sexta-feira, 31 de julho de 2009

O limite da “diplomacia dos amigos” (31/07)

São desejáveis a manutenção da América do Sul como área livre do terrorismo e das armas de destruição em massa e também a garantia coletiva de que os países da região, sem exceções, poderão exercer livremente sua autodeterminação

Estados Unidos e Colômbia caminham para estreitar ainda mais as relações militares, com a instalação de bases norte-americanas em território colombiano. Se concretizado, o passo será uma estaca no peito da integração, projeto central da nossa diplomacia. Não à toa reagiu incomodado o Itamaraty. Cada acréscimo de presença bélica norte-americana no subcontinente é uma derrota nossa, um desafio direto à liderança regional.

Acordos militares bilaterais com Washington não combinam com a intenção de coordenar a América do Sul nas políticas de defesa. Trata-se de assunto abordado aqui algumas vezes. As alternativas são claras: ou nós cuidamos da área, ou alguém virá cuidar por nós, e de nós. Parece que a segunda opção ameaça impor-se. E qual é a nossa capacidade de reação? Nenhuma. Ou quase nenhuma, além dos discursos de praxe.

Por que ficamos reduzidos ao jus esperneandi? Eis um bom debate. Afinal, Luiz Inácio Lula da Silva já caminha para o termo de seus oito anos. E após suceder outro presidente, Fernando Henrique Cardoso, que também teve dois mandatos. Boa ocasião para um balanço. Visto que PT e PSDB se mostram tão sabidos, talvez eles possam nos explicar o que foi feito nas últimas quase duas décadas para dotar o Brasil de massa crítica operacional na Defesa.

Infelizmente, nossos bem-elaborados discursos não têm como se fazer acompanhar dos necessários meios materiais de convencimento. E a política tem horror ao vácuo. Como a guerra é só a continuação da política por outros meios, ela também tem aversão ao vazio. Que rapidamente é preenchido por alguém preparado e capacitado. Assim é a vida.

Mas nem tudo está perdido. Deve haver saídas. O Itamaraty poderia aproveitar a inédita unidade hemisférica alcançada no caso de Honduras e costurar uma oferta à Colômbia. Precisaríamos de amplo apoio, mas temos um presidente e diplomatas competentes para consegui-lo. Duas ideias iniciais, peneiradas em conversas com gente do ramo: 1) o desarmamento unilateral e imediato das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), com sua transformação em partido político, no âmbito de uma anistia ampla; e 2) um pacto hemisférico para garantir que qualquer país atacado receba incondicional e automaticamente ajuda militar dos demais para defender-se.

As Farc não terão outra saída caso todos os governos da região se unam de fato para desarmá-las. E a Colômbia não terá pretextos para se abrir à presença bélica dos Estados Unidos se tiver a garantia real, inclusive dos Estados Unidos, de ter sua soberania defendida a todo custo. Regra que os colombianos não seguiram quando bombardearam no Equador um acampamento das Farc e liquidaram um alto comandante da guerrilha. Mais ainda: a Venezuela terá a segurança que pede para seguir em paz seu processo político, que é assunto só dela.

A hora é de encontrar soluções práticas para questões idem. São desejáveis a manutenção da América do Sul como área livre do terrorismo e das armas de destruição em massa e também a garantia coletiva de que os países da região, sem exceções, poderão exercer livremente sua autodeterminação, desde que não interfiram na autodeterminação dos demais. São velhas e boas premissas, que nos últimos tempos têm sido escanteadas pela estranha “diplomacia dos amigos”.

Ela funciona mais ou menos assim: os princípios só valem quando nos interessam, ou aos nossos aliados. A OEA deve readmitir Cuba, porque as limitações à democracia na ilha são assunto interno dos cubanos e o melhor caminho para resolver o problema é o diálogo. Mas a OEA deve também ameaçar expulsar Honduras, pois ali houve um golpe de estado que merece não só uma reação de todo o hemisfério, mas a intervenção ativa nos assuntos internos de Tegucigalpa. Nada há de errado em Manuel Zelaya convocar uma consulta popular rechaçada pelo Congresso e pela Justiça, mas quando a oposição iraniana pede um referendo para validar (ou não) o resultado das últimas eleições isso é inadmissível, coisa de mau perdedor.

