quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Lula na praia (06/01)

O cidadão até entende quando o político erra. Insuportável para o súdito-eleitor é quando o poderoso perde qualquer traço de humanidade, quando se escancara que o líder só se preocupa com ele próprio

Se você imagina que é novo isto de o governante ficar exposto a uma câmera de big brother, pode tirar o cavalinho da chuva. No Palácio de Versailles existe um aposento com uma mesa comprida no canto, separada do resto do quarto por uma corda. A não ser que o guia turístico tenha inventado (guias gostam de inventar), Luís 14 fazia ali refeições observado pelos súditos. A corda era para impedir que estes chegassem perto do rei-sol.

O que leva alguém a querer ver o rei arrancando com os dentes pedaços de um frango que a autoridade imperial manipula com os dedos? O mesmo fenômeno que faz Luiz Inácio Lula da Silva colecionar uns pontinhos sempre quando, como nestes dias na praia, aparece com características humanas. Mesmo que a ocasião não seja a mais conveniente, diante das tragédias do ano-novo. Mas Lula tem gordura de popularidade para queimar...

No fundo, talvez nós súditos — hoje eleitores — desejemos mesmo saber se o chefe da tribo está bem, em condições de cumprir seu papel de guardião da coletividade. E se o cacique ainda dá um jeito de expor traços de humanidade, melhor: sendo humano, talvez se compadeça de nós.

O que as gentes querem do líder não tem mudado ao longo da história. Força, proteção, justiça, compaixão. Boa parte —talvez a maior parte— da força política de Lula reside aí. Em termos objetivos, o governo dele é perfeitamente criticável. Mas o presidente consegue combinar o conjunto daqueles vetores subjetivos, não exibe deficiência fatal em nenhum. Ao longo de sua trajetória, e nestes dois mandatos, Lula convenceu a maioria das pessoas de que está preocupado com elas, ocupado em cuidar delas, em zelar para que tenham uma vida melhor.

Vejam que esta coluna não é sobre fatos, mas sobre percepções. Na política, a percepção costuma ser fundamental. Outro dia comentei sobre algumas evidências de que no governo Fernando Henrique Cardoso houve avanços sociais mensuráveis. Na reação ao que escrevi, nenhum leitor questionou os números (até porque eles são oficiais): questionaram as intenções de quem —imagine só!— pode ousar dizer que Lula não foi em cinco séculos o primeiro governante brasileiro a olhar pelo pobre, para arrancá-lo da pobreza.

E o fenômeno tem aspectos curiosos. Itamar Franco deixou a Presidência em 1995 muito bem avaliado. Tinha liquidado a inflação. De lá para cá, nada fez para perder prestígio. Mas num ranking de confiabilidade divulgado dias atrás ele está no pelotão da retaguarda, junto com ex-presidentes que saíram mal do cargo. Por quê? É o efeito-contraste. Dizer que Itamar, FHC e José Sarney tiveram seus méritos para trazer o Brasil a um presente bacana poderia, quem sabe?, soar como reprovação a Lula.

Não que haja um “lulismo”. Simplesmente, a maioria enxerga Lula como um ativo seu e o protege. É ocioso, de um ângulo político-eleitoral, discutir o quanto pode haver de saudável ou patológico nessa relação, ou quanto a esfera material sustenta a percepção. Em política, pode mais quem chora menos. Esse é um bem de Lula e ele o cultiva, sem vacilação. Na sua área de responsabilidade, não deixa facilmente brechas para que os adversários o acusem de alheamento, elitismo, insensibilidade, pouca preocupação com a maioria.

O cidadão até entende quando o político erra. E perdoa, desde que não ultrapasse certos limites. Insuportável para o súdito-eleitor é quando o poderoso perde qualquer traço de humanidade, quando se escancara que o líder só se preocupa com ele próprio, com os benefícios que o cargo pode lhe prover. Ninguém é idiota de achar que os políticos pensam em primeiro lugar nas outras pessoas e não neles, mas a fórmula vitoriosa é a de Lula: sempre decidir em benefício próprio, mas dando invariavelmente a impressão de que decide em função do interesse geral.

E deixando claro, sempre, que mantém intactos seus traços de humanidade.

