sexta-feira, 24 de julho de 2009

No cheque especial de Lula (24/07)

Uma coisa é o sujeito anistiar eventuais erros de Lula, “menino pobre que saiu do Nordeste para chegar à Presidência e governar para os pobres”. Outra é perdoar Lula quando abriga “o político matreiro que se encostou no Lula para não perder a boquinha”.

Afinal de contas, qual é o impacto que a revelação de maus hábitos políticos tem sobre o ânimo do eleitor? Eis uma incógnita. Há situações em que o cidadão comum simplesmente dá as costas ao acusado e este cai em desgraça. Mas elas convivem com outras, nas quais o desvio é tolerado. Existe uma regra? Ou os casos devem ser avaliados um a um? Nesta segunda hipótese, que parâmetros usar para conhecer o dano potencial de um ataque?

Tome-se por exemplo a crise de 2005, detonada pelas entrevistas do então deputado federal Roberto Jefferson. Ela teve sérios desdobramentos políticos, ao ceifar toda uma camada de dirigentes do PT. Mas, para surpresa de alguns analistas, não chegou a impactar significativamente o resultado eleitoral no ano seguinte. Nem na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva nem no desempenho geral do petismo. O eleitor aparentemente achou que a coisa não era tão grave assim que merecesse mandar Lula e o PT de volta para casa.

O caso clássico na outra ponta foi a disputa para governador de São Paulo em 1998. Paulo Maluf era favorito quando entrou no segundo turno. Mas acabou derrotado por um Mário Covas que se reelegeu fazendo talvez a campanha mais brutal da história recente das eleições brasileiras. Inteiramente baseada em ataques no terreno moral. As intenções de voto de Maluf foram dissolvidas em ácido quando a marquetagem covista fez o eleitor lembrar do currículo do oponente.

Os cínicos assumidos (ou realistas) dirão que o eleitor não está nem aí para denúncias, desde que o governo faça algo por ele. O caso de Maluf-98 mostra que a tese não pode ser absolutizada. No outro extremo, a insistente sobrevida de políticos cravejados de complicações prova que apontar o dedo acusador não é panaceia para quem precisa tirar da frente o antagonista.

Talvez um critério para medir impactos potenciais de denúncias deva ser importado do jornalismo, onde algo é tão mais notícia quanto maior a probabilidade de se ligar à vida do consumidor de informação. Um avião de passageiros que cai no Brasil será mais notícia aqui do que no Uzbequistão, assim como um desastre aéreo naquele país dificilmente merecerá aqui em situações normais algo além de uma nota.

Se for descoberto que um secretário de Saúde pegou para si o estoque disponível de remédios contra a gripe suína e distribuiu aos parentes dele, estará politicamente liquidado. Mas, se um deputado ou vereador cair em desgraça por ter recebido dinheiro ilegamente para apoiar o Executivo é possível que escape na eleição seguinte. Porque a política sensu strictu está distante do dia-a-dia das pessoas. Já se faltar remédio contra o vírus A H1N1 mais gente irá morrer. Você olha para o seu filho e percebe que por causa da corrupção ele está desprotegido.

E como repercutirá a crise do Senado? De um lado, ela é “dos políticos”. Que procuram reforçar esse vetor, lembrando sempre do suposto “caráter cultural” do também suposto “patrimonialismo brasileiro”. Mas há outra variável. E o garoto ou garota que se esforçam para estudar, para vencer na vida, especialmente quando vêm dos grupos sociais mais pobres? O que devem (eles e suas famílias) estar achando da festa privada com os gordos empregos públicos distribuídos às escondidas no Senado?

Suspeito que neste caso os aliados de Lula metidos —como ele costumava dizer— em maracutaias estejam a sacar da conta que o presidente da República mantém junto aos trabalhadores e trabalhadoras comuns. Pois uma coisa é o sujeito anistiar os eventuais erros de Lula, “o menino pobre que saiu do interior do Nordeste para chegar à Presidência e fazer um governo para os pobres”. Outra, bem diferente, é perdoar Lula quando abriga, por puro interesse, “o político matreiro que se encostou no Lula para não perder a boquinha”. Ou bocona.

Com o juro do cheque especial no nível em que está, talvez Lula devesse tomar cuidado com a evolução dessa fatura.

