quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Jogo do Poder com João Pedro (30/09)



O presidente da CPI da Petrobras, senador João Pedro (PT-AM), é o entrevistado desta semana em Jogo do Poder, programa que eu apresento todas as quartas-feiras às 22:30 na CNT. Clique na imagem (quando ela aparecer) para assistir. Veja aqui como sintonizar em sua cidade. Participa também Vera Magalhães, da Folha de S.Paulo. Para ver os programas anteriores, vá à lista.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Jogo do Poder com Márcio Pochmann (23/09)



O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é o entrevistado desta semana em Jogo do Poder, programa que eu apresento todas as quartas-feiras às 22:30 na CNT. Clique na imagem (quando ela aparecer) para assistir. Veja aqui como sintonizar em sua cidade. Participa também Karla Mendes, do Correio Braziliense. Para ver os programas anteriores, vá à lista.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Jogo do Poder com João Paulo Cunha (16/09)



O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) é o entrevistado desta semana em Jogo do Poder, programa que eu apresento todas as quartas-feiras às 22:30 na CNT. Clique na imagem (quando ela aparecer) para assistir. Veja aqui como sintonizar em sua cidade. Participa também Bernardo Mello Franco, de O Globo. Para ver os programas anteriores, vá à lista.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Jogo do Poder com Ciro Gomes (09/09)



O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) é o entrevistado desta semana em Jogo do Poder, programa que eu apresento todas as quartas-feiras às 23:00 na CNT. Clique na imagem (quando ela aparecer) para assistir. Veja aqui como sintonizar em sua cidade. Participa também Otávio Cabral, da revista Veja. Para ver os programas anteriores, vá à lista.

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sábado, 5 de setembro de 2009

Até outubro (05/09)

Este blog está parado, pois o dono está de férias. De vez em quando aparecerão vídeos do Jogo do Poder.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quem se candidata? (04/09)

Vamos encontrar energia para dar o salto, para consolidar nossa democracia, com o amplo grau de liberdade que ela nos permite, como a viga mestra do nosso orgulho pelo Brasil?

É impossível não notar o vento político da moda em Brasília: grupos e personagens que chegaram ao poder graças à democracia reclamam cada vez mais dos limites que a democracia coloca ao poder deles. O que antes era bom, agora virou problema. Coisas como a independência do Ministério Público, a existência de tribunais de contas, a liberdade de imprensa, as disputas no Congresso.

Até a internet entrou no rolo, com senadores e deputados quebrando a cabeça para descobrir como controlá-la durante as eleições.

E não pense que a pressão vem só do governo. Ela é pluripartidária. Ou suprapartidária. Tem petistas e tucanos, dos diversos matizes, e os vários satélites. Os políticos estão fartos de serem cobrados, acusados, constrangidos. Aí olham uns para os outros e perguntam: “Ora, mas se estamos todos de acordo quanto a isso, por que vamos continuar dando satisfações aos caras que só pertubam a nossa vida, que só atrapalham, que só nos criam problemas?”.

Circular por Brasília hoje em dia e conversar com alguns próceres, claro que em “off”, leva o sujeito a desconfiar que a consolidação da democracia entre nós não está uma Brastemp. Ao contrário, ela é vista quase como um estorvo, um transtorno com o qual se convive por necessidade. Talvez porque a Constituição assim estabeleça. Ou pela existência e atividade de um Supremo Tribunal Federal atuante e relativamente imune à onda.

Volto à internet, que é o exemplo mais gritante. Durante anos, atores políticos à margem do establishment saudaram a rede mundial como a ferramenta ideal para combater o oligopólio da informação. Agora que do ângulo técnico o objetivo está ao alcance, e agora que todos chegaram ao establishment, a pauta mudou: em vez de democratizar, a atenção se volta para como controlar. Ainda que esse controle possa convenientemente ser apresentado como “democratização”.

