sexta-feira, 17 de julho de 2009

O diabo sempre cobra o acordo (17/07)

Uma notícia e um bastidor. A notícia:
    IGP-10 tem deflação de 0,35% em julho

    (Valor Online - Rio) - Seguindo uma baixa de 0,03% em junho, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) diminuiu 0,35% neste mês. Influenciou no aprofundamento do ritmo de queda o comportamento dos preços no atacado, que tiveram recuo mais marcado, e dos custos da construção, que subiram menos. Pelo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no acumulado do ano, o indicador cedeu 1,54%. Nos 12 meses terminados em julho, o indicador declinou 0,06%.
Leia a íntegra. Agora o bastidor:
    Incertezas políticas afetam juros

    (Valor Econômico) - Incertezas políticas. Esta é a principal explicação encontrada pelos economistas do governo para o descolamento da taxa de juros futuro, em relação às projeções de inflação para 2010 e 2011. Fato que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou a salientar esta semana. A justificativa parece vaga, mas é o que técnicos oficiais ouvem de agentes do mercado, ao buscarem explicações para um problema que o governo vem identificando desde a reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom). Na ata dessa reunião, divulgada no início de maio, o Copom chamou a atenção para o fato de os juros futuros não estarem incorporando as melhoras detectadas nas projeções de inflação. Desde então, o mercado reage com queda da taxa imediatamente após as intervenções verbais ou escritas do BC, mas logo volta a empinar a curva para os próximos dois anos, introduzindo um pessimismo traduzido em prêmio de risco. Os temores do mercado, no momento, pelas informações oficiais, não estão relacionados ao comportamento da inflação doméstica no horizonte visível, nem a uma eventual expectativa de repique da crise financeira global - que pode aparecer sob a forma de forte inadimplência nos cartões de crédito dos consumidores americanos e nos financiamentos de imóveis comerciais. Governo e analistas privados não encontram o menor sinal de recrudescimento inflacionário no Brasil nos próximos seis a nove meses, e novos ventos da crise não estão nos preços.
Leia a íntegra. Em ambiente de deflação (a notícia), "incerteza política" é a explicação que o oligopólio dá quando não tem outra (o bastidor). Mas não deixa de ser irônico que a mistificação esteja sendo usada agora contra o PSDB, ele que se cansou de "explicar" que o descontrole de 2002 se deveu não principalmente à fragilidade fiscal intrínseca ao governo Fernando Henrique Cardoso, mas ao "risco Lula". O diabo sempre aparece um dia para cobrar o acordo. Quer um exemplo? Clique na imagem.

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11 Comentários:

Blogger Fernando disse...

O link pro Coração Satanico está errado.

sexta-feira, 17 de julho de 2009 10:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mas, Alon, a fragilidade fiscal não está mais presente? As desonerações, as renúncias fiscais, as despesas correntes (estas sempre rígidas para baixo), o investimento insuficiente, expectativas de crescimento econômico aquém do necessário para absorver a demanda anual por emprego. O medo não estaria, de fato, na realidade de um ajuste que deveria ter sido feito antes da eclosão da crise financeira? O tal diabo não estaria a cobrar a conta deste governo mesmo?

Swamoro Songhay

sexta-feira, 17 de julho de 2009 11:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mickey Rourke,tem minha simpatia no infeliz personagem que encarna.
Inconsciente da dívida que tem com o demo ou os " demo". Quem vem a ser a memsma coisa...

sexta-feira, 17 de julho de 2009 11:59:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Corrigi, Fernando, obrigado.

sexta-feira, 17 de julho de 2009 12:10:00 BRT  
Anonymous Antonio disse...

Não há fragilidade fiscal alguma. Os dados de dívida bruta e líquida sobre PIB do Brasil são melhores do que o de todos os países do G8. O déficit previsto para esse ano é o menor de todos os países do G20.

É o "mercado" querendo chantagear o país novamente à medida que as eleições se aproximam. Só que dessa vez o poder de fogo deles é bem menor. As contas externas estão razoavelmente em ordem, a solvência externa está tranquilíssima, as contas fiscais e o endividamento também estão numa boa. E, importante, a "opinião dos mercados" está desmoralizada no mundo inteiro.

Alon, seu blog é ótimo.

Abraço,
Antonio
Brasilia

sexta-feira, 17 de julho de 2009 22:42:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, creio que é um erro generalizado da esquerda achar que o mercado pode ser tratado como um grupo de pessoas que se reúnem nos bastidores ou fazem chantagem, como quer o Antonio acima. Meu palpite: os juros futuros mais longos refletem as expectativas futuras de inflação (não dá para argumentar com a inflação do último mês). Essas expectativas decorrem do próprio movimento atual de redução de juros, de uma economia que desaqueceu pouco e já se recupera, e mesmo da crescente fragilidade fiscal que o Swamoro Songhay aponta acima. Essa expectativa não se incorpora nas "melhores projeções de inflação", porque essas últimas são as projeções "oficiais", que os agentes do mercado informam ao Banco Central, e são sempre mais simpáticas àquele. Não quero dizer que sejam projeções ruins, mas são apenas respostas a uma pesquisa do Banco Central junto a instituições financeiras, não comprometem os ganhos de ninguém. Já as projeções implícitas nos derivativos de juros (os tais juros futuros de longo prazo), são negócios reais fechados hoje e que irão gerar lucros ou prejuízos ao longo do tempo, percebe a diferença? Por que então o mercado reage às declarações do Banco Central e os juros futuros oscilam? Porque o mercado funciona assim meso, essas projeções são preços que variam a cada negócio fechado, como os preços das ações numa tela de Home Broker (para quem já viu), a declaração do banco Central influencia parte dos operadores, que passam a praticar preços diferentes. Mas o retorno aos níveis anteriores mostra que aquela projeção induzida pelo Banco Central não se sustenta de fato. Coisa muito diferente costuma acontecer quando o Banco Central se pronuncia sobre os juros correntes, já que ele pode alterá-lo na próxima reunião do Copon. Incertezas políticas? É uma boa forma da burocracia dos bancos e da burocracia do governo passarem a impressão de concordarem com os sólidos fundamentos e tal e coisa... né não? Alon, você faz excelentes comentários sobre política e política econômica, mas esse resquício de teoria da conspiração quando se trata do mercado acaba comprometendo.