Até explicarem

Segundo o Ministério do Trabalho, o Brasil criou em 2009 algo como 1,1 milhão a mais de empregos do que eliminou. Recorde-se que ano passado o crescimento do PIB foi em torno de zero. Em 2008, o PIB cresceu 5% e a criação líquida de empregos, segundo o ministério, foi de 1,5 milhão.

Ou seja, de acordo com o MT tanto faz o Brasil crescer ou não, a ordem de grandeza do número de empregos criados é a mesma. É óbvio que há alguma inconsistência nos dados. Não é a primeira vez que exponho isso aqui. Se eu insistir um pouco mais, talvez alguém se disponha a explicar.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quarta (06) no Correio Braziliense.

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21 Comentários:

Anonymous Paulo Drummond disse...

Não, Alon, eu não quero alguém parecido comigo. Eu quero alguém muito melhor que eu, alguém em quem eu posso confiar, alguém que eu possa ter como exemplo, alguém que eu possa me orgulhar de ter como meu presidente, alguém que eu possa dizer respeitosamente que o admiro, alguém que eu entenda que suas ações não são contra o que penso como correto, moral e adequado ao meu país, alguém que eu possa dizer que tem mais ação sobre seus comandados imediatos, alguém que não finja ser o que não é, alguém que tenha hombridade, alguém que possa nivelar por cima... a lista é enorme. Esse alguém — definitivamente — não é o presidente que governa atualmente meu país.

Entretanto, concordo com a sutil comparação. O atual presidente tem uma certa pretensão a 'president-soleil', e tem feito declarações que se aproximam muito de "L'État, c'est moi." A diferença, pelo menos até agora, é que ainda não disse "Après moi le déluge..."

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 00:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Você encasquetou com a geração de empregos em 2008 comparada com a de 2009. Eu já tentei te explicar diversas vezes a razão. Você, entretanto, parece não levar a sério as minhas explicações. Provavelmente você me tem como um leigo que realmente sou em economia e não dá o valor ao que eu digo.
Ocorre que muito do conhecimento das Ciências Econômicas está relacionado com o que se apreende no estudo das retas no nosso antigo curso ginasial. Bem, se se fizer uma reta com a inclinação de 5,1% (Parece que foi esse o crescimento de 2008) que corte o eixo dos y em um ponto a uma distância arbitrária 100 do eixo dos x e a 365 dias contados no eixo do x marcar um ponto a uma distância 105,1 do eixo de x você tem a reta que demonstra o crescimento de 5,1% em 2008.
Não foi isso, entretanto, que ocorreu. Primeiro, porque a ser preciso o crescimento econômico deve ser desenhado usando de uma curva exponencial e não de uma reta. Segundo, porque, ainda que pudesse ser representado por uma reta, o PIB é mais bem caracterizado pela área existente sobre a curva. É como se fosse o somatório do PIB de cada dia. E terceiro porque ainda que o PIB pudesse ser representado por uma reta, para a representação do PIB em 2008 é preciso fazer um desenho com duas retas. Uma que tem uma inclinação que vai de 5,8 até quase 6,4 no terceiro trimestre com o pico em 30 de setembro (O pico pode ter sido antes ou pode ter sido depois, creio, entretanto, que o 30 de setembro é uma boa data) e outra que tem inclinação negativa a partir do dia 30 de setembro ou a partir do dia 1º de outubro indicando a queda do PIB em todo o quarto trimestre. Provavelmente ao fim do quarto trimestre, ou seja, em 31/12/2008 a reta estivesse mais ou menos à mesma distância do eixo dos x que ela se encontrava em 1º de janeiro de 2008. (Aqui a idéia do PIB como a área sob o PIB é necessária pois senão ficaria parecendo que o PIB não cresceu em 2008.
Se for essa a realidade, na verdade em 2008 nem deveria haver mais empregos que em 2007, pois todas as vagas novas abertas nos três primeiro trimestres de 2008 teriam sido perdidas no quarto trimestre.
Já em 2009 a partir de março que é normalmente o mês em que a economia se relança após as férias de janeiro e fevereiro só houve abertura de novas vagas.
O que se pode dizer é que a qualidade das vagas perdidas no quarto trimestre de 2008 era muito melhor do que a qualidade das vagas que foram abertas em 2009.
Nesse caso, não acho correto desconfiar das estatísticas do Ministério do Trabalho. Dados muito menos confiáveis foram os do trabalho que o Elio Gaspari mencionou no artigo dele de domingo e ao qual você fez referência.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 05/01/2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 00:54:00 BRST  
Blogger Ricardo disse...

