sábado, 5 de dezembro de 2009

Os "coelhos" da oposição (06/12)

Como um corredor contratado para forçar no início o ritmo da corrida, a oposição colhe flashes e exibe vigor nas largadas, e também uma total falta de fôlego nas chegadas

Faz tempo que não falo, para valer, mal da oposição nesta coluna. Para não ficar me repetindo (andei fazendo isso uma certa época, e colunistas políticos não devem cair no ramerrame) e também porque, convenhamos, não chega a ser um prodígio de coragem e criatividade bater na oposição brasileira nos dias que correm.

2009 está chegando ao fim. Vamos fazer um esforço e tentar lembrar algo produtivo que a oposição tenha feito nos últimos 12 meses. Eu, sinceramente, não me recordo. Se estiver sendo injusto, meu e-mail está à disposição.

PSDB e Democratas lutaram para instalar a CPI da Petrobras. O objetivo era impedir que a empresa continuasse —sempre segundo a oposição— a servir aos propósitos políticos do PT e aliados deste. A CPI foi finalmente instalada, e o que aconteceu? Nada. Morreu de morte morrida, como diria o João Cabral. Nem foi preciso o governo matá-la.

Diz a oposição que o desfecho é produto da acachapante maioria governista. Bem, mas esse é um dado da realidade, anterior à CPI. Parece o governo colocando a culpa do apagão nos fenômenos meteorológicos. Por falar nisso, você conhece alguém da oposição que ainda esteja a cobrar das autoridades uma explicação definitiva sobre por que faltou luz naquele dia?

Um ano depois da eclosão da crise planetária das finanças, a economia começa a recuperar-se. A oposição teve esse tempo todo para apertar o governo nas taxas de juros, no spread. Poderia ter exigido mais rapidez e eficiência no ataque ao estrangulamento do crédito. Poderia, mesmo antes da crise, ter assumido a defesa de quem pega dinheiro emprestado em banco e é esfolado. Ou denunciado a violência das tarifas cobradas do cliente bancário.

Você poderia me dar o nome de pelo menos um parlamentar do PSDB ou do Democratas que tenha tomado a si a tarefa de adotar o lado do cidadão, trabalhador ou empresário, na guerra contra a escravidão financeira? Que tenha se oferecido para a missão de organizar a resistência? Já que hoje é domingo, quem sabe você aproveita o tempo livre e me ajuda a fazer essa pesquisa. Mas reserve um tempo razoável.

São exemplos. Poderia citar outros, como o caso José Sarney. O importante é que o comportamento da oposição brasileira segue um padrão, que lembra os “coelhos” das corridas no atletismo. Muitos flashes e vigor na largada, total perda de fôlego na chegada. Falta tudo. Método, persistência, organização. Os projetos do pré-sal estão em votação no Congresso. Alguém conhece a opinião consolidada da oposição a respeito?

É na oposição que os partidos e os políticos se credenciam ao exercício do poder. É como um simulador de voo: ali o piloto mostra se tem ou não as qualificações necessárias para pilotar avião de verdade, cheio de gente dentro. Diz-se de Luiz Inácio Lula da Silva que, antes de ser presidente, nunca teve experiência administrativa, fora a passagem pelo sindicato. Falso. Seu simulador de voo foram os muitos anos em que liderou, organizou e fez crescer o PT na tarefa de infernizar a vida do governante de plantão.

Por que a oposição brasileira não consegue fazer oposição? Talvez porque os interesses que mais facilmente defenderia estão bem contemplados no governo Lula. Incluem-se aí os felizardos que arremataram as estatais na era FHC, os bancos, as empreiteiras. Também por isso, fazer oposição de verdade ao governo do PT não seria trivial. Exigiria um ajuste estratégico, aproximar-se de demandas que se opõem às dominantes. Daria trabalho, implicaria sacrifício. Menos ar condicionado e mais barro amassado. Muito mais fácil é esperar sentado pelo megaescândalo.

