quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O futebol da política (21/01)

A vantagem do PT é a confiança transmitida pelo técnico. Já no outro vestiário, diferente das temporadas anteriores, a ordem é ganhar ou ganhar

O ano começou quente, com as primeiras escaramuças entre PT e PSDB. O forte do petismo nesta largada eleitoral é a disciplina tática. O roteiro está bem assimilado e o time toca de ouvido. O meia nem precisa olhar para lançar: ele sabe que o atacante estará, como dizia o Capitão Coutinho, no ponto futuro. Entre os tucanos, assoma a disposição de luta, uma novidade em relação às últimas duas campanhas presidenciais.

É quase inacreditável, mas desta vez o grupo da oposição parece estar mesmo unido, fechado em torno do objetivo.

Equipe bem-treinada, comandada pelo melhor técnico do país, o PT vem sendo mais eficiente nos primeiros minutos de jogo. O PSDB deu o pontapé inicial e foi para o ataque, em entrevista do presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE). Ele disse que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é em boa medida ficção, e deve acabar. Disse ainda que, se for eleito, o candidato tucano vai corrigir o câmbio, para dar competitividade às exportações brasileiras e gerar mais empregos.

Fechadinho lá atrás, o PT retomou a bola e contra-atacou. A candidata Dilma Rousseff ganhou de graça o discurso “eles querem acabar com o PAC” e não desperdiçou a deixa. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, pediu aos tucanos que esclareçam como e quanto mexeriam no câmbio — um assunto sempre delicado, especialmente por causa da inflação. E o presidente da sigla, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), acusou os adversários de “descontrolados”, antes de desafiar para o “debate programático”. Na prancheta do petismo, isso significa emparedar o PSDB na defesa do governo de Fernando Henrique Cardoso. Uma situação de jogo muito temida no vestiário da oposição.

Mas o placar continua zero a zero, com as torcidas ainda sob o impacto do resultado de outra partida, no Chile, onde o time favorito, que tinha tudo para ganhar, perdeu. Futebol é mesmo 11 contra 11, e quando menos se espera confirma a velha imagem da caixinha de surpresas.

A vantagem do PT é a confiança transmitida pelo técnico. Ele sempre foi um profissional respeitado, mas carregava alguma fama de pé-frio. Como acontecia com outro sujeito só aparentemente simplório, o Telê Santana. Depois que o professor Luiz Inácio Lula da Silva colocou duas vezes a mão na taça, as gozações, muito comuns nesse esporte, ficaram para trás. Agora o problema é outro, diametralmente oposto: o “já ganhou”. Nas entrevistas, até que os jogadores petistas dizem respeitar o adversário, mas quem conhece futebol, e frequenta o ambiente da concentração, anda com a pulga atrás da orelha.

Até porque no outro vestiário a ordem é ganhar ou ganhar. Nas temporadas anteriores houve muito estrelismo, aquela coisa de um time ter craques mas não render dentro de campo. Muita gente jogando só com o nome, com as glórias passadas. Embaixadinha em treino. Uma estrela recusando passar a bola para a outra. Fofocas e cornetagens à vontade. Jogador procurando jornalista para falar mal do companheiro. Coisa feia.

Agora mudou. Por quê? Se o desafiante amargar mais um fracasso, o terceiro consecutivo, os patrocinadores ameaçam cair fora, antecipando a aposentadoria de uma parte dos jogadores do PSDB e do Democratas, e obrigando outros a buscar um lugarzinho no banco de reservas do adversário. Ou então recomeçar do zero, talvez indo para um time pequeno. Ou mesmo para a segunda divisão. Situação chata para ex-campeões.

Falta só definir o plano de jogo, a tática. Na oposição existe quem defenda que o ataque agora é a melhor defesa, porque o adversário não é lá essas coisas. As vitórias recentes do PT? Sorte, facilitada pelas desavenças no outro vestiário. Mas há também os gatos escaldados, que preferem a estratégia da segurança, pois a partida está só no começo, ela dura 90 minutos, fora os acréscimos, e vai acabar apenas no apito final do juiz.

Será um jogo legal de ver, com audiência recorde garantida. Quem gosta de futebol certamente vai apreciar o espetáculo. Já quem é torcedor muito fanático vai ter que cuidar do estômago e, principalmente, do coração.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta (21) no Correio Braziliense.

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17 Comentários:

Blogger pait disse...

