segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Getúlio vive (04/01)

Nem FHC nem Lula fizeram pelos direitos trabalhistas algo comparável a Getúlio Vargas. O aporte de ambos à industrialização nem chega perto do de Juscelino Kubitschek. Ninguém faz sombra à contribuição do marechal Castelo Branco para a reforma agrária

Elio Gaspari publicou ontem na coluna dele na Folha de S. Paulo os resultados de um estudo sobre a evolução de certos indicadores de políticas públicas voltadas para a inclusão social. Entre 1996 e 2008, os domicílios pobres com água encanada passaram de 48,5% para 68,3%. O acesso à rede de esgoto foi de 32,3% para 52,4%. Na luz elétrica, foi-se de 79,9% para 96,2%. Telefones fixos em domicílios pobres foram de 5,1% para 64,8%. Geladeiras, de 46,9% para 80,1%.

Se os números compilados pelo professor Claudio Salm a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios estiverem certos, são inquestionáveis. Foram anos de progresso social relevante. O Brasil está de parabéns, ainda que seja preciso avançar mais. Mas o pesquisador quis saber também quanto da evolução aconteceu sob Fernando Henrique Cardoso e quanto sob Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado, relatado por Gaspari, foi o esperado: quantitativamente, houve avanços semelhantes nos dois. Um pouco mais para FHC em alguns quesitos, um pouco mais para Lula em outros. E só.

A coluna de Gaspari discorre a partir daí sobre o descolamento entre a realidade e o discurso de que, ao contrário de Lula, FHC governou “só para os ricos”. Eu vou pegar uma carona nos números e no trabalho do colega para entrar em outra seara: tão aborrecido quanto suportar petistas falando mal de tucanos e vice-versa é aguentar ambos falando mal dos demais. Os números estão aí: antes de FHC, metade das casas pobres já tinham água encanada e geladeira, um terço já possuíam esgoto, quatro em cada cinco tinham luz elétrica.

Claro que mais combativo é descrever quantos domicílios pobres estavam antes de 1996 desprovidos desses confortos básicos da civilização. Assim como é possível reclamar que mesmo depois de treze anos de poder tucano e petista ainda faltava água encanada em uma de cada quatro casas de pobre, faltava esgoto em metade delas, nem todas tinham luz elétrica, uma em cada cinco persistiam sem geladeira neste país tropical e quase quatro em cada dez viviam sem telefone fixo (aqui, é possível que o celular pré-pago tenha resolvido).

Uma coisa são os números, outra é a leitura política. Cada um faz a sua. Eu vou fazer a minha. Os dados da pesquisa são úteis porque comprovam que o Brasil moderno, mais civilizado, mais justo, não é obra exclusiva dos últimos sete anos, nem dos últimos quinze.

Nem FHC nem Lula fizeram pelos direitos trabalhistas algo comparável a Getúlio Vargas. O aporte de ambos à industrialização não chega perto do de Juscelino Kubitschek. Ninguém, nem antes nem depois, fez sombra à contribuição do marechal Castelo Branco para a reforma agrária. E devemos ao general Ernesto Geisel a sorte de não termos virado uma Argentina, onde o liberalismo extremado conduziu à desindustrialização.

O PT nasceu no começo dos anos 80 do século passado. O PSDB, no fim daquela década. Quem hoje vê o conflito permanente dos dois nem imagina como eram parecidos no nascedouro. Foram sócios no “antipopulismo”, na crítica do nacionalismo, na defesa de que era necessária uma ruptura radical com o varguismo. Inclusive com o maior legado social de Getúlio, a Consolidação das Leis do Trabalho (a CLT). Na cultura, eram cosmopolitas, irmanavam-se na rejeição do “nacional-popular”. Uns talvez por torcerem o nariz ao “nacional”, outros talvez por duvidarem de que na periferia do sistema uma coisa (o popular) não anda sem a outra (o nacional).

Mas são só divagações. Que tucanos e petistas continuem sua rixa, o que vai acontecer até aparecer alguém capaz de desafiar esse duopólio da política brasileira. Aí ambos voltarão à velha amizade. Para quem olha (até certo ponto) de fora vale mais notar, como mostram os números, que o Brasil está cada vez melhor e mais justo. E vale comemorar que uns e outros, petistas e tucanos, corram hoje para se apropriar das teses desenvolvimentistas, nacionalistas e populares a que torciam o nariz lá atrás.