Unanimidade?

Repisar a máxima rodrigueana de que toda unanimidade é burra costuma ser a saída fácil e óbvia de quem deseja destoar da unanimidade. É o meu caso aqui. Não há motivo para o Copom ameaçar com a parada na queda dos juros, como fez na quarta-feira. Basta a economia dar sinais de que vai crescer alguma coisa e esse pessoal se alvoroça todo.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense

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13 Comentários:

Blogger Leonardo Bernardes disse...

O processo eleitoral (e político) em certos nichos, é um caso à parte, Alon. É preciso uma análise complexa pra entender porque a família Sarney, por exemplo, ainda manda no Maranhão. Porque uma coisa é anistiar os erros de quem nos favorece, outra coisa é favorecer quem simplesmente nos mantém cativos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009 01:01:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, deixe-me chamar atenção para outro aspecto, que pouco se tem notado no caso da crise no senado. Democracia e Estado de Direito vão além da realização regular de eleições, depende também do funcionamento eficiente das instituições. O surgimento de um escândalo das proporções do atual teria de provocar uma reação proporcional das instituições, que passaria por cima de biografias ou de projetos políticos. O que ocorre é o inverso, até aqui o projeto político do presidente conseguiu barrar a reação institucional. Parece-me óbvio que, em qualquer democracia, o eleitor decide em última instância de vez em quando. Entre umas e outras dessas vezes a corte toma conta (a corte é o aparato público, a mídia que vem perdendo força como você já notou, enfim a oligarquia que faz (ou não) a lei “pegar”). Oras justamente essa oligarquia, no caso latino americano, é de péssima qualidade, o que faz o jogo político tomar conta de tudo e tudo ser decidido pela quantidade de votos de cada partido, passando por cima do bom senso mais elementar: julgamentos sem provas, investigações que não investigam etc. Você mesmo ironizou a coisa quando falou em excesso de transparência. Não é só o projeto do presidente que paralisa as instituições, a oposição também é capaz de lançar mão de poder pessoal que exerce sobre o aparato público: como é que gravações feitas a mais de ano pela Polícia Federal vazam justamente agora, por um dos principais órgãos da imprensa de oposição? Pouco adianta a sabedoria do eleitor se a Polícia Federal parece trabalhar como facções de caudilhos. Uma pena, mas eu diria que estamos regredindo a democracia pós II Guerra, cada vez mais parecidos com as atuais democracias (sim, democracias, por que não?) venezuelanas e bolivianas. Desculpe o comentário kilométrico.

sexta-feira, 24 de julho de 2009 08:56:00 BRT  
Anonymous fscosta disse...

Vamos de tras pra frente. 1) O Copom não sinalizou nada. Ele falou que o processo de flexibilização está proximo do fim, quem interpretou isso com o aviso que para na proxima foi a imprensa, spinada pelo tal "mercado". O Nassif levantou a bola, oras como o maior interessado da operaçao pode ser consultado com "especialista isento". Isso é algo q vc dificil aborda, como a imprensa é passiva nessa relaçao.

Sobre o Lula, eu entendo tudo que ocorre. Tendo a achar que vai ser tudo relativizado, simplesmente pq é mais do mesmo. Pq o pedido de emprego do Sarney pro Agaciel é o mesmo do pedido de emprego do FHC pro Heraclito. A imprensa finge que o povo não sabe disso. Mas desconfiar já basta.

Outra coisa é saber se o PSDB parte pra cima do Sarney 1) por desepero 2) por estrategia.

A minha leitura é que a parte do PMDB que tinha o Lula na mão. Agora está na mão do Lula. E o pior, mesmo que ele não consiga salvar Sarneys e Renans. A politica é, como sabemos, vivida de simbolismos. O Lula vai continuar defendendo o Sarney a unhas e dentes, pq o que importa é definir de que lado vc está.

E o PMDB vai ser eternamente grato, pelo apoio nas horas dificeis (assim como Lula é grato pelo apoio do Sarney no dito Mensalao).

Tanto é que já surgem noticia aqui e acolá sobre a suposta insatisfaçao do Sarney com o PT e com a PF. Oras, o Tarso matou a cobra e mostrou o pau. A PF investiga o Sarney há mais de 2 anos. As denuncias só vazaram qdo o MP e as partes tiveram acesso ao processo.

