sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Ética: sozinha ou acompanhada? (21/08)

O pavor do petismo não é o questionamento “ético”. Isso ele acredita que tirará de letra. O problema está em outro lugar. O risco se encontra numa possível novidade

Almoçava com dois amigos quando surgiu a pergunta. O que seria do PT sem o PSDB? O que o partido teria a dizer na eleição sem recorrer ao “risco da volta ao passado”? À “ameaça do retorno dos neoliberais”? Ou ao “espectro da retomada das privatizações”? Houve um certo silêncio. É possível que o PT, nessa situação, tivesse até como expor seus feitos. Onde estaria a dificuldade? Em oferecer uma visão consistente de futuro. Neste ponto o leitor poderá imaginar que a coluna é uma suíte (continuação) da de ontem. Terá razão.

Não chega a ser novidade na História do Brasil. Dada a nossa instabilidade democrática estrutural, aqui a renovação política acontece como eliminação e entronização cíclica de partidos — e não só de líderes. Pelo menos desde a Revolução de 1930, quando de fato se proclamou a nossa República. Tivemos a hegemonia do Partido Social Democrático (PSD) de 1945 a 1961. Depois da rápida gripe janista, ensaiou-se uma oportunidade para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), abortada pela ruptura militar de 1964.

Daí veio a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que só brilhou de verdade no “milagre brasileiro”, graças ao crescimento explosivo da economia e ao voto nulo pregado por boa parte da oposição. O fim do “milagre” e a completa derrota militar da luta armada abriram caminho ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Que depois virou PMDB, ganhou com Tancredo Neves no colégio eleitoral e afundou-se no dilema hamletiano de ser ou não governo com José Sarney. Do que resultaram tanto a festejada Constituição de 1988 quanto a odiada hiperinflação.

Então chegou o tsunami Fernando Collor, com Luiz Inácio Lula da Silva na cola. Collor foi um Janio Quadros tardio, no apelo e no destino. O impeachment, hoje objeto de revisão histórica por alguns protagonistas, como Lula, abriu a temporada de predomínio dos “éticos na política”. Natural, assim, que PSDB e PT tenham ocupado o palco nas últimas duas décadas, nascidos que foram da negação da “política como ela é”. Ojeriza que precisaram arquivar quando chegaram ao poder. Coisa que aliás não exigiu tanto sofrimento.

Nessas nossas idas e vindas, volta e meia aparece o discurso de “evitar a volta ao passado”. Ele costuma ter um componente sincero, que convive bem com o natural desejo de se segurar no poder. É humano que os detentores deste em algum momento passem a enxergar a própria continuidade como absolutamente fundamental para o interesse pátrio. Mas costuma marcar também uma certa propensão ao declínio. Pois é um sintoma de que o príncipe tem dificuldade de falar sobre o futuro. Ora, se é preciso fazer, e se vai fazê-lo, por que não fez até agora?

A notícia das últimas horas é a crise no PT por causa das confusões no Senado. Talvez ela deva ser relativizada. Já faz algum tempo que o partido se estranha com o udenismo, marca registrada de sua infância e juventude. Uns vão sair, outros vão ficar e nada, ou quase nada, vai acontecer de sério. Daqui a algumas horas estarão todos reunidos matutando sobre a melhor maneira de continuarem depois de 2011 nas cadeiras que ocupam hoje. O caso tomará certo espaço na imprensa, dado que esta gosta de novidades, de boas imagens e de boas frases, como as que podem ser pinçadas das duras declarações do senador Flávio Arns (PT-PR). E só.

O pavor do petismo não está aí, no questionamento “ético”. Isso ele acredita que tirará de letra. O problema é outro. Qual é a proposta da candidata do PT para que as crianças e jovens saiam da escola sabendo ler, escrever e fazer contas? Qual é a proposta para humanizar o atendimento nas portas de entrada do sistema de Saúde? O que o governo federal pode fazer a mais para enfrentar a gravíssima situação da segurança pública, do narcotráfico e do crime organizado? Como finalmente conseguir o crescimento sustentado e sustentável, num planeta em pânico com o papel do Brasil no aquecimento global? E, sobretudo, se o PT sabe como fazer essas e outras coisas, por que não fez nos oito anos em que esteve lá?

