terça-feira, 17 de novembro de 2009

O G2 espreme o G20 (17/11)

Pelo visto, foram prematuras e excessivamente otimistas as previsões de que a crise de hegemonia do G8 (ricos) daria lugar a uma governança mais multipolar

Pelo menos num aspecto, o planeta unipolar pós Muro de Berlim é pouco proveitoso para os Estados Unidos: tomar conta sozinho de tudo custa caro. No aspecto monetário também, mas não só. Nem todo o dinheiro é suficiente para formar um exército se você não tem gente disposta a lutar, e a apoiar a luta. Uma hora o cidadão cansa e deixa de sustentar a empreitada. Aconteceu com os Estados Unidos no Vietnã e com a União Soviética no Afeganistão.

Se você precisa cuidar de um mundo conturbado, está apertado de grana e com seu eleitor cansado de guerras, procure sócios. É o que faz o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Dias atrás esteve na Rússia. Agora foi à China, para acertar as pontas. Sai de cena a doutrina Bush, de hegemonia moral e ideológica a qualquer custo, e entra a Obama-Hillary, que pôde ser detectada já na noite da vitória, no discurso do presidente eleito: a liberdade e a democracia à Washington são importantes, mas não devem ser obstáculo para a vigência da pax americana.

Os temas centrais de Obama na Rússia foram militares (escudo antimísseis, Irã). Com a China, são econômicos. Até porque a política externa chinesa é não expansionista, discreta, um “soft power”. Ao contrário do Brasil, a China, mesmo podendo muito, costuma falar pouco. Talvez seja sabedoria milenar. Ou a memória das diversas intervenções estrangeiras em território chinês nos últimos dois séculos.

A China é ciosa de sua integridade territorial (que naturalmente inclui o Tibet e Taiwan), então procura não se meter desnecessariamente na vida dos outros. Para que não se metam na dela. Sábio. Talvez valha um benchmark para Luiz Inácio Lula da Silva e o pessoal do Itamaraty.

Os chineses exercitam seu protagonismo de outra maneira: com políticas comerciais agressivas, baseadas numa moeda fraca. O que estimula a exportação de produtos e a importação de empregos. Isso incomoda os Estados Unidos, que entretanto precisam ter cuidado ao queixar-se: a gigantesca poupança chinesa financia a gastança americana. E o que preocupa a China? Saber se os americanos vão continuar pagando direitinho os juros da dívida. E saber se o dólar não vai se desvalorizar demais. Pois as aplicações nos Estados Unidos são em dólar.

Se os Estados Unidos e a China têm lá suas diferenças, num ponto parecem estar de acordo: a cautela diante das pressões verdes para conter o crescimento mundial. Daí por que o G2 tenha bypassado o G20. Pelo visto, foram prematuras e excessivamente otimistas as previsões de que a crise de hegemonia do G8 (ricos) daria lugar a uma governança mais multipolar, por meio do G20 (ricos e médios). Se chineses e americanos não quiserem, não vai ter acordo, para valer, na Conferência do Clima agora em Copenhague.

Aos demais, resta torcer e exercitar o jus esperneandi. Previsivelmente, Lula e seu inevitável colega francês, Nicolas Sarkozy, chiaram, mas no íntimo o presidente brasileiro deve estar comemorando, pelo menos um pouquinho. Agora pode fazer algo que sempre aprecia: terceirizar uma decisão impopular e que, no entanto, traz benefícios a sua excelência. A atitude de Washington e Pequim tira a pressão de cima do Brasil, que seria apertado —e muito— na Dinamarca para endossar metas draconianas de não desmatamento. É tudo o que não querem o presidente e a candidata dele, Dilma Rousseff.

Sem cerimônia

Vai chegando ao fim este 2009, que oficialmente é o Ano da França no Brasil. Mas talvez nem os franceses imaginassem lá atrás que este seria mesmo “o” ano deles aqui. Pelo volume de contratos fechados, digo.

Sarkozy tem ladeado Lula nas mais diversas situações. À luz das encomendas brasileiras para a indústria bélica gaulesa, é razoável supor que hoje em dia o presidente da República sinta-se à vontade para convocar o colega francês quando necessário, sem muita cerimônia.

