sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Nem o espetáculo como punição? (28/08)

Caminhamos para uma situação de poucos controles, ou nenhum. Sobra o controle do próprio príncipe. Uma contradição em termos. Quando só resta o poder para controlar o próprio poder, é sinal de que alguma coisa vai mal

Há algo de desajustado num país quando o terreno da disputa pelo poder passa progressivamente à esfera da Justiça. Ontem, as atenções do mundo político estavam voltadas para o Supremo Tribunal Federal (STF), que decidia sobre aceitar ou não a denúncia do procurador-geral da República contra o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Disso dependiam alguns caminhos da refrega eleitoral no ano que vem.

Mas não é só. Um punhado de governadores percorrem o mandato à espera da decisão final dos tribunais, para saber se vão completar os quatro anos no cargo ou serão trocados pelos adversários vencidos nas urnas. Verdade que há argumento jurídico a embasar a posse dos derrotados, tanto que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assim vem decidindo. Mas soa antinatural. Como explicar ao cidadão comum que quem ganhou a eleição simplesmente vai ser substituído pelo que perdeu? Não seria melhor fazer outra eleição?

Por que chegamos ao atual estado de judicialização? Os otimistas dirão que é manifestação da crescente eficiência dos controles sobre os políticos. Já os pessimistas argumentarão que é sinal apenas de uma, cada vez maior, preferência dos políticos por hábitos que se chocam com o ordenamento legal. É possível que ambos —pessimistas e otimistas— tenham uma parte da razão. Há mesmo uma forte pressão social para reforçar as amarras legais sobre as figuras públicas. E anda cada vez mais difícil achar um político que não esteja às voltas com alguma consequência de ter afrontado a lei.

Mas quem tem mais razão? Os pessimistas ou os otimistas? O senso comum supõe que é impossível o sujeito passar pelo poder e não ser alvejado por acusações, denúncias e processos. Mas o mesmo senso comum garante: a coisa mais difícil de achar é político condenado em última instância por crimes cometidos no exercício do cargo.

Assim, o que resta à sociedade como forma de controle e punição é o espetáculo. Algo que só pode ser exercido na esfera da opinião pública. Pode-se resumir assim: “Já que no final não vai dar em nada mesmo, vamos malhar o Judas aqui e agora. Talvez não saibamos por que estamos batendo, mas eles certamente saberão por que estão apanhando”.

Parece-lhe algo selvagem? Pois é. Assim se faz no Brasil o controle social sobre a política (além do voto, claro): malhando os Judas. Daí a frustração com o desfecho, até agora, da crise do Senado. Como o cidadão sabe que no fim das contas os atos administrativos condenáveis devem ficar por isso mesmo, restar-lhe-ia a satisfação de ver o presidente da Casa, José Sarney, percorrer a via crucis do Conselho de Ética e de uma votação em plenário, com o sofrimento decorrente. Nem isso o eleitor vai ter. Os políticos festejam. Já os mais prudentes esperam para ver como será a reação da rua.

Os anos 1990 assistiram aqui à construção de uma cultura política, cujo paradigma foi o impeachment do então presidente Fernando Collor. A ideia de democracia ficou associada ao poder dado à opinião pública para colocar freios e limites aos políticos. Mas, pelo abuso desse poder ou por cansaço, ou então pela emergência de um presidente da República suficientemente forte para se contrapor a essa hegemonia, o fato é que caminhamos para uma situação de poucos controles, ou de controle nenhum.

Sobra o controle do próprio príncipe. Uma contradição em termos. Quando só resta o poder para controlar o próprio poder, é sinal de que alguma coisa vai mal

No jogo

O STF reintroduziu ontem Antonio Palocci na disputa por cargos majoritários em 2010. Há dúvidas sobre o efeito do Caso Francenildo numa campanha. Como o eleitor reagirá a propaganda que explore o “drama do homem comum do povo que enfrentou os poderosos mas deu-se mal”?