Lula deixará aos brasileiros um país com menos pobreza e um pouco mais de crescimento. Mas entraremos em 2011 sendo ainda a tartaruga dos Brics, o território livre dos piratas da banca, o maior spread do mundo, o paraíso da ciranda financeira. Teremos perdido também uma oportunidade única de enfrentar a absurda concentração de terras. Ao contrário, a obsessão pelo etanol terá contribuído para piorá-la.

Talvez seja mesmo o caso de o PT rezar e, principalmente, trabalhar por uma eleição sem novidades. A ética sozinha não faz verão. Problema será se ela vier acompanhada à festa.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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28 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Se o partido acredita que poderá tirar de letra os questionamentos éticos, isso só comprova a completa anulação de todo o discurso de progresso, de distribuição de renda e ascensão social de camadas menos favorecidas, de transparência na gestão pública. Enfim, a falência do alardeado modo novo de ver e fazer política. Assim, Alon, a sua frase no post, "(...) A dificuldade está (...)"Em oferecer uma visão consistente de futuro", a meu ver mata toda a charada. Se não toda, na maior parte dela. Dessa forma, qualquer corrente de opinião de oposição, seja parlamentar ou não e suas teses, não haveriam de ser tomadas como parâmetros de comparação com os fracassos observados depois de quase oito anos. Fica ainda claro que as próximas eleições não serão plebiscitárias. Serão o julgamento da gestão atual e de sua herança. E esta, a cada dia, configura-se pior que a imagem que foi montada da herdada.

Swamoro Songhay

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 10:45:00 BRT  
Blogger Lincoln Macário disse...

E como assusta!
E por medo, o ser humano é capaz de covardias. Espero estar errado.
Mas se entendi bem a imagem que você construiu no último parágrafo, a ética na política acompanhada de consciência ecológica pode fazer mesmo a diferença em 2010. Mas... (e tem sempre um mas), outras "companhias" querem 'aparecer na festa e na foto', e podem acabar 'queimando o filme'. Como vai ficar isso? Acho que ninguém sabe ainda.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 10:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Desde quando, alguém que segue os ensinamentos de Lenin e de outros comunistas ligam para a ética, pelo menos a ética que entendemos.
A ética de voces é a do vale tudo, ou seja, o fim justifica os meios (qualquer um para a tomada do poder). Vide o Decálogo de Lenin, os mandamentos mais anti-éticos que já vi na vida.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 11:35:00 BRT  
Anonymous Hamilton Barbosa disse...

Qual é a proposta dos pré-candidatos Aécio e Serra para que as crianças e jovens saiam da escola sabendo ler, escrever e fazer contas? Qual é a proposta de Aécio e Serra para humanizar o atendimento nas portas de entrada do sistema de Saúde? O que o PSDB pode fazer a mais para enfrentar a gravíssima situação da segurança pública, do narcotráfico e do crime organizado? Como finalmente conseguirão Serra e Aécio o crescimento sustentado e sustentável, num planeta em pânico com o papel do Brasil no aquecimento global? E, sobretudo, se o PSDB sabe como fazer essas e outras coisas, por que não fez nos anos em que esteve quer no Governo Federal quer no Governo Estadual?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 11:53:00 BRT  
Anonymous nOmo disse...