É reconfortante notar como os candidatos favoritos à cadeira de Lula, enquanto afiam a faca para brigar entre si, preparam cada um o discurso de ser o mais capaz de alavancar o investimento público. É bom ver como fogem da simples hipótese de revogar direitos sociais e trabalhistas.

Maior homenagem ao velho Getúlio, impossível.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta segunda (04) no Correio Braziliense.

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16 Comentários:

Blogger pait disse...

Certíssima a constatação de que PT e Psdb são mais parecidos que diferentes. Mas é questionável a afirmação de que "o liberalismo extremado conduziu à desindustrialização" (da Argentina durante a ditadura). De qualquer jeito o maior mérito dos nossos ditadores em oposição aos argentinos foi terem permitido o caminho para a democratização sem maiores guerras e combates,

domingo, 3 de janeiro de 2010 23:37:00 BRST  
Anonymous Lucas Jerzy Portela disse...

e eu acrescento:

- ninguem chegou perto de D. Pedro II enquanto formação de massa intelectual, e intelectuais de ponta. Inclusive na ciencia experimental e biologia aplicada;

- ninguem chegou perto do Gal. Geisel em termos de planejamento estrategico nacional de longo prazo, de fato aplicado e realizado em parte.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 01:04:00 BRST  
Blogger Lumaca disse...

Prezado Alon :

Tanto seu comentario quanto o artigo não contribuiram com nada.

Todos nós sabemos disso sem fazer nenhuma pesquisa mais elaborada.

um abraço

Luis Mariano

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 01:15:00 BRST  
Blogger Ricardo disse...

Mas é igualmente fato que o liberalismo seletivo de Lula está levando à desindustrialização do Brasil e à nova formação de oligopólios nas principais indústrias nacionais. De certa forma, o tal legado de Geisel e JK está sendo jogado rapidamente para o ralo em troca de um país exportador de commodities.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 02:28:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

É forçar demais querer nivelar PT e PSDB.
O PT não privatizou nada. O PSDB privatizou a Vale (e 13 subsidiárias), Telebras incluindo a Embratel. Da Vale dispensa comentários sobre o quanto foi mau negócio para a nação. Da Telebras estava sem monopólio, aberta à concorrência. Não precisava mais privatizar em 1998, bastava que concorrentes entrassem no mercado. A base instalada de telefones fixos já havia voltado a crescer 14% ao ano pela própria Telebrás, e investia com receitas próprias das tarifas realinhadas. A aquisição de uma linha já havia caído a R$ 300 com tendência a diminuir o valor com o aumento das outras tarifas. Foi vendida por um valor menor do que o que foi investido no próprio governo FHC, na preparação para privatizá-la. O dinheiro à vista recebido pela união foi apenas o dobro do lucro de 1997. O saldo, os investidores tiveram prazo para pagar. E entre os compradores entraram os fundos de pensão e o BNDES. Seria melhor negócio para o consumidor brasileiro, para empregos, e para o desenvolvimento economico induzir teles estrangeiras a entrarem como concorrentes do que deixarem-nas comprar a situação de monopólio da Telebrás, sem fomentar o surgimento de uma rede concorrente.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 03:31:00 BRST  
Blogger CrápulaMor disse...

Caro Alon, como vai?

Acho preocupante este tipo de discurso. A preço de hoje, qualquer embate entre o período do PT e o período do PSDB dará vitória ao primeiro. Por isso, o Presidente e o Governo mobilizam-se para promover um plebiscito nas eleições deste ano. É, realmente, muito provável a vitória da candidatura que representa a continuidade da gestão atual. O próprio PSDB não tem interesse em apregoar que seu período na presidência foi superior. Não. As lideranças tucanas, afora rompantes, engajam-se em demonstrar que o Governo FHC foi importante para o país – tanto quanto – o de Lula. É o que podem fazer, diante do que representam as gestões petista e tucana, para a população. Logo, qualquer interpretação de que estes governos aproximam-se é o mais eficiente marketing que pode ser dispensado aos tucanos. E aí eu posso retomar aquela conversa de predominância, nos principais veículos, de enquadramentos menos favoráveis ao PT / Governo e mais favoráveis ao PSDB. Não estou falando especificamente da coluna do Helio Gaspari, a quem eu respeito e admiro, nem da sua, cujo trabalho eu acompanho diariamente. Mas, constata-se este viés com freqüência na cobertura jornalística de maior visibilidade.