Infelizmente para a oposição, quando o “big one” finalmente aconteceu foi na turma dela mesma.

Experiência-piloto

O presidente da República expôs esta semana um ponto de vista fascinante e original sobre como o mundo poderia banir as armas nucleares. Segundo sua excelência, todos os países devem possuí-las e daí então, talvez numa grande conferência mundial coordenada por sua excelência (esse detalhe é ironia minha), bani-las coletivamente.

O mandato de Lula está chegando ao fim. Essa tese de o armamento nuclear universal ser um bom caminho para o desarmamento nuclear universal ficará como um momento singular da passagem dele pela Presidência. Daqui a pouco mais de um ano, Lula certamente terá tempo livre suficiente para desenvolvê-la.

Mas talvez fosse o caso de fazer, já, uma experiência-piloto aqui no Brasil. Promover o armamento geral (convencional, claro) da população e depois —quem sabe?— convocar uma Conferência Nacional pelo Desarmamento. Se funcionar, poderíamos inclusive exportar a ideia.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada na edição deste domingo do Correio Braziliense.

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24 Comentários:

Anonymous Paulo Drummond disse...

Nada mais concisamente claro, meu caro Alon. A oposição não existe. Trata-se de um mero detalhe técnico que ajusta a pauta e preenche a boca. Mais nada. Em comentário de post anterior, escrevi que tanto situação quanto oposição são sacos de gatos. Gatos e gatunos, bem entendido. Mas são só isso, nada mais que isso.

Entretanto a situação é um saco bem costurado, linha forte de filetes de passivos políticos de boa cepa, tecido a várias mãos durante muitas e muitas estações quando oposição era. A oposição de hoje é um saco roto, usado e reusado, com o bocão aberto, sem costura alguma, um engalfinhamento perene, um salve-se quem puder.

Portanto, levantar-se contra escravidão financeira, discutir o novo marco regulatório do pré-sal, investigar a fundo a campanha pelo S Francisco, sustentar uma cpi para investigar o superfaturamento da Petrobrás, exigir explicações sobre estupidezes na política internacional, exigir resposta tecnicamente convincente pós-apagão, enquadrar o presidente na Lei Afonso Arinos (olhos azuis), questionar desenvolvimento de matriz energética suja, educação capenga, segurança perigosa, saúde doente... Quem há de, a partir de um bando de descacetados?

O apaniguamento é vasto, farto e cego. Ofertas são gordas, sonantes e brilhantes. Não importa pra onde o vento sopra, nem de onde vem o sopro, a frase em voga há muitas décadas é: quero o meu! O símbolo cômico maior do político brasileiro típico é o personagem Justo Veríssimo do Chico Anysio, que agora assistimos em reality show, um atrás do outro.

É o que temos. E fica a pergunta: quousque tandem?

domingo, 6 de dezembro de 2009 00:17:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, perfeita a caracterização da oposição, de onde vem tamanha indolência? Mas escrevo para perguntar onde você viu o presidente defender o acesso a armas nucleares a todos os países?

domingo, 6 de dezembro de 2009 07:23:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

O erro da oposição não é falta de fôlego para chegada.
O erro é do duelista desafiante que escolhe lutar com as armas que não domina bem.
Por que a oposição não defende mais suas teses de tamanho de estado, choque de gestão, privatização? Porque seus principais governadores não lograram bons resultados para defenderem junto à população (tarifas caras como pedágios, aumento de impostos, via substituição tributária em plena crise, políticas estaduais de fomento e de geração de empregos tímidas, etc.).
Acreditaram que dominavam melhor o discurso udenista da ética. Mas aí já foi aposta de alto risco. À medida que as cartas foram sendo colocadas na mesa, os episódios do Rio Grande do Sul, da Paraíba, o recuo diante da reação do PMDB de Sarney, outros escândalos menos famosos localizados, e finalmente o do DF, mostraram que as cartas que tinham na mão eram bem piores do que as do governo.
A CPI da Petrobras foi um erro craso. É uma das empresas mais transparentes e fiscalizadas do mundo, inclusive por comissões do próprio Congresso. Não havia razão objetiva para uma CPI. A oposição contava com factóides que seriam repercutidos na imprensa. Na era da internet, um simples blog corporativo da empresa se encarregou de desfazer os factóides, respondendo ponto a ponto as acusações com total transparência.

