sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Eles caíram como patinhos (06/11)

Com seu artigo, FHC pretendeu colocar uma cunha entre o governo Lula e os intelectuais, entre a administração do PT e a crescente classe média. O PT ajudou-o a atingir o alvo.

O PT mordeu a isca atirada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Caiu como um pato. FHC escreveu artigo em jornais no último domingo afirmando que o PT conduz o Brasil para um autoritarismo em moldes “subperonistas”, com partidos e sociedade civil neutralizados, organizações sociais cooptadas e empresariado dependente do capital controlado, direta ou indiretamente, pelo Estado.

Tudo, segundo FHC, encimado pela figura do líder supremo, inquestionável.

Por que o PT se enrolou na armadilha posta por FHC? Pela maneira como reagiu. Recebeu uma crítica política e não respondeu politicamente. As reações variaram, mas tiveram um traço comum: a desqualificação. FHC está com inveja do sucesso de Luiz Inácio Lula da Silva. Suas afirmações nascem do inconformismo, compreensível num intelectual ferido em sua vaidade, suplantado, como presidente, por um metalúrgico de escolaridade formal precária.

Mas, e daí se FHC estiver movido por péssimos sentimentos, ou pelo rancor? No que isso invalida a crítica? Estivessem Lula e o PT menos tomados pela apoteose mental, procurariam fazer algum esforço para rebater FHC no mérito. Nada porém foi dito. O poder comportou-se de modo a reforçar a acusação, colocando-se acima dela a priori, como se parte da sociedade brasileira, mais conservadora (ou mais liberal, ou menos petista), estivesse preliminarmente impedida de participar do debate político, ou de criticar o governo.

Acusado de bonapartismo, o poderoso reagiu com viés bonapartista.

Um comportamento nascido da autossuficiência. Defeito que aliás FHC conhece bem. Ele deve saber o prejuízo que lhe causaram gracinhas como chamar os opositores de “fracassomaníacos”, ou aposentados de “vagabundos”. O tucano foi um mestre da desqualificação. O PT vai pelo mesmo caminho. Turbinados pela popularidade do líder, epígonos elaboram o index de quem pode ou não pode falar, está ou não está autorizado a criticar. Saiu da linha, tomou porrada.

No artigo, FHC acusou Lula de tentar matar moralmente os adversários. E o PT reagiu armando o pelotão de fuzilamento.

O PT e Lula, pouco a pouco, desacostumam-se ao diálogo com quem pensa diferente. Outro dia, o presidente foi surpreendido por um cidadão que lhe disse que não votava nele. “Eu não estou precisando do seu voto”, respondeu Lula, na lata. Para delírio e gargalhadas dos bajuladores em volta. Está tudo no YouTube.

Cercar-se de bajuladores é confortável para o príncipe. Mas nem sempre é saudável.

O Brasil é um país complexo, e os sucessos do governo Lula tornaram-no mais complexo ainda. Segundo um raciocínio tosco, o pobre que saiu da pobreza neste governo vai ser eternamente uma cabeça de gado a mais no curral eleitoral do nosso presidente. Por que é tosco? Porque quem sai da miséria, ou da pobreza, quer mais é ser dono da sua própria vontade. Quanto mais desenvolvida uma sociedade, maior a demanda por um comportamento democrático do governante.

Com seu artigo, FHC pretendeu colocar uma cunha entre o governo Lula e os intelectuais, entre a administração do PT e a crescente classe média. Pretendeu plantar em quem não é ferrenhamente petista a dúvida sobre a sinceridade dos propósitos democráticos do PT.

O PT ajudou-o a atingir o alvo.

Lento

O ritmo político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), é adequado ao espírito de corpo da Casa. Mas completamente inadequado à vida aqui fora.

As providências sempre parecem chegar atrasadas. Com o inevitável desgaste político.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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22 Comentários:

OpenID guaciara disse...