É óbvio que uma ginástica assim não se sustenta. O máximo que ela consegue, com seus movimentos espasmódicos e dificilmente explicáveis, é abrir espaço para outros players, mais consistentes. E mais equipados para oferecer soluções a problemas concretos.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

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19 Comentários:

Anonymous JV disse...

É, Alon ...anistia para depois pleitear indenições milionárias e garantir aposentadoria no luxo. Que vergonha.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 00:36:00 BRT  
Blogger Joel Neto disse...

É chegada a hora da base aliada radicalizar o apoio a Sarney. Todos sabem que o motivo desta campanha contra o bigode é porque ele defende o apoio formal do pmdb a candidatura da Dilma. Vamos a guerra. E pondo em prática o ditado: Quem for forte se aguente , quem for fraco se arrebente.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 07:43:00 BRT  
Anonymous JV disse...

E você dizia que a Colombia ficaria isolada. Bem, isolada mas em boa companhia....Nem você atura mais os bolivarianos.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 08:52:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Entenda uma coisa Alon: enquanto Hugo Chavez e seu "socialismo bolivariano" (seja lá o que isso signifique) der as cartas na América Latina, jamais haverá esse consenso que você deseja. Chavez divide tudo, afasta tudo, desequilibra qualquer jogo, aqui e nos EUA. E como a possibilidade de ele deixar o cargo está fora de cogitação, você pode esperar sentado. A brava atitude de Honduras de resistir ao chavismo, desafiando a mídia e o mundo, tende a ser um divisor de águas, pois forneceu um modelo de resistência ao avanço das práticas fascistas de Chavez.
Abs.
Fernando José - SP

sexta-feira, 31 de julho de 2009 09:00:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

(1) Alon

Concordo com a sua aproximação conceitual da “diplomacia dos amigos”. Agrego alguma informação histórica. Quem aplicou mais efetivamente esse princípio (amigo/inimigo), com as consequências conhecidas, foi Hitler, que para isso também contou com o imprescindível apoio teórico-juridico de Carl Schmitt.

Impossível ser econômico no comentário. A decisão de publicar é sua e não discuto.

O foco geopolítico de Cháves é o Caribe. A constituição da “Pátria Grande” é o seu objetivo estratégico. A idéia de “Pátria Grande” está fundamentada no velho conhecido conceito nazista de Wolk. Não me estendo. Mas adianto que a assertiva pode ser comprovada pelo exame de farta documentação de lavra bolivariana.

Duas passagens estratégicas em Schmitt para entender o par amigo-inimigo:

“A democracia pressupões um povo em si homogêneo (Wolk) que possui vontade de existência política” (Schmitt, VL,235) [eu observo: o conceito de raça ariana ativado por Schmitt é o que confere o critério exclusivo de homogeneidade]

e

“faz parte da democracia necessariamente, em primeiro lugar, a homogeneidade e, em segundo, - se for preciso – a eliminação ou aniquilação [Ausscheidung oder Vernichtung] do heterogêneo” (Schmitt, GLhP, 14)

Ou seja, a noção iluminista de indivíduo é desprezada em proveito da noção de substância racial homogênea. E se no interior da comunidade dos racialmente iguais persistem os elementos dissolventes, então é tarefa do Estado eliminar ou aniquilar os indivíduos estranhos ao sacrossanto corpo social “alemão”. Eis aí um dos fundamentos das sociedades totalitárias.

