quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Nosso febeapá particular (07/01)

Qual é a maior dificuldade para implantar uma gestão supranacional da humanidade? Saber quem vai executá-la, quem vai tomar conta. O supranacionalismo é uma contradição em termos, pois precisaria ser imposto por alguém

Quando a crise mundial das finanças eclodiu, em setembro de 2008, alguns líderes políticos executaram a “fuga para a frente”. Viram uma bela oportunidade nas dificuldades econômicas trazidas pelo colapso do crédito. Ofereceram como soluções o aprofundamento do livre-comércio e uma regulação globalizada. Daí que Luiz Inácio Lula da Silva tenha sonhado com a reativação da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio e também com o G20 na função de agência reguladora planetária do mercado financeiro.

Os movimentos do presidente trouxeram prestígio internacional a ele e ao Brasil, e despertaram esperanças. Mas, como era previsível, deram em nada. E houve um repeteco na Conferência do Clima, recém-concluída em Copenhague. Desejou-se uma governança mundial que impusesse a cada nação o comportamento mais adequado para conter a emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Esse supranacionalismo também não colou na reunião da Dinamarca, frustrando quem projetava, quase cem anos depois, um novo “assalto ao Palácio de Inverno”. Agora com o verde a substituir o vermelho de praxe.

Por que os desejos multilateralistas acabam dando em frustração neste quase fim de década do novo século? Toda frustração surge de uma expectativa. Um dos corolários do “fim da História”, tese produzida nas ruínas do socialismo na Europa do Leste, era a obsolescência da questão nacional. Duas décadas depois, o mundo assiste ao fenômeno inverso: nunca desde a Segunda Guerra Mundial a política global foi tão explicitamente determinada pela soma vetorial dos interesses da cada país.

Até por não haver mais “sistemas organizadores”. Não há um “campo socialista”, muito menos um “movimento dos países não alinhados”. A última tentativa de criar algo veio de George W. Bush, com sua política de “expansão da liberdade”, comandada pelos Estados Unidos. Morreu quando os americanos decidiram que a brincadeira estava ficando muito cara e cobrando um excessivo custo em vidas. E eles voltaram à “guerra contra o terrorismo”.

Qual é a maior dificuldade para implantar uma gestão supranacional da humanidade? Saber quem vai executá-la, quem vai tomar conta. Os chineses disseram em Copenhague que não aceitam imposição externa de metas de emissão de carbono, nem monitoramento internacional nos assuntos ambientais deles. Defenderam ali também os interesses de outros, inclusive o nosso. Houve quem não gostasse. E daí? Vão fazer o quê? Deixar de exportar para a China? Promover um boicote aos produtos chineses? Improvável. Simplesmente falta quem coloque o guizo no pescoço do gato. O supranacionalismo é uma contradição em termos, pois precisaria ser imposto por alguém.

Agora é o câmbio. Cresce a pressão para que os chineses valorizem a moeda e abram mais seu mercado à competição. Tampouco é provável que role. Numa sociedade com muitas centenas de milhões ainda fora do mercado, não haveria como manter a estabilidade política sem crescer e gerar empregos aceleradamente. E isso só se consegue com indústria, muita indústria. E ela não combina com livre-comércio, como sabemos nós desde a Colônia.

Pode estar na hora de o resto do mundo aceitar essa realidade, ajustando-se a ela. Por que nós também não cuidamos do que é nosso, da nossa indústria que patina 10% abaixo do nível de antes da crise, dos empregos necessários para absorver os jovens saídos da escola? O que nos falta para deixarmos de ser um país que festeja um PIB de 0% no ano, porque “poderia ter sido pior”? Aliás, se um marciano descesse hoje no Brasil e assistisse ao festival forçado de otimismo na publicidade, oficial e não, acreditaria que a China é aqui.

Qual é o drama (ou a tragédia) dos Estados Unidos? Depender de poupança alheia para manter seu padrão de vida e seu poderio. Nós nos ufanamos de finalmente termos deixado de ser imitadores dos americanos, mas talvez estejamos insistindo em imitá-los no que têm de pior. E com um discurso livre-cambista e globalizante para dar cobertura. E tudo embalado num belo papel de presente “anti-imperialista”. Um febeapá de arrancar lágrimas de emoção do velho Stanislaw, que Deus o tenha.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quinta (07) no Correio Braziliense.

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20 Comentários:

Anonymous Prof. Marcos Vianna disse...

Concordo com o conteúdo do seu texto, Alon. Tenho apenas um acréscimo a fazer: precisamos, antes, de um líder que consiga colocar um freio no sistema bancário!

Vamos terminar a primeira década do século XXI e não aparece ninguém sem o rabo preso com o sistema bancário e com força para impor regras éticas ao negócio bancário?

