terça-feira, 21 de julho de 2009

Apoia também o referendo no Irã, presidente (21/07)

Luiz Inácio Lula da Silva disse o seguinte sobre a consulta popular que o deposto (mas constitucional) presidente de Honduras, Manuel Zelaya, queria (quer) fazer (da Agência Brasil):
    “O que o presidente queria fazer? Um referendo. O que o referendo tem de criminoso? Qual o medo de ouvir a vontade do povo?”
Agora, quem propõe um referendo é a oposição no Irã, que contesta a vitória eleitoral do presidente Mahmoud Ahmadinejad (de O Globo):
    O ex-presidente iraniano Mohammad Khatami propôs que se realize um referendo sobre a legitimidade do governo do Irã, num desafio ao líder vencedor da polêmica eleição presidencial de junho.
O establishment persa não gostou (da France Presse):
    Os conservadores iranianos criticaram duramente nesta terça-feira (21/07) o projeto de referendo proposto pelo ex-presidente reformista Mohammad Khatami para "sair da crise atual", por considerarem-no um complô estrangeiro. "Ao propor um referendo, dão continuidade a outra parte do roteiro já preparado pelo Ocidente para fazer complô contra o regime iraniano", escreveu em um editorial Hossein Shariatmadari, diretor do grande jornal conservador iraniano Kayhan.
Lula deve receber Ahmadinejad no Brasil proximamente. Pois eu tenho uma sugestão ao nosso presidente e ao chanceler Celso Amorim. Quando o líder iraniano estiver entre nós, defendam publicamente o direito de o povo daquele país irmão fazer o referendo proposto pela oposição. Afinal, "o que o referendo tem de criminoso, qual o medo de ouvir a vontade do povo?". A não ser, naturalmente, que Lula e Amorim considerem isso uma inaceitável intromissão nos assuntos internos do Irã. Se for assim, alguém poderá concluir que a diplomacia brasileira apoia referendos propostos pelos amigos de Lula, mas não apoia as consultas populares defendidas pelos adversários dos amigos de Lula. Daí a atualidade deste trecho de O valor de uma amizade:
    (...) em política externa é o que Lula vem sinalizando nas últimas semanas. Há os maus golpistas, como os de Honduras, e os bons ditadores e genocidas, como alguns da África recentemente visitada pelo presidente. Aos amigos, tudo; aos inimigos, os princípios morais. Como é bom ser amigo de Lula!
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19 Comentários:

Anonymous Alexandre Porto disse...

Alon, por favor não force a barra.

O presidente de Honduras estava propondo um referendo para aprovar ou não uma Constituinte que seria aberta já com ele fora do poder;

A oposição do Irã quer apenas criar um terceiro turno da eleição;

Respeite nossa inteligência.

terça-feira, 21 de julho de 2009 15:31:00 BRT  
Blogger Wania Regina disse...

Voce me parece ser mais inteligente.Quando escreve essa inteligência não aparece.Transformar desejo em opinião é o maior erro de todo blogista.As análises são parciais,e há sempre uma falsa argumentação para lhe apoiar o desejo, não a razão.Em primeiro lugar houve uma eleição no Iran.SE o Serra perder e a cidade de São Paulo protestar,voce com certeza pedirá uma consulta sobre a validade da eleiÇão, mesmo que a derrota seja por uma diferença de 60%? Em Honduras não houve nada,eu disse nada.Derrubaram o governo para por causa de uma consulta e não por suposta fraude em eleiçAo..Seria razoavel seu raciicinio se defendesse o Direito de Lula pleitear a disputa de um Terceiro mandato através de um plesbicito(consulta popular).Voce nesse caso deveria ser plenamente a favor,caso contrário melhor parar com eesa brincadeira de blog,e abrir um de analista de desejos,vôce está ficando bom nisso.

terça-feira, 21 de julho de 2009 16:18:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon vc está misturando as coisas.


O DITADOR do Irã acabou de ser eleito, por mais contradiório que possa parecer. O povo foi ouvido!

Em Honduras seria feita uma consulta a população que poderia simplesmente dizer não. A vontade do povo seria ouvida.

terça-feira, 21 de julho de 2009 17:35:00 BRT  
Blogger Vera B. disse...