O que seria dos DEMOS/TUCANOS se não tivesse a mídia(tb chamada opinião pública) aos seus pés, sempre trabalhando a seu favor?
Mais uma coisa: a mídia(PIG) profetizava o caos no PT com racha na cúpula e saída da Marina... Que bom que a mídia sempre erra, pois o povo ... >>>Tudo que é ruim é culpa do governo. Tudo que é bom vem do rei fernandinho e seus vassalos(demos e tucanos)... Parece que é isto mesmo, mas o povo não é mais Globo; o povo faz tempo que não acredita na rede Bobo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 12:03:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, a lista de partidos que você faz desfilar pela história, pode ser substituída por uma lista de nomes: Getúlio, Jucelino, Janio, Jango. Uma "democracia" de caudilhos, "partido" era o nome que davam às suas claques. Os governos militares mudaram um pouco isso, até por terem preservado o rodízio no comando. A redemocratização não trouxe de volta, de imediato, esse jeito de fazer política, Collor até tentou, mas foi defenestrado. Ironicamente é Lula quem hoje parece capaz de ressuscitar Getúlio. Ironicamente porque o PT, ao contrário do que você diz, não é um partido igual aos demais (o que não significa melhor ou pior). Basta ver o significado da saída de Marina Silva do partido, ela nunca chegaria ao Senado se não houvesse o PT, esse partido sempre foi muito maior que a “articulação” que eventualmente estivesse em seu comando. Mesmo o PSDB -- que também não nasceu empunhando a bandeira ética --, não passa de uma articulação de elite que, em determinado momento, viu que havia espaço para um partido de centro esquerda disputar a presidência, e enxergou isso em parte graças ao crescimento do PT. A saída de Mercadante da liderança do partido no Senado poderia ter sido o “início” de fato novo nessa eleição (ainda que todo bom auspício, como sabe quem tem anos de janela, tenha tudo para dar com os burros n’água). Havia vários pontos positivos: Mercadante é antigo na legenda e tem peso político próprio, não freqüenta o “cercadinho” reservado às crianças, que mesmo Marina Silva vez ou outra usava, e não iria sair do partido. Exigir prévias, colocando o próprio nome ou outro, seria uma boa forma de começar a desconstruir a candidatura Dilma, que não é ninguém além de um nome no colete de Lula... parece que se deixou levar pela emoção, o apelo pessoal do caudilho ganhou mais uma vês, se permanecer na liderança não será líder de ninguém, ocupara um posto honorífico. Pode ser que estejamos condenados a degenerar para uma democracia pré 64, pode ser que estejamos próximo de um ponto de ruptura, e podem ser ambas as coisas: pode não haver outro personagem a altura dos acontecimentos além do caudilho do momento. A propósito, não sou petista, ou filiado a qualquer outro partido, e me sinto livre para votar em qualquer um.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 12:10:00 BRT  
Blogger Hanks disse...

Olá Alon,

Parabéns pelo blog. Excelente análise da conjuntura política atual, principalmente pelo tópico levantado hoje, a novidade! Obama, nos EUA, foi a novidade ano passado, desbancando Hilary e ganhando a presidência com um discurso firme, principalmente na questão da mudança da matriz energética americana. Seria Marina a novidade brasileira?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 12:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Também penso assim, de certa forma.

Mas o problema do Brasil é EDUCACIONAL!

Qual a ponta mais fraca? O povo.

O povo: Não tem educação. Quem não tem educação, não liga para a História do país.

Quem não liga para História, não guarda os acontecimentos.

E se não guarda, não cobra, não impõe os seus direitos, pois não os conhece.

Brasil Fantoche.

O povo não reage. Cultura importada do século XVIII. Vieram os bandidos, vagabundos e toda a pior raça da Europa para cá. contaminaram o DNA do Brasil. Ééé, tem ciência nisso - mas isso já outro assunto.

Não vejo melhora significativa para o Brasil enquanto não se investir maciámente em educação.

E mesmo se investíssemos hoje, levaria uns 200 anos para que toda uma nova geração se formasse e ficasse bem longe desse geração que vivemos hoje.

A geração dos preguiçosos e acomodados.

Brasil, um país de todos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 12:21:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Os oito anos, nesse momento são 6 e 2/3. No dia zero a ALCA era inevitavel, e os juros que continuam altos eram na epoca 3xmais...bem é dificil trocar o pneu, com o carro em movimento e quanto a etica, neste momento, alem de udn e tambem religiosa, acredita no criacionismo e acha normal o golpe em honduras como ja defendeu que negro não tinha alma.
Quanto ao futuro, planejar com mais de 200 bilhões de reservas é bem mais chic doque quando o horizonte era a sarjeta.

Carlos Mangino

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 12:35:00 BRT  
Anonymous João disse...

Crítica extremamente consistente e sem viés político e eleitoreiro. Parabéns por ser um dos poucos analistas que se propõem a tal.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 12:45:00 BRT  
Anonymous fscosta disse...

Alon,

Vou fazer uma aposta. Acho que a "candidata" está nesse periodo de afastamento dos holofotes pra se preparar pra tais questionamentos (inclusive os eticos).