Quanto aos números do CAGED, basta lembrar que eles não representam nada a não ser os empregos formais, que equivalem a cerca de metade dos empregos "de fato" do país. Só isso já explica em parte porque os números não batem.
Um exemplo: no pequeno comércio, só se contrata de fato alguém depois dos 3 meses de treinamento. Ou seja, parte do efeito CAGED só ocorre UM TRIMESTRE depois do fato gerador.
Outro exemplo: em ano de crescimento, é comum ver empregados de baixa remuneração toparem continuar trabalhando, mas como informal, para engordar a renda com salário-desemprego e um pequeno aumento no salário real (ou seja, aquele que não é desviado para o FGTS, para o FAT e outros viadutos de corrupção).
Ou seja, há vários motivos para se olhar muito mais o IBGE do que o tal CAGED. Quando o governo resolver realmente resolver de fato o problema de metade dos trabalhadores, quem sabe ele fica melhor.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 02:07:00 BRST  
OpenID muitopelocontrario disse...

ai, ai...

...o que será de vcs colunistas políticos qdo o Lula deixar o governo?

Certo dia o Kotscho propos UM DIA SEM LULA.

É impossivel né? Ate qdo o cara é fotografado de sunga azul com um canhao em uma lancha em alto mar ele está errado.

Esqueça o Lula. Vamos falar de outra coisa! Ups, nao tem jeito, nao dá "audiencia".

Fala serio...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 11:56:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

É simples de explicar: os empregos criados em 2009 foram aqueles perdidos no ultimo trimestre de 2008, por puro medo e exagero dos empresários, que acreditaram demais na crise da grande imprensa. Foi a mera recriação dos empregos perdidos. Fica fácil de entender se considerarmos que em 2009 a economia não cresceu, mas também não diminuiu. Então, no final de 2008 não precisaria ter havido tanto desemprego, já que a economia não diminuiria no ano seguinte, mas se manteria constante. Se não tivesse havido a crise, os empregos criados em 2008 seriam de mais de 2 a 2,5 milhões. Somando 1,5 milhão em 2008, mais 1 milhão em 2009, dá o total teórico de 2008 se não tivesse havido a crise real e a crise de confiança.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 12:08:00 BRST  
OpenID muitopelocontrario disse...

Alon,

É mais facil vc re-ocupar os velhos empregos do que criar novos (por exemplo, qdo uma montadora comete um erro craso derivado de um panico da midia e demite 1000 operarios, e posteriormente percebe que as vendas nao cairam por politicas anti-ciclicas tomadas pelo governo central, rapidamente liga para o sindicato e pede a lista de trabalhadores de volta) Nao precisa de treinamento, seleção nem nada disso. Os trabalhadores já são um "estoque" à disposição das empresas.

No caso de um crescimento sustentavel vc criar novos empregos nao é uma tarefa trivial. (exemplificando novamente, veja o caso da construção civil, continua sofrendo, por falta de mao-de-obra qualificada, dai os salarios sobem, pois os novos trabalhadores que chegam ao mercado nao sao qualificados). Isso demanda investimento em educação e tecnologia, mas principalmente tempo, o que no nosso caso particular é uma dos maiores desafios futuros ao nosso desenvolvimento economico dado a incapacidade das instituições atenderem tal demanda (ver coletanea sobre isso disponibilizada no IPEA).

É facil vc provar isso com os graficos, olhe a inclinação da curva de contratação no "pos-crise" anteriores e perceba que ela é mais inclinada, no caso do crescimento ela é bem menos, pq as empresas contratam numa "razao" menor.

Recebi minha senha do site de estatitiscas do MTE recentemente (vc tb pode pedir por email) e vou postar uma resposta mais elaborada no blog (qdo tempo tiver...rs...).

Abçs,
@fscosta

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 12:09:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Se fosse assim, como explicar a valorização da BOVESPA fechar 2009 com alta de 82,66%, com o crescimento do PIB zero?

Será que tem erro na metodologia do cálculo do índice BOVESPA também?

Basta analisar as planilhas do CAGED mês a mês para entender o emprego formal. Está tudo lá. Se não houvessem 656 mil demissões a mais em dez/2008 e 40 mil em nov/2008, o ano de 2008 teria fechado com 2,2 milhões de empregos gerados e não com 1,5 milhão.