Ingleses corteses

Diz uma máxima que caprichar no título e nas imagens é essencial no jornalismo impresso, pois nem todo mundo lê o texto até o fim.

Os petistas comemoraram a capa da Economist e seu Cristo Redentor decolando como foguete do Corcovado. Só que o texto se derrama em elogios a Fernando Henrique Cardoso e define Lula como um presidente de continuidade.

Os petistas poderão usar a foto na campanha. Já os tucanos poderão usar o texto. Os ingleses são mesmo corteses. Ou espertos. Fazem RP, mas não metem a mão na cumbuca.

Coluna (Nes entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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12 Comentários:

Blogger Lívio Nakano M.D. disse...

Alon, eu li este mesmo caderno, e não tive a impressão de estar derramando elogios ao FHC.

terça-feira, 17 de novembro de 2009 08:23:00 BRST  
Anonymous Gualter disse...

Sorte nossa que o Lula se desdisse e largou de lado as teorias econômicas do PT.
Reconhecer a paternidade das coisas e os ambientes diversos enfrentados pelo criador e pela criatura é exercer a informação de maneira honesta.
Falsidade seria desconhecer a qualidade da gestão do Lula, a partir da boa base montada pelo FHC,
Algo assim como atacar as privatizações que administra a quase 8 anos sem nunca ter mudado nada, a não ser para empregar os, ops, sorry, piorar o modelo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009 09:32:00 BRST  
Anonymous Danton disse...

Economist,é britânica por excelência,basta ler a página eletronica da BBC,por sua vez,parece sucursal da GLOBO,texto,imagem e retrancas.No fim,todos os conservadores se parecem,alguns mais reacionários outros mais contidos.
Por outro lado,vai ser divertido assitir o discurso dos ambientalistas daqui para frente.Até agora o Brasil era o maior emissor de Co2 !!! E o neo- G2,como fica?
Greypeace?

terça-feira, 17 de novembro de 2009 10:05:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A cada dia as análises vão desvelando que ares melhores da economia brasileira e os bons momentos institucionais derivam de antes de certa data de corte.

Swamoro Songhay

terça-feira, 17 de novembro de 2009 11:10:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

Se só sobraram 2 do G-8 para se acertarem entre si, é porque o G-20 está influindo (ou convergindo) nos demais 6 do G-8.

Bush também usou o G-2 (EUA e UK) para invadir o Iraque. Exerceu seu poder hegemônico, mas perdeu corações e mentes mundo afora.

EUA e China estão na defensiva por terem suas economias mais afetadas para cumprir metas. Mas do que adianta impor-se pela força e perder corações e mentes de consumidores? Com o correr do tempo quem vai querer comprar produtos estadunidenses e chineses se o consumidor entender que está financiando o caos climático?

Lula (e os Europeus e japoneses) estão certos em colocar a boca no mundo, espernearem e fazerem muito barulho. O objetivo já não é demover Obama e Hu Jintau de suas próprias agendas, mas criar no consumidor mundial a preferência pelo made in Brazil.

terça-feira, 17 de novembro de 2009 13:55:00 BRST  
Anonymous Terêncio Mirândola disse...

Crise sem nome. Na realidade, como diz István Mészáros, é uma crise estrutural do capital.
Que pensar de um mundo em que, globalmente, mais de 200 trilhões de dólares estão aplicados na economia virtual - ações, depósitos, bolsas, sistema financeiro, especulações, etc., e apenas US$49 trilhões estão investidos na economia real - comércio, indústria, serviços, etc.!!
E ainda tem uma perversidade: os mais de US$200 trilhões provem, comparativamente, de menos bolsos que os US$40 trilhões aplicados no sistema produtivo mundial.