Não cola.

sexta-feira, 24 de julho de 2009 10:00:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro fscosta, sobre imprensa e mercado, um trecho:

"Agora que até os porta-vozes jornalísticos do mercado financeiro já começam a a se render à realidade, acho que vou mudar de assunto (...)

Ëstá em http://www.blogdoalon.com.br/2008/12/consenso-3012.html

sexta-feira, 24 de julho de 2009 10:27:00 BRT  
Anonymous fscosta disse...

De qualquer forma,

O proprio mercado já está se corrigindo. Já disse aqui que o que vale pra produção são os juros futuros (a tal perna longa), que estava precificando um risco "inflacionario" e somado, a um (in)provavel risco politico (risco Serra/risco Dilma, conforme a preferencia ideologica).

Com o IPCA-15 de hj a perna longa já começa a se corrigir. Melhor pro BC, os proprios indicies de inflação vao botar o "mercado" na linha.

Mas até lá, haja saco pra aguentar teorias de como o Serra ou a Dilma vão gerir a politica monetaria e o BC. Ou da fragilidade do sucessor do Henrique Meirelles em ano eleitoral.

E ninguem tocando o dedo na ferida, a politica cambial destrutiva, e a valorizaçao do real que já está dando as caras por ai. Muito antes que qualquer um previa. Marolinha é pouco.

PS.: Alguem tem duvida de qual vai ser a posição do Lula qto ao cambio em vespera eleitoral?? Quer um filé mais apetitoso pra politico que propagar um salario minimo de US$ 350?? Bom pro consumidor. Pior pro Brasil...

http://www.valoronline.com.brvaloronline/MateriaCompleta.aspx?tit=IPCA-15+puxa+DIs+para+baixo+na+BM+&+F&codMateria=5727367&dtMateria=24+07+2009&codCategoria=201

sexta-feira, 24 de julho de 2009 12:39:00 BRT  
Anonymous J.Augusto disse...

O ataque à Sarney vem sendo feito da forma que ACM chamava de precisão cirúrgica. Ou seja visa atingir apenas Sarney, sem afetar o entorno no Senado.

Só que, para dar certo, é preciso contar com dois fatores:
1) a recusa do povo exercitar sua inteligência e capacidade crítica.
2) combinar com os russos (na expressão do Garrincha). Os russos, no caos, é o PMDB.

Quando ouvi as gravações com o pedido de emprego, minha primeira reação foi: acabou? o que vem seguida? qual a próxima conversa?
Um presidente do Senado, ex-presidente da República, com poder de indicar ministros, tratando de assuntos como faz qualquer deputado do baixo-clero?
A conduta é reprovável, como foi reprovável o caixa-2 do mensalão. Mas o povo vota pelo conjunto da obra, e não por um item que ele não gosta.

Além disso, ninguém acredita que Sarney seja uma ovelha desgarrada, em meio a um Senado virginal.

E aí repete-se o mensalão. Quando esgotou o estoque de escândalos contra o PT, as baterias se viraram contra as origens do esquema no PSDB, então houve uma operação abafa, percebida pelo povo. Muitos preferiram votar no PT que, bem ou mal, exorcizou seus erros, respondem à processos, do que naqueles partidos que praticaram a impunidade para os seus membros.

Na cabeça do povo, o mensalão não acabou em pizza para o PT, e acabou em pizza para o PSDB.

O mesmo pode se repetir com Sarney. Uma hora o estoque de escândalos contra Sarney se esgota, nem que seja por fadiga de material jornalístico. O povo vê que familiares de Sarney foram alcançados pela Polícia Federal (olha o discurso pronto do grupo de Lula para qualquer embate em 2010), mas o povo percebe que os demais Senadores estão tendo uma blindagem que Sarney não teve, e que não vem do governo, pois muitos são senadores da oposição. É o mesmo ciclo que aconteceu com o PSDB no mensalão.

O povo preferirá votar no grupo político de Lula, onde existe menos impunidade e controle da imprensa, do que no grupo político da oposição, onde a impunidade impera.