A crise mundial foi criada pelos bancos e – ao contrário do que se podia esperar – os governos correram para salvar o sistema alegando ser um mal menor que a quebradeira geral que as atitudes corretas promoveriam. Não vi banqueiros serem, realmente, responsabilizados pelo papel podre que desempenharam na crise econômica.

A bolha de crédito com garantias podres estourou nos Estados Unidos, espirrou gotas ardidas nos olhos de todo o mundo, mas continua sendo inflada aqui no Brasil. E – acredite: mesmo sem ser ortodoxo – não consigo ver consistência na saída que encontraram para a crise.

Instamos as pessoas ao consumo como saída para a crise. Tudo bem!

Por quanto tempo ainda os bancos vão continuar emprestando o que não têm para quem não tem como pagar?

O dinheiro é, por princípio, um ativo virtual. Foi, aliás, o primeiro valor virtual criado pelo homem. Mas a bolha de endividamento que estamos assoprando e inflando, aqui no Brasil, não é nada virtual. E merece um lugar de destaque no FEBEAPÁ. Pena que faltam homens da têmpera do Stanislaw para oferecerem o destaque merecido a esta grande besteira que está nos assolando e só vai ser vista quando for jogada no ventilador!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 02:03:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

"Por que nós também não cuidamos do que é nosso, da nossa indústria ..."?

Porque o governo tucano privatizou e atrelou o valor da moeda ao livre mercado financeiro.

Nos setores privatizados é o mercado quem define quando e quanto cresce. É assim no setor siderúrgico, por isso o Brasil saiu da posição de exportador para virar importador em 2009, e por isso as pressões do governo (inclusive como acionista) sobre a Vale para investir no setor.

Há mais da metade dos domicílios brasileiros sem internet, e muito menos da metade sem banda larga, não por falta de demanda, mas porque a mão invisível do mercado privatizada não se interessa em investir em regiões e faixas de renda de menor rentabilidade. Pelo menos até ontem, antes da crise, uma multinacional de telecom preferia adquirir outra empresa pronta com uma clientela classe A ou B de outro país do que investir para suprir a classe C e D brasileira com tarifas mais baixas e lucratividade menor. Uma estatal faria isso aqui (a reativação da Telebras deverá fazer). Na China faz.

Setores onde não foi privatizado como a Petrobras vão bem, e fomentando toda a cadeia produtiva privada do Petróleo, como a indústria naval.

Os bancos estatais estão crescendo bem, e comendo pelas bordas o mercado financeiro, com maior presença estatal. Num regime capitalista como o brasileiro, desde que o padrão ouro de lastro das moedas acabou, quem faz o valor da moeda são os bancos (o chamado "mercado" financeiro), e a medida em que a presença estatal aumenta no setor, o governo Brasileiro ganha mais autonomia para controlar a moeda com independência do mercado.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 02:13:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

Ter crescimento zero não é nada ruim, Alon, quando o PIB da Rússia, no mesmo ano, cai 7,5%, e o das maiores economias européias cai entre 3,5% e 4%.

Além disso, o tal do 'crescimento zero' em 2009 é pouco representativo e por uma razão muito simples. Este 'crescimento zero' já é coisa do passado. É número velho, retratando uma realidade que não existe mais.

Segundo dados mais recentes, a economia brasileira está com um crescimento anualizado de 6,4%.

Assim, já estamos crescendo quase no mesmo ritmo do 3o. trimestre de 2008, antes de sentirmos os efeitos da crise global.

E o melhor é que saímos da crise sem recorrer ao FMI, sem aumentar juros, sem reduzir investimentos públicos, sem aumentar impostos, sem arrochar salários, que era a receita do governo FHC sempre que estourava uma crise numa Tailândia qualquer da vida.

E em vez de ficar 'chorando as pitangas' por causa da crise, Lula ainda conseguiu trazer as Olimpíadas de 2016 para o país, o que irá gerar negócios no valor total de R$ 100 Bilhões (3,3% do PIB) e mais algumas centenas de milhares de novos empregos.

Recentemente, quando o Presidente Lula visitou a Inglaterra, a Rainha Elizabeth II perguntou a ele o que o Brasil havia feito para superar os efeitos antes de quase todos os outros países.

É por essas e outras que o governo Lula tem 72% de ótimo/bom.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 10:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Se a alternativa econômica, levada à cabo no período 1995/2002, realmente não correspondesse aos objetivos de estabilizar e criar as condições necessárias à demarragem e à institucionalidade da responsabilidade fiscal, deveria ter sido extinta e substituída por outra proposta. A sua manutenção é prova de que outra alternativa não havia. Ou, se havia, foi achado por bem não implementá-la. Razões com certeza não devem ter faltado para tanto. No caso das telecomunicações, por exemplo, o oligopólio foi fortalecido com a junção Oi/BrT, ao memso tempo em que os órgãos reguladores, de uma economia que se concentra a cada dia, foram colocados em segundo plano. Se a rainha tivesse perguntado sobre tais aspectos, talvez ela ficasse surpresa com a resposta, ou com a falta de.

