sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Discursos não pagam as contas (11/12)

Por que foi um ano perdido? Lula manejou mal as variáveis. Deixou o BC praticar juros reais estratosféricos enquanto o mundo corria para taxas negativas

Os números medíocres do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, divulgados ontem, fazem concluir que 2009 foi mesmo perdido para a economia brasileira. A dúvida é se o PIB deste ano vai crescer uma merrequinha, ou cair uma merrequinha. Agora, a estatística do IBGE permite finalmente um juízo objetivo sobre o discurso presidencial de que “o Brasil foi o último país a entrar na crise e o primeiro a sair”. Era mesmo só discurso. Vazio. Azar de quem acreditou. Ficou com cara de tacho.

Em maio, escrevi que o governo adotava uma estratégia de comunicação eficaz. Como estatísticas sempre descrevem o passado (ainda não inventaram estatísticas sobre o futuro), bastava martelar que “o pior ficou para trás”. Como havia 100% de probabilidade de um dia o pior ser efetivamente deixado para trás, a expressão tinha também 100% de chance de se encontrar com a realidade, um dia.

O malabarismo verbal das autoridades econômicas ao longo de 2009 é um portento. Um capítulo especial na retrospectiva do ano deverá ser dedicado às previsões flutuantes do ministro da Fazenda. Houve para todos os gostos. Mas o mistério mais recente são os dados do Caged, cadastro de empregados e desempregados organizado pelo Ministério do Trabalho. Segundo o Caged, a criação líquida de empregos este ano girará em torno de 1 milhão. Ano passado, com a economia crescendo 5%, foi de 1,5 milhão.

Não parece haver aí alguma inconsistência? À primeira vista, ou a criação de empregos em 2008 foi subestimada, ou a de 2009 está sendo superestimada. Ou então precisamos avisar em Copenhague que descobrimos a fórmula mágica para combater o aquecimento global sem sacrificar o desenvolvimento social: o pessoal do Caged deveria ir à Dinamarca e explicar a receita brasileira para criar empregos aceleradamente numa economia estagnada.

Por que 2009 foi um ano perdido para o Brasil? O resultado era inevitável diante da crise? Não. Luiz Inácio Lula da Silva manejou mal as variáveis. Deixou o Banco Central solto para praticar juros reais estratosféricos enquanto o mundo corria para taxas negativas. Assiste passivamente a um Henrique Meirelles que age como se fosse Nero em Roma, tocando a harpa da “ameaça inflacionária” enquanto o real sobe a ladeira e fecha as portas às exportações brasileiras.

Mas Lula deve saber o que faz, já que agora pensa inclusive em colocar Meirelles como vice de Dilma Rousseff. Para — quem sabe? — adoçar a boca da turma do cassino. Por que mudar uma fórmula vencedora? Por que mexer em time que está ganhando? Na pista da esquerda, paralisa-se a oposição tucano-democrata com discursos que evocam a superação do “neoliberalismo”. Na da direita, pratica-se a mais perversa e elitista política de crédito do mundo. Enquanto isso, o presidente vai controlando a situação com discursos diários, às vezes mais de um por dia.

Pena que os trabalhadores e os empresários não possam pagar suas contas usando os discursos de Lula como moeda.

Interesse geral

A desfiliação de José Roberto Arruda do Democratas é recuo tático, sob fogo cerrado. Já havia na Executiva do partido uma maioria expressiva e irreversível a favor da expulsão. Agora o governador vai lutar para tentar salvar o mandato na Câmara Legislativa.

A favor dele, o fato de a Casa estar tão enrolada quanto. Contra, o desaparecimento da expectativa de poder e do natural magnetismo, já que não mais será candidato à reeleição.

Mas Arruda tem uma chance de sobreviver. Fora do páreo, sua permanência na cadeira até o outro dezembro pode interessar aos potenciais candidatos ao Buriti. No cálculo frio, é possível que eles prefiram um Arruda eleitoralmente inviabilizado do que colocar ali alguém que, de caneta na mão, simpatize com a ideia de tentar continuar mais quatro anos.

