sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Coragem seletiva (08/01)

Em benefício de Cristina Kirchner, reconheça-se que ela enfrenta os desafios do presente com a mesma coragem que exibe diante dos problemas do passado. Aqui não é assim

A crise entre a presidente da Argentina e o presidente do Banco Central (BC) do país vizinho oferece aqui a oportunidade para um debate, em geral interditado, sobre o grau de autonomia ideal para o BC. Os mais ortodoxos defendem-na de modo absoluto. Os diretores da autoridade monetária deveriam ter mandato com prazo fixo e serem imexíveis. Na prática, Luiz Inácio Lula da Silva adota o figurino desde que tomou posse, em 2003.

E, justiça seja feita, não tivesse o BC combatido a inflação a ferro e fogo naquela época, provavelmente Lula veria abreviada a passagem dele pelo Palácio do Planalto. O problema, como costuma acontecer ao poder, é quando a tática se transforma em estratégia, quando a conveniência momentânea vira princípio programático. Desde que o BC e sua política restaram como pilar real de sustentação política do governo, Lula em algum grau ficou manietado, nos moldes de Fernando Henrique Cardoso no primeiro mandato.

Digo “nos moldes” porque, em razão principalmente de seus próprios méritos, Lula tem a força política e os instrumentos (que FHC não tinha) para, mesmo sem rupturas bruscas, ajustar a política monetária às novas condições da economia mundial. Infelizmente, porém, nesse campo específico parece que sua excelência reluta em agir.

O exemplo mais gritante foram os primeiros meses da crise mundial das finanças. Ali já era óbvio que não havia qualquer ameaça inflacionária no horizonte e que, portanto, o país tinha passado a dispor de uma belíssima rede de proteção para dar o salto rumo a uma economia de juros quase normais.

A comprovação veio recentemente, quando índices fechados da inflação de 2009 apontaram, como era esperado, deflação. Mas o estrago estava feito, ainda que ninguém esteja a cobrar dos espertalhões que na época nos venderam a “pressão do câmbio sobre a inflação”. O atraso e a timidez do BC na derrubada dos juros, especialmente sua inação no último trimestre de 2008, estão na origem do desempenho medíocre da economia ano passado. Nosso PIB não se mexeu. A indústria vem hoje 10% abaixo do pré-crise. Se tudo der certo, ela perderá dois anos. As nossas exportações perdem competitividade consistentemente, com o resultado óbvio na balança comercial.

E o pior é que no discurso oficial essa política ganhou o rótulo de “progressista”, já que vem sendo aplicada por Lula. Por tal critério, então, o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso talvez devesse ser lançado nos anais na historiografia oficial do petismo como “ultraprogressista”. E, à semelhança daquela época, as críticas são descartadas, marcadas com o carimbo de “atrasadas”. Ou então agita-se o fantasma da “volta da inflação”, que, mesmo desdentado e trôpego, ainda cumpre o propósito de defender o status quo.

Talvez por isso, não deixa de ser auspicioso que na vizinha Argentina a presidente Cristina Kirchner tenha decidido enfrentar o monstro. No mínimo, abriu-se uma brecha no pensamento único, uma pedrinha foi retirada do dique. Aliás, os Kirchner são bons em momentos assim. Quando declararam lá atrás a renegociação “manu militari” da dívida externa, impondo aos credores um belo deságio, a gritaria foi semelhante à que se verá agora. E o que aconteceu? Nada. A economia ali tem seus gargalos, mas nenhum decorrente dessa decisão.

O leitor conhece minhas observações e questionamentos (expostos aqui recentemente) quanto ao desejo do PT de fazer um ajuste de contas sobre acontecimentos de quatro décadas atrás, que confrontaram a oposição armada (e mesmo desarmada) e os aparelhos repressivos da ditadura. Na Argentina, Cristina Kirchner, enquanto briga com o presidente do BC, decidiu numa canetada que todos os arquivos da repressão devem ser escancarados.

Ao menos, ela mostra ter coragem não apenas para encarar problemas de trinta, quarenta anos atrás. Enfrenta também os atuais. Aliás, reconheça-se em benefício dela que estes últimos costumam ser bem mais espinhosos do que aqueles. Já aqui, as autoridades agem leoninamente quando se trata de temas do passado, mas falta-lhes o mesmo ímpeto para equacionar assuntos do presente. E que, infelizmente, terão impacto direto no futuro econômico e social do país.

Coluna (Nas entrelinhas) pubicada nesta sexta (08) no Correio Braziliense.