Difícil prever com certeza. Até porque Palocci sempre terá a seu favor o argumento de que, afinal, a Justiça concluiu que ele nada teve a ver com a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Meu palpite? Se Palocci for mesmo candidato em 2010, isso não terá qualquer efeito no resultado da disputa.

Coluna (nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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15 Comentários:

Blogger Segundo disse...

O jovem que lutou pelos seus direitos em 1990 é bem diferente dos jovens de hoje. A maioria hoje não lê e não se informa de nada. Maior parte apenas segue aquilo que lhe parece politicamente e profere bordões fáceis e ditos por pessoas famosas nas páginas da internet. A revolução de hoje é uma revolução superficial, afinal ninguém sabe o que fala e por que fala. Se fizermos uma pesquisa nas ruas para que as pessoas citem apenas 2 motivos para que eles queiram a saida do Sarney, a maioria não vai conseguir citar nem 1 motivo. Eu concordo, ele realmente não deveria estar lá. As denúncias são graves e o alívio dos senadores do PT e PMDB é um pouco suspeito, já que eles sabem que não terão vida tranquila no ano que vem. Mas como já falei, a nossa juventudo hoje é presa a bordões fáceis, proferidos por pessoas famosas e que pareça politicamente correto. Ninguém se importa mais com a política, a novela das 8 é muito mais importante e dá muito mais audiência. Se nossas eleições fossem como Realitys Shows aí sim veriamos uma população mais interessada. Todos votando para ver o espetáculo do circo dos horrores. Senadores brigando com senadores, deputados com deputados, governadores contra governadores... tudo para que possamos rir e fofocar sobre a vida alheia. O brasileiro que trabalha e se preocupa com seu país não merece essa situação política em que vivemos, mas a nossa juventude que é negligente e até mesmo aquela ala que se dizia lutadora pelos direitos já estão se vendendo. Veja o caso da UNE, o presidente não faz mais nada, nem pode fazer... ele filiou-se ao PT e vai ser candidato a deputado no próximo ano. Infelizmente eu tenhho de concordar com você, a situação está sem controle nenhum.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009 00:41:00 BRT  
Anonymous J.Augusto disse...

Vivi o tempo em que Sarney era presidente da República e enfrentava grandes manifestações de verdade, greves de trabalhadores, estudantes organizados. E olha que derrubar um presidente sem vice, alcançaria as almejadas eleições diretas, que ainda não havia, na época.
Se aquilo não derrubou Sarney na época, e ele até conseguiu ficar 5 anos, quando o anseio popular era 4 para termos eleições diretas em 88, o que lhe faz crer, que movimentos desorganizados politicamente falando, sem apoio de movimentos sociais significativos, onde quase não se vê pobres, nem negros manifestando, lograria êxito?

Na verdade, não há mobilização popular verdadeira que anime trocar seis por meia-dúzia na presidência do Senado. O desalento é com o senado, e Sarney é apenas um símbolo.

Foi como a queda de Severino Cavalcanti. Para mim faz diferença ter Aldo Rebelo, Chinalia na presidencia. Mas para o cidadão comum, o que mudou na Câmara de fato para a vida dele e no comportamento dos demais deputados? Nada.

Imagine trocar Sarney por outro muito parecido, que não tem a boa reputação de um Aldo ou Chinalia.

Daí todos se satisfazem com uma malhação de Judas, e malhação é saciada pelo desabafo (assim como ocorreu com FHC quando o plano real acabou - com a desdolarização da economia em 1999 - e durante o apagão). Não é necessário a troca do presidente do Senado para malhar um judas, basta um boneco ou cartaz com bigode desenhado, porque não há expectativa de mudança com essa troca. O objetivo do indignado leigo é protestar contra "tudo isso que está aí".