Swamoro Songhay

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 11:20:00 BRST  
Blogger pait disse...

Essa ideia de que "indústria ...não combina com livre-comércio" é logicamente inconsistente. Quer dizer que se país A e país B praticam o livre comércio, então a competição do país A acaba com a indústria do país B, e a competição do país B acaba com a indústria do país A? Não faz sentido, já sabemos desde Ricardo, digam o que disserem os heterodoxos.

E aproveitando, a estratégia do Lula para se defender da crise foi exatamente a mesma do Fhc: política macroeconômica ortodoxa, câmbio flutuante, e acúmulo de reservas para qualquer eventualidade ruim. Funcionou porque o Fhc entregou o governo com as contas mais ou menos em ordem, depois de ter assumido as finanças públicas na desorganização total que os economistas heterodoxos da ditadura e dos primeiros governos democráticos deixaram.

Vou ser sincero, Alon: em matéria de política o seu blog é o que há de melhor. Já em economia é mais ideológico do que científico. de qualquer modo é sempre instrutivo ler, um serviço para a nação!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 11:21:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Adendo ao comentário acima:
O governo tucano tornou o Brasil mais refém do mercado financeiro com a com a privatizção de grandes bancos estatais (como o Banespa, Benge, Banerj, Banestado e outros bancos estaduais), e com a redução da presença BB e CEF. Havia muita corrupção nos bancos estaduais, mas isso era assunto para a Polícia Federal (coisa que não foi feita). Em vez de colocar na cadeia e ir atrás do dinheiro de quem se beneficiou, venderam como se fosse uma queima de arquivos da corrupção, com o governo assumindo os passivos da "parte podre" dos bancos.
Não só privatizou como intercionalizou.
O governo Lula, aos poucos, recupera a autonomia de controlar a moeda à medida em que aumenta a participação estatal no mercado bancário.
Existe um estudo antigo do BNDES (não é deste governo) comparando a trajetória da Coreia do Sul e do Brasil dos anos 70 para cá. Há diversas semelhanças, e algumas diferenças que explica porque lá deu mais certo do que aqui: uma delas é que no início da década de 60 o general ditador de lá estatizou todos os bancos e decretou pena de morte para quem evadisse dinheiro para o exterior da escassa poupança interna. Só há poucos anos houve abertura ao setor privado de lá. Com isso, o governo da Coréia conseguiu direcionar toda a poupança interna para financiar o desenvolvimento industrial a juros baixos. Foi como se todo o sistema bancário coreano fosse um BNDES.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 11:36:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

"Se a alternativa econômica, levada à cabo no período 1995/2002, realmente não correspondesse aos objetivos de estabilizar e criar as condições necessárias à demarragem e à institucionalidade da responsabilidade fiscal, deveria ter sido extinta e substituída por outra proposta.".

Dizer que FHC praticou uma política de responsabilidade fiscal é piada. Seu mandato foi um desastre em termos fiscais, com um déficit público nominal médio anual de 6,1% do PIB entre 1995/1998. No segundo mandato a média anual foi de 5,1% do PIB. Em 2008 ele fechou em apenas 2% PIB. Somente no gov. Lula é que o déficit público nominal foi reduzido para níveis civilizados, portanto. A dívida pública, que passou de 30% para 51,3% do PIB no gov. FHC, também se reduziu no governo Lula e está em 43% do PIB hoje. Nunca houve responsabilidade fiscal alguma por parte do gov. FHC. Este discurso, em seu governo, era só conversa fiada para boi dormir, mesmo.

FHC procurou controlar a cotação do dólar, mesmo no segundo mandato, erro que Lula não cometeu. E FHC priorizou as relações comerciais com os países ricos, outro erro que Lula não cometeu.

E a maneira como os dois governos reagiram às crises internacionais também foi totalmente oposta:

FHC - aumento de impostos, de juros, redução de investimentos públicos, arrocho salarial, redução do crédito;

Lula - redução de juros e de impostos, aumento de investimentos públicos e dos salários, aumento da oferta de crédito pelos bancos públicos.

Não há o que comparar, portanto.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 14:24:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

"a estratégia do Lula para se defender da crise foi exatamente a mesma do Fhc". pait.

Não foi, não.

As políticas dos governos Lula e FHC para combater as crises internacionais foram totalmente opostas. Senão, vejamos:

FHC - aumento de impostos, de juros, redução de investimentos públicos, arrocho salarial, redução do crédito;

Lula - redução de juros e de impostos, aumento de investimentos públicos e dos salários, aumento da oferta de crédito pelos bancos públicos.

