distância dos fatos. Mas, veja-se no caso da afirmação de que o PT...aparece contraditoriamente como bonzinho (conciliatório Carta aos Brasileiros),ou "mauzinho"(Programa dos Direitos Humanos). Ou seja, há uma crítica ideologica que julga conforme sua própria posição à direita ou à esquerda.
Ismar Curi

sábado, 6 de março de 2010 19:37:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Não sou eu quem classifica assim, é como o próprio partido trabalha para ser visto.

sábado, 6 de março de 2010 19:43:00 BRT  
Blogger pait disse...

No artigo sobre o Plano Collor faltou o autor dizer que como plano econômico o troço todo era um disparate sem pé nem cabeça. Me parece um ponto relevante, talvez eu seja cientificista demais.

sábado, 6 de março de 2010 21:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Às vezes eu falo aqui da minha teoria conspiratória da história em que a USP resolveu dominar a campanha de Presidente da República durante vinte anos. Recentemente copiei e colei comentários junto ao post "Eleições 2010: DataFolha confirma subida de Dilma" de 01/03/2010 no blog de Na Prática a Teoria é Outra. Transcrevi o comentário do antigo blog do Pedro Doria junto ao post “O Brasil no freio” de 25/02/2009. Lá eu tinha escrito que primeiro tentara encaminhar o comentário aqui para o seu blog junto ao post “The Economist: economia para baixo, sucessão disputadíssima” de 26/02/2009, mas não tivera êxito porque o comentário era muito longo. No post eu falava do erro de The Economist de falar de uma crise no futuro quando ela já havia passado. E de se saber quase dois anos antes da disputa quais seriam os candidatos mais fortes em 2010.
Vou ler o artigo sobre o Plano Collor, embora leigo penso que deverá ter muita coisa que me interesse.
Quanto à política econômica do governo há que se ter muito cuidado. No primeiro momento o governo utilizou ao máximo a desvalorização de 2002. O país voltou a crescer como em 84 e 85, puxado pelo mercado externo. Houve um segundo momento que se iniciou no primeiro semestre de 2007 com a crise do subprime nos Estados Unidos. Para entender esse segundo período tem que aceitar que o Guido Mantega possui uma qualidade impossível de existir nos economistas, a humildade. Foi ele aconselhar com os gênios das finanças e alguém garantiu que a crise viria. Para se proteger o melhor seria uma inflexão para dentro. Com a perda da CPMF a partir de 2008, ficou certo que este era o melhor caminho. A crise chegou e fez um cataclismo. Parece que Guido Mantega conspirou para o dólar desvalorizar (É o que eu concluir ao ler a reportagem “Os bastidores da crise” de Cristiano Romero e Alex Ribeiro, no Valor Econômico de 13/11/2009, de outro modo há de pensar que Mantega é ingênuo e incapaz de manter um segredo). Tudo alcançado e parece que o país ia voltar para o crescimento puxado pelo mercado externo com políticas sócias para minorar as conseqüências ruins que esse tipo de crescimento produz junto às camadas mais pobres da população. Houve uma avaliação do comércio mundial e levando em conta também a necessidade de o país se recompor mais rapidamente para poder dar força para a candidata do governo, fez-se a opção para o crescimento puxado pelo mercado interno.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 06/03/2010

sábado, 6 de março de 2010 23:32:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Sim. Vamos esperar pelo Sr. Fato. Mas enquanto este senhor não chega, palpitamos.

Há um palpite correndo na praça que diz que se o "cavalo passar arreado, Aécio monta". Entenda-se: Serra precisa provar primeiro que tem chance real de vitória. Mas isso, só o tempo dirá.

Tenho lá as minhas dúvidas se a pretensão inicial de Aécio à vaga de candidato pelo PSDB era mesmo para valer. O neto de Tancredo sabe bem o significado da fila na política. Os que dizem que foi para valer, lembram a candidatura vitoriosa que correu por fora na presidência do Congresso. Só não falam que o Serra apoiou a iniciativa do Aécio e agiu politicamente a seu favor. Serra e Aécio sabem muito bem que política não se faz com o fígado.

Acho que Aécio jogou e joga para a torcida mineira. Surfou muito bem na onda "chegou a hora de Minas mostrar ao Brasil o seu valor".