A análise técnica está boa. Só que os centroavantes não são craques, um só ganha quando joga em casa, a outra é meio perna de pau. Não sei se vale a pena pagar o ingresso.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 00:24:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O grande problema do PSDB é recuar agora, em poucos meses, do discurso belicista que ele mesmo cultivou ao longo dos últimos oito anos. Demoraram demais para perceber que o governo Lula não cabe na caricatura que fizeram dele. Apostaram no confronto da pior espécie. Eles e seus representantes na imprensa e nos blogs passaram os últimos anos repetindo bordões desgastantes, que oscilavam entre o preconceito e a hipocrisia. Como recuar, agora? Essa é a questão que os tucanos terão que enfrentar para conquistarem o direito de correr em raia própria.

O que é mais irônico nessa história toda é que o deputado Sérgio Guerra tem razão. É Serra o candidato de esquerda. É só ele que tem um discurso articulado de mudança dessa política econômica que o ex-ministro Delfim Neto vem atacando consistentemente na imprensa, sem que essa mesma imprensa lhe dê ao menos um lugar semelhante àquele que têm os tais "representantes do mercado". É só Serra que aponta no sentido de um enfrentamento dos interesses do mercado financeiro na manutenção de um câmbio e de uma taxa de juros que sufocam nossas indústrias. Dilma vem sendo, até aqui, por tudo que diz e por tudo que se recusa a dizer, a candidata do status quo. O problema de Serra, portanto, é se descolar dessa imagem de "exterminador dos petralhas" para poder, finalmente, desempenhar o papel que cabe à oposição: propor o novo.

João Vergílio

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 05:39:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

João Vergílio
As propostas dos economistas do PSDB ligados à Serra não tem nada de esquerda. É ortodoxia pura: déficit nominal zero para reduzir os juros mais rápido.
O problema disso é que coloca um garrote nos investimentos da área governamental, com consequências na cadeia produtiva nacional e no emprego.
Quanto ao câmbio eu não tenho a menor idéia do que Serra propõe de fato. É fazer igual ao Chavez, criando duas taxas de câmbio, uma subsidiada? É voltar à época do dólar oficial e do paralelo?
O PSDB sempre defendeu a entrada de capital externo para financiar o desenvolvimento, e fez um enorme abertura liberal neste sentido.
Aí a conta não fecha: quem vai enfiar dinheiro no Brasil com juros baixos e com perspectiva de levar um enorme prejuízo com desvalorização cambial? Por isso até Serra ficou irritado com as declarações de Sérgio Guerra.
Enfim, desejo de baixar juros e desvalorizar o câmbio, todos temos. Mas tem custos e efeitos colaterais, que se não forem bem pesados na balança, pode levar mais a perder do que a ganhar.
Em 1987 o governo de José Sarney realizou o sonho de consumo da esquerda: a moratória da dívida externa. Adiantou alguma coisa? Não, porque faltou todo um entorno de políticas de esquerda para tirar proveito da moratória e sair por cima.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 14:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Duarte,

Você tem razão. Com o receituário tradicional do PSDB, a conta não fecha, mesmo. Mas esse receituário é, se não me engano, o mesmo que o PT vem aplicando há oito anos. Só agora, bem recentemente, o ministro Mantega fez uma tímida sinalização em sentido contrário, com aquela taxa que só se dilui para capitais que vêm para ficar mais tempo. Há outras alternativas na praça. Que tal pensarmos em aprofundar mudanças nessa direção? Obrigar o capital externo, por exemplo, a amargar uma quarentena? Ir trocando taxas astronômicas de juros por perspectivas de lucro na exportação (cada vez mais restritas, no cenário atual). Não sou economista, mas quando leio o ex-ministro Delfim Neto descrever o sucateamento de nossas cadeias produtivas, sinto nos ossos que o Serra está mirando no lugar certo. Não adianta ter investimento governamental, se depois você não tem como colocar seu produto lá fora. Pode ter energia elétrica, estradas, portos e empréstimos subsidiados à vontade - se você não vender mais barato que os outros, seu produto encalha. Estou errado?

É uma briga? É claro que é. E feia. Exatamente a briga que tanto Lula quanto Fernando Henrique se recusaram a comprar. Serra vem dizendo há dez anos que o caminho é outro. Se ele me convencer de que não vai mexer nas políticas sociais, eu compro. É assim que estou vendo as coisas.

Abraço,

João Vergílio

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 19:10:00 BRST  
OpenID muitopelocontrario disse...

Demorou mas saiu finalmente uma nova coluna pra se guardar.

Achei que vc estava perdendo o jeito pra coisa...