Sabe que agora, já está num nivel aceitavel pra começar a campanha. O que vier a mais (vide Vox Poppoli) é lucro.

Eles sabem que precisam de conteudo, mais que um bambole.

Agora é obvio. A questao das razoes pelas quais não foram feitas ate agora é um limão. Precisa ter habilidade pra fazer disso uma limonada. E isso tb depende do oponente. O grande problema é quem vai fazer essa pergunta? Serra? Aecio? Marina? Humm..talvez por isso o medo do PT.

Ao contrario de vc, acho que não é só o PT que tem vai ter problemas se a campanha seguir por esse caminho.

Alias, o Serra a gente sabe que não vai falar nada de util. Mas vc sabe o que o Aecio pensa, sobre algo mais "consensual" tipo, politica monetaria?

Hummm...

Abçs,

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 12:54:00 BRT  
Blogger Pedro Américo disse...

Caro Alon,

Sem dúvida o PT esta longe de ser um partido santo, muito, por sinal. Mas sugerir que o PT não tem projeto para o futuro é um pouco de má fé. É de conhecimento geral a sanha centro-direitista e extremo-direitista em vender as riquezas nacionais, não como a esquerda quer fazer parecer, num arroubo de entreguismo, mas por causa de uma visão de mundo diferente. Nós hoje estamos sentados a porta do que pode vir a ser nossa entrada para o 1º mundo, o tal do pré-sal. Escolher o próximo governo é dizer que destino queremos dar a este recurso. O que se entende por direita e esquerda no Brasil possuem planos completamente diferentes neste aspecto.
Sobre seus apontamentos, cobrar do governo federal qualidade nas escolas, também beira a má fé, todos sabemos que os grandes administradores do ensino são os estados e os municípios, sendo o estado o "dono" na maioria das escolas fundamentais e médias. O governo federal só traça diretrizes e tenta criar escolas técnicas e faculdades. Diretrizes estas que são o primor do governo federal do PSDB, digasse de passagem. Cobrar do governo federal qualidade nos postos de saúde também é algo no mínimo complicado. A verdade é que não existe orgão público que lide diretamente com o povo que possua um atendimento bom. Mas isto não significa que o serviço que prestam é ruim ou que não atendam as necessidades do povo. Que pode melhorar, não há dúvida, mas não será só através de leis ou projetos, terá que acompanhar uma mudança cultural. Segurança pública e narcotráfico são um problema muito mais relacionado com pobreza do que com qualquer coisa. Todo documentário jornalistico que mostra a realidade dos "meninos do tráfico" dão um panorama de como a coisa se expande, pobreza, falta de perspectiva de futuro, educação ruim, etc... A verdade é que falta o Brasil crescer para lidar com problemas como este. E como falar de ecologia, crescimento sustentável, aquecimento global, num país onde 70% mal consegue comer três refeições ao dia? O PT esta no caminho certo, é que não dá pra mudar 500 anos em 8. E por menos que o Brasil tenha crescido entre o Bric, com certeza, nenhum brasileiro trocaria estes ultimos 8 anos nossos com os 8 anos de Russia, India ou China.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 13:20:00 BRT  
Anonymous Aracaty disse...

O meu pavor é a volta de sentir medo a cada crise mundial,pois a maior crise nas últimas décadas foi esta última,e o Brasil se saiu muito bem,diferentemente do que acontecia no governo anterior,pois ao meu ver de uma forma ou de outra parecia que anteriormente havia uma quase "satisfação" em estar em crise,como de uma forma alquimista alguns "nobres' setores (e empresários)lucravam,alguns bancos pequeníssimos(Marka,Fontecindam)passavam a ter tanta importância que foi preciso emprestar bilhões,caso contrário 'quebraria o Brasil"?!hoje temos um ex-presidente de um grande banco mundial no Banco Central,antes tínhamos um grande "especulador financeiro"á frente.Isto sintetiza para minha pessoa a diferença dos governos.O "Plano Real" que aqui fora "inventado"por FHC,Bacha e Cia curiosamente teve as mesmas bases de planos lançados no México e Argentina,quando se precisou escolher na maneira de lidar com o câmbio,a Argentina quis segurar e quebrou,o Brasil viu oque aconteceu antes com o vizinho e deixou "flutuar"e o México?!aderiu ao bloco americo-canadense NAFTA...o Lula deu as costas ao bloco,e estamos muito bem obrigado.Sou comerciante,minha empresa têm dois meses e continuo tendo muito mais esperança do que medo.....