Collor era diferente, trocava-se o poder executivo, que estava muito impopular e afetou muito a vida das pessoas. Havia expectativa de mudança.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009 10:18:00 BRT  
Anonymous Too Loose Lautrec disse...

É fato que o STF não incluiu o ex-ministro Palocci como réu no Caso Francenildo. Foi por pouco. E nada de novo. É fato também ser rara a condenação de políticos naquela Corte.
Porém, se possível deduzir o entendimento médio da sociedade a partir das manifestações dos Ministros do STF, a barra do ex-ministro não ficou muito legal.
Sequer foi sugerida a inocência do ex-ministro Palocci. Ao contrário. Além de confesso, a maioria, de fato, lhe foi desfavorável, se computada a exposição de voto do Ministro Peluso, ao final contrariada por admitir dúvidas técnicas, ainda que recomendasse o prosseguimento do feito quanto aos demais. O Relator mencionou improbidade como um enquadramento possível.
Quatro ministros consideraram, grosso modo, ser o crime restrito ao servidor com atribuição específica para o conhecimento dos dados sob sigilo. No caso o ex-presidente da Caixa. Entendimento que ao fim e ao fundo, afastava os demais apontados.
Ou seja, o ex-ministro safou-se sem aparentar ser uma brastemp. Assim, teimo: não se exporá a eleições majoritárias; mas não aposto.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009 15:10:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, belo texto. Poucos têm a coragem de observar o que se passa e refletir sem lançar mão de uma cantilena qualquer. Faço algumas observações: se ao final todos escapam, há algo de muito errado em como as zelites conduzem o jogo, o que nada tem a ver com o eleitor. Agora, o fato de todos escaparem não justifica que queiramos condenar a todos. É necessário que enfrentemos o problema de definir o que é e o que não é condenável, e quanto (existem contravenções mais e menos graves), além de fazer o trabalho de investigação e de estabelecimento, com um mínimo de isenção, do que se passou em cada caso. Em outro post você diz que não está definido o que é “falta de decoro”, que acaba sendo um conceito subjetivo, pois cabe justamente ao legislativo definir o que seja, de modo a permitir um julgamento objetivo – é uma obrigação elementar. A opinião pública precisa entender que não pode agir como a rainha de copas da estória de Alice, repetindo “cortem a cabeça” a todos que a contrariem (aliás, também no livro de Carol ninguém é executado). Vamos ao ponto, muitos responsabilizam a reeleição do presidente, depois do escândalo do mensalão, pela perda parâmetros éticos. Mas o fato é que não se esclareceu o que foi e o que não foi esse tal mensalão. A oposição na época foi atrás do desvio de verbas públicas e não achou nada de muito claro, e foi atrás de desvios de verbas públicas porque a hipótese de ser apenas um caixa 2 do partido lhe parecia pouco para condenar o governo como ela queria. Vi na época uma pesquisa que, com base no resultado das eleições legislativas de 2006, mostrava que o eleitor não tinha sido indiferente à questão ética, quando se observava o destino de candidatos a reeleição envolvidos em outros escândalos. Minha hipótese Alon, é que ao contrario de nossas zelites, ou opinião pública –, o eleitor possui discernimento.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009 16:22:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
O cerne do que está errado no Brasil é a reeleição. Há a comparação com os Estados Unidos onde há a reeleição, mas a comparação é equivocada porque nos Estados Unidos o poder interno do presidente é relativamente pequeno.
Na época da emenda da reeleição, eu dizia que se o Presidente da República não conseguisse aprovar a reeleição era porque ele não tinha poder como eu imaginava e se conseguisse era porque ele tinha muito poder e com a reeleição ele iria se fortalecer mais ainda.
Não concordo com a crítica que se faz às grandes empresas de mídia brasileira como sendo empresas contrárias ao governo Lula. Com BNDES, CEF, BB as grandes empresas de mídia são subserviente ao governo (Mesmo sendo um governo de esquerda enquanto as empresas da mídia são na maioria empresas conservadoras. FHC era de esquerda e as grandes empresas trabalharam para ele). Elas então trabalham para fortalecer o Presidente da República. Com a reeleição a subserviência ficou mais forte. A campanha contra José Sarney tem relação com a eleição de 2010, mas é principalmente uma campanha que enfraquece o Senado e assim fortalece o Presidente da República.
A reeleição conferiu mais poder a um poder que já era desequilibradamente favorável ao Presidente da República, embora ele só tivesse 4 anos para tentar resolver tudo.
O equilíbrio do poder dificilmente será encontrado. O Poder Judiciário tem tentado se fortalecer, principalmente via legislação eleitoral, onde ele tem certo poder, mesmo que não tenha sido provocado. É, entretanto, uma luta inglória. O Congresso vem e altera a legislação. Sobra a cassação de mandato. Nos próximos anos, os candidatos cassados vão fazer campanha dizendo que os escolhidos pela Justiça são ladrões de voto e todo o gasto com os advogados vai por água abaixo. E o Poder Judiciário volta a sua insignificância.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/08/2009