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26 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Prezado colunista, é a política. Quando você entra na economia, suas aulas de introdução à disciplina a são insuficientes para evitar que você vomite bobagens. Juros se pagam porque se toma emprestado e se toma emprestado porque se gasta mais do que tem.
Credenciais são importantes. As do Meireles até agora são impecáveis. Ninguém fez melhor do que ele. O Brasil poderia estar melhor? Poderia. Poderia estar muito pior? Também poderia. Prefiro as credencias do Meireles às de seus críticos.
Não dê mais crédito ao BC do que ele merece. Também não lhe impute responsabilidades que são de outros. A dança dos juros é uma dança de três: ela envolve as meninas e meninos do Mantega, do Paulo Bernardo e do Meireles. Cá entre nós, a “pressão do câmbio” não é mais do que um embuste para não criticar os demais dançarinos e o próprio Lula. Quando os gastos se elevam e as meninas e meninos do Bernardo excluem esses gastos do cálculo do superávit, o fato de que se tem menos dinheiro para manter a dívida estável não muda e que as meninas e meninos do Tesouro precisam sair em busca de credores. Você precisa de dinheiro, me pague juros maiores do que eu já consigo.
O que aconteceu na Argentina. Tudo de exótico e prejudicial. Não pagou os juros, também não entra mais dinheiro. Tem de cortar gastos, a economia se estrangula, o país retrocede. A Argentina atualmente é algum exemplo positivo?
Quanto ao BC, a questão não é a autonomia propriamente dita, mas se o combate à inflação é um patrimônio da sociedade. Aqueles que defendem um pouco mais de inflação defendem um pouco mais de inflação apenas para eles. Querem pegar o país com inflação moderada, fazer a farra e deixar a conta para algum otário. Não esclarecem que a componente inercial da inflação dificulta que ela retorne a níveis ótimos. Querem colocar o monstro em movimento para que outro possa pará-lo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 10:06:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

"Quando declararam lá atrás a renegociação “manu militari” da dívida externa, impondo aos credores um belo deságio, a gritaria foi semelhante à que se verá agora. E o que aconteceu? Nada."

R - Alon, a atitude de Nestor Kirchner de impor o deságio na dívida externa foi correta (como é correta a decisão de Cristina de demitir o presidente do BC, que se recusou a obedecer a uma ordem direta dela, algo que Henrique Meirelles nunca fez, aliás... Daí, ser equivocada qualquer comparação entre Meirelles e o presidente do BC argentino).

Nestor Kirchner não tinha outra opção, pois o país estava quebrado, apesar de ter feito tudo o que o FMI mandou.

Mas, desde então, o sistema financeiro internacional fechou as portas para a Argentina. Nenhum banco privado empresta um centavo sequer para o país desde que Kirchner impôs o deságio ao valor da dívida.