Em MG, Aécio tem parada duríssima pela frente, se o seu objetivo for de fato eleger o atual vice, que é o grande mentor e primeiro responsável pelo seu bom governo no estado. Lá em MG dizem que o Márcio Lacerda levou a prefeitura de BH muito mais pelos erros do adversário Quintão no segundo turno.

Aécio está jogando bem no time da mineiridade: "Minas quer, eu tento, mas forças ocultas não querem que Minas governe o Brasil”. Aécio joga para a torcida e com esse discurso ele polariza e atrai para si o eleitorado que no momento mais lhe interessa: os votos mineiros que vão eleger o governador do Estado.

Os votos para a eleição presidencial são problema do Serra. Este, como fazia Tancredo, vai engolindo alguns sapos, mas sem perder de vista o alvo estratégico. Acredito sinceramente que Serra pensa que se estivesse no lugar do Aécio ele não faria diferente. Dá-se a isso na política o nome de realismo.

Daí a cara de paisagem do Serra lá em MG. E a imprensa queria o quê? Que ele saísse xingando Aécio e os mineiros depois do evento de Minas?

Sobre Marina Silva, tendo a concordar com você que ela vai crescer nas pesquisas. Deve tirar mais votos do PT. Quero dizer, se a teoria dos 3/3 se aplica, então quem decide mesmo é aquele terço do eleitorado que ora transita para o lado do PT, ora caminha com o PSDB.

Vittorio Medioli nesta semana fez interessante análise:

O momento de Minas

No quartel tucano, as coisas andam de mal a pior, não só em São Paulo, mas em Minas também. Se Serra vem perdendo pontos nas pesquisas, o candidato de Aécio não vem ganhando. [...]

A candidatura de Hélio Costa (PMDB) pode estar muito próxima de uma reviravolta definitiva.[...] Apesar da indefinição que cerca a vaga de vice, Hélio Costa nesses dias tem tudo para se manter de alto astral.

Tem que torcer silenciosamente e trancado entre paredes para que Dilma Rousseff não suba de patamar nas pesquisas. Nesse caso, o valor do PMDB, e dele mesmo no tabuleiro eleitoral, perderia força. Disso receberia uma transfusão de energias a tese inabalável de Pimentel de que chegou a vez de o PT conquistar definitivamente o Palácio da Liberdade.

http://www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdEdicao=1589&IdColunaEdicao=11035

domingo, 7 de março de 2010 00:42:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Li agora o artigo que você indicou sobre o plano Collor

Um artigo é sempre um espaço limitado que obriga o escritor a enunciar assertivas sem que lhe sobre espaço para a apresentação das devidas provas. No entanto, o mérito do artigo é despertar para o debate. Serei crítico.

Discordo dessa tentativa que busca se contrapor ao voluntarismo que está na origem da decisão pelo bloqueio no Plano Collor. A justificativa do bloqueio brasileiro em nome de uma suposta recorrência de fatos passados que registram “dezenas de episódios de bloqueio da liquidez no século XX” pouco ajuda no entendimento do que se fez aqui com o dinheiro dos cidadãos contribuintes, embora funcione muito bem como “embreagem do discurso” que permite “mudar a marcha” e seguir adiante na íngreme ladeira analítica. No senso comum, tal justificativa é plenamente contestada pelo ditado que diz que não é prudente seguir a multidão que decide atirar-se no abismo como medida de controle populacional.

Os alvos táticos do bloqueio (não vou enunciá-los, pois estão no artigo) eram três, os quais conquistados GARANTIRIAM o sucesso da operação estratégica de eliminar a inflação. Tudo isso está bem enunciado pelo autor. O que choca o historiador é o uso dos tempos verbais no futuro do pretérito quando se trata de examinar fatos que somente podem ser conjugados no pretérito perfeito. Historiadores pode falar com propriedade sobre o que foi e nunca devem, ao menos em seus trabalhos, conjecturar sobre o QUE PODERIA TER SIDO. No senso comum, tal recurso é plenamente contestado pelo ditado que diz que o caminho do inferno é pavimentado por boas intenções.