Poxa Alon, discordo bastante de vc, acho que até o texto publicado pelo Elio Gaspari é um indicativo disso. As respostas foram pouquíssimas e quando vieram sempre foram no sentido de que FH fala uma coisa sem sentido. O artigo dele se dirige aos empresários e é uma espécie de maneira dele tentar se recompor com a base industriais depois do entrevero Lula - Agnelli. O tal discurso do autoritarismo popular é um barateamento do que já havia no Ornitorrinco do Chico de Oliveira. E a conversa do loteamento feito pelos sindicalistas via Fundo de Pensão, se colasse, já teria funcionado no segundo ano do governo Lula quando inventaram a tal República dos Sindicalistas.
O discurso do FH pode até colar com os grandes empresários e financiadores de campanha (e daí poderia ser uma diferença) com os intelectuais e a classe média, acho difícil.
Agora, esse vídeo no Youtube não dá nem pra saber o que o cara falou com o Lula e pelo jeito ele responde muito tranquilamente a uma provocação. Isso é comum na política e um vídeo como o do porquinho, do Serra, teria um efeito muito mais devastador.
Talvez eu não entenda tão bem dos códigos da política, mas sinceramente não acho que o FH cause tanto alarde quanto vc acha.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 00:26:00 BRST  
Blogger Daniel Menezes disse...

Alon, concordo contigo.

Há um misto de maniqueísmo com um pedantismo de quem canta vitória antes da disputa terminar, que está cegando muita gente por aí. Acho que os blogs "críticos da oposição e da grande mídia" também dão sua parcela negativa na construção desta maneira pobre de perceber a política.

Daniel Menezes
Natal / RN

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 00:46:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Pelo que me consta, o bate boca com FHC é muito bem recebido pelos petistas. Diria mais, é o sonho de consumo da Dilma Roussef.
Eu como eleitor de Dilma, saúdo a iniciativa de FHC. Só espero que da próxima vez FHC bata no governo nos telejornais. Ai o bate boca poderá repercutir melhor.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 01:24:00 BRST  
Blogger Vera Pereira disse...

Duvido que intelectual de fato, preocupado com o que está acontecendo concretamente no país, vá entrar nessa discussão bizantina sobre peronismos no fim da primeira década do século XXI. Economistas, sociólogos e historiadores, por exemplo, têm mais com que se preocupar ante as mudanças ocorridas nessa primeira década no país e com prognósticos concretos para o futuro próximo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 02:57:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O debate político só tende a crescer quando entram interlocutores de peso. O cidadão ganha com isso e a visão do futuro idem. Desqualificar quem é contra não é o melhor caminho. Principalmente quando muita coisa tende a ser desvelada e o marasmo dá lugar à diminuição da apatia.

Swamoro Songhay

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 09:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Tosco foi o texto do FHC. Tentou parecer profundo, e só conseguiu ser confuso! Esse discurso dele só ecoa bem na Veja. Se fosse tao bom assim até o Serra teria ido de carona.

Concordo que a resposta do PT tb foi fraca. Faltou entrar no mérito e discutir cada item levantando fazendo comparaçoes entre o governo Lula x FHC. Mas isso seria dar Ibope para quem nao tem.

So pra ficar em dois pontos do texto. Primeiro: intromissao na administracao de empresas privadas (Vale). O PT-Lula poderia dizer que conseguiu obter do Agnelli um compromisso de investir varios bilhoes no Brasil proximo ano. Em contrapartida o que fez FHC? Doou a Vale.

Outro ponto interessante seria tratar dos fundos de pensao e como foram utilizadas na privatizacao para favorecer grupos privados (que nem capital tinham!).

A verdade é que depois que a Marina se lancou candidata, o Alon mudou de analista político (dos bons) para torcedor!

Que a candidata Marina se sai bem na próxima eleiçao.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 12:08:00 BRST  
Anonymous Tovar Dornelles disse...

O curioso é que rebater o FHC, no mérito, ninguém o fez. Até porque o artigo está correto.
O Gaspari não o contraditou. Em verdade o confirmou.
Infelizmente, no entanto, parece se ter integrado de corpo e alma a exigência de adesão por todos à Omertá.
Mais um pouco e muita gente ainda cortará o mindinho.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 12:20:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O Alon é o mais petista dos petistas, o mais dilmista dos dilmistas. Em lugar de ficar puxando o saco, ele mostra onde estão as fragilidades. Um opinionismo útil ao poder, mas à moda dele.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 13:28:00 BRST  
Blogger Adriano disse...