sábado, 18 de julho de 2009 11:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Fragilidade fiscal existe quando gasta-se mais do que o arrecadado, principalmente em despesas correntes, continuadas e historicamente rígidas para baixo e flexíveis para cima. Se não por isso, pelo de fato de estarmos numa economia capitalista, dependente e emergente. Por isso a crise chegou, pegou e vai ficar um pouco. Tanto que todas as justificativas falam nos fundamentos da economia, com expectativas, inclusive oficiais, de um crescimento pequeno em 2009, com pequena recuperação em 2010. O mercado que interessa é o que poderia aumentar a importação de produtos manufaturados de fabricação local e os investidores diretos em novas plantas. O outro mercado, tão demonizado, deve estar esfregando as mãos pela arbitragem de que podem se beneficiar entre taxas de juros internas e externas.

Swamoro Songhay

sábado, 18 de julho de 2009 12:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon

Não regrida, não regrida. Abandone o lixo ideológico, apure e refine os argumentos.

Seus leitores podem não aceitar seus argumentos, mas, pelo que você já deve ter notado, não aceitam ser infantilizados.

sábado, 18 de julho de 2009 16:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon

Não se esqueça que o mercado somos todos nós.

Se o Mantega ou o Meireles disserem que a economia vai crescer a 10%, a inflação a 1% e os juros a 0%, eu tenho o direito de desconfiar e tomar minhas precauções.

Se eu estiver errado, então o prejuízo é meu. Perdi o bonde.

Se eu estiver certo, então eu me safei do engodo, percebeu? O jogo é limpo.

É claro que há alguns agentes que podem trocar umas ideiazinhas e agirem em conjunto, mas o mercado, na imensa maioria, é uma miríade de pessoas isoladas que só querem preservar o seu patrimônio.

Essa é a entidade tão maligna que alguns abominam.

sábado, 18 de julho de 2009 20:29:00 BRT  
Anonymous Antonio disse...

A idéia de que o mercado reflete a opinião de uma miríade de pessoas está correta no varejo, mas errada no atacado. Os operadores do mercado têm um claro viés ideológico e político. É claro que no ajuste fino há divergências. Mas a orientação geral é sempre a mesma. Representam uma parcela específica, bem minoritária, da população brasileira. Estão enfraquecidos pelo fato do Estado brasileiro estar em excelente posição e pela esculhambação que seus pares do mundo desenvolvido aprontaram.

E ficam aí, bem posicionados na mídia, reclamando que a meta de inflação deveria ter sido diminuída, que há um descontrole de gastos, riscos inflacionários ... esse tempo acabou, ninguém dá mais bola, game over.

Antes de ouvirmos o "mercado", vamos ouvir a Nação. E a Nação deseja produzir, trabalhar, ter acesso ao crédito.

Muito diferente de sentar num sofa e ganhar 12% ao ano enquanto reclamam do Bolsa Familia.

domingo, 19 de julho de 2009 14:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Olha, a idéia não está errada não. O que acontece é que há uma curva e à medida que os agentes têm mais capital e interesse em jogo eles se articulam.

Na verdade existem duas curvas. A outra é daqueles que sabem ler um balanço ou digerir os indicadores da economia. Estes podem ver quando há uma rachadura nas belas pinturas do governo.

Agora o médio empresário, o pequeno ou qualquer um que já tomou uma chicotada braba do governo, porque já acréditou no que ele vende, estes esperam para ver para crer e tocam suas vidas isolada e prudentemente. São estes que geram a imensa maioria dos empregos.

Quanto às críticas: o debate é se elas têm fundamento ou não. Há gastos indevidos, a meta de inflação deveria ser reduzida. O bolsa-família deveria expurgar os beneficiários fraudadores, se deveria haver 'porta de saída'. Mas aqui vamos cair num debate ideológico sem fim que eu não quero fomentar. O que eu quero esclarecer é que para fazer o social, a economia tem de estar a pleno vapor, senão um dia não vai dar pra fazer nada disso.

Mas disso parece que você já sabe e, pelo tom, entendo que esse pequeno grupo a que você se referiu é o financeiro. Olha que esse grupo sobrevive porque o governo precisa de dinheiro e paga juros exorbitantes para financiar seus gastos. Não é uma contradição pedirem para que se abaixem os juros que se controlem mais os gastos?

Êpa, outro debate ideológico. Esse setor também é necessário para fazer a economia andar, e você também já dever saber que pagam os maiores impostos, de 40 a 50%, sem possibilidade de ilisão.

domingo, 19 de julho de 2009 16:01:00 BRT  

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