Responder à pergunta do artigo “por que a liquidez se recompôs com tanta rapidez e facilidade?” parece-me bem mais simples do que o autor sugere. Ora, quem detinha papel moeda desbloqueado operou com lucro em um mercado ávido de troca desse papel por papeis bloqueados. Cito apenas um caso. Meu irmão desesperado desbloqueou seu dinheiro em uma operação dita informal, ocorrida via contatos que lhe foram apresentados na mesma agência bancária que estava obrigada pelo governo a bloquear seus ativos financeiros.

Para dar sabor à crítica, algo semelhante ocorre hoje na Venezuela com o dólar paralelo. Por que ele não baixa, apesar da maxidesvalorização? 1. O CADIVI não libera os dólares solicitados formalmente ao Estado. 2. Os apaniguados do chavismo compram, via leilões "abertos" do BC (está no sétimo leilão desde a maxi em janeiro), bônus conversíveis em dólar (oficial: 4,30; no leilão: acho que foi a 4,86) e os revendem num mercado que está pagando por cada dólar no paralelo 6,80 bolivares “fuertes” (cotação de sexta-feira). Considerando que a Venezuela importa praticamente tudo o que consome(acho que acima de 90%).

Interessante é o enunciado de uma razão para a falha do plano Collor: falta de fé no bloqueio para remover a montanha da inflação (vide 11º§ do artigo: “Um dos fundamentos...”). O corolário lógico da assertiva: o melhor dos mundos possíveis não TERIA vindo porque o otimismo dos Cândidos-brasileiros (Voltaire) não contagiou a maioria dos brasileiros, esses pessimistas imediatistas com suas poupanças de anos e anos de trabalho bloqueadas por pajelanças conduzidas por meia dúzia de feiticeiros do Imperador Weapon.

Me faz sorrir de soslaio a frase “um plano elaborado em sigilo máximo”. Sei. Definitivamente, pertenço ao grupo de bocós da “condenação simplória dos “experimentalismos”.

PS: A frase atribuída a Renato Janine (“É preciso maior cuidado, intelectualmente falando, para contestar quem está vencido do que para desafiar as potestades") é livre adaptação de famosa passagem já carne de vaca acadêmica das Teses de Filosofia de História de Walter Benjamin na sua crítica ao historicismo e elogio da história dos vencidos. No meu entendimento, opera no texto como lustro retórico, que em nada contribui para tornar os argumentos do autor mais ou menos verdadeiros. Criticar ou defender o plano Collor não é mesmo tarefa fácil.

domingo, 7 de março de 2010 15:06:00 BRT  
Blogger Hugo Albuquerque disse...

O PT deseja governar, tanto que mesmo os setores mais à esquerda do partido nada falaram contra a candidatura Dilma e nada se discutiu na base. Lula quis e o Partido aceitou. É aquela velha repetição da tradição política nacional: Ou o consenso ou o divisionismo.

No caso do PSDB, um partido muito mais hermético que o partido da estrela, existe o problema ainda do provincianismo paulista. Aécio quer ser Presidente, mas foi boicotado por Serra, em troca, ele deixou o candidato paulista em xeque - "se você quer tanto, vai lá e decide" - e o racha tucano - dentro de um ambiente onde não há possibilidade de debate interno.

Aécio não quer ser vice de Serra, quer ser o candidato ou quer mais é que o rival paulista se estrepe para ele recolher os cacos do partido e unir todos em torno de sua pessoa. O governador mineiro está muito pouco - ou quase nada - preocupado com qualquer projeto que seja, ele quer a liderança como um fim e ponto final - assim como Serra. O que ele não percebe é que, felizmente, eleitoralmente isso pega mal.