sábado, 29 de agosto de 2009 09:09:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

"Meu palpite? Se Palocci for mesmo candidato em 2010, isso não terá qualquer efeito no resultado da disputa".

Fiquei curioso e no aguardo de novos posts mais esclarecdores.

A absolvição e o envolvimento do Palocci na quebra do sigilo do "simples caseiro" não terá efeito, ou seja, não influirá decisivamente nem a favor e nem contra?

O post é dúbio sobre qual das candidaturas majoritárias em 2010 se refere, ou a se ambas. Portanto, fico sem saber ao certo o que pensa o blogueiro sobre as chances de Palocci e do PT em 2010.

PS: Eu intuo que Palocci pessoalmente hoje prefere a volta ao Ministério, deixando a disputa por cargos majoritários para o após 2010. No entanto, dada a calamitosa situação do PT em SP, imagino que a pressão sobre o mais recente inocentado deva estar bem forte.

Palocci fará seus cálculos políticos sobre o que lhe é mais conveniente. Tenho dúvida se ele é irá mercadantejar e aceitar correr o risco de ir para a forca em 2010.

Eu penso que Mercadante voltou atrás simplemente porque lhe disseram em claro português da política partidária: "ou você revoga a irrevogabilidade ou o PT de SP vai revogar a sua vaga para a majoritária de 2010". Foi a faca no pescoço que falou mais alto, pelo que conheço do petismo paulista. Mercadante é oportunista e sabe muito bem que enfrentar Lula e o PT de SP seria morte certa. tentou sair na confortável posição de vítima para voltar num ridículo "se é para o bem de todos, diga ao povo que fico".

De minha parte, faço votos que o eleitorado paulista lhe dê em 2010 o destino que merece: virar diretor de alguma estatal, caso o candidato de Lula vença em 2010

Pessoalmente, adorararia ver os dois (Mercadante e Palocci) explicando no horário político porque um Senador por SP defende Sarney "a pedido" e porque o ex-ministro concordou com a quebra do sigilo bancário de um "simples caseiro".

PS: O recente e "ixperto" cartão vermelho tem tudo a ver com 2006:

Suplicy, o "imbatível": 8.986.609 ou 47,82% dos votos válidos.

Afif em campanha levada burocraticamente pela aliança que não acreditava no potencial do seu candidato e que sucumbiu ao dogma da imbatibilidade: 8.212.107 ou 43,70% dos votos válidos.