Outra moda recente em Brasília, esta boa, é o nacionalismo, objeto de colunas nos últimos dias. Aqui talvez seja o caso de olhar como os países cuidam cada um do seu. Eles dividem-se em dois grandes grupos: as nações em que a democracia é a base da defesa da soberania nacional e as demais, onde por vezes esta é usada como motivo para matar aquela.

Não há uma lei automática. Este mês marca o 70o. Aniversário do início da Segunda Guerra Mundial. Numa estatística, todas as democracias clássicas da Europa continental tiveram sua soberania suprimida pela Alemanha nazista naquela passagem histórica. Antes que a Alemanha fosse finalmente derrotada, com a contribuição decisiva da União Soviética. Tratou-se de uma situação extrema. Como regra, os países que deram certo foram os que fizeram da democracia sólida o alicerce principal de sua afirmação soberana.

Nem a China pode ser considerada exceção. O grande desafio posto ao gigante asiático neste século 21 é a abertura política.

Os que andam ultimamente por Brasília tentando sentir para onde sopram os ventos da moda ficam com esta dúvida, ou preocupação: será que vamos repetir os erros do passado -e de outros países- e subordinar nosso projeto nacional soberano a um único líder, a um único grupo? Ou vamos encontrar energia para dar o salto, para consolidar nossa democracia, e o amplo grau de liberdade que ela nos permite, como a viga mestra do nosso orgulho pelo Brasil?

Essa segunda opção implica concessões, especialmente do poder. Exige visão de longo prazo. Exige renunciar ao papel de salvador da pátria. Quem se candidata?

Conforto

A polêmica em torno do pré-sal fez passar batido o congelamento do juro básico pelo Comitê de Política Monetária. Segundo o Banco Central, não dá para baixar mais a Selic, por causa da poupança. Se é isso mesmo não se sabe. Mas o fato é que Luiz Inácio Lula da Silva não quer mexer na caderneta, e daí por que a turma do BC está confortável, politicamente, na sua opção.

Enquanto isso, os analistas estimam que poderemos crescer até 1% em 2009. Um espanto. Antes da crise, vínhamos a quase 6%. A China, que vinha a 10%, vai fechar 2009 com 8%. Ali não teve recessào.

Férias

Quem fica com vontade de escrever colunas reflexivas, como esta aqui, é porque está na hora de sair de férias. É o que vou fazer. Até outubro.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O Brasil é mais complexo (03/09)

Não dá para achar que o país pode ser governado só assim: com Luiz Inácio Lula da Silva falando mal do antecessor, Dilma fazendo suas apresentações e o PMDB dando um jeito no Parlamento

Quem procura saber o que vai pela seara do governismo percebe o sucesso alcançado nos últimos dias pela tese imortalizada nas palavras do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), naquele inesquecível duelo de plenário contra o colega Tasso Jereissati (PSDB-CE). Trata-se de colocar a oposição no lugar que ela merece, para ela deixar de ser besta. Para curá-la do que o líder do PMDB classificou de "complexo de maioria". Que faz a minoria se comportar como se maioria fosse. Transgredindo as naturais regras do jogo.

Na crise do Senado, à primeira vista deu certo. José Sarney (PMDB-AP) continua confortavelmente posto na cadeira acima dos pares, com os rolos da Casa a caminho do esquecimento e do perdão aparentes. Uma anistia ampla, decorrente da correlação de forças. Do "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Há, é claro, um custo junto à sociedade. O PT paga o preço de aparecer como legenda que concede aos aliados, especialmente ao PMDB, direitos proibidos aos mortais. Desde, é claro, que o parceiro ofereça apoio aos projetos e desígnios do PT.

A julgar pela euforia petista com o exercício do poder, o partido está a avaliar que a relação custo-benefício desse tipo de operação vale a pena. Será? Na política é habitual o sujeito deixar-se levar pela ilusão de que tudo está bem. Não fosse assim, não haveria espaço para grandes surpresas eleitorais, quando a urna finalmente traz o que pensa o eleitor. Mas enquanto este não se manifesta prevalece a miragem do tudo pode.