Você votaria em quem?

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tinha um problema. O que alguém metido em duas guerras deve dizer na cerimônia em que vai receber o Nobel da Paz?

Obama resolveu o desafio com uma atitude à altura do cargo. Enfrentou. Disse que há guerras justas, e que elas às vezes são necessárias para alcançar a paz.

Trata-se de uma verdade. O prêmio, que eu saiba, não é dado postumamente. Mas se fosse, e se o consultassem, você votaria em quem para receber o Nobel da Paz: em Neville Chamberlain, que assinou o pacifista Pacto de Munique com Adolf Hitler, ou em Winston Churchill, que ganhou a guerra contra o nazismo?

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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29 Comentários:

Anonymous Tiago Aguiar disse...

Excelente texto. Apesar de inclusive discordar de algumas opiniões suas (algumas), o texto é magnetico e pontual. E a maioria das críticas são muito mais inteligentes do que os criticos do governo conseguem - faz falta criticas inteligentes em meio a tantos elogios e criticas mediocres. Saudações!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 00:33:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Não achei nenhum desastre o crescimento do PIB na conjuntura atual.

Quanto à geração de empregos em 2008 é preciso lembrar que o último trimestre já não foi bom.
Gerar 1 milhão de empregos aconteceu em vários anos do primeiro governo Lula com crescimento baixo.

Quanto a Meirelles ser vice é difícil imaginar que alguém leve isso a sério. Basta analisar a conjuntura.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 03:28:00 BRST  
Blogger TAQ disse...

Bom dia Alon,

Os dados do Caged ainda não são confiaveis, pois embora seja obrigatorio o envio mensalmente e ele tenha se tornado eletronico nos ultimos anos(a uns 6 ou 7 antes preenchiamos um formulario no papel e enviamos via correio pagando uma taxa, por isso quase ninguem fazia e os dados não eram relamente tabulados) muitas empresa ainda não os enviam regularmente, assim para acompanhar emprego x desemprego ainda é melhor observar as taxas do ibge, diese,etc.
Embora haja uma multa por não entrega, a fiscalização para o cumprimento desta obrigação é muito fragil.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 08:47:00 BRST  
Anonymous Ricardo Melo disse...

Oras bolas, Alon...

Chamberlain ou Churchill para Nobel da Paz???

Nenhum deles!

O primeiro foi um iludido e o segundo foi o homem certo para colocar a Grã Bretanha na guerra.

O Obama vai ter que gramar muito para se equiparar ao Lyndon Johson.

Johnson fez uma grande diferença ao aprovar a equiparação de direitos civis para os negros e se estrepou no Vietnã.

O Obama vai se estrepar no Afeganistão, defendendo um governo ditatorial e narcótico, mas vai ficar devendo muito no plano doméstico.

Ganhou o Nobel da Paz mas não vai levar o mérito.

Até aqui, tudo indica que ele não vai ser um dos presidentes "cultuados" dos EUA.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 10:07:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O ano ainda não terminou...
O que se lê,não é análise.É torcida!
Contra e sempre!
Se, há alguma responsabilidade nessa frustração estatística,credite-se à covardia proverbial do empresariado.
Principalmente do setor industrial.
Coube ao governo federal,fazer o que caberia ao setor privado: enfrentar e criar soluções.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 10:38:00 BRST  
Anonymous Terêncio Mirândola disse...