Daniel Menezes,

Acho que o grande causador desse mal que vc aponta e eu concordo, é justamente a oposição que trata todos nós como idiotas. O que a oposição traz de propostas para o debate? Atacam o Governo deliberadamente, com a ajuda da grande mídia, desde erros de portugues do Lula até a contabilidade da Petrobrás. Encamparam uma campanha corporativista contra a CPMF, que bem ou mal, era uma forma mais justa e eficiente de arrecadação e tinha um destino certo (saúde). Por que não vemos empresários lutando contra o Confins?
Eu tenho saudades do PT na oposição. Haviam bandeiras a serem discutidas. A única bandeira que a oposição propoe hoje é a retomada do poder.
Ora, nesse cenário onde os partidos se igualam em corrupção, pragmatismo e modos de governar, porque trocaríamos um Governo que está mostrando resultados por outro que já esteve aí e não foi tão bem?
FHC foi um presidente broxante. Tudo o que se dizia dele em 94 era o orgulho de termos um presidente intelectual que fala várias línguas e tal, quando de fato aquele que nos deu o tal orgulho era o que não falava bem nem o portugues. FHC se apequenou e levou o PSDB junto, como não queriam Covas e Sergio Motta. As declarações dele não fazem o menor sentido fora do contexto da campanha de 2010. Como não fazia nessa entrevista em 2003:http://www.terra.com.br/istoedinheiro/313/economia/313_entrevista_fhc.htm

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 13:30:00 BRST  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, seu texto me fez voltar ao artigo do ex-presidente. Acho que as reações que você pegou por parte de petistas refletem um certa estupefação, comparar o governo Lula ao autoritarismo militar? O texto deixa de ser razoável, se auto desqualifica. Mas há algo que se pode aprender com aquele texto, confirmando uma afirmação do Paulo Araújo ao Post de 4/11: “Se tem alguma coisa que o FHC conhece bem em teoria e na prática é o patrimonialismo brasileiro.” Cito um trecho: “Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. (...)Estes são ‘estrelas novas’. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.” Mas se você tirar a referência aos sindicatos, deixando no lugar a burocracia que já havia antes (majoritariamente tucana), você tem o próprio governo do príncipe sociólogo! O importante a reter é que os interesses formalmente privados (porque os principais interesses privados aparecem como formalmente públicos), a iniciativa privada, aparece como sócio menor, dependente! Já era assim! Também os fundos de pensão, quando Fernando Henrique Cardoso controlava suas rédeas, já cumpriam o papel enunciado, e com uma ajudazinha do BNDES, fizeram a tal “privatização”. O editorial do Estadão repercutindo o referido texto tenta uma solução melhor, compara Lula a Chávez. Imagino porque o ex-presidente evitou esse caminho, Lula faz contraponto justamente a Chávez no cenário internacional. Mas de fato temos algo de comum com a Venezuela (e com o restante da América Latina), a oposição tem dificuldade de dizer por que o mesmo esquema que funcionava com ela no comando não pode funcionar sob o comando de outros personagens, e o máximo que nosso ex-presidente consegue fazer é emular algo como a oposição venezuelana. Não acredito que estejamos condenados, espero uma ainda um fato novo nas eleições de 2010.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 16:14:00 BRST  
OpenID trezende disse...

Não acho que seja inveja de FHC. É apenas papel da oposição...
http://trezende.wordpress.com

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 17:31:00 BRST  
Blogger Daniel Menezes disse...

Caro Adriano,

Sou PTista "doente", mas não sou cego. Infelizmente, o modo fla-flu de enxergar a política, como Juca Kfouri conceituou as "análises" da política que alguns "intelectuais" e "jornalistas" vem fazendo, nos força a ter de dizer que está de um lado ou de outro, anteriormente, para poder se posicionar, posteriormente. Acredito que, em muitos momentos, a oposição força a barra. Porém, há inúmeros momentos também em que assistimos a oposição desempenhar o seu papel de oposição. Na época do FHC, o PT também cometeu os seus "sacrilégios" exercendo o papel de atirador. Não esqueço daquele besteirol dos excessos de viagens de FHC. O processo político ele é belicoso. Penso que as vezes os "petistas" pedem que a oposição não se comporte como oposição. É por isto que concordo com o Alon quando ele diz que o PT tem de saber enfrentar este processo de disputa. Não dá para ficar esnobando a oposição só porque os governistas se encontram numa situação favorável.

Daniel Menezes
Natal / RN

sábado, 7 de novembro de 2009 01:32:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O que se depreende da parte do situacionismo é que dá mostras de não querer só maioria. Parece mais nutrir desejo à unanimidade. Uma anulação total da oposição, seja ela parlamentar ou não. E o pior de tudo, é a atitude como que de seres incomuns, premonitórios, oniscientes e infalíveis, flanando sobre tudo e todos sem poder ser contestados por reles mortais. Antigamente, a isso, chamava-se culto à personalidade. Parece não terem se dado conta de que a sociedade evoluiu. Com o fim do marasmo que vigia, entenderão que a evolução ocorreu a despeito deles e não por causa.

