quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A trilha da esperteza (13/01)

A principal diferença entre a democracia representativa e a democracia direta, ou participativa, é que desta última participa menos gente

Fica cada vez mais evidente que o governo cometeu uma bobagem política daquelas quando lançou esta terceira versão (a primeira dele) do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). A quem discorda, afirmando ser só um documento de (boas) intenções, sempre é adequado recordar que delas está cheio o inferno.

Os que fizeram o PNDH conseguiram uma façanha: qualquer um que procura encontra ali alguma coisa que incomoda muito. Daí que o programa tenha esta incrível capacidade catalítica de agregar resistências.

No mínimo, o governo abriu um caminho para a oposição fora do terreno no qual ela vinha encontrando mais dificuldades: a economia. Não que a maioria da população se mobilize por temas como os do PNDH, mas este oferece um ponto de aglutinação política para as forças oposicionistas. Estimulou pela enésima vez, no pedaço da sociedade que se interessa pelo assunto, a discussão sobre os reais propósitos democráticos do PT.

No atual estágio de autossuficiência e salto alto, o petismo irá argumentar que o povão não está nem aí, e que na hora “h” a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva dará um jeito. Aliás, o prestígio de Lula vai virando panaceia, remédio para todos os males, fonte para todas as curas, curativo para todas as incompetências. Não deixa de representar curiosa regressão intelectual num partido nascido do basismo e do desejo de protagonismo coletivo dos trabalhadores, mas tem a ver com os fatos.

O PT continua incapaz de entender, na essência, por que a maioria da sociedade brasileira está longe de apoiar o programa estratégico da legenda. Como portador da verdade e instrumento autonomeado de salvação coletiva, vê nessa resistência apenas um transtorno acidental a contornar. Daí que no discurso petista o líder tome o lugar do sistema político e a “sociedade organizada” dê um chega prá lá na representação eleitoral nascida das urnas.

Se não há maneira de convencer facilmente a maioria, que ela dê lugar a outra, idealizada e desenhada conforme as conveniências. Aí entra a democracia participativa. Não vou discutir o conceito, mas os fatos. Na prática, resume-se a isto: dar aos mobilizados em torno de certo tema o privilégio de definir a posição do conjunto da sociedade sobre esse tema.

Qual é a principal diferença, na prática, entre a democracia representativa e a democracia direta, ou participativa? É que desta última participa menos gente. Por isso, ela deveria ser só acessória, secundária, subordinada. Nunca a principal.

O governo diz que o PNDH nasceu de uma conferência nacional de direitos humanos. E daí? Quantas pessoas se envolveram nela? É a transposição para a grande política de certos (maus) métodos do movimento estudantil, ou sindical. Um punhado decide pelo todo. E decide qualquer coisa.

O leitor poderá argumentar que a discussão terá necessariamente que passar pelo Congresso Nacional, mas não é disso que se trata. Pela abrangência e profundidade, o PNDH é quase um programa de governo. O certo então seria apresentá-lo numa campanha presidencial, para abrir espaço efetivo de debate e confronto de ideias.

Mas como nem o petista mais fanático acredita que dá para ganhar a eleição carregando nas costas um fardo assim, a coisa segue a trilha da esperteza: a campanha presidencial é planejada para correr como exercício de mistificação e infantilização, como desfile de musiquinhas, sorrisos, advertências e generalidades. Para que, depois, liberados do constrangimento temporário de buscar o voto do eleitor, possam realizar o sonho de finalmente colocar a mão na massa e preparar o bolo.

Como diz o ditado, não tem o menor risco de dar certo.

Um argumento do PT em defesa do seu PNDH é que Fernando Henrique Cardoso também fez o dele. O do PSDB passou em branco e o do PT gera polêmica. Não é pela diferença no conteúdo. É porque as pessoas temem no PT certas coisas que no PSDB, todo mundo sabe, são só para inglês ver.