"Os números medíocres do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, divulgados ontem, fazem concluir que 2009 foi mesmo perdido para a economia brasileira. A dúvida é se o PIB deste ano vai crescer uma merrequinha, ou cair uma merrequinha. Agora, a estatística do IBGE permite finalmente um juízo objetivo sobre o discurso presidencial de que “o Brasil foi o último país a entrar na crise e o primeiro a sair”. Era mesmo só discurso. Vazio. Azar de quem acreditou. Ficou com cara de tacho".
Há concordância com o comentarista que disse serem os dados do caged não confiáveis. Quem sabe melhorarão um dia caso aperfeiçoem seus métodos, suas pesquisas. Pelo menos uma amostragem "olho no olho" tem de acontecer.
O Brasil cresce e cresce desde os esforços do governo Itamar e seu Plano Real, isto é verdadeiro. Os gastos públicos tão necessários ao desenvolvimento do país não causaram patamar inflacionário "imoral" como queriam muitos da oposição, ou seja, como diz alguém: tem sempre alguém querendo que o Brasil não cresça, que haja sempre uma catástrofe". A Inclusão Social, por outro lado, é cara e vai durar muitos anos pela frente, independente de quem esteja no poder. Perdoe-me Alon mas "cara de tacho"? 12 milhões de novos empregos! quando a meta era de 10 milhões? Via terrestre, viajei 18.000 km e pude constatar que o Brasil está mudando e pasme, dos grotões do nordeste, dos sertões esquecidos até o sul do Rio Grande.
Um dado: as bolsas humanitárias evitaram a migração para o sudeste e centro-oeste do Brasil de milhares de brasileiros, diga-se de passagem, os antigos "paus-de-arara". Se imigrarem, perdem aquele direito. O diálogo mudou e a pobre gente discute seu rincão, seu pedaço de terra. É outra a dialética. Outros tempos, outros direitos.
Que beleza, Alon, que beleza.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 10:58:00 BRST  
Anonymous Tovar disse...

Diante das circunstâncias até que o Arruda não jogou mal ao sair do DEM.
Tendo muito pouco mais a perder, mantém uma caneta com tinta e os compromissos para com ele passaram a ser exclusivamente pessoais. A briga com ele agora é de alto risco.
Não há perigo de impeachment. Afora os vínculos públicos, possuir folha corrida ao invés de curriculum vitae, é traço comum dentre os distritais. Há dúvida se cabe o uso do plural na obrigatória referência às exceções.
No cargo será mais do que coadjuvante em 2010 e o balcão de negócios, sob "nova" direção, já estará aberto.
O orçamento do GDF desde sempre é partilhado pelos mesmos. Não perderão o controle agora e nem há´perspectivas de mudança futura.
Pelo menos enquanto mantida a autonomia(!?) do DF.
É baixíssimo o nível político local.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 11:21:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

O resultado final do PIB de 2009 em relação a 2008, terá uso como bandeira política (afinal cada um agarra-se no que tem), mas pouca importância para a vida real.

Existe uma grande diferença entre um país que não cresce, que está estagnado, e um país que já passou pela fase de queda e voltou a crescer.

A comparação de cada trimestre com o trimestre anterior dá uma visão mais clara desse movimento:

O PIB do 4o. trimeste de 2008 recuou um número brutal: -2,9% em relação ao trimestre anterior.

O PIB do 1o. trimeste de 2009 já recuou pouco: -0,9%

No 2o. trimestre já cresceu +1,1%

No 3o. trimestre cresceu +1,3%

A situação é bem diferente do caso em que todos os trimestres estivessem com crescimento próximo de zero.

São como as empresas que tiveram prejuízo num semestre. Passam a régua, e o que passa a interessar é o semestre seguinte. Se as vendas retomam, é essa tendência que interessa para a sobrevivência da empresa. É assim que funciona a vida real.

E na vida real o que é preocupante não é nenhuma média, é o porque do PIB agropecuário ter caído -2,5% neste 3o. trimestre, enquanto a indústria subiu +2,9%.

Os incentivos à indústria funcionaram. O agronegócio é está precisando de algum enfoque de fomento, que não sei qual é.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 14:27:00 BRST  
OpenID muitopelocontrario disse...

@ Ricardo Melo

Boa referencia!

@ Alon

Olha só, vc esqueceu do essencial:

1 - É melhor um resultado ruim do PIB agora, com aumento dos juros basicos apos as eleições?

2 - Um PIB mediocre, mas positivo, mas com um aumento de juros nas vesperas de 2010?