Parabens.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 19:13:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

É assim mesmo, muitopelocontrario. Uns gostam de certas colunas, outros de outras. Valeu.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 19:43:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

João Vergílio
Eu acho que quem promete solução fácil só focando o papel do BC na taxa de juros está vendendo gato por lebre.
Quem vende os títulos da dívida pública é o BACEN, mas quem compra são os bancos (a maior parte privados). Se os bancos privados boicotarem a compra de títulos a juros baixos, a dívida não rola, e então tem que quitar ou decretar moratória.
Para baixar os juros à força tem que intervir nos bancos privados. E não vejo nenhuma proposta honesta a respeito da turma que critica o BC. Alguém que diga na bucha que vai estatizar uma parte maior do setor bancário (mesmo que não seja as empresas bancárias em si, mas pelo menos algumas operações dos bancos - o que pode levar à falência alguns deles). No passado, em 1986, o FGTS foi "estatizado", ou seja, centralizado na Caixa. Era uma das maiores fontes de lucros de alguns bancos privados: recolhia os depósitos do FGTS, pagava-se uma remuneração pífia, muito abaixo da inflação na época, e usava o dinheiro para emprestar a juros fabulosos.
A rigor o governo Lula está aumentando a participal estatal no setor bancário pelas bordas, quando torna o Banco do Brasil e Caixa Economica Federal agressivos no mercado, tomando fatias de mercado dos bancos privado. Mas é um caminho mais lento do que o que fizeram com o FGTS.
Pelo que os tucanos fizeram quando estavam no governo, não acredito que irão aumentar a participação do estado nas operações bancárias. Acredito que irão atrás da ortodoxia do déficit nominal zero.
O BC pode ter seguido, em parte, os mesmos fundamentos no governo do PT e do PSDB, mas a política econômica como um todo é bem diferente. No governo do PT, tanto tem foco nas exportações como no mercado interno, com programas de distribuição de renda (Salário Mínimo, INSS, PRONAF, e em menor escala o Bolsa Família e outra bolsas).
No próprio BC o governo tucano priorizou a emissão de títulos cambiais (com valor em dólar). O governo Lula resgatou estes títulos, diminuindo a vulnerabilidade. Além disso o governo Lula trocou dívida externa por interna, também reduzindo a vulnerabilidade a crises internacionais. E diminuiu a relação dívida/PIB.
A oferta de crédito popular também subiu muito, e o crédito consignado ajudou muito o mercado interno, além do retorno do financiamento habitacional em grande escala. No governo tucano até dinheiro da poupança carimbado para financiar habitação, foi liberado para aplicar na dívida pública.
Eu continuo confiando mais no governo petista, porque é compreensível que em 2003 não reunisse condições para impor uma intervenção nos bancos (o Brasil estava quebrado, e tinha assinado acordo com o FMI). Depois de 2006 para cá, é possível que desse para fazer alguma coisa mais ousada, mas por outro lado quebraria confiança, e poderia prejudicar as exportações, empregos e estabilidade econômica. Na crise de 2008/2009 os Bancos estatais interviram pesado na oferta de crédito e cresceram, tomando mercado dos bancos privados.
Quanto ao câmbio eu acho mais complicado ainda. Tem decisões que não são tomadas porque ao simular o resultado, vê-se que não adianta quase nada. É o caso da quarentena. Tenho certeza que a Fazenda já estudou isso, e viu que não afetaria em nada o fluxo de dólares. Primeiro porque o capital estrangeiro usualmente já fica um certo tempo aqui. Não é mais como na época do open market. Depois porque o sistema bancário internacional tem mecanismos para driblar isso.
Se você como pessoa física fizer uma aplicação que só pode resgatar em 60 dias, e precisar do dinheiro antes, o banco te empresta. O mesmo acontece no sistema financeiro internacional. Esse custo do empréstimo acaba sendo um motivo a mais para o investidor exigir um juros mais alto do país que prende o dinheiro em quarentena.
Outra coisa do câmbio flutuante, é que quando ele se valoriza muito, exporta-se menos, entram menos dólares, e a própria entrada menor faz o real desvalorizar de novo.
Eu não sou contra políticas mais ousadas, eu só quero que sejam honestas. Tenho trauma da moratória do Sarney até hoje.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 21:12:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Muito boa sua literatura, é isso aí, jornalismo é também literatura, e quando se consegue um gol desses, tem mais é que comemorar como um craque das letras. Valeu Alon não é sempre que se faz de bicicleta!

Ismar Curi

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 23:02:00 BRST  
Anonymous trovinho disse...

O presidente Lula viu muito voluntarismo, "bravatas", dar em águas de bacalhau, daí a Carta aos Brasileiros; já o PSDB está reproduzindo no plano do discurso aquilo que fez no administrativo: nhenhenhém.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 02:02:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Duarte,

Foi a exposição mais articulada e convincente de um ponto de vista contrário ao meu que já li até agora. Valeu!