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 13:28:00 BRT  
Blogger Pedro Américo disse...

Alon, nada contra sua pessoa, suas opiniões e trabalho. Seu blog é um dos poucos que me excita a escrever um comentário. Contudo me pertuba o seu: "Uma visão democrática,
nacional e de esquerda". Tudo certo até chegar no "esquerda". Sei que o PT não é a esquerda, nem é tão de esquerda, mas é o que o Brasil vê hoje como opção viável para tal. E você sistematicamente critica o PT em tudo. Falta aqui críticas ao PSDB, DEM, PP, etc... na mesma proporção, pelo menos para se dizer "neutro". Falta também comentar as atividades do PSOL, PDT, PC do B, etc... Não sou um espectador do seu programa, mas o videos que poem no blog são só entrevistas com políticos de direita. Uns até com esqueletos bem feios no armário, como Artur Vírgilio, e você não escreveu uma letra de crítica.
Se você tirar este "de esquerda" não vai perder nem ganhar visitantes. Não vai mudar em nada a qualidade do seu trabalho, porém ficará mais coerente.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 14:00:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O PT realmente deixa menos pobreza com a ampliação do Bolsa Familia. A questão é que estamos deixando de investir para gerar empregos, para distribuir com um projeto sem uma porta de saída. O PT deixará uma herança maldita, aumentando os gastos publicos, não resolvendo problemas tributarios, agravando os politicos, mantendo beneces, entre outros. Podem falar o que quiser, mas muito não tem sido mudado, principalmente o que começou em 1500, depois na NOSSA Republica.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 14:36:00 BRT  
Blogger J.L.Tejo disse...

Boa análise. O ponto é que o PT não trouxe novidades em relação ao período anterior; em verdade, aprofundou o neoliberalismo em muitos aspectos.

A disputa em 2010 tampouco promete mudanças, dada sua limitação à falsa polarização "Dilma x Serra" que nada mais são, como dito, que faces da mesma moeda.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 14:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

bah, planeta em pânico por causa do suposto "aquecimento global" do Al Gore é dose!!!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 15:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Senhor Alon, todos os principais partidos, sozinhos ou em coligações, passaram pelo poder mas acho que o que vai contar no final é aquela máxima do assessor de clinton- é a economia, estúpido.A sensação de todos é que a economia está bem melhor do que nos governos anteriores e que teríamos que nos remontar a 1.500 para resolver o problema da visão patrimonialista que as elites e seus aliados teem da coisa pública, ai incluido executivo, legislativo e judiciário e o desejo de, sempre, incutir medo a classe media, etc,etc. Teríamos que discorrer numa coisa cansativa que não cabe aqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 15:39:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Pedro Américo, segue a lista dos entrevistados no programa, para sua apreciação. Temo que vc tenha sido injusto comigo, pois não me parece que haja um desequilíbrio numérico entre os convidados de direita e de esquerda:

# Arthur Virgílio (2)
# Fernando Lottenberg
# Sérgio Guerra
# Lúcia Stumpf
# Flávio Dino
# Ricardo Berzoini
# Marina Silva
# Arthur Virgílio
# Tarso Genro
# Cezar Britto
# José Múcio Monteiro (2)
# Álvaro Dias (2)
# Micarla de Sousa
# Heráclito Fortes
# Cristovam Buarque
# Henrique Fontana
# Francisco Dornelles
# José Aníbal
# Álvaro Dias
# Aloizio Mercadante
# Ronaldo Caiado
# Pedro Simon
# Cândido Vaccarezza
# Rodrigo Maia
# Patrus Ananias
# Aécio Neves
# Dilma Rousseff
# Renato Casagrande
# Osmar Serraglio
# Arlindo Chinaglia
# Tião Viana
# Ciro Nogueira
# Luiz Barreto
# José Serra
# Romero Jucá
# Aldo Rebelo
# Samuel Pinheiro Guimarães
# Michel Temer
# Delcídio Amaral
# José Múcio Monteiro

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 15:51:00 BRT  
Anonymous Mudanças disse...