Mais incrível é o petismo precisar defender-se usando como escudo uma “herança bendita” de FHC. Sete anos depois, eis o PT pedindo clemência pois, afinal, “só estamos continuando o que o Fernando Henrique começou”.

Se não fosse trágico, seria cômico. Se não houvesse outros sinais de isolamento político, esse seria suficiente.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quarta (13) no Correio Braziliense.

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21 Comentários:

Anonymous Henrique disse...

Parabéns pelo lúcido e articulado comentáro Alon. Escreveu tudo o que eu gostaria de ter escrito. Depois o PT não entende porque tanta gente não vê o partido com bons olhos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010 23:27:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Me pergunto se o jornalista leu os vários PNDH?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010 23:47:00 BRST  
Blogger pait disse...

Continuo achando que a questão para o PT era mobilizar as bases - aquelas figuras dos "petistas" praticamente desapareceram de cena. Os militantes não vão gostar de fazer campanha em cima de um programa econômico "neoliberal" que deu certo, ainda mais sem o Lula e sem carisma. Então eles pediram e ganharam essa monstruosidade do plano, que mistura propostas progressistas com outras muito duvidosas.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 00:20:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Penso que você encontrou mais um assunto para falar mal do PT. A onda agora é o 3º PNDH. E nele há assunto para tudo. Não me parece, entretanto, que uma legislação posta por decreto possa ser assim tão importante para ser motivo de tantos artigos.
Neste seu post "A trilha da esperteza" de 13/01/2010 você se volta contra a democracia participativa. Se não fosse o seu tom por demasiado crítico da democracia participativa defendida pelo PT eu me sentiria como que satisfeito ao ver alguém expressando opinião igual a minha.
Uma das minhas divergências com o PT é a crença majoritária naquele partido da superioridade da democracia direta sobre a democracia representativa. Para mim.e desde há muito a democracia representativa é que é superior à democracia direta.
A democracia representativa ainda mais pelo ponto que você apontou de não favorecer a participação de todos também não me cria grandes expectativas. Quando do plebiscito sobre o porte de armas em 2005 eu disse que aquele era o único plebiscito que eu aprovava: incentivava a participação política da população e ao mesmo tempo não decidia nada.
Desde quando fiz o curso de Direito no final da década de 80 eu defendia que a democracia representativa é um avanço em relação a democracia direta porque a democracia direta sendo pontual não permite os conchavos, as barganhas, o fisiologismo. Com a democracia direta tem-se apenas o império da vontade da maioria. Já na democracia representativa por se tratar de um processo há um toma-lá-dá-cá que protege os interesses dos grupos minoritários.
Enfim eu dizia que a democracia representativa proporcional é a democracia mais avançada pois nela não há uma ditadura da maioria na medida em que a maioria é sempre fluida e em cada ocasião, a maioria é composta por grupos que poderiam muito bem ser grupos minoritários naquele assunto, mas que através da barganha, das trocas e do fisiologismo se protegeram e alcançaram naquela situação a maioria.
A democracia participativa, entretanto, desde que em espaço pequeno (uma parcela ínfima do orçamento sendo discutido por um grande grupo de pessoas) é boa para a democracia.
Ver a democracia direta como superior a democracia representativa é a meu ver um dos grandes erros da concepção política do PT. O outro erro é a crença que a atividade política deva ficar submetida a preceitos éticos. Para mim a atividade política deve ficar submetida aos preceitos legais. E sendo a atividade política desempenhada por representantes, os representantes precisam agir como lutadores com instinto de sobrevivência, afastando qualquer possibilidade de renúncia (Essa sim mais próxima da ética) O seu comentário, entretanto, pareceu-me mais tendo o intuito de desancar o PT do que apresentar uma análise do 3º PNDH no que diz respeito o posicionamento em favor da democracia direta e da democracia participativa..
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/01/2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 00:29:00 BRST  
Anonymous Jonas disse...