sábado, 29 de agosto de 2009 09:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feurwerler,
Concordo com a análise de J. Augusto e a de Alberto99. Quanto à de Too Loose Lautrec, penso que ela contém uma inconsistência jurídica que ouvi também em outras paragens. Como o eleitorado de São Paulo vai-se comportar em relação ao Palocci é uma incógnita, que permite concluir como Too Loose Lautrec: ele “não se exporá a eleições majoritárias; mas não aposto (Too Loose Lautrec)”. Se bem que se deve reconhecer que embora haja uma parte majoritária dos paulistas que não gostam do PT, há entre essa porção majoritária muitos que gostam do Palocci.
A inconsistência jurídica e que eu ouvi também na CBN é dizer que se não houver indícios para indiciar o Palocci, o ex-ministro não poderá alegar inocência. Quer dizer se os ministros do STF considerassem que havia indícios suficiente para se iniciar a ação contra Palocci e ao cabo ele fosse inocentado ai sim ele seria inocente. Essa interpretação jurídica é novidade para mim.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/08/2009

sábado, 29 de agosto de 2009 18:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feurwerler,
Eu tenho uma teoria conspiratória e tanto sobre o affair Palocci e o sigilo do caseiro Francenildo. Em 2006, quando Geraldo Alckimin se lançou candidato a base da campanha dele era mostrar que se o médico Palocci no Ministério da Fazenda fez o que Palocci fez, imagina-se o que um médico na Presidência da República faria.
O histórico de Palocci, como médico e como prefeito de uma grande cidade e depois como Ministro da Fazenda deu-me a certeza de se tratar de o petista com maior possibilidade de se tornar o futuro presidente da República. E olha que eu tenho uma eterna quizila com os representantes dos interesses dos paulistas. E o Palocci me parece um dos poucos petistas com carisma. Normalmente o PT possui muitos quadros técnicos de qualidade, mas sem nenhum carisma. O Palocci era uma exceção à regra.
Para salvar a eleição de Lula, o PT não se preocupou em sacrificar o Palocci. Daí nasceu o affair Palocci e o sigilo do caseiro Francenildo. Depois do affair, o slogan do Geraldo Alckimin virou slogan do Lula. Se um médico era capaz de fazer o que o Palocci fez no Ministério da Fazenda, imagina-se o que ele seria capaz de fazer na Presidência da República.
E vale lembrar que antes do affair, o Presidente Lula era tratado como um pau-de-arara que nada entendia de administração pública, mas tinha o governo salvo pelo Palocci. Na época, quando Lula foi a televisão para pedir que as pessoas tivessem cuidado com as acusações, pois a economia brasileira era ainda uma frágil plantinha, a revista Veja fez uma grande matéria de propaganda do governo Lula, mostrando como a economia estava robusta. Em época de eleição só às custas de um grande empréstimo do BNDES para se conseguir propaganda igual.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/08/2009

sábado, 29 de agosto de 2009 19:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Embora eu tenha dito que concordo com Alberto99, penso que é um tanto temerário apoiar a hipótese dele de que "ao contrario de nossas zelites" (a que ele magistralmente chama de opinião pública) "o eleitor possui discernimento".
Penso que o ser humano é muito semlhelhante para podermos estabelecer essa d~iferença, ainda que sob a proteção de uma mera hipótese.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/08/2009

sábado, 29 de agosto de 2009 19:40:00 BRT  
Anonymous Too Loose Lautrec disse...

Inconsistência jurídica nada, meu prezado. Até porque – e claro está; é reler e comprovar – que o comentário não foi direcionado à tecnicalidade do julgamento em si e sim às “manifestações” de voto.
Nem a defesa pretendeu inocentar o ex-ministro sobre o conhecimento dos fatos. Foi técnica e argüiu a impropriedade do enquadramento, considerando a autonomia tipológica do delito apontado. Foi essa tese acatada por quatro dos julgadores.
Não poderia agir diferente. Afinal, o ex-ministro era confesso, não tendo agido para reprimir e responsabilizar o(s) autor(es), o que era de sua obrigação funcional.
Houveram ainda pronunciamentos apontado o ex-ministro como aquele a quem interessava a quebra e divulgação dos dados obrigatoriamente sobre sigilo.O Relator mencionou a hipótese de “improbidade”. Prevaricação. Por felicidade do então réu a denúncia não foi suprida.
É dessa falta de inocência que falamos e que possíveis conseqüências eleitorais parecem incomodar o bestunto do próprio ex-ministro e o de seus possíveis apoiadores.

sábado, 29 de agosto de 2009 20:24:00 BRT  
Anonymous J.Augusto disse...