Realmente, a assim continuar, é bom rever toda ação dos bancos centrais, reexaminar o tal crescimento da economia mundial, e o próprio significado de crescimento econômico, que sempre quis dizer: a poderosa e perversa indústria bélica e o seu aparato militar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009 22:23:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, a clareza de seus textos é uma virtude, mas não adianta perder a paciência com a diplomacia. Se americanos e chineses não quiserem não há acordo sobre o clima, mas isso não implica que o G2 bypassou o G20, pode apenas tê-lo adiado. Nada se dá muito rapidamente nesse campo. Lembro de muitos que decretavam a falência da ONU quando Bush invadiu o Iraque... e ela continua aí, firme e forte. Obama faz um lance por um mundo multipolar, até por falta de opção, e precisa de aliados ok, e é justamente aí que entra Lula, ele percebe perfeitamente o espaço que tem para agir, seja com o Irã ou em Honduras. Deve ter sido uma grata surpresa para Obama encontrar no Brasil um parceiro e não o estorvo que normalmente somos. Daí você amesquinha nossa diplomacia quando diz, no post anterior, que os objetivos com o Irã são comerciais, eles podem até existir e são legítimos, mas não são os que prevalecem. Lula tem a motivação da posteridade, enquanto outros mais cultos e céticos, preferem aproveitar todos os rapapés enquanto exercem o poder. Sim a lata de lixo da história está ai, mas uma chance de êxito é sempre melhor que a certeza da condenação decorrente da inércia. E o Brasil tem se debatido em todas as frentes: na FAO, por Doha, para Copenhagen...

A propósito da The Economist, parece que eles lá não estão imunes ao nosso pitoresco Fla-Flu político, sofrem inclusive da mesma miopia que enxerga Fernando Henrique Cardozo lançando as bases do que quer que seja. Depois de quebrar o país o ex-presidente teve a sorte de encontrar em Armínio Fraga alguém capaz de criar um formato de política macroeconômica (câmbio flexível e metas de inflação) que levou o país aos trancos e barrancos até 2003. Lula lançou a base que aquele formato (e de resto qualquer outro) exigia: resultados fiscais que efetivamente reduziram a dívida pública, coisa que nem o FMI conseguiu obrigar seu antecessor a fazer. Quem fez mudanças importantes, responsáveis por nosso desempenho econômico estar ainda pouco acima do sofrível, foi Collor, que literalmente enfrentou os sindicatos na rua contra as privatizações e enfrentou os oligopólios abrindo o país ao comércio exterior (lembram do carro carroça?). Fernando Henrique Cardozo até deu uma continuidade, mas a coisa foi morrendo... O plano Real, a Zélia teria feito se encontrasse os dólares que o futuro ministro de Itamar Franco encontrou, e que nos faziam falta desde os tempos em que Delfim Neto prefixou a correção cambial... mas nós preferimos nos curvar a alguém com pedigree, tal qual os ingleses, né não?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009 09:10:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Até agora não houve uma ação forte no sentido de lutar para que a matriz energética limpa do Brasil seja um diferencial no comércio internacional. Pelo contrário, o modelo produtivo antigo é que está sendo privilegiado. Assim, será muito difícil, apesar de discursos e carrancas, obter algo do G2. E o "2" é o "C" do Brics. Um nó para desafiar a diplomacia verde.

Swamoro Songhay

quarta-feira, 18 de novembro de 2009 11:38:00 BRST  
Anonymous paulo araujo disse...

Alberto

Não é correto desconsiderar a capacitação intelectual de FHC na aglutinação dos economistas que bolaram o plano real. É mérito dele. E isso faz ou distingue o estadista. Gostem os petistas ou não.

Pode-se criticar o político e o governo do político, mas que se faça isso sem esmurrar os fatos.

Vamos lembrar que FHC só foi convidado por Itamar porque o "estadista" não tinha mais a quem chamar. FHC foi a última opção de Itamar Franco.

Quantos foram mesmo os ministros que passaram pela Fazenda antes da chegada de FHC e sua turma? Então, eu dou risada quanto se fala dessa auto-conferida genealogia que situa Collor e Itamar na origem do Plano Real. Não é verdade.

Também é importante não esquecer o do Mário Covas. Foi ele quem segurou o ímpeto tucano, capitaneado pela vaidade de FHC, para aceitar a indicação para o Ministério da Fazenda já no governo Collor. O PSDB deve render diariamente homenagem a esse monumento da política que soube impedir que o partido embarcasse nessa canoa furada. O país deve muito a esse grande brasileiro.