Puxa vida, bem que queria ter que acrescentar algo. Mas não precisa. Se não está tudo aí, tá mais que suficiente.
Mas vai precisar de boa dose de paciência para ler o que vem por aí.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 08:56:00 BRST  
Anonymous Gualter disse...

O PODER ABSOLUTO não só CORROMPE como também MEDIOCRIZA.

Saudades do PT!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 10:00:00 BRST  
Anonymous PH disse...

Excelente análise!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 10:34:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Em meu comentário de 13/01/2010 às 00h29min00s BRST eu cometi um engano trocando a expressão democracia participativa por democracia representativa. Corrigindo e colocando a correção em maiúsculas, a frase fica assim:
"A democracia PARTICIPATIVA ainda mais pelo ponto que você apontou de não favorecer a participação de todos também não me cria grandes expectativas".
E aproveito para lembrar um item nessa discussão que eu já mencionei várias vezes em seu blog. Por considerar que a democracia representativa proporcional é superior à democracia direta, eu sou a favor do parlamentarismo. Por considerar a eleição para presidente um ponto máximo de participação popular e de confiança da população e, mais importante, um ponto de realce do princípio da igualdade, onde o mais sábio e estudioso dos problemas brasileiros tem o mesmo valor eleitoral que um deserdado qualquer, eu abro mão do parlamentarismo e fico a favor do presidencialismo com mandato maior, mas sem reeleição.
Por considerar que a eleição proporcional é menos excludente que a eleição majoritária eu sou contra os dois turnos na eleição para Presidente da República. A força que um presidente adquire em uma eleição ganha majoritariamente pode levar ainda que pelo curto espaço de tempo de um mandato ao que eu chamo de ditadura da maioria.
E resumindo um pouco o meu comentário anterior de 13/01/2010 às 00h29min00s BRST, considero um erro do PT abraçar a causa da democracia direta, mas sou a favor de se dar mais oportunidades ao povo para que participe diretamente da democracia. Essa maior participação popular só não pode ser superstimada nem reduzir o campo de ação da democracia representativa, mas em meu entendimento não merece uma crítica tão forte como a que você externou neste post.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/01/2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 11:11:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Em relação à herança maldita deve-se ficar bem atento ao que realmente poderia ser considerado como tal.
A venda da Vale é uma herança maldita. A privatização das telecomunicações em um país com dimensões continentais como é o Brasil, precisando atender demandas pontuais em locais afastados do país, é também uma herança maldita. A redução do mandato de 5 para 4 anos, embora seja ainda do período da revisão constitucional de 1993/94 é também uma herança maldita, com parcela de culpa cabendo ao PSDB, pois o PSDB embora pequeno tinha força de ser governo mas tinha interesse no mandato menor. E a herança do mandato de 4 anos se amaldiçoou ainda mais com a emenda da reeleição. O Regime de Metas de inflação, o superávit primário, a liberação do comércio exterior, a livre flutuação da moeda, o livre fluxo de moedas, a Lei de Responsabilidade Fiscal e outras coisas mais são todas heranças malditas. A Argentina é mais livre desses problemas.
Agora há muita coisa boa deixada por FHC, sendo que para mim a mais importante foi o aumento da carga tributária. E também não se deve esquecer que a grande desvalorização da moeda em 2002 foi muito boa para o governo Lula. Se bem que no caso da moeda não custa lembrar que segundo FHC o responsável pela desvalorização da moeda não foi ele, mas o próprio Lula.
Enfim, este meu comentário é só para lembrar que eu achei fora de foco a sua crítica ao PT por referir-se a uma herança bendita do governo FHC. E lembro também que o PNDH de FHC sofria do mesmo defeito que você vê no PNDH do governo Lula: ser uma submissão aos organismos internacionais e dai muito de sua crítica.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/01/2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 11:38:00 BRST  
Anonymous Marc disse...