Não há o que comparar, portanto.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 14:27:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Relacionamento internacional, seja na economia, na tecnologia, nas transações comerciais é sempre necessário. Não pode-se ter fronteiras fechadas por temor de influências externas. Por exemplo, na exploração de petróleo, a Petrobras tem ações negociadas na Bolsa de NY, tem acordos com empresas multinacionais do setor, atua conjuntamente tanto em território brasileiro como em áreas no exterior, faz empréstimos em bancos estrangeiros, tem acionistas estrangeiros. E isso não a torna uma empresa menos brasileira. Pelo contrário, com a abertura deu um salto de qualidade, saindo do marasmo em que se encontrava quando o mercado de petróleo brasileiro era fechado. Tanto que era considerada um empresa inchada e ineficiente.
Swamoro Songhay

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 16:58:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A LRF - Lei de Responsabilidade Fiscal não é história para boi dormir. É, sim, histórica, pois marca a evolução da gestão econômica brasileira no sentido de garantir a estabilidade, uma vez que a inflação foi derrubada de patamares de 20% a.m., para atingir hoje índices ao redor de 4%a.a. Foi elaborada para institucionalizar regras de utilização de recursos públicos (PPA, LOA, LDO). Sem ela e os mecanismos de política macroeconômica sobejamente conhecidos e utilizados, não seria possível criar as condições para crescimento. Piadas eram os projetos enunciados para a gestão econômica em 1989, 1994, 1998 pelo candidato e hoje presidente. Em 2002, teve de reconhecer que a tão criticada estabilidade econômica era o melhor caminho. Negar que o arcabouço gerado e implementado no período 1995/2002, iniciado em 1994com o Plano Real, constitui-se na espinha dorsal da condução econômica, é no mínimo contrassenso.
Swamoro Songhay

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 11:48:00 BRST  
Blogger pait disse...

Marcos D,

Os impostos no Brasil cresceram de 29% da renda nacional em 1994 para 37% em 2008, com um presidente ou outro, e só caíram em 2009 por causa da crise.

As taxas de juros no Brasil têm caído depois do fim da hiperinflação, só dispararam no início do governo Lula.

O presidente não determina os salários no Brasil. Em Cuba e na Coreia do Norte sim, mas no Brasil quem barganha salário é o trabalhador com o empregador.

Os investimentos públicos no Brasil continuam pífios.

Sinceramente, você vive num universo paralelo onde as notícias da terra não chegam.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 12:19:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Pretendia contrapor algumas idéias suas, mas ao ler o comentário de Marcos D. de 07/01/2010 às 10h06min00s BRST percebi que quase tudo que eu queria dizer estava lá.
Repito por que penso que dois dizendo a mesma coisa talvez tenha mais repercussão.
Assim, crescimento zero é ruim, principalmente comparado com a China, mas comparado com o que ocorreu nos países democráticos o Brasil até que serve como exemplo a ser seguido.
Segundo o crescimento zero se refere a um passado longínquo. Reflete uma realidade que ocorreu no quarto trimestre de 2008. Na segunda quinzena de fevereiro, quando eu já possuía uma idéia de o quanto fora ruim o quarto trimestre de 2008 (O governo de Minas Gerais informou em 13 de fevereiro que a receita por competência do quarto trimestre de 2008 caíra mais de 15%) fiz previsões pessimistas de quanto seria a queda (E mesmo prevendo de forma pessimista, a queda do PIB no quarto trimestre se revelaria ainda maior quando da divulgação do PIB pelo IBGE em março de 2008). E na época eu lembrava que se devia ficar atento para as informações que seriam dadas em março de 2010 sobre o crescimento do PIB em 2009. Como eu imaginava que o crescimento seria retomado pelo mercado externo, uma vez que o dólar fora a 2,3 e seria uma retomada lenta, pensei que o IBGE iria informar uma queda do PIB da ordem de 2% em 2009. Ora, pela minha previsão, embora o crescimento fosse lento, pois puxado pelo mercado externo, haveria crescimento durante todo o ano de 2009. Só que inferior se comparado com o crescimento expressivo dos três primeiros trimestres de 2008, próximo de uma média anualizada de 6% ao ano. Como a queda do quarto trimestre de 2008 levou a economia para patamar próximo de janeiro de 2008 e o crescimento médio de 2009 deveria ficar na faixa de 3% quando comparado com o crescimento de 5,1% de 2008 se chegaria a conclusão que o PIB teria encolhido cerca de 2%.
Isso só não aconteceu porque o governo preferiu abrir mão do crescimento puxado pelo mercado externo e optou pelo crescimento puxado pelo mercado interno. O governo deveria ser criticado por isso, uma vez que esse tipo de crescimento acaba levando o país a crises no Balanço de Pagamentos. Eleitoralmente, entretanto, o governo está certo.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/01/2009