Por fim, faltou "combinar com os russos" e virá o contra-ataque do PMDB, partido de velhas raposas e calculistas políticos. Enquanto Sarney vislumbrou que não era interessante acirrar os ânimos, ficou na retranca. Quando vê que o confronto é irremediável (e parece que já viu), irá "socializar" o escândalo entre os demais (inclusive mostrando "isentismo" na CPI da Petrobras quando o alvo for alguém do PT), além de tomar medidas pirotécnicas moralizadoras (e não será tolo de entregar para a oposição o cargo justamente na hora de tomar essas medidas tão ao agrado da platéia). Assim entregará os anéis, sem perder os dedos, mais uma vez.

sexta-feira, 24 de julho de 2009 12:40:00 BRT  
Anonymous Antonio Santos disse...

Creio que faltou uma possibilidade.

Por que trocar o roto pelo rasgado?

Por que trocar 6 por meia-dúzia?

A base de sustentação de hoje é a mesma de ontem. Até o líder do governo no senado é o mesmo.

A oposição quer nos vender que tudo faz por princípios éticos e morais. Cascata, conversa mole, marketing. O único objetivo é 2010.

Nos resta escolher entre dois males. Escolher o que caminha um pouquinho que seja para as mudanças necessárias.

Pelo menos agora o Sarney é investigado. Só nesse governo eu vi a PF e o MP sistematicamente investigando o colarinho branco.

Voltar aos tempos do Engavetador Geral da República não é uma boa idéia.

sexta-feira, 24 de julho de 2009 13:23:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Alberto 099

O porquê do "só agora" e ainda "para um jornal de oposição" é resposta que analistas que cobrem a política podem dar. Quanto mais independente for o jornalista (o que se sabe pelo exame do conjunto da obra), melhor a resposta.

Ressalto que o viés político do analista (no caso do Alon, nítido até no seu retrato que está no blog) interessa pouco. O que importa é avaliar o compromisso do jornalista com a verdade dos fatos que apura e analisa.

O mesmo vale para analistas cuja cabeça na foto pende para o lado oposto à do Alon. Desconfio muito mais das cabeças que nas fotos estão perfeitamente centradas. Eu leio, analiso e formo juízo próprio sobre o que escrevem.

Quanto aos fatos publicados pelo ESP, a mim o que importa é se eles são ou não verdadeiros. No caso, eu vejo que são. Mandá-los para debaixo do tapete sob a justificativa realista dos males o menor é um insulto a quem não pensa com as categorias mentais dos militantes.

Para mim, consumidor de notícias e pagador de impostos, pouco me importa se o vazamento é ou não parte de uma estratégia política com vistas a 2010. Como não cansa aqui de mostrar o Alon, goste-se ou não esse é o jogo da política brasileira, avisando ao leitor que por isso ser assim é bom nunca desligar o desconfiômetro.

Falou-se em ovos podres. O exame deve passar pelo estado dos ovos, que neste caso (ESP) fedem de tão podres que estão.

PS: Alon, você escreveu e não me ficou claro:

lembrando sempre do suposto “caráter cultural” do também suposto “patrimonialismo brasileiro”

O que não está claro é se você reconhece ou não a natureza (histórica) patrimonialista do Estado.

Eu penso que o patrimonialismo não é um fenômeno puramente cultural. Alguns intelectuais supõem sim que ele seja essencialmente isso. No meu entendimento (cf. Homens livres na ordem escravocrata), ele constitui o modo de expropriação do excedente, isto é, o patrimonialismo é constitutivo das relações sociais e parte integrante (ou seja, não disfuncional) do capitalismo no Brasil.

Você pensa que a assertiva do “patrimonialismo como uma das formas de expropriação capitalista no Brasil” é somente suposição de intelectuais? Ou, então, pensa outra coisa?

Se não quiser responder, tudo bem. Mas eu gostaria imensamente de ler uma resposta à pergunta.

sexta-feira, 24 de julho de 2009 15:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Dessa novela eu estou aguardando é o clímax, a reviravolta a vendeta. Sarney está imobilizado pelo choque. Não assume o contra-ataque, nem delega aos aliados para que o façam. Mas todos sabem que quando o primeiro dominó cair, a onda não para. Pode chegar até Alagoas. Quando então vão começar a se mexer???

sexta-feira, 24 de julho de 2009 16:22:00 BRT  
Anonymous fscosta disse...