Alon, principalmente neste ano de campanha eleitoral para presidencia, peço que cite 1 um só assunto ou projeto do governo que a oposição PSDB/PIG não use para fazer um cavalo de batalha. Por favor cite apenas unzinho. Depois que você fizer isto então comentarei o que escreve. Se você publicar, é claro.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 12:46:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Não existe esse conflito de democracia direta X democracia representativa, neste quadro de conferências nacionais apresentando propostas a serem encaminhadas ao Congresso.

As conferências nacionais, uma forma de democracia participativa, são uma primeira instância sem poder, ou melhor, apenas com poder de pressão (lobby), para formular propostas.

O poder de fato, continua sendo da democracia representativa, onde todas as propostas precisam passar pelo Congresso. O Congresso é que tem o poder de viabilizar ou não estas propostas.

A democracia brasileira sempre foi direta para a elite, num lobby de bastidores. Nomeações de diretorias do Banco Central sempre contaram com a democracia direta do "mercado". Renegociações de dívidas agrícolas, financiamento da safra, sempre contaram com democracia direta da CNA. Na formulação de políticas de incentivos fiscais sempre houve a participação direta da FIESP, da CNI e outros, que sempre foram ouvidos. Os lobbys estão presentes nas Comissões do Congresso, nos Ministérios, nas Autarquias, nas Estatais, na formulação do orçamento da União, na priorização dos gastos.

A criação de conferências nacionais é uma forma de democratizar o lobby. Antes só tinham acesso a influir no governo grupos econômicos poderosos. Agora, qualquer ente social também ganhou o mesmo tratamento que os grupos econômicos já conseguiam. Só isso.

Há quem critique que uma minoria organizada controlaria essas conferências, mas aí é omissão de quem não participa. Não é o modelo que é defeituoso. As conferências são abertas a todos. O mesmo acontece com audiências públicas e consultas públicas.

A choradeira é de gente VIP desacostumada a entrar na fila ao lado de simples mortais, até na hora de ser atendido pelo governo na hora de fazer pressão em prol de seus interesses.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 14:53:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Além da chiadeira de gente VIP ao ser encaminhada para a fila do lobby, há a choradeira de congressistas que consideram seu poder usurpado (o que falso conforme demonstro no outro comentário).

Muitas proposições vindas das conferências nacionais que ganham dimensão polêmica, decorre do vácuo deixado no Congresso, ao abdicar de discutir problemas nacionais e grandes anseios da sociedade, para se digladiarem em torno de picuinhas, CPI's inócuas, fofocas e boatos.

O Congresso ganha importância quando convoca audiências públicas, por exemplo, para discutir a jornada semanal de 40 horas.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 15:01:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

"Pela abrangência e profundidade, o PNDH é quase um programa de governo."

Essa crítica sem entrar no mérito se, do ponto de vista dos Direitos Humanos, o conteúdo é bom ou ruim, não tem qualquer valor objetivo.

Desde quando abrangência e profundidade é necessariamente defeito? Seria virtude um programa superficial?

Se qualquer um de nós fôssemos Secretário de Direitos Humanos por 7 anos, colecionássemos denúncias que vão de assassinatos no campo, até violência contra mulher, trabalho escravo, violência urbana, passando por internação de sãos como loucos, indo até prostituição infantil, e falta de política para drogadictos, além de demandas que passam por discriminação racial, sexual, de idosos, saúde da mulher, falta de acesso à justiça, à remédios, etc.
o que você deixaria de fora de uma plano Nacional de Direitos Humanos?

Parece não haver sentido nesse tipo de crítica.