Quanto a Palocci:

É contradição pensar que aqueles paulistas que chamam bolsa-família de esmola, deixariam de votar em Palocci por causa do caseiro. No fundo, a elite pensa que foi o caseiro quem faltou com a ética ao revelar indiscrição dos patrões, e dizem no íntimo que jamais contratariam o caseiro para suas casas. Não votam no Palocci porque é do PT, e não por causa do caseiro.

É mais provável que uma campanha contra Palocci exploraria mais o campo dos costumes, a respeito das supostas festas na casa em Brasília. Pela última campanha de Marta, parece que surtiria mais efeito desconstruir a imagem pessoal no campo dos costumes.

Quem vota no PT, é que se condói mais com o caseiro, porém a quebra do sigilo bancário lhe trará indenização e não prejuízo. Portanto a reparação estará feita. Estes não deixariam de votar em Palocci, porque o voto é mais ideológico é menos personalizado.

Sobre a absolvição:

Do momento em que Mattoso assumiu responsabilidade, e disse que Palocci não foi mandante da quebra do sigilo, não haveria como condená-lo tecnicamente pela quebra de sigilo.

Um juiz não abre processo se avalia que irá absolver, pelo conteúdo da denúncia apresentada.

Só abre processo quando avalia que provavelmente irá condenar, salvo se a defesa for convincente para demover.

Fora isso, seria perda de tempo e congestionaria a justiça, abrir processos com a convicção de que irá absolver, só para dar algum espetáculo ao público.

sábado, 29 de agosto de 2009 23:30:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Clever, não é bem uma hipótese, é mais uma constatação. Discernimento admite uma graduação, evidentemente, então, o que quis dizer, é que o eleitor demonstra ter mais discernimento que os membros das zelites. Quando rejeitou a reeleição de candidatos em casos de corrupção que eram mais evidentes, e se mostrou leniente com parlamentares envolvidos com o mansalão, o eleitor diferenciou uma coisa da outra, enquanto as zelites condenavam todos indiferentemente. No caso Palocci, creio que ocorreu um julgamento bastante razoável (ainda que não conheça o caso em maiores detalhes, nem possua treinamento jurídico): cabe uma decisão apertada, porque as evidências não são conclusiva, cabe ainda o defesa carregar o ex-caseiro para pressionar a consciência dos magistrados, mesmo que a humildade da vítima não tenha nada há ver com a estória, cabe ainda a um ministro referir-se ao simbolismo do fraco contra o forte para fazer proselitismo, e não para derivar sua decisão quanto ao caso. O que não pode, o que deveria ser inaceitável, é a declaração pós julgamento do Ministro Marco Aurélio de Mello de que “a corda sempre rompe do lado mais fraco”, desqualificando todo o processo. Uma manifestação de zelitismo explícito de quem possui, como dever de casa, evitar tais declarações. O ponto é esse: um país cujas zelites mandam às favas o dever de casa e depois culpam o eleitor (e por conseqüência nosso regime democrático, esse ponto é importante) pelo atraso do país. Mas o caso Palocci é ruim para exemplificar porque foi conduzido de forma razoável. Também são razoáveis nessa história as manifestações de indignação de quem de fato não gostou da política econômica, ou tem ojeriza ao PT, ou ainda o desejo travestido de análise política de que o eleitor completará o resultado apertado no STF não o elegendo. O Alon está certo, o eleitor tomará o resultado do julgamento como deve fazê-lo: como prova da inocência do ex-ministro. Irrelevante para sua decisão, portanto. E a não condenação, por falta de evidências ou o que seja, é isso: o estabelecimento, para todos os efeitos, da inocência do réu. Não cabe ao eleitor fazer esse julgamento e, pasmem, ele sabe disso! De resto, mesmo que seja culpado, o melhor ministro da fazenda desde Simonsem (acho que não estou esquecendo ninguém) não pode ser julgado apenas por um episódio, e é esse o papel do eleitor, né não?

