domingo, 21 de junho de 2009

Troquem o júri (21/06)

Da boa entrevista com Guido Mantega no Estadão (O bode na sala é o spread):
    Na sua opinião, quanto seria possível diminuir [o spread]?

    Da composição do spread, a cunha fiscal dá 7% a 8%, o compulsório não dá 3%, 36% é inadimplência e, se não me engano, 24% é custo administrativo. No custo administrativo tem a margem do banco. Então, quase 60% é risco de inadimplemento e mais custo administrativo.

    E por que os bancos não baixam o spread?

    É preciso ter concorrência. Hoje, mais de 70% do crédito é atendido por sete ou oito grandes bancos. O governo precisa criar condições para que haja concorrência. A queda da Selic (a taxa básica de juros) ajuda. A ação dos bancos públicos também. Eles estão liderando o processo de aumento do crédito e de redução de juros. Acho que está surtindo efeito. Pela primeira vez, percebo que os concorrentes (os bancos privados) estão sentindo essa agressividade que não existia antes.
É o que os (poucos) críticos escrevem sobre o spread desde há muito. Uma "busca avançada" com o Google neste blog deu hoje 75 resultados. Mesmo tirando as redundâncias é razoável. Ótimo que o governo tenha admitido os fatos. Mas, e daí? Fora o paliativo da concorrência dos bancos estatais (cujo spread também é altíssimo), algo mais? Afinal, Guido Mantega é ministro da Fazenda ou analista econômico? Aliás, na entrevista Mantega está mais cáustico do que a ampla maioria dos analistas de economia. Outro dia tive uma idéia. Lembram do final de Os intocáveis? O juiz que comanda o julgamento de Al Capone manda trocar todo o júri. Se você quer saber o motivo, veja o filme ou leia aqui. Eu garanto a você que a razão era muito boa. E o argumento para convencer o juiz a trocar era melhor ainda. Aí eu pensei em propor que pelo menos por um tempinho alguns jornalistas que cobrem o Congresso Nacional, perdigueiros e mordedores profissionais, fossem deslocados para cobrir a economia. A Fazenda, o Banco Central e a turma que ali tem livre trânsito. Só para esquentar um pouco. Usar a agressividade dos repórteres de política para animar a cobertura econômica. Não seria bom?

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