Faria mais sentido criticar do ponto de vista de oportunidade política. Do tipo "o ótimo é inimigo do bom". Se o plano terá que passar fatiado pelo Congresso, é inabilidade política colocar temas extramamente polêmicos em ano eleitoral. Quase nenhum congressista vai se interessar em votar artigos polêmicos desgastantes em ano eleitoral, e os poucos itens polêmicos leva críticas exarcebadas da oposição à todo o plano.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 15:29:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Aos comentaristas. Sim, eu li o texto do PNDH. Minha diferença com ele é de princípio. Quando questões políticas viram parâmetro de "respeito aos direitos humanos", temos um problema. Exemplo. Segundo o decreto presidencial, quem é contra a legalização do aborto se opõe a uma cláusula essencial para o respeito aos direitos humanos. Então por que não proibir a militância antiaborto, por que não transformá-la em crime? Claro, pois se algo é essencial para os direitos humanos quem se nega a apoiar esse algo está atentando contra os direitos humanos. Simples e objetivo. Entenderam a dimensão desse equívoco?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 17:14:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

"por que não proibir a militância antiaborto?"

Porque o decreto propõe apoiar é apenas a descriminalização do aborto. Nada além disso.

Ou seja, qualquer um pode continuar sendo contra o aborto, pode continuar pregando contra o aborto, pode dizer que é pecado, só não poderá (se uma lei futuramente vier a ser aprovada) processar alguém criminalmente por ter praticado o aborto.

Os milhões de mulheres que já recorreram ao aborto no Brasil não o fazem por opção política, por isso a questão não é simplesmente política, e sim de direito.

Elas fazem, até à revelia da lei atual, porque consideram uma necessidade na conjuntura de suas vidas. Nesse aspecto que é injusto à luz dos direitos humanos criminalizar uma dessas mulheres.

Questões morais em que a sociedade é dividida no conceito de certo ou errado (contanto que afetem apenas o próprio indivíduo) não há direito em um lado querer criminalizar o outro lado. E quando isso acontece, a situação é de opressão (uma violação de direitos humanos). Cada um deve viver e agir de acordo com seus valores, segundo seu livre arbítrio.

A supressão do adultério do código penal, é uma caso semelhante. Quem quiser pode ser contra, pode pregar contra, o mandamento religioso "Não adulterarás" não foi revogado das religiões, e continua sendo justa causa para divórcios civis. O que deixou de existir foi a condenação penal.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 18:20:00 BRST  
Anonymous Jonas disse...

Eu bem que avisei: iria precisar de muita paciência...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 19:53:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Também pensei em criticar esse trecho do seu comentário que diz:
"Segundo o decreto presidencial, quem é contra a legalização do aborto se opõe a uma cláusula essencial para o respeito aos direitos humanos. Então por que não proibir a militância antiaborto, por que não transformá-la em crime?"
Aproveito a crítica do Duarte em comentário de 13/01/2010 às 18h20min00s BRST e meto também o bedelho. É bom que se diga que manifesto, mas sem ter lido o 3º PNDH.
Não vi lógica no seu argumento.
Veja bem, a idéia de que "quem é contra a legalização do aborto se opõe a uma cláusula essencial para o respeito aos direitos humanos" não é um mero desiderato do PT, mas uma afirmação que se difunde nos organismos mundiais de defesa dos direitos humanos. Possa até fazer as minhas críticas, pois penso que muito do que se tem nessa área visando fortalecer a mulher é na verdade uma forma de a Europa se pôr contra a cultura muculmana.
Você pode questionar a assertiva de que “quem é contra a legalização do aborto se opõe a uma cláusula essencial para o respeito aos direitos humanos”. Pode ter opinião contrária. E pode manifestar sua opinião, pois não há impeditivo legal a que assim se proceda.
Você parece que aceita a tortura como razão de Estado, ou pelo menos a considera menos perversa do que o assassinato do desarmado. E esquece que a proteção ao desarmado, ao que se entrega não é para proteger a vida de quem se entrega, mas para evitar que quem não se entregou ainda não venha a lutar até a morte se souber que se entregando morrerá. De todo modo, para muitos a tortura é o pior dos crimes. Então, se você aceita a tortura como razão de Estado e a tortura é uma negação dos direitos humanos você conclui que você deveria ser proibido de semanifestar. Ora não existe, posso estar errado, em nenhuma legislação do mundo a proibição de se manifestar em favor da tortura como razão do Estado.
A manifestação em prol do racismo é crime e deve ser proibida, mas a defesa da tortura por fundamento em razões do Estado, a defesa da ilegalidade do aborto, o ataque a igualdade entre os sexos atingem os direitos humanos, mas não podem ser coibidas por isso. É claro que manifestações nesse sentido poderiam vir a ser também tipificadas como crime, mas até que isso ocorra vão se passar muitos anos e provavelmente não caberá ao PT ficar encarregado dessa tipificação.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/01/2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 20:34:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Duarte (13/01/2010 às 14h53min00s BRST),
Penso que o conflito de democracia direta X democracia representativa existe para aqueles que consideram a democracia direta superior à democracia representativa. Havia na formação do PT um número muito grande dessas pessoas.
Não li o 3º PNDH e não sei como essa questão foi posta no decreto. Como eu bem enfatizei sou a favor que a Democracia seja cada vez mais participativa e nesse sentido defendo que haja espaço para a democracia direta onde efetivamente há mais participação popular principalmente se se faz em um processo e não pontualmente.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/01/2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 20:44:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Paciência é meu forte, Jonas.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 21:33:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Clever Mendes de Oliveira (13 de janeiro de 2010 20h44min00s BRST)