Então, teve consequência, sim, este ato do Kirchner, embora, repito, ele tenha feito a coisa certa.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 13:02:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Já critiquei tanto a você como a outros blogueiros que tentam repassar a idéia sobre independência do Banco Central no governo de Lula. Sob o aspecto jurídico talvez o Banco Central fosse menos independente no governo de FHC do que no governo Lula. Sob o aspecto prático a situação é totalmente distinta. No primeiro governo de FHC que mandou mesmo sendo apenas diretor foi o Gustavo Franco. FHC e Pedro Malan não tinham nenhuma influência no que Gustavo Franco praticou como política monetária no período. Depois em um ato de ousadia de FHC, mas sem conhecimento do alcance da medida que ele tomara, FHC demitiu Gustavo Franco. Perdido com a corrida do dólar de 1,2 para 2,0 FHC apelou para George Soros que cedeu ao Presidente Armínio Fraga. Tanto Gustavo Franco como Armínio Fraga são e foram subservientes a FHC, mas o foram com total autonomia. FHC, que já não mandava no Banco Central de Gustavo Franco, amedrontado pelas conseqüências de ele ter atendido os reclamos da ala paulista e demitido Gustavo Franco, não quis mais saber de interferir no Banco Central. Assim, Armínio Fraga pode consolidar no Banco Central tudo aquilo que os liberais americanos (Talvez os liberais um pouco mais à direita que a maioria dos liberais americanos) consideram como padrão de política monetária. Em síntese, nunca, em nenhum pais do mundo, o Banco Central foi tão independente como durante os dois governos de FHC.
Com Lula passa-se exatamente o oposto. Formalmente o Banco Central adquiriu mais independência. Henrique Meirelles não tem nenhuma subserviência a Lula como tinham Gustavo Franco e Armínio Fraga para com FHC. Nunca, entretanto, tivemos um presidente do Banco Central apenas para inglês ver como temos na atual gestão de Lula. O Banco Central fez durante os sete anos de governo de Lula tudo aquilo que o governo pretendia que o Banco Central fizesse. Elevou o juro no início do mandato para não deixar a inflação derrotar o governo Lula. Abaixou o juro mais cedo, ou, se não mais cedo, mais rápido e mais intensamente do que o recomendável a partir do segundo semestre de 2003 apenas para que a economia pudesse se relançar a tempo em 2004 e o PT não sair como o grande perdedor. Baixou o juro novamente em 2007 para que o relançamento da economia em 2007 e 2008 trouxesse resultados eleitorais fortes para o PT e os aliados do partido. Nada é feito contra o governo, principalmente quando se sabe que o povo vota influenciado pelo tamanho da taxa de inflação e não pelo tamanho da taxa de juro. Assim não é surpresa ver o governo aumentando a taxa de juro nas vésperas de eleição. Faz parte do discurso esse aumento, pois assim o governo pode propalar lá fora que aqui no Brasil o Banco Central é independente e não age ao sabor das campanhas eleitorais.
É um discurso que se fosse ruim seria combatido pela oposição. Será que alguém da oposição dirá em campanha que se eleito vai abaixar a taxa de juros. Aliás, um dos grandes méritos que o marqueteiro da oposição terá (Creio que eles são suficientemente mais competentes do que eu para imaginar um slogan qualquer e por isso uso o futuro do presente) será descobrir um slogan de combate ao atual governo, que eu não considero ser essa Brastemp que muitos propalam.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/01/2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 14:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Penso ser inteiramente descabido fazer comparações entre Cristina Kirchner e Lula. Apesar de gozar de alta popularidade, Lula não tem em apoio a ele, um partido tão forte como o Partido Justicialista. Ainda que este partido se encontre bem dividido, a base de apoio de Cristina Kirchner é muito maior do que o PT. O PMDB não deve ser considerado como base de apoio, pois é uma base a ter sempre que ser conquistada.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/01/2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 14:24:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

É, anônimo, eu nada entendo mesmo de economia. Quem entende são os que advertiam para uma pressão inflacionária do câmbio na passagem de 2008 para 2009. Aliás, esse negócio de dizer "você não entende disso" ou "daquilo" não funciona nestas paragens. O argumento com base na autoridade, ainda mais quando a autoridade só chuta bola fora, não cola aqui neste blog. E lembro tb que os "ignorantes" do câmbio fixo (e desvalorizado) na China a estão transformando num grande exportador mundial de produtos com valor agregado. Já nós, os "sabidos" do livre-cambismo (você pelo visto se acha muito sabido) vivemos à custa de exportar soja, carne e ferro. mas somos felizes porque nossa moeda nos permite pagar baratinho quando vamos a Nova York ou Miami.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 16:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Pode ser algum dia você domine o assunto. Hoje, repito, você só falou bobagens. Porque você não explicou que para usar reserva precisa de autorização do Congresso? Porque você não explicou que queimar reserva deixa o país mais vulnerável, não mais forte. Porque você não disse que a manobra dos Kirchner é para colocar a culpa em terceiros dos próprios erros que o casal cometeu. Você ignorava tudo isso?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 17:39:00 BRST  
Blogger pait disse...

Mas Alon, você mesmo mostrou outro dia as estatísticas sobre a evolução dos indicadores nos últimos 15 anos. Com as contas públicas mais controladas, o povo compra telefone, geladeira, o governo expande os programas sociais e a educação. Fhc e Lula ambos estão certos.

Já na Argentina as coisas parecem estar sempre piorando. O casal pinguim deu calote, e o Marcos D. se espanta que o sistema financeiro não empresta para eles. Porque será que o governo lá não consegue investir? Só pode ser por causa das políticas econômicas "criativas" que deixam os demagogos contentes o todo o resto do povo empobrecido, não?

A China eu não entendo. Era um país muito pobre, e mesmo com todo esse crescimento, acho que todo nenhum brasileiro trocaria seus problemas pelos deles. Não é modelo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 17:59:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Em seu comentário acima, comparando a China e o Brasil, apenas com base no câmbio fixo, é bastante simplista.