domingo, 7 de março de 2010 17:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Como eu disse aqui neste post "À espera dele" de 06/03/2010 em comentário de 06/03/2010 às 23h32min00s BRT, iria ler o artigo sobre o Plano Collor como um leigo que sempre tem algo a apreender com os economistas. A alegação principal é que não havia outra forma. É possível. Como leigo não tenho muito como entrar nessa seara.
Posso fazer alguns apontamentos ou contrapontos. Em apoio ao que o economista Carlos Eduardo de Carvalho disse lembro aqui um artigo de Clóvis Rossi (A lembrança é de Clóvis Rossi, mas é com a minha memória) que enebriado pelo consumismo conspícuo do Plano Real perguntou a um dos Mendonça de Barros como o Real agüentaria aquele consumo se se sabia que não existe almoço grátis. Um dos irmãos Mendonça de Barros teria respondido que Collor já havia pago o almoço.
De certo modo a resposta de um dos irmãos Mendonça de Barros fora injusta com Itamar Franco por não dar destaque às reservas. Reservas que foram montadas com o aumento da inflação depois que Collor saiu. Inflação que começara a cair em virtude do Plano Collor II
Reservas a que o Economista Carlos Eduardo Carvalho deu o bom lugar.
E almoço que não tinha sido pago, como se verificou depois pelas crises no Balanço de Pagamentos.
E lembro o que eu disse sobre Tancredo Neves junto ao post aqui no seu blog "Tancredo aos 100 anos" de 03/03/2010: se Tancredo não houvesse morrido não haveria o Plano Cruzado e a história econômica do Brasil nos últimos 25 anos teria sido outra. É claro que o que eu digo sobre Tancredo Neves tem a ver com o meu desejo. Era meu desejo que se acabasse com a inflação no Brasil a passos de cágado. Sem ser economista sempre achei que os planos que acabam de uma vez com a inflação são um engodo que mais causam prejuízos que vantagens. Foram assim com os Planos no governo de José Sarney, com o Plano Collor I e com o Plano Real (Este último só permitiu que a economia se equilibrasse 10 anos depois).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/03/2010

domingo, 7 de março de 2010 23:36:00 BRT  
Blogger pait disse...

O Mantega é humilde, e tem motivo de sobra para a humildade.

segunda-feira, 8 de março de 2010 09:52:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever, permita-me. O Plano Real teve caráter fortemente deflacionário e procurou, com sucesso, institucionalizar a responsabilidade com gastos públicos. Eliminaram-se mecanismos denominados ARO e posteriormente, em 2000, foi estabelecida a LRF. Assim, a estabilidade foi baseada em mecanismos sólidos, permitindo a demarragem posterior. Não foi mais uma tentativa de debelar o processo hiperinfalcionário mediante congelamentos de preços e salários. Na realidade, promoveu a reconstituição da capacidade de realizar política fiscal e monetária.
Swamoro Songhay

segunda-feira, 8 de março de 2010 10:36:00 BRT  
Blogger PorSeuAmor disse...

Vaidades. É tudo vaidades.
Aécio está cego por orgulho e vaidade. É incapaz de sacrificar sua Reputação e Carreira Política pelo nosso Brasil, por sua Pátria. Na cabeça dele, ser vice é se diminuir, diminuir sua reputação e sua posição diante dos homens. Ora, humildade é uma das principais virtudes de um líder. E desprendimento para se sacrificar pelo que se acredita também. Um vice pode ser nada, mas tb pode ser muita coisa, a depender de sua atitude. Pobre cego. Incapaz de enxergar q como Vice de Serra, um bom governo agora, poderia estar plantando 8 anos após Serra. Só pensa no aqui agora. Eu não quer ter um Presidente incapaz de se sacrificar pelo futuro do Brasil. Ele não ama o Brasil. E você?

segunda-feira, 8 de março de 2010 14:36:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (08/03/2010 às 10h36min00s BRT),
Não sei se em algum comentário para você eu tenha feito referência a um dado importante que utilizo para caracterizar o Plano Real (Como todos os planos que acabam de uma vez com a inflação) como tendo aumentado o consumo interno. Utilizo esse dado porque ele é extremamente relevante, tem repercussão em toda a economia e deve ser espelho de outros dados. O consumo de veículos no Brasil em 1997 (produção interna mais o déficit na Balança Comercial de veículos, pois naquela época tínhamos déficit) só veio a ser igualado pelo consumo de veículos no Brasil em 2007 (Produção interna menos o saldo na Balança Comercial de veículos, pois naquela época tínhamos saldo).
As crises no Balanço de Pagamento foram resultados desse consumo conspícuo que nem o juro alto para evitar a inflação foi capaz de reduzir. O que reduziu o consumo foram as crises no Balanço de Pagamento (o que me permitia dizer que Gustavo Franco diante de cada crise, tendo como incumbência acabar com a inflação podia dizer como Leônidas, “melhor, combateremos à sobra”), muitas estatais vendidas (embora eu não fosse contra, salvo a Vale porque acho que o subsolo deve ser explorado com ineficiência para diminuir a oferta e aumentar o preço e para aumentar o prazo de exaustão e uma usina de aço para desenvolver tecnologia) e muita intervenção do FMI obrigando-nos ao aumento dos impostos (outra coisa que eu sou a favor) e então nós passamos a andar melhor na questão do déficit público.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/03/2010