Estudando a história, ficamos sabendo que na Alemanha de Hitler a eliminação e a aniquilação dos elementos heterogêneos foi conduzida, em primeiro lugar, contra os inimigos INTERNOS ao território da “substância homogênia alemã” Só depois que essa “substância alemã” estava formada pela diferenciação entre amigo e inimigo INTERNOS ao território alemão é que foi possível fazer a guerra contra os inimigos de fora do território. Isto é, o “povo alemão” se homogeneíza primeiramente na luta interna DE ANIQUILAÇÃO dos inimigos judeus cosmopolitas, do cigano errante, do comunista internacionalista etc. Com a tarefa concluída, agrega-se o conceito amigo/inimigo para o do espaço vital, justificando pela via diplomática a invasão bélica de países. E nesses países, ajuda inestimável dos amigos (Petain, para ficar no mais conhecido) que promovem internamente a aniquilação inimigos judeu cosmopolita, cigano errante, comunista internacionalista etc.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 10:43:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

(2)
Na seletividade da nossa diplomacia (amigo/inimigo), corretamente apontada por você como um grave desvio, é que reside o perigo de que o Caribe da ALBA venha finalmente introduzir na América Latina uma área livre para o terrorismo e para as armas de destruição em massa e uma política completamente inimiga da democracia e do Estado de Direito. Esse processo já está em curso nos países bolivarianos, com as nefastas consequências da crescente centralização do poder político e econômico nas mãos do Executivo. Não por acaso o discurso político de Chaves e dos seus fantoches acionam a todo momento a iminência de um golpe do inimigo. E se não existem inimigos, urge inventá-los.

Editar por aqui um simulacro (“diplomacia dos amigos”) da diplomacia de Chamberlain pode trazer conseqüências tão nefastas quanto as já conhecidas na história.

Não fosse o Itamaraty tão seletivo na sua “diplomacia dos amigos”, nossos diplomatas haveriam que indagar urgentemente

1. Ao governo do Equador: como explicar a permanência em seu território de um setor do alto comando das Farc, cujo objetivo estratégico é a derrubada de um governo legítimo de um país amigo do Brasil pela via da luta armada?

2. Ao governo da Venezuela: como foram parar em mãos das Farc armamento sofisticado de origem comprovadamente venezuelana?

3. Ás Farc: Qual a origem dos recursos financeiros que o alto comando militar destina para o provimento das suas tropas (alimentação, vestimentas, armas, equipamentos de comunicação, serviço médico-hospitalar etc)?

Por último, uma provocação. No que exatamente diferem as incursões do exército colombiano no Equador e a do exército de Israel em Gaza para combater um grupo terrorista? Isto, sabendo que o objetivo estratégico do Hamas é a destruição do Estado de Israel; sabendo que esse grupo despeja milhares de foguetes contra a população civil; sabendo que Israel tomou essa medida extrema depois de solicitar exaustivamente aos seus interlocutores políticos no mundo árabe para que estes fizessem cessar o fornecimento de foguetes pelo Hezbollah e pelo governo do Irã.

A Colômbia praticamente defende-se com base nos mesmos argumentos. E nos dois casos, não se trata de uma invenção dos pityyankes para justificar os “massacres”. Ambos os países apresentam fatos que podem ser examinados. No caso de Israel eles são de uma evidência indiscutível. No caso da Colômbia, os fatos estão devidamente registrados nos computadores dos chefes das Farc e agora no armamento de origem venezuelana capturado pelo exército e em e-mails encontrados nos computadores das Farc. E há quem diga que nos dois casos é tudo parte de uma grande conspiração sionista e imperialista. Pois é.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 10:45:00 BRT  
Anonymous Luca disse...

As Farc estão em agonia e a cada dia perdem mais alguma parte vital da organização para as tropas do exercito Colombiano. Quem está realizando esta tarefa e o próprio exercito Colombiano, liderado pelo Governo Uribe, com forte respaldo popular.
A Colombia ao aceitar bases Americanas está reagindo à corrida armamentista iniciada por Hugo Chaves, que abastece seu crescente poderio militar, principalmente com os Russos.
A Colombia quer ainda alternativas para neutralizar o projeto Bolivariano que planeja e ameaça se impor na marra em todo o Continente.
Quanto ao Brasil neste ambiente , alterna entre o Antiamericanismo ideológico de alguns (Marco Aurelio e Amorim) e o pragmatismo de outros que levaram o Governo Lula a seguir com parcerias com os Americanos em áreas de tecnologia e educação (vide pré-sal, etanol, informática e pós-graduação em diversas áreas).

sexta-feira, 31 de julho de 2009 11:41:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Anistia a quem matou, sequestrou e faz do terrorismo sua bandeira política e do tráfico de drogas seu meio de subsistência e ainda utilizam crianças na guerrilha?