Em janeiro/2009 foram fechados novamente mais de 100 mil postos de trabalho. Ou seja, no auge da crise, perderam-se mais de 800 mil empregos. Na retomada nada mais óbvio do que a recontratação.

O erro de metodologia é olhar média anual do crescimento do PIB, misturando dois períodos atípicos, um de crise aguda no início do ano e outro de retomada do crescimento no resto do ano. É como calcular a temperatura ambiente de uma casa pela média de um termômetro dentro da geladeira e outro dentro do fogão.

A popularidade do governo Lula se deve justamente a compreender essas nuances mês a mês, dia a dia. Deus nos livre de um governo que lesse esses dados pelo retrovisor e governasse o Brasil como se vivesse uma estagnação da economia devido à media anual passada.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 12:34:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

As explicações sobre os números aqui postadas pelos comentaristas não se sustentam. Os dados do PIB são comparações anuais. Os do Caged tb. Então deveriam estar em linha. O Alon tem razão, tem algo errado aí.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 12:37:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Vou meter o dedo. Colunista político tem como matéria prima... a política. É a agenda do momento. Cabe aos colunistas expor as contradições de cada um dos atores, se queremos ver o interesse público bem servido.
"Suspeito" que há comentaristas escalados por flamenguistas e fluminenses para patrulhar os blogs. Parece que em alguns escalaram bárbaros e em outros técnicos, de acordo com a natureza do blog.
Muitopelocontrário. a sua explicação técnica se sustenta. Sua contribuição nessa área pode ser útil. Minha opinião é que estão misturando as variáveis. O PIB é uma variável linear. O Emprego não. Quando se diz que em determinado mês criou-se tanto de empregos, é preciso verificar como se comportou a variável em cada dia. Quantos foram readmitidos, o que é de fato vaga nova, quantos conseguiram o primeiro emprego, a razão pessoas empregadas pela PEA. Como a variável emprego é mais complexa é possível apresentar valores de acordo com o ângulo que se quer, mas sem necessariamente mentir. Estou triste por terem desmacarado o Duarte. Eu me divertia muito com as explicações dele.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 13:10:00 BRST  
OpenID muitopelocontrario disse...

corrigindo :: "erro crasso" e "reocupar"

lembrete :: evitar ler e comentar em blog e sites no periodo da manhã. festinare docet, me disseram uma vez...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 14:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Anônimo (6)(06/01/10 às 12h37min00s BRST),
Faço um acréscimo ao meu comentário (2) de 06/01/10 às 00h54min00s BRST. Se por um desses desígnios inexplicáveis dos deuses a economia brasileira tivesse chegado ao ápice em 31/12/2007 e dai em diante, durante todo o ano de 2008, o PIB permanecesse sem crescimento (Supondo que durante um ano qualquer todos os dias fossem iguais para efeito do PIB, isso é, não houvesse sazonalidade, e assim se há crescimento tem-se uma reta (Uma curva exponencial) com dada inclinação e se não tem crescimento tem-se uma reta paralela ao eixo dos x), mesmo assim quando o IBGE fosse informar o PIB de 2008 haveria a surpreendente revelação que o PIB crescera mais de 2,5% (O crescimento de 2007 foi de 5,4 e o ponto médio de 5,4 é 2,7).
O que ocorre é que a informação sobre o PIB é dada comparando o PIB de um ano com o PIB do ano anterior. E essa comparação é feita como se tomasse um ponto médio no meio do ano anterior, que representaria o PIB do ano anterior, e se comparasse com um ponto médio no meio do ano seguinte, que representaria o PIB do ano seguinte.
Já dá agora para entender porque você e o Alon Feuerwerker estão errados em duvidar da estatística do Ministério do Trabalho. Para não perder o fio da meada vou contar o caso todo. No exemplo que eu dei em que a reta que representa o PIB não tivesse inclinação, e em que o crescimento do PIB teria sido de mais de 2,5%, a geração de empregos em 2008 a menos para substituição de aposentados e semelhantes teria sido nula. Nula também seria se em 2008 tivéssemos outra forma de crescimento. Suponhamos que se tivesse tido até 30 de junho de 2008 um crescimento bem mais acelerado e que a partir de 1º de julho a economia voltasse a cair no mesmo ritmo da subida e se chegasse em 31/12/2008 na mesma situação do início do ano que fora igual ao último dia de 2007. E suponhamos que quando o IBGE fosse comparar o PIB produzido durante todo o ano de 2008 com o de 2007 informasse que houve o crescimento que foi apontado em 2008, isto é, 5,1%. Isso significa que o ponto médio de 2008 que representa o PIB estaria 5,1% mais alto que o ponto médio que representaria o PIB de 2007. O que se pode dizer sobre a geração de empregos é que todo o emprego gerado no primeiro semestre foi perdido no segundo, a menos da necessidade de substituição de aposentados e semelhantes.
Como eu já falei antes, isso é matéria do antigo curso ginasial (atual sexta a nona série do curso fundamental) que eu fiz na década de 60. E neste comentário não acrescentei nada de novo. Repeti o que eu disse e o que o F S Costa (do site Muito pelo Contrário) disse nos dois comentários que ele enviou. Sem presunção, pois sei o quanto sou prolixo, difuso e confuso, mas penso que só a teimosia explicaria a falta de entendimento. De todo modo não me furtaria a uma explicação complementar se se fizer necessário (E eu creio que com essa oferta vocês não vão mais querer se passar por desentendidos)
Clever Mendes de Oliveira
BH, 06/01/2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 15:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Eita,