Lembre-se tb que muita gente boa, inclusive o Delfim, um critico costumaz, aceita que o BACEN descobriu que tinha amarras institucionais que vc só descobre em momentos de crise.

Pra mim a critica maior ao governo é a pergunta sobre o que ele fez ao Pais pra nos dar um modelo institucional melhor, que combine fiscalizacao, agilidade e responsabilidade pra enfrentar os momentos de crise?

Pra mim nada, nem a questao da Poupança ele resolveu. Entao so sobra a analise politica/eleitoral.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 15:21:00 BRST  
Blogger marc.cost disse...

Se o Pais ainda não está no pleno descalabro, deve-se ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE ao BC. Em um ano de crise, onde a queda da arrecadaçao já era esperada, o MF concedeu isencoes tributarias (muitas com caráter eleitoreiro) e aumentou gastos correntes. Qual a contribuiçao do lado fiscal para o equilibrio inflacionário? No combate à crise? ....Zero
Mas é claro, é mais fácil criticar a autoridade monetária por conta de uma visao esquerdista de que sao os bancos que lucram com os juros altos (banco ganha dinheiro, quando os juros caem..., qualquer aluno que saib matemática financeira de 1 grau sabe isso), mas isso não é manchete. Recomendo ao Alon, o artigo Lombard Street to Avenida Paulista, na pg do FMI, mas se quiser, pode ainda ler em uma edicao do Valor da semana passada.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 15:56:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

É certo que os temas econômicos são muito maltratados na nossa imprensa especializada.
Daí que é de se esperar que os não "especializados" consigam ver um pouquinho além daqueles que não conseguem prognosticar nem sobre o passado, quanto mais sobre o futuro.
Por isso, esperava mais da sua parte.

Existem PIB´s e PIB´s.
O PIB gerado pela Vale despencou por conta da queda da cotação do minério mas ela continua necessitando a mesma quantidade de homem/hora para retirar do chão uma tonelada de ferro.

O mesmo se passa com os fazendeiros que viram seu PIB despencar por conta da redução do preço da carne mas que continuam necessitando dos mesmos homem/hora para produzir uma arroba de alcatra.

Nos dois casos, mantidos os volumes, despencou o PIB e o emprego se manteve no mesmo patamar.
E, ainda nos dois casos, a queda do PIB fez a felicidade prosperar nos andares de baixo, naqueles que não sabem o que é PIB mas sabem comemorar qualquer coisa como um bom churrasco na laje.

E sua avaliação que decreta 2009 como ano perdido está longe, muito longe, de retratar o que está ocorrendo.
Fechar 2009 no "zero a zero" significa sacramentar os 5% do ano passado, coisa impensável para os paises ditos civilizados e até por aqui.

Alon, você anda contaminado pelos ares brasilienses.
Saia daí e procure ver o PIB pelos olhos daqueles que inspiraram a dupla Bosco/Blanc em "O Rancho da Goiabada".

E uma lembrança:
Hoje a Folha, tratando do PIB, fez questão de lembrar que no Governo FHC o mesmo cresceu, em média, 2,6% ao ano no primeiro mandato e 2,1% no segundo.
Pois para esse mesmo período o CAGED contabilizou a eliminação de 1,8 milhão de postos no primeiro Governo e a criação de 1,5 milhão de postos no segundo.
Vê-se, portanto, que não é de agora que não dá para sair amarrando sem mais nem menos o número do PIB à geração de empregos.

daSilvaEdison

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 16:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Tiago Aguiar,

estou contigo. Parece que o plebiscito que o Lula quer implementar em 2010 já invadiu a imprensa, a sociologia de buteco, os blogs, etc.
Porém, esta visão plebiscitária do mundo é bastante pobre analiticamente.
Por isso, leio o blog do Alon. Discordo de uma coisa ou outra, mas, de um modo geral, sempre leio boas análises.