domingo, 6 de dezembro de 2009 13:43:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Repito a pergunto do Alberto099: Onde você viu o presidente defender o acesso a armas nucleares a todos os países?
Pois o que eu vi foi apenas defender que há incoerência entre a falta de pressão internacional pelo desarmamento de quem tem arsenais, enquanto só existe pressão contra quem não tem arsenais.

domingo, 6 de dezembro de 2009 13:48:00 BRST  
Anonymous Moses disse...

Alon, já que para compensar o pau na oposição vc pegou um argumento apenas retórico do presidente, então façamos um malabarismo do quilate do que vc fez: é dado da realidade que possuir armas atômicas é fator de soberania. Assim como é dado que, quando só alguns as possuem, a soberania dos outros (ou ao menos o poder de batganha) fica diminuída. Então me diga: vc está defendendo soberania só para alguns?

domingo, 6 de dezembro de 2009 14:20:00 BRST  
Anonymous Carlos Cassaro disse...

Igual ao Alberto 99, pergunto:
-Foi só você que ouviu o presidente dizer que TODOS devem ter armas nucleares?
Porque o que ouvi ele dizer foi que NINGUÉM deveria tê-las.
E só QUEM NÃO TEM tem moral para pedir que nenhum país tenha...
Tá querendo distorcer o quê, "jornalista"?

domingo, 6 de dezembro de 2009 14:44:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Bom assunto p uma coluna, Moses. Sobre "compensar o pau na oposição", esqueça das teorias conspiratórias. Quem me conhece sabe que, invariavelmente, eu escrevo o que me dá na telha. Só assim faz sentido escrever. Se não for desse jeito, fecho o boteco e mudo de ramo.

domingo, 6 de dezembro de 2009 14:53:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Duarte e Alberto099:

Se quem tem armas nucleares "não tem moral" para impedir que quem não tem as possua, deduz-se que quem não as tem deve tê-las, se assim desejar. Como todo mundo desejará, todos as terão. Lógica simples.

domingo, 6 de dezembro de 2009 14:55:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Exatamente, Carlos. Segundo Lula, o melhor caminho para um mundo desnuclearizado -que seria desejável- é um mundo completamente nuclearizado. Obrigado por ajudar a consolidar o que desejei expor no post.

domingo, 6 de dezembro de 2009 15:12:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Ser oposição em qualquer lugar do mundo é um infortúnio. Para sobrevivência ela precisa de três fatores: uma pessoa de carisma que possa construir junto à população um ideário que crie na população a expectativa de que só ele possa representar o ideário e realizá-lo, uma condição ruim na economia (inflação em alta ou recessão econômica) e uma evidência de fraqueza administrativa de um governante.
A única prova de evidente incompetência é a corrupção, sendo tudo o mais mera avaliação subjetiva. Na idade média e moderna era possível que um rei ou imperador assumisse o poder por razões hereditárias com total incompetência para a administração pública. Na democracia isso dificilmente acontece. Para se ganhar uma eleição há que se demonstrar uma competência mínima que diferencia o ganhador do incompetente e o iguala a todos os demais e apenas seremos capazes de avaliar se o que o eleito faz o aproxima ou o afasta da nossa ideologia. Se afastar dizemos que ele é incompetente porque cada um não considera a própria ideologia como ruim.
Então se houver geração de empregos, não houver inflação em ascendência (independentemente do tamanho do juro, pois a população não sente diretamente o tamanho do juro) e não houver na oposição alguém capaz de aglutinar a oposição, o destino da oposição é o olvido.
Dadas as peculiaridades do Brasil e de São Paulo, se não houver a crise, uma prova evidente de corrupção do governo e não surgir alguém com carisma resta à oposição torcer para que o candidato do governo não tenha nenhum carisma como o Márcio Lacerda aqui em Belo Horizonte na disputa para prefeito em 2008 ou o Albert Gore em 2000 nos Estados Unidos e que a oposição saia com Serra, que entra na disputa com mais de 50% dos votos dos paulistas que representam mais de 20% dos votos do Brasil.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 06/12/2009

domingo, 6 de dezembro de 2009 17:06:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Caros

