quarta-feira, 22 de julho de 2009

Política 2.0 (22/07)

Com o twitter, os políticos finalmente desembarcaram na rede. Falta agora captar o verdadeiro sentido da coisa e render-se ao ambiente de diálogo. Usar twitter e blog para "disponibilizar conteúdo" equivale a fumigar uma plantação com jatinho

Os políticos descobriram o twitter.com. Para quem ainda não sabe, trata-se da ubíqua ferramenta de microblog. Por que "micro"? Porque limita as postagens a 140 caracteres. Você se cadastra como "seguidor" de alguém e recebe um aviso quando esse alguém "tuíta" (escreve) algo. Você também é avisado quando falam de você. E pode também conversar em particular. Para quem viu a web nos primórdios, óbvio está que o twitter é a evolução das antigas salas de bate-papo, que fizeram a festa da audiência nos grandes portais da virada do século.

Uma diferença do twitter sobre os blogs tradicionais é que a exiguidade de caracteres favorece a homogeneização. A chance de o sujeito passar vergonha escrevendo 2 linhas é bem menor do que escrevendo, por exemplo, 60. Você dá o recado sem correr grandes riscos. Isso para quem escreve. Para quem lê, a vantagem é não ter que "navegar". Em vez de pular de site em site, você usa uma central que lhe avisa quando algo é posto num dos locais que você segue. Uma espécie de "leitor de rss" mais dinâmico e proativo.

Para os políticos, estar no twitter é uma maneira de distribuir instantanamente as realizações, para a rede de seguidores e interessados. Que poderão reenviar a informação, numa sequência de contágio viral. Mais ou menos como a propagação da gripe suína, neste caso para nossa apreensão. Teoricamente, reduz-se a dependência de intermediários, como a imprensa. E a um custo baixíssimo. Uma pena é que a distribuição via blog, youtube e twitter não pode ser anabolizada como "divulgação do mandato" no uso da verba indenizatória. Isso foi uma piada.

Ponha a turma para se cadastrar no seu twitter e você terá uma rede estruturada de comunicação instantânea. Desvantagem não tem nenhuma? Tem. Quando você ocupa um lugar institucional na rede, seja pessoa física ou jurídica, também facilita a vida dos seus críticos. Claro que mesmo antes do twitter todo mundo podia falar mal de todo mundo, mas agora há um detalhe, com requintes de crueldade: cresceu muito a chance de você ficar sabendo quando o detonam.

E, como ninguém em pleno gozo das faculdades mentais pode seguir tanta gente, se você bobear daqui a pouco tem um pessoal descadastrando você. Ou você pode virar alvo de alguma campanha orquestrada de descadastramento (o #unfollow). Mas mesmo isso não deve ser motivo para grande preocupação, pois o resultado prático de campanhas assim é que você acabará ficando mais conhecido, e não menos. Mesmo falando mal, estarão falando de você.

A observação mais cuidadosa da atividade dos políticos no twitter mostra que, se tecnologicamente estão atualizados, conceitualmente eles ainda só enxergam a internet 1.0. Aquela onde as pessoas, empresas e insituições cuidavam de "disponibilizar conteúdo". Acionar twitter e blog para "disponibilizar conteúdo" equivale a fumigar uma plantação com jatinho. Já que é fácil recorrer às ferramentas para falar, natural que logo todos os políticos estejam usando assim, unidirecionalmente. E quem terá vantagem competitiva? Quem aceitar usar para ouvir, como comentei na coluna do último domingo.

Com o twitter, os políticos finalmente desembarcaram na rede. Falta agora captar o verdadeiro sentido da coisa e render-se ao ambiente de diálogo. Mas não apenas para ouvir elogios e tratar de banalidades, ou assuntos pessoais. Aceitar, sim, questionamentos sobre o que interessa: a atividade política. Quando fizerem isso, é possível que os nossos representantes venham -quem diria!- a sentir saudades da imprensa.

Sem razão para timidez

Esquentou nos últimos dias o lobby para refrear a queda da taxa de juros. Mesmo com o real lá em cima e com a deflação (especialmente no atacado) teimando em não ir embora, a turma insiste em se agarrar ao osso.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

twitter.com/AlonFeuerwerker

youtube.com/blogdoalon


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3 Comentários:

Blogger Paulo C disse...

O twitter realmente ajuda. Porque é difícil encontrar um (assessor de) político com alguma idéia mais complexa que 140 caracteres.

quarta-feira, 22 de julho de 2009 04:00:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Deflação no atacado pode ser tomado como indicador de baixa atividade. As empresas não estariam comprando ou estariam comprando pouco. Assim, não sancionam eventuais reajustes de preços. Os IPAs captam tal efeito, podendo ser tomados como indicadores de risco deflacionário: quem deseja comprar espera que os preços caiam mais e se estes caem, aguarda na expectativa de que caiam mais um pouco até decidir por adquirir matéria - prima ou produtos de consumo final. Esse processo, se por um lado, estimula pressões por queda das taxas básicas de juros, por outro gera receios de uma estilingada mais à frente: se o dinheiro não circula, fica empoçado em algum lugar e se deslocado ao consumo pode exercer pressões altistas pela liquidez gerada em algum momento.

Swamoro Songhay

quarta-feira, 22 de julho de 2009 10:58:00 BRT  
Anonymous Vinícius Duarte disse...

Considerando que o Twitter deixara mais ainda em evidéncia a vida de cada um dos nobres políticos que dele fazerem uso, podemos esperar que isso aumente em pelo menos um pouco(uma fraçao que seja) o seu pudor em relaçao a sua imagem perante a opiniao pública. Afinal, quando envolvido em alguma denúncia (os desonestos claro) com certeza nao sera, pelo menos apenas, elogios que ele recebera no dito cujo, ao menos em tese.

quarta-feira, 22 de julho de 2009 22:05:00 BRT  

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