Daniel Menezes - Natal/RN

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 17:38:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Obrigado ao daSilvaEdison
Eles esclareceu para mim as prováveis razões para queda do PIB agropecuário, e explicou com maestria os fatores que mantém o emprego.
Me ajudou a lembrar o primeiro governo Lula, quando o PIB crescia pouco em valores monetários, e alguns líderes empresáriais reclamavam que estavam tendo que trabalhar mais (produzir mais, portanto empregar mais) para ganharem, no final, o mesmo tanto.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 19:05:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

´
Alon,

Em nome da credibilidade que o seu Blog, e você, carregam, uma necessária correção.

Em comentário anterior fiz uma trapalhada com os números do Caged.
Então, corrigindo: no primeiro mandato FHC eliminou-se 1,3 Milhão de postos de trabalho formais; e no segundo gerou-se 1,8 Milhão de postos.
Saldo ao final de oito anos: 0,5 Milhão de postos criados.

E o Caged daquela época, e de antanho, é o mesmo de hoje.
E "Carteira Assinada" também.

daSilvaEdison

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 20:55:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Duarte,

Existe o PIB de quem produz bife.
E o dos que comem os bifes.

O dos que usufruem dos gordos dividendos da Vale.
E o dos que consomem barras de ferro.

E o Alon sabe, ou se lembra, ou se lembrará, disso.

daSilvaEdison

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 21:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

No caso do DF, infelizmente, não temos o caso de alguém apenas inviabilizado eleitoralmente. Trata-se de inviabilizado por corrupção. No caso sobre guerras justas, mas ainda guerras perversas, cravaria Winston Churchill. Quanto ao Obama, concordo que ele enfentou uma situação de sinuca de bico e enfrentou-a.

Swamoro Songhay

sábado, 12 de dezembro de 2009 11:14:00 BRST  
Blogger cbrayton disse...

A maior safadeza de Bush Filho foi começar uma guerra necessária,isso sim, não houve muito discordo nisso, no Afeganistão, para depois deixar de executá-la. Deixou isso para um Obama como um sapo na sopa e quebrou de vez a credibilidade do partido dele como partido de guerras justas e toda aquela engenharia da democracia global. Eu sou Nova Yorkino, e sinto isso com forte emoção ... raiva ... desespero ...

sábado, 12 de dezembro de 2009 14:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

cbrayton, tb. sinto raiva de qualquer querra. Deveria ser um sentimento de todos. Justas, o que raramente o são, ou injustas como a quase todas. No caso do Obama, não resta outra alternativa a não ser tentar provar que sua ação seria a melhor dentro do pior que pode ser a guerra. Tanto que arrisca-se a dar prazo para o retorno das tropas, o que poderá prejudicá-lo muito, caso falhe.

Swamoro Songhay

sábado, 12 de dezembro de 2009 15:15:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Ao considerar-se como a população passou a ter oportunidade de consumir mais proteínas animais e vegetais nos últimos tempos, remete-se ao Plano Real, quando a dinâmica inflacionária 20% a.m. foi quebrada.

Swamoro Songhay

sábado, 12 de dezembro de 2009 17:21:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Nobel pra quem ganhou a guerra contra o nazismo? E Stalin mereceria concorrer?

sábado, 12 de dezembro de 2009 23:31:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Dificilmente eu deixo de elogiar os seus textos. Mesmo quando eu discordo das suas idéias.
Esse seu post, entretanto, foi infeliz. E aqui mesmo eu já alertei várias vezes que até a informação que será dada em março de 2010 quando o governo dirá que o PIB de 2009 terá tido um crescimento próximo de zero se as pessoas forem usar as estatísticas para fazer prognósticos sobre o futuro ou mesmo para fazer análise do presente se incorrerão em erros sem conta.
Provavelmente a recuperação tenha se iniciado a partir de março de 2009, e isso porque janeiro e fevereiro por serem meses atípicos não permitem que se fale em recuperação. Você, entretanto, já querendo utilizar os dados fornecidos pelo IBGE para o terceiro trimestre assim avaliou os números fornecidos pelo IBGE:
“Os números medíocres do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, divulgados ontem, fazem concluir que 2009 foi mesmo perdido para a economia brasileira”
Eu mesmo me decepcionei com os dados. Em todos os comentários que eu fiz durante os últimos dias eu imaginava que haveria um crescimento anualizado de 8%. Aliás, sabendo que essa já seria uma informação conhecida por todos, desmerecia a pesquisa que o IBOPE fez na crença que o IBOPE resolvera antecipar as pesquisas não tanto para coincidir com a propaganda do PSDB (E uma propaganda contra a Dilma que não informava por qual partido era feita), mas para não coincidir com a divulgação do PIB em que ficariam todos vangloriando da competência do governo.
Os números não foram medíocres e o ano de 2009 não foi perdido. Vou tentar em outro email mostrar porque considero a sua análise oposta da minha como sendo equivocada.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/12/2009