Abraço,

João Vergílio

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 04:57:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Interessantes observações sobre as possíveis políticas econômicas do PSDB.Só que são suposições, pois nada foi dito sobre isso ainda por possíveis candidatos. Do lado situacionista, nem fazer suposições é possível ainda, exceto a mera continuidade. Quanto ao câmbio flutuante, o acúmulo de reservas pode indicar que o câmbio não é tão livre, pois, se o fosse, o fluxo seria zerado. Quanto aos programas sociais, não há a menor possibilidade de alguém sequer imaginar quaisquer aspectos de restrição aos mecanismos de transferência de renda. Tais menções não passam de velhas tentativas de disseminar o medo.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 08:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Duarte, o BC não vende títulos da dívida. Quem faz isso é a Fazenda. O BC só regula a moeda (compra e vende DÓLARES). Esse é só um dentre outros equívocos seus. Se você tivesse bagagem, você seria uma grande opção para um troca de idéias estimulantes.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 10:38:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Poxa, Anônimo (10:38hs)... Por que entrar de sola, desse jeito?
Olhe, eu sou leigo no assunto, e estou aprendendo bastante aqui, discutindo à vontade, como se estivesse numa mesa de bar. Aprendi com o que o Duarte falou, mas sinceramente não consegui avançar um milímetro a partir da sua observação. Tudo bem, a Fazenda é quem vende os títulos, e não o BC. Legal você ter feito a correção. Mas como é que você trataria a questão central que está sendo discutida aqui, ou seja, a viabilidade de se levar adiante um controle efetivo do câmbio? Para que agredir? Basta argumentar.

Abraço,

João Vergílio

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 13:17:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Além do que, os bancos estatais fazem parte do sistema financeiro, juntamente com os bancos privados. BB e Caixa, por exemplo, possuem uma forte atuação como bancos de varejo e os custos fixos são fatores de competitividade para eles também. Assim, não são em todas as modalidades que as suas taxas são menores que as dos bancos privados. Da mesma forma, efetuam análises de risco de crédito como qualquer outro banco e estão submetidos a regras quanto à alavancagem.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 14:05:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Vergílio, não quis agredir. Mas não deu para não desqualificar. Foi a partir do raciocínio da atuação do BC que o Duarte desenvolveu as posições dele. Os equívocos foram se seguindo em cascata. O câmbio é um problema. O BC regula a moeda (base monetária, inflação etc.) É como se ele controlasse uma torneira(entra/sai dólares) tendo como espelho o conjunto da economia. O Duarte está certo quando diz que existem prós e contras sobre o câmbio. Câmbio fixo tem mais contras. Sobre o Duarte, o que ele escreve "aparenta" coerência. Outra vez, não quero agredir. O que eu quis dizer é que se ele argumentasse com premissas verdadeiras talvez fosse imbatível nas conclusões.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 15:14:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Anônimo disse...
Eu não sou economista. Já trabalhei em banco privado, por isso conheço mais o lado de quem investe do que o lado governamental, do BC. Sou curioso na parte da economia que afeta a economia nacional. Não tenho bagagem mesmo para discutir detalhes técnicos a fundo. Vou cometer erros e imprecisões.
Mas a abordagem crítica da política econômica não muda se é o BC ou a Fazenda quem vende títulos.
O BC emite NBC (notas do Banco Central) com taxa selic, com fins de fazer política monetária.
Eu ainda não sei diferenciar (tenho uma idéia a respeito um tanto quanto vaga) o que é títulos emitidos para rolar dívida, e títulos para fazer política monetária (talvez sejam coisas como o swap cambial e outras operações do gênero).
Sei que, para os rentistas que compram não faz diferença. Estão atrás das taxas mais atrativas e de menor risco. E é o poder de cartel dos bancos privados no sistema financeiro nacional que tem capacidade de pressionar por juros altos. Reduza o poder dos bancos privados, que o governo terá maior autonomia sobre política de juros. Sem reduzir esse poder, não há presidente de BC que consiga fazer milagre.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 19:02:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Swamoro
Sim, o BB e CEF fazem parte do sistema financeiro, e atuam como bancos comerciais, disputando mercado com os outros. Mas não precisam atuar de forma cartelizada com os bancos privados.
A troca de presidente do BB no ano passado, se deu por causa disso. O antigo presidente estava defendendo atuação alinhada com os mesmos interesses da FEBRABAN (federação do bancos, sob controle dos bancos privados). O governo queria uma atuação diferenciada, com o BB competindo com taxas de juros mais baixas, e conquistando lucros na escala. Deu certo. O BB cresceu, deu mais lucro, já tem mais de 5000 agências e voltou a ser o maior banco brasileiro, ultrapassando o Itau+Unibanco.

A questão é que se o governo baixar muito a selic, um banco como a CEF e o BB não irá especular contra o governo para forçar a taxa a subir. Os bancos privados vão especular sempre que tiverem poder para isso. Por isso faz parte da solução recuperar o poder dos bancos públicos na intermediação financeira.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 19:18:00 BRST  

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