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 12:29:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Outro ponto em que você me parece equivocado é o seu apego em demasia a jargões propagandísticos e a motes eleitorais do governo brasileiro e de governos estrangeiros.
Você se refere, por exemplo, a política de "Expansão da liberdade" criada por George W. Bush. Houve sem dúvida um grande trabalho de propaganda do governo de George W. Bush para encobrir os verdadeiros motivos a nortear a política externa americana. George W. Bush foi eleito prometendo acabar com a política intervencionista do Presidente Clinton. O 11 de setembro o fez mudar de opinião. Uma mudança que foi propagandeada. É de se perguntar, entretanto, se a mudança foi pela razão apresentada: "por em prática uma política de "Expansão da liberdade""?
A meu ver, a invasão do Afeganistão tinha vários objetivos e todos eles dentro do interesse americano: destruir um poder nocivo e perigoso aos Estados Unidos e a outros países, tanto assim que contou com o apoio da ONU; por em atividade um exército com pouca operacionalidade (Serve até para utilizar armamento e munição com prazo de validade a vencer); mostrar-se para os americanos a capacidade de reação do governo diante de uma demonstração tão grande de fraqueza representada por estar vulnerável ao ataque de 11 de setembro. Não havia nesses motivos nada que pudesse ser chamado de "expansão da liberdade".
A reação favorável do povo americano, dando maioria no parlamento ao Partido Republicano nas eleições de 2002, embora se tratasse de um partido em franca decadência (A taxa de crescimento das regiões americanas onde há o eleitorado mais conservador é menor do que a taxa em regiões de eleitorado mais liberal) levou George W. Bush a assumir uma posição ainda mais intervencionista e belicosa.
Foi para ganhar a eleição em 2004 que George Bush invadiu o Iraque. Se ele imaginasse que a reação do povo americano seria de contrariedade com ele por estar invadindo um país mais fraco e votasse contra ele na eleição de 2004, ele não invadiria o Iraque. Que ainda hoje jornalista de qualidade como você ainda fale em política externa americana de "expansão da liberdade", como outros falam de intervenção com o objetivo de evitar a mudança de reservas de dólar para euro por parte de Saddan Hussein ou de intervenção com o objetivo de apropriar-se dos poços de petróleo iraquianos ou outra razão mais ou menos desarrazoada deixa-me estupefato.
Quanto aos jargões propagandísticos e a motes eleitorais do governo brasileiro eu não tenho nenhuma dúvida que essa é a única arma com que pode contar o governo brasileiro nos palcos internacionais. O importante é saber até que ponto ele se vinculou ao discurso.
No plano interno o discurso do governo tem outra direção. Continua, entretanto, sendo discurso e deve ser analisado como tal. Fazer a crítica ao governo com base nos discursos é desarrazoado, a menos que o discurso seja uma propaganda discriminatória, reacionária ou fascista o que não me parece ser o caso. Fazer a crítica do discurso com base nos resultados sem um claro entendimento dos dados do resultado fica parecendo mais um jornalismo apressado que pouco acrescenta ao leitor. Como isso não é do seu feitio, toma-se tudo apenas como um erro de julgamento. Erro que se repetiu por várias vezes aqui no seu blog sendo a última junto ao post “Lula na praia” de 06/01/2010 ao duvidar das estatísticas do Ministério do Trabalho sobre a geração de empregos em 2009 comparativamente com 2008 como se vê na nota “Até explicarem” no final do post.
Toma-se tudo, não. Concordo em muito com o seu post, retirando-se dele o parágrafo sobre o George W. Bush e os dois últimos parágrafos que o encerram.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/01/2009

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 13:31:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

Pait, vamos aos fatos, aos quais você insiste em ignorar:

1) O maior aumento de carga tributária da história do país ocorreu no governo FHC, quando a mesma cresceu 6,5 p.p. do PIB. Somente você que não ficou sabendo disso;

2) A maior taxa Selic da história foi no governo FHC, em Março de 1999, quando chegou a 45% ao ano. No governo Lula, a taxa máxima foi de 26,5% (para reduzir a inflação, que se acelerou fortemente no último trimestre de 2002), no início de 2003, muito distante dos 45% ao ano de Março de 1999. Basta fazer contas para constatar isso.

Hoje, a Selic está em 8,75% ao ano (4,3% em termos reais). É a menor taxa Selic da história, tanto em termos nominais, como em termos reais. Mas, você não ficou sabendo disso, também.

3) O Presidente brasileiro determina o valor do salário mínimo, que é pago ou serve de referência a 46 milhões de pessoas. Ele também determina o valor das aposentadorias do INSS (são cerca de 27 milhões de beneficiários) e dos salários do funcionalismo público federal (1.800.000 pessoas, incluindo aposentados).