domingo, 13 de dezembro de 2009 15:45:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Ao ler os comentários, fiquei inibido de trazer os meus argumentos para demonstrar que sua análise sobre a economia brasileira neste post está bastante equivocada, pois como leigo em economia, eu poderia estar dando pitaco além da minha capacidade. Embora a economia nos engane muito por ter uma lógica um tanto inversa do que imaginamos ser a realidade, no caso do crescimento do PIB os dados são muito óbvios e facilmente se percebe quando alguém comete algum equívoco.
Assim, sem temor de ser meu o engano, falo a seguir do que eu considero os seus equívocos. O PIB anualizado do terceiro trimestre deu 5,2% ao ano. É claro que para a China esses dados seriam medíocres. Para o Brasil é a volta aos melhores tempos.
E 2009 não será de modo nenhum um ano perdido. Em uma situação pior pelos seus efeitos no longo prazo, como foi o caso do ano de 2001 para a economia brasileira, quando uma barbeiragem do governo fez o PIB deixar de crescer, o ano de 2001 ainda foi aproveitável por uma série de medidas que o governo tomou.
O retrocesso agora se deu no quarto trimestre de 2009. E ele ocorreu não por barbeiragem do governo ou do Branco Central, mas em razão de uma crise que ocorre quase de século em século. Diferente de 2001 em que a crise perdurou durante todo o ano. Agora a crise ficou restrita ao quarto trimestre de 2008. Evidentemente a crise agora foi de dimensões bem maiores do que a de 2001.
Aliás a única crítica válida ao governo é chamar a crise de marolinha. É a única crítica do ponto de vista de se dizer a verdade. Sob o aspecto político, não só para não deixar que o temor de uma recessão não diminuíssem os investimentos do empresariado como também para criar mais identificação do presidente com o ideário popular para efeitos eleitorais, esteve certo o presidente em chamar a crise de marolinha. Surpreendentemente você não fez essa crítica. A ausência da sua crítica só se justifica se nesse caso a sua opinião é coincidente com a minha.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/12/2009

domingo, 13 de dezembro de 2009 16:23:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
A sua insistência, pois já fizera isso em post anterior, com os números do Caged relativos à criação líquida de empregos este ano girará em torno de 1 milhão e de 1,5 milhão no ano passado e que revelaria segundo você a subestimação dos dados de 2008 ou a superestimação dos dados de 2009 é mais um dos seus equívocos.
A bem da verdade, deve ter havido superestimação em 2008. A crise de 2008 foi muito mais grave do que o governo deixou transparecer. E nesse sentido se o governo conseguiu convencer você que a crise foi só uma marolinha, o governo fez um bom serviço e espero que a sua percepção seja a mesma do empresariado e que o empresariado esteja de volta com mais investimentos.
O Caged tratou de criação líquida de emprego. Ele comparou o número de empregos em 31/12/2007 com o número de empregos em 31/12/2008 (De novo é bom lembrar que os meses de janeiro e fevereiro, se não pelas férias que são concedidas nesse período, seriam apresentado como meses de alta perda de emprego). Se tivéssemos a comparação do PIB nessas mesmas datas, iríamos informar que o PIB não teria crescido em 2008. Tudo o emprego criado durante todo os três primeiros trimestres de 2008 foi perdido no quarto trimestre.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/12/2009