E quanto à ação de Chávez acusado de entregar armas à organização? Não vai nada? Bem, aí deve entrar o tal respeito às decisões soberanas de um país...

No que se refere às bases americanas, até então sabe-se que a única guerra que interessa travar é contra a produção de drogas e o terrorismo, não se sabe de nenhuma notícia vinda dos EUA dando conta da intenção de invadir algum país. Não seria isso apenas mais uma teoria de conspiração?

Com certeza os países parceiros das Farcs não ficarão satisfeitos com a ajuda dos EUA à Colômbia até porque talvez exista muito mais coisa entre o céu e a terra do que podemos supor. O risco que se corre é de repente isso vir à tona.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 12:27:00 BRT  
Anonymous Leonardo M. disse...

Alon gosto de sua independência de pensamento, seu não alinhamento automático a nenhuma causa de esquerda, apesar de você afirmar ser seguir esta tendência. Mas a sua proposta desconsidera que o Chaves não quer só seguir o seu rumo sozinho com ninguém interferindo na Venezuela. Ele pretende sim influenciar os demais países da região isso é bem clara e dito abertamente por ele, vide a tal ALBA.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 14:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Tente usar essa retórica para comentar o acordo militar celebrado recentemente por Chávez com a Rússia(?) e Irã(??) e note como o seu ponto de vista está parcial.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 15:04:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon

Eu sou um dos que se perguntam porque o Brasil é incapaz de jogar o jogo de gente grande.

Nosso país e os vizinhos parecem viver numa infantilidade eterna, incapazes de movimentos similares às dos players adultos.

Lembro de ter lido há muito tempo, que os EUA sempre cobiçaram o Canadá, desde mesmo a criação dos dois países. A primeira derrota dos EUA foi para um pequeno grupo de indivíduos resolutos que declararam logo o preço: você pode vencer mais o custo vai ser alto. Desde lá os EUA lançaram outras cascas de banana, mas o Canadá sobrevive próspero, inteiro, politicamente independente, apesar da simbiose comercial. No entanto, para baixo do Rio Grande...

O ius esperneandi é próprio de quem não consegue conviver com bullies, não declara nada, nem cria situações concretas de dissuasão.

Ao ignorar as FARC o Brasil deu o pretexto ideal para os EUA fincarem o pé na América Latina. Só néscio não reconhece que a Colômbia tem o direito de se aliar a quem quiser. Só nescio não reconhece que é legitimo o país se defender de uma guerrilha tão anacronica e daninha. Só néscio não reconhece que essa mesma guerrilha tem sido ajudada por países estrangeiros. Os movimentos da Colômbia eram previsíveis e razoáveis. Não demos uma saída para a emparedada Colômbia, ela foi procurar outros amigos.

Na linha do néscio, outro movimento previsível é que o HC não é só fonte de instabilidade atualmente. Quando ele atingir massa crítica, isto é, conseguir aliados suficientes, ela virará a sua artilharia para o Brasil. Os EUA deixarão de ser o grande inimigo. Os movimentos para desestabilizar o Brasil começarão a ser mais visíveis. Outro pretexto para os EUA se posicionarem antecipadamente (evitar que o HC atinge essa massa crítica, não a desestabilização do Brasil, é claro). O player adulto faz o que tem de fazer, as crianças fazem muxoxo. Que coisa de amador! (A revolução bolivariana é um movimento que só admite um lider, você pode me dizer quem???)

Outro detalhe é que se chegarmos mesmo a uma liderança continental, virá o ônus. Por mais benigna que ela seja, o ranço imperial não desaparecerá. Virão cobranças, chantagens, problemas, conflitos, inimigos declarados, inimigos na moita... Mas não há saída, não dá ser um país desenvolvido sem tomar posições claras e a prosperidade econômica traz com ela a influência política.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 15:59:00 BRT  
Anonymous Vera Borda disse...