Eu concordo com você na abordagem genérica de que existe conflito no que é democracia direta X representativa.

Mas no caso específico de como estão sendo feitas as conferências nacionais promovidas pelo governo, não existe esse conflito.

As conferências Nacionais são por temas: teve a de direitos humanos, teve a de mulheres, teve a de comunicação, saúde, teve a de segurança pública, etc.

As conferências tem etapas municipais e estaduais, e estas encaminham propostas a serem apresentadas e elegem delegados à conferência nacional. Nesta última, são apresentadas as propostas encaminhadas por todo o Brasil nas estapas anteriores, e os delegados discutem e votam as propostas. As aprovadas são encaminhadas para o(s) ministério(s) competentes como proposições.

Na conferência de Segurança pública, para dar um exemplo que tenho mais informações do que a de direitos humanos, participaram mais 200 mil pessoas somando todas etapas, e com participação de policiais das polícias civil e militar, federais, guardas municipais, além de ministérios públicos, associações de juízes, agentes penitenciários, ONGs, assistentes sociais, lideranças comunitárias, religiosas ligada à questões da violência ou carcerária, etc.

Portanto a conferência é um chamado à democracia participativa. Mas as resoluções da conferência podem ser acatadas ou não. Há propostas administrativas que podem ser adotadas de imediato por um ministério. Outras propostas envolvem mudanças legislativas. O governo eleito tem a prerrogativa de não acatar resoluções das conferencias, e o Congresso também tem essa prerrogativa de não votar ou votar contra resoluções vindas de conferências e encaminhadas pelo governo.

Por isso eu não vejo conflito e sim complementariedade.

A conferencia é um chamado para o governo ouvir as demandas sociais que estão difusas na sociedade, e para buscar conciliar em propostas de comum acordo grupos antagônicos. É um bom método de sistematizar os grupos de pressão que atuam sobre governos, democratizando o lobby, e tornando-o público e transparente.

As autoridades de fato eleitas pela democracia representativa é que tem a prerrogativa de aprovar o que julgam atender aos anseios de suas bases eleitorais. Daí, não vejo conflito.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 22:44:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Muito boa a análise Alon. Depois de tanto tempo e de tantas experiências, na realidade, parece que tem quem considere ainda o cidadão como estorvo. Assim, como estorvo, deve ser substituído por instâncias outras, sapientes, premonitórias e infalíveis, que flanam acima de todos e tentam lograr decidir por todos.

Swamoro Songhay

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 11:07:00 BRST  

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