domingo, 13 de dezembro de 2009 16:44:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Ao analisar a perspectiva de o Banco Central aumentar o juro diante das taxas elevadas de crescimento do PIB que seriam informadas eu pensei que talvez fosse de bom senso que o governo criasse uma expectativa diferente daquela que os números pareciam favorecer a se criar. Fiz mesmo um comentário em um outro blog em que considerava como correto qualquer iniciativa do governo em aumentar o crescimento do segundo trimestre de 2009 e em diminuir o crescimento do terceiro trimestre de 2009.
Para mim, como os dados do PIB são dados preliminares e, portanto sujeitos a alteração em cálculos posteriores e são dados de um passado com pouca influência no presente, eu avalio que o governo tem certa margem para os manipular a fim de que o país possa tirar o melhor proveito da manipulação desses dados. Assim pareceu-me que o o IBGE aumentou os dados ao informar que o crescimento anualizado do segundo trimestre fora de 7,2% e agora reduzisse a taxa de crescimento. No segundo trimestre, o crescimento seria superestimado para acabar com a depressão psicológica que se criou na divulgação do PIB do quarto trimestre de 2008 e que pela natureza do primeiro trimestre de todo ano, os dados do primeiro trimestre não foram capazes de reverter. Com essa alteração os empresários retomaram o ânimo para reformular a planilha dele de investimento E agora os dados estão sendo contidos para que o Banco Central não inicie muito cedo a escalada de aumento de juro que cada vez mais se aproxima.
É claro que o Banco Central tem outras informações para estabelecer a taxa de juro, mas é claro que ele não pode deixar de levar em consideração as taxas de juros que o mercado está prevendo para o longo prazo. Diretamente a informação do IBGE não influencia o Banco Central. O mercado, entretanto, se deixa levar por essas expectativas criadas pelas informações dos dados sobre o PIB prestadas pelo IBGE.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/12/2009

domingo, 13 de dezembro de 2009 17:21:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
No início de dezembro ao expor esse meu ponto de vista sobre a possibilidade de manipulação dos dados do PIB houve aqueles que disseram que eu defendia a lógica de que os fins justificam os meios. Não diria que é assim que eu penso. Tenho as minhas justificativas para os meus fins. Se há meios que permitem que os meus fins sejam alcançados e esses meios não são proibidos nem são prejudiciais aos meus fins, eu defendo que esses meios sejam utilizados. A manipulação dos dados pelo IBGE é um caso limite em que eu não tenho a certeza sobre qual o melhor procedimento, se bem que eu tenho a mentira como ainda que não proibida, o mais abjeto dos meios para se atingir qualquer fim.
De todo modo, impressionou-me sobremaneira como a grande imprensa brasileira foi muito rigorosa sobre o governo ao comentar a queda do PIB do quarto trimestre de 2008.
A forma como a imprensa descreveu a queda do PIB, a meu ver teve influência na popularidade de Lula. Infelizmente naquela época não houve como agora pesquisas realizadas antes da informação sobre o PIB dada naquela época em março para se comparar os índices de popularidade após a divulgação e a repercussão da mídia. Os institutos aguardaram a divulgação da queda do PIB e a repercussão que a mídia deu para só então fazer a pesquisa. Só que pior do que o efeito na popularidade do Lula que afeta só aos admiradores do Lula foi o efeito no espírito animal do empresário investidor. Os textos da imprensa diminuíram a intenção de investir. O efeito foi tamanho que muitos artigos que o Delfim Netto escreveu em seguida eram como que um aviso aos empresários da imprensa que um dia aceitaram e concordaram com o mando dele na economia que se eles permanecessem naquele discurso apenas para fazer mal ao presidente Lula podiam estar dando um tiro no pé nos seus próprios empreendimentos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/12/2009