Alon, não é à toa que a população concede à gestão petista avaliação muito superior. Claro que o Hélio Gaspari tem razão quando diz que, em vários itens, houve avanços com os dois Governos. Mas, o conjunto de conquistas do período Lula é muito mais robusto. Não há juízo mais acurado que o da população, e esta é muito clara na sua sentença. A ascensão social foi mais intensa durante os mandatos de Lula, dezenas de milhões de brasileiros foram resgatados da miséria e da pobreza, com maior velocidade, segundo IBGE, IPEA, FGV, e até Datafolha! A transferência direta de renda foi brutalmente expandida pelo Lula, mas o mesmo aconteceu com Programas que estimulam a produção, o trabalho, o empreendedorismo, como Pronaf e Conab. Considere ainda o fortalecimento do Banco do Nordeste, das Cooperativas, do crédito consignado etc. Alon, não pode haver dúvida de que estão entre os principais parâmetros para aferir o desempenho econômico-social de um país: PIB, taxa de criação de empregos e reservas cambiais. Porque os dados que comparam PT e PSDB, nestes índices, não estão presentes na coluna do Hélio?! Ou no debate político que é feito nos principais veículos de comunicação?!

Peço especial atenção para este gráfico, do PNAD, Publicado pelo UOL, sobre a Renda Média dos brasileiros: http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/09/18/ult4294u1664.jhtm O gráfico é eloqüente: o rendimento dos brasileiros declina até 2003, sobe a partir de 2004. Infelizmente, só achei o gráfico que vai até 2007. A manchete, claro, destaca que a renda média sobe, mas ainda é inferior a de 10 anos atrás. Típico. Hoje, é possível que tenha superado. As análises mais comuns pregam que Lula é popular por “carisma”, capacidade de comunicação, habilidade retórica etc. A população atribui ao Governo esta avaliação – tão discrepante da avaliação de FHC – porque tem percebido ganhos concretos, robustos e contínuos, nos últimos anos. Foi isso que definiu a reeleição de Lula. É isso que vai definir a eleição de Dilma. Não se pode ignorar os avanços proporcionados por Fernando Henrique e Cia, mas o Governo Lula foi melhor. Deixar elas por elas, tudo quite, “nem um nem outro, os dois”, é prestar serviço para o PSDB - que nem cogita antagonizar com o Governo Lula, mas propõe “olhar pro futuro”, aprofundando os avanços, com correções muito localizadas, e olhe lá.

Abraços

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 08:44:00 BRST  
Blogger Pedro disse...

Então, Lucas, a volta seria ao regime ditatorial ou monárquico? É de arrepiar os cabelinhos do cangote.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 09:00:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Houve desindustrialização no governo FHC, com populismo cambial que quebrou o Brasil em 1999, e com compras governamentais feitas no exterior, como as plataformas de petróleo e frota de navios que quase colocou uma pá de cal na indústria naval brasileira.

O governo Lula fez política industrial, trazendo encomendas da Petrobras para o Brasil, reativando a indústria naval, gerando empregos qualificados e tecnologia nacional no setor.

O marco regulatório do pré-sal é pura política industrial, visando mais o desenvolvimento de tecnologia da indústria do Petróleo no Brasil do que a própria exportação do Petróleo.

A ampliação do parque de refinarias, dos complexos petroquímicos, como o de Duque de Caxias no RJ, da indústria de biocombustíveis e seu maquinário, da indústria de fertilizantes, a pressão sobre a diretoria da Vale para investir em siderurgia e encomendar navios no Brasil, também são exemplares.

Além disso a redução das tarifas de IPI tem servido para fomentar setores como automobilístico, eletro-eletrônico, informática, construção civil (que envolve indústrias de tintas, vidros, cimento, blocos, telhas, olarias, ferro e alumínio, etc), de móveis e outros geradores de empregos.

Ainda há o fomento da indústria de microeletrônica, como a transformação da CEITEC, no RS em empresa para produção de chips para uso comercial.

Até no setor bancário houve uma inflexão. No governo FHC houve desestatização e desnacionalização. No governo Lula a participação no mercado do BB e da CEF aumentou agressivamente, e disputando mercado com juros mais baixos e oferta mais agressiva de crédito.

