segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O detalhe que falta conhecer (02/11)

O Palácio do Planalto torce para que Serra e Aécio não se entendam, e que um deixe o outro ao relento. Não é uma aposta no vazio. Nas duas últimas eleições o PSDB esteve fraturado. Será diferente desta vez?

O otimismo exultante de Luiz Inácio Lula da Silva quanto a 2010 tem uma base real e um elemento de cálculo. O prestígio do presidente e a força política do governo são a base real. O elemento de cálculo é a necessidade de manter o pique e o clima até começar a “novela”, a programação eleitoral no rádio e na tevê.

A euforia em torno da candidatura de Dilma Rousseff é essencial para a travessia do deserto, para manter soldada a megacoalizão governista e assim evitar que pedaços venham a reforçar o outro lado. Se tudo correr bem para Lula, a oposição vai comer poeira no horário “gratuito”, numa proporção de 1 para 2. Terá metade do tempo dado ao governismo. Uma desvantagem e tanto.

Daí que nas últimas semanas Dilma tenha feito uma blitz. Aparições, reuniões, declarações. O script completo do candidato. Entre os comandantes da campanha, a esperança é subir uns pontinhos, de preferência abrindo vantagem confortável sobre Ciro Gomes. Uma folga suficiente para enterrar de vez os sonhos da candidatura no PSB.

Já a oposição vive a contagem regressiva para a escolha do nome, assunto que deve mesmo estar resolvido daqui até o fim do ano. O PSDB quer entrar janeiro com os exércitos em posição para a batalha. A oposição tem bons nomes e realizações a apresentar. Falta por enquanto o discurso. E falta a fórmula definitiva para enfrentar um desafio descrito originalmente nesta coluna em 3 de junho (“Barbas de molho”): como juntar o capital político que detém em São Paulo e Minas Gerais?

Porque, na essência, a aritmética continua a mesma desde então. Se o PSDB abrir uma vantagem de 2 para 1 em SP e MG, e se ganhar no Sul, cenários possíveis, o PT precisará tirar toda a diferença no Norte e Nordeste, considerando que o Centro-Oeste deve registrar equilíbrio. Um cenário de risco para a candidatura Dilma. Inclusive porque as áreas potencialmente mais inclinadas à oposição votam mais, registram menor absenteísmo.

Claro que os números podem flutuar. O PT pode ir melhor em SP e MG do que as previsões. E o PSDB não necessariamente vai ser massacrado no Nordeste. Em eleições, é prudente fazer uma separação clara entre análise e torcida. É preciso saber então se o PSDB terá tal capacidade de aglutinação interna, essencial também para a arregimentação externa.

No cenário ideal para José Serra, Aécio Neves aceitaria ser o vice. No mundo dos sonhos de Aécio, um Serra candidato à reeleição garantiria os votos paulistas para somar ao caminhão de apoio que espera receber em Minas.

O Palácio do Planalto torce, naturalmente, para que ambos não se entendam e que um deixe o outro ao relento. Não é uma aposta no vazio. Nas duas últimas eleições o PSDB esteve fraturado. Será diferente desta vez?

Um sintoma

Por falar em Minas Gerais, há ministros que vão terminar o governo Lula como exemplos de boa gestão. Um deles é Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Há debates ideológico-doutrinários na sociedade brasileira sobre os programas sociais, mas não há questionamentos reais sobre a eficiência e a seriedade como são implementados.

É um mistério para mim por que Lula, Dilma e o PT escantearam o ministro responsável pela área de maior sucesso no governo. Patrus não é candidato a presidente, nem a vice. Leva desvantagem diante de Fernando Pimentel na corrida para candidatar-se ao Palácio da Liberdade. Isso se Lula não impuser ao PT-MG a renúncia em favor de Hélio Costa (PMDB).

Patrus tampouco faz parte do núcleo dirigente da candidata. Ou seja, está na periferia do jogo. Claro que o destino de cada político é, em última instância, responsabilidade do próprio. Mas não deixa de ser um sintoma de como as coisas mudaram no PT. E não necessariamente para melhor.

Surpreendente

O ministro da Saúde precisa vir a público para explicar por que o Brasil é top mundial de mortos pela gripe suína e dizer como vai impedir que o inverno do ano que vem seja um desastre.

Sobre a dengue, o ministro vem de revelar que não haverá solução definitiva enquanto não houver uma vacina. Informação relevante e, mais que tudo, surpreendente.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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4 Comentários:

Anonymous RB de Mello disse...

Minha avó ensinava: teime mas não aposte.
Tem muita água ainda para rolar mas imagino que os movimentos iniciais da Oposição buscarão distinguir-se de FHC e distinguir Dilma de Lula.
A primeira será conquista mais complicada do que a segunda. Quem não quererá conhecer melhor a candidata?
E essa terá algo de seu a mostrar que lhe favoreça em algum aspecto?
Até agora não conseguiu.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009 12:51:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Lamento informa que esse posto foi tomado pelos EUA,que lideram os óbitos nessa gripe.O inverno com seu rigor peculiar, deve reduzir o
excedente populacional no hemisfério norte. Quanto a dengue os índices na capital da ressonância política-policial e cultural,são inferiores aos dos anos passados

segunda-feira, 2 de novembro de 2009 15:12:00 BRST  
Anonymous Tovar Dornelles disse...

Mistério mesmo é Lula ter optado por candidata sem eira nem beira partidária e política, ao invés de companheiros/as com ótimos curriculos, como é o caso inconteste da Marina.
Que qualidades tão diferentes possuirá Dima e que graves defeitos possuiriam Marina e Patrus, por exemplo?
Ou seria o inverso?

segunda-feira, 2 de novembro de 2009 17:56:00 BRST  
Blogger Guilherme Scalzilli disse...

O turista eleitoral

No último dia 15, a Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou a Proposta de Emenda Constitucional 1/2008, da deputada Célia Leão (PSDB). Agora, a administração José Serra está livre para financiar “publicidade de qualquer natureza fora do território do Estado, para fins de propaganda governamental”. A idéia é promover o turismo.
Entenderam?

Mas espera um pouquinho – e aquela milionária campanha “institucional”, paga pelo contribuinte para o governo paulista conquistar os espectadores amapaenses? Era tudo irregular mesmo, na cara dura? E ninguém faz nada?
As críticas de Lula aos Tribunais de Contas são de fato absurdas.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009 18:08:00 BRST  

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