domingo, 13 de dezembro de 2009 17:49:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Agora, pode também ter ocorrido de os dados não terem sido manipulados. No governo Lula os dados que eram apresentados na última semana do segundo mês do trimestre passou a ser apresentados na segunda semana do terceiro mês do trimestre. Nesse intervalo o governo adquiriu tempo para passar via mídia a informação sobre o crescimento do PIB de modo que melhor servisse aos interesses do governo ou do país.
Assim nos últimos dias o ruído era que o PIB teria crescido bastante no terceiro trimestre. Eu mesmo me deixei levar porque passei a raciocinar em termos de um crescimento em torno de 8% anualizado. A minha base da informação não era tanto a informação que eu lia sobre o crescimento do PIB no terceiro trimestre, mas a informação disponível sobre o crescimento do PIB no segundo trimestre que até então fora de 1,8% o que representa 7,2% anualizado.
De todo modo, para o governo o que é importante não é tanto a informação, mas a realidade. A população está sentindo o que representa a atual taxa de crescimento. E ela sabe disso mediante o emprego que começa a atingir uma gama muito grande de pessoas. A taxa de emprego líquido gerada de agora até as eleições assim como a taxa de crescimento dos preços de agora até a eleição, pesando cada vez mais os dados que acontecerem nas proximidades da eleição, têm muito mais efeito que o tamanho da crise no quarto trimestre de 2008 ou mesmo, e isso é importante e deve ser levado em conta ao se tentar saber porque o governo não perde muito tempo em tentar por o Banco Central sobre um total controle, a taxa de juro que deverá ocorrer em qualquer período do ano que vem. Taxa de juro não tira voto. O que tira voto é a inflação e o desemprego.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/12/2009

domingo, 13 de dezembro de 2009 18:14:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Engraçado, o Governo Brasileiro, diga-se LULA "errou na manipulação das variáveis". No entanto, EUA, UE, Japão, etc., que "foram pros juros negativos) tão tudo ferrado e o Brasil vai levando! Quem jogou certo? Depois, não daria pra dizer, tambem, que hoje temos o menor juro da história? Tanto juro nominal quanto juro real. Seu Alon, menos ranso e ideologia. Teus textos até que são palatáveis. Abraços.

domingo, 13 de dezembro de 2009 20:10:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Um ponto mais complicado na análise na questão da perda de emprego diz respeito a qualidade do emprego criado. O PIB do setor de serviços não caiu tão acentuadamente como caiu o setor da indústria. Assim para que o PIB total tivesse sofrido a queda que sofreu no quarto trimestre de 2008 foi necessário que a queda na indústria fosse bem maior. No setor de supermercados houve crescimento. Até que no setor de distribuição, o comércio tem certa qualidade no emprego. Empilhadores, por exemplo, exigem certa qualificação.De modo geral a qualidade dos empregos perdidos na crise foi muito maior do que a qualidade do emprego gerado esse ano. Só agora no quarto trimestre em que a indústria dá sinais de mais fôlegos pode-se ter a expectativa de geração de melhores empregos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/12/2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 00:50:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Por fim uma questão sobre Barack Obama. Penso que ele ganhou o Nobel tendo como um dos motivos o fato de os Europeus quererem ajudá-lo a enfrentar o reacionarismo dos Republicanos.
Faço, entretanto, a questão que se não de forma direta pelo menos indiretamente já comentei em seu blog. Tendo em vista os ganhadores dos prêmios de Literatura e de Paz, teria Barack Obama ganhado o prêmio se ele tivesse optado pela religião do pai e não a da mãe?
O caso mais notório de prêmio dado a cristão contra o mundo muçulmano é o Prêmio Nobel da Paz de 1996 atribuído ao bispo de Díli, D. Ximenes Belo, e ao representante da Resistência Timorense no Exterior, José Ramos-Horta. Aliás vale transcrever o início da seguinte notícia que apareceu na Agência AngolaPress de 09/10/2009 às 14:41:
"Nobel da Paz
Prémio "muito bem entregue" - D. Ximenes Belo
Fátima, Santarém - O bispo timorense D. Ximenes Belo considerou hoje que o prémio Nobel da Paz, atribuído ao Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "está muito bem entregue"".
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/12/2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 01:05:00 BRST  

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