Swamoro Songhay

sábado, 7 de novembro de 2009 11:11:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
belíssima análise, mas faço uma ressalva: FH não carece de desqualificação externa. Ele se desqualificou como ex-presidente o suficiente.

sábado, 7 de novembro de 2009 12:38:00 BRST  
Anonymous Tovar Dornelles disse...

O Governo FGC não foi um mau governo. Tampouco foi perfeito. Enfrentou complicações e lançou bases que deram bons frutos a seguir. Não deveria ter promovido a reeleição.
O Governo Lula tem melhores resultados. Deixará um problemão armado na área econômica.
Porém, FHC intelectualmente é um ser privilegiado, ainda mais em relação ao Lula, e que nunca precisou falsificar títulos - o que Lula também não fez -, dizer "eu não sabia" e nem ser curiosamente poupado de denúncias como a do Mensalão.
Quanto as privatizações, se o Governo atual as entende como mal feitas, uma de duas lhe caberia ter promovido ao assumir: 1) desmanchá-las com a retomada do patrimônio público; e 2) refazer contratos alterando substancialmente o desenho e metas.
Como não promoveu nenhuma delas, restam duas possibilidades: 1) ou pratica grossa demagogia; ou 2) as autoridades que acusam danos ao erário estariam prevaricando, eis que teriam tomado conhecimento de desmandos e providências legais não teriam tomado.
O Alckmin foi frouxo. Esperemos que o próximo candidato não economize processos nem se agache.

sábado, 7 de novembro de 2009 19:52:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Achei a sua análise um tanto atrasada e um pouco desfocada. Não vi essa reação do PT.
Em outro blog eu comentei que achava cômico que o artigo de FHC estivesse sendo substituído pela entrevista de Caetano Veloso. Achava cômico, porque a declaração de Caetano Veloso a parte o interesse polemista e para isso o uso inadequado do termo analfabeto estava falando do aspecto artístico do presidente que seria insipiente e, portanto, era um argumento sem nenhum interesse no mundo político e substituía o artigo de FHC que me pareceu bastante fraco.
O Mauro Santayana quis dar uma grandeza maior no discurso de FHC e disse no artigo dele da quarta-feira que FHC estava se lançando como um "tertius". Em tudo mais concordava com Mauro Santayana, mas me pareceu que nisso ele estava dando uma dimensão a FHC maior do que ele era capaz de preencher.
Agora no seu texto que parece estender a discussão do artigo de FHC além de lhe querer também dar dimensão ao artigo tem capacidade de cobrir, você diz que FHC armou uma arapuca.
Eu penso que o artigo tratava de coisa pequena como o final do primeiro parágrafo dá a entender. Diz lá FHC:
"Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?"
Era como se ele já tivesse respondendo a questão que ele lançou no título: Para onde vamos? Vamos para um bom lugar, pois o "governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa".
E ai ele faz a questão por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?"
Sem esquecer que não há muita distinção entre a razão e o fim, será que ele não sabe que se nós pretendemos construir uma nação forte soberana e igualitária temos que nos preocupar com “os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei”?. Enfim, para onde vamos já é sabido e o alerta que FHC dá também já é de conhecimento de todos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 07/11/2009

sábado, 7 de novembro de 2009 21:57:00 BRST  
Blogger Gospel e Profano disse...

Alon,
Não consegui ver tanta sutileza ou cálculo estratégico no texto do FHC. O texto é ruim com uma introdução digna de manual de auto-ajuda. No fim, qual a importância de separar intelectuais do Lula? Nem intelectuais e nem a classe média definarão o vencedor das eleições.As estatísticas populacionais são pró-Lula.

domingo, 8 de novembro de 2009 14:15:00 BRST  
Blogger Arlindo JOCI disse...

Alon
Acompanho seu blog a 3 años. Sempre me pareceu um otimo blog em especial pela profundidade do debate y por colocar as coisas da forma mais seca possivel... quero dizer, sem malabarismo analitico ou outro chavao que seja compreesivel. Todavía; nos ultimos tempos sinto como seus textos sao de um desiquilibrio mortal. Voce está parecendo Marina Silva. Faz criticas, na maioria das veces interesantes. Mas foca completamente no governo e nao traz analisis mas profundas sobre o propio discurso da oposiçao. Ou tao somente pequenos comentarios sobre a oposiçao. Partimos do propio texto do Fernando Henrique... o que o PT caiu na armadilha senguno voce... mas é aí qual a sua analisis objetiva do que falou o Fernando Henrique Cardoso. Seus ultimos textos so tem servido a dar alento a oposiçao, inclusive quase todos publicados no blog do Noblat... Se tambem vai partir para oposiçao desenfreada en sim trabalhar na linha de construçao de projeto... Boa Sorte. Nao me parece que e o melhor para o Brasil... Nem para um jornalista tao conceituado como voce.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009 09:34:00 BRST  
Anonymous Duarte disse...

