domingo, 21 de junho de 2009

Por que não fizeram uma prova? (21/06)

Uns têm diploma de jornalismo e defendem a obrigatoriedade do documento para a profissão. Ok. Outros não têm o diploma e apoiam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que aboliu a exigência. Também ok. Já outros tantos têm o diploma e isso não os impede de apoiar a sentença do STF. Tudo bem. Mas, e os que não têm diploma, exercem o jornalismo (porque já exerciam antes de 1969, 79 ou 85) e defendem que se proíba os demais não diplomados de serem jornalistas? Como na Revolução dos Bichos, são os candidatos a serem mais iguais do que os outros. A regulamentação da profissão se deu em três etapas, nas datas acima. Nas três vezes, quem já exercia o jornalismo obteve o registro mesmo sem ter diploma. Interessante, não? Se o objetivo principal da restrição de acesso era proteger a sociedade contra o mau jornalismo, por que não se pediu nas três vezes aos então jornalistas sem diploma que se submetessem a algum tipo de avaliação? A uma prova? A um teste prático? A uma verificação de conhecimentos? Não, decidiu-se que quem já era jornalista poderia continuar exercendo o jornalismo normalmente. E onde não houvesse faculdade de jornalismo as empresas poderiam contratar não diplomados. Agora imagine isso aplicado à profissão médica:
    Artigo primeiro - A partir de hoje é obrigatório diploma universitário de medicina para quem quiser ser médico.

    Parágrafo primeiro - Quem já exerce a medicina na data de hoje poderá continuar exercendo livremente, ainda que não tenha o diploma descrito no caput.

    Parágrafo segundo - Onde não houver faculdade de medicina, os hospitais poderão contratar médicos que não tenham formação universitária em medicina.
Fala sério. Depois as pessoas não entendem por que o Supremo decidiu o que decidiu.

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5 Comentários:

Anonymous Simão disse...

O argumento definitivo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009 10:52:00 BRT  
Blogger Mircon disse...

Alon,
Olhando seu histórico (trajetória) em PDF anexo ao Blog, vi que você foi convidado a ser "amicus curiae" por um juíz, num caso que trata da necessidade de diploma para jornalistas.
Pergunto: - Era esse caso que foi julgado agora? Ou é em outra Vara/Estância?

A propósito, concordo com o seu texto, e estou admirado que os jornalistas formados não tenham usado seus espaços para defenderem sua categoria. O que falta? União? Ou será que estão conformados e contentes com a decisão?
Os alunos de universidades que ingressaram com a promessa de o curso ser o único meio para se tornarem jornalistas de profissão terão como entrar com uma ação contra a faculdade, por não poder mais atender essa garantia?
Será que ao invés de um curso superior, não iriam preferir ter passado esse tempo todo trabalhando de graça em algum jornal de grande porte e fazendo carreira dentro dele? Será que os mais de 70 mil reais cobrados por uma faculdade de jornalismo continuarão atraindo alunos interessados em ser profissionais dessa área?
Aliás, foi decidido agora, que para ser cartorário, é obrigatório ser concursado além de ter o curso de Direito, e que os cartorários por "experiência", serão afastados.
Cartorário não pode ser comparado ao "cozinheiro"?
Dúvidas que eu tenho!

segunda-feira, 22 de junho de 2009 18:00:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Não fui convidado. Eu é que decidi pedir para ser aceito como "amicus curiae", o que infelizmente foi negado pelo STF.

segunda-feira, 22 de junho de 2009 18:34:00 BRT  
Blogger Mircon disse...

É uma pena que tenham negado seu pedido, provavelmente por preverem que o debate poderia tomar um rumo indesejado (por eles).

Mesmo assim, parabéns pela atitude e por sua trajetória, que eu pouco conhecia, apesar de já ter seu blog nos meus favoritos desde o prêmio Ibest do ano passado!
Continue nessa!

segunda-feira, 22 de junho de 2009 23:31:00 BRT  
Blogger Richard disse...

Se para ser médico será necessário diploma universitário, eles vão aprender COM QUEM para terem o diploma!?!?!?
Quem já exerce a profissão, sem problemas maiores, pode muito bem continuar atuando. A "reserva de mercado" é uma questão sindical, não empresarial.
Sou publicitário, mas sem diploma como meu pai. Entretanto, as agências de publicidade parecem não se importar muito, desde que o cara seja competente!!!
Só que é mais fácil vc achar um publicitário, médico ou jornalista competente numa faculdade de comunicação ou medicina... dificilmente numa de engenharia mecânica!!!!!!!!

quarta-feira, 24 de junho de 2009 15:40:00 BRT  

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