as férias políticas está fazendo vítimas. O texto demonstra a total falta de assunto que o mês de Janeiro proporciona.
Alon, para você, que é jornalista, deve ser difícil atravessar este período.

Daniel Menezes - Natal/RN

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 17:39:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Nome: Julio Santa Cruz - 6/1/2010 - 19:18
Somente leio do tal "Alon" o que cai aqui. Então, não vou lá pra responder a ele:

"E o fenômeno tem aspectos curiosos. Itamar Franco deixou a Presidência em 1995 muito bem avaliado. Tinha liquidado a inflação. De lá para cá, nada fez para perder prestígio."

Alon disse tudo neste parágrafo... e omitiu tudo!

Disse tudo: Itamar era o vice de quem se desconfiava. Fez um governo decente e "LIQUIDOU A INFLAÇÃO"!
Se ele nada fez para perder prestígio, quem fez?
Resposta simples e clara: FHC roubou de Itamar seu maior feito como presidente: O HOMEM QUE ENFRENTOU A INFLAÇÃO! Não foi FHC, foi Itamar, mas o governo e a imprensa endeusaram FHC como "pai do Real", ocultou suas mais terríveis perfídias. A imprensa calou-se ante os muitos escândalos; a autopromoção de FHC fazia com que Itamar fosse esquecido ou relegado a um papel menor na história!
O resultado é o que um infeliz aqui sempre repete: "Digite Plano Real no Google... e aparece FHC"

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 19:31:00 BRST  
Anonymous JV disse...

Alon, pode ser um fenômeno psicológiuco relacionado à expectativa. Metade do país antes das eleições esperava que Lula fizesse burradas tremendas. Como ele não as fez, até manteve a nau no prumo graças ao Meireles, a sensação de alívio permite aos antigos opositores "relaxarem".

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 23:33:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

São comentários que podem até ter sua lógica. Porém, com todo respeito, muitas vezes pecam. Por exemplo, na abordagem do Plano Real. FHC foi, como Ministro da Fazenda, o organizador da equipe que elaborou e implementou o Plano Real. Com apoio político do Presidente Itamar, aspecto que nunca deixou de ressaltar. Contudo, como, logicamente, não podem mais desancar o Real e seus efeitos sobre a economia e a institucionalidade decorrente, por razões óbvias, tentam lograr desmerecer FHC. E para isso, elogiam Itamar, na época tão atacado quanto FHC. Prestes a completar 8 anos de governo, era de se esperar que se tivesse algo melhor a apresentar como resultado do período 2003/2010.