A desqualificação do TNP por políticos brasileiros é antiga e hoje retoma sem nenhum matiz os mesmos argumentos dos governos militares.

Um pouco da história para os mais novos e para os mais velhos esquecidos dela.

Assim como os militares, parte da intelectualidade e significativos setores do lulo-petismo, o presidente é contumaz em sua crítica velada à ratificação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), assinada pelo governo brasileiro em 1998, com prévia aprovação pelo Congresso. Não são poucas as vozes políticas, com forte adesão da militância, que visam conferir falta de legitimidade ao Tratado, denunciando a sua assimetria (que nunca esteve oculta e sim foi consentida pelos signatários) e o seu suposto pequeno efeito prático no desarmamento mundial. Maluco é o que não falta para emitir opinião insana, quando o assunto é armamento nuclear.

No entanto, para quem é provido de superego, preza a racionalidade e a verdade e, portanto, não gosta de dizer bobagem e passar vergonha em público, sigo com algumas informações sobre o surgimento da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA) e o consequente TNP.

O surgimento da AIEA se deu no âmbito da ONU em 1956. É o ponto culminante de um debate entre as nações que inicia após o bombardeio de Hiroshima e a corrida armamentista subsequente. O TNP foi aberto para signatários em 1968. Entrou em vigor em 1970 como resultado de intensas negociações entre os países que detinham a tecnologia para armamento nuclear e os que não detinham. Com o Tratado, os países que NÃO possuíam a tecnologia CONSENTIRAM em não se armar nuclearmente, em troca da paulatina destruição dos armamentos pelos países detentores da tecnologia e do fornecimento de tecnologia nuclear para uso pacífico (isso ajuda entender o nosso acesso à tecnologia, com origem Angra I). Basicamente, os países consentiram no mesmo princípio que propiciou a eliminação e a proibição das armas químicas e bacteriológicas.

Portanto, o que disse Lula perante Ângela Merkel deveria orgulhar, mas envergonhar os brasileiros. Afinal, o Congresso (inclusive com os votos favoráveis do PT) RATIFICOU em 1998 (os governos militares foram contrários à ratificação) OS TERMOS ASSIMÉTRICOS DO TRATADO, REAFIRMANDO O CONSENTIMENTO para com um certo status quo em troca do gradual desarmamento.

O mundo, mais uma vez, deve estar rindo dessa demonstração de arrogância ignorante dos fatos e do texto do Tratado. Se não me engano, os princípios pacifista do uso dessa tecnologia e o que veta a fabricação ou utilização de armamento nuclear estão consagrados na Constituição de 1988.

Os dois principais objetivos da AIEA são a promoção do uso pacífico da energia nuclear e o desencorajamento do seu uso para fins militares. Assim, é papel da Agência assessorar os países no desenvolvimento de tecnologias para aplicações na geração de energia, na saúde, na agricultura e na indústria. É função da Agência o monitoramento das atividades privadas e estatais no campo da energia nuclear, podendo ser solicitada pelos governos para verificar se os materiais nucleares liberados para fins pacíficos estão ou não sendo redirecionados para uso militar.

Ao mentir à AIEA sobre o verdadeiro estado e objetivo das suas instalações nucleares, o governo iraniano desrespeita o Tratado, o qual também RATIFICOU. Isso é ilegítimo, como reafirmaram os países que aprovaram a resolução condenatória ao Irã. É sobre isso que não se poderia calar em público e abster-se na ONU.

domingo, 6 de dezembro de 2009 17:28:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Alon

As palavras do presidente foram:

... para ter “autoridade moral” para PEDIR que os outros não tenham, é preciso não ter também ...