E os petistas devem envergonhar-se do que disseram e fizeram ao Mário Covas, em uma manifestação em SP de tristíssima memória. Devem envergonhar-se ainda pelas críticas que os seus economistas made UNICAMP fizeram ao Plano Real.

Itamar, que era o vice de Collor, se estava a par do que se discutia entre os economistas que fizeram o Plano Real, por que não os chamou na primeira hora? Por que não repetiu o convite do Collor? Chamou a Erundina e flertou com o PT, mas não chamou de cara a turma do Plano Real.

E aí essa gente vem agora bater no peito e reivindicar para si o resultado do esforço e trabalhos alheios. Pois sim.

Com todas as críticas que se possa fazer aos governos FHC, resta o fato incontestável de que foram esses anos que prepararam os seguintes. Lula soube dar ouvidos para o que lhe aconselhou Palocci: recolher para si a herança tucana na gestão da economia. Se Lula tivesse ouvido os economistas made UNICAMP do PT, a história teria sido outra e bem mais desagradável do que é para o Brasil. Poderia ter sido pior, bem pior.

Abs.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009 14:39:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Paulo Araújo, antes de mais nada não sou petista, sequer lulista, votei em Lula nas duas últimas eleições mas não votarei em Dilma, não estou criticando o governo anterior para defender o atual, apenas a mediocridade do presidente anterior fica clara quando se compara com o atual, e me restrinjo à macroeconomia porque em outras áreas os dois governos foram igualmente medíocres. Não sou eu quem esmurra os fatos, vá ao site do Tesouro ou do Banco Central e construa um gráfico com a dívida líquida do setor público como percentual do PIB, nunca vi um gráfico tão cristalino, nos anos do príncipe sociólogo a dívida é crescente ano a ano, a imagem invertida aparece nos anos do governo atual. Armínio Fraga precisava justificar o não atingimento das metas inflacionárias que ele mesmo criou, enquanto Meirelles em oito anos não precisou fazer uma vez sequer, nos demos ao luxo de ter a inflação abaixo do centro da meta. Preciso dizer a diferença entre justificar um mal resultado, ainda que a justificativa seja boa, e entregar o que se promete? Lula teve sorte sim com a economia externa, mas fez de uma crise maior que qualquer das enfrentadas no governo anterior uma marolinha, apenas a falta de memória de um tempo em que vivíamos na marca do pênalti, que qualquer espirro la fora provocava um terremoto aqui, leva a se discutir se foi ou não uma marolinha. Capacidade intelectual de chamar os amigos economistas? Você quer dizer escolher o Malan e não o Serra? Está longe de me parecer brilhante. Fomos dos últimos a fazer o que meio mundo fez à época, ancorar os preços no dólar, o que então pudemos fazer porque as reservas cambiais havia se recuperado. Zélia com a equipe dela teria feito mais ou menos a mesma coisa se enfrentasse a mesma situação favorável. Mais importante em meu comentário anterior é apontar os méritos do governo Collor (e não Itamar, cruz credo) que inverteu a direção de um país fechado ao exterior e corporativista, mudança que se encontra na base do desempenho atual que muitos comemoram, mas está longe do nosso potencial. Até a The Economist, uma revista em geral séria, compra essa lenga lenga que se repete por aqui, por que? Não consigo perceber o que é, mas tem mais do que jornalismo nesse ponto.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 06:14:00 BRST  
Anonymous paulo araujo disse...

Alberto

Como se diz em MG, depois da onça morta o que mais aparece é caçador.

FHC teve o mérito indiscutível de comandar os feitos, embora todos antes dele e da equipe reclamassem que era preciso fazer alguma coisa. O fato é que os vieram antes dele não fizeram como tinha que ser. Por que não fizeram antes e bem feito? Eu não sei e acrescento que tentar considerar sobre tais razões somente conduz à especulações metafísicas.

Eu me manifesto sobre fatos e estes indicam quem efetivamente trabalhou para colocar uma certa ordem na casa do Estado. Enfim, as tentativas anteriores, mesmo que repletas de boas intenções, não nos apontaram um caminho que não levasse diretamente ao inferno. Collor tinha tudo para ser o melhor presidente do Brasil? O fato é que não foi.