E ai Alon? Que tal outro post sobre o Spread? O Mantega não tinha medidas pra isso? O presidente do BB não foi demitido por isso? Sumiu tudo da midia....rs...pq será?

Selic cai mais rápido do que o spread

http://blogdofavre.ig.com.br/2009/07/selic-cai-mais-rapido-do-que-o-spread/

sexta-feira, 24 de julho de 2009 16:48:00 BRT  
Blogger Betamax disse...

Marimbondo é fogo! Firme na colméia.
Senador por dois estados ,somente Sarney conseguiu esse feito. Curioso, ninguém se insurgiu contra essa jaboticaba .Nem a mídia tampouco seus pares,de ambos os lados. Súbito,torrente de denúncias,acusações,grampos,vazamentos,ameças de impedimento,excrecências de década e meia,despejadas sobre a mesa da presidência do senado.
Questão ôntica: Sarney é tudo isso,mesmo?

sexta-feira, 24 de julho de 2009 21:47:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Paulo Araújo, obrigado pela oportunidade de esclarecer o que disse, devo ter-me expressado mal. Também insultaria a mim que se varressem esses fatos para baixo do tapete, também entendo que esse é o jogo político como se dá por aqui agrade ou não. Como disse no início do comentário, queria chamar atenção para outro aspecto e esse aspecto é que a política viciada que se pratica aqui se deve ao mal funcionamento do aparato público, que deveria provocar as conseqüências que se espera na vigência de um estado de direito. O que muitos fazem frente ao absurdo da situação, inclusive o Alon, é se virar para o eleitor: permanecerá com Lula, mesmo depois de defender o indefensável? O cheque especial cobre a fatura? Essa linha de raciocínio é a mesma de quem (o Alón está fora dessa) aponta o eleitor como responsável por nossas mazelas: ele não reelegeu Lula depois do mensalão? Quero justamente dizer que o problema não está no jogo político em si, nem no eleitor, mas em um aparato institucional que não cumpre seu papel, com o que o jogo democrático parece incapaz de fazer o país avançar, elegendo governos melhores e mais éticos inclusive. Quando falo da imprensa no jogo político não estou querendo esconder os fatos, ao contrário, fosse uma imprensa investigativa e os fatos teriam vindo a tona (e detonado o Sarney) a mais de um ano, e não quando está em jogo a sucessão. Não fiquei no jornal, apontei a responsabilidade da Policia Federal, que tem me parecido a casa da mãe Joana. Como disse ao final do meu artigo sinto o cheiro da democracia de 46 (o mundo de meu pai): quem foi capaz de dividir corações e mentes no Brasil como Lula, além de Getúlio Vargas? O que era a UDN se não um partido da classe média intelectualmente cultivada que acabou reduzida à bandeira ética, tipo o PSDB? Esse personalismo é o jogo de uma democracia sem as instituições necessárias, e está na America Latina toda: o presidente deposto em Honduras é do mesmo partido do presidente interino, no peronismo argentino cabem Menem e Kirchner. Também tenho a cabeça inclinada, no nosso Fla-Flu sempre formei com os petralhas.

Caro Alon, permita que retifique meu comentário a seu post de 17/7 “O diabo sempre cobra o acordo”. Lá dizia que a alegação de “incertezas políticas” era uma alegação vazia, para conciliar o que os bancos dizem ao Banco Central sobre suas expectativas e os preços que praticam no mercado de derivativos. Creio que entendi a “incerteza política”, não o receio de Serra ou Dilma, mas a desconfiança de que o Banco Central realmente tenha afrouxado a política monetária, trocando mais inflação por mais crescimento em um ano eleitoral (comportamento muito comum mundo afora). O que ajuda a entender, inclusive, o fato de Henrique Meirelles ter se pronunciado a respeito. Novas desculpas pelo comentário kilométrico.

sábado, 25 de julho de 2009 10:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

" Basta a economia dar sinais de que vai crescer alguma coisa e esse pessoal se alvoroça todo."

Alon,

O COPOM nao pode baixar mais os juros porque o governo Lula nao quer lutar no Congresso para desregulamentar a poupanca. Nao por falta de pressao do Bacen!

A culpa dos juros altos eh a covardia politica de Lula.

terça-feira, 28 de julho de 2009 01:44:00 BRT  

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