Logo, o presidente pregou o desarmamento de arsenais.

A lógica é constatar o óbvio: quem promove a corrida armamentista não tem autoridade moral para PEDIR aos outros que não entrem na corrida. Só tem autoridade bélica para IMPEDIR.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 02:59:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O que deveria ser dito, em qualquer aparição onde discuta-se o assunto nuclear, seria a defesa do TNP, assinado e ratificado pelo Brasil. Afinal, princípios desarmamentistas estão presentes na Constituição e há até foto de um presidente brasileiro jogando uam pá de cal no buraco que serviria para testes de artefatos nucleares. Assim, qualquer outra forma de abordar o assunto parece padecer de coerência. Contudo, caso deseje-se discordar, por que, então, não denuncia o tratado, se afasta da AIEA, desenvolve artefatos nucleares e vetores de lançamento? É um assunto que, em algum momento, algum interlocutor poderá perguntar qual a posição real sobre o tema.

Swamoro Songhay

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 10:26:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Desculpe Alon, mas tua lógica é capenga. Do fato de que as potências nucleares não possuam autoridade moral para exigir o não armamento não decorre que todos os países possuam esse direito, e por diversos motivos: há países como o Brasil que se abstém de armas nucleares e esses possuiriam portanto essa autoridade moral; a autoridade não decorre exclusivamente do aspecto moral, a aspecto força bélica, que é o que de fato conta aqui, também existe: a ameaça última do ocidente sobre o Irã é a guerra, certo; e mais diretamente, de que uns não tenha autoridade moral de exigir de outros não decorre que esses outros tenham autoridade moral para realizar o que a exigência espúria buscava impedir, tentando desfazer o nó: da falta de autoridade moral de uns não decorre a autoridade moral de outros. O que Lula disse é óbvio, e parece procurar colocar o impasse do ponto de vista do Irã. Pode ser visto como uma proposta de discutir o programa nuclear do Irã no âmbito do desarmamento global ou mesmo no âmbito de uma nova rodada de redução multilateral de armas nucleares. Ambicioso sem dúvida, talvez quimera, mas não a estultice de que você o acusa.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 10:50:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Acho que a oposição ficou sem quadros para operar a oposição federal, pois os governos de SP, MG e RS os deixaram muito ocupados governando. Ao contrário do PT, que em outras épocas vivia praticamente de fazer oposição.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 11:03:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Em relação a sua análise da entrevista de Lula em Berlim seria interessante mencionar dois artigos de José Luis Fiori. Um mais antigo "A turma do 'deixa disso'" saído no Valor Econômico de 23/05/2008 em que ele deixa claro que não cabe ao Brasil a função de superpotência. E o segundo de meados desse ano, intitulado "Entre Berlim e o Vaticano", publicado no Valor econômico de 17/06/2009 em que ele reproduz o lema da democracia cristã alemã na campanha pelo parlamento europeu: "Por Deus, contra a Turquia".
O primeiro serve para dar razão a você, pois é uma espécie de censura a Lula por querer ditar regras que só cabem às superpotências. E o segundo lugar serve para lembrar que pelo menos lá fora, Lula tem a coragem de ir contra o 'status quo' da civilização ocidental cristã.
Agora quanto a você dizer que a proposta de Lula equivaleria a primeiro armar toda a população e depois propor o desarmamento, mesmo que o presidente tenha dito algo além do que reproduziu o Duarte no comentário enviado em 07/12/2009 às 02h59mim00s BRST, penso que sua equiparação não foi adequada. Talvez o que poderia ser apresentado como comparável seria dizer que primeiro o governo instruiria todos sobre como construir o próprio armamento e a o utilizar e depois proporia o desarmamento geral.
Às vezes, por motivos que vão além da nossa ideologia de esquerda, nacionalista e democrática, nós obnubilamos nosso raciocínio.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/12/2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 12:14:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Duarte (06/12/2009 às 13h43min00s BRST),
Perfeito o seu comentário. Um comentário à altura dos de Alon Feuerwerker nos melhores momentos.
O trunfo com que as oposições no mundo toda contam é a avaliação incorreta que se faz de práticas sobre corrupção. Desse trunfo, o PT também usufruiu quando era oposição. No país e no mundo todo dia alguém está sendo expulso do serviço público por se ter constatado alguma irregularidade de conduta que se subsume nos crimes contra a Administração Pública tratado no Código Penal. Por não ter relevância política, essas informações não são repassadas para o público.
Crimes com envolvimento político como o do “Escândalo das Ambulâncias” ou “Escândalo dos Sanguessugas” com divulgação em 2006 têm mais divulgação, mas não são analisados com racionalidade. Segundo a Folha de S. Paulo, o faturamento da Planam de 2000 a 2005 foi de R$ 70 milhões. Muitas ambulâncias foram entregues. Tudo foi feito segundo as regras do orçamento, mas com alguma irregularidade no caminho. Bem só esse ano em decorrência da aprovação da Lei Kandir com desoneração das exportações de produtos primários e semi elaborados só o estado de Minas Gerais deixou de arrecadar mais de R$ 600 milhões de Reais se fosse aplicado às exportações de Minas Gerais de produtos primários e semi elaborados (Basta para isso minério de ferro e café) a alíquota mínima de 7%. A Lei Kandir goza de toda a presunção de legalidade. Esse ano uma grande empresa de mineração contratou um dos maiores publicitários do mundo político para um grande projeto de marketing na mídia. Muito mais do que a empresa de mineração pagaria em tempos normais.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/12/2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 12:43:00 BRST  
Anonymous Thiago Alexsander disse...