Os salários e benefícios de todos estes grupos de trabalhadores se valorizaram muito acima da inflação no governo Lula (ex: o salário mínimo foi reajustado em 155%, contra uma inflação acumulada, entre 2003/2009, de 45%), contribuindo para ampliar o mercado consumidor interno, que foi o que salvou o Brasil de uma depressão econômica em 2009. Mas, você ignora tudo isso, é claro.

4) Não estamos em Cuba e nem na Coréia do Norte, e tampouco no Afeganistão ou no Iraque, e qualquer comparação com estes países é descabida. Isso é fruto de sua imaginação delirante.

E para os trabalhadores barganharem alguma coisa é preciso que estejam em posição de força, o que é impossível com uma elevada taxa de desemprego e com sindicatos fracos ou inexistentes.

No governo Lula, a taxa de desemprego caiu de 10,5% (Dezembro de 2002) para 7,4% (Novembro de 2009). O nível de emprego na indústria brasileira cresceu 19,1% (entre Dezembro de 2002 a Outubro de 2009). A queda do desemprego e o crescimento econômico durante o governo Lula, combinado com a existência de sindicatos fortes e organizados, é que permitiram que os trabalhadores passassem a ter condições de lutar por melhores salários.


5) Os investimentos do PAC somam mais de R$ 338 bilhões desde o início de 2007 até Outubro de 2009. E grande parte dos mesmos foram feitos com recursos públicos (via financiamentos do BNDES, CEF, BB, investimentos da Petrobras, etc). Entre as principais obras, temos usinas hidrelétricas, rodovias, refinarias, siderúrgicas, hidrovias, investimentos em Saneamento, Habitação, Pré-Sal, etc. É claro que você não sabe nada disso, não é mesmo?

6) Você vive num mundo de ilusão e fantasia, ignora todos os dados da realidade e ainda mentiu na cara-dura a respeito da taxa Selic.

sábado, 9 de janeiro de 2010 11:14:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

pait,

Para combater os efeitos da crise global, o governo Lula reduziu os impostos sobre automóveis, materiais de construção civil, eletrodomésticos da linha brana, motocicletas, entre outros.

Antes mesmo da crise, bens de capital, produtos de informática, negociação de imóveis, materiais de construção civil já tinham tido redução da carga de impostos.

A tabela de Imposto de Renda foi reajustada em 18% no primeiro mandato de Lula e está sendo reajustada, todos os anos, em 4,5% desde 2007 (no governo FHC isso ocorreu apenas uma vez, em 2002, e foi de apenas 17,5%, contra uma inflação acumulada de 100,5% em 8 anos).

Os juros foram reduzidos de 13,75% ao ano para 8,75% ao ano justamente a fim de se combater a crise. E eles eram de 25% ao ano quando terminou o governo FHC. Assim, a queda acumulada no governo Lula foi de 25% a.a. para 8,75% a.a.

O salário mínimo foi reajustado (tal como acontece desde 2003) acima da inflação tanto em 2009, como em 2010. Entre 2003/2010 ele já acumula um reajuste de 155%, passando de R$ 200 para R$ 510.

A oferta de crédito pelos bancos públicos (BB, BNDES, CEF) cresceu consideravelmente a fim de se combater os efeitos da crise global. Somente em 2009, o BNDES desembolsou R$ 126 Bilhões.

Portanto, não há como comparar o governo Lula com o de FHC.

Entre outras coisas, o governo FHC fez o seguinte:

1) privatizou bancos públicos e, em vários casos, os desnacionalizou;
2)aumentou fortemente a carga tributária, em 6,5 p.p. do PIB;
3)arrochou violentamente os salários do funcionalismo público federal, que ficaram 8 anos sem reajuste;
4)reduziu os investimentos públicos;
5)elevou os juros para até 45% a.a. (Março de 2009);
6) elevou violentamente a dívida pública (cresceu de 30% para 51,3% do PIB);
7)deixou um déficit público de 4% do PIB em 2002;
8)privatizou o setor de energia elétrica, provocando o primeiro e único racionamento de energia elétrica de alcance nacional em muitas décadas (isso gerou um prejuízo de R$ 45 bilhões para a economia brasileira);
9)reajustou a tabela do IR apenas uma vez (em 2002 e em 17,5%, contra uma inflação acumulada de 100,6% em 8 anos);
10)recorreu 3 vezes ao FMI (emprestando, no total, US$ 86,5 Bilhões);
11) a economia cresceu apenas 2,3% a.a. entre 1995/2002;
12) condecorou o ex-Ditador peruano Alberto Fujimori e apoiou o Golpe de Estado contra Hugo Chávez em Abril de 2002;
13) deixou uma inflação de 12,5% a.a. e uma taxa Selic de 25% a.a. em 2002.;
14) deixou uma taxa de desemprego de 10,5% em Dezembro de 2002;
15) criminalizou os movimentos sociais;
16) aprovou a reeleição em proveito próprio, dando um Golpe de Estado 'branco'.

sábado, 9 de janeiro de 2010 11:35:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

A Lei de Responsabilidade Fiscal não fazia parte do Plano Real. Este acabou com a crise de 1998/1999, quando o Brasil teve que recorrer, pela primeira vez no gov. FHC, ao FMI a fim de não ter que declarar moratória da dívida externa.