Ao invés de dar dinheiro com programas de ajuda como o bolsa família, nosso presidente deveria preocupar-se em dar trabalho digno ao povo brasileiro. O homem precisa trabalhar, além de dignidade o trabalho enobrece.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 16:25:00 BRT  
Anonymous Valtinho disse...

Alon, há algum tempo atrás eu escrevi duas vezes em seu blog reclamando de sua visão excessivamente pragmática da política. Estou acompanhando com interesse, o que eu qualifico como "novas abordagens". Percebo nos "seguidores" do seu blog uma grande partidarização dos temas. Acho que deveríamos, todos, explorar melhor o contraditório. Entendemos todos a relação entre homens e seus interesses, partidos e poder que, é claro, convivem com os temas neoliberalismo, estatismo, desenvolvimentismo ... (falando em "ismos" que pena que o Mercadante tenha ficado com o pragmatismo). Há muito tempo, desde que saí do Partidão, aprendi que não existe o bem e o mal e nessa condição fica até mais fácil ver a ridicularidade daqueles que defendem um "partido em bloco".

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 18:39:00 BRT  
Anonymous Antonio disse...

Serra/Aécio não representam novidade alguma, muito pelo contrário, seria um retrocesso na area social onde Lula foi e é o melhor Presidente na história recente do País. Quem seria então? Ciro Gomes? Marina silva? Ciro Gomes pode surpreender na campanha? Difícil, a mídia corporativa (Rio-São Paulo) odeia o cidadão e este não é um Lula que aguenta porrada, difícil, complicado! Marina silva? Desculpe, mas é confiar demais na classe média urbana “politizada”, uma insignificante fração do eleitorado pode mudar uma realidade eleitoral posta? Impossível! O Brasil não é a zona sul carioca ou o plano piloto. Mais uma vez a economia será o grande cabo eleitoral e a tentativa de “udenizar” o pleito pode destruir qualquer candidatura tucana, um erro grasso. Muito oba-oba por nada, absolutamente nada!!!!!!!!! Começaram cedo demais, a ficha vai cair logo-logo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 20:21:00 BRT  
Blogger Pedro disse...

Ainda fico com o PT e Lula e com o seu: "Nunca antes nesse país...", não tem preço ouvir o presidente falando isso. Leitão e Cantanhêde se contorcem quando o presidente enuncia essas quatro palavrinhas! Ainda não ouvi nem li nada sobre o projeto político do PSDB, a única que lembro começou em 94 e acabou em 2002 com dezenas de estatais privatizadas. Se isso não for bom o suficiente para um debate, eu não sei o que é, então.