O PSDB deve declarar-se arrependido do que fez, ou vá lá querer comparar os resultados do neoliberalismo praticado quando esteve no governo, mas assumindo o que fez e como fez, com seus ônus e bônus. Querer dizer que fez o mesmo que o governo Lula para faturar votos, faz parte do jogo, mas é negar a história e a política com "P" maiúsculo, aquela que confronta teses.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 12:16:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Peraí gente, e o ano de 2010 já entrou nessa conta, ou noves fora nada?
Ismar Curi

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 15:51:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Isso é campanha da Dilma. Quem é a maior getulista desta eleição? É a Dilma. Você não me engana.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 16:32:00 BRST  
Anonymous SERGIO OLIVEIRA disse...

Fala-se muito na popularidade do Lula, muitas vezes comparando-o com Getúlio Vargas.
Mas qual foi o grande feito do Lula para os mais pobres ? O Bolsa Família: junção do Bolsa-Escola, Vale Gás e outros penduricalhos criado por FHC, com uma pequena alteração nos valores. E para se ter direito ao Bolsa Família não é necessário que se trabalhe. Tudo bem.
E Getúlio Vargas ? Criou o Salário Mínimo,a Carteira Profissional, a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, a Justiça do Trabalho, a Previdência Social nos moldes hoje existentes ( antes havia apenas a Lei Eloi Chaves; ele criou vário Institutos de Aposentadoria que, hoje, formam o INSS ), só para ficar nestes cinco itens. Tudo ligado ao trabalho, ou seja, diferentemente do Bolsa Família, estas ações de Getúlio tinham por meta a dignidade das pessoas através do trabalho e perduram até hoje.
Bem, mas o Lula é o mais popular presidente que o Brasil já teve: 72 % de aprovação. Com a mídia existente hoje é fácil. Já imaginaram Getúlio nos dias de hoje, com todas as suas ações, feitas nas décadas de 30,50, com toda esta mídia ? Teria uma aprovação de mais de 300%. Claro que estou forçando, para demonstrar que Getúlio fez muito mais do que Lula pelo povo brasileiro. Não podemos esquecer de João Goulart que sancionou em 1963 as Leis originadas de dois projetos do então Deputado Federal gaúcho Floriceno Paixão, um em co-autoria, que criaram o 13ª salário para os trabalhadores da ativa e para os aposentados e pensionistas, sempre levando em conta a dignidade do trabalho. E que, também, perduram até hoje.
Não há comparação que possa ser feita entre Lula e Getúlio. Getúlio sempre estará na frente.

SERGIO OLIVEIRA
APOSENTADO – CHARQUEADAS – RS

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 19:14:00 BRST  
Anonymous Gualter disse...