segunda-feira, 8 de março de 2010 22:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Observo, Clever. Seu raciocínio não deixa de ser válido. Só que, observando ainda, o consumo sempre sobe quando há condições de atender demandas reprimidas. Por ocasião do Plano Real, a desinflação e a estabilidade permitiu a posse de renda adicional, a amplas camadas, que foi direcionada ao consumo. No Cruzado, também ocorreu efeito semelhante, só que de curta duração. Tanto quanto em 2008/2009 por ocasião da crise financeira, com os estímulos governamentais ao consumo de bens duráveis. Sobre a Vale, a empresa tem forte participação de fundos de pensão de estatais, a União possui Golden Share, além de, constitucionalmente, as riquezas do subsolo serem da União. Além do fato de ser uma empresa bem administrada, aspecto reconhecido até pelo Governo. Assim, seria muito mais coerente e patriótico, em suma, mais verdadeiro, deixar de utilizar a privatização da Vale como aríete de algo que, pelos mais de sete anos de andar da carruagem, todos sabem que continuará com o status atual. Tanto quanto as teles, a petroquímica, a siderurgia. Bem como a crescente oligopolização da economia.
Swamoro Songhay

terça-feira, 9 de março de 2010 09:31:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, o texto sobre o Plano Collor provoca em mim reações opostas. Ele acerta quando afirma que o plano Real foi mais fruto do momento que da genialidade de seus formuladores, o que não implica, porém, que caso não houvesse as reservas cambiais o Real exigiria novo bloqueio da liquidez. O texto coloca corretamente que as iniciativas econômicas de Collor não se limitaram ao bloqueio dos ativos financeiros, foi Collor e não Fernando Henrique Cardoso quem deu uma guinada liberal que provocou fortes resistências: privatizações e liberação comercial foram os principais aspectos, o governo seguinte deu alguma continuidade, enquanto contou com Sergio Motta (é a minha explicação para a perda de “vontade política” por parte daquele governo) e depois a agenda foi esquecida, não aprofundada como quer o texto... até pelo contrário, lentamente vamos retomando nosso “estatismo” anterior. Mas onde o autor me parece pecar é em entender o que se pretendia com o bloqueio de ativos financeiros: não creio que alguém da equipe de então acreditasse na possibilidade de controlar a demanda administrando a oferta de moeda, e o Banco Central deve ter feito o que se esperava que fizesse: atender toda a demanda de crédito dos bancos a uma taxa de juros definida, não havendo necessidade de supor um roteiro de suspense cinematográfico para explicar o que quer que seja. Se o crédito cresceu demais, e a inflação voltou, foi porque a taxa de juros estava errada para baixo (não vou entrar no mérito de qual ela deveria ser no caso, se era viável, ou coisas assim). Congelamento ou bloqueio de ativos foram tentativas de estabilizar os preços sem a forte recessão que inevitavelmente acompanharia uma solução de mercado em uma economia com uma inflação elevada crônica. Talvez pudessem suavizar a recessão necessária, mas, com certeza, não poderiam ser acompanhados por uma economia aquecida. Não fui consultar outras fontes de informação, mas está claro que o erro (supondo-se que a estabilização fosse possível) foi confiar excessivamente no componente heterodoxo do plano... e não há necessidade de cuidados especiais para se dizer isso. A propósito, o plano foi bem recebido inicialmente porque a inflação anualizada naquele momento já superava 1000% (se a memória não me falha) e não porque iniciativas do tipo estivessem de alguma forma em discussão na sociedade. O fato de haver experiências anteriores não implica que não fosse uma iniciativa de desespero – que estão quase sempre fadadas ao fracasso – ou que seja trivial enxovalhar a lei, como a implantação do plano exigia.

terça-feira, 9 de março de 2010 15:53:00 BRT  

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