O BC não tem a menor ingerência na capacidade de despejar capital humano de 400 mil engenheiros ao ano, como ocorre na China. Acho que isso facilita bem mais as coisas para empeender indústrias, do que o simples câmbio fixo. É mão de obra qualificada e barata em abundância.

Além disso, desvalorizar o câmbio no Brasil sem dúvida alavancaria as exportações, mas também seria uma maravilha para estrangeiros comprarem empresas brasileiras subvalorizadas, desnacionalizando. O governo deve manter superávits comerciais, e enquanto isso for verdade o câmbio é suportável.
A China controla a entrada de capital entrangeiro nas empresas, obriga a formações de joint-ventures, e outras coisas que o Brasil também teria que fazer para colher os mesmos resultados.

Para câmbio fixo funcionar na industrialização nos moldes chineses, é preciso ser China: ter capital humano, ter política industrial e quem manda na economia é o estado. Empreendedores empreendem como se fossem concessionários do Estado.

A China colhe o que plantou lá atrás nas reformas iniciadas nos anos 70. O Brasil pegou a contra-mão da história na onda neoliberal. Neoliberalismo para países ricos é uma escolha. Para países pobres ou em desenvolvimento é suicídio.

Justiça seja feita, o governo Lula voltou a investir em capital humano (expansão universitária, rede de escolas técnicas federal), voltou a fazer política industrial (pré-sal, programas do BNDES, etc) e o estado recupera seu papel de planejar grandes diretrizes nacionais e eixos de desenvolvimento. É questão de tempo e colherá os frutos, como a China está colhendo, e esses fatores independe do BC (apesar do BC poder atrapalhar ou ajudar a acelerar o processo).

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 18:40:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, essa utilização de reservas é uma fria porque a Argentina tem pouca.

Você deve ter na mémoria os ataques especulativos que alguns países sofreram por não terem reservas.

Se a Argentina sofrer outro vai de vez para o poço.

É um engano culpar o sistema financeiro. A dívida tem até velhinha da Patagônia.

Outro engano é achar que já se pagou mil vezes a dívida, porque ela é renegociada várias vezes ao ano. O governo faz nova dívida e paga a velha. Os novos credores não são na totalidade os que já receberam. O últimos que sofreram o calote é que pagam o pato.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 18:56:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Coragem teve o Lula de nomear Meirelles, contrariando suas bases, e mantê-lo durante a renovação do mandato na reeleição.
Presidentes de BC se troca quando troca ministro ou quando a coisa desanda. Foi assim com Gustavo Franco e com Chico Lopes.
O proprio presidente do BC Argentino demitido estava no cargo desde 2004. Por que coragem só agora?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 19:54:00 BRST  
Anonymous Gualter disse...

É tão bom começar a manhã e descobrir nos comentários do Blog que nossos filhos gastarão menos tempo conhecendo a Evolução do Brasil e do Mundo. Só valem os feitos - e que o Lula admite saber - a partir de 2003 para cá. Antes era só o caos e nem o PT prestava.
Basta crer, irmão.

sábado, 9 de janeiro de 2010 09:06:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

"O casal pinguim deu calote, e o Marcos D. se espanta que o sistema financeiro não empresta para eles.". pait

R - Eu não me espantei com nada. Eu apenas chamei a atenção para este fato, citando-o no meu texto, pois foi uma consequência negativa da atitude do Nestor Kirchner (que, no meu texto, considerei como correta, pois o país estava quebrado) de promover um desconto unilateral no valor da dívida externa argentina.

Não concorda com o que eu digo? normal. Faz parte da Democracia. Mas, não deturpe o que eu disse, pois isso é pura desonestidade intelectual.

sábado, 9 de janeiro de 2010 11:47:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

Gualter, muita coisa boa foi feita no Brasil antes do Lula, sim.

Exemplos: a Petrobras, o BB, a CEF, o BNDES, só para citar alguns exemplos.

Se não fosse por esta 'herança varguista e estatista' (não se esqueça que Petrobras e BNDES foram criados pelo Vargas) que o FHC prometeu enterrar, teríamos afundado numa Grande Depressão em 2009.

Agora, não vejo como juros de 25% ao ano, déficit público nominal de 4% do PIB, dívida pública de 51,3% do PIB, taxa de desemprego de 10,5%, dívida externa representando 45% do PIB, salário mínimo em apenas US$ 56 possam ser considerados como uma 'herança positiva'. E esta foi a herança de FHC. Infelizmente.

sábado, 9 de janeiro de 2010 11:51:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

Alon, a economia brasileira já está retornando aos mesmos níveis do período pré-crise. Enquanto isso, nos países desenvolvidos, isso ainda está muito distante.