De fato, a LRF, o superávit primário, o câmbio flutuante, uma nova reforma previdenciária, a privatizãção do setor de energia elétrica (muito mal conduzida e que gerou o racionamento nacional por 11 meses) foram exigências do FMI para liberar o empréstimo de US$ 41,5 Bilhões acertado no final de 1998.

Os dados comprovam que o governo FHC foi irresponsável do ponto de vista fiscal. O déficit público médio anual foi 6,1% do PIB no primeiro mandato e de 5,1% do PIB no segundo mandato. A relação dívida/PIB, entre 1995/2002, passou de 30% para 51,3% do PIB.

Portanto, o discurso da responsabilidade fiscal, durante o governo FHC, foi só discurso, mesmo, pois na prática foi um desastre fiscal.

Para efeito de comparação, em 2008 o déficit público fechou em 2% do PIB. Em 2008, a dívida pública caiu para 36% do PIB.

Hoje, a dívida pública está em 43% do PIB (devido às medidas adotadas para combater os efeitos da crise global), mas com a volta do crescimento (em cerca de 6,5% em 2010) e a manutenção dos juros no patamar atual, a dívida pública cairá ainda mais em 2010, para um patamar em torno de 40% do PIB.

sábado, 9 de janeiro de 2010 12:05:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Conforme colocado, a Lei de Responsabilidade Fiscal marca a evolução da gestão econômica brasileira no sentido de garantir a estabilidade, uma vez que a inflação foi derrubada de patamares de 20% a.m., para atingir hoje índices ao redor de 4%a.a. Foi elaborada para institucionalizar regras de utilização de recursos públicos (PPA, LOA, LDO). A LRF foi promulgada em maio de 2000.
Swamoro Songhay

sábado, 9 de janeiro de 2010 15:06:00 BRST  
Blogger pait disse...

Marcos D., já que você me chamou de mentiroso, vou repetir. Os impostos no Brasil cresceram no governo tucano e no do Lula. As taxas de juros estão diminuindo, mas continuam altas. O salário mínimo afeta muito pouco os salários, que são negociados, mas afeta as aposentadorias. É verdade que os gastos com o funcionalismo estouraram no governo Lula. É para pagar esses gastos que o governo precisa aumentar os impostos e manter os juros altos. Por isso o Alon está certo em dizer que os governos foram parecidos. O fato é que o Brasil está melhorando apesar dos petistas, estatistas, chavistas, e outros istas. Se os varguistas estivessem no poder como os peronistas estão, o Brasil estaria parecido com a Argentina, em crise permanente.