A reação do PT e Lula foi calculada: aproveitaram para polarizar, remetendo o eleitor à comparação entre o governo Lula e FHC por conta própria. Se houve armadilha atingiu o Serra e/ou Aécio.

Houve respostas políticas sim: gente do PT (e fora do PT) criticou a mudança das regras do jogo de FHC em causa própria na emenda da reeleição como um ataque à democracia, e devolveu as criticas à ingerência do governo FHC nos fundos de pensão e BNDES para favorecer o empresariado ligado aos tucanos, nas privatizações. Também criticaram a fuga da comparação de números entre os governos, e a desqualificação de lideranças sindicais e egressas de movimentos sociais como protagonistas legítimos de formulação e ingerência de políticas governamentais.

O texto caótico de FHC mostrou esgotamento na oposição. FHC não consegue encontrar pontos de crítica substanciais ao desempenho do governo. Foge de defender as bandeiras neoliberais tucanas de diminuição do estado e privatizações, de peito aberto. Então, fantasia moinhos de vento com vestimentas de demônios, imitando um D. Quixote. Daí inventa males que não existem como "subperonismo", "autoritarismo popular", e críticas vazias à burocracia e sindicalistas.

Se agradou intelectuais e classe média? Só se for aquele perfil neocon latino-americana que se delicia com reportagens que chamam Che Guevara de porco, Uribe de herói e Chavez de eixo do mal.

É preconceito sim vetar de antemão sindicalistas de serem diretores de uma estatal ou fundo de pensão. Qual o problema, se o desempenho no cargo for bom, inclusive para acionistas e pensionistas?

É preconceito sim criticar o funcionalismo público de carreira (burocracia), sem apontar defeitos, apenas por criticar.
Existem bons funcionários no serviço público, extremamemte dedicados. Há hospitais públicos de referência, universidades públicas com ensino melhor do que privadas. A Polícia Federal e as Forças Armadas cumprem suas missões constitucionais satisfatoriamente.

É preconceito desqualificar a avaliação popular de um bom governo.

Rechaçar preconceito é também resposta política.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009 19:33:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Tudo bem que a democracia é complexa, que o presidente é o funcionário de todo o povo etc. Sou o primeiro a me incomodar quando Lula posa de soberbo. Ele quase fez isso quando foi para o segundo turno nas últimas eleições. Mas voltou atrás e elogiou a decisão do povo.

Concordo que os bajuladores são uma péssima acessoria: constumam cegar os "reis", fazendo-os pensar que são maiores do que são.

Você também está certo quanto a FHC: não seria tão odiado, se não tivesse sido tão prepotente.

Mas Lula não disse nada demais. Não dá para pegar sua fala e transformar no exemplo máximo de soberba e desprezo pelo eleitor (a não ser que fosse candidato). Mas é verdade, Lula poderia ter se saído melhor repondendo ao cara algo como: Paciência, irmão, é a democracia! Mas ninguém é perfeito, muito menos nosso herói.

Agora, dizer que o artigo de FH foi bem sucedido, que os intelectuais (quais? todos?) e a classe média se afastaram do PT por causa daquilo? Discordo.

Faltou algum intelectual ou político do PT responder com um editorial também. Seria legitimar a Folha (atualmente um panfleto na linha da Veja), mas também seria assumir um espaço para debate.

Mas, cá pra nós, não precisava desqualificar o artigo: ele fazia isso sozinho! Governo dos sindicatos e dos fundos de pensão!

Pior, só o Roberto Freire, na Rede Vida, alertar sobre os perigos da Democracia: foi ela que levou Hitler ao poder.

A falta de verdade e de direção da oposição é o maior cabo eleitoral do Governo.

sábado, 21 de novembro de 2009 12:14:00 BRST  
Anonymous ganhar curtidas facebook disse...


Muito bom o post

quinta-feira, 10 de abril de 2014 12:28:00 BRT  
Anonymous ganhar curtidas facebook disse...


Muito bom o post

quinta-feira, 10 de abril de 2014 12:28:00 BRT  

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