Exemplo: a taxa de desemprego no Brasil, em Novembro de 2009, foi de 7,4%, menor do que a de Novembro de 2008, que foi de 7,6%.

Enquanto isso, nos EUA e na UE a taxa subiu para 10%. Nos EUA, 7 milhões de trabalhadores perderam desde Dezembro de 2007 e a taxa de desemprego mais do que dobrou no período. Se somarmos, nos EUA, os desempregados, os desempregados que desistiram de procurar emprego a taxa sobe para 10,5%. E se somarmos esses 10,5% com os que trabalham apenas em meio período a taxa passa de 17%.

Isso mostra que o governo brasileiro pode até ter cometido algum erro, mas errou muito menos do que os governos dos EUA e da UE.

Mas, todos os governos cometem erros, certo? O importante é errar menos e aprender com os mesmos.

Quando FHC enfrentou a crise mexicana, no início de 2005, o que ele fez para preparar o Brasil a fim de enfrentar uma nova crise? praticamente nada. E a nova crise aconteceu, mas apenas em Julho de 1997. FHC teve mais de 2 anos e meio para preparar o Brasil a fim de enfrentar os efeitos de novas crises e não fez nada neste sentido. Este foi o seu grande erro. Ele não resolvia nada, preferindo empurrar tudo com a 'barriga'.

Deu no que deu...

sábado, 9 de janeiro de 2010 12:33:00 BRST  
Anonymous Gualter disse...

Marcos, vc foi ainda mais curto ao olhar a história. E injusto; o FHC deixou coisas ainda piores. E algumas coisas bem boas a exemplo da política econômica e da responsabilidade fiscal, do Bolsa-família, etc.
Mas, concordo, deixou muita coisa de segunda categoria também. Deixou o Lula obrigado a desmentir todo o seu discurso anterior e ser ainda mais neo-liberal, além de forçar o PT a abandonar as melhores bandeiras admitir ser o Partido do Sim Senhor. Ou Senhora.
Abs.

sábado, 9 de janeiro de 2010 13:08:00 BRST  
Blogger pait disse...

O fato é que a economia do Brasil até o governo do Itamar era uma piada. Quem se lembra da inflação, se lembra do caos. O dinheiro não valia nada porque os bancos estatais podiam imprimir à vontade. Os governos dos tucanos puseram as contas em ordem. O grande mérito do Lula foi não ter deixado os estatistas governarem. Será que o Marcos D. teria reestatizado a telefônica e obrigado todo mundo a devolver os celulares e voltar para o "plano de expansão" da Telebrás? Na Argentina os peronistas estão no poder. A Argentina continua o caos que seria se os varguistas mandassem no Brasil.

sábado, 9 de janeiro de 2010 19:01:00 BRST  
Blogger Luís Carlos P. Prudente disse...

Parabéns pela discussão em alto nível que vem ocorrendo neste post. Eu, que não entendo nada de economia, critiquei o Lula por manter o Henrique Meirelles, um sujeito que frequentou o governo FHC, e hoje não sei o que dizer em relação à ele, Meirelles. Continuo defendendo que o Banco Central deve obediência ao presidente da República, que ele, BC, não deva ser independente e parabenizo o que fez a Cristina Kirchner na Argentina. Critico o nosso Banco Central por manter os juros altos, dando muito dinheiro para o sistema financeiro e retirando o mesmo do setor produtivo e consequentemente ter impedido um crescimento da nossa economia, mesmo com isto a impressão que tenho (e muitos outros milhões de brasileiros têm) é que o Brasil está muito bem em termos econômicos. Faço críticas também ao fortalecimento do real frente ao dólar, pois acabamos por enfraquecer a nossa indústria, já que passamos a comprar muitos importados em detrimento do produto nacional. Mas se a nossa indústria não investir em desenvolvimento e melhorar os seus produtos a situação também fica ruim para nós consumidores.

domingo, 10 de janeiro de 2010 11:42:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

1) "o fato é que a economia do Brasil até o governo do Itamar era uma piada" pait

Errado!

Nos dois anos de governo Itamar (1993 e 1994) o PIB brasileiro cresceu, respectivamente, 4,9% e 5,9%, acumulando um crescimento de 11,1% nestes dois anos.

A inflação estava em queda, devido ao Plano Real, que foi implantado no governo Itamar, algo que os tucanos adoram esquecer.

Foi Itamar quem deu a sustentação política necessária para a adoção do Plano Real, aprovando no Congresso Nacional todas as medidas necessárias para que o mesmo fosse implantado.

Com o crescimento econômico, o desemprego estava diminuindo durante o governo Itamar. A dívida pública era de apenas 30% do PIB.

O fato é que FHC herdou um país em boa situação econômica e financeira. Os dados da época comprovam isso. Pesquisem nos sites do Ipeadata, IBGE e do BC e comprovem. Eu já fiz isso e comprovei tal fato.


2) "Os governos dos tucanos puseram as contas em ordem.".

Errado! Itamar deixou as contas públicas e externas equilibradas e um superávit comercial de US$ 10 bilhões.

Já o governo FHC elevou a dívida pública de 30% do PIB para 51,3% do PIB, deixou um déficit público nominal de 4% do PIB em 2002. E ainda acumulou um déficit comercial de US$ 8,7 Bilhões entre 1995/2002. As tais ‘contas equilibradas’ são um conto da carochinha, portanto. Tanto é verdade que o Brasil teve que recorrer 3 vezes ao FMI para não ter que declarar moratória da dívida externa.

3) "O grande mérito do Lula foi não ter deixado os estatistas governarem"

R - Vá falar isso para o Obama, que estatizou a AIG (maior seguradora do mundo...), a GM e o Citigroup.

E um dos grandes méritos de Lula foi recuperar a capacidade de investimentos do Estado brasileiro, que foi destruído pelo governo FHC, que quebrou o Estado brasileiro e recorreu 3 vezes ao FMI, deixando um déficit público nominal de 4% do PIB em 2002, bem como uma dívida pública de 51,3% do PIB e sem nenhum crédito externo ou interno, tanto que teve que recorrer 3 vezes ao FMI, emprestando US$ 86,5 Bilhões do mesmo entre 1998/2002.

domingo, 10 de janeiro de 2010 17:30:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

4) "Será que o Marcos D. teria reestatizado a telefônica e obrigado todo mundo a devolver os celulares e voltar para o "plano de expansão" da Telebrás?"

R - A Telebras já estava colocando em prática medidas para melhorar os serviços de telefonia, ampliando o número de linhas, etc, mas foi prejudicada pelo governo FHC, que cortou drasticamente os seus investimentos. Ao contrário do que dizem os tucanos, a Telebras tinha dinheiro em caixa para investir, sim. Mas, foi impedida de fazê-la, para beneficiar os futuros compradores da empresa que, assim, compraram as empresas do grupo com os cofres cheios.

E os tucanos não falam nada que as privatizações de FHC foram financiadas com dinheiro público subsidiado e barato (do BNDES, um banco estatal). Por que será, hein?

Aliás, depois que compraram as estatais, a preço de banana, as grandes corporações multinacionais voltaram a fazer novos empréstimos no BNDES a fim de realizar investimentos... Primeiro pegaram dinheiro do BNDES para comprar as estatais e, depois, pegaram mais dinheiro do BNDES para fazer investimentos... Assim, eu também quero... Não preciso investir nada do próprio bolso... É só pegar dinheiro emprestado do BNDES e sair comprando estatal a preço de banana por aí... E se eu quiser fazer investimentos, pego mais dinheiro emprestado do mesmo BNDES... 'Negócio da China' é apelido...

Ah, se não fosse pelo BNDES, um banco estatal que faz parte da herança varguista, o que teria sido das privatizações fajutas de FHC, hein? Um fracasso completo...

E depois das privatizações as tarifas dos serviços de telefonia subiram muito acima da inflação, algo que os tucanos fazem questão de esconder, acumulando, em vários casos, reajustes de mais de 300%. O mesmo aconteceu com os outros serviços públicos privatizados pelos tucanos. Depois das privatizações, as tarifas subiram muito acima da inflação. Foi somente no governo Lula que isso mudou, pois o mesmo alterou a forma de se calcular o reajuste dos serviços.

Os tucanos também diziam que, com as privatizações , os serviços de telefonia, energia elétrica, etc, ficariam melhores e mais baratos. Isso não aconteceu. Ficaram muito mais caros, como eu já disse, e a Internet brasileira é a pior do mundo e a mais cara do planeta. As tarifas de telefonia tem um valor criminoso e ainda pagamos uma assinatura, ou seja, pagamos pelo serviço mesmo sem fazer uso do mesmo.

Tudo isso é fruto das privatizações tucanas...

E a privatização da energia elétrica? Ela foi tão ‘bem feita’ que resultou num racionamento de energia elétrica que durou 11 meses e deu prejuízos de R$ 45 Bilhões ao país.


5) "Na Argentina os peronistas estão no poder. A Argentina continua o caos que seria se os varguistas mandassem no Brasil."


R - A Argentina quebrou na época do governo Menem (que era do partido 'peronista', mas o pait não sabe disso...) e do De La Rua, que fizeram tudo o que o FMI mandou. Ela era considerada o 'melhor aluno do FMI' e assim foi durante uma década.Antes do neoliberalismo a Argentina era uma sociedade de classe média. Depois que fez tudo o que o FMI mando o país quebrou, deixando um povo na miséria.

Foi apenas com o fim destes 2 governos neoliberais que a Argentina voltou a crescer, reduziu a pobreza, o desemprego e a miséria. O país ainda tem problemas, é claro, mas o mesmo pode ser dito dos EUA e da UE, cujas taxas de desemprego estão em 10% e com grande parte dos Estados e dos seus sistemas financeiros quebrados, devido à falência do Neoliberalismo também nestes países.

domingo, 10 de janeiro de 2010 17:31:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

1) "Marcos, vc foi ainda mais curto ao olhar a história. E injusto; o FHC deixou coisas ainda piores. E algumas coisas bem boas a exemplo da política econômica e da responsabilidade fiscal, do Bolsa-família, etc.

R - Citei apenas alguns fatos relativos ao governo FHC. Não tive intenção alguma de falar de toda a história do Brasil ou da Humanidade. Infelizmente, você não percebeu isso.

E o Bolsa-Família foi criado em Setembro de 2003. FHC tem tanto a ver com isso quanto o Divino Espírito Santo.

Não houve responsabilidade fiscal alguma no gov. FHC. Ele aumentou a dívida pública de 30% para 51,3% do PIB, deixou um déficit público nominal de 4% do PIB e recorreu 3 vezes ao FMI, do qual emprestou US$ 86,5 bilhões. Se tudo isso é sinônimo de 'responsabilidade fiscal', então a Terra deve ser quadrada...

2) "Deixou o Lula obrigado a desmentir todo o seu discurso anterior e ser ainda mais neo-liberal"

R - Se o governo Lula fosse neoliberal, ele não teria reduzido a pobreza em 33%, a concentração de renda não estaria diminuindo (estudos do IPEA comprovam isso), a miséria não teria sido reduzida em 45%, e tampouco teria elevado fortemente os investimentos públicos, os gastos sociais públicos (os gastos previdenciários cresceram 22% em termos reais; o número de benefícios previdenciários cresceu 32%), nem aumentado fortemente os salários do funcionalismo público federal (foram reajustados, em média, em 148%, muito acima da inflação acumulada, de 45%) e nem fortalecido a Petrobras ou o sistema financeiro público.

3) "forçar o PT a abandonar as melhores bandeiras admitir ser o Partido do Sim Senhor. Ou Senhora.
Abs."

R - Desde quando reduzir a pobreza, a miséria, o desemprego, aumentar os gastos sociais públicos, melhorar a distribuição de renda, aumentar o poder de compra do salário mínimo e dos salários do funcionalismo público federal, elevar os investimentos públicos, fortalecer a Petrobras, elaborar uma legislação do Pré-Sal que permitirá que 80% dos lucros do mesmo fiquem no país, significa 'abandonar as bandeiras do PT'?

Brincou, né?

domingo, 10 de janeiro de 2010 17:43:00 BRST  
Blogger Marcos D. disse...

Luiz Carlos, se o BC fosse tão conservador e tão poderoso quanto dizem, nõs não teríamos tido isso aqui no governo Lula:

1)Crescimento econômico por 5 anos consecutivos (média anual de 5,3% ao ano) entre 2004 e 2008;

2)Redução da pobreza, que caiu 33% no gov. Lula;

3)Redução da extrema pobreza, que caiu 45% no governo Lula;

4)Redução do desemprego: caiu de 10,5% (Dezembro/2002) para 7,4% (Novembro/2009);

5)Redução da taxa Selic, de 25% a.a. caiu para 8,75% ao ano, apenas 4,3% a.a. em termos reais, a menor da história;

6)Aumentos reais de salários: somente o salário mínimo subiu 155%; o salário médio do funcionalismo público federal subiu 148%; a imensa maioria dos trabalhadores sindicalizados do setor privado consegue aumentos reais de salários em todos os anos, segundo o Dieese;