Comparar um referendo para consultar a população se seria possível preparar eleições para uma futura Assembléia Constituinte com propor um referendo para validar uma eleição já realizada não tem cabimento. Referendo para "validar" uma eleição realizada, computada, é o mesmo que inventar um terceiro turno não previsto nas regras que presidiram a eleição anterior. Ou melhor, na prática fazer nova eleição porque a primeira não agradou. E quantas mais seriam necessárias? Francamente!

sexta-feira, 31 de julho de 2009 16:12:00 BRT  
Blogger Betamax disse...

Parece que a política hemisférica de Bush, produziu efeito inercial: quarta frota,postura dúbia com o Tegucigolpe, bases na Colômbia compensando as perdas das equatorianas,manifestações anti-chavistas do "board" obamista ,velhos cacoetes conhecidos dos "grandes irmãos do Norte". Tutela que custou décadas de humilhações e atraso nas Américas ,ao sul do Rio Grande. Contudo ,tem gente que gosta e sente falta.A nossa mídia ,por exemplo,prefere um chanceler descalço,como Lafer à altivez de Amorim.Com contribuições epistolares de antigos colaboradores alguns empijamados, a criticar regularmente os positivos movimentos do Itamarati, que só fazem crescer o prestígio do país.
Como se vê, 2010 ,apresenta uma agenda ampla e diversificada.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 17:27:00 BRT  
Blogger Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Alon
Gostei da análise e posso dizer que concordo com boa parte dela. No entanto, não penso que para as FARC seja lá grande negócio acabar com a guerrilha, na década de 1980 muitos de seus integrantes foram assassinados ao irem para a legalidade. Mais, os grupos paramilitares de direita controlam hoje boa parte do Estado colombiano, portanto, a equação não é tão simples assim. Já na comparação entre as questões cubana, hondurenha e iraniana, é complicado colocar no mesmo balaio questões tão distintas entre si, ou então, pregar uma única regra para casos cuja complexidade é enorme e diversa.
www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com

sexta-feira, 31 de julho de 2009 17:41:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alguem viu a Lei de Imprensa do Chaves? Não é coisa de quem prima pela liberdade de expressão. Alon, como jornalista, tem o dever de comentar sobre o assunto.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 18:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon

O único argumento razoável que existe para as FARC não deporem as armas é o de que já o fez antes e foram trucidados.

O argumento tem valor, mas esconde o contexto de penúria intelectual que regeu a conduta dessa guerrilha.
Ela não fez distinção entre objetivos militares e civis. Fez toda atrocidade possível contra a população. Os mais espertos se organizaram em milícias e quando puderam deram o troco a anos de violência indiscriminada. Hoje o contexto é outro. Não nego que algum integrante das FARC possa cair a viganças seletivas.

Duvido que seja um massacre coletivo contra os que depuseram as armas. O que fazer: arbitragem internacional, observadores externos para minimizar o ajuste a um novo tempo.

Quanto aos itamaratecas, acho que eles querem uma liderança higiênica, sem desagradar a ninguém, sem tomar posições, isto é, querem a liderança por aclamação. Ora isto é viagem. Se nos isolarmos, criamos ressentimento. Se abandonamos o anti-americanismo, criamos ressentimento. Se optarmos pela Europa, criamos ressentimento. Até se nos unirmos à Àfrica vamos desagradar.

A liderança tem o seu preço porque temos vizinhos infantilizados que culpam terceiros por tudo. Não aprendem a conviver, não aprendem a comerciar. Não aprendem a reagir à dança de conflito (natural) entre as nações com gestos concretos ou simbólicos que digam claramente o que aceitável ou não. Eu tenho certeza que um dia seremos nós os brasileiros os grandes vilões do atraso latino.

Você já percebeu que o HC já não tem como esconder os problemas internos e está desviando o foco para fora o exterior? Não entregou o que prometeu e agora está mobilizando a companheirada contra novos inimigos. Você já deve ter visto antes, em algum lugar do passado.

sexta-feira, 31 de julho de 2009 20:55:00 BRT  
Anonymous arnaldo disse...