Do Gaspari é sabido preferir Lula ao PSDB (Petismo morto, viva o Lulismo!), mas não funciona como mero torcedor.
Em oposição a visão caolha dos fatos, prefere preservar a honestidade intelectual.
Por vezes consegue.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 21:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Sou leigo em estatística como sou leigo em economia, mas vou deixando aqui a minha opinião sobre esses dois campos que pareceram ombrear aqui neste post.
As estatísticas são muito utilizadas para o convencimento de determinadas idéias. É fácil ver o uso delas.
As séries estatísticas são feitas com dados estimados e com dados definitivos, mas tudo fica mais transparente se as essas informações são apresentadas em um texto. E por que não se trabalhou com os outros anos e com os outros governos?
E apresentar dados sobre a telefonia de qualquer espécie deveria envergonhar qualquer pesquisador que os trouxesse para comprovação de seja lá qual a idéia que se queira comprovar. Apresentar sem dizer se se trata de telefone fixo ou de telefone móvel e não trazer informações sobre o custo do pulso ou da duração do pulso é trabalho de amador. A menos que se faça uma comparação com governantes em outros países em situação semelhante para o mesmo período.
De todo modo, qualquer elogio ao caráter distributivo do governo de FHC só surpreende aqueles que tomam o governo de FHC como um governo liberal. Fora a estratégia contra os petroleiros e a vendas de grandes empresas brasileiras (salvo a venda da Vale que me pareceu um erro, pois quanto mais eficiente for a Vale pior para o Brasil uma vez que ela vai inundar o mundo barateando o preço de matéria-prima e exaurindo o solo brasileiro mais rapidamente), que também podem ser bem explicadas (O Ignácio Rangel queria a venda das empresas de telecomunicações para aproveitar a existência de grandes fundos de pensão tanto no Brasil como no exterior) o que há de neoliberal em FHC?
O problema é que não se analisa o governo de FHC no seu conjunto. Com FHC a dívida pública aumentou assustadoramente. Ora se se aumenta a dívida pública e não se faz nada ai se teria a incompetência absoluta. O difícil é fazer e diminuir a dívida pública como proporção do PIB.
É bom lembrar que só em 2007 o consumo de veículos pelos brasileiros se igualou ao consumo de 1997. Só que o que FHC poderia apresentar como um trunfo foi a razão do desastre das crises que o Brasil sofreu, levemente em 1995 com a crise no Chile, fortemente com a crise dos asiáticos em 1997, de novo fortemente com a crise russa de 1998, e mais à frente com a desvalorização do Real em 1999, a crise do apagão em 2001 e a crise da eleição em 2002, sendo que todo o segundo mandato foi embalado pela crise da Argentina.
Agora homenagear o Getúlio Vargas, o gaúcho que com o apoio de Minas Gerais e do Nordeste brasileiro (A Paraíba) fez a Revolução de 30, no ano de 2010, ano de eleição em que um paulista vai enfrentar uma mineira que se formou nos pampas e que conta com um apoio de um nordestino parece-me uma tomada subliminar de posição. Como os candidatos são todos de esquerda, não vejo necessidade de você tomar partido agora.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/01/2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 21:51:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
É grande o rol de acadêmicos que eu respeito que defendem a união do PT com o PSDB. Para mencionar dois, há o economista José Eli da Veiga e há o filósofo Renato Janine Ribeiro que alem de outros textos escreveu recentemente para a revista Interesse Nacional o texto "Seria Possível uma Grande Coalizão no Brasil?" (Não li o texto, mas quem o leu disse que era no sentido de ver PT e PSDB caminharem juntos).
Eu mesmo quando falo de uma grande conspiração da USP para dominar a política nacional retirando do cenário os Militares, os coronéis nordestinos, e os demagogos direitistas do Sul/Sudeste estou de certo modo convalidando essa tese.
Também parece acreditar nessa possibilidade a maneira um tanto cordata como você trata o FHC e até a história política de você que já esteve dos dois lados, tanto do PT como do PSDB.
O problema é que o PSDB é um partido de acadêmicos e acadêmicos não são bons governantes, ou não se elegem, a menos que disponham da possibilidade de fazer um plano. Assim, a tendência é o PSDB desaparecer ou se transformar em um partido da direita. É claro que a força política de São Paulo pode permitir o controle eleitoral da eleição para a presidente da República por um tempo maior. E os antigos fundadores do PSDB, todos eles da esquerda, podem ainda conseguir impedir que o PSDB se transforme tão radicalmente como parece ser a sina do partido.
Vai ser preciso que o José Serra ganhe as eleições. Mas ai é preciso que os mineiros não sintam ofendidos com o descarte de Aécio Neves e que jornalistas como você não fiquem incensando tanto o Getúlio Vargas.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/01/2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 22:19:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
No meu comentário de 04/01/2010 às 22h19min00s BRST em que eu digo:
"Também parece acreditar nessa possibilidade a maneira um tanto cordata como você trata o FHC e até a história política de você que já esteve dos dois lados, tanto do PT como do PSDB."
Eu queria referir-me a sua história profissional e não a sua história política. E a construção da idéia ficaria melhor se eu dissesse:
"Também você parece acreditar nessa possibilidade a se considerar a maneira um tanto cordata como você trata o FHC e até a história profissional de você que já esteve dos dois lados, tanto do PT como do PSDB."
Clever Mendes de Oliveira
BH, 05/01/2009

terça-feira, 5 de janeiro de 2010 09:09:00 BRST  
Blogger Luís Carlos P. Prudente disse...

Sem dúvida nenhuma, o presidente Lula não alcançou o que fez o velho Getúlio, mas a direção dada por Lula e seguida pela próxima presidente do país, Dilma Roussef, vai ser de dar continuidade ao desenvolvimento soberano do país. Lula tegirversou em alguns momentos, manteve o ministro serrista Nelson Jobim, não deu o devido valor à reforma agrária, mas ele avançou em outras áreas.

PT e PSDB podem ter nascidos semelhantes, mas os caminhos seguidos por eles foram opostos depois de 1989. Hoje o PSDB é o partido que representa uma parte da velha UDN, a outra parte é o inconfundível PFL. PSDB é o partido que defende os privilégios das elites, defende a minoria, enquanto o PT defende a maioria do povo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010 13:02:00 BRST  

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