Swamoro Songhay

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 10:54:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay,
É preciso também trazer um pouco de dados para esta discussão. Se se levantar a inflação anualizada dos três últimos meses do governo Itamar Franco e compará-la com a inflação anualizada dos três últimos meses do governo de FHC e depois com a provável inflação anualizada dos três últimos meses do governo Lula não se verá muita diferença do valor de um ou de outro. Nesse tópico de inflação, é claro.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/01/2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 11:03:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro Songhay (07/01/2010 às 10h54min00s BRST)
Ainda sobre o seu comentário, uma análise mais exaustiva (Outros incluindo até mesmo a mim dirão mais prolixa, difusa e confusa) sobre o Plano Real em comentários recentes que fiz pode ser vista, aqui no Blog do Alon, junto ao post "À espera de um carinho" de 12/12/2009.
É análise de leigo em economia e com o viés de esquerda, mas é análise de quem procura acompanhar a economia brasileira e mundial desde a década de 60, principalmente pela leitura do relatório anual do Banco Central do Brasil.
Penso que você está correto quando diz:
"FHC foi, como Ministro da Fazenda, o organizador da equipe que elaborou e implementou o Plano Real. Com apoio político do Presidente Itamar, aspecto que nunca deixou de ressaltar."
A questão toda é sobre quão grande seria esse mérito? E se levasse em conta nessa avaliação, onde mais no mundo não houve mérito parecido e onde mais no mundo os custos foram maiores (Ao fim e ao cabo da empreitada se chegasse a uma dívida pública maior, crescimento econômico menor e estrangulamentos externos mais freqüentes)?
É claro que o esquerdista imparcial (embora não me pareça que haja ser humano imparcial) não poderá deixar de reconhecer que se chegar, 16 anos depois da implantação do Plano Real, a uma disputa entre José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva é algo inacreditavelmente meritório.
Por outro lado até em relação a esse último mérito eu faço as minhas restrições. Para mim, para se chegar a essa disputa tem sido necessário, de certa modo, suspender um pouco a prática eleitoral normal. Não há, em meu entendimento, nenhuma lógica em se fazer uma disputa em qualquer lugar do mundo em que a direita não se faça representar abocanhando o que é dela de direito: cerca de 30% do eleitorado.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/01/2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 11:39:00 BRST  
OpenID muitopelocontrario disse...

@estadao Fotojornalistas são detidos pela Marinha após tirarem fotos de Lula: http://migre.me/fTjO

Vai rolar um pedido de desculpas? Não né? Jornalistas não erram.

O Lula gosta tanto de um holofote que carregou a caixa de cerveja na cabeça (como todo brasileiro que nao bebe vinho na praia) só pra ser fotografado e sair no Estadao.

Alias com aquela resolução que foi publicado, desde o principio estava claro, q ou estavam longe de mais e ai foi ampliado (e ai a sua "tese" vai pro espaço) ou os jornalistas fotograficos estao ruins de equipamento, tipo usando uma canon de 3.2 megapixel a 100 metros de distancia.

O Lula tá ferias, quer tomar uma cerva e ficar na praia sem ler jornal. Quem nao consegue ficar longe dele são vcs...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 13:02:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Vc leu esse trecho do que o Alon escreveu? "Mesmo que a ocasião não seja a mais conveniente, diante das tragédias do ano-novo. Mas Lula tem gordura de popularidade para queimar..." Está na cara que o Lula resolveu dar um basta porque tinha atingido o objetivo e a exposição em excesso poderia ser vista como exibicionismo numa hora imprópria, por causa das tragédias do Rio. O Alon erra bastante, mas neste caso estava certo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 16:51:00 BRST  
OpenID muitopelocontrario disse...

Bom eu li, e essa parte é a parte que demonstra o tamanho do erro do artigo. Mas nao espero que deem o braço a torcer. Veja a resolução das fotos publicadas, se fosse essa a intenção a segurança do Presidente nao precisaria tentar afasta-los tanto. Eles fotografaram de muito longe.

Mas eu já esperava essa reaçao.

O cara esta de ferias, quer paz, ficar livre da politica, por miseros 10 dias. Quem nao consegue ficar longe dele são vcs, jornalistas e colunistas. Aceitem isso.

domingo, 10 de janeiro de 2010 18:00:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Algumas palavras de Lula especialmente para você, caro muitopelocontrario:

- Não houve renúncia para mim. Estava de férias carregando isopor quando vi isso. Presidente não trabalha com ilações, só com fatos concretos. A única coisa que chegou era a divergência entre os dois ministros. E isso foi resolvido. (do @blogdonoblat)

Isso disse Lula. Viu a parte da caixa de isopor, meu caro? Penso então que sua dúvida está sanada.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 00:19:00 BRST  

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