Realmente os principios só valem para os amigos. Se o processo "democrático" em Cuba e Venezuela deve ser um assunto interno, Honduras também tem o direito de discutir internamente seu processo democrático.

sábado, 1 de agosto de 2009 08:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Pergunto por que o Ministério da Saúde decidiu adotar o método arcaico de não ministrar Tamiflu assim que um paciente é diagnosticado com o vírus? O Tamiflu tem que ser usado nas primeiras 48 horas… depois não adianta mais.

Não me venham com essa balela de ‘’resistência’’. Fosse este o caso, os Países de 1ª mundo estariam seguindo essa mesma linha de raciocínio. E justamente por não estarem é que temos os seguintes dados (28/06/09): EUA+UK+AUSTRALIA+CANADA= 84.405,00 casos com 471 mortes. Tradução pouco mais de 0,5% de fatalidades. Ai vem à tradicional cultura e política retrógradas dignas de países de 3ª mundo (28/06/09): BRASIL+CHILE+ARGENTINA+PARAGUAY=16.458,00 casos com 292 mortes. Tradução pouco menos de 2%.

A POLÍTICA ATRASADA DO BRASIL RESULTA EM QUASE 4 VEZES MAIS MORTES DO QUE EM PAÍSES DESENVOLVIDOS. Em crises como esta fica evidente o despreparo de países emergentes em acudir sua população. Isso tudo jurando 9 milhões de doses do medicamento e blá blá blá. Conversa pra Boi dormir, até o PERU está se saindo melhor em cuidar de sua população, pois com 3.292 casos tem apenas 23 mortes. Enquanto que nós graças a atuações tímidas, pálidas, anêmica, e lenta do MS já temos mais de 64 mortes com menos da metade de casos que o Peru tem.

ASSIM COMO A POLÍTICA, A SAÚDE DO BRASIL É MOTIVO DE VERGONHA NACIONAL! (dados de 28/06/09)

sábado, 1 de agosto de 2009 15:00:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, chego tarde ao debate, mas não resisto. Creio que a atual diplomacia brasileira tem sabido desempenhar muito bem seu papel. Ser um “líder regional” significa compreender e aceitar (até por inevitável) sua condição subordinada, o que não é o mesmo que abandonar a defesa de qualquer disputa com a potência maior. Sua proposta é irreal. Primeiro parece claro que as FARCs não têm a menor intenção de depor armas, inclusive porque teriam de enfrentar politicamente um governo que é quase uma unanimidade na Colômbia. A esquerda razoável já deveria ter abandonado as FARCs à sua própria sorte. Segundo, que um pacto hemisférico não é uma garantia muito forte, a presença americana agarante bem mais, né não? E a justificativa não é improcedente: o combate ao terrorismo e ao narcotráfico foi o que deu a Uribe sua popularidade, depois de governos que tentavam negociar em posição de inferioridade. Uribe reconstruiu um Estado que se encontrava em frangalhos, por que abandonaria esse caminho agora? Depois, como muitos já notaram, a liderança regional é um objetivo explícito de Hugo Chávez, aliás é um componente essencial de sua estratégia de se manter no comando da Venezuela, mais importante ainda agora, que o petróleo está barato. Engraçado ver Cuba cobrando dos EUA uma posição mais forte no caso hondurenho, imperialismo é quando vêem atrás de mim? Vamos cobrar dos últimos governos o fato de não possuirmos “massa crítica operacional na Defesa”? Para confrontarmos os americanos? Precisaríamos mobilizar o país para a guerra como o faz a Coréia do Norte. A diplomacia é que é a guerra por outros meios, e não o inverso, o poder do tacape vem primeiro e a conversa não é capaz de suprimi-lo. Mas o “jus esperneandi” tem sua função, explicita a discordância, e se não vamos impedir as bases americanas na Colômbia, nem que a 4º Frota navegue aqui por perto, mas podemos convencer os americanos que não precisam ir mais além para garantir seus interesses na América Latina. Se o líder regional pudesse chutar o líder global não seria regional, né não?

domingo, 2 de agosto de 2009 09:36:00 BRT  

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