Até FHC, predominou na gestão econômica o que depois se convencionou denominar as pajelanças (congelamentos de preços e sequestro de poupança, por exemplo). O mérito de FHC foi ter reunido as forças e as inteligências que terminaram impondo à política econômica do Estado estes dois os elementos fundamentais de racionalidade econômica: contas públicas transparentes e responsabilidade fiscal. Preciso lembrar o quanto os economistas do PT made in UNICAMP denunciaram em papers e artigos de jornal o caráter neoliberal das reformas do Estado capitaneadas pelos tucanos?

Por último, quando se fala nesse tal aumento da relação dívida pública/PIB eu, que não entendo patavina de economia, pergunto se este aumento não está relacionado com o fato do executivo federal ter tomado para si a responsabilidade e dado transparência ao descalabro econômico que se manteve oculto mesmo depois do fim da ditadura. Lembra dos tais esqueletos no armário?

Portanto, não há nada de muito estranho na reportagem da Economist. Ela reportou-se aos fatos, mostrando que as bases para a decolagem foram construídas no período FHC. Eu discordo do termo “decolagem”. Desde criança eu ouço essa história do “agora vai”. Quero dizer, não aceito essa imagem da decolagem. Isso é bobagem. Aprendi a duras penas que as coisas vão mudando no tempo e bem mais devagar do que eu gostaria e que os retrocessos políticos e econômicos são possibilidades do presente.

Para registro, informo que nunca votei no Lula e que anulei meu voto em 1989, no segundo turno, embora o meu candidato derrotado no primeiro turno, Mário Covas, tivesse recomendado apoio a Lula.

Em 1989, Ulysses Guimarães e Mário Covas declararam que ficariam ao lado de Lula contra Fernando Collor. O apoio foi retumbantemente recusado e terminou sendo aceito por insistência dos repudiados. Num comício no estádio do Pacaembu, Ulysses e Covas apareceram no palanque ao lado de Lula. Foram vaiados pela turba companheira. Foi depois disso que eu decidi anular o meu voto.

Abs.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 15:12:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Paulo, compreendo perfeitamente sua posição e concordo com você: o que veio antes do plano real foi pajelança. Mas se diversos governos recorreram à pajelança não foi por falta de expertise (como os tucanos gostam de fazer parecer), mas por falta de condições objetivas. Tanto as pajelanças quanto as políticas centradas na âncora cambial não foram exclusividades nossas, estiveram em todas as partes e nos mesmos períodos históricos. Para ter uma âncora cambial que funcione é preciso possuir de fato as reservas cambiais, de tal forma que o mercado acredite que você é capaz de manter o valor do câmbio onde prometeu manter. Se o mercado achar que você está blefando ele vai especular contra a sua moeda e, se ele estiver certo, você acaba não conseguindo manter a âncora cambial. O problema das dívidas externas era generalizado pelo terceiro mundo na década de 80 e início dos 90, ali só existia o recurso a pajelança mesmo, todos recorreram e afundaram. Com as renegociações (a brasileira foi feita sob Collor e comandada por Pedro Malan, a Cesar o que é de Cesar), os países voltaram a constituir reservas cambiais e usaram para estabilizar as respectivas economias. Não estou negando que Fernando Henrique Cardozo comandou os fatos, apenas relativizando a importância desse comando, foi ele porque por acaso estava lá, poderiam ser muitos outros, fomos dos últimos a fazer. Já a política fiscal foi um desastre mesmo, e quebrou o país ainda antes da reeleição (deram uma segurada na coisa, claro, como no cruzado). No segundo mandato, mesmo sob a tutela do FMI, o país não conseguiu estabilizar a dívida. Quanto aos “esqueletos”, eles de fato existiram, mas foram compensados pelas privatizações no mesmo período (os montantes foram próximos, não tenho uma avaliação mais precisa, mas o próprio fato dos tucanos não lembrarem esse ponto é significativo). Os tucanos, claro, possuem melhores credenciais acadêmicas que qualquer outro partido, o que eu costumo apontar é que isso não implica, necessariamente, em mais competência. Creio que intuitivamente o eleitor sabe disso. Abs. (vou adotar essa fórmula cortes também) e obrigado pela chance de me explicar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009 07:06:00 BRST  

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