claro q sim

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 12:43:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Em termos de aplicação de recursos em P&D e depois em produção e capacidade de utilização, talvez tenhamos capacidade nuclear dissuasória daqui a alguns poucos séculos. Pouco para inflar egos. Muito para quem não tem recursos a desperdiçar. Como não poderemos obliterar, de forma convencional e muito menos nuclear, a ninguém, pensar que alguém intente fazer conosco é equivalente a vender paranóia. Assim, como não há outro jeito, o melhor é pensar em alocações alternativas a recursos tão parcos. E pensar também em formas melhores de comunicar a posição sobre a posse de armas nucleares. Aliás, de armas convencionais também. De repente, aqui na AL, surgiu um ranger de dentes e uma frenética busca por trabucos que não faz nenhum sentido. O que pretendem fazer com tais estrovengas?

Swamoro Songhay

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 15:22:00 BRST  
Anonymous Moses disse...

Prezado Alon,
não acho que tenha havido uma "deliberação" sua no sentido de equilibrar. Somos humanos, e essas coisas acontecem às vezes até de forma involuntária. Como realmente não te conheço, achei presumível que fosse assim, mas faço o mea culpa. Importante pra mim é que ali vc centrou fogo num elemento retórico que o presidente invocou, sendo que à toda evidência ele não estava defendendo aquilo que vc criticou. Para ser sincero, a mim pareceu que sua crítica não teria sentido algum, exceção feita a um possível tempero ao tópico anterior da coluna.
Sobre não termos armamento nuclear, acho que é mais uma piada constitucional que temos no Brasil. Minha posição é semelhante à que vc defende em relação à Amazônia: não ter armamento nuclear é lindo para quem tem. Grande abraço!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 16:24:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

As palavras do candidato a presidente em 13/09/2002, durante reunião com militares e ex-ministros do regime militar:

"Só teria sentido esse tratado [TNP] se todos os países que já detêm [armas nucleares] abrissem mão das suas. Ora, por que um cidadão pede para eu me desarmar, para ficar com um estilingue, enquanto ele fica com um canhão para cima de mim? Qual a vantagem que levo? O Brasil só vai ser respeitado no mundo quando for forte econômica, tecnológica e militarmente."