sábado, 9 de janeiro de 2010 19:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (09/01/2010 às 15h06min00s BRST)
Considero válida a idéia de que FHC deixou para Lula uma herança maldita. A principal delas foi ter em 1998 uma inflação de quase 0% ao ano pelos índices da Fundação Getúlio Vargas e no último trimestre de 2002 uma inflação anualizada de mais de 50% com base nos dados do IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas.
Refiro-me, mais ainda, quando falo na herança maldita nos seguintes erros do governo:
Vejo como erro a ação do governo no Banco Central em adotar uma política de combate a inflação fundada no regime de metas da inflação. Salvo a Inglaterra, que optou por ter a libra à sombra do dólar americano para não se submeter aos ditames da Europa Continental dominada por Alemães e Franceses, não há país sério e grande no mundo que adote o Regime de Metas.
Vejo como erro a ação do governo no Banco Central em adotar uma política de câmbio flutuante e fluxo monetário liberado. Salvo países de moeda forte, ou pequenos países sem importância, não tem cabimento um país como o Brasil adotar câmbio flutuante e fluxo monetário liberado.
Vejo como erro a ação do governo em adotar uma política de superávit primário para pagamento da dívida pública. O pagamento da dívida pública poderia ser feito com mais inflação como os Estados Unidos fizeram para reduzir a dívida pública que ao final da Segunda Guerra Mundial alcançara mais de 100% do PIB e reduzira a cerca de 25% quando Paul Volcker assumiu o Banco Central dos Estados Unidos em agosto de 1979. E também como parece que ocorrerá daqui em diante como Alan Greenspan havia prognosticado no livro dele provavelmente para reduzir a dívida pública que sobe em percentual do PIB a passos largos.
Vejo como erro a ação do governo em adotar uma política de defesa do comércio exterior liberado, não fazendo a taxação de produtos primários e semi-elaborados destinados à exportação nem adotando barreiras às importações de produtos estrangeiros, nem subsidiando as nossas exportações, ao contrário censurando o subsídio americano e europeu. Sem subsídio, a agricultura européia acaba. Acabando, as melhores terras do mundo deixam de produzir alimentos e como conseqüência tem-se a fome. E é a fome apenas para atender o capricho de teoria econômica que só teria razão de existir na academia, pois a sua aplicação só leva a destruição e morte.
E vejo como erro a ação do governo restringir gastos públicos sob os auspícios da Lei de Responsabilidade Fiscal. Lei de Responsabilidade Fiscal que se pratica em pequenos países. Lei de Responsabilidade Fiscal que só faria sentido como uma lei que vá lá que sirva para o Distrito de Colúmbia, o Condado de Exeter, o Estado da Cidade do Vaticano, o Grão-Ducado do Luxemburgo, o Principado de Andorra, de Liechtenstein ou de Mônaco, a Cidade do Vaticano, a Comunidade das Bahamas, o Reino do Butão, a República Sereníssima de São Marinho, a República de Malta, a União dos Comores, e vá lá o Sultanato de Omã, mas jamais como uma lei a ser aplicada em um país das dimensões territoriais brasileiras com uma população de quase 200 milhões de habitantes. Aqui no Brasil aplicá-la é o supra sumo da ignorância. Aplicá-la no Brasil é demonstração de nosso atraso cultural, próprio de aculturados que se tomam por cosmopolitas.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/01/2010

domingo, 10 de janeiro de 2010 09:45:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (09/01/2010 às 15h06min00s BRST)
Como acréscimo eu poderia ainda relacionar outros problemas que foram deixados como herança maldita e que permanecem como políticas do governo e que de certa forma estão a serviço exatamente do contrário a tudo aquilo que Lula simboliza. Se bem que há muito dessa herança maldita que tem origem comum na USP onde PT e PSDB possuem um ponto de intercessão. Servem como exemplo a crença na superioridade do capitalismo pulverizado que acometeu os ex-comunistas convertidos a um capitalismo tardio e que foi aplicado na telecomunicações e a crença no modelo das agências de regulação copiado de modelos não muito ajustados à realidade brasileira.
A questão toda é saber se a capitulação voluntária do governo levou-o a adotou essa política a serviço exatamente do contrário a tudo aquilo que Lula simboliza ou a capitulação voluntária do governo resultou de o governo não ter alternativa a não ser manter uma política a serviço exatamente do contrário a tudo aquilo que Lula simboliza?
Não se pode esquecer que há algumas idéias no que Lula e o PT simbolizam que em minha opinião estão erradas e o PT faria bem em as rejeitar. A crença na superioridade do técnico sobre o política é uma delas e é dessa crença que vem um apoio do PT à Lei de Responsabilidade Fiscal e a legislação das Agências Reguladoras. Também fadada a desaparecer é a idéia antiga que a política brasileira está impregnada de corrupção em um nível superior ao internacional. E há uma crença que se deveria restringir aos padres do partido, qual seja, que a política é uma atividade com base na ética. Um tanto de desconhecimento teórico do processo democrático moderno e também como fruto de certa rejeição à atividade política representativa – esse antro da corrupção e do domínio dos poderosos – sedimentou no PT a crença na superioridade da democracia direta sobre a democracia representativa.
Quando Lula foi para o segundo turno com Collor, eu costumava argumentar com os meus colegas petistas que nada mais parecido do que o discurso de Collor com o de Lulla. O PT era contra os grandes marajás dos serviços públicos fruto do apadrinhamento político. O PT era contra os políticos tradicionais. O PT combatia a corrupção como uma prioridade nacional. A diferença que havia é que o PT acreditava no que dizia enquanto Collor não. Embora por ser contra o mentiroso eu preferia votar no PT (Em Lula) a votar no Collor, eu considerava a descrença do Collor nessas idéias como um dado da superioridade administrativa dele sobre Lula.
Vale ainda um acréscimo no meu comentário. Em relação à inflação mesmo que ficasse provado que a inflação em uma taxa de até 30 ou 40% é benéfica economicamente e o governo tivesse capacidade suficiente para implementar e administrar uma política de aumento da taxa de inflação e manutenção da taxa no ponto ótimo de equilíbrio, o governo de Lula não faria isso porque sabe que politicamente a inflação só traz prejuízo para o chefe de executivo da União e do outros entes federativos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/01/2010

domingo, 10 de janeiro de 2010 10:00:00 BRST  

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