E qual a sua opinião sobre um plebiscito para saber se os eleitores brasileiros aceitariam uma emenda permitindo ao presidente da República concorrer a um terceiro mandato?

terça-feira, 21 de julho de 2009 19:41:00 BRT  
Anonymous pcaval disse...

basta!
não o visitarei mais

Quo Vadis?

terça-feira, 21 de julho de 2009 20:26:00 BRT  
Anonymous Vinicius Duarte disse...

Saudaçoes Alon
(Foi mal acentuaçao.O teclado ta meio ruim).

Concordo com voce Alon ao dizer que o nosso presidente nao é congruente nas suas ideias. Proprio da politica brasileira e de outros paises mundo afora.

Mas na minha analise de leigo eu vejo uma diferença entre um e outro referendo. Acho o referendo proposto por Zelaya mais compativel com o jogo democrático que o referendo proposto pela oposiçao iraniana pelo fato de o referendo hondurenho ser referente a uma opçao pelo povo de como se dara as eleiçoes futuras o que nao garante nada que Zelaya venha a se beneficiar dela. Podendo ate a oposiçao se beneficiar.

Ja no caso do Ira. O referendo faz uma contestaçao de uma escolha ja feita pelo povo. Ou seja, a escolha do atual Presidente.

Nao estou dizendo que acho impossivel que as eleiçoes Iranianas tenham sido fraudadas e nem estou defendendo o regime dos Aitolas.

Espero que eu tenha me feito entender. Ainda sou muito amador nesses assuntos. Afinal, sou apenas um garoto de 16 anos tentando aprender sobre democracia.

Obrigado Alon.

terça-feira, 21 de julho de 2009 21:05:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Vera, sou contra.

terça-feira, 21 de julho de 2009 22:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, difícil situação quando você desagrada a persas e a bolivarianos. A boa notícia é que o seu blogue tá ficando quente, a ruim é que el comando cibernético está chegando.

Zezinho1993, é o computador de repartição ou a falta de familiaridade com a redação em português?

quarta-feira, 22 de julho de 2009 09:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ótimo, Alon. Também sou contra. Tomara que a moda de referendos para referendar a vontade do povo não pegue por aqui. Aliás, nunca sabe-se de quem é a vontade do povo. Ou se há vontade de povo, mesmo, nessa história toda. Não é mesmo? No caso de Honduras, agora fala-se em revolução popular. Ou incita-se. Já passou a hora de alguém falar que nada justifica a eclosão de violência desmedida, sem lógica alguma. Claramente, sem meias palavras ou rompantes salvacionistas. A não ser que haja procura por mercado para vender sacos para armazenar corpos despedaçados e calcinados. Ou criação de demanda por chapelões brancos. Para não falar em armas de fogo, balas e bombas, machetes e porretes. Um povo pobre está isolado, com ajuda cortada, com riscos de carnificina. Pelo quê? Comparado ao que possa resultar de eventual violência, por nada. A julgar pelo se conhece, chapelões e retóricas incendiárias, por nada. Quais bons princípios justificariam tal estado de coisas? Como diziam os antigos: esse pessoal precisa tomar tenência. Para não falar em ter vergonha na cara.

Swamoro Songhay

quarta-feira, 22 de julho de 2009 11:31:00 BRT  
Blogger pait disse...

Estou surpreso com o número de pessoas a favor do autogolpe militar do Ahmadinejad por aqui no blog. Em Honduras a situação é dúbia, na minha opinião os 2 lados estão errados. Mas na Pérsia ficou tudo bem claro - só quem é muito a favor de ditadura militar com perfume teocrático ainda apoia a eleição fraudulenta. É lendo e aprendendo....

quarta-feira, 22 de julho de 2009 16:31:00 BRT  
Blogger Mircon disse...

Ah tá!
E que tal propormos um referendo 1 mês após cada eleição que fizermos aqui no Brasil, prá dizer se queremos mesmo, mesmo, mesmo, mesmo essa que venceu a eleição seja empossado?
Sim, poderíamos ter feito pouco antes do Natal do ano passado um referendo perguntando: "Você acha que esse prefeito realmente merece receber a faixa, ou prefere uma nova eleição?"

Ou melhor, agendamos logo para Dezembro do próximo ano um referendo igualzinho!

Terceiro Turno, Alon?