Por causa da repercussão negativa dessa declaração no debate eleitoral de 2002 e também nos EUA, Lula teve que relativizar suas convicções armamentistas e desdizer em outubro do mesmo ano o que afirmara em setembro.

Para quem não está ensurdecido pelo alarido dos altos índices de popularidade e soube ouvir a declaração do presidente no recente episódio alemão (“que a Rússia desative as suas, porque a autoridade moral para a gente pedir para os outros não terem é a gente também não ter”), Lula mostrou claramente:

1. sua ignorância sobre a história do TNP e sobre os principais regimes e acordos a respeito de tecnologias de uso duplo (nucleares, químicas e biológicas) firmados soberanamente pelo Estado brasileiro.

2. que hoje ainda pensa igual ao que disse sobre o TNP em setembro de 2002.

Junte-se às recentes declarações do presidente na Alemanha, a identidade de Lula com esse pensamento deslegitimizador do TNP expresso por não poucos expoentes do seu governo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 17:04:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, primeiro quero me desculpar. Tendo lido apenas sua resposta a minha pergunta, antes do meu segundo comentário, não percebi que já havia os comentários do Duarte, do Moser e o do Carlos Cassaro dizendo a mesma coisa que eu. Também confesso que, por ingenuidade minha, não percebi de imediato o tom jocoso da tua crítica. Ok, creio que não acrescenta nada, mas pode divertir alguém.
Caro Paulo Araújo, sua crítica não é jocosa, muito pelo contrário, mas me parece ater-se a questão secundária. A convicção íntima do presidente, aquela que se conhece olhando nos olhos, se não afeta a política de Estado, é irrelevante, e se afeta, deixou de ser questão de convicção íntima. A fala de Lula em Berlim não renega o TNP e se este, como você diz, prevê como compensação para a evidente assimetria inicial do tratado o progressivo desarmamento das potências nucleares, então o discurso de Lula é antes consistente com o tratado, pugnando por uma aceleração do “outro lado” do acordo.
O Irã de Ahmadinejad é repulsivo visto do ocidente, a não ser para aquela esquerda porra-loca que compra qualquer briga contra o império. Também é difícil acreditar que esse Irã não tenha de fato intenção bélica com seu programa nuclear. Nessa toada, mais cedo ou mais tarde, a única diplomacia possível será a guerra, e todo o esforço anterior de conversação terá sido em vão. Mas o Irã é muito mais que um Iraque, o custo a ser pago pelo ocidente para enquadrá-lo será muito maior que o que hoje está pagando no Iraque, se é que consegue enquadrá-lo. O Irã também é mais que o Iraque pelo fato de ter uma vida política mais complexa, com uma oposição que se expressa mesmo sob forte repressão, e que pode representar uma futura aproximação com o ocidente. Nesse contexto, um meio aliado pode ter um papel importante, dando “jogo” a uma partida cuja conclusão parece dada de antemão. Uma condenação unânime e forte reforçaria o discurso do atual governo e desestimularia a oposição, a existência de um meio aliado permite, inclusive, que a pressão seja mais forte da parte dos demais... preserva a opção pelo diálogo. Diria que parte de nossa qualificação para o papel decorre mesmo de nossa relativa fraqueza no quadro da diplomacia global, podemos espernear o quanto quisermos que as potências ocidentais sabem que, se partirem para as vias de fato, não encontrará o Brasil ao lado do Irã, ou com o poder de barrar o que quer que seja – o que pode não ser o caso se o meio aliado for a Russia ou a China, ambas inclusive com poder de veto no Conselho de Segurança. De resto, nosso risco é mínimo, se sobrevier a guerra teremos perdido, mas é uma derrota sem maiores efeitos para nós, mesmo que o Irã desenvolva o armamento bélico, ninguém será louco de dizer que fomos nós que barramos a reação ocidental.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009 12:50:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alberto

A crítica de Lula ao TNP, se não for hegemônica em seu governo, tem forte respaldo entre importantes setores civis e militares. Entre os mais ilustres bombistas e críticos do TNP no âmbito governamental, cito alguns: o ministro da SAE Samuel Pinheiro Guimarães, o secretário de política, estratégia e relações internacionais do Ministério da Defesa, general-de-Exército José Benedito de Barros Moreira, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, o vice-presidente José Alencar.