A urgência constitucional determinada pelo governo para a tramitação dos projetos do pré-sal atolou na Câmara dos Deputados. É uma coisa intrigante. Se o governo tem maioria ampla na Casa, e se os líderes da base governista podem, portanto, pedir a votação em plenário de qualquer texto a qualquer momento, por que o Palácio do Planalto impôs a urgência a priori num assunto tão compexo? Ora, por achar que emplacaria. Veremos o desfecho.

O procedimento revela novamente o conceito. Durante muitos meses, o assunto ficou rodando pela Casa Civil, indo e voltando do Ministério de Minas e Energia. Ótimo. Era o governo cumprindo seu papel. Entretanto, por mais consideração que a sociedade possa ter pela ministra Dilma Rousseff e pelo colega Edison Lobão, não dá para concluir que o país está totalmente representado pelo duo nesse debate. Não dá para achar que o Brasil pode ser governado só assim: com Luiz Inácio Lula da Silva falando mal do antecessor, Dilma fazendo suas apresentações e o PMDB dando um jeito no Parlamento.

O Brasil é mais complexo. Por elegância, não é o caso de citar exemplos de vizinhos. Mas talvez conviesse ao governo compreender que hoje parecemos mais com os Estados Unidos do que com alguns das nossas redondezas. E se nem Barack Obama, com todo o capital político acumulado e a maioria qualificada nas duas Casas do Congresso, escapa de passar pelo corredor polonês na polêmica sobre a reforma da Saúde, assunto exaustivamente debatido na campanha eleitoral, por que Lula, Dilma e Lobão imaginam que poderão virar do avesso, assim do nada, a um estalar de dedos, todo o universo nacional do petróleo e do gás? E fazê-lo sob aplausos unânimes do Brasil, pois afinal "eles devem saber o que é bom para nós".

Até porque se a propostas forem boas mesmo o governo terá elementos adicionais para emplacá-las. Mas vai exigir arte. Futebol não é só força, é também jeito. Intrigante que logo Lula, o boleiro, o encantador de serpentes, tenha esquecido dessa verdade. Bem Lula, que depois de cinco eleições e dois mandatos presidenciais talvez conheça o Brasil melhor do que qualquer um. É coisa de gente que se acostumou demais a palácio. Uma doença conhecida do príncipe.

O nome é Palocci

Em entrevista ontem a um canal de televisão, o ex-ministro José Dirceu disse que Antonio Palocci é a candidatura natural do PT ao governo de São Paulo. Fez as mesuras de praxe aos demais, mas não deixou dúvidas.

Pelo tom de Dirceu, e pelas conexões que ele mantém no partido e no governo, essa fatura está com cara de liquidada.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Jogo do Poder com José Dirceu (01/09)



O ex-ministro e ex-deputado federal José Dirceu é o entrevistado desta semana em Jogo do Poder, programa que eu apresento todas as quartas-feiras às 22:30 na CNT, logo após o CNT Jornal. Clique na imagem (quando ela aparecer) para assistir. Veja aqui como sintonizar em sua cidade. Participa também Luiz Carlos da Rocha, da CNT-PR. Para ver os programas anteriores, vá à lista.

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Um bom exemplo de patriotismo (02/09)

Patriotismo é que nem colesterol. Tem o bom, como o do ministro Carlos Alberto Menezes Direito. E tem o ruim, que sempre é desejável manter sob controle

Quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Alberto Menezes Direito, que morreu ontem de uma doença no pâncreas, pediu ano passado para interromper a sessão que julgava o caso da reserva indígena Raposa Serra do Sol, pareceu estranho. Natural seria que ele, de conhecidas ligações com a Igreja, endossasse simplesmente a tendência da Corte naquele assunto, só referendando a demarcação contínua, da maneira como a coisa viera do Executivo. Que por sua vez agira também —e muito— pressionado pela hierarquia católica.