sábado, 22 de agosto de 2009 07:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
Venho menos do que gostaria ao seu blog. As vezes menciono em comentários que faço alguns blogs que freqüento pouco porque o blogueiro possui opinião parecida com a minha. Um dentre eles é o seu e outro é o Idelber Avelar (O Biscoito Fino e a Massa) que deu uma parada.
Comentar só para dizer que concordo com tudo que você disse não me atrai. É o caso deste post, "Ética: sozinha ou acompanhada?" de 21/08/09 e o que segue a ele "Tuitadas num dia quente" de 21/08/09. Neles parece que você leu meu pensamento. E é divertido, para alguém como eu que só acompanha o noticiário pela internet e pelo rádio, ao ler seus posts, ver que há outra interpretação. Fico a imaginar que nos outros blogs (Não todos, é claro) ou nas rádios não se tenha opinião ou democrática, ou nacionalista ou de esquerda.
Bem, dizer-se democrata, nacionalista e de esquerda já é ponto para se bater palmas. Bom se todos fizessem isso. Às vezes lê-se um jornalista por muitos e muitos anos para descobrir o viés dele e assim entender com profundidade qualquer análise que ele faz. Encurtaria muito o tempo se ele indicasse logo na apresentação qual o lado dele.
Tenho algumas discordâncias com você. Meu nacionalismo talvez seja menos rigoroso que o seu. Na América Latina, penso que o Brasil deve agir com mais desprendimento, principalmente em relação aos países mais pobres e mais ainda quando o país estiver sendo administrado por políticos e partidos da esquerda.
Há um ponto de discordância com você neste seu post. Vou transcrever a parte de um parágrafo do qual discordo. Diz você:
"Teremos perdido também uma oportunidade única de enfrentar a absurda concentração de terras. Ao contrário, a obsessão pelo etanol terá contribuído para piorá-la".
Não sei se já externei minha opinião sobre a reforma agrária, mas certamente já censurei sua obsessão em criticar Lula pela defesa que ele faz do etanol.
Bem, sou a favor da reforma agrária. Creio que ela poderia ser maior do que a que se faz, mas penso que dificilmente ela poderá ser tomada como um a política de objetivo permanente. A concentração das propriedades rurais ocorre no mundo todo. Na Europa, ela não se verifica mais porque se deu há mais tempo quando da migração da área rural para a urbana, tendo em vista a baixa taxa de crescimento populacional. É claro que o fator mais importante é o zoneamento das propriedades e produção rural que é muito forte na Europa. Zoneamento rural no Brasil é tarefa para partido de esquerda com mais de 50% do eleitorado. Se o PT conseguir manter-se firme no caminho que ele percorreu até agora (E falo como um brizolista) talvez daqui a 20 anos haja espaço para implantar um zoneamento rural no Brasil.
Penso que a reforma agrária deveria ser a política dos últimos 10 anos e dos próximos 10 anos e com prazo limite de 30 anos para acabar com objetivo maior de minorar o problema da urbanização desenfreada que o Brasil se sujeitou nos últimos quase 50 anos. Daqui a 30 anos, os beneficiados com a reforma agrária poderiam voltar para os centros urbanos então mais bem preparados para recebê-los.
Discordo de você quanto à crítica sua a Lula por ele defender o etanol. Penso que Lula está errado em criticar a Europa e os Estados Unidos pela existência de subsídio para o setor rural. Sem o subsídio as melhores terras do mundo para o cultivo agrícola seriam subaproveitadas e, portanto, menor a produção de alimentos e maior a fome. O etanol, entretanto, é mecanismo de controle dos preços agrícolas, que antes do etanol estavam a mercê dos estoques existentes no mundo. Assim, como nacionalista que você é, você deve desejar longa vida para o etanol. Com o subsídio nos países ricos, a elevação dos preços dos alimentos provocada pelo etanol só alcança os países da periferia. E a elevação dos preços leva a aumento de produção. Assim, com o etanol, tem-se mais produção agrícola e a preços mais altos. Há melhora nos termos de troca dos países pobres, reduzindo os problemas desses países com a balança de pagamentos.
Clever Mendes de Oliveira
23/08/2009

domingo, 23 de agosto de 2009 11:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever, eu juro que não resisti.
Você é economista? Além de não entender que a expansão infinita da demanda do etanol sacrifica a produção de alimentos você não falou coisa com coisa. Correlacionar etanol com vantagens nos termos de troca de produtos agrícolas é um chute no sacro.

domingo, 23 de agosto de 2009 15:41:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Anônimo (23/08/2009 às 15h41min00),
Desculpe-me por não ter aceito a parte do seu comentário em que você considerava que o meu comentário não dizia coisa com coisa. Relendo o texto do meu comentário de 23/08/09 às 11h03min00s percebi que só para quem já tivesse conhecimento do meu pensamento – no caso somente eu – os escritos ali ficavam compreensíveis. Justifico-me um pouco pela necessidade que tive de reduzir o tamanho do comentário que ultrapassava mais de 4000 caracteres. E agradeço a sua observação, pois assim posso corrigir o segundo e o terceiro parágrafos onde foi maior minha confusão. Corrigindo-os, os parágrafos ficam assim:
“Bem, sou a favor da reforma agrária. Creio que ela poderia ser maior do que a que se faz, mas penso que dificilmente ela poderá ser tomada como uma política de objetivo permanente. A concentração das propriedades rurais ocorre no mundo todo. Na Europa, ela não se verifica mais porque se deu há mais tempo, ou seja, quando da migração da área rural para a urbana, e também não se verifica mais porque é baixa a taxa de crescimento populacional. É claro que pesa como fator a reduzir o processo de concentração das propriedades rurais o modelo de regulação expresso no zoneamento das propriedades e da produção rural que é muito forte na Europa e o próprio sistema de subsídio que torna a atividade rural atrativa. Zoneamento rural no Brasil é tarefa para partido de esquerda com mais de 50% do eleitorado. Se o PT conseguir manter-se firme no caminho que ele percorreu até agora (E falo como um brizolista) talvez daqui a 20 anos haja espaço para implantar um zoneamento rural no Brasil.
Quanto ao subsídio agrícola, penso que ele não faz sentido em um país ainda em vias de desenvolvimento, com demandas sociais mais prementes e relevantes.
E quanto a reforma agrária, embora seja a favor, penso que ela deveria se limitar aos últimos 10 anos e aos próximos 10 anos, e com prazo limite de 30 anos para acabar. Nesse período a reforma agrária teria como principal objetivo minorar o problema da urbanização desenfreada que o Brasil se sujeitou nos últimos quase 50 anos. Daqui a 30 anos, os beneficiados com a reforma agrária poderiam voltar para os centros urbanos então mais bem preparados para recebê-los.”
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/08/2009