A crítica de Lula ao TNP explicitada com todas as letras em 2002 para militares e ex-ministros do regime militar não é diferente da crítica que veio à tona na declaração a Ângela Merkel em 2009. O que eu estranho é o contorcionismo mental e retórico para dizer que Lula hoje faz e diz o contrário do que efetivamente fez e disse em 2002 e agora em 2009.

Você já parou para pensar sobre a ameaça que o programa nuclear iraniano também representa para os governos islamitas da Arábia Saudita e dos demais países de maioria sunita no Oriente Médio? Você acredita que esses países estão confortáveis com a atual posição governamental brasileira sobre o andamento "pacífico" do programa nuclear iraniano?

E depois de pensar bem sobre isso, você ainda continuaria acreditando na hipótese de que o Brasil poderia vir a ter alguma influência geopolítica nesse ambiente? Ou, continuará você dando trela para a retórica do nunca-antes-neste-pais, que diz sem corar que nunca tivemos uma política externa verdadeiramente soberana porque “antes havia o hábito de se pedir licença para fazer as coisas, o hábito de ser pequeno” (entrevista de Samuel P. Guimarães ao jornal Zero Hora)?

É pueril a crença na hipótese de que os países detentores de armamento nuclear, sobretudo EUA, Rússia e China, vão realmente dar ouvidos para o que diz "o cara" a respeito.

O comportamento dissimulado do governo iraniano sobre o seu propósito de fazer a bomba já está evidente até para os seus tradicionais aliados Rússia e China, nenhum pouco interessados em uma corrida nuclear no Oriente Médio.

Não é mais uma questão de acreditar ou não, mas sim de se perguntar sobre quando os aitolás terão a bomba se nada for feito de fato para impedi-los.

Vendo o que os aitolás fazem contra o seu próprio povo, imagino o que eles não seriam capazes de fazer contra os que consideram infiéis. Essa gente não dialoga. Somente sabe impor-se pela força bruta. Eles estão numa corrida desenfreada em busca da bomba e nenhum um pouco interessados em dialogar.

Abs.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009 18:51:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Paulo, sei o quanto sou confuso ao escrever, de fato percebi quando quis dar alguns pitacos “on line”, ver meu texto era como não reconhecer a própria voz gravada. Para piorar, como estou sem tempo, vou dar uma resposta elíptica. Apesar do o oba oba global, o Brasil não deixou de ser um país periférico e, definitivamente, não vai liderar o ocidente. Então o papel que pode representar é pequeno, mínimo, mas talvez possa ser mensurado. A idéia que tentei expor é que esse papel seria impedir que o ocidente se apresente ao Irã como um bloco monolítico, o que reforçaria o atual governo iraniano (acho que quem buscar ouvir o que diz nossa diplomacia “in charge” vai ouvir isso mesmo). Só isso, quase nada. Já é difícil ler o subtexto do jogo político, o diplomático me parece muito pior, é uma quantidade assustadora de conversa jogada fora, mas a guerra é sempre pior. Mas você já viu a taxa de crescimento quando uma quantidade pequena é comparada com uma ínfima? Não, a diplomacia brasileira não começou com o governo Lula e eu ouvi dizer isso pela primeira vez justamente de um diplomata tucano (não me lembro quem), para dizer que não era assim. Pois é, que não era não era, mas bem que o cara pensou ver, né? Nos de fato não tínhamos obrigação de estar lá, e quem se mete a assumir responsabilidades pode se dar mal... quem não faz nada não se dá mal, certo?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 08:44:00 BRST  

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