sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Munição de anúncios para a candidata (23/10)

Nos programas, o espectador pode desligar e sair para fazer outra coisa. Já com as inserções é diferente. Ninguém desliga a TV ou o rádio por causa de publicidade curtinha: espera acabar

O quadro para 2010 está desenhado. Dilma Rousseff (PT) vai de uma megacoalizão, que lhe garante o dobro de tempo de rádio e TV do principal adversário, em teoria o nome que o PSDB indicar. Correndo por fora, Marina Silva (PV) terá de menos o que Dilma tem demais. Veremos como a ex-ministra do Meio Ambiente se vira com a escassez.

Há conversas aqui e ali sobre a relativização do tempo de TV e rádio, por causa da expansão do acesso à internet. O exemplo sempre citado é a eleição de Barack Obama. O paralelo é duvidoso. O Brasil tem bem menos população conectada do que os Estados Unidos, proporcionalmente. E dizer que a internet decidiu a eleição americana é, de cara, um exagero.

Barack Obama deixou os republicanos na poeira em arrecadação de recursos de campanha, o que lhe permitiu promover um massacre televisivo, com as inserções publicitárias. Elas são essenciais, para o ataque e a defesa. Com o dobro de anúncios, Dilma pode se dar ao luxo de falar de si e também desgastar os adversários. Tudo com sobras.

Quando se analisam os tempos de rádio e TV, o mais comum é comparar os horários dos programas, na hora do almoço e à noite. Mas as inserções são tão ou mais importantes. Nos programas, o espectador pode desligar e sair para fazer outra coisa. Já com os anúncios é diferente. Ninguém desliga a TV ou o rádio por causa de publicidade curtinha: espera acabar.

Esqueça a conversa bonita. O que o PT quer do PMDB é o tempo de televisão. E o governo Lula tem meios para se impor na convenção nacional do partido aliado, ainda que seções importantes estejam descontentes com a aliança. Risco? Só se Dilma chegar a meados do ano que vem como uma candidata inviável. Coisa pouquíssimo provável.

“Governar juntos”

Mudando um pouco o foco, e por falar em conversa bonita, véspera de eleição tem de tudo, especialmente quando os candidatos tentam seduzir políticos em busca de apoio. O mais divertido é ouvir as promessas aos aliados de que “vamos governar juntos”. Depois da urna, o eleito forma em torno dele um núcleo de confiança irrestrita nos cargos-chave, e distribui posições de bela execução orçamentária aos aliados para garantir apoio parlamentar e social. Mas sempre com o segredo do cofre bem guardado.

A questão-chave de todo processo político é saber quem, em última instância, detém o poder. Cada político é um ponto de aglutinação de certos interesses, especialmente empresariais. Que irão prevalecer caso o sujeito seja um jóquei do cavalo vencedor. Ou poderão afundar se o indigitado colocar as fichas na casa errada. Aí não tem partido. São tribos. E nessa guerra tribal o vencedor leva tudo.

Estrutura partidária

Um erro comum entre os políticos é — espantem-se! — subestimar a política. Figuras da oposição que gostam de fazer pesquisas localizadas têm histórias interessantes para contar. Semanas atrás, certo deputado encomendou um levantamento em cidades do interior do Nordeste.

Quando a cartela era Serra x Dilma, assim a seco, o tucano levava vantagem. Quando Serra era confrontado com “Dilma, candidata de Lula”, a situação passava a ser de empate. Que se desfazia, com Serra retomando a vantagem, quando o tucano aparecia apoiado pelo político local.

Aliado ao PMDB, o PT ganha em teoria uma bela estrutura para fazer campanha localmente. Há problemas em estados importantes, entre eles São Paulo (onde o PMDB é fraco), Rio Grande do Sul, Paraná e Pernambuco. Mas é um avanço e tanto em relação às campanhas que o PT costumava fazer, só aliado a partidos pequenos, ou nem isso.

Considerando que o PT não terá Luiz Inácio Lula da Silva na cabeça da chapa, vai precisar desse reforço.

Cálculos paulistas

Um obstáculo no PT à proposta de apoiar a possível candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) ao governo de São Paulo é a avaliação de que ele iria pior na eleição do que, por exemplo, Marta Suplicy ou Aloizio Mercadante. Com as óbvias consequências no tamanho das bancadas eleitas.

Outro fator é que se Marta concorrer à Câmara dos Deputados vai drenar muitos votos de aliados que hoje têm mandato.

Já no Planalto a avaliação é que o PT não tem chance nenhuma em São Paulo, e que caminha para um desempenho pífio, em qualquer caso. E que, portanto, a operação política de tirar Ciro do páreo nacional seria feita a custo zero.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Pode até ser impossível, porém, não custa sonhar. Já que o sonho, é livre. Tão livre que dá para simplesmente sonhar que os cidadãos contribuintes compulsórios e eleitores, darão respostas com perguntas: governar juntos com quem, para quem, o quê, como e onde? Melhor ainda sonhar que responderão também perguntando: afinal a gente vota em um e quem na realidade vai governar?

Swamoro Songhay

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 11:59:00 BRST  
Blogger Luis Rodrigues disse...

É curioso que nenhum instituto tenha feito uma pesquisa para conhecer o potencial de intenção de voto em Ciro para Governador SP. Se foi feita, eu não tomei conhecimento.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 16:58:00 BRST  
Anonymous http://olhosdosertao.blogspoet.com disse...

Eu não tenho dúvida de que Dilma, ou qualquer candidato apoiado por Lula, será eleito no primeiro turno.

Isso porque haverá comparação, sim, do governo do PT liderado por Lula e do governo do PSDB liderado por FHC.

O povo entenderá durante a campanha eleitoral que SERRA representará a continuidade do governo FHC e que DILMA representará a continuidade de FHC.

Desta forma, vejo que a campanha será duríssima e o SERRA não tem como sair desta situação e terá que defender o governo FHC.

De outro, concordo que o tempo de televisão será decisivo para que Lula e DILMA vençam no primeiro turno.

Lula terá muito tempo na televisão para mostrar todas as realizações do seu governo durante 08 anos.

Na verdade, para fim de registro aqui neste blob, a eleição de DILMA no primeiro turno será mais fácil do que se possa imaginar com a economia crescendo às taxas de 5% e com brasileiro com dinheiro no bolso em pleno dia da votação.

Por fim, os brasileiros terão oportunidade, durante a campanha eleitoral, de todas as realizações do governo Lula. E vejo que será um massacre.

A turma demotucana percebeu essa jogada e jogou tudo na crise do Sarney, mas perdeu.

No entanto, ainda vejo o SERRA trabalhando na surdina para tirar o tempo de TV que o PMDB dará à DILMA.

Por isso que anda de braços dado com QUÉRCIA, o fariseu de SERRA.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 21:28:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Depois de oito anos, ainda ter como tática e estratégia comparações com governos anteriores é considerar que o cidadão é apenas uma massa disforme a ser modelada a bel-prazer de quem quer que seja. Contraria tudo o que vem sendo alardeado nesse tempo todo em termos de fortalecimento da cidadania.Imaginar que o cidadão não percebe isso é muito ruim.

Swamoro Songhay

sábado, 24 de outubro de 2009 10:24:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Poxa, se o eleitor não pode comparar governos, vai escolher o próximo presidente com qual critério?
O melhor boa pinta?

domingo, 25 de outubro de 2009 02:38:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O eleitor pode comparar governos, personalidades, capacidades etc. É por isso que ele deve ser respeitado e não enganado por mistificações.

Swamoro Songhay

domingo, 25 de outubro de 2009 09:34:00 BRST  

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