terça-feira, 25 de agosto de 2009 00:00:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon Feuerwerker,
O comentarista Anônimo em 23/08/2009 às 15h41min fez duas críticas ao meu comentário de 23/08/20009 às 11h03m00s. Em relação à crítica de que meu texto não diz coisa com coisa em já me expliquem no comentário de 25/08/2009 às 00h00m00s. Em relação à idéia de que eu preconizo um aumento infinito de produção de etanol sem atentar que isso significa redução na produção de alimentos, eu faço as seguintes considerações:
Não sou economista. Falo o que qualquer leigo que sempre manteve interesse em acompanhar os dados da produção mundial de alimentos nos últimos 40 anos é capaz de concluir. Penso que há determinados temas que só os economistas são capazes de desenvolver, mas há muitos pontos que os economistas gostam de trazer para a esfera de atuação deles sem nem mesmo ser área de domínio deles. A inflação, por exemplo, um assunto eminentemente político, tem-se tornado como o campo predileto dos economistas. E no entanto, eles pouco parecem entender de política, ainda que a Economia tenha também o nome de Economia Política.
A produção de alimentos é suficiente para alimentar todo o mundo. Há ainda problemas porque há muitas perdas e há muitos que consomem mais alimentos do que necessitam. De todo modo, não há futuro para um país pobre se ele se especializar na produção de alimentos, pois o crescimento da população mundial é pequeno e a taxa de crescimento para um país pobre que pretenda desenvolver-se mais rapidamente deve ser superior a 5% ao ano. Se o Brasil aumentar muito a produção de alimentos, o aumento da produção apenas levará a uma redução nos preços. O etanol é uma saída inteligente. Continuamos plantando cana para a produção de açúcar, mas se o preço do açúcar cair (E os Europeus gostam de reduzir os preços com a desova do estoque de açúcar de beterraba que eles possuem) nós desviaremos a cana colhida para a produção de etanol.
OBS. 1. Também não sou médico, mas no início da década de 90 a revista The Economist publicou um artigo falando sobre o que a revista chamou de "Síndrome de Matusalém". Pelo teor da reportagem, cheguei a conclusão que para o homem viver mais ele teria que "morrer de fome" (comer menos, fazendo menos metabolismo). É claro que esta informação também influencia minha avaliação da necessidade mundial de alimentos.
OBS. 2. Pareceu-me conhecida a expressão: “Clever, eu não pude resistir”. Tão conhecida que deu-me a impressão de que o “Anônimo” de 23/08/2009 às 15h41min00 não era tão anônimo assim.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 23/08/2009

terça-feira, 25 de agosto de 2009 17:41:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Clever

Generalizei quando disse que você não disse coisa com coisa. Vou reformular: quando você falou de economia, você não disse coisa com coisa.
As outras opiniões são preferências suas que não são piores ou melhores que as minhas.
Não o conhecia, por isso a expressão. Pensei que você fosse um economista e aí me deu medo de que nossas universidades tivessem mesmo falido. Não se sinta ofendido, beleza?
Abraços

quarta-feira, 26 de agosto de 2009 08:06:00 BRT  

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