São duas coisas totalmente distintas, o caso de Honduras foi quanto a uma nova Constituinte, da qual o país carece muito!
A mesma permitiria também a chance do atual Presidente se candidatar a uma nova eleição. Igual ao FHC aqui, só que Zelaya não possui abastados suficientes como FHC possuía, e nem dinheiro suficiente prá comprar os votos parlamentares!

Que mancada, Alon!

quarta-feira, 22 de julho de 2009 16:40:00 BRT  
Anonymous Francisco Ernesto Guerra disse...

Garoto Vinícius Duarte,

Parabéns por se interessar por política. Comecei a me interessar com sua idade. E por acaso. Em 1.972, lia sempre o Jornal da Tarde, atrás de notícias de futebol, mas dava uma espiada no restante do jornal e ficava intrigado com algumas matérias que eram interrompidas por receitas de bolos e doces. Era a censura do regime militar.

Quanto ao post, concordo com os colegas acima que voce exagerou na pegada. Honduras e Iran nada tem a ver. Num ouve golpe de estado, daqueles que lutamos tanto para que não mais existise na América Latina. No outro, pode ter havido uma tentativa de golpe por parte dos "twitter revolution" que não se conformaram com a vitória de Ahmadinejad, aliás prevista nas poucas, mas sérias pesquisas eleitorais.

Lula, na minha visão foi coerente.

quarta-feira, 22 de julho de 2009 17:41:00 BRT  
Anonymous Diogo Bispo disse...

“O que o presidente queria fazer? Um referendo. O que o referendo tem de criminoso? Qual o medo de ouvir a vontade do povo?”

Uma pergunta de resposta simples: referendos que sejam contrários à Constituição do país (como no caso de Honduras) não devem ser realizados.
Por q não realizamos um referendo perguntando se o José Sarney deveria ser expulso imediatamente do Senado? Qual o medo de ouvir a vontade do povo?

quarta-feira, 22 de julho de 2009 19:31:00 BRT  
Anonymous Francisco Ernesto Guerra disse...

Caro Alon,

Onde escrevi "num ouve" no meu comentário anterior, leia-se não houve. Que falha hein! Peço desculpas a todos.

quarta-feira, 22 de julho de 2009 21:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

êêêêpa...

Comando revolucionário cibernético OpEsp (operaciones especiales) continuam... Alon, o braço de Alá é realmente longo, mas o de bolívar está tão perto...

Alon, uma folheadinha na CF 88 e veremos que existem umas tais de cláusulas pétreas. Também têm um dispositivo que reserva às Forças Armadas a garantia da lei e da ordem, se houver requisição de algum dos três poderes. Em outras palavras, se um presidente começar a ir além do que devia, o STF ou o Congresso podem pedir para que os milicos lhe tirem a caneta e o trono. Processo, impeachment, se puder. Se não, milico nele. É um dispositivo para ser usado com extrema cautela, mas está lá.

O que os milicos deveriam fazer, se houver a requisição. Nâo têm saída. Estão enrolados de um modo ou de outro. Se nós podemos, porque Honduras não pode?

quarta-feira, 22 de julho de 2009 22:11:00 BRT  
Blogger Richard disse...

Parabéns ao Alexandre, a Wania, Pcaval e até ao anônimo. E um parabém especial ao Mircon!

Pô Alon, criar um artigo tendencioso destes só pra alavancar o debate!??! Perdeste alguns dos seus melhores leitores e ainda atraiu uns zé-manés de torcida!!!!

quinta-feira, 23 de julho de 2009 14:25:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Richard. Aposto com vc que não perdi nenhum.

quinta-feira, 23 de julho de 2009 15:33:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ao garoto Viníciuis


Das várias mensagens notáveis, a sua é especial, porque você tem um vocabulário rico (... cogruente...), escreve corretamente nomes estrangeiros (...Zelaya...), tem noções claras de concordância nominal (...pelo fato de o referendo...) e de geografia/história (...regime dos aitolás...), além ter uma organização de idéias de uma pessoa bem mais madura para a sua idade. Seria bom se você continuasse a participar para podermos conhecê-lo melhor.

quinta-feira, 23 de julho de 2009 16:46:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Caramba! Alon, assim você acaba sendo acusado de reacionário! Óbvio que estão 100% corretas suas questões.

quinta-feira, 23 de julho de 2009 20:31:00 BRT  

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