domingo, 30 de agosto de 2009 09:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feurwerler,
Apresento esta teoria conspiratória pela qual tenho um bom apreço e que desenvolvi para o affair Palocci e o sigilo do caseiro Francenildo. Em 2006, quando Geraldo Alckimin se lançou candidato, a base da campanha dele consistia em mostrar que se o médico Palocci no Ministério da Fazenda fez o que Palocci fez, imagina-se o que um médico na Presidência da República faria. Era preciso desconstruir esse slogan
O histórico de Palocci, como médico e como prefeito de uma grande cidade e depois como Ministro da Fazenda deu-me a certeza de se tratar de o petista com maior possibilidade de se tornar presidente da República. E olha que eu tenho uma eterna quizila com os representantes dos interesses dos paulistas. Além do potencial de experiência administrativa, Palocci me parece um dos poucos petistas com carisma. Normalmente o PT possui muitos quadros técnicos de qualidade, mas sem nenhum carisma. O Palocci era exceção à regra.
Para salvar a eleição de Lula, o PT não se preocupou em sacrificar o Palocci. Daí nasceu o affair Palocci e o sigilo do caseiro Francenildo. Depois do affair, o slogan do Geraldo Alckimin virou slogan do Lula. Se um médico era capaz de fazer o que o Palocci fez no Ministério da Fazenda, imagina-se o que ele seria capaz de fazer na Presidência da República.
E vale lembrar que antes do affair, tratava-se o Presidente Lula como um pau-de-arara que nada entendia de administração pública, e a maioria da opinião pública como a definiu Alberto99 achava que quem salvava o governo Lula da ruina total era Palocci. Na época,ano de reeleição, quando Lula foi à televisão pedir às pessoas que tivessem cuidado com as acusações, pois a economia brasileira era ainda uma frágil plantinha, a revista Veja fez matéria farta sobre a economia brasileira que servia como propaganda do governo Lula. Na matéria, a revista mostrava como a economia estava robusta. Vinda de uma revista que se opunha ao governo, ficava difícil saber em quem acreditar: se no Lula ou na revista.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/08/2009

domingo, 30 de agosto de 2009 09:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Too Loose Lautrec (Sábado, 29/08/2009 às 20h24min00s BRT),
Concordaria com você se você tivesse dito que seu comentário foi direcionado aos efeitos das “manifestações” dos ministros no voto do eleitorado (de São Paulo é claro).
Há mais precisão no seu comentário do que no meu, pois você parece que assistiu à decisão do STF enquanto eu não. De todo modo, comparei sua observação com a que eu ouvi no rádio antes da decisão. Assim, considerei inconsistente concluir que, se não houvesse indícios para dar prosseguimento da ação, Palocci estaria no limbo, enquanto se houvesse indícios, e no final Palocci não fosse condenado, Palocci seria considerado inocente.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/08/2009

domingo, 30 de agosto de 2009 09:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

J. Augusto (Sábado, 29/08/09 às 23h30min00s BRT),
A primeira parte do seu comentário que trata das perspectiva de Palocci em São Paulo é o detalhamento da minha frase no comentário enviado sábado, 29/08/09 às 18h44min00s BRT, e que transcrevo a seguir:
Se bem que se deve reconhecer que embora haja uma parte majoritária dos paulistas que não gostam do PT, há entre essa porção majoritária muitos que gostam do Palocci.
Clever Mendes de Oliveira
30/08/2009

domingo, 30 de agosto de 2009 10:15:00 BRT  

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