7)Redução da concentração de renda, o que foi comprovado pelo IPEA, que demonstrou que a renda do trabalho está sendo melhor distribuída e que a participação dela na renda nacional está crescendo desde 2004;

8)Criação de 9 milhões de novos empregos formais entre 2003/2009;

9)O país se tornou credor externo líquido em quase US$ 38 bilhões, segundo o BC;

10)A produção industrial cresceu 24% entre 2003/2007, passando por um novo ciclo de crescimento, como foi comprovado por um estudo do IBGE;

11)O Salário Real dos trabalhadores da indústria brasileira cresceu 14,75% entre 2003/2009;

12)Redução da Dívida pública de 51,3% do PIB (2002) para 43% do PIB (2009);

13)Redução do déficit público nominal de 4% do PIB (2002) para 2% do PIB (2008);

14) O número de empregos na indústria brasileira cresceu em 1.400.000 entre 2003/2007.

Como se percebe, os oposicionistas terão imensas dificuldades para articular um discurso minimamente consistente a fim de atacar o governo Lula. Aliás, se atacarem o governo Lula, serão massacrados nas eleições presidenciais.

Fontes: Ipeadata, BC e IBGE.

domingo, 10 de janeiro de 2010 17:48:00 BRST  
Blogger pait disse...

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domingo, 10 de janeiro de 2010 19:51:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

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domingo, 10 de janeiro de 2010 20:18:00 BRST  
Blogger pait disse...

Vou dar um pulinho aqui no blog para perguntar ao Marcos D se ele lembra quem era o ministro da fazendo no governo Itamar, e quem foram os presidentes peronistas da história recente da Argentina.

Até o Fhc assumir as finanças federais no governo Itamar, a economia brasileira estava um caos. Depois com o "conservadorismo" ou "liberalismo" dos governos tucano e lulista, as coisas entraram no eixo. Já os peronistas quebraram a Argentina mais de uma vez no mesmo intervalo. Então aqui no nosso cone sul os ortodoxos, seja lá como você quer chamar, estão ganhando de 3x0 (contando o Chile) dos varguistas, peronistas, estatistas, e outros craques de gol contra.

E só para escolher uma das incorreções que ele escreveu, a Aig e o Citi receberam socorro no governo Bush, não no Obama, mas não foram estatizadas, embora talvez deveriam ter sido, nem a GM foi.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010 15:05:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Meninos, parem de contar mentiras. O Estado não retomou nada nos países desenvolvidos que afundaram na crise. Houve apenas empréstimos garantidos em ações ou no patrimônio das empresas e bancos. O governo sairá lucrando. Comprou na baixa e vai vender na alta. No final, entrou mais dinheiro para o caixa do governo do que saiu.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010 15:49:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Pait
O Ministro da Fazenda que mais contribui para o plano Real foi Marcílio Marques Moreira (ministro da Fazenda no governo Collor, sucessor da Zélia).
Foi ele quem fez a política de recomposição das reservas, para ter lastro suficiente para dolarizar a economia. Malan atuou para Marcílio como negociador da dívida externa brasileira nos termos do Plano Brady, outra base para o Real.
FHC quando assumiu pegou o bonde andando, e níveis de reservas já eram suficientes. Foi a pessoa certa, na hora certa, no lugar certo. Foi um bom ministro da fazenda. Pena que seu desempenho na presidência não se repetiu.
Mas o pai do Real foi de fato Itamar. FHC desempenhou bem sua posição, mas foi um jogador do time (o capitão), onde o comandante foi Itamar. Outros ministros tiveram papel importante no Real: Dorothea Werneck (pactos de preços com empresários, nas câmaras setoriais), Walter Barelli (acordos com trabalhadores e centrais sindicais), Henrique Hargreaves (articulador com o Congresso para fazer passar as medidas). Sem a atuação destes outros ministros, o Real teria dificuldades. Isso, sem dizer que quem tocou o real em algumas fases críticas não foi FHC, foi Ricúpero e Ciro Gomes, que também pegaram o carro andando, mas tiveram que enfrentar tentativas de indexação, de ágio (sobretudo em carros novos), e dosar redução de tarifas para não deixar preços subirem.

Mas se for fazer exame de DNA profundo no plano Real, o risco é do pai ser argentino: Domingo Cavallo. Fez o plano 3 anos antes, na Argentina, muito semelhante ao Real.
Aliás, ambos os planos apenas seguiram diretrizes do Consenso de Washington.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 19:35:00 BRST  

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