A estranheza acabou quando o julgamento foi retomado meses depois, e o ministro mostrou por que suspendera a sessão inicial. Tinha sido por uma boa causa: para incluir cláusulas, bem explícitas, que sobrepusessem o interesse nacional e a soberania do Brasil ao também constitucional direito dos povos indígenas a terra.

O voto de Menezes Direito, integralmente acolhido pelo relator, Carlos Britto, avançou em detalhamentos importantes. Acabou com a obrigatoriedade de as Forças Armadas pedirem licença à Funai, ou às comunidades envolvidas, para entrar em terras indígenas ou nelas se instalar. Eliminou as dúvidas sobre de quem são as riquezas do subsolo nas reservas: elas são da União. O voto é minucioso. Para os interessados, está tudo no site do STF.

Infelizmente, a doença cortou de modo prematuro a carreira do ministro Menezes Direito no Supremo. Sua passagem por ali foi relativamente rápida. Mas muito proveitosa. O exercício socialmente útil da função pública obedece a alguns parâmetros. Um deles: se você ocupa cargo, dê um jeito de o país estar melhor na hora em que você sair da cadeira. E se a melhora tiver algo a ver com o que você fez, parabéns.

Também por isso, parabéns póstumos para o ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

Por falar em debate sobre patriotismo, tem suas razões a oposição quando protesta contra a urgência constitucional determinada pelo Executivo para a tramitação dos projetos do pré-sal. Se o assunto é importante a ponto de ser apresentado à sociedade brasileira como fonte da cura de todos os males, solução de todas as carências, pote de ouro na ponta do arco-íris, então por que não fazer o bom debate com tranquilidade no Congresso? Até por um detalhe: o governo tem maioria em ambas as Casas e pode votar o que quiser, na hora em que quiser.

Não é razoável o governo achar que o Brasil precisa bater palmas para a proposta só porque ela foi acertada intramuros no Planalto. Só porque ela agrada aos apetites do PT e do PMDB, e de alguns sócios menores.

Mas o governo prefere apostar em outra linha, e também tem suas razões. Para o situacionismo, desejável será “demarcar os campos”, para fazer do pré-sal mais um instrumento de luta política. E colocar para andar o rolo compressor. Não deixa de ser inteligente como estratégia. Em vez de discutir a proposta em detalhes, dividir-se-á o país entre “os que estão a favor do Brasil” e “os que estão contra”. Os que defendem que o dinheiro do pré-sal vá “para o social” e os que desejam “engordar ainda mais as petrolíferas privadas”.

Com essa polarização primitiva e tosca, o governo pretende carimbar qualquer oposição ou dúvida sobre o projeto como impatriótica. Aqui entre nós, eu gosto mais de outro tipo de patriotismo. Um mais democrático, mais tolerante, mais sincero. Como aquele do ministro Menezes Direito na votação da Raposa Serra do Sol. Em que o STF precisou dar um jeito de corrigir e ajustar o que fizera o Executivo. Um bom exemplo de que patriotismo não é monopólio de ninguém.

Quando o presidente da República, montado em sua enorme popularidade e dispondo de ampla maioria no Congresso Nacional, dá vazão a teses que veem no suposto “excesso de democracia” um risco à soberania nacional, enveredamos por caminhos perigosos. Que, aliás, nem combinam com a biografia conhecida de Lula.

Patriotismo é que nem colesterol. Tem o bom, como o do ministro Menezes Direito. E tem o ruim. Que sempre é desejável manter sob controle.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Trazendo o futuro a valor presente (01/09)

Trata-se de um método. Desenhar o futuro com cores vivas e belas, e depois trazê-lo a valor presente. Criando assim a ideia (ou ilusão) de que ele, o futuro, já existe

Os bons empresários sabem como é importante, em certas situações, escapar à tentação de fazer um pouco de tudo. Sabem quando é melhor colocar o foco de suas empresas no que, em inglês, é o core business, a atividade principal. Os líderes inteligentes também agem assim, exibindo a face mais eficiente de seus governos, minimizando o que expõe fragilidade. Conforme a máxima daquele célebre ministro da Fazenda, caído em desgraça quando, sem saber que estava sendo captado pelas parabólicas, gabou-se de só mostrar o bom, escondendo sistematicamente o ruim.

O ministro caiu, mas o hábito continua. Quais os dois maiores méritos deste presidente da República? Um é ter enfiado a tacape na cabeça do país que o governo dar dinheiro para o pobre é coisa boa. A vitória definitiva de Luiz Inácio Lula da Silva no quesito está retratada nos jornais do fim de semana. Eles revelam a mudança radical de estratégia da oposição: finalmente, ela diz que vai parar de falar na “necessidade de portas de saída” para os programas sociais. Demorou. Mas antes tarde do que nunca. Êta curva de aprendizado comprida! Quantas qualis foram necessárias, pessoal?

A segunda grande realização de Lula é ter transformado o brasileiro num otimista. O assunto já foi tema da coluna em fevereiro do ano passado: “O otimismo é o grande eleitor”. Em parte por ele próprio, Lula, ser um exemplo admirável de superação e mobilidade social. E em parte por seu governo trazer dia sim outro também um desfile de projetos destinados, mais adiante, a mudar a face do país.

Trata-se de um método. Desenhar o futuro com cores vivas e belas, e depois trazê-lo a valor presente. Criando assim a ideia (ou ilusão) de que ele, o futuro, já existe. Tem um mérito, por não deixar que o porvir flutue só ao sabor da correnteza. E cria também um problema: quando os projetos apresentados por Lula são confrontados com as realizações efetivas, pode haver alguma decepção. Só que aí não será mais um problema do presidente, pois o mandato está no fim e ele sempre poderá se gabar de ter lançado os fundamentos do que virá, de ter sido o arquiteto do Brasil novo. Mas, e a construção? Ora, os engenheiros que se virem.

Ontem foi o pré-sal. Como antes tinha sido o biodiesel. E depois o etanol. A diferença é que o pré-sal de fato tem boas chances de ser um dia o que dele se espera. Se deixarem a Petrobras trabalhar. Até agora, por exemplo, ninguém conseguiu explicar direito a serventia da estatal que o Planalto propõe criar para cuidar dos novos depósitos. Aliás, Lula é mesmo um gênio da prestidigitação. Ataca, com a voz, os adversários políticos, por supostamente estarem contra a Petrobras. Enquanto com as mãos assina o projeto que ajuda na prática a debilitar o monopólio da empresa sobre o petróleo brasileiro.

Não deve haver esperança de que o Congresso Nacional faça um debate decente sobre o tema. PT e PMDB parecem estar de acordo na repartição dos dividendos, inclusive políticos, o que reduz a chance de uma contribuição substancial do mais democrático dos poderes a essa discussão tão importante. Infelizmente. Mais provável é que o governismo tente emplacar suas teses na base do rolo compressor, classificando como “inimigos do Brasil” os que tenham alguma restrição ao produto saído das conversas palacianas, comandadas pela ministra Dilma Rousseff e pelo ministro Edison Lobão.

O que vai restar para o Legislativo? Engalfinhar-se em torno de quanto da receita do novo petróleo irá para os estados e municípios produtores. Estes, especialmente o Rio de Janeiro, terão que atravessar o deserto na Câmara dos Deputados e no Senado, guerreando para evitar que os recursos se diluam por todo o país. Sobrou para o governador Sérgio Cabral.

Ironias da política. Foi o suplente de Cabral no Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), quem comandou o arquivamento das ações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). O que interessava a Lula. Agora, de mãos dadas, Lula e Sarney (por meio de seu aliado Lobão) oferecem as costas às dificuldades políticas de Cabral, cujo patrimônio no Rio assenta-se na parceria com Brasília. Mas Lula sempre pode, se quiser, dar um jeito de ajudar a salvar a face de Cabral, nem que só para